quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Região dos Balcãs

O PROCESSO DE LIMPEZA ÉTNICA NOS BALCÃS.

Por Alacir Arruda

Atendendo a pedido...

Entender os conflitos, sobretudo étnicos,  na região dos Bálcãs não é fácil pois essa região, historicamente, sempre esteve envolvido em contendas desde a época que pertencia ao Império Romano. Mas foi a partir de 1990 que essa região ficou realmente conhecida mundialmente com o fim do socialismo. Com a fragmentação da grande Yuguslávia em 1989,  a Servia adotou uma postura imperialista frente   a Bósnios, Croatas, Monte negristas, Eslovenos, Macedônios  e Kosovares. Sob a égide de Slobodan Milosevic, presidente Sérvio, a Europa assistiu a um dos maiores derramamentos de sangue dos últimos 50 anos. A Servia,não aceitando a independência desses países, enviou tropas a todas essas ex-republicas Youguslavas e o mundo assistiu ao caos.

Não foi a primeira vez que os sérvios – ou iugoslavos - fizeram uma limpeza étnica nos Bálcãs. Antes dos albaneses kosovares, as vítimas foram os croatas e os bósnios, principalmente os muçulmanos, cuja religião foi herdada do longo domínio turco otomano na região até pouco antes da Primeira Guerra Mundial.

Aliás, os sérvios já estiveram envolvidos na deflagração da Primeira Guerra. Foi um estudante sérvio chamado Gavrilo Princip, pertencente a uma associação secreta conhecida como "Mão Negra", quem assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria. O atentado bem sucedido, ocorrido na cidade de Saraievo na Bósnia, culminou com a declaração de guerra contra a Sérvia por parte do Império Austro-Húngaro. Os países europeus foram, um a um, arrastados para o conflito que durou quatro anos, de 1914 a 1918.



A região sempre foi um barril de pólvora e até hoje possui um baixo padrão de vida. O que mantinha a antiga Iugoslávia coesa era a mão de ferro do Marechal Tito. Mas sua morte em 1980 abriu espaço para a manifestação de nacionalismos reprimidos durante muito tempo. Eslovênia, Croácia, Bósnia e Macedônia conseguiram, a muito custo, desvencilhar-se da dura dominação sérvia.

O atual conflito possui raízes no começo do século e isso pode ser sabiamente explorado pelos examinadores nas provas de História. É recomendável estudar a hegemonia que os turcos otomanos já exerceram na região, as guerras balcânicas contra a Turquia, a Primeira Guerra, os fatores que contribuíram para sua eclosão, a formação da Iugoslávia em 1945, a vida do Marechal Tito, o pan-eslavismo (união de todos os povos eslavos sob a batuta de Moscou), a influência soviética na península balcânica após a Segunda Guerra, etc.

A Guerra dos Balcãs

Entre 1912 e 1913, acontece a chamada “Guerra dos Balcãs”, que envolveu várias nações e províncias do leste europeu. Sérvia, Montenegro, Grécia e Bulgária uniram-se contra a Turquia, com o objetivo de expulsar os turcos otomanos da região, que dominavam a Macedônia, que pertenceria à Sérvia. A tendência de expansionismo da Sérvia também buscava anexar a Albânia. A Áustria, no entanto, interveio e conseguiu o reconhecimento da independência da Albânia, impedindo o expansionismo sérvio.

Estes conflitos iriam se desencadear na 1 Guerra Mundial, e na formação prévia do chamado “pan-eslavismo”, que foi um movimento que visava agregar as nações dos balcãs na chamada Grande Sérvia. Em outras palavras, caracterizava o interesse hegemônico do expansionismo Sérvio na região, com o apoio posterior da URSS stalinista.

O final da Primeira Guerra e o desmembramento do Império Áustro-Húngaro, resultou na unificação dos territórios da Croácia, Eslovênia e Bósnia-Herzegovina com os da Sérvia e Montenegro. Nasce aí o chamado Reino da Sérvia, Croácia e Eslovênia.


Durante a 2 Guerra Mundial, em 1941, a Yoguslávia assina um pacto de amizade com a URSS. A Alemanha, Itália, Hungria e Bulgária, então, invadiram a Yoguslávia, aproximando-se da Croácia, que fazia oposição e desejava a separação, o que os levou a uma aproximação dos croatas com a Alemanha.

Uma Guerra civil se instaurou na região. (Conflito dos Balcãs)

Não apenas étnico, este episódio também pode ser visto como um conflito político. O sentido geo-político do conflito civil nos balcãs era claro, porém, “maquiado” pela justificativa de um conflito étnico. Havia, claro, interesses econômicos e territoriais.

Com o fim da 2 Guerra Mundial, é proclamada a República Federativa da Yoguslávia, ligada ao bloco socialista. Até o início da década de 1990 foi mantida tal ordem, baseada em um pensamento unitário (de partido único), influenciado pelo stalisnismo.

Ao longo dos anos foi produzida na região uma grande insatisfação popular, que explodiria durante a década de 1990.

De fato, a pluralidade da unitária Iugoslávia deve ser levada em conta: são cinco grupos eslavos (eslovenos, montenegrinos, croatas, sérvios e macedônicos); dois alfabetos (cirílico e latino); três línguas (esloveno, macedônico e sérvo-croata); quatro religiões (católicos, protestantes, ortodoxos e muçulmanos); e seis repúblicas federadas.

Em 1991 iniciou-se a fragmentação da Iugoslávia: Croácia e Eslovênia declararam suas independências. A Bósnia, em 1995, após três anos de guerra, conquista também a sua independência. A guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995, mostra a divisão étnica do país, além de fazer saltar aos olhos os interesses econômicos por trás dos conflitos.

Na segunda metade da década de 1990, a Guerra de Kosovo intensificaria os conflitos na região. Desde desmembrada a Iugoslávia, sérvios e albaneses se digladiam na região do Kosovo, que luta para conseguir sua independência da Sérvia.

Depois dos bombardeios da Otan à Belgrado, em 1999, os líderes ocidentais e Slobodan Milosevic chegaram a acordo para colocar fim aos conflitos. As tropas sérvias seriam retiradas, com a formação de uma força internacional de paz no Kosovo.

Milošević foi indiciado em maio de 1999, durante a Guerra do Kosovo, pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Youguslavia das Nações Unidas por crimes contra a humanidade no Kosovo. As acusações de violar as leis ou costumes de guerra, violações graves das Convençõles de Genebra, na Croácia e na Bósnia e o genocidio da Bósnia foram adicionados um ano e meio depois.

Na sequência da transferência de Milošević, a acusação original de crimes de guerra no Kosovo foram atualizados pela adição de acusações de genocídio na Bósnia e crimes de guerra na Croácia. Em 30 de janeiro de 2002, Milošević acusou o tribunal de crimes de guerra de ser um "mal e hostil ataque" contra ele. O julgamento começou em Haia, em 12 de fevereiro  de 2002, com Milosevic se defendendo enquanto se recusava a reconhecer a legalidade da competência do tribunal. 

As acusações pelas quais Milošević foi indiciado foram: genocídio, cumplicidade em genocídio, deportação; assassinatos, perseguições por motivos políticos, raciais ou religiosos, atos desumanos / transferências forçadas , extermínio, prisão, tortura, homicídio voluntário, privação ilegal de liberdade, intencionalmente causando grande sofrimento; deportação ou transferências ilegais, destruição extensiva e apropriação de bens, não justificadas por necessidades militares e executadas de forma ilegal e arbitrária; tratamento cruel; pilhagem de propriedade pública ou privada, ataques a civis, destruição ou danificação deliberada de monumentos históricos e instituições que se dedicam à educação ou à religião; atentados ilegais a objetos civis.

Em fevereiro de 2007, o TPII julgou a Sérvia não culpada de genocídio e concluiu que o governo de Belgrado não planejou o Massacre de Srebrenica  (o episódio mais grave contido na acusação). No entanto, o presidente do TPII afirmou que Milošević estava ciente do risco de ocorrência de massacres na Bósnia e não fez nada para impedir.
Funeral de Milošević: uma multidão de sérvios esperando para render homenagem a Slobodan Milošević em seu domicilio em Belgrado

Milošević foi preso e condenado pelo tribunal internacional de Haia por crimes contra a humanidade. No dia  11 de março de 2006 Slobodan Milosevic foi encontradpo morto em sua cela no centro de detenção do tribunal penal em Scheveninguen em Haia. As autópsias logo estabeleceram que ele morreu de um ataque cardíaco. Ele sofria de problemas cardíacos e pressão arterial elevada. Muitas suspeitas foram expressas no sentido de que o ataque cardíaco tinha sido causado ou provocado deliberadamente pelo TPII, de acordo com simpatizantes, ou por si mesmo, segundo os críticos.

A morte de Milošević ocorreu logo após o tribunal negar o seu pedido para tratamento médico especializado em uma clínica de cardiologia na Rússia. As reações à morte de Milošević foram mistas: os apoiantes do TPII lamentaram pois consideraram que Milošević permaneceu impune, enquanto os adversários responsabilizaram o tribunal pelo o que tinha acontecido.

Como lhe foi negado um funeral de Estado, um funeral privado para Milošević foi realizado por seus amigos e família em sua cidade natal, Požarevac, depois de dezenas de milhares de seus partidários participaram de uma cerimônia de despedida, em Belgrado. O retorno do corpo de Milošević e o retorno de sua viúva à Sérvia foram muito controversos, levando a grandes dificuldades antes da sua resolução. 

Se gostou  compartilhe,,


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Vereador??

"SUA EXCELÊNCIA O VEREADOR"

Por Alacir Arruda

Você sabe qual a  função de um vereador? Em tese esses "INDIVÍDUOS" são eleitos para serem a voz do povo, sobretudo do mais humilde,  perante a estrutura politica que se instalou no Brasil pós Império. .  Vereador é o representante do cidadão e dentre as suas atribuição estão: 

- Criar e Fiscalizar Leis
-Contribuir com o executivo,  levando propostas e reivindicações dos munícipies
-Fiscalizar o Executivo (Prefeito)

Porém, segundo dados da  Ong  contas abertas, 91% das leis aprovadas pelos vereadores brasileiros são inúteis,  dedicadas a nomear ruas, criar datas comemorativas, menções honrosas, de falecimento e nascimento,.  Esse Levantamento aponta ainda que todas as câmaras de vereadores sofrem forte influência do Executivo, em alguns casos os vereadores, são - "literalmente" - comprados pelo Prefeito para que tenha seus projetos aprovados. Veja alguns comprativos da câmara de São Paulo

Projetos do Executivo

No mandato, os vereadores de São Paulo aprovaram 381 projetos de lei (PLs) nas sessões no plenário. Nesse período, 120 projetos vieram do Executivo, ou seja, 31% do total, segundo dados fornecidos pela Câmara Municipal.

Entre 2013 a 2016, o número de projetos aprovados pelo Executivo variou bastante e oscilou entre 11% e 63% do total a cada ano. Em 2016, dos 77 aprovados pela Câmara, 49 foram propostas do Executivo, ou seja, 63%. Esse foi o ano que registrou a maior quantidade de projetos de lei que não foram propostos pelos vereadores.

Mas e os vereadores não propõem projetos?

Sim! Eles propõem sim: Nomes de ruas e datas comemorativas , de 2013 a 2016 foram criadas 798 leis municipais, de acordo com balanço da Prefeitura de São Paulo. Esses dados referem-se a aprovação de projetos de lei, projetos de resolução, decreto legislativo e emenda à lei orgânica municipal.

Das leis criadas nos quatro anos do Legislativo, 195 foram criações de datas comemorativas e 269 foram denominações de logradouros (vias públicas). O total representa 58% das leis aprovadas no período.

Vereadores acumularam 635 faltas

Segundo dados da própria Câmara, entre 2009 e 2012, os 55 vereadores acumularam 635 faltas em sessões ordinárias. Os números não consideram as ausências dos parlamentares em sessões extraordinárias e nem as licenças ou faltas justificadas mais tarde.

Adolfo Quintas (PSDB), que não foi reeleito nas eleições realizadas em 2012, foi o recordista, com 42 faltas acumuladas. De acordo com sua asssessoria, Quintas enfrentou problemas de saúde, inclusive um infarto durante a pré-campanha de 2012, e alternou períodos de afastamento por motivos médicos que até o final do mandato ainda eram alvo de debate entre a assessoria jurídica do vereador e da Câmara.

Também se destacaram no quesito faltas Netinho de Paula (PCdoB), com 34 ausências, e Antonio Goulart (PMDB), com 33. O G1 não conseguiu localizar os vereadores para falar sobre o assunto. 

Denúncias

Desde 2012,  maos 30 denúncias foram encaminhadas para a Corregedoria da Câmara, sendo que treze delas foram arquivadas. O vereador Wadih Mutran, que também ocupou o cargo de corregedor, é o que possui o nome citado mais vezes nas denúncias que envolvem desde estacionamento irregular de veículo oficial até o aumento de patrimônio pessoal. Porém, a informação sobre as denúncias não estão disponíveis no site. Mutran foi procurado pela reportagem, mas não retornou as ligações. 

Na legislatura que se iniciou em janeiro de 2017, 35 dos 55 vereadores foram alvos de processos movidos pelo Ministério Público Eleitoral por terem recebido doações ilegais durante a campanha, algumas sem origem ou consideradas acima do limite legal, mas mantiveram-se nos cargos aguardando a decisão final dos processos.

Salários e gastos

A partir de janeiro de 2013, o salário dos 55 vereadores de São Paulo passou de R$ 9,2 mil mensais para R$ 15.031,76 e  cada um dos parlamentares também terá direito ainda a verba de gabinete no valor de R$ 121.425,03 mensais para pagamento de 18 assessores. Cada gabinete tem um chefe de gabinete e até 17 assistentes parlamentares.

Os vereadores também recebem verba de custeio mensal de R$ 22.287,50 mensais, para pagamento de despesas cotidianas como correios, assinatura de jornais, materiais de escritório, deslocamentos pela cidade e serviços gráficos. Somadas apenas as verbas vinculadas diretamente a cada um dos 55 gabinetes, os valores ainda não reajustados pela inflação chegam a R$ 171 mil.

Vereador não é profissão.

Uma verdade precisa ser exposta: "Vereador não é profissão". Por curiosidade científica buscamos conhecer a Classificação Brasileira das Ocupações, onde consta o Guia das Profissões Regulamentadas, publicada no portal do Ministério do Trabalho (www.mtecbo.gov.br).

Descobrimos que existe previsão legal de algumas profissões diferentes e extravagantes, como Repentista, o profissional que “utiliza o improviso rimado como meio de expressão artística cantada, falada ou escrita, compondo de imediato ou recolhendo composições de origem anônima ou da tradição popular”, como preleciona a Lei nº 12.198, de 14 de janeiro de 2010.

No mesmo repositório oficial se vê a Lei nº 12.467, de 26 de agosto de 2011, que criou a profissão de “sommelier”, a descrevendo com o a atividade do trabalhador que “executa o serviço especializado de vinhos em empresas de eventos gastronômicos, hotelaria, restaurantes, supermercados e enotecas e em comissariaria de companhias aéreas e marítimas”, de acordo com a redação do artigo 1º da mencionada norma.

Todavia não existe oficialmente a profissão de vereador, logo, para todos os efeitos, este custoso adorno da política brasileira é desnecessário e inútil, e em épocas de contenção de custos (em razão da crise), é oportuno repensar o artigo 29 da Constituição Federal, que prevê a figura do vereador, todavia não impõe a obrigação de que o mesmo seja remunerado!

Já houve uma proposta de diminuição na remuneração de vereadores com mudança na Constituição Federal, a PEC nº 35/2012, subscrita por mais de 30 senadores, que – em razão da pressão dos edis – foi arquivada, sem votação.

Vereador não deve ser remunerado, inclusive porque não se trata de profissão regulamentada, não há contraprestação, esforço, mais-valia.

Há que se conferir um novo e relevante papel aos vereadores brasileiros, a atividade não remunerada resgatará o verdadeiro papel honorífico e social do exercício da política nos municípios. Retirando o atrativo financeiro, se afastarão do cenário político uma série de figuras pitorescas (para dizer o mínimo), bem identificadas nas campanhas eleitorais. A intenção desses “profissionais da política” é unicamente receber os subsídios (nem sempre módicos) pela participação em poucas sessões mensais, onde “relevantes” projetos, como indicação de nome de ruas ou concessão títulos honoríficos, são votados.

Uma pesquisa produzida pela “Transparência Brasil” mostra que o custo de cada um dos 25 vereadores de Cuiabá, na atualidade, é de R$ 67.031,00 mensais ao contribuinte da capital mato-grossense. Isso representa a oitava maior despesa entre as câmaras municipais das capitais brasileiras, conforme o levantamento. Outro indicativo de despesa desnecessária é a verba indenizatória destinada aos vereadores de Cuiabá, a mais “polpuda” registrada entre as capitais do país, chegando a R$ 25 mil mensais e judicialmente contestada.

O contribuinte não suporta mais.

O custo da “máquina” tem que descer a níveis aceitáveis. O senado federal adquire veículos ao custo de R$ 130 mil reais, em tempos de crise, enquanto que o dirigente da câmara dos deputados “torra” R$ 400 mil fazendo turismo em Israel.

Eu proponho mudar essa realidade, a começar pela extinção de salário dos  vereadores, e que na política permaneçam os vocacionados, uma vez que essa atividade, como visto, não é profissão, não há direito alimentar a ser protegido.

Se gostou compartilhe

sábado, 26 de agosto de 2017

As bestas....

"OS BESTIALIZADOS 2".

Por Alacir Arruda
Que temos os piores políticos do mundo, um sistema educacional sedimentado na falácia instrumental que nada ensina , um  modelo de segurança digno de fazer inveja aos aplicados por Hitler e Mussolini e poderes viciados em interesses individuais disso todos sabem. porém, entretanto, todavia,  meu objetivo é outro: é tentar entender que povo e este, qual seu imaginário político e qual sua prática política.

Em épocas de Impeachment, Lavas-jatos e a certeza de que perdemos o rumo vou buscar numa das maiores obras literárias brasileiras - Os Bestializados de Jose Murilo de Carvalho- subsídios para tentar explicar aquilo que muitos julgam inexplicável, qual seja, o comportamento do povo brasileiro diante disso tudo.

O livro Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi, de José Murilo de Carvalho se refere ao estudo da prática de cidadania entre o povo brasileiro no início da República. Utilizando-se de inúmeras fontes, que vão desde revistas e jornais da época a documentos oficiais, desde artigos e teses a livros conceituados, o autor constrói seu trabalho de maneira singular. O trabalho é dividido em cinco capítulos, além da conclusão, notas, caderno de fotos e bibliografia no final. São ao todo 196 páginas muito bem utilizadas, e que vale a pena serem lidas. Logo na introdução ele lança o questionamento que buscará responder no decorrer do livro: por que o povo era considerado bestializado? Qual a razão de sua apatia política? Num primeiro momento, ao ler-se o título da obra, pensa-se até que o autor tratará da passividade do povo brasileiro, de sua inércia política. Mas seu objetivo é outro: é “tentar entender que povo era este, qual seu imaginário político”.

Os Bestializados do século XXI pouco diferencia daquele do final do seculo XIX, grande parte da massa não entende o que ocorre em Brasilia, rimos como bobo alegre da nossa própria desgraça, somos motivo de piada internacional e vibramos quando aparece um salvador da pátria que, como o detentor da espada do Rei Arthur, nos salvará das mãos impiedosas dos nossos algozes. Ou seja, sonhamos! Vivemos uma Utopia de Hobbes, onde o Leviatã do momento é Sergio Moro, mas no passado já foram Collor, FHC e Lula, enfim, não interessa quem; o importante e termos alguém que "cuide" de nós, afinal não seria essa a figura da república? Uma mulher desnuda com os seios amostra que sacia a fome dos seus? Que cuida do povo? 

Segundo o Dados do Data Folha à época do impedimento da ex Presidente Dilma, menos de 15% da população brasileira sabia o que era Impeachment, 10% nunca tinham ouvido falar em Michel Temer e para 74% Lava Jato é um posto de gasolina que também lava carro, salve a ignorância. Temos mais, menos de 8% sabiam o papel das duas casas do Congresso, 4% a função de um senador e 12% a de um deputado o STF era uma sigla incompreensível para 92% dos entrevistados e pasmem, para 55% Lula ainda era Presidente ( bom esses acertaram..)...Como diria Francelino Pereira no auge da ditadura: "que país e esse"? Deixo aos senhores essa resposta.

Ora, sou um educador e como tal não tenho pretensão alguma de mudar o imutável, de sonhar com o irrealizável ou de pensar que algo extraordinário ainda ocorra nesse seculo, tenho massa cinzenta o suficiente para entender que em educação o máximo que posso fazer é a minha parte: educação e a arte do possível. E por que insisto? Não sei, talvez teimosia ou irresponsabilidade mas não consigo me calar diante desse disparate de coisas estranhas que vejo passar diante dos meus olhos. Sabe por que nos acostumamos com tudo isso? Porque toda mudança exige sacrifício, esforço, e não somos ensinados a isso, tudo que o mundo nos oferece é mais prático, mais cômodo, acessível, então permanecemos sempre dependentes. Quiséssemos nós desde cedo, ter sido ensinado a lutar, não desistir, perseverar, sacrificar...hoje estaríamos muito mais a frente de outras nações, seriamos muito melhores

Ao final do seu livro, Jose Murilo pontua que a República não era para valer. O discurso bonito do Estado não condizia com a realidade. Quem percebia isso não era bestializado. “Bestializado era quem levasse a política a sério, era o que se prestasse a manipulação (...) Quem apenas assistia, como fazia o povo o Rio por ocasião das grandes transformações realizadas a sua revelia, estava longe de ser bestializado. Era bilontra [gozador, espertalhão].” (p. 160). Em sua conclusão o autor explica que como não aconteceu uma República real, ou seja, o governo nunca foi uma coisa pública, a cidade não teve cidadãos, nesse sentido. Estes se relacionavam com o Estado da maneira que conseguiam. Como a cidade foi impedida de ser República, foram formadas várias repúblicas, onde os cidadãos foram construindo a sua identidade coletiva.

Fazendo uma analogia com a atualidade, hoje podemos dizer que reina o "cada um por si e o diabo por todos", onde os interesses pessoais estão a frente de valores como cidadania, ética comprometimento etc. Sabemos que a corrupção impera porém, a vingança do povo se dá com a indiferença a não participação no debate politico enfim...é a forma encontrada pelos bestializados de se fazerem vistos. Por mais contraditório que isso possa parecer é forma legitima ( mesmo que não a ideal), de manifestação..


Se gostou compartilhe..

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Sofremos da Síndrome de Vira Lata..

O BRASIL E O SEU CARMA: A SÍNDROME DE VIRA-LATA.

Por Alacir Arruda

É conhecida e  famosa a frase do escritor e teatrólogo  brasileiro Nelson Rodrigues que dizia: “O Brasil sofre da síndrome de vira-lata, ou seja, tudo que vem de fora e melhor”.  Bom, vou tentar desmistificar essa máxima, fazendo uma análise do conhecimento que eles possuem sobre a gente. 

Primeiro, temos a ideia que o norte americano é extremamente inteligente,  que suas escolas são as melhores do mundo e suas universidades formam gênios como John Nash, Noam Chomsky etc.. Ledo engano, é evidente que não podemos ignorar a potência bélica e econômica que esse país se tornou nos últimos 100 anos, mas atribuir a isso apenas a capacidade cognitiva deles é senso comum.

Em pesquisa do famoso Instituto Gallup, uma da referências do mundo em pesquisa de opinião, realizada em 2016 em que  foram ouvidos mais de 10.000 (dez mil) alunos de oito  grandes universidades americanas,   entre elas Harvard, Yale, Duke, Stanford e Princeton, que figuram  entre as 10 melhores do mundo, essa pesquisa questionou o conhecimento que esses  acadêmicos possuem sobre o Brasil.  As perguntas eram óbvias a qualquer cidadão terráqueo.  

1-      Qual a língua falada no Brasil
2-     Qual a capital do Brasil
3-     Quem é o (a) presidente do Brasil
4-     Se podem falar algo sobre a bandeira do Brasil
5-     Quando se fala de brasil o que tem vem primeiro na cabeça.
6-      Voce acredita que o Brasil é um país violento, iria de ferias para lá.

Vamos aos resultados; 

Quanto a primeira pergunta, 75% dos alunos americanos acham que o nosso idioma e o espanhol. A segunda pergunta, 45% acham que a capital do Brasil é São Paulo e 40% Rio de Janeiro. 3  pergunta, qual o  nome do Presidente do Brasil?  Nenhum...eu disse;   nenhum........ dos dez mil alunos acertaram (se bem que Temer não é um nome bom de ser lembrado). Sobre a nossa bandeira  40%  associou à bandeira argentina fazendo referencia ao sol, 20% disseram que ela é engraçada, cheias de cores, e o restante disseram que não fazem ideia.   Quanto a 5º  pergunta, o que eles lembram quando se fala de Brasil?  70% responderam mulheres e 15% “bunda”( olha como são assanhados esses americanos mulherada! ),  e os outros  15% disseram  Futebol, Amazônia etc.. Mas sem duvida nenhuma, nossa unanimidade, foi no quesito violência. Para 100% dos entrevistados o Brasil e um país muito violento sendo que desses, 65%  disseram que jamais viriam para cá.

Algumas ponderações são necessárias. Quanto a ignorância deles sobre dados geográficos e conhecimentos gerais não entrarei no mérito, até porque eles tem pedigree,  tiveram um Presidente que chamou a Bélgica de Bolívia ( George Bush 2001), entretanto,  desfazerem de fatos mundialmente conhecidos, como a nossa cultura e as riquezas naturais, isso e inaceitável para um país que pretende se manter na vanguarda do mundo. Eu sei que para alguns  americanos o Brasil é a mosca que assentou no cocô do cavalo do bandido, ou seja, nada. O que mais aborrece é ver a exaltação que certos conterrâneos meus fazem a essa nação, reforçando a síndrome de vira-lata, "tudo que vem dos EUA e bom." Eu discordo, a burrice não é privilegio apenas nosso.

O que se obtém de positivo nessa pesquisa é que nós, e apenas nós,  podemos mudar essa imagem que o mundo faz da gente. Como? O dia que cada cidadão rever seu grau de comprometimento com  a nação, descobrir que urna não e pinico e que voto não tem preço, tem consequências, ainda que todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser realizado, talvez nesse dia possamos superar essa síndrome de subalternos que carregamos. 

O dia que tivermos homens públicos compromissados com a nação, e não apenas com suas contas bancarias, o dia que tivermos um sistema educacional que não ajude a reproduzir a desigualdade e, principalmente, o dia que você, que  agora lê esse artigo, descobrir a força que tem,  ai sim mudamos isso. E podemos  começar agora em 2018 essa mudança, aproveite a virada de ano e faça algo de útil pelo seu país, caso contrario:  ......Salve Nelson Rodrigues.

                                                                 Se gostou compartilhe..

Governo sem rumo

UM GOVERNO SEM RUMO.

Por Alacir Arruda

Bateu desespero no governo Temer. Após a mentira divulgada no do inicio do ano que o déficit  fiscal de 2017 seria reduzido de 160 bilhões para 139,  agora  a situação está  tão “preta” que  os otimistas já  falam em 180 bi de déficit. Um rombo jamais visto nas contas públicas.  O governo tentou de tudo:  disse que iria reduzir  o aumento do salario mínimo em 10,00  para 2018 , algo inédito no mundo - após uma enxurrada de criticas  ele recuou.  E tem mais, a equipe econômica  de Temer ainda anunciou: aumento da alíquota do Imposto de Renda de 27,5% para 35%, aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos de 11% para 14%, e teve que recuar também em ambas face as criticas.

Ainda em função desse desespero, o governo cortou todas as nomeações de aprovados em concursos e diminuiu o repasse às universidades federais em media 40%, algumas não tem dinheiro para se manter  ate dezembro. Mandou ainda  o INSS fazer um pente fino  em seus benefícios,  cortando mais de 160 mil por incapacidade  e licenças saúde.  Mas a prova de que esse governo perdeu completamente o rumo, economicamente falando, foi o anúncio de que irá privatizar 47 empresas estatais ate o final do ano.

Minha mãe,  do alto dos seus 80 anos,  sempre diz assim: “filho quando a água bate na bunda a gente aprende a nadar”. Essa água já bateu há anos no traseiro desse governo que está morrendo afogando aos poucos. Podemos comparar o governo Temer a um paciente na UTI cujo médico manda avisar a família para fazer as despedidas, em suma, esta em fase terminal. E a culpa é única e exclusiva é dele, um homem que tem usado de todas as artimanhas politicas para se manter no poder a qualquer custo. Só em julho Temer liberou mais de 2 bilhões, isso mesmo 2 bi.. de reais em emendas do Orçamento para os aos seus apadrinhados políticos com o objetivo de barrar qualquer tentativa do MPF  processar a sua “Excelência”.

Quanto as privatizações, o Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda mantem empresas públicas, qualquer pais sério já privatizou suas empresas  há anos. O que temos que entender, é que por mais que sejamos um país construído a partir da ideia de  um Estado “paizão”,  onde o serviço publico acaba sendo o sonho de 11 em cada 10 brasileiros, no mundo contemporâneo isso é considerado um retrocesso.  O estado como administrador é um fracasso total. Segundo o economista Milton Friedman,  da Escola de economia de Chicago,

“Governos são péssimos administradores, ao ponto de se   colocarmos qualquer um  deles  para administrar o  Deserto do Saara, faltará areia em 5 anos."
  
No caso do Brasil, não tenho dúvidas que faltará areia em 2 anos, afinal, damos sempre um “jeitinho” de acelerar as coisas.

Privatizar a toque de caixa,  como Temer pretende fazer, não resolverá , ao menos no curto prazo, o  problema crucial do país que são os gastos públicos. Enquanto não houver uma Reforma do Estado brasileiro que diminua o tamanho de suas atribuições não há privatizações, aumento de impostos, demissões voluntárias de servidores, reforma previdenciária que dê jeito.

O que esse país precisa é de uma nova diretriz enquanto nação. O  mundo mudou estamos nos século XXI, o século do conhecimento,  século do empreendedorismo e da criação e  estamos com regras  e comportamentos sociais,  econômicos e fiscais do inicio dos século passado. Não podemos aceitar que hoje,  de cada dez  jovens, nove queiram prestar concursos, seguirem carreiras publicas, segundo uma recente pesquisa da FGV-SP constatou. O serviço público em qualquer pais sério  do mundo é a ultima opção do cidadão, no Brasil  acabou virando a primeira, em função de falta de politicas públicas que estimule a criação e o empreendedorismo. Temos que aprender com Córeia do Sul, Finlândia e outros países que após a II Guerra se encontravam totalmente arrasados  em condições medievais de vida e hoje são potências tecnológicas. Sabem o segredo deles? Altos investimentos em  Educação!!!

O Brasil precisa parar com esse orgulho besta de ser o maior produtor de soja do mundo,  o terceiro de milho, o maior de carne bovina, isso são commodities do setor primário e  nada agrega ao país. Precisamos  investir em pesquisa  em inovação em química fina para que possamos desenvolver projetos que alce o pais ao roll das grandes nações. O Brasil não e respeitado mundialmente por isso, a fama que temos  la fora é de produtores rurais, ou seja produzimos a soja aqui no Mato Grosso, mandamos  “in natura” por carretas para o porto de Santos de lá segue para Estados Unidos e  Europa de  onde volta como “Ades” entre  outros produtos industrializados que lotam as prateleiras de nossos supermercados. Isso não é um contrassenso?  Porque não industrializamos essa soja aqui?  Sabem por quê?  Porque não temos tecnologia, ou quando temos não somos autorizados, pois a patente é americana.

Enfim, só uma Reforma do Estado para corrigir essas discrepâncias e, quem sabe, daqui a 80 anos,  nossos filhos possam ver uma realidade diferente dessa. Mas falar em Reforma do Estado com  esse Congresso, onde quase 2/3  de seus membros se encontram envolvidos em “maracutaias”??


O problema é que no Brasil os  Políticos não são eleitos pelas pessoas que leem jornais, mas pelas quais se limpam com ele.

Se gostou compartilhe..

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Prefiro infelicidade 2

PREFIRO A INFELICIDADE CONSCIENTE, QUE UMA FELICIDADE CONFORMISTA  2.

Por Alacir Arruda

Como dizem os cariocas, fico "bolado" com as pessoas que afirmam ter encontrado um caminho para a felicidade plena, como se essa felicidade fosse algo  raro destinado  a poucos. Aliás, sempre achei esse lance de felicidade um embuste do nosso Ego,como afirmou  Freud. Porém, quando toco nesse assunto muita gente me olha com aquela cara,: "do que é que você está falando?"   "Você está maluco?"E por ai vai. 

A grande verdade é que a nossa sociedade é viciada em felicidade. Aprendemos desde cedo que nossas decisões na vida devem ser tomadas baseadas no potencial que as escolhas à nossa frente possuem de nos proporcionar uma vida feliz. Com quem vou me casar? Vou ter filhos? Que profissão vai me realizar mais?  A cada passo que damos, supostamente, devemos fazer a matemática da felicidade em nossa mente e analisar qual opção tem maior potencial. Ficamos furiosos quando depois de um tempo descobrimos que a escolha que fizemos não era a que trazia felicidade, mas sim a outra que abrimos mão.  Um pouco disso e a  culpa da nossa moral Judaico-cristã ocidental. Essa idéia de pecado original nos aflige,   como diria Nietzsche. 

Esse raciocínio está tão impregnado em nossas mentes que temos muita dificuldade em percebermos toda a sua armadilha e decepção. A reação natural quando toco nesse assunto é o questionamento contrário: "então se não vamos procurar a felicidade, vamos fazer o que? Procurar a infelicidade? Aceitar uma vida que não queremos? Qual o propósito disso?"

Esse raciocínio provém da noção de que se não buscarmos a felicidade na vida, então nada nos sobra. Bom, vamos pensar um pouquinho aqui com lógica, ok?! 

O que é realmente essa tal de felicidade? Não de uma forma concreta, mas o que as pessoas estão buscando quando elas medem alternativas tentando descobrir qual delas as fará felizes? 

Conforto, ausência de problemas e desafios, alegria, tranqüilidade, paz…humm…isso  parece ótimo, não? Do ponto de vista social, o final feliz é esse, não é mesmo? Mas você já parou para pensar que não há final algum? Não há final feliz, nem triste, não há final até que sua própria vida acabe! Nossa vida não é um filme que acaba depois que alcançamos nossos objetivos. Então porque tanta gente persegue “sonhos utópicos” como se esses carregassem seus finais felizes? 

Mas vamos um pouco mais fundo..Ja imaginaram que  vidinha mais medíocre essa feliz, hein? Nenhum problema, nenhum desafio, só alegria, só conforto, só paz, só tranqüilidade…Fico imaginando o  quanto demoraria para você se sentir infeliz com toda essa felicidade?! 

Mas Alacir, você está dizendo então que deveríamos ser infelizes? 

É aí que muita gente não entende exatamente do que é que estou falando… 

Felicidade ou infelicidade são percepções do ego. Freud afirma que o nosso ego e nosso algoz, ele só quer elogios,tranquilidade e orgia. Inclusive, já falei sobre isso em artigos anteriores, mas percebi pelos comentários que muita gente não entendeu direito o que eu estava falando… 

Nosso lado egoísta, aquele que tem vontade, que quer as coisas, é que quer ser feliz. Nosso ego não gosta de nada que atrapalhe seu prazer. Se dependesse do nosso ego, ficaríamos em casa o dia inteiro sentados na frente da TV, comendo pipoca e pizza e só levantaríamos para fazer coisas que também são prazerosas. Jamais aceitaríamos qualquer situação que nos proporcionasse qualquer tipo de desconforto… a não ser que visualizássemos um benefício futuro resultante do sacrifício de abrir mão do próprio prazer. 

Como a maioria das pessoas não pode se dar ao luxo de só fazer o que quer de acordo com suas próprias vontades, elas desgostosamente fazem os sacrifícios que a vida lhes impõe, mas seu “sonho” é voltar à condição de prazer máximo. É por isso que buscam a felicidade com tanto ardor. O que elas querem na verdade é eliminar todas as atividades que a vida lhes impõe para que elas possam então desfrutar de tudo de bom que a vida tem a oferecer. 

Muitas pessoas erroneamente interpretam a filosofia Carpe Diem dessa forma. O motivo é que simplesmente não entendem o que poderia haver na vida além de se buscar a própria felicidade. Esse raciocínio, como eu mencionei, é resultado de uma vida inteira tendo essa idéia martelada na cabeça, assistindo filmes de Hollywood que mostram exatamente esse conceito – o filme sempre acaba quando o herói finalmente conquista seus objetivos e então supõe-se que depois do final da estória, ele viveu feliz para sempre. 

A minha percepção sobre esse assunto é altamente influenciada pelas diversas teorias orientais que abominam o ego e suas vontades. 

Esse meu background me leva a crer que não viemos a esse mundo para curtir a vida e sermos felizes, mas sim para evoluir e ajudarmos uns aos outros. Dentro dessa perspectiva, a felicidade parece ser uma grande perda de tempo, um poço sem fundo de mediocridade. 

Acredito que temos uma programação de vida, uma missão (ou várias!) e que a realização desse propósito não envolve conforto, alegria ou tranqüilidade. Quem sente essas emoções é o ego, justamente a parte de nós que não está a fim de cumprir missão alguma, está a fim de ficar quieto, sem ser perturbado ou melhor, só curtir a vida no maior conforto. O ego não gosta de nada difícil, evidentemente! “Difícil” envolve desconforto, desafios e muitas vezes sacrifício sem benefício do final das contas. O ego não quer saber desse tipo de coisa, o ego só topa o sacrifício se ele estiver de olho no benefício que vai usufruir quando terminar. 

O próprio conceito de evolução carrega inerente consigo uma interpretação de benefício, porém, muitos de nós, na condição de seres humanos sem visão de conjunto alguma, não conseguimos ver os benefícios reais. Nosso ego, por sua vez, não topa desafio algum se não for para ganhar nada em troca de todo o sacrifício. É por isso que muita gente simplesmente não entende porque precisamos abrir mão da felicidade. Nossa sociedade está tão impregnada com a idéia de que se não há benefício, não vale à pena, que muita gente não consegue deixar cair a ficha. 

Não é uma questão de ser infeliz, não é isso que estou defendendo! A minha posição é que se preocupar com felicidade ou infelicidade é uma atividade puramente egoísta. O que defendo é não se importar com felicidade ou com infelicidade, simplesmente fazer o que tem que ser feito e ponto final. É difícil? Ok. Vou ter que fazer sacrifícios sem benefício algum? Ok. Viver seu propósito de vida requer esse tipo de postura. 

Não acredito que a felicidade seja o propósito de ninguém! Se fosse pra ser fácil, você não estaria nesse mundo! Você já pensou nisso? 

O negócio então é aceitar a dificuldade sem reclamar, sem ficar dizendo com aquela voz chorona   “minha  vida não é fácil!!”… ( e por que deveria ser?) 

Ao aceitar o que vier, encarar as dificuldades, vencer os desafios sem fugir deles, sem ficar tentando eliminá-los porque você quer ser feliz, porque você quer sombra e água fresca, ao ter essa postura, você encontra sua força interior. É só a partir daí que você pode realmente viver seu propósito de vida! 

Se gostou, compartilhe..

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Reino da idiotice 2

"A GENTE NÃO SABEMOS ESCOLHER PRESIDENTE": MAS TEMOS FACE, WHAT, INSTA, SNAP...(..) O REINO DA IDIOTICE.


Por Alacir Arruda

A Banda de rock paulista Ultraje a Rigor lançou em 1983 uma música chamada "Inútil", a letra é do vocalista Roger e do musico Nelson Motta e vendeu, apesar da censura, 30 mil cópias. Essa música, apesar do tempo, eu considero um desenho tragicômico do nosso país. Ela é mais ou menos assim :

" A gente não sabemos Escolher presidente
A gente não sabemos 
Tomar conta da gente 
A gente não sabemos 
Nem escovar os dente 
Tem gringo pensando 
que nós é indigente. 

"Inúteu"! 
A gente somos "inúteu"! 
"Inúteu"! 
A gente somos "inúteu"! 

A gente faz carro 
E não sabe guiar 
A gente faz trilho 
E não tem trem prá botar 
A gente faz filho 
E não consegue criar 
A gente pede grana 
E não consegue pagar 

"Inúteu"! 
A gente somos "inúteu"! 
"Inúteu"! 
A gente somos "inúteu"! 
"Inúteu"! 
A gente somos "inúteu"! 
"Inúteu"! 
A gente somos "inúteu"!"Inúteu"! 
A gente somos "inúteu"! 
"Inúteu"! 
A gente somos "inúteu"! 

É evidente que na época não havia ainda a internet, mas a letra brinca com a nossa forma coloquial de tratar a linguagem, além de exaltar a grande capacidade que temos de tratar a politica como algo distante do nosso  dia-dia, afinal, cumprimos com o nosso papel cívico a cada 4 anos quando votamos, o resto é com eles não é?. . Carregamos uma crença, quase deística, de que o problema do nosso país são os políticos e não nós, então, para que preocupar com Reforma Politica, Previdenciária, Tributária ou Trabalhista, se tenho Face e Insta....para me entreter.

Gosto muito de ler Umberto Eco, premiadíssimo escritor italiano. A pouco tempo, em uma entrevista à TV italiana, ele profetizou que: " o problema das redes sociais é que elas acabaram, por dar o direito à palavra a uma "legião de imbecis", que antes falavam as suas besteiras em um bar, geralmente depois de uma dose, sem prejudicar a coletividade". Em nossa cultura contemporânea surgiu uma nova forma de retórica, trata-se da arte de escrever para idiotas que, entre nós, tem feito muito sucesso. Pensávamos ter atingido o fundo do poço em termos de produção de idiotices para idiotas, mas proliferam subformas, subgêneros e subautores que sugerem a criação de um nova ciência.

Estamos fazendo piada, mas quando se trata de pensar na forma assumida atualmente pela “voz da razão” temos que parar de rir e começar a pensar.

Artigos ruins e reacionários fazem parte de jornais e revistas desde sempre, porém, com o advento da internet, a arte de escrever para idiotas vem se especializando ao longo do tempo e seus artistas passam da posição de retóricos de baixa categoria para príncipes dos meios de comunicação de massa ( Facebook que o diga) . Atualmente, idiotas de direita tem mais espaço do que idiotas de esquerda na grande mídia. Mas isso não afeta em nada a forma com que se pode escrever para idiotas. 

Diga-se, antes de mais nada, que o termo idiota aqui empregado guarda algo de seu velho uso psiquiátrico. Etimologicamente, “idiota” tem relação com aquele que vive fechado em si mesmo. Na psiquiatria, a idiotia era uma patologia gravíssima e que, em termos sociais, podemos dizer que continua sendo.

Uma tipologia psicossocial entra em jogo na história, baseada em dois tipos ideais de idiotas: o idiota de raiz, dentre os quais se destaca a subcategoria do idiota representante do conhecimento paranoico, e o neo-idiota, com destaque para o “idiota” mercenário que lucra com a arte de escrever para idiotas.

Vejamos quem são:

1- Idiota de raiz é fruto de um determinismo: ele não pode deixar de ser idiota. Seja em razão da tradição em que está inserido ou de um déficit cognitivo, trata-se de um idiota autêntico.

O Idiota de raiz divide-se em três subtipos:

1. 1 – Ignorante orgulhoso: não se abre à experiência do conhecimento. Repete clichês introduzidos no cotidiano pelos meios de informação que ele conhece, a televidão e os jornais de grande circulação, em que a informação é controlada. Sua formação é “ miditizada', mas ele não sabe disso e se orgulha do que lhe permitem conhecer. No limite, o ignorante orgulhoso diz “sou fascista”, sem conhecer a experiência do fascismo clássico da década de 30 e o significado atual da palavra, assim como é capaz de defender sem razoabilidade alguma ideias sobre as quais ele nada sabe. Um exemplo muito atual: apesar da violência não ter diminuído nos países que reduziram a maioridade penal, a ignorância da qual se orgulha o idiota, o faz defender essa medida como solução para os mais variados problemas sociais. Ele se aproxima do “burro mesmo” enquanto imita o representante do conhecimento paranoico, apresentados a seguir.

1.2 – “Burro mesmo”: não há muito o que dizer. Mesmo com informação por todos os lados, ele não consegue juntar os pontinhos. Por exemplo: o “burro mesmo” faz uma manifestação “democrática” para defender a volta da ditadura. Para bom entendedor, meia palavra…

1.3 – Representante do conhecimento paranóico: tendo estudado ou sendo autodidata, o representante do conhecimento paranoico pode ser, sob certo aspecto, genial. Freud comparava, em sua forma, a paranoia a uma espécie de sistema filosófico. O paranoico tem certezas, a falta de dúvida é o que o torna idiota. Se duvidasse, ele poderia ser um filósofo. O conhecimento paranoico cria monstros que ele mesmo acredita combater a partir de suas certezas. O comunismo, o feminismo, a política de cotas ou qualquer política que possa produzir um deslocamento de sentido e colocar em dúvida suas certezas, ocupa o lugar de monstro para alguns paranoicos midiaticamente importantes.

Curioso é que o representante do conhecimento paranoico pode parecer alguém inteligente, mas seu afeto paranoico o impede de experimentar outras formas de ver o mundo, abortando a potência de inteligência, que nele é, a todo momento, mortificada. Isso o aproxima do “ignorante orgulhoso” e do “burro mesmo”.

Em termos vulgares e compreensíveis por todos: ele é a brochada da inteligência.

2 – Neo-idiota: o neo-idiota poderia não ser um idiota, mas sua escolha, sua adesão à tendência dominante, o coloca nesse lugar. Não se pode esquecer que, além de cognitiva, a inteligência é uma categoria moral. O neo-idiota não é apenas um idiota, mas também um canalha em potencial.

Há dois subtipos de neo-idiota:

2.1 – O “idiota” mercenário quer ganhar dinheiro. Ele serve aos interesses dominantes, mas é um idiota como outro qualquer, porque não ganha tanto dinheiro assim quando vende a alma. Nessa categoria, prevalece o mercenário sobre o idiota. Por isso, podemos falar de um idiota entre aspas. Ganha dinheiro falando idiotices para os idiotas que o lerão. Seu leitor padrão divide-se entre o “burro mesmo” e o “idiota cool”. Ele escreve aquilo que faz o “burro mesmo” pensar que é inteligente. O idiota cool, por sua vez, se sente legitimado pelo que lê. O que revela a responsabilidade do idiota mercenário no crescimento do pensamento autoritário na sociedade brasileira. Apresentar Homer Simpson ou qualquer outro exemplo de “burro mesmo” como modelo ideal de telespectador ou leitor é paradigmático nesse contexto.

2.2 – O “idiota cool” lê o que escreve o idiota mercenário. Repete suas ideias na esperança de ser aceito socialmente. De ter um destaque como sujeito de ideias (prontas). Ele gosta de exibir sua leitura do jornal ou do blog e usa as ideias do articulista (do representante do conhecimento paranoico ou do idiota mercenário) para tornar-se cool. Ele segue a tendência dominante. Ao contrário do “burro mesmo”, nele sobressai o esforço para estar na moda. Como, diferentemente dos seus ídolos, ele não escreve em jornais ou blogs famosos, ele transforma o Facebook e outras redes sociais no seu palco.

Diante disso, temos os textos produzidos a partir da altamente falaciosa arte de escrever para idiotas. O sucesso que alcançam tais textos se deve a um conjunto de regras básicas. Identificamos dez, mas a capacidade para escrever idiotices tem se revelado engenhosa e não deve ser menosprezada:

1- Tratar como idiota todo mundo que não concorda com as idiotices defendidas. O texto é construído a partir do narcisismo infantil do articulista. O autor sobressai no texto, em detrimento do argumento. Assim ele reafirma sua própria imagem desqualificando a diferença e a inteligência para vender-se como inteligente.

2- Não deixar jamais que seu leitor se sinta um idiota. Sustentar idiotices com as quais o leitor (o burro mesmo, o ignorante orgulhoso e o idiota cool) se identifique, o que faz com que o mesmo se sinta inteligente.

3- Abordar de forma sensacionalista qualquer tema. Qualquer assunto, seja socialmente relevante ou não, acaba sendo tratado de maneira espetacularizada.

4- Transformar temas desimportantes em instrumentos de ataque e desqualificação da diferença. Por exemplo, a “depilação feminina” já foi um assunto apresentado de modo enervante, excitante, demonizante e estigmatizante. Nesse caso, o preconceito de gênero escondeu a falta de assunto do articulista.

5- Distorcer fatos históricos adequando-os às hipóteses do escritor. Em uma espécie de perversão inquisitorial, o acontecimento acaba substituído pela versão distorcida que atende à intenção do autor do texto para idiotas.

6- Atacar alguém. Este é um dos aspectos mais importantes da arte de escrever para idiotas. A limitação argumentativa esconde-se em ataques pessoais. Cria-se um inimigo a ser combatido. O inimigo é o mais variado, mas sempre alguém que representa, na fantasia do escritor, o ideal contrário ao dos seus leitores (os idiotas: o burro mesmo, o ignorante orgulhoso e o idiota cool).

7- Reduzir tudo a uma visão maniqueísta. Toda complexidade desaparece nos textos escritos para idiotas. O mundo é apresentado como uma luta entre o bem e o mal, o certo e o errado, o comunismo e o capitalismo ou Deus e o Diabo.

8- Desconsiderar distinções conceituais. Nos textos escritos para idiotas, conservadores são apresentados como liberais, comunistas são confundidos com anarquistas, etc.

9- Investir em clichês e ideias fixas. Clichês são pensamentos prontos e de fácil acesso. Sem o esforço de reflexão crítica, os clichês dão a sensação imediata de inteligência. Da mesma maneira, o recurso às ideias fixas é uma estratégia para garantir a atenção do leitor idiota (o burro mesmo, o ignorante orgulhoso e o idiota cool) e reforçar as “certezas” em torno das hipóteses do escritor (nesse particular, Goebbels, o chefe da propaganda de Hitler, foi bem entendido).

10-Escrever mal. A pobreza vernacular e as limitações gramaticais são essências na arte de escrever para idiotas. O leitor idiota não pode ser surpreendido, pois pode se sentir ofendido com algo mais inteligente do que ele. Ele deve ser capaz de entender o texto ao ler algo que ele mesmo pensa ou que pode compreender. Deve ser adulado pela idiotice que já conhece ou que o escritor quer que ele conheça.

Para além do que foi identificado acima, fica a questão para quem deseja escrever para idiotas: como atingir a pobreza essencial na forma e no conteúdo que concerne a essa arte?

A arte de escrever para idiotas constitui parte importante da retórica atual do poder. Saber é poder, falar/escrever é poder, e o idiota que fala e é ouvido, que escreve e é lido, tem poder. O empobrecimento do debate público se deve a essas “cabeças de papelão”, fato que é identificado tanto por pensadores conservadores quanto por progressistas.

O grande desafio, portanto, maior do que o confronto reducionista entre direita e esquerda, desenvolvimentistas e ecologistas, governistas e oposicionistas, entre machistas e feministas, parece ser o que envolve os que pensam e os que não pensam. Sem pensamento não há diálogo possível, nem emancipação em nível algum.

Se realmente não houver limites para a idiotice, como afirmou Einstein em 1953, ao contrário da esperança que me levou a escrever esse texto, só resta-nos o isolamento e estocar alimentos.

Quem sabe eu seja um desses idiotas, apesar de não ter Face, Insta, Snap e nem twitter, isso é bem possível. A diferença entre eu e você, é que eu tenho consciência disso!.

Se gostou compartilhe......