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PÃO JÁ TINHAMOS ( bolsa família, fies, prouni etc..) AGORA
CHEGOU O CIRCO...
Por
Alacir Arruda
Como disse certa vez o saudoso
carnavalesco Joãozinho Trinta, “pobre gosta de luxo”. Bom, então.....chegou a Copa, tempos de exaltarmos o nosso orgulho nacional,
estender o pavilhão nas janelas ou desfilar com elas nos capôs de carros, de lembrarmos
a letra do hino nacional ( que ninguém sabe
cantar inteiro) e de repetir aquela máxima que a seleção é brasileira e o
Brasil de chuteiras.. Lindo!
Sinceramente não sei dizer o
que é mais impressionante, se o poder de alienação do Estado ou a capacidade de
se deixar alienar do povo brasileiro.
È perfeitamente normal para crianças,
adolescentes ou até mesmo mulheres carentes
passarem o seu precioso domingo correndo atrás de jogadores de futebol. Mas
para homens adultos, pais de família isso é simplesmente ridículo.
Gosto de futebol, mas ainda não
conseguir descobrir qual o prazer de perder duas horas da minha vida em frente
a uma TV ou num campo de futebol contemplando a horrível cena de um monte de
machos suados e robustos correndo atrás de uma bola. Pela minha lógica, é bem
melhor ficar na praia vendo um monte de mulheres gostosas e seminuas,
esteticamente e melhor...
Só mesmo um excelente aparelho
alienante para conseguir isso. Não é pra menos, na década de 70, a ditadura
militar, constatando a falta de idealismo e de patriotismo do povo brasileiro,
frente às constantes provas de uma pátria madrasta, solicitou a composição de
uma música focada no futebol, única coisa ainda não ruim que tinha pra mostrar.
Daí surgiu o famoso “Cento e vinte milhões em ação…” levando uma alienada
multidão ao delírio patriótico. Com isso, todas as outras questões essenciais,
como, saúde, educação, desemprego, foram esquecidos. O brasileiro virou
patriota do dia pra noite. Mais um ponto pra ditadura.
Atualmente a ditadura veste
roupagem de “democracia” e continua necessitando dessa ferramenta para fins
políticos.
Quem sai lucrando com isso são
os jogadores de futebol, os donos dos times, a imprensa em geral e as empresas
que anunciam seus produtos. Os coitados dos alienados, conhecidos popularmente
como “torcedores” só levam a pior. Gastam muitas vezes o dinheiro que não têm,
passam o dia gritando “É… cam-pe-ãooooooooo…”, carregam nas costas os jogadores
suados e outros torcedores, carregam pesadas bandeiras num sol de rachar, levam
porrada da polícia, dentre outros “prazeres do futebol”.
Enquanto isso, os “heróis”
desfrutam de hotéis quatro estrelas e de belas mulheres.
Tamanha babaquice não tem
limites. Aonde se chega se houve a pergunta: “E aí, viu o jogo”? A imprensa não
veicula mais notícias, apenas as inúteis informações sobre futebol: “Porque
Zezinho ta machucado, porque Dadinho ta com o joelhinho inchado…” Tenha dó, né?
Com a verba utilizada na
construção de estádios, para fins de realização da copa do mundo em nosso país,
dava para construir casas populares para uma infinidade de pessoas e ainda
investir na educação e saúde, que continuam capengas.
Se o povo brasileiro
valorizasse o trabalhador da mesma forma que valoriza o jogador de futebol,
nossa realidade não seria tão miserável. O próprio operariado, apesar de sua
consciência indicar que o seu ofício é um milhão de vezes mais importante do
que os feitos dos jogadores de futebol e que para isso, recebe um milhão de
vezes menos que os jogadores, mesmo assim, aplaude os jogadores como se estivessem
produzindo algo essencial para o país. Que outra denominação podemos dar a
isso?
O povo brasileiro precisa sair
da adolescência, deixar essas babaquices no passado e ocupar-se de coisas
úteis, que traga algum retorno promissor para sua vida.
Não sou contra o Brasil, até torço para a nossa seleção e acho o futebol um importante elemento de inclusão em nossa sociedade, o que não compreendo é que não temos essa mesma empolgação quando de se trata de eleger os homens que serão responsáveis pela nação por 4 anos, não saímos a rua quando bandidos, disfarçados de homens públicos, lesam o o nosso patrimônio ou quando nossas crianças chegam a oitava serie sem saber ler..Isso me preocupa. Quando uma nação inverte os valores o resultado é a alienação coletiva.
P.S.. Respeito opiniões
contrarias, mas uma copa que custou 30 bilhões ao erário publico, maior que a
soma das ultimas três copas juntas, não pode ser tratada com seriedade..


