quarta-feira, 17 de maio de 2017

TEMER: Parte do Problema

TEMER NUNCA FOI A SOLUÇÃO ELE É PARTE DO PROBLEMA.

Por Alacir Arruda

O que se espera de um Presidente da Republica? Bom , o razoável é que ele utilize de sua influência e poder para irradiar coisas positivas para o país. O Presidente Michel Temer teve todas as chances do mundo para realizar isso, para mudar a cara de nosso país não apenas internamente, mas, e sobretudo , externamente, porém ele optou por ser "mais do mesmo".

As denúncias que pesam sobre Michel Temer,  feitas em delação pelo dono do Grupo JBS, se confirmadas, são gravíssimas inviabilizando sua continuidade no comando do país e a sua renúncia seria uma saída menos desonrosa. O problema todo é o seguinte: o governo Temer não tem mais legitimidade alguma para propor as reformas que, no entanto, o país precisa tanto e que acreditou que ele poderia fazer. Como todos sabem, ele foi empossado para isso, no bojo de uma onda de denuncismos que não o isenta uma vez que ele azia parte do governo que caiu e tem mais, ate sua legitimidade como Presidente foi questionada pelo fato do mesmo não ter passado pelo crivo do sufrágio universal. 

Que a Dilma era péssima e o PT uma quadrilha, disso ja sabíamos, mas é necessário que também reconheçamos o obvio: o afastamento de Dilma se deu porque a economia ia mal e os derrotados em 2014 queriam aproveitar o vácuo da desarticulação política. O Brasil estava travado, os que tinham que produzir fizeram greve branca, apostando numa alternativa de política econômica que implantasse um modelo ultraliberal, de Estado mínimo e desmonte de algumas conquistas sociais implantados pelo PT.

Temer assumiu para cumprir uma pauta alheia mas seu governo desandou. Apesar da recuperação minima de alguns números, sobretudo na economia, Temer tem dificuldade de dialogo com a sociedade civil, como ja disse em artigos anteriores, é um burocrata que não conhece a língua do povo. Outro pecado mortal cometido por Temer, e isso pode custar -lhe o mandato, foi manter Eliseu Padilha e Moreira Franco como Ministros mesmo apos terem sido indiciados pelo Ministério Publico Federal por corrupção. Esses fatos desgastaram seu governo e ninguém mais o leva a sério. Nem mesmo os que torciam por ele, os que sonhavam com a possibilidade de que o governo Temer pudesse fazer o que se esperava dele.

No Congresso, Temer construiu uma base aliada - em troca de muitos favores - que ainda conseguiu ir tocando a agenda, aos trancos e barrancos. Mas esperava-se do governo uma liderança capaz de explicar à sociedade a urgência de alguns avanços necessários à nação e isso, Michel Temer não tem. Ele virou um fantoche de si mesmo. Um presidente que tem 79% do país contra e apenas 9% a favor já pode ser considerado um presidente ilegitimo. Essas pesquisas o desmoralizam e vimos isso recentemente com a greve geral. O pior é que gente boa entrou nesse barco e a canoa virou e não há mais como desembarcar.

O desalento toma conta da sociedade brasileira que hoje se vê órfã de lideres e sem nenhuma perspectiva futura de melhora, uma vez que não se vislumbra nenhum novo nome que possa renovar a autoestima dessa nação. Como disse no inicio desse texto, Temer teve a faca e o queijo nas mãos, mas preferiu seguir os exemplos de seus antecessores que levaram a economia brasileira a bancarrota e deixaram 14 milhões de pais de famílias sem norte, desempregados (as). Se realmente, algum dia, o Sr. Michel Temer quis entrar para a historia do Brasil, ele conseguiu, no futuro ele sera lembrado, nos livros de historia, como um Presidente que herdou uma cadeira de mandatário de uma nação e dela fez um escritório de negociatas escusas. 


Talvez se o grande jurista e politico brasileiro Ruy Barbosa fosse vivo ele diria:

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade 
e por ver este povo já chamado varonil 
enveredar pelo caminho da desonra. 

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser 
e ter que entregar aos meus filhos, 
simples e abominavelmente, 
a derrota das virtudes pelos vícios, 
a ausência da sensatez 
no julgamento da verdade, 
a negligência com a família, 
célula-Mater da sociedade, 
a demasiada preocupação 
com o 'eu' feliz a qualquer custo, 
buscando a tal 'felicidade' 
em caminhos eivados de desrespeito 
para com o seu próximo. 

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas 
pelo orgulho e vaidade, 
a tanta falta de humildade 
para reconhecer um erro cometido, 
a tantos 'floreios' para justificar 
atos criminosos, 
a tanta relutância 
em esquecer a antiga posição 
de sempre 'contestar', 
voltar atrás 
e mudar o futuro. 

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer... 

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço. 

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade. 

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo BRASILEIRO!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes 
nas mãos dos maus, 
o homem chega a desanimar da virtude, 
A rir-se da honra, 
a ter vergonha de ser honesto'. 


Rui Barbosa.

Contato: agaextensao@gmail.com

terça-feira, 16 de maio de 2017

ENEM 2017: II Guerra e suas mentiras

"A HISTÓRIA É ESCRITA PELOS VENCEDORES": AS ATROCIDADES DA II GUERRA.

Por Alacir Arruda

Quando se fala em Segunda Guerra Mundial (1939-1945)  é natural que a primeira coisa que venha a mente de qualquer pessoa, seja  o Holocausto praticado contra Judeus, Ciganos Negros, entre outras minorias pelos  nazistas, aliás, foi isso que nos ensinaram nas escolas não é? Não que isso não tenha ocorrido,  e não estamos diminuindo a sua importância histórica, porém:  há mais coisas entre o céu e a terra do que possa imaginar nossa vã filosofia, como diria Shakespeare. Nesse conflito, como nos demais,  existem verdades não ditas, fatos omitidos e heróis fabricados. 

É importante que estabeleçamos um princípio crucial para que possamos entender a Segunda Guerra Mundial: não havia “mocinhos” na Segunda Guerra Mundial! Não era uma guerra do “bem” contra o “mal”, foi a degradação da humanidade. Embora devamos enaltecer os esforços e os sacrifícios de toda uma geração que lutou instintivamente para sobreviver, sejam combatentes ou civis, mas não podemos enaltecer a guerra em si. Guerra é exatamente isso: Guerra! Isso quer dizer que TODOS os seus partícipes irão se desgeneralizar de uma forma ou de outra até perder a noção do bem e do mal; perder a sua própria humanidade.

Nesta linha,  devemos levar em consideração alguns pontos que também são  essenciais para que a História, enquanto ciência, cumpra seu papel, quando no estudo da Segunda Guerra Mundial, o qual listamos abaixo:

1-A Ciência História deve estar acima dos Vencedores;
2-Ela evolui e deve contemplar uma revisão dos Fatos em ato contínuo (Revisionismo);
3-O Revisionismo Histórico deve acrescentar perspectivas sobre os Fatos Históricos, mas com equilíbrio e sem ser objeto de manipulação dos historiadores;
4-A Ideologia do historiador deve sucumbir a Fatos Históricos. A visão do historiador não pode influenciar na análise destes mesmos fatos;
5-Como condiz a todo cientista, não existe verdade absoluta, existem evidências científicas que nos levam a um veredicto, portanto, cabe ao historiador trazer a luz as evidências que nos levam a verdade, mesmo que esta seja temporal.

A minha grande indagação diz respeito às razões pelas quais um povo se lança em guerra contra outros porque assim determinou o seu presidente ou líder político!  Milhões morrem por capricho de déspotas ou títeres, que não têm qualquer consideração pela espécie humana, a aniquilam através de crueldades indescritíveis.

Não consigo entender por mais que eu leia sobre a Segunda Guerra Mundial, que o povo alemão, culto, inteligente, de tradições e costumes refinados, tenha obedecido cegamente a Hitler, e ocasionou o maior conflito da história da Humanidade!

Da mesma forma repudio os ataques atômicos a Hiroshima e Nagasáki, igualmente a carnificina absolutamente desnecessária com o bombardeio aéreo em Dresden, matando milhares de civis criminosamente.

Lamento profundamente ter havido apenas o Julgamento de Nuremberg, condenando os nazistas, pois paralelamente a este tribunal deveria haver aqueles que julgassem os crimes de guerra cometidos pelos aliados, que não foram poucos, incluindo os japoneses pelo que fizeram na China e com os americanos nas batalhas pelo Oceano Pacífico.

E se quisessem de fato punir o genocídio da última guerra mundial, então que os italianos se sentassem também na cadeira dos réus quando invadiram a Abissínia, em gesto tresloucado pelo fascista Mussolini.

Desgraçadamente, a história é escrita pelos vencedores, que os isentam de culpa pelas atrocidades praticadas, e deixando desta maneira um espaço enorme à punição daqueles que liberaram seus monstros dentro de si, que soltaram as bestas escondidas em suas mentes, e macularam o ser humano a tal ponto que animal algum na face deste planeta é tão brutal e cruel quanto ao bicho homem, na verdade o lobo da própria espécie, conforme sentenciado por Plauto (254-184) em sua obra Asinaria.

No texto de Plauto  se diz exatamente: “Lupus est homo homini non homo”, numa tradução grosso modo - O homem é lobo do próprio homem - .Essa frase foi bem mais tarde popularizada por Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVII. O mais angustiante é que os exemplos da Segunda Guerra não foram suficientes para aplacar a ira incontida no ser humano, pois de 1.945 até 2016, 71 anos se passaram, e jamais tivemos na história tantas guerras, revoltas, revoluções, como as registradas nessas sete décadas, gerando fome, miséria, injustiças, calamidades, torturas, sofrimentos à humanidade, e sem que se discuta um fim para tanta morte ou qualquer atitude para minimizar as vidas ceifadas.

Dresdem foi um,  de outros  tantos exemplos de bestialidade, que de nada serviu para a consciência do animalesco homem! Nas fotos abaixo é possível ter uma noção daquilo que essa cidade alemã sofreu durante esse "animalesco" conflito:

Contato: agaextensao@gmail.com

terça-feira, 9 de maio de 2017

ENEM 2017- Nietzsche um genio

NIETZSCHE: JAMAIS FOI O FILÓSOFO DO NAZISMO..


Por Alacir Arruda

A idéia de um Nietzsche anti-semita e filósofo do nazismo perdura até os dias atuais, sobretudo para os imbecis de plantão, o objetivo desse texto é tentar  desmistificar esse mito. Reconstituamos imaginariamente uma cena. Weimar, Alemanha, 2 de novembro de 1933. O chanceler Adolf Hitler, acompanhado de séquito e pompa, adentrou um museu, parando diante de uma velha senhora, que o aguardava com impecáveis orgulho e postura aristocráticos. 

Em seu discurso, Elisabeth Foester enfatizou os tradicionais germanismo e anti-semitismo da sua família, confirmando o chanceler: “Em acordo com os desejos do Criador Todo Poderoso, atuando contra o Judeu, estamos lutando em Seu nome.” À saída, uma orquestra, com toque marcial, executava algumas peças, dentre as quais a “Cavalgada das Walkírias”, do compositor Richard Wagner, enquanto um sorridente Hitler, exibiu aos espectadores entusiasmados um precioso presente que recebera como regalo, um bastonete que pertencera ao irmão da anfitriã, o filósofo Friedrich Nietzsche, a quem aquele museu e cerimônia eram dedicados.

Hitler recepcionado por Elisabeth Foester, irmã de Friedrich Nietzsche

Para os nazistas, uma leitura praticamente obrigatória era “Assim falou Zarathustra”, sonhando com a materialização, na sua Alemanha, do Super-Homem vislumbrado por aquele filósofo que, arrasado pela sífilis, falecera a 25 de agosto de 1900. Nas mochilas de uma boa parte dos soldados alemães que avançaram no sonho do mundo ariano, essa obra era um dos componentes básicos, a reforçar o seu norte ideológico. 
O ferrenho ódio anti-semita seguiria o ditador nazista até a última frase do testamento, pouco anterior ao seu suicídio: “Acima de tudo, eu conclamo ao governo e ao povo a sustentar as leis raciais até o limite, e a resistirem ao envenenador de todas as nações, o Judaísmo internacional”. Datou e assinou: “Berlim, 29 de abril, 1945, 4 horas... Adolf Hitler”.

A imagem de um Nietzsche anti-semita e germanista perdurou apenas um pouco mais além da ruína da Alemanha nazista. Foi então que o mergulho nos arquivos revelou que estávamos diante de uma das mais contundentes adulterações da História. Ficou muito claro, observou Georges Bataille, que não houve nada que Nietzsche houvesse afirmado de uma maneira mais inequívoca que seu ódio aos anti-semitas, estando amplamente demonstrada a incompatibilidade total. O racismo e o nacionalismo foram tidos pelo filósofo, sem dúvida alguma, como formas explícitas de estupidez.

Nietzsche doente  e catatônico - Manicômio de Jena

A verdade é que, após a pane mental de Nietzsche, em 1889, pela doença, suas obras, que num primeiro momento ficaram sob custódia da mãe, logo passaram a ser administradas pela irmã. Esta foi a grande responsável pela divulgação maior do seu nome, ao investir em edições baratas, transformando-as, lembrou Ernani Chaves, num empreendimento lucrativo. A sua ânsia pela comercialização do que tinha em mãos foi tal que chegou mesmo a vender o direito a verem o filósofo paralisado pela doença. Mas o lado mais terrível, em termos da obra do irmão, é que também cuidou da sua anti-semitização e germanização, utilizando-se de cortes e ocultações, completando e falsificando anotações. Ou seja, foi responsável direta no processo de monstrificação de Nietzsche. 

Elisabeth Foester- Irmã de Nietzsche e uma FDP

Elisabeth foi enterrada com honras oficiais, em 1935, tentando levar consigo fatos como o de as citações diante de Hitler não serem obra do irmão. Eram lavra do seu marido, Bernard Foester, que Nietzsche odiara e repudiara, afirmando “jamais acompanhar alguém que esteja implicado nessa farsa desavergonhada de racismo”. 

A trajetória do anti-semitismo é muito mais antiga que o período da produção filosófica nietzscheana, mas era, em princípio, fundamentalmente baseada em critérios religiosos e, podemos até enxergar esse viés, econômicos. Entretanto, tudo começara a mudar com o “Dicionário Filosófico” de Voltaire, publicado em 1764, que, segundo Theda Browdy, forneceu a mais expressiva base secular ao anti-semitismo, que veria, a partir de então, uma grande progressão, permeando praticamente todos os sistemas que germinavam à época.

Nietzsche e sua irmã, Elisabeth Foester-1899

Isto desde o grande imperialismo napoleônico, que, em 1807, forçou a revisão da cidadania e paridade dos judeus, reconhecida na Revolução Francesa, até o socialismo, com Alphonse Toussenel, em 1845, condenando veementemente o poder financeiro judeu internacional. O compositor Richard Wagner, a partir de 1850, sob pseudônimo, adentrou o campo das publicações repudiando o papel dos judeus na música, enquanto Count Gobineau reforçou ainda mais a base teórica do anti-semitismo, com seu “Ensaio sobre a desigualdade das Raças Humanas”, de 1855. 
Se, entre 1867 e 1871, a Alemanha, a Áustria e a Hungria instituíram legalmente a igualdade de direitos dos judeus, em paralelo, o caminho era o da reação a esse fato.

A infeliz...

As grandes crises financeiras, que se seguiram às guerras, eram logo creditadas aos judeus, e, em 1879, Wilhelm Marr marcou claramente a questão como política, ao fundar um partido que afirmava como referência maior o anti-semitismo. A catalização de outros partidos, como o Social Cristão, na Alemanha, para o anti-semitismo, começou a se fazer mais claramente, enquanto historiadores como Heinrich von Treitschke creditavam e enfatizavam, cada vez mais, o papel de vilão aos semitas. 

Era nesse ambiente que as concepções de Nietzsche circulavam, tendo anotado Gilles Deleuze que “os nazistas tiveram relações ambíguas com a obra de Nietzsche, porque agradava-lhes utilizá-las, mas não poderiam faze-lo se não despedaçando-a, falsificando edições, proibindo trechos importantes.” O próprio Hitler, apesar de ter presenteado o par Benito Mussolini com uma luxuosa “coleção completa” das obras nietzschenas não lera desse mais que algumas citações. E, ainda assim, só textos extremamente manipulados, pois só assim poderia este aproximar-se daquele que lamentara a falta de afeto alemão pelos judeus e exigira um repúdio claro ao anti-semitismo. 

E não se culpe apenas os nazistas, pois Nietzsche entendeu uma realidade humana: “Não vemos um leitor que leia todas as palavras. Em vez disso, tira, de vinte palavras, mais ou menos cinco, adivinhando o sentido que supostamente compete a essas cinco palavras. Estamos habituados a mentir, sendo mais artistas do que sabemos.”

Daí para o linchamento da verdadeira proposta do filósofo é um passo. No caso de Nietzsche, sua obra havia atacado cristãos, idealistas, racionalistas, marxistas, anti-semitas, nacionalistas, nazistas, chamando contra si se não uma conjunção espantosa de forças, ao menos uma convergência de ataques individuais de cada área. 

Seja como for, apesar disso, Nietzsche foi obrigado a reolhar com interesse especial a sua própria obra, pois a deturpação do que escrevera, ao tempo em que aborrecia, também assombrava e envaidecia. Percebeu que sua influência permeava as bases dos conceitos mais radicais da época, sendo adotado exatamente por boa parte dos que atacara. 
O que escrevera era bem mais amplo do que imaginara, comentando à amiga Malwida: “A atmosfera que me envolve seduz, gozando eu de um prestígio estranho e misterioso”. Preocupou-se: “Fico apavorado quando penso quantos homens desautorizados e inadequados recorrerão à minha autoridade”. Concluiu: “É o tormento de todo grande educador da Humanidade tornar-se, a depender das circunstâncias, uma fatalidade ou uma bênção para os homens.” 

O sagaz Nietzsche chamara os marxistas de fantasiosos, despóticos e reacionários, que queriam a plenitude de um absurdo poder estatal e o aniquilamento do indivíduo, só podendo existir via terrorismo e perseguição. Conforme lembrou Alan Taylor, num assomo visionário, o filósofo afirmou que a progressão da proposta marxista tenderia apenas a produzir duas linhas de ditadura, uma pró e uma contra, ambas extremamente danosas à Humanidade.

Nietzsche ja doente.

Se o processo seguisse adiante, seria praticamente certo o caminho para mais uma tirania, ainda que fosse a da igualdade, que, imposta, nada teria de melhor que a pior escravidão. Daí, fica explicado porque George Lukács, com sua verborragia marxista, viu nesse filósofo “os mitos da burguesia imperialista, mobilizando forças contra o socialismo”. 

Nietzsche chamou os racionalistas de ressentidos sonhadores ingênuos e maldosos, atacando-os sem qualquer contemplação, questionando: “O que destrói mais rapidamente do que trabalhar, pensar, sentir, sem uma necessidade interior, sem uma profunda eleição pessoal, sem prazer, como autômato de um dever?” Ou seja, estava na via do nosso conhecido Borges, que afirmara que “não se pode contemplar sem paixão”... ou... mais diretamente o nosso “sem tesão não há solução”. 

Não havia qualquer contemplação para um Nietzsche sem meias palavras para o racionalismo idealista: “ é a receita para a decadência e até para a imbecilidade”. A ele não faltavam exemplos a dar, lançando mão de referenciais expressivos: “Kant tornou-se um imbecil!” proclamou. 

Daí, a campanha de tentativa de massacre levada adiante pelo pelotão de racionalistas, como Schilling, que viu em Nietzsche a justificativa da escravidão, mas apenas indicando frases isoladas e fazendo vista grossa às metáforas. O também racionalista André Comte-Spomville, que chegara a declarar-se nietzscheano quando mais jovem, repudiou-o mais tarde, insistiu em ver em Nietzsche um anti-semita. Com a divulgação dos documentos evidenciando ser o filósofo, de fato, contra os anti-semitas, legou uma preciosa e hilária afirmação: Que o filósofo era, ao mesmo tempo, anti-semita e anti-anti-semita. Defendeu-se Comte-Spomville afirmando ser Nietzsche tão rico em procedimentos e envergadura que seria muito bem capaz dessa antítese. 

Alain Boyer, um racionalista típico, conclamou os seus companheiros a “seduzirem” aqueles que estariam “dispostos a se deixarem levar pelas sereias irracionalistas”, insto é, aqueles que denominou “nietzscheanos”, acusando Nietzsche de “confundir os planos” do existir. Acabou vociferando furioso quando um filósofo daquelas fileiras opositoras sorriu e ironizou: “Por favor... Não apele para a metafísica”. 

Comte-Spomville, assim como Boyer, cego à farta documentação surgida, insiste, através de exercício de raciocínio com ares sofistas, num Nietzsche anti-semitista, e, a partir das elucubrações nietzscheanas, chega ao racismo, ao massacre e ao nacionalismo. Para esse estudioso, mesmo “sem ser, evidentemente, uma causa do nazismo, nem mesmo uma das suas fontes reais, Nietzsche não deixa de pertencer ao mesmo mundo espiritual, do pensamento alemão anti-democrático, anti-judeu e anti-racionalista que produzirá o nazismo, e isso, sem absolutamente as autorizar, explica um pouco as pretenções nietzscheanas deste ou daquele nazista, assim como os comportamentos nazistas deste ou daquele nietzscheano.” 

Ou seja, uma tirada típica de Comte-Spomville, que Nietzsche não era culpado mas foi culpado do nazismo, que não era nazista mas participava do seu mundo, portanto, de certa forma, era nazista. Chamar o nazismo de anti-racional é desprezar o poder da lógica do extermínio, tão bem exibida no filme “Arquitetura da Destruição”. Chamar o nazismo de anti-racional é não ter o mínimo conhecimento estético e histórico, que poderia fazer o estudioso perceber nas obras, postura, métodos nacional-socialistas exatamente o racionalismo.

Dizer que Nietzsche pertencia ao contexto alemão da época, anti-judeu, é fechar os olhos a livros e correspondências disponíveis em abundância sobre as posturas de Nietzsche. Mas, que racionalista gostaria de jogar limpo quando o tema é Nietzsche? 
Não digeriram nem o farão os “sonhadores, ingênuos e maldosos”... Como não esperar desses as mais venenosas deturpações, que emanam desses leituras forçosamente e intencionalmente equivocadas, incompletas, facciosas, maldosas, mas trabalhos isentos respeitados como os de Thomas Abraham, no dizer de David Fuks, “incursionam por esse filósofo sem ocultar sua grande admiração e o caráter de homenagem que revestem”, negando essa doença em sua obra.

1 mês antes da morte em  1900

Quanto à confusão que fizeram com o que escreveu, isentos como Gottfried Benn reafirmam: “Nietzsche não teve culpa do que os políticos fizeram”. Ele próprio, para Thomas Mann, via na Política um disvalor, enquanto para Thomas Abraham, ele apenas foi crítico na visão à política como forma de superação das dores humanas. 

Voltando seu fogo em direção aos anti-semitas e nacionalistas do nazismo em organização primeira, em uma carta ao nazista Theodor Fritsch, Nietzsche colocou que “os judeus são mais interessantes que os alemães”, sublinhando que a história judaica propõe vários problemas bem mais fundamentais. Daí haver concluído que todo o pensador teria que contar, caso quisesse algum sucesso, em todos os seus projetos, com a presença valiosa dos judeus na Europa. Se os alemães temiam a esses, era porque agiam como “um povo cuja espécie ainda é fraca e indeterminada”, enquanto “os judeus são, sem dúvida nenhuma, a raça mais forte, mais tenaz que vive agora na Europa. Sabem impor-se mesmo sobre as piores condições, até melhor que nas favoráveis. Não são guiados por outros, modificando-se só por eles mesmos... 

Neles há grandiosidade moral, temível majestade de reivindicações infindas, sentido de valores infinitos, todo o romantismo e a sublimidade de enigmas... Tudo o que há de mais atraente, cativante e requintado no jogo de matizes e tentações do viver... Nós, artistas, filósofos, somos reconhecidos aos judeus”. E rematou: “Confesso que me sinto por demais distante do espírito alemão para ter paciência com suas idiossincrasias particulares, especialmente o anti-semitismo.”

Nos tempos de um nazismo jovem, o filósofo ainda considerava risível qualquer leitura dos textos desses “cabeças duras empolados”. Comentava que, se era por acaso que não tinha nenhum amigo judeu, era por seus escrúpulos que não tinha amigos anti-semitas. Mas, quanto mais expressivo tornara-se aquele movimento, mais necessário foi ao filósofo demarcar sua posição contrária. Para ele, conceitos como raça, cultura, pureza, verdade, arte, nação, dentre outros, estavam sendo muito mal tratados pelos ideólogos nazistas. Daí haver colocado que deveria ser sublinhada a estupidez da “abominável mania de diletantes de se meter na questão do valor dos homens e das raças, com falsificações absurdas e acomodações de conceitos vagos”. 

Afirmando-se seriamente irritado e forçado a sair da “irônica complacência”, enviou cartas a notórios anti-semitas, recheadas de desprezo, por “ver o nome de Zarathustra em suas bocas”. Referiu-se àquilo tudo, ao amigo Overbeck, como uma confusão bizarra. Protestou: “Eu sou apenas um mal-entendido, entre os alemães”. 

Conforme lembra Miguel Morey, “exatamente devido à triste pilhagem e manipulação do seu pensamento pelo bárbaro nazista, num processo de generalização, distanciou-se de tudo o que fosse alemão.” Nietzsche escreveu: “Pense-se nos lugares em que há ou houve homens ricos de espírito, em que engenho, refinamento e malícia são partes da felicidade, onde o gênio quase que necessariamente sentiu-se em casa... Paris, Provença, Florença, Jerusalém, Atenas.” Nada para a Alemanha e, ainda, a presença firme de Jerusalém como celeiro de gênios. 

Afirmou crer na existência, em sua época, de uma cultura francesa, sendo as demais apenas um mal-entendido no desenvolvimento das civilizações. Os poucos casos de alta cultura com que deparara na Alemanha, reolhados, seriam tidos como eslavos, croatas, italianos, holandeses ou judeus. Desqualificou os alemães como representantes históricos de qualquer preeminência cultural ou moral, rematando: “O alemão sintetiza o encontro do mais nobre com o mais vulgar, digere mal seus acontecimentos, ama a comodidade intelectual, é complacente, só possui uma aparência de profundidade e de arrojo... Ler livros em alemão é uma tortura... Onde reina, a Alemanha corrompe a cultura.” Daí, conforme sublinha Thomas Abraham, aquele filósofo sinalizou a necessidade de uma reforma cultural na Alemanha, com novos valores e líderes, repudiando firmemente as teias crescentes do proposto pelos nazistas. Chegou mesmo Nietzsche a sugerir a necessidade de se criar uma liga européia anti-alemã, sendo perfeito na visão lançada em carta ao anti-semita Schmeitzner: “Prevejo terremotos europeus de monstruosas proporções, todos os movimentos indo nessa direção, inclusive o seu anti-semita.”. 

Cortou relações com o compositor Richard Wagner, em função do germanismo e anti-semitismo daquele. Também rompeu radicalmente com a irmã, em função da mesma ser “tola, vingativa e anti-semita”. Assumindo que abandonara toda e qualquer moderação, declarou: “nada representa obstáculo maior à minha influência do que a associação do meu nome com anti-semitas. Sou capaz de jogar porta afora quem quer que me inspire a menor dúvida a esse respeito.” Exigiu o confronto, bradando contra a “esses abortos da Natureza...a canalha anti-semita”, acusando a irmã por “estimular a mais funesta de todas as confusões”, lamentando-se: “você poderia evitar se estabelecer tão diretamente junto a meus antípodas”. 

Sua conclusão não poderia ser outra: “Desejo, cada vez mais, que os judeus ascendam ao poder na Europa, para que não precisem mais serem os oprimidos. O alemão que, apenas por ser alemão, pretende ser mais que um judeu, faz parte de uma comédia, a menos que encontre seu lugar num asilo de loucos. O que desejo, finalmente, é que se obrigue os anti-semitas a deixarem a Alemanha.” 

Pareceria estranho para quem pregou contra o que chamou “moral judaico-cristã”? Só para quem não leu Nietzsche, ao menos querendo realmente entendê-lo. Quando ele assim falava, não comportava qualquer manifestação contra o judaísmo, mas sim contra o cristianismo, que julgava uma péssima adaptação ou derivação daquela religião mais antiga e forte. Afinal, para ele, “os judeus são o povo mais notável da História Universal, pois que, colocados ante a questão de ser ou não ser, preferiram, com clarividência alarmante, ser a todo custo”. Para Nietzsche, os ditos cristãos falsearam de tal maneira a Humanidade que, ainda hoje podem ser vistos como herdeiros da mesma divindade, usarem o mesmo Testamento Antigo, não se verem como uma conseqüência de um judaísmo deturpado, e serem anti-judeus. Daí ele achar conveniente sempre chamar a atenção: judaico-cristão é um título adequado. 

Passando a assinar “Anti-Cristo”, só poderia atrair para si mais ódio ainda dos “judaico-cristãos”, que fomentaram, desta forma, a confusão. Assim, publicações católicas não deixavam por menos, colocando que a Segunda Guerra era o reflexo do embate de duas visões de super-Homem. De um lado, o Super-Homem de Marx, da “autodecomposição coletivista do ser humano, da instrumentalização do indivíduo e da soberba contra Deus”. Do outro lado, o Super-Homem de Nietzsche, no dizer de Daniel Dupuy, prega o extermínio.


Mas a evocação do Super-Homem e da eliminação e desprezo dos mais fracos? Não pregara Nietzsche isso? Claro que sim, rejeitando o Cristianismo e sua opção pela humildade e pela pobreza, tidos por hipócritas avessos da Vida, pregou que cada um busque ser o maior. Porém, a opção pela eliminação do fraco não passa pela questão racial, mas é uma proposta a ser trabalhada indivíduo a indivíduo, cada um devendo buscar o Super-Homem em si, eliminando o mais fraco em si mesmo. Nada a haver ou a ver com matar algum vizinho. 
E a proposta de que os nobres é que devem se impor, acima dos plebeus? Para Nietzsche, nobreza é algo que não deriva de herança sangüínea ou condição financeira. Ser nobre, para ele, é lutar sempre por suas metas, não sendo importante se vence ou não. A luta tipifica a nobreza. 

Michel Foulcault afirmou que o único sinal de reconhecimento que se pode ter para com um pensamento como o de Nietzsche é precisamente deformá-lo, faze-lo ranger, gritar. Mas, o que fizeram também foi deturpar, mentir, tentar destruir a obra desse filósofo, que foi bem claro ao afirmar: “Só alcançaremos êxito se formos fiéis a nós mesmos... Sou inteligente porque demonstro afabilidade, sem qualquer grão de soberba ou desprezo secreto... A minha fórmula para a grandeza do ser humano é “Faça o Amor!” a qualquer tempo.” Não... Nietzsche não era um nazista.


Contato: agaextensao@gmail.com

sexta-feira, 5 de maio de 2017

ENEM 2017- Orwel e o poder

GEORGE ORWEL: UMA ANÁLISE DO PODER.

Por Alacir Arruda

George Orwel nasceu  na Austrália, mas é sempre creditado como inglês, mas isso pouco interessa pois ele se considerava um cidadão do mundo.  Em 1945, quando o livro “A revolução dos Bichos” foi lançado, Orwell sentou para escrever um prefácio que nunca foi publicado e seria encontrado apenas anos depois. O livro, como até quem não leu sabe, é uma crítica em forma de fábula ao socialismo que foi praticado na antiga União Soviética.

Orwell, que lutou na revolução espanhola de 1936 ao lado dos anarquistas (existe um livro lindo sobre sua experiência chamado “Homenagem à Catalunha”) era feroz crítico de regimes totalitários e de tentativas de censura à liberdade de expressão. O prefácio censurado tratava exatamente do tema, mas teve que ser suprimido porque nele Orwell dizia que, embora o livro abordasse o regime ditatorial soviético, na Inglaterra democrática ideias não muito populares eram igualmente limadas do conhecimento público, não pelo uso da força, mas pelo uso da propaganda; ou, como ele escreveu: “o fato sinistro a respeito da censura literária na Inglaterra é que ela é largamente voluntária”.

“A Revolução dos Bichos”, depois de ser recusado por quatro editoras, foi finalmente publicado em 1945 e rapidamente foi usado pelo ocidente como propaganda anti-comunista. Que o prefácio de Orwell tenha sido censurado é apenas coerente porque quem o lesse entenderia que o autor julgava que democracias capitalistas poderiam, em larga escala, cometer alguns dos mesmos crimes e abusos que estados totalitários cometiam.

Em democracias capitalistas, Orwell escreveu, “ideias pouco populares e fatos inconvenientes podem ser mantidos no escuro, sem a necessidade de serem banidas oficialmente”. E o prefácio seguia: “A imprensa britânica é extremamente centralizada e seus proprietários são homens ricos movidos por todos os motivos para praticarem a desonestidade em relação a importantes tópicos. Uma opinião genuinamente fora de moda quase nunca recebe a devida atenção”.

Orwell falava abertamente do que chamava de Russomania, ou a tendência de a imprensa inglesa evitar críticas a Stalin. Mas usou o prefácio para dar exemplos que, como ele disse, eram pouco populares. “A Igreja Católica tem influência considerável sobre o noticiário e pode silenciar criticismo a seu respeito. Um escândalo envolvendo um padre católico quase nunca chega a ser noticiado, enquanto um padre anglicano que se mete em apuros vira manchete (…). Qualquer ator pode testemunhar que uma peça ou um filme que ataque ou deboche da Igreja Católica tende a ser boicotado pela imprensa e provavelmente será um fracasso de público”.

Há, na prática, uma infinidade de exemplos que provam que a grande mídia não apenas decide o que será debatido, como limita o debate dentro de um escopo aceitável, e omite aquilo que não convêm.

É exatamente por isso que todos sabemos de Watergate mas quase ninguém sabe o que foi a Cointelpro, uma operação ilegal conduzida pelo FBI na mesma época de Watergate e que investigava cidadãos envolvidos em manifestações contra a guerra do Vietnam e a a favor de direitos civis. A Cointelpro infiltrava agentes em manifestações e grupos dissidentes para tentar criminalizar cidadãos ligados aos mais variados movimentos sociais, o feminista entre eles.

As duas operações – Watergate e Cointelpro – aconteceram quase na mesma época, foram conduzidas por órgãos federais e foram igualmente escandalosas , opressoras e ilegítimas, mas a primeira vitimou boa parte da elite política americana, e a segunda vitimou apenas minorias. A primeira tratava de abuso de poder contra gente graúda; a segunda de abuso de poder contra gente miúda. Qual das duas teve enorme repercussão pelo mundo? Quem fez a escolha por falar de uma e não da outra?

A operação que vitimou poderosos, Watergate, ecoou com estardalhaço porque o poder tem meios para se defender. O fato de não sabermos da Cointepro mostra apenas como é grande o universo das coisas que nos são omitidas, limitadas e censuradas pela mídia.

Orwell era simpatizante do anarquismo, e não do capitalismo como nos quiseram fazer acreditar. No prefácio que foi suprimido para “A Revolução dos Bichos” ele cita Rosa Luxemburgo, uma das primeiras anarquistas: “Liberdade é liberdade para o outro”, e segue mais abaixo sugerindo que tanto as democracias capitalistas quanto as versões orientais do socialismo já não levam mais esses valores em conta.

Quase no final ele diz — em conceito que pode ser usado para que analisemos os abusos cometidos pela Lava Jato que acabaram levando alguns dos políticos e empresários mais grotescos desse país para atrás das grades: “As pessoas não entendem que se elas encorajam o uso de métodos totalitários vai chegar um tempo em que esses mesmos métodos poderão ser usado contra elas, em vez de a favor delas. Transforme num hábito a prisão de fascistas sem julgamento e provavelmente esse processo não parará nos fascistas”.

E conclui: “Se liberdade quer dizer alguma coisa ela significa o direito de dizer às pessoas coisas que elas não gostariam de escutar”.

Que a obra de Orwell tenha sido usada exclusivamente como propaganda anti-comunista e jamais tenha nos alcançado também como uma coerente crítica ao capitalismo praticado é parte da doutrinação a que somos submetidos. Uma que todos nós temos viva em nossa corrente sanguínea porque ela tem início ainda no jardim da infância, quando começa a seleção dos obedientes e subordinados.

Teria me feito muito bem saber desse prefácio antes de formar as opiniões que formei na adolescência. Teria me feito um bem enorme não dividir o mundo entre comunistas e capitalistas, e saber que o oposto de um regime totalitário, no sentido de ser “o regime ideal e mais justo”, não é a democracia plutocrata que se pratica no mundo. Teria me feito um bem enorme entender logo cedo que o capitalismo está longe, muito longe, de nos servir, e que, ainda que seja o menos pior dos sistemas conhecidos até aqui, ele é injusto, imoral e precisa ser superado.

Na voz de Noam Chomsky: em estados totalitários reprime-se com o porrete, em estados “democráticos” reprime-se com a propaganda, essa que começa no Jardim da Infância e se desenvolve para virar publicidade e noticiário.

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