quarta-feira, 9 de abril de 2014

O POLEMICO NIETZSCHE

PENSAMENTO DE NIETZSCHE
Por Alacir Arruda

  Friedrich Nietzsche (1844-1900)  foi o  filósofo que teve a coragem de expor questões antes nunca vistas. Ele contrariou idéias tidas como comuns na época e teve a ousadia de dizer que Deus não existia, quando a maior parte das pessoas era cristã. Criticou, ainda, Sócrates e Platão, a metafísica e a “moral dos escravos”, como ele mesmo se referia como sendo a mentalidade dos derrotados. Algumas de suas teorias incluem, ainda, a teoria do eterno retorno, o Dionisíaco e o Apolíneo, e o “Super Homem”. Nietzsche é considerado também um marco na psicologia, pois muitas de suas obras tratam de fenômenos típicos desta ciência. Porém, o mais importante da filosofia nietzschiana é a sua idéia de vida e a sua consciência de que existem valores especificamente vitais. Nesta expressão valores vitais encerram-se duas das idéias que vão dominar a filosofia posterior. Nietzsche é uma das origens da filosofia dos valores e da filosofia da vida.

O PENSAMENTO NIETZSCHIANO.

«  O DIONISÍACO E O APOLÍNEO.       
Da Grécia antiga, Nietzsche separa os dois protótipos opostos e típicos, o Apolíneo e o Dionisíaco, correspondentes aos deuses Apolo e Dionísio, o primeiro, simbolizando a serenidade, a clareza, a justa medida, o equilíbrio, o racionalismo; o segundo, a impulsividade, o desregramento, a intemperança, a vitalidade excessiva, a vontade de viver, não obstante os dissabores encontrados.
Há indivíduos apolíneos e dionisíacos, há cidades apolíneas e dinonisíacas, assim também como há períodos da história em que se notam traços de uma ou de outra dessas duas tendências.
«  O ETERNO RETORNO
Nietzsche depende em certa medida do positivismo da época; nega a possibilidade da metafísica; além disso, parte da perda da fé em Deus e na imortalidade da alma. Mas essa vida que se afirma, que pede para ser sempre mais, que pede eternidade no prazer, voltará uma vez e outra. Nietzsche utiliza uma idéia procedente de Heráclito, a do eterno retorno das coisas. Tudo o que acontece no mundo repetir-se-á igualmente vezes e vezes. Tudo voltará eternamente com todo o mal, o miserável e vil. O homem, porém, pode ir transformando o mundo com a vontade de poder, o bem supremo da vida, e transformando-se a si mesmo, mediante uma transmutação de todos os valores e encaminhar-se para o super-homem. Para ele, o bem é forte , o débil é o mal. Por isso, a compaixão é o mal supremo.
«  O SUPER-HOMEM
Nietzsche opõe-se a todas as correntes igualitárias, humanitárias e democráticas da época.O máximo bem é a própria vida, que culmina na vontade de poder. O homem deve superar-se, terminar em algo que esteja acima de si, como o homem está acima do macaco: esse é o super-homem.
«  A MORAL DOS SENHORES E A MORAL DOS ESCRAVOS
Nietzsche tem especial hostilidade pela ética kantiana do dever, como pela ética unitária e também pela moral cristã. Nietsche valoriza unicamente a vida, forte, sã, impulsiva, com vontade de domínio. Assim distingue dois tipos de moral. A moral dos senhores é a das individualidades poderosas, de vitalidade superior, exigentes para consigo mesmas; é a moral da exigência e da afirmação dos impulsos vitais. A moral dos escravos, em contrapartida, é a dos débeis e miseráveis, a moral dos degenerados; é regida pela falta de confiança na vida. Pela valorização da compaixão, da humildade, da paciência, etc. É uma moral de ressentidos, que se opõe a tudo que é superior e por isso afirmam todas as igualdades.
«  VALORIZAÇÃO DA GUERRA
Nietzsche, na sua valorização do esforço e do poder, é um dos pensadores que mais exaltou o valor da guerra; a guerra parece-lhe a oportunidade para que se produza uma série de valores superiores, e espírito de sacrifício, a valentia, a generalidade, etc. Para ele, bondade, objetividade, humildade, piedade, amor ao próximo, constituem valores inferiores, impondo-se sua substituição pelo risco, orgulho, personalidade criadora.
«  FILÓSOFOS
Para ele, um tipo de filósofo encontra-se entre os pré-socráticos, nos quais existe unidade entre o pensamento e a vida, esta “estimulando” o pensamento, e o pensamento “afirmando” a vida. Mas o desenvolvimento da filosofia teria trazido consigo a progressiva degeneração dessa característica, e, em lugar de uma vida ativa e de um pensamento afirmativo, a filosofia ter-se-ia proposto com tarefa de “julgar a vida”, apondo a ela valores pretensamente superiores, medindo-a por eles, impondo-lhe limites, condenando-a. Em lugar do filósofo-legislador, isto é, crítico de todos os valores estabelecidos e criados de novos, surgiu o filósofo metafísico. Essa degeneração, afirma Nietzsche, apareceu claramente com Sócrates, quando se estabeleceu a distinção entre dois mundos, pela oposição entre essencial e aparente, verdadeiro e falso, inteligível e sensível. Sócrates inventou a metafísica, diz Nietzsche, fazendo a vida aquilo que deve ser julgado, medido, limitado, em nome de valores superiores como o Divino, o Verdadeiro, o Belo, o Bem. Com Sócrates, teria surgido um tipo de filósofo voluntário e sutilmente “submisso”, inaugurando a época da razão do homem teórico, que se opôs ao sentido místico de toda a tradição anterior.
«  CRÍTICA À METAFÍSICA E AO CRISTIANISMO
            Para ele, porém, a metafísica não tardaria a encontrar seus limites. Diz ele: “essa sublime ilusão metafísica de um pensamento puramente racional associa-se ao conhecimento como um instinto e o conduz incessantemente a seus limites onde este se transforma em arte”. Por essa razão, Nietzsche combateu a metafísica, retirando do mundo supra-sensível todo e qualquer valor eficiente, e entendendo as idéias não mais como “verdades” ou “falsidades”, mas como “sinais”. A única existência, para Nietzsche, é a aparência e seu reverso não é mais o Ser, o homem está destinado à multiplicidade, e a única coisa permitida é sua interpretação.
            A crítica dele à metafísica tem um sentido ontológico e um sentido moral: o combate às idéias socrático-platônicas é, ao mesmo tempo, uma acirrada luta contra o cristianismo.
            Segundo ele, o cristianismo concebe o mundo terrestre como algo “ruim, transitório”, em oposição ao mundo da felicidade eterna do além. Essa concepção constitui uma metafísica que, à luz das idéias do outro mundo, autêntico e verdadeiro, entende o terrestre, o sensível, o corpo, como o provisório, o inautêntico e o aparente. Trata-se de um “platonismo para o povo”, de uma vulgarização da metafísica, que é preciso desmistificar. O cristianismo,continua ele, é a forma acabada da perversão dos instintos que caracteriza o platonismo, repousando em dogmas e crenças que permitem à consciência fraca e escrava escapar à vida, à dor, à luta, e impondo a resignação e a renúncia como virtudes. São os escravos e os vencidos da vida que inventaram o além para compensar a miséria; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação dos instintos da vida.
            Nietzsche propôs a si mesmo a tarefa de recuperar a vida e transmutar todos os valores do cristianismo. Ele traz à tona, por exemplo, um significado esquecido da palavra “bom”. Em latim, significa guerreiro, significado esquecido pelo cristianismo. As palavras, segundo ele, sempre foram inventadas pelas classes superiores e, assim, não indicam um significado, mas impõe uma interpretação.
            Compreender Nietzsche talvez seja a coisa mais difícil neste mundo permeado por alienados e subservientes. Mas ignorá-lo é, talvez, o maior erro humano.

6 comentários:

  1. professor, sou fã de Nietzsche, acho ele o maior de todos. A sua ideia de eterno retorno e vontade de poder são inigualáveis. Marcela

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    1. Eu ja amo quando ele desce o "porrete" no cristianismo..Concordo plenamente com ele. Carla

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    2. Eh meninas..vcs acabarão sendo odiadas assim como eu...rs

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    3. Eu sou fã da grande pensadora contemporânea Valesca Poposuda...kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, Nietzsche agora ficou no chinelo.

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  2. Apaixonada por Nietzsche, graças a esse professor espetacular, ao qual agradeço imensamente ter tido a honra de conhecê-lo e por ter me apresentado um mundo novo... O do CONHECIMENTO. (Agora mesmo estou assistindo o filme: "Nietzsche em Turim")

    Obrigada professor.

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