sexta-feira, 10 de abril de 2015

de volta com ENEM

Como funciona a pontuação do ENEM?

No ENEM, candidatos com o mesmo número de respostas certas podem ter resultados finais diferentes.

Por Alacir Arruda

Muitos alunos me perguntam: “professor como calcular minha media do ENEM? Bom, isso é um pouco  complexo, mas nada que tire o sono de ninguém. Segundo uma pesquisa feita com usuários do site Guia do Estudante, apenas 14% dos estudantes afirmam entender muito bem como funciona a pontuação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). 62% entendem mais ou menos e 24% não entendem como é calculado o resultado final.
Nos vestibulares tradicionais, as notas são calculadas de forma de que cada acerto vale a mesma coisa. No ENEM é diferente: candidatos com o mesmo número de respostas certas podem ter resultados finais diferentes. Um dos objetivos desse modelo é permitir que provas com níveis de dificuldade diferentes possam ser comparadas.
Dentro de cada prova do ENEM – Matemática e suas tecnologias, Linguagens, Códigos e suas tecnologias, Ciências da Natureza e suas tecnologias e Ciências Humanas e suas tecnologias (exceto a redação)  – foram estabelecidas escalas de proficiência. Essas escalas consideram que cada conhecimento adquirido é necessário para avançar naquela área. Ou seja, para aprender o conteúdo B é necessário conhecer o conteúdo A, e para aprender o conteúdo C é necessário ter aprendido o B.
Assim, para cada questão é esperado um determinado grau de proficiência. Ao mesmo tempo, espera-se que quem conhece o conteúdo B tenha respondido adequadamente uma questão sobre o conhecimento A. O objetivo disso é saber se há coerência nas respostas dos candidatos. A coerência é um sinal de que aquele conhecimento é sólido e que o acerto não foi apenas um “chute”.
“O que conta não é exatamente o número de acertos, mas, sim, o padrão de resposta, pois se procura estimar a consistência das respostas. Simplificando, podemos afirmar que, por exemplo, um respondente que acerte vários itens considerados fáceis e poucos difíceis provavelmente tenha acertado esses difíceis ao acaso e sua proficiência será estimada como baixa. Em contraste, outro respondente que acerte os mesmos itens fáceis e alguns de dificuldade média deve ter sua proficiência estimada como média”, explica o professor Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da USP.
Ou seja, no cálculo dos pontos, quando há coerência nas respostas, os acertos valem mais. Mas todas as questões respondidas corretamente contribuem com a pontuação. Por isso é melhor responder, mesmo tendo dúvidas, do que deixar uma questão em branco. Além disso, a nota mínima do ENEM não necessariamente é 0, nem a máxima é 1000. Esses parâmetros são definidos de acordo com o grau de dificuldade da prova.
O teste do teste
O processo de elaboração do ENEM inclui um pré-teste das questões. O INEP (órgão do Ministério da Educação que elabora o ENEM) aplica as questões para uma amostra de alunos com características parecidas com o do público que fará o exame. Com os resultados, três perguntas devem ser respondidas: essa questão é capaz de diferenciar os participantes que dominam uma habilidade e os que não dominam? Qual o grau de dificuldade dessa questão? Qual a chance de um participante acertar a questão por acaso? Isso define em que ponto da escala está a questão.
As questões que são reprovadas no pré-teste podem ser descartadas ou reformuladas; as questões aprovadas entram em um banco de itens para serem utilizadas nas próximas provas.
A teoria
Por trás desse modelo está a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Essa teoria se baseia em uma função que tem em um dos eixos o grau de dificuldade da pergunta e em outro eixo a probabilidade de um candidato com aquela proficiência acertar essa questão. O objetivo é obter resultados consistentes e comparáveis. Por outro lado, o resultado depende de uma equação complexa e de parâmetros a que os candidatos não têm acesso. “A TRI permite alguns refinamentos na estimativa das proficiências de modo a discriminar melhor os respondentes, finalidade essencial de uma prova como a do Enem”, comenta o professor Ocimar.
Esse sistema de pontuação passou a ser utilizado pelo ENEM com a reformulação do exame. O ENEM, inicialmente, era destinado apenas à avaliação do sistema de ensino médio. A partir de 2009, também passou a ser utilizado para ingresso em universidades federais, obtenção de bolsas do ProUni e como certificação da conclusão do ensino médio.
A TRI também é usada nas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), Teste de Inglês como Língua Estrangeira (TOEFL), Programa para Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), entre outras.


2 comentários:

  1. OOOOOO ALELUIA..ALACIR VOLTOU A ESCREVER..OBRIGADO PROFESSOR..ESTAVA SENTINDO FALTA. Raynne

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    1. verdade Ray...isso nao acontece desde 2013 quando ele nos ministrava geopolitica, lembras? Essa foi a ultima vez que ele ficou 2 meses sem publicar. Fico feliz do nosso professor predileto voltar a ativa..Valeu profe..lindo...bjs..Rafaela

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