terça-feira, 9 de outubro de 2018

Enem 2018: Redação

ENEM 2018 REDAÇÃO: POSSÍVEIS TEMAS..


Por Alacir Arruda ( o pulso ainda pulsa)

Mesmo sendo um crítico ferrenho desse modelo carnívoro adotado pelo ENEM ( isso nada tem a ver com a qualidade do exame), estou de volta para tentar ajudar aqueles que irão prestá-lo esse ano. Quando ainda ensinava ( Por 25 anos), eu sempre alertava meus alunos sobre a importância da redação, nesse alerta dizia que só escreve bem que lê. Se você não tem o habito de ler, mesmo que seja a Bíblia ( que todos que me conhecem sabem que condeno), a sua chance de se sair bem na redação do ENEM é nula. O Inep tem utilizado, nos últimos anos a estratégia de escolher temas que envolvam ao menos um dos seguintes componentes: Tolerância, extremismo, meio ambiente, genética, cidadania, geopolítica e ética. Posso afirmar, com 100% de certeza , que na redação de 2018 ao menos um desses estará lá.

Quem me conhece sabe que detesto essa ideia de "adivinhar", até porque não tenho nenhuma vocação pra Mãe Dinah. Todavia, acredito que analisando a serie histórica e dados matemáticos, podemos chegar a uma previsão daquilo que o Inep deseja. Eu poderia ficar aqui escrevendo até 2019 sobre cada um desses temas, uma vez que a complexidade que os envolvem me proporciona um serie de opções, mas vou optar pelo trivial. (caso alguém quiser que eu escreva sobre algum tema especifico me um mande-mail agaextensao4@gmail,com, que  farei com prazer.)


A redação é, no contexto geral do ENEM, a única área em que o aluno pode chegar a 1000 pontos e isso, aliado a nota você obter nas outras áreas, pode determinar sua aprovação ou não. Para tanto sugiro que quanto mais se inteirar dos possíveis temas, escrever, ler e fazer simulados, mais chances terás.

DSTs entre jovens

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a quantidade de jovens infectados pelo vírus HIV cresceu de maneira expressiva entre os anos de 2006 e 2015. Outras DSTs também avançaram nesse período. Considerando que o principal público-alvo do Enem é justamente esse, não é difícil de imaginar que a prova peça para que os candidatos reflitam sobre as causas do problema e apontem soluções para ele.

Escravidão no mundo contemporâneo
Embora invisível, o trabalho escravo possibilita o consumo de vários produtos e serviços que consideramos indispensáveis. Inclusive, algumas ONGs se dedicam a listar empresas que exploram mão de obra. No entanto, esse tema pode cair no Enem por conta de uma aportaria aprovada pelo Governo Federal que determina que um trabalho só será considerado análogo à escravidão quando houver ameaça de punição.

Esportes como ferramentas de inclusão social

Estamos em um ano par, o que significa que teremos um evento esportivo de abrangência mundial para acompanhar e, quem sabe, discutir a respeito na redação Enem! Muitos atletas ascendem socialmente por conta das oportunidades que encontram em modalidades esportivas. Portanto, é possível que você tenha que escrever sobre como elas podem ser uma ferramenta de inclusão.

Fakenews
Recentemente, o Facebook lançou um programa de combate às notícias falsas. Com a ajuda de agências de checagem de fatos, a rede social de Mark Zuckerbeg planeja diminuir o alcance desse tipo de material. O Enem 2018 pode ainda pedir que os candidatos discutam a democratização do acesso à informação e os perigos da propagação rápida de informações falsas. É interessante que você estude as principais características desses conteúdos.

Privacidade na internet

Outro tema em alta que também envolve o Facebook é a privacidade na internet. Além das redes sociais, diversos sites e aplicativos usam informações pessoais de seus usuários para ofertar produtos e serviços, o que é discutível. Também é possível pensar nesse assunto sob vários outros pontos de vista. Então, aproveite para refletir sobre como as pessoas expõem a si mesmas ou terceiros na internet antes do Enem.

Saúde mental
Ao longo do ano que passou, séries como 13 ReasonsWhy e jogos como o da Baleia Azul nos alertaram sobre como o número de casos de suicídio entre jovens parece aumentar em várias partes do mundo. Muitos manifestaram ideações suicidas por conta de doenças que não receberam o devido tratamento, como depressão, bipolaridade e ansiedade. Quem pretende fazer o Enem deve conhecer as causas desses problemas.

Segurança pública e pessoal
No primeiro semestre de 2018, o Governo Federal interveio no Rio de Janeiro por conta do agravamento de uma crise na segurança pública. No Enem, os candidatos podem ter que propor soluções para esse problema. A segurança também pode ser tema de redação da prova sob um viés pessoal. Com o número de ataques registrados nos Estados Unidos, discussões sobre o porte de armas voltaram a ter espaço em vários lugares, inclusive aqui no Brasil.

Identidade de Gênero
O mundo contemporâneo nos trouxe demandas até então omissas nos seio social , e isso nos remete a uma nova de forma de pensar e entender o conceito de gênero e família. Tabu por séculos, a homossexualidade nunca esteve tão em voga. Conceitos como Transexuais, Transgêneros, entre outros, a cada dias mais tem feito parte de nosso dia-a-dia. Gostem ou condenem essa e a nova forma de entender a sexualidade. Hoje somos bombardeados diariamente com noticias de homens que optam por fazer a operação de mudança de sexo , mulheres que tomam hormônios para se masculinizarem etc.. Talvez um dos casos mais emblemáticos, seja o da filha (o) dos atores americanos Angelina Jolie e Brad Pitt, que desde três anos se veste como homem, agora a própria mãe assumiu que esta ministrando hormônios masculinos na filha visto que a mesma não se enxerga em seu próprio corpo. Esse tipo fenômeno mexe com os valores, sobretudo os religiosos, que tem regido a nossa sociedade por séculos. O que você pensa sobre isso?


Bom, agora você já conhece os temas que podem cair na redação do Enem 2018! Que tal aproveitar que ainda falta alguns dias até a prova para ler mais sobre eles e escrever textos a respeito.


*Em tempo: Muitos alunos me perguntam por e-mail se é possível cair na redação desse ano um tema sobre geopolítica, como por exemplo: a aproximação entre Coreia do Norte e USA, o isolamento da Rússia, a saída da Grã Bretanha da União Europeia, o Trumpismo nos Estados Unidos entre outros. Sempre respondo que esses temas de, uma forma ou outra, estarão no exame, mas diluídos nos conteúdos de humanidades . A Redação é um momento que o Inep utiliza para levar o candidato a uma reflexão sobre os problemas da sociedade brasileira sejam eles: políticos, econômicos e sociais. 


                                                             Espero ter ajudado...

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O Enem e a vaca do presépio..

ENEM: A ETERNA " VACA" DO PRESÉPIO..


Por Alacir Arruda ( o pulso ainda pulsa)

Em algum momento da vida você já deve ter ouvido a expressão "vaca de presépio". Para quem não conhece essa metáfora vou refrescar sua memoria. Antigamente, nas Igrejas, em cima da caixa de esmolas dos pobres havia um presépio. Quando uma pessoa punha uma moedinha, a vaquinha do presépio agradecia, abaixando a cabeça, num gesto semelhante a um "sim". Vaca de presépio é gente que só fala "sim" A pouco tempo, quando fazia uma palestra sobre o Enem em uma escola pública, fui questionado por uma aluna do porquê as nossas escolas não preparam o jovem para essa prova? Resolvi dar uma explicação filosófica:  “você já ouviu falar em Michel Foucault? Ele me disse. Não! Mocinha é o seguinte, Michel Foucault foi um filosofo francês considerado por muitos um dois maiores do século XX, ele fez parte de um movimento que revolucionou o pensamento na França da década de 60. Algumas de suas obras se tonaram célebres como: “Vigiar e Punir e Microfísica do Poder. Foucault era, acima de tudo, um analista das instituições e suas ramificações com o poder, dentre elas a educação. E continuei a minha explanação:

Cara aluna, para esse pensador o Estado detém o monopólio não apenas da violência mas dos aparelhos ideológicos e, levando se em conta que os grupos políticos têm uma forte tendência a se perpetuarem no poder, a educação é um dos aparelhos que eles controlam. Para ele é pura ingenuidade imaginar que um dia países com democracias fragmentadas (como a nossa) , um povo desconectado de suas obrigações com a pátria e sem comprometimento com a politica possa desfrutar de um sistema educacional verdadeiramente libertário. Uma das suas frases mais emblemáticas é: “a educação foi criada e pensada pelo sistema para não funcionar”.

Você já imaginou se um dia a educação brasileira funcionar e formar pessoas verdadeiramente criticas? Seria uma catástrofe para esses grupos que sequestraram a nossa pátria, que só utilizam o poder para distribuir benesses. Para esses "canalhas" , o Brasil é uma grande “vaca leiteira” onde cada um procura uma teta parta mamar, expropriam a coisa publica e a consequência disso é o total sucateamento da educação. Como já disse anteriormente, vivemos hoje na educação uma sequência de fingimentos: “o governo finge que paga, o professor finge que ensina o aluno finge que aprende e a sociedade finge que esta tudo bem”.

Há pouco mais de um mês a ONU publicou um relatório sobre a educação brasileira e o resultado seria cômico se não fosse trágico. Na América Latina perdemos para todos os países, inclusive Venezuela (que esta a beira do caos) e, pasmem, até o Haiti (imerso há mais de 10 anos numa crise humanitária) está na nossa frente. E sabem o que disse o atual ministro da educação? Enquanto a população esperava que ele fizesse uma autocritica, uma mea-culpa e oferecesse soluções, o mesmo teve o “cinismo” de dizer: “ é, realmente o nosso Ensino Médio esta no fundo do poço, num caos absoluto”. Uma pergunta: “de quem é a culpa Sr. ministro?”.

Enquanto isso daqui a 20 dias mais de seis milhões de jovens - pobres coitados- vão encara dois domingos de provas em busca da realização de sonhos que o sistema tem tornado cada vez mais distantes de suas realidades. A chance de um aluno de escola pública ir bem numa prova do ENEM é quase nula, menos de 1%. A ideia de que o ENEM é um exame democrático cai por terra quando os dados revelam que mais de 80% dos alunos matriculados nos cursos de medicina (um dos mais concorridos) em universidades federais são ricos. Para Barbara Bruns – economista chefe do banco mundial para educação- “ Urge no Brasil a necessidade de que alunos de classes sociais mais elevadas paguem pelos seus estudos superiores, mesmo que seja proporcional a renda, quanto mais ricos mais devem pagar”.

Na educação básica, a economista defende a escola em tempo integral, com aumento da carga horária de estudos, e uma reforma do currículo de disciplinas. Bruns indica o sistema chileno como modelo a ser seguido. Com regimento semelhante, professores seriam certificados por avaliações governamentais e aqueles com melhor desempenho ganhariam bônus.

Quanto aos poderosos, aqueles que conseguem pagar boas escolas a seus filhos e isso garantir-lhes uma vaga nas federais, Bruns disse : "Isso me parece uma questão histórica por aqui. Todos os beneficiados desse sistema atual querem que se mantenha assim. Querem manter suas vantagens. Mas não é justo. Se houver uma pesquisa, fica claro que os alunos de famílias mais ricas é que têm acesso ao ensino superior público. Então, eles devem pagar ou pegar empréstimos. Em um sistema incrível que existe na Austrália o aluno pega o empréstimo e paga progressivamente. Ele estuda de graça e, quando se forma, paga de acordo com o salário que vai receber. Uma profissão que paga bem, retorna mais dinheiro. Se não ganha tanto, paga menos. Não vejo porque o Brasil não pode fazer algo assim, mas o desgaste político para aprovar algo assim seria grande"

Será que essa senhora está errada? Ou os nossos “gênios”,  que controlam a educação brasileira engravatados em suas salas acarpetadas e climatizadas de Brasília, tem uma solução melhor? Pense nisso!!.. Enquanto aguardamos a resposta daqueles que se julgam os "intelectuais" da educação do Brasil, o ENEM continua sendo a "Vaca do Presépio" de um sistema falido... E os alunos? Bom, esses continuam se Fud....




domingo, 7 de outubro de 2018

Aos "gênios" de plantão

  "NÃO OLHES PARA TRÁS, DA AZAR."


Por Alacir Arruda   (o pulso ainda pulsa)

Um certo livro famoso conta que há muito......muito......tempo um determinado líder se compadeceu ao ver uma prostituta sendo prestes a ser apedrejada. Aproximou-se de seus algozes e sereno lhes perguntou “ é isso mesmo que querem fazer? Matar essa mulher?” Então, que atire a primeira pedra aquele de vocês que se julga sem pecados e puro o suficiente para determinar a desgraça dessa moça! Esse livro conta ainda que os algozes ao refletirem sobre o que disse aquele homem misterioso, começaram a largar as pedras e foram se retirando. O homem então se ajoelhou e disse a mulher: “ vá moça, vá embora e não olhes para trás.”. Se eu acredito nisso? Não sei, talvez isso faça parte dos mitos e narrativas que fundamentam determinadas crenças, mas julguei necessário refletir um pouco sobre......

Fiquei 25 anos em sala de aula e se há uma coisa que os mais de 10.000 alunos que tive Brasil afora sabem é que sempre fui agnóstico, além de um critico mordaz de comportamentos religiosos e crenças que se aproximem do fanatismo. Sempre respeitei, e respeito, a fé das pessoas, mas como um homem da ciência me mantinha neutro. Não digo isso com orgulho, por vezes até me questionava; por que eu agia daquela forma sendo filho de uma mãe extremamente religiosa e praticante? Para minha mãe, os estudos me levaram a me afastar da fé.. Eu discordava dela e dizia, usando esse mesmo livro sagrado, “mãe o conhecimento liberta”; segundo João 8:32, “conhecereis a verdade e ela vos libertará”. Mas por que estou falando disso?

Volta e meia tenho publicado textos neste blog, que já tem oito anos, falando da insanidade que permeia a cabeça das pessoas, sobretudo com o advento da internet. Vivo afirmando que a humanidade - include me - “enlouqueceu”. Tenho usado teóricos como Freud, Schopenhauer Nietzsche para tentar entender o que houve com a cabeça das pessoas. Na verdade eu tento entender até que ponto chega a maldade humana? Creio que nem no período da inquisição a humanidade foi tão cruel quanto hoje. As redes sociais acabaram por dar voz a imbecis que antes destilavam sua maldade apenas em conversas de “buteco”, tendo o efeito circunscrito àquele grupo. Hoje esses idiotas vão para internet escrevem o que querem de você, leem noticias falsas ou acusações sem provas isso basta para sua condenação acabando com biografias, carreiras, legados, enfim (...) O pior é que são covardes, se escondem “anonimamente” atrás de um teclado na certeza de que nunca serão encontrados. Cuidado!! Já existem meios de te achar..

Tive o prazer, mesmo não sendo religioso, de ensinar filosofia num seminário redentorista de São Paulo, lá eu tive a graça de – através do reitor desse seminário- conhecer a vida e a obra de Santa Tereza Dàvila, uma mulher maravilhosa e muito além de seu tempo. Santa Tereza dizia: “ existe dentro de cada ser humano duas feras que se digladiam, uma boa e outra má, vence aquela que mais alimentamos”. Para Tereza, toda maldade tem seu nascedouro no nosso coração, se alimentarmos a fera boa o bem crescerá e florescerá, se darmos força a má esta espargirá como um veneno, destilando seu mal a todos sem distinção. Creio que isso define bem aqueles que destilam o mal pela rede. 

A grande verdade é que os homens caminham pela face da Terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás. Na sacola da frente, colocamos nossas qualidades; na sacola de trás, guardamos todos os nossos defeitos. Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos, presas em nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente nas costas do companheiro que está adiante todos os defeitos que ele possui. E nos julgamos melhores que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de nós está pensando a mesma coisa a nosso respeito..

Como aquela prostituta que, mesmo ciente de seus erros, ouviu os conselhos daquele homem e seguiu em frente sem olhar para trás, tenho buscado construir um novo futuro sabendo de nossas falhas e limitações. Sem julgar ninguém pois a minha sacola de defeitos não sai das minhas costas, é um peso, uma carga que devo carregar, sem jamais olhar a sacola de quem esta na minha frente. Só me resta seguir o conselho e minha mãe: "filho não olhes pra trás, da azar"

                                     Essa e a minha receita aos que destilam maldade...

Tome um dose diária



 

sábado, 6 de outubro de 2018

A Conivência que mata!

            "BRASIL: SOMOS CONIVENTES"


Por: Alacir Arruda (o pulso ainda pulsa)

Ontem conversando com um taxista de minha cidade ele comentou entediado: " Domingo tem eleição né professor? ... Eu não suporto mais os políticos com aquela conversa mole, querendo nosso voto... Eles só lembram da gente de quatro em quatro anos"... Então respondi: " Mas você também só se lembra deles de quatro em quatro anos..."

No Brasil o poder público reside tão distante da realidade da maioria dos brasileiros que perdemos completamente a noção não só de para que servem os mandatos que delegamos a vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República, como também esquecemos que somos nós os responsáveis pela qualidade dos políticos que elegemos. A composição dos poderes legislativo e executivo de alguma maneira é um espelho fiel no qual nos recusamos a nos ver refletidos. E aquela máxima "eles são ladrões"...Eu não!

A corrupção da qual acusamos os políticos é um câncer que corrói toda a sociedade brasileira, sem distinção, por mais que teimemos em, individualmente, rechaçar essa acusação. É sempre mais fácil lidarmos com algo que encontra-se no horizonte, como possibilidade, que admitirmos nossa participação efetiva em algo que condenamos. Por isso, aceitamos que existe uma grossa corrupção “lá” em Brasília, mas nos ofendemos quando alguém ilumina-a em nosso cotidiano.

Uma vizinha de minha família, que mora em Cuiabá, dona Marlene (fictício), tinha um filho, M.V., que logo ao adentrar a adolescência aderiu a uma turma que fumava maconha e praticava pequenos furtos nas redondezas. Alertada pelas amigas, dona Marlene enfureceu-se e disse que aquilo não passava de intriga absurda, que M.V. era um ótimo menino e que nunca andaria com “gente que não presta”. Com o tempo, descobriu que M.V. se relacionava sim com “gente que não presta”, mas candidamente explicava que o filho era um rapaz tão bom que, embora fizesse parte da turma visada pela polícia, não fumava maconha nem praticava pequenos furtos, mas tentava reconduzir os colegas para o bom caminho. Dona Marlene só se convenceu de que M.V. usava drogas e praticava roubos, quando ele foi morto numa disputa de gangues. Ele tinha apenas 16 anos.... Mas aí já era tarde demais.

Esse tem sido nosso comportamento em relação à corrupção. Reprovamos o comportamento dos políticos, que se enriquecem com negociatas sem temer qualquer punição, pois sabem eles, sabemos todos, que o direito no Brasil ainda se baseia em três premissas clássicas, que compõem o catálogo da sabedoria popular: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, “para os amigos, tudo, para os inimigos, os rigores da lei”, “a cadeia serve apenas para os três pês: preto, pobre, prostituta”. A legislação é costurada de tal maneira confusa e contraditória que pode ser usada contra ou a favor, dependendo do poder que emana da pessoa julgada. Nesse sentido, a mão da justiça quase nunca alcança os ricos... Mas os pobres são tratados aos pontapés...

O exercício da corrupção está de tal maneira arraigada na cultura brasileira que muitas vezes nem percebemos que repetimos em nosso dia a dia hábitos e práticas que censuramos nas esferas da administração pública. O Brasil é o segundo país do mundo em sonegação fiscal, só perdendo nesta categoria para a Rússia. Estima-se que os brasileiros sonegam cerca de 28% do total da arrecadação de impostos, o que representa 13% do PIB. Quantos profissionais liberais que conhecemos que recebem “por fora” para prestar um serviço, ou seja, não emitem recibo, com a nossa conivência? Quantos de nós declaram ao Fisco exatamente o que recebemos como pagamento?

E quantas vezes já deixamos “uma cerveja” para o policial rodoviário “quebrar o galho” e não nos multar nas estradas? Quantas vezes demos “um cafezinho” para ser melhor tratados num ambiente social? Quantas vezes aumentamos o valor da gorjeta em restaurantes para que o garçom nos sirva com mais eficiência? Quantas vezes usamos de nossa influência para resolver algum problema burocrático em algum órgão público? Quantas vezes burlamos a legislação? Quantas vezes, enfim, usamos o tal “jeitinho brasileiro” para resolver nossos problemas?

Enquanto não admitirmos que a prática da corrupção impregna nosso cotidiano e que somos coniventes com ela, não conseguiremos dar o passo seguinte que é o de elegermos políticos comprometidos com uma plataforma de alcance coletivo e não políticos cujos interesses limitam-se a projetos de manutenção de poder, sejam eles particulares ou partidários. E temos que pensar em resolver isso logo, antes que, como no caso da nossa vizinha em Cuiabá, seja tarde demais.

Amanhã, dia 7 de outubro, teremos mas a vez oportunidade de - se não acabar- ao menos iniciar um processo de mudança que pode trazer um alento a essa calamidade que se tornou a nossa politica. Mesmo ciente de que a grande maioria dos nosso políticos e composta de "bandidos" engravatados, não há como transferir responsabilidade, se quisermos um pais diferentes para nossos filhos é necessário que a mudança começa já. Esta semana a Globo mostrou em seu programa -Profissão Repórter - a realidade de milhares de brasileiros que vivem nas periferias das grandes cidades e estão desempregados, confesso não tive coragem de assistir ate o fim, pois ver um compatriota dizer que esta sem alimentos há 3 dias e seus filhos reclamam a dor da "FOME" não poso entender isso como algo plausível em um país com as riquezas que dispomos.. Domingo aquelas crianças que URRAM de FOME esperam de nós alguma atitude.... BOM..VOTO...






sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Quando me amei..

É MAIS OU MENOS POR AI..


Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.  E então, pude relaxar.  Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

 Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.  Hoje sei que isso é...Autenticidade.

 Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.  Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

 Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.  Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

 Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

 Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.  Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.  Hoje sei que isso é... Simplicidade.

 Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.  Hoje descobri a... Humildade.

 Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.  Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

 Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.     Tudo isso é... Saber viver!



Para Nietzsche, devemos exagerar em nosso viver..

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Um mundo enlouquecido..!!

PRECISO DE UM PROZAC !


Por Alacir Arruda - (ainda vivo...)

O que esta havendo com o mundo? "O mundo enlouqueceu!!!!" Não encontro adjetivo melhor para definir o que assistimos na atualidade. Senão vejamos, hoje em dia basta você fazer um comentário sobre qualquer assunto-tema em uma rede social , para que os achincalhamentos iniciem. Tudo e motivo para desavenças, discussões, algumas por pura banalidade, como o caso daquele ator que tirou uma foto de seu filho tomando banho e recebeu milhares de criticas em sua rede social, ou, "deslikes" (nem sei que porra e isso). A impressão é que hoje somos vigiados 24hs por dia, como na famosa obra "O Grande Irmão" de George Orwel . por um exército de " moralistas" prontos para aplicar corretivos em quem não se "comporta" no "uso" Rede. A grande verdade e que o mundo esta chato!!! E isso não está circunscrito apenas a Internet, essa imbecilidade comportamental se transferiu para as nossas relações pessoais, profissionais e até política. Tudo e motivo para radicalização.

A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos no fim de 2016, a saída do Reino Unido da União Europeia no mesmo ano – o famoso Brexit –, a quase vitória de Marine Le Pen nas eleições presidenciais francesas no meio de 2017 e o crescimento do nacionalismo extremistas em países desenvolvidos como Suécia, Áustria e Holanda. O que todos esses eventos têm em comum? A grande verdade é que desde o nosso comportamento agressivo em Redes Sociais, por vezes ingênuos, até os fenômenos políticos citados acima são partes de um fenômeno social maior e muito mais perigoso que um simples "deslike", trata-se do ressurgimento de ideias do nacionalismo na contemporaneidade.

Esses valores não são novos: datam no início do século XIX, tendo surgido na Europa e cujos valores foram adotados em todo o globo em diversos momentos históricos. Vamos entender o que é o nacionalismo e como essa ideologia está presente no mundo atual? que é nacionalismo? O nacionalismo e uma ideologia política, uma corrente de pensamento que valoriza todas as características de uma nação. Uma das formas pelas quais o nacionalismo
se expressa é por meio do patriotismo, que envolve a utilização dos símbolos nacionais, da bandeira, de cantar o hino nacional, etc.

Você já reparou que o hino nacional de países diferentes têm elementos muito similares? A letra normalmente ressalta as belezas naturais do país, a sua cultura, a coragem do povo, exalta figuras históricas, faz referência a lutas armadas – exemplos disso são os hinos brasileiro, estadunidense e francês, originados em países bastante diferentes, mas cujos hinos se assemelham. A ideologia do nacionalismo provém desse sentimento de pertencimento à cultura de um país e de identificação com a pátria. Diferente do patriotismo, que cultua questões mais palpáveis relativas ao Estado – os símbolos, o hino, a bandeira –, o nacionalismo tem um quê mais político.

Um dos ideais nacionalistas é a preservação da nação, na defesa de territórios e fronteiras, assim como na manutenção do idioma, nas manifestações culturais, opondo-se a todos os processos que possam destruir essa identidade ou transformá-la. Existem formas mais extremas de demonstrar esse sentimento nacionalista, que é o ultranacionalismo e/ou o ufanismo, que explicaremos mais tarde.

Mas como surgiu o nacionalismo?

Depois da consolidação dos ideais iluministas na França do, que valorizavam a ciência e a racionalidade em vez da religião e da espiritualidade, no início do século XIX a população francesa passou a rejeitar o Estado absolutista e monárquico que vigorava em seu país. Por isso, começaram a buscar um governo democrático, em que fossem destacados os ideais democráticos e em que houvesse participação dos cidadãos em primeiro lugar, não de um rei. Esses valores se espalharam pelo continente europeu e chegaram a países que ainda não estavam consolidados como Estados-nação, como a Itália, a Alemanha, a Bulgária, a Noruega e a Albânia.

O historiador inglês Eric Hobsbawn reflete que o nacionalismo despertava um sentimento comum a todas as pessoas que se identificavam com sua nação e poderiam ser mobilizados a explorar esse sentimento com finalidades políticas. A unificação alemã e a unificação italiana – a Alemanha e a Itália ainda não eram países consolidados em meados do século XIX – foram diretamente influenciadas pelos valores nacionalistas, na busca de uma identidade nacional e da formação de uma nação. Como veremos adiante, o nacionalismo influenciou movimentos extremistas, como o regime nazista na Alemanha, o fascismo na Itália e no Japão.

No Brasil já teve uma onda nacionalista?
O nacionalismo no Brasil está diretamente relacionado ao período de governo de Getúlio Vargas , principalmente no período da ditadura do Estado Novo , quando era presidente no Brasil. O Estado Novo foi de 1937 a 1945 e tinha como principais características o anticomunismo, o autoritarismo e o nacionalismo. Vargas incentivava o nacionalismo de diversas formas, desde a implementação de políticas populistas, a utilização de propaganda do seu governo, a extrema valorização do território brasileiro. Economicamente, ele optou por fortalecer – em muitos casos até criar – a economia brasileira, ao diversificar a sua gama de atuação e se fechar para as importações. Também criou grandes empresas estatais no país, como a Petrobras, a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional.

Durante o regime militar brasileiro, o nacionalismo também foi bastante incentivado por meio de campanhas ufanistas para conquistar simpatia da população. Assim, surgiram os slogans “Ninguém segura este país” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”, além das músicas com refrão “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo; ninguém segura a juventude do Brasil”, “Este é um país que vai pra frente (…)”.

O hino da copa de 70 era cantado pelo país: “noventa milhões em ação, pra frente, Brasil do meu coração (…) Salve a seleção”. A ideia era a de contagiar a população em torno de um mesmo objetivo: amar a sua nação. E deu certo, pois a vitória da Seleção Brasileira Masculina de Futebol na primeira transmissão ao vivo de uma Copa do Mundo levou grande parte do país às ruas para cantar versinhos patrióticos, o que foi uma grande vitória para a ditadura militar.

Ufanismo: existiu na história? O nacionalismo exacerbado ou exagerado pode ser chamado de ufanismo e acontece quando um político, uma cultura, a população de um país tem orgulho excessivo de seu país, o que normalmente leva a medidas também exacerbadas. Normalmente é guiado pelo autoritarismo e esforços para a proibição, expulsão e opressão a imigrantes. Além disso, é comum a criação de inimigos externos ao país – reais ou não –, esforços militares – convocação da população a agir militarmente, alistar-se e servir ao serviço –, muita propaganda, entre outros artifícios.

Uma das principais consequências desse sentimento nacionalista exagerado é o sentimento de superioridade da sua cultura e do seu país frente a outros. Isso gera grandes problemas de embates interiores ao país, como racismo, xenofobia e discriminação com imigrantes, por exemplo. Confira um dos casos mais clássicos já existentes de nacionalismo exagerado:

O exemplo maior de nacionalismo foi o Nazismo na Alemanha.
O nacionalismo na Alemanha foi fomentado desde a formação do Estado, durante a sua unificação, que ocorreu em 1815, a fim de criar uma identidade e um território próprio. O nazismo foi uma maneira extrema e exacerbada de manifestar ideias nacionalistas, que resultou em ideias antissemitas – de oposição aos judeus, o que causou o Holocausto – e de superioridade racial – acreditavam e pregavam a supremacia branca do que chamavam de raça ariana, os germânicos.

O movimento tinha como objetivo criar uma sociedade homogênea e inteiramente alemã, excluindo da sua formação os “estrangeiros”, ao mesmo tempo em que buscava unidade nacional e tradicionalismo. Esse é um dos casos mais clássicos ao se tratar do nacionalismo exacerbado, pois envolve discriminação racial, xenofobia e o totalitarismo, já que o regime era muito autoritário e havia a ideia de que Adolf Hitler, precursor do nazismo alemão, deveria governar tudo e todos. Além disso, o uso do nacionalismo a fim de gerar rivalidade com outros países, como se eles fossem uma ameaça à unidade da nação alemã: quando o povo se une contra um inimigo externo, isso intensifica ainda mais o sentimento de pertencimento e o nacionalismo.

Risco do nacionalismo no mundo contemporâneo..

Além  dos exemplos citados acima, o nacionalismo que vemos hoje nas democracias consolidadas é muito diferente daquele da Alemanha nazista e do Brasil dos anos 30. Afinal, o mundo está muito diferente. Não tão presente no culto aos símbolos, como o hino e a bandeira; traz um pano de fundo étnico, relacionado à crise de refugiados, que buscam abrigo em outros países, por exemplo. Em alguns países há vontade de não tê-los em seu próprio território, o "medo|" que isso com a cultura do povo de algum lugar e influencie negativamente na preservação de suas tradições, tal qual o antigo nacionalismo. Como reflexo, muito países, como o Brasil, recebem os refugiados , havendo possibilidade de a população ser contra essa política e outros sequer abrem suas fronteiras frente a essa crise humanitária.

Um dos exemplos mais fortes de ufanismo atualmente é o discurso do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se elegeu prometendo construir um muro entre os EUA e o México, a fim de impedir que imigrantes mexicanos adentrassem suas fronteiras. Não só prometeu, como proibiu nas primeiras semanas de governo a entrada de diversas pessoas, imigrantes ou não, de varias nacionalidades como: Síria, Irã, Sudão, Líbia, Iraque, Iêmen e Somália. Com a promessa de barrar imigrantes e refugiados, Trump recebeu o voto de 61 milhões de cidadãos estadunidenses.

Suas medidas se aliam de maneira “moderna” às ideias nacionalistas: criar o sentimento da existência de inimigos externos, neste caso, dos refugiados e imigrantes que, segundo ele, vão aos EUA para atrapalhar a vida dos estadunidenses; a ideia de agir nos conflitos como a Guerra Civil na Síria com bombardeios e intervenções militares; discursos racistas e xenofóbicos, criando uma ideia de superioridade da população estadunidense, entre outras questões.

Um outro exemplo de comportamento nacionalista é Brexit. Em junho de 2016, um referendo foi realizado no Reino Unido sobre a sua permanência na União Europeia e o resultado da consulta à população foi: deixar a UE. O contexto é o mais importante neste caso: na época, a política da União Europeia quanto à crise de refugiados era de acolhimento e recebimento. Grande número de migrantes do Oriente Médio fazia o pedido de entrar no país e, como consequência, houve a manifestação do povo inglês em favor do Brexit (junção de Britain – Grã-Bretanha – e “exit“, que significa saída em inglês), cujo slogan era: “Queremos nosso país de volta”. Esse comportamento afastou a Grã Bretanha do protagonismo que exercia, junto com França e Alemanha , junto a União Europeia e no mundo e, segundo analistas, esse decisão - "pueril" para alguns - futuramente trará custos nada agradáveis aos habitantes da região.

Uma política nacionalista compreende a vontade de manter uma unificação nacional, um culto à tradição, à cultura do país e de seu povo Por mais romântico e utópico que isso possa parecer só reforça a ideia de isolamento e afastamento em um mundo cada vez mais conectado globalmente. A globalização, por mais cruel e desigual que possa parecer, ainda é menos letal que um ideia de fechamento de fronteiras, unilateralismo, xenofobia e isolamento.


E o Brasil?
O Brasil, ao se confirmar aquilo que as pesquisas eleitorais revelam, estará seguindo religiosamente a cartilha que leva a esse nacionalismo exacerbado. A questão é que por aqui  ele é politicamente anencéfalo e institucionalmente retrógrado pois se fundamenta nas ideias de um lunático absolutamente analfabeto, não apenas no que refere a economia, mas a diplomacia e aos ideais de mundo moderno, que se coloca acima do bem e do mal. Mas não podemos reclamar afinal nesse pleito que opção temos? Hoje temos duas faces de uma mesma moeda, de uma lado os artificies da corrupção que conseguiram expropriar erário de tal forma que o país faliu e que 0 líder maior comanda a campanha de seus asseclas   de uma cadeia, de outro temos um mentecapto que, em 30 anos como parlamentar , fez seu patrimônio multiplicar 1000% e brada aos quatro cantos que o maior orgulho foi ter conseguido eleger seus três filhos: um vereador e dois deputados estaduais e que acha natural politico brasileiro ganhar bem, ter vidão. Enfim.....Só me resta desejar boa sorte ao nosso pobre Brasil...


                                       Não tenho dúvidas: O mundo Enlouqueceu!!!






domingo, 10 de junho de 2018

Apenas um desabafo

"A MORAL IGNORANTE É VIZINHA DA MALDADE"

Por Alacir Arruda

Hoje, domingo dia 10 de junho de 2018,  resolvi refletir sobre a moralidade que reina nas sociedades e suas constantes alterações com o tempo, e após muito pensar só consigo chegar a uma única conclusão: a sociedade esconde suas hipocrisias atrás da máscara da moralidade.

Quando voltamos em qualquer parte do tempo passado e construímos uma ponte comparativa com os dias atuais, notamos como os conceitos morais foram alterados; como as pessoas passaram a aceitar moralmente o que antes era tido como imoral. Alguns justificariam tais mudanças dizendo ser isto conseqüência da "tal" evolução humana, outros poderiam dizer que faz parte do amadurecimento da sociedade quebrar determinadas regras, enfim, sempre haveria uma “desculpa” para justificar tais alterações. Mas será que eu encontraria alguém que dissesse: “Isto é apenas uma nova maquiagem na velha máscara que cada um de nós carrega.”?

Após rodar esse país de norte a sul e algumas aventuras fora dele, eu poderia aqui selecionar centenas, milhares de fatos que aconteceram no mundo e que, com o tempo, sofreram alterações no padrão do conceito moral de alguma forma. Mas não precisaria fazer tal coisa, uma vez que basta identificar um, percebendo-se, assim, a mesmice da essência em todos os outros.

Você já ouviu falar de uma época em que a palavra de um homem valia mais do que qualquer documento assinado? Desonestidade era imoral. Mas como os tempos mudaram! Perceba o maldito “jeitinho brasileiro” e contemple as várias ações da nossa política nacional. Hoje não há tanta aversão a desonestidade; o conformismo naturalista se instaurou e a grande maioria das pessoas passaram a assistir a isto como algo normal e não como algo ofensivo, abusivo, ilegal, prejudicial... por fim... imoral.

O catolicismo que, antes, associou-se, corretamente moral, com o nazismo, de Hitler, hoje faz discursos para que haja paz entre judeus e palestinos. As regras de conduta moral são estabelecidas através de Concílios, dogmas ou até mesmo um jornalzinho em que, moralmente, alteram a lista dos chamados pecados capitais. Mas e as questões como castidade e pobreza dos padres que contrasta com a riqueza bilionária da Igreja Romana; o homossexualismo e a pedofilia que acontecem atrás das sacristias, nas casas paroquiais ou em pequenas cidades na quais estes líderes religiosos são tidos como deuses?

E por falar em pedofilia, lembra da época em que era moralmente correto colocar crianças nos filmes medíocres das pornochanchadas brasileiros? Pouquíssimo tempo depois uma das atrizes pornô da época e que contracenou em cenas de sexo com um garotinho foi elevada, moralmente, pela sociedade da época como a “Rainha dos Baixinhos” e se transformou na apresentadora infantil de maior sucesso no país até hoje.

E o que dizer da sociedade atual que, moralmente, não admite que um adulto (ser humano maior que 18 anos) pratique sexo ou atos de atentado ao pudor com menores de idade (ser humano menor que 18 anos)? No entanto, as crianças de 11, 12, 13, 14 anos de idade agarram uma as outras com toda a veemência do início da puberdade e ainda são embaladas pelas músicas de funk, moralmente aprovada por seus pais e que só tratam de temas de conteúdo sexual no mais baixo nível.

O protestantismo aceitou a moralidade de transformar seus líderes religiosos em deuses, em milionários, em bilionários, em assumirem a posição de “cabeça e não de cauda”, utilizando-se de interpretações deturpadas do Evangelho para se posicionarem como seres moralmente melhores que os demais mortais da Terra. E bispos vão parar em prisões estrangeiras, deputados-pastores são denunciados por pistolagem, casas de milhões de dólares se erguem em tempo recorde a fim de abrigarem os desejos egocêntricos e tudo isso, e muito mais, é moralmente aceito por pessoas chamadas de “ovelhas”.

E a imoralidade do homossexualismo de épocas atrás deu lugar a uma moral em forma de passeata, de festa com arco-íris e de toda sorte de desejos que, moralmente falando, vão adentrando TV´s, jornais, revistas, propagandas, seriados, filmes e todo tipo de meios de comunicação de massa. Hoje virou  "moda" se assumir gay, lésbica trans etc.. - nada contra as pessoas que assim agem-  mas aquilo que era  imoral libertino no passado  é hoje o moralmente compreendido por uma sociedade que, de tempos em tempos, altera valores mas se considera pura. Carolas e seus esposos continuam indo as missas e  cultos aos domingos mas sequer dão bom dia aos seus vizinhos, a comunhão os absolve.

E poderia ainda  aqui dizer dos conceitos morais de certos pais dados a seus filhos quanto a drogas, cigarros, bebidas e tantas outras coisas, mas que são realizados moralmente por eles mesmos numa educação ditatorial do tipo faça o que falo, mas não o que faço.

É como diria Renato Russo, “todos vão fingindo viver decentemente.”

Enquanto as pessoas carregarem a moral como regra de conduta de vida, as sociedades permanecerão sendo hipócritas e as pessoas continuarão enganando a si próprias.

A conscientização sempre foi o melhor caminho. Valores que se estabelecem na vida e para a vida como lucidez de mente, onde sou sempre quem sou independente do lugar onde estou; onde não preciso esconder o que fui porque simplesmente “já fui”. Onde não é a moda ou algum programa idiota da TV que me passa informações sobre como devo vestir ou como me comportar.

“A ignorância é vizinha da maldade”, já dizia um provérbio árabe, e assim a coletivização de mente é mais fácil de ser controlada. A inércia mental produz zumbis culturais e seres hipócritas que se escondem atrás da máscara da moralidade, que de tempos em tempos, arrumam a maquiagem com o simples propósito de mostrarem a face asquerosa de perversidades, de egoísmos, de vaidades, de presunções... com uma aparência mais bela e com um poder de persuasão maior.

Sempre temos mais de uma opção para escolher, mas infelizmente a grande maioria escolhe a mais cômoda e não a mais conscientemente correta. Enquanto muitos adotarem a regra de não ser quem realmente é, a moral permanecerá sendo o caminho a ser seguido, o deus a ser adorado... e, de quando em quando, um demônio imoral será canonizado em santo moral e muito vão viver achando ser normal a normalidade moral da hipocrisia mental de cada um de nós..


"Encontro nas letras a única forma de fotografar alguns dos instantes perdidos no meio do infinito que sou." 

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sábado, 9 de junho de 2018

ENEM 2018 - Nada mudou

Em 2008 tive a honra de ser convidado pelo Inep (Instituto Nacional e Ensino e Pesquisa) órgão que elabora o ENEM para compor um  grupo de  20 professores que foram a Brasilia ajudar a estruturar o chamado "Novo Enem". O governo PT -  sob a batuta do então  Ministro da Educação Fernando Haddad tinha - ideia de usar esse exame, antes com apenas 63 questão e usado única e exclusivamente para avaliar o ensino médio brasileiro, em uma  ferramenta politica inclusiva como hoje podemos constatar. Passados 10 anos desse fato,  tenho observado a evolução do ENEM e sua importância na vida de milhões de jovens, sobretudo os menos favorecidos,  que a cada ano se inscrevem com intuito de  mudar suas realidades. Nesse período tive a oportunidade  de montar vários Pre Enem gratuitos e  usar minha experiência como elaborador de Itens do Enem  para ajudar esses jovens:  alem disso fiz muitas palestras em escolas públicas e privadas de vários Estados alertando-os  sobre necessidade de mudarem seus Planos Políticos Pedagógicos  para atender as exigências do ENEM. É evidente que sofri muitas retaliações, e ainda sofro,  de professores, coordenadores e diretores que ainda imaginam que  essa aula conteudista serve para algo.

Escrevi o texto abaixo no dia 15 de agosto de 2013, na época eu já questionava esse modelo que ainda hoje persiste, onde o aluno e visto como um depósito  o professor detentor do conhecimento. Confiram..



POR QUE O ENEM ASSUSTA TANTO?

Por Alacir Arruda

Falta pouco para o Exame Nacional do Ensino Médio-2013 (Enem). Esse ano as provas serão nos dias 26 e 27 de outubro. Considero natural e justificável a ansiedade de alguns jovens quanto a essa avaliação por três razões básicas;

- 1º) o nosso jovem não é preparado para esse tipo de prova. Possuímos um currículo ultrapassado, engessado e conteudista onde o aluno é visto como um depósito de conhecimentos. Os professores vão “entupindo” matérias fragmentadas em suas cabeças depois cobram em provas sem qualquer contexto, ou seja, tudo aquilo que o ENEM condena.
-2º) os professores, viciados nesse modelo bancário conteudista, não conseguem estabelecer relações, construir pontes ou contextualizar suas disciplinas aos moldes do que exige a matriz ENEM, alguns por comodismo e outros porque desconhecem mesmo o ENEM.

-3º) somos um país que, culturalmente, não possui o hábito da leitura e o ENEM exige do aluno o domínio dessa competência. Todos os Itens do ENEM possuem; texto base, enunciado, distratores e alternativas. Sendo que o texto base é 50% a 80% da resposta correta. O problema está justamente ai, nosso aluno lê, mas não compreende. Muito menos consegue contextualizar aquilo que leu. Isso ocorre pelo fato de sermos o país que menos lê na américa latina e um dos mais atrasados nesse quesito no mundo. Querer que um aluno, hoje com 17- 18 anos, que teve como literatura mais importante nos últimos 5 anos “Crepúsculo, Lua Nova e Amanhecer” saia bem no ENEM é um tremendo engodo.

O que eu defendo, e há mais de 6 anos venho sofrendo severas criticas por isso, é que as escolas, sobretudo as privadas, comecem ( pra ontem) o processo de transição do vestibular tradicional -QUE NÃO EXISTE MAIS- salvo uma meia dúzia de faculdades no Brasil, para o PRÉ-ENEM, ou seja que os cursinhos preparem seus alunos para o ENEM que hoje é aceito como requisito único em 93% das federais brasileiras e as a outras 7% ate 2016 estarão nesse grupo, inclusive USP e UNICAMP. O que não pode é o que ocorre hoje, o aluno que vai prestar só ENEM fica como um bobo alegre nas aulas, uma vez que ele não consegue estabelecer conexão entre aquilo que é ensinado e as questões do ENEM. 

Mas para que isso ocorra, faz se necessário que escolas se reinventem, aprendam a aprender, uma vez que precisam preparar seus professores, capacita-los a partir da plataforma ENEM e suas matrizes. Quando coordenei algumas escolas em SP tive a oportunidade de colocar em pratica esse modelo. Escolhia algumas aulas de forma aleatória, colocava em sala de aula 4 professores, sorteava um tema qualquer, como por ex: II Guerra Mundial que pode, a principio, ser uma tema de história, mas se aplicarmos as matrizes do ENEM ele se transforma em um tema interdisciplinar, ou seja, o prof. de história abre a aula, contextualizando todo processo histórico do período, o de geopolítica contextualiza todos os interesses e etnias envolvidas, o de física trata da balística (ótica), movimentos, fissão e fusão nuclear e o de química analisa a composição dos gases que foram utilizados pelo regime nazista no processo de limpeza étnica praticado contra judeus e outras etnias. A aula fica interessante, não é maçante para o aluno visto que, em 1 hora, 4 professores falam no máximo 15 minutos. Isso faz com que aluno, perca o medo e comece a entender o que é o ENEM, que tem como função principal inter-relacionar o conhecimento. Eu fiz isso em 2013, é possível sim.

A pergunta que não quer calar:  estarão as escolas dispostas a isso?? Ou preferem a zona de conforto estabelecido por um modelo Anglo-Saxão de perguntas e respostas desconexas que tem dominado a educação privada no Brasil há mais de 60 anos? Não tenho dúvida que a primeira que realizar essas mudanças será destaque e vanguarda no Brasil. Aquelas que recusam tal sistema e que assentam-se sob a égide do tradicionalismo estão fadadas ao fim....

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quinta-feira, 7 de junho de 2018

ENEM 2018 - Um pouco de Schopenhauer

SCHOPENHAUER E OS NOSSOS DESEJOS.

Por Alacir Arruda

Vejamos se consegue resistir: você compraria algo (que não precisa) apenas pela simples vontade ou desejo de possuir este objeto? Até que ponto seus desejos manipulam suas ações? Como a sociedade tem se transformado, cada vez mais, em uma sociedade de consumo?

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Mesmo sem frequentar um há 10 anos - por opção -  não consigo imaginar lugar mais propício para o afloramento dos desejos de consumismo que um Shopping Center. As lojas com suas marcas de luxo,  suas vitrines iluminadas, anúncios de promoções e descontos e suas fachadas chamativas são uma verdadeira tentação para pessoas que gostam de comprar pela simples vontade de matar um desejo consumista. É o comprar pela vontade de comprar, sem nenhuma necessidade objetiva do objeto desejado.

Mas talvez belas lojas e vitrines enfeitadas não chamem sua atenção. Mas o ponto aqui não são as lojas, nem o consumo em si, mas a questão do desejo. Quem sabe, diferente de muitas pessoas, seu ponto fraco não seja o consumismo. Quem sabe você é daqueles que não abre mão de sair todas as noites para se divertir, ou não resiste a um belo e apetitoso jantar.

Será que nossos desejos nos manipulam, nos fazendo tomar determinadas decisões que não tomaríamos caso esse desejo não existisse? Será que o (aparente) inofensivo desejo de possuir algo condiciona nosso estilo de vida, os lugares que frequentamos e nosso circulo de relacionamentos?  Segundo o filósofo alemão Artur Schopenhauer sim. Para ele, você não tem nenhum qualquer controle sobre suas vontades. Quem sabe isso amenize o sentimento de culpa daqueles que estão com a conta bancária e o  cartão  de crédito no vermelho por excessos futilidades.... 

Schopenhauer acabou desistindo de dar aulas - o inveja-  em 1818 e passou a viver da herança de sua família.  Escreveu sua principal obra aos 30 anos, intitulada “O Mundo como Vontade e Representação”, mas sem lograr êxito no início (livro que, após sua morte, passou a ser considerado uma das obras chave da filosofia ocidental). Durante anos, Schopenhauer não parou de atualizar sua obra, que ganhou uma nova versão com um segundo volume de notas e aditamentos em 1844.

No livro, Schopenhauer declara que a realidade tem dois aspectos, vontade e representação, sendo a primeira a força cega encontrada em todas as coisas e a representação, a construção da realidade em nossa mente, ou seja, a maneira que encontramos para dar um sentido a todas as coisas que nos cercam. O conceito de representação se encontra na filosofia de Kant com outro nome, o “mundo fenomênico”.

A vontade é cega pois não a controlamos. É uma força única por trás de tudo. Em nada tem a ver com a ideia de Deus ou de um ser superior. Para Schopenhauer, não há alguém que a direcione. Já a representação é o mundo em que vivemos, como vivenciamos e sentimos nossas experiências.

Para o filósofo, o mundo é uma representação de cada indivíduo. Ele tratava da relação entre sonho e realidade, em que seria impossível para o homem diferenciar essas duas condições. Nesse sentido, a vida seria um longo sonho que é interrompido durante a noite por sonhos menores.  Nas palavras de Schopenhauer, “não é talvez toda a vida um sonho? Mais precisamente: existe um critério seguro para distinguir sonho e realidade, fantasmas e objetos reais?” Assim, para Schopenhauer, não teríamos condições de saber se estamos em um longo sonho ou se o que estamos vivenciando é, de fato, a realidade.

Para o filósofo, haveria um elemento essencial que levaria o homem a ter vontade de continuar vivendo, mesmo sabendo que o seu fim é a morte certa. Como nosso próprio corpo é o único objeto que conseguimos conhecer no Universo, na medida em que não o reconhecemos de fora, mas de dentro, o Eu é a vontade de viver. Mesmo sabendo de nossa morte (que inevitavelmente nos alcançará um dia) continuamos por buscar a sobrevivência.

Aliado à ideia da vontade como elemento preponderante do viver humano, para Schopenhauer o amor não existe, sendo uma artimanha da natureza para a preservação da espécie. Seu pensamento sobre o amor contraria todos os demais pensamentos da época, motivo pelo qual suas ideias foram relacionadas ao pessimismo em relação à vida.

Assim, segundo o filósofo, depois de realizado o ato sexual e atingido o prazer, o homem experimenta um sentimento de desilusão ao constatar que tudo que desejou tão ardentemente nada mais é que qualquer outra satisfação de um mero desejo sexual.

Schopenhauer foi duramente criticado por aliar elementos orientais à sua filosofia. A visão pessimista do filósofo comunga com a visão do budismo, que declara que tudo na vida é sofrimento, sendo o homem o único ser vivo que busca coisas que nunca poderá possuir.

Essa frustração resulta em uma felicidade passageira, pois o ser humano é um ser que sempre está à procura de coisas novas, nunca estando satisfeito com o que tem. Podemos constatar isso tendo nós mesmos como exemplo. Reflita em quantas vezes você desejou algo e quando atingiu teve o prazer de se sentir feliz, mas, logo em seguida, essa felicidade foi se esvaindo, dando lugar a um novo desejo, e assim por diante. Me recordo aqui uma frase do escritor e dramaturgo irlandês  Oscar Wilde:  "O ser humano se frusta duas vezes na vida, a primeira quando tenta atingir algum objetivo e não consegue e a segunda quando consegue". Quer algo mais schopenhaueriano que isso? 

Para Schopenhauer, uma das principais causas do sofrimento humano é esse incessante desejo de buscar coisas que possam nos proporcionar uma felicidade duradora sem nos darmos conta de que essa busca, por si só, é inútil, pois nunca estaremos totalmente satisfeitos com o que adquirimos.

Ao satisfazer seu desejo, o homem tem, por um breve momento, o gosto da felicidade, mas logo em seguida volta a se sentir incompleto e insatisfeito, recomeçando uma nova busca para satisfazer um novo anseio que surgiu logo após a conquista do primeiro. Isso gera um clico interminável de buscas e desejos.

Anos mais tarde, o famoso filósofo Nietzsche, baseando seu pensamento na filosofia de Schopenhauer, escreveu: “A felicidade é frágil e volátil, pois, só é possível senti-la em certos momentos. Na verdade, se pudéssemos vivenciá-la de forma ininterrupta, ela perderia o valor, uma vez que só percebemos que somos felizes por comparação”.

A vontade, considera Schopenhauer, é a força fundamental da natureza, pois cada indivíduo a manifesta para dar sentido a sua própria sobrevivência. Para ele, a vontade é um impulso escuro e vigoroso, sem justiça ou sentido. Assim, um indivíduo sem vontades não possui motivação suficiente para viver, não consegue enxergar sentido e propósito na sua existência.

Para Schopenhauer, a contemplação da arte é uma forma de suprimir, mesmo que temporariamente, o estado de sofrimento humano causado pela busca incessante pela satisfação de suas vontades. O filósofo eleva a música à categoria de arte suprema


É interessante notarmos a importância que Schopenhauer concede à música. Para ele, “a música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende”. Schopenhauer foi o primeiro filósofo a elevar a música para um patamar superior, influenciando o pensamento de Nietzsche sobre ela, que escreveu que “sem música a vida seria um erro”.

Presente na terceira parte do livro “O Mundo como Vontade e Representação”, a música assume papel importante na filosofia de Schopenhauer. Para o filósofo, a contemplação da arte é uma forma de suprimir, ainda que temporariamente, o estado de sofrimento humano causado pela busca incessante pela satisfação de suas vontades.

Assim, ainda que Schopenhauer entenda o viver humano como um constante sofrimento em virtude do homem sempre buscar satisfazer algo que é insaciável (o desejo humano), o filósofo concede uma solução: tornar-se livre da vontade para atingir a contemplação.

Ao libertar-se de seus desejos, o homem é livre para atingir o sublime e o filósofo elege a arte como meio para isso e consagra a música como a arte suprema. Nesse sentido, a música é capaz de expressar a vontade fazendo uso de uma linguagem grandiosa. Por meio dos tons, ritmos, harmonias e melodias, a música é capaz de revelar a essência interior do mundo, o desejo, que move a natureza humana, enquanto a filosofia é capaz de apenas reproduzir a essência do mundo através de conceitos gerais.

A grande verdade é que Schopenhauer nos ensina a viver  um dia de cada vez,  sem fazer planos, afinal a vida  - por si só - não  tem o menor sentido, somos nós que damos sentido a ela a partir da realização das nossas vontades. Eu li Schopenhauer a primeira fez com 17 anos desde então tenho buscado praticar - mesmo sem as vezes conseguir - o que ele sugere: "Carpie Diem"


-Deixo abaixo uma série de obras escritas por esse filósofo, sugiro que leiam, principalmente aqueles que farão o ENEM.

A arte de escrever | A arte de insultar | A metafísica do belo | Aforismos para a sabedoria da vida | Dores do mundo | Esboços de uma história da doutrina do ideal e do real | Metafísica do amor, metafísica da morte | O Mundo Como Vontade e Representação (Livro III) | O Mundo Como Vontade e Representação (Livro IV) | A morte e a dor | Algumas palavras sobre o panteísmo | Como vencer um debate sem precisar ter razão: 38 estratagemas | Do pensar por si | O sistema cristão | O vazio da existência | Religião, um diálogo | Sobre a filosofia universitária | Sobre educação | Sobre livros e leitura | Thomas Mann


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