sábado, 22 de junho de 2013


FALÁCIAS, BRAVATAS E  OUTRAS COISAS

Por Alacir Arruda
                  Quem acompanhou  o pronunciamento oficial da Presidenta Dilma Roussef em cadeia de radio e TV  sobre os últimos acontecimentos no Brasil, assim como eu, deve ter ficado boquiaberto. Será que o PT não aprendeu que o povo acordou? Será que  esse Partido/Estado, como diz o articulista de Veja Reinaldo Azevedo, não percebeu até agora que esse pensamento Gramsciano,  (leiam  Antonio Gramsci) de infiltrar ideologia, bravatas e falácias na cabeça do povo  é um discurso superado? O POVO QUER MAIS. Cara Presidenta se isso é o melhor que a Sra. e  seus assessores, Pseudos seguidores de Gramsci,  conseguem fazer   garanto que o Projeto PT foi a bancarrota.
                  Vejam uma das  partes da fala da Presidenta: “me reunirei com os prefeitos e  governadores  para traçar um plano de prioridades  e estou disposta a ajudá-los”. Falácia, pura falácia. Todos nos sabemos quais são as demandas mais urgentes desse país, não é necessário um bando de intelectuais de orelha de livro se reunirem para discutir o óbvio. A nossa maior demanda é a Educação Sra. presidenta. Veja o que diz o pesquisador Alexandre Rands, que comandou a maior pesquisa sobre desigualdade social já feita no Brasil.

             “Atrasos educacionais explicam 100% das desigualdades de renda entre diferentes regiões do Brasil.     A conclusão é do economista Alexandre Rands, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, que tem uma vasta produção acadêmica sobre esse tema. Seu diagnóstico, se correto, significa que o país investe em políticas equivocadas há décadas. Segundo Rands, foi o caso de incentivos para o desenvolvimento da indústria de regiões mais pobres e continua sendo o caso de subsídios públicos a setores empresariais específicos. Ele argumenta que no mercado de capital físico o investimento funciona de forma razoavelmente eficiente. O mesmo não vale para o setor de capital humano. "Famílias em que os pais têm maior capital humano tendem a ter mais recursos para investir na educação dos filhos", afirma.
              Por isso, as desigualdades educacionais tendem a se perpetuar se não houver interferência do governo. Apesar de melhoras, com políticas que tentam compensar a baixa capacidade de investimento das regiões mais pobres, os avanços do Brasil nessa área têm sido insuficientes, diz Rands.”
                                         (Folha de São Paulo 17.06.2013)
               Ou seja, essa pesquisa concluiu aquilo que todos nos já sabemos, que  estamos perdendo competitividade por não possuirmos mão de obra capacitada em função de um ensino medíocre que não prepara, efetivamente, o nosso aluno para os desafios do século do conhecimento, como é conhecido o século XXI. E isso, ainda segundo Rands, se deve a equívocos cometidos por parte do governo federal quanto a investimentos. Ou seja, na visão dos “sábios” que comandam esse país é mais salutar (saudável)  salvar Eike Batista da falência, emprestar dinheiro ao Bradesco, Itaú, subsidiar a Copa do Mundo que aumentar o investimento em educação de 5% do PIB para 10%, não que isso vai salvar o ensino publico, mas é um inicio.
            Acho que a presidenta Dilma não deve conhecer a história da Coréia do Sul, que, (guardadas as devidas proporções), vivia na década de 60 uma situação pior que o Brasil atual. Era um país semi-feudal, recém saído de um conflito que causou a separação do país em dois e hoje, apenas 50 anos depois, é uma potência no campo da educação, se tornando modelo para o mundo. Tudo isso fruto governantes que deixaram o Ego de lado, e não pensaram em domínio, mas sim em ensino. Que deixaram de lado o interesse pessoal e pensaram  no coletivo Que concluíram  que somente com uma população culta sairiam daquele ostracismo. Que tiveram coragem de colocar a educação como prioridade 1. Hoje os coreanos do sul nadam num mar de crescimento e cultura e possuem uma das melhores qualidades de vida do mundo, enquanto nós?? Bom, nós seguimos aqui, como diz o poeta Chico Buarque na musica Meu Caro Amigo.

“Aqui na terra tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro em Rock and Roll, uns dias chovem outros dias batem sol, mas o que eu quero é lhe dizer..... que a coisa aqui ta preta”


veja clip   MEU CARO AMIGO - CHICO BUARQUE


sexta-feira, 21 de junho de 2013


A História Ensina que os Governantes   não Aprendem com a História.

Por Alacir Arruda

                   Ontem, 20 de junho de 2013,  foi um dia histórico para o  Brasil, cerca de 1, 3 milhões de pessoas tomaram as ruas de 25 capitais com um único objetivo..Lutar por um Brasil melhor. A história, segundo Marx (Karl Marx), se apresenta “primeiro como tragédia, depois como farsa”. O filosofo alemão dizia que a história se repete o que muda são as demandas. Parece que os nossos governantes não leram Marx. É  obvio que uma hora o povo iria acordar, ou eles imaginavam que poderiam seguir com seus desmandos ate quando? Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, não tem noção do bem que fez ao Brasil, obrigado Haddad (aliás, ele é filosofo de formação), você acordou o gigante.
               Ao aumentar a passagem do transporte coletivo  de São Paulo em 0,20 centavos, você despertou  200 milhões de brasileiros que sofriam de uma certa  cegueira coletiva. Muito parecido com o livro do grande escritor Jose Saramago “Ensaio sobre a Cegueira”, alias virou filme, assistam.  No livro de Saramago, Todos os indivíduos de uma cidade são  tomados por uma  cegueira branca e  são isolados e internados em um manicômio abandonado, porém, a única pessoa que não contraiu a cegueira é uma mulher, que esconde esse fato dos demais, exceto do marido. Nesse ambiente irão passar por diversas situações consideradas subumanas, vivendo como bichos, em que o instinto se sobreporá à razão e à dignidade humana.  Passado certo tempo, os cegos, já vivendo fora do manicômio, enfrentam a carência da cidade grande que fora saqueada, assim os moradores que tiveram suas casas saqueadas foram obrigados a viver como nômades, à procura de alimentos, água e abrigos pelas ruas. Conforme a visão aos poucos ia sendo retomada pelos moradores, possibilita-nos associar a obra ao Mito da Caverna, de Platão.
               Por que contei isso? Porque o Brasil é um pais de contrastes, ao mesmo tempo em que temos 2/3 de sua população composta de analfabetos funcionais, ou seja, lêem, mas não sabe o que lêem. Temos uma juventude, antes leniente, que tem se  levantado ante aos desmandos de nosso país. É bem verdade que a maioria continua cega, mas essa galera que ontem parou o Brasil da sinais,  aos “canalhas” que nos governam,  que as coisas mudaram, que  decisões precisam ser compartilhadas e discutidas com a sociedade civil e, acima de tudo, que os nobres políticos não estão acima do bem e do mal.  Em suma, a famosa  luz, que  Platão tanto defende em seu mito, chegou, os cegos voltaram a enxergar e o Brasil acena para um novo futuro e com certeza essa “mulecada” faz parte dele.
                 Ao ver meus ex-alunos do CIN ontem gritando palavras de Ordem confesso que me emocionei. Justo eu que sempre fui um crítico feroz dessa geração que chamo de “geração Iphone”, ou geração vazia. Ontem eles provaram que o Iphone serve,  dentre outras coisas, para  mobilizar e,  que   quando bem bem usado, coloca 50 mil pessoas nas ruas. Parabéns..Renato, July, Mariana Piotto, Cássia, Michele, Yara, Levy, Camila Piotto e me perdoem aqueles que esqueci, são muitos, mas sintam-se homenageados. Vocês ontem me encheram de orgulho. Senti que as minhas aulas valeram a pena. Parabéns...e não parem por ai!!!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

 O GIGANTE ACORDOU

Por Alacir Arruda

                    8,5 milhões de Km2, o maior Rio fluvial do planeta, sexta economia do mundo, o maior pais da America do Sul e o terceiro mais importante de toda a América, atrás apenas de Estados Unidos e Canada. E um povo, até então tido como: covarde, omisso, subserviente e conivente com os desmandos. De repente..não mais que de repente, o GIGANTE ACORDA. No Rio mais de 100 mil, em SP mais 100 mil, somando todos os pontos. Segundo o Ibope, no país inteiro mais de 300 mil pessoas saíram ate agora às  ruas para reivindicarem, não apenas a redução da passagem, mas sobretudo o resgate do patrimônio ético há muito perdido em nosso país.
                    Jovens, alguns recém saídos da adolescência outros ainda nela, gritam palavras de ordem Brasil afora. Isso me faz voltar 22 anos atrás, quando esse sociólogo tinha 19 anos e participava de todas as manisfestações de rua, e olha que naquela época  eram muitas, mas a maior de todas, foi  o Impeachment do  ex Presidente Collor..Eu estava em Brasilia naquele dia..eu vi e presenciei um fato que entraria para a história. Jovens,  "CARAS PINTADAS" como a grande mídia nos chamava,  conseguia aquilo que nem o Congresso havia feito,  alias,  só Getúlio Vargas  em 1930 e o Exército em 1964 haviam realizado tal feito, que é obrigar um Presidente a sair...
                         Hoje a demanda é outra, os interesses são outros,  mas a gana dessa mulecada é a mesma que tínhamos em 1992. E nada os para. Com recursos modernos, redes sociais e outros aparatos esses meninos(as)  farão história e com certeza serão lembrados daqui há dez vinte anos como uma geração que acordou o  gigante adormecido chamado Brasil. Geração que tirou as vendas dos olhos de uma sociedade débil, prostrada e egoísta, mas,  acima de tudo, uma geração que resgata aos poucos nossa auto estima e o nosso orgulho varonil. Criticas virão, assim como em 1992  fomos criticados, mas  elas serão as pedras e a coluna  mestra de algo muito maior;  que é a edificação de um  novo Brasil, com mais justiça social, probidade e ética. Não há outro caminho, os  políticos só trabalham  com o povo na rua. Se é assim, então...VAMOS À RUA...protestar, reivindicar e tentar estabelecer uma nova era, onde o respeito aos cidadãos seja o mote. Sem violência, ela não é necessária. Violência é a arma dos pouco inteligentes.
                   Eu apoio, e vou  pegar minha velha camisa do Companheiro Chê, que sempre me acompanhou marchas afora,   e estarei lá na praça...Afinal, já dizia Caetano Veloso. A Praça é do Povo assim como o céu é do avião..


terça-feira, 18 de junho de 2013


Ainda Sobre os Protestos no Brasil

Por Alacir Arruda
                Como sociólogo me sinto na obrigação de tecer comentários sobre essa onda de protestos que assolam o nosso país. E evidente que como um ex militante da velha  esquerda vejo com bons olhos o povo na rua. No país das bolsas ( Bolsa Escola, Bolsa Familia, ProUni, Fies , Vale gás etc..)  política assistencialista capitaneada por sábios petistas, dentre eles;  o intelectual Lula e o Honesto Jose Dirceu,  acendeu a luz amarela. E usando  o Regime Militar (1964-1985) como modelo, onde as manifestações eram reprimidas  “a pauladas”, não me surpreende mais a truculência de uma polícia mal paga, treinada e orientada. Não me surpreendem os grandes conglomerados de comunicação que se prestam ao serviço de “noticiar fatos” da forma que lhes convém até que uma jornalista de uma de suas empresas seja alvejada no rosto e tantos outros sejam agredidos. Não me surpreende mais a falta de respeito e humanidade do Estado e de suas instituições malignas com aqueles que deveriam ser protegidos por esses. Choca? É claro. indigna? Óbvio! Mas não surpreende mais.
              O que mais me despertou a atenção, e serviu de ponto de partida e reflexão para esse texto, em meio as ações e reações desse movimento popular que estamos vendo surgir em nosso país, foram os discursos, sempre com a tentativa de esvaziar, recriminar ou invalidar os protestos por parte da nossa classe política.                
              “São protestos políticos”, dizem nossos representantes, tentando dar uma conotação de orquestração por parte de algum partido ou movimento ligado a alguma instituição política que tenha interesse na desestabilização do governo vigente, e não como um movimento social apartidário e heterogêneo, motivado por razões legítimas e mais do que justas. Por natureza, todo e qualquer movimento social é de natureza política e possui uma ambição no mesmo sentido. É através dos mecanismos políticos de formação de uma sociedade que se manifesta, se faz ouvir e se representa a sociedade e, por conseqüência, os movimentos sociais.
CONCEITOS ANTAGÔNICOS
                É aqui que, em uma análise que venho fazendo já à algum tempo, que difere a concepção de política e sociedade no Brasil para o resto do mundo, ou pelo menos em países que possuem instituições democráticas e sociais mais firmes, transparentes e sólidas que as nossas. Quando nossos políticos dizem isso estão escancarando na realidade um pensamento muito simples e que eles próprios colocam em prática desde muito tempo: Política e Sociedade são conceitos antagônicos que não se misturam, complementam ou se fortalecem.
              A classe política tem o único e exclusivo interesse, seja o Partido A, B ou C, de criar um modelo político em que a sociedade seja um corpo externo desse processo, um corpo que seja domado, controlado e manipulado de forma a atender aos interesses de perpetuação dessa mesma classe política no poder. Não faz parte dos planos da classe política integrar a sociedade nesse processo. As balas de borracha, as bombas de gás lacrimogênio e os linchamentos são o grito de uma classe que quer passa um único recado: VOCÊS NÃO FAZEM PARTE DA TOMADA DE DECISÕES DESSE MODELO DE ESTADO.
              Vivemos dias simbólicos. Tolo aquele que atribui esse movimento aos 20 centavos a mais ou a menos do transporte público, aos escândalos de corrupção diários, aos verdadeiros genocídios que acontecem em nossas cidades pela má administração pública e ao desleixo com o cidadão. É muito maior. É o início de uma retomada de consciência social e, acima de tudo de uma palavra que parece estar começando a fazer sentido para todos nós: CIDADANIA
              Todo cidadão tem direitos e deveres. Acho que estamos começando a ficar cansados de termos apenas deveres, está na hora de corrermos atrás de nossos direitos. A classe política não vai correr. Eles já deixaram isso claro. Vamos nós, pacificamente, exigirmos o que é nosso, vamos construir na base do diálogo e não da violência e da covardia uma sociedade mais justa e voltada aos interesses daqueles que forjam, moldam e batalham por esse país: O POVO
Dá medo? Dá!  Mas também dá uma puta esperança de  poder fazer parte de um ponto de virada, de modificar paradigmas e fazer história. Portanto, aos que vivem  prostrados,  a  hora é essa.
JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS INVENCÍVEIS!

segunda-feira, 17 de junho de 2013



 A GRANDE FARSA CHAMADO - PT.
VEJA O VIDEO ANTES
Por Alacir Arruda 

                    O PT surgiu na década de 70 nos arredores do grande ABC paulista , fruto da estratégia de alguns intelectuais da USP como Marilena Chauí entre outros, foi  alçado ao poder em 2002 com Lula assumindo  a presidência. O partido, sobre o comando de Ze Dirceu à época,  instalou em Brasilia um verdadeiro escritório do crime organizado, aliás no Brasil a unica coisa organizada é o crime. E graças  ao lulismo, encabeçado por Lula – que se tornou, graças ao seu modus governandi, desde a concilacionista “Carta ao Povo Brasileiro”, um dos maiores traidores da esquerda brasileira de todos os tempos, se não o maior – e hoje capitaneado por Dilma Rousseff, o PT abandonou pouco a pouco suas bandeiras primordiais de governo dos trabalhadores e para os trabalhadores, igualdade social e respeito incondicional aos Direitos Humanos, e se vendeu à direita, completando sua conversão ideológica a estibordo no primeiro ano do governo Dilma.
                      E como sendo de direita, age no poder como um governo de direita. Privatizações, apoio a repressões como instrumento de “manutenção da ordem”, conservadorismo moral, aliança com teocratas e oligarcas, manutenção do status quo, submissão entusiasmada ao capitalismo, defesa das grandes propriedades privadas… tudo isso e muito mais fazem do PT um “Partido dos Exploradores”, não mais “dos Trabalhadores”.
                        Hoje vemos o PT fazendo tudo aquilo que o PSDB fez ou não teve tempo de fazer, no sentido de ser um agente omisso ou contrário aos DH. E isso acontece tanto no âmbito federal como no estadual e no muncipal. O “prefeito de Dilma” faz coro ao governador que, na mitologia petista, é “de oposição”. Defensores do PT cantam junto com blogueiros direitistas revoltados como “progresso a todo custo e repressão de protestos é bom demais”.
                   Dilma, Haddad e muitos outros petistas traem seu público eleitor, governando para os ricos e mandando a polícia bater nos pobres e na fração consciente da classe média. Foram eleitos com a ajuda de muitos movimentos feministas, sindicatos, LGBTs e tantos outros grupos defensores dos DH, e os traíram de forma covarde quando subiram ao poder, preferindo atender a anseios de quem quer substituir a Constituição pela Bíblia aos de quem “só” quer ter direitos iguais e dignidade.
                              E assim vamos vendo homossexuais e trans* sendo mortos nas ruas, crianças se prostituindo nas proximidades de Belo Monte, indígenas sofrendo com genocídio e protestos legítimos de cidadãos desejosos de justiça social sendo reprimidos com literal força bruta. E tudo isso sendo abençoado pelo partido que mostra ao Brasil que aquele negócio de “Partido dos Trabalhadores” era só uma farsa para conquistar os votos dos cidadãos oprimidos e, no final das contas, permitir que os opressores continuem agindo com violência das mais pesadas.

A AUTODESTRUIÇÃO BRASILEIRA 


Todos sabem que sou contra qualquer forma de sectarismo, maniqueísmo, catolicismo, socialismo, capitalismo  ou qualquer outro "ismo"...Mas sugiro que assistam os videos do prof. Olavo de Carvalho.. Pesquisem sobre a vida desse homem..Li muito ele quando fazia faculdade..Esse cidadão foi excluído da High Society Acadêmica de nosso país por ser radical a ponto de achar que o PT não é um partido, mas sim uma quadrilha..Hoje ele mora e posta seus videos dos Estados Unidos...segue o link e o resto é com vcs..


OLHA QUE TEXTO BOM PARA QUEM ESTA  SE PREPARANDO  PARA  O ENEM..



17/06/2013 - 03h00
Atraso na educação explica 100% da desigualdade de renda, diz economista
ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO
Atrasos educacionais explicam 100% das desigualdades de renda entre diferentes regiões do Brasil.
A conclusão é do economista Alexandre Rands, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, que tem uma vasta produção acadêmica sobre esse tema.
Seu diagnóstico, se correto, significa que o país investe em políticas equivocadas há décadas.
Segundo Rands, foi o caso de incentivos para o desenvolvimento da indústria de regiões mais pobres e continua sendo o caso de subsídios públicos a setores empresariais específicos.
Ele argumenta que no mercado de capital físico o investimento funciona de forma razoavelmente eficiente.
O mesmo não vale para o setor de capital humano. "Famílias em que os pais têm maior capital humano tendem a ter mais recursos para investir na educação dos filhos", afirma.
Por isso, as desigualdades educacionais tendem a se perpetuar se não houver interferência do governo.
Apesar de melhoras, com políticas que tentam compensar a baixa capacidade de investimento das regiões mais pobres, os avanços do Brasil nessa área têm sido insuficientes, diz Rands.

O economista Alexandre Rands, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco

Leo Caldas/Folhapress
O economista Alexandre Rands, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco
*
Folha - De onde vêm as desigualdades regionais?
Alexandre Rands -
 Existem teorias diferentes. O meu entendimento hoje, com base nos estudos que tenho visto para alguns países, como os EUA, e nos meus próprios estudos para o Brasil, é que é possível explicar 100% das desigualdades só pelas diferenças em capital humano. Se você corrigir o nível médio de instrução da região Nordeste em relação à região Sudeste, você corrigirá a desigualdade entre essas regiões.
Mas a desigualdade de renda caiu no país, certo?
Você vê uma certa melhora da participação do Nordeste. Nossa estimativa é que hoje o PIB (Produto Interno Bruto) per capita do Nordeste deve estar perto de 50% da média nacional. Há cinco anos, era 45%. Então, melhorou, mas a desigualdade ainda é muito elevada.
A remuneração por mão de obra qualificada continua sendo muito alta no país. Portanto, as regiões em que há gente com menos qualificação continuam com renda per capita muito mais baixa.
Investimentos em educação seriam a solução para reduzir a desigualdade?
Sim, essas são as políticas fundamentais para você eliminar as desigualdades regionais. Você precisa mudar o nível médio de educação -considerando qualidade e quantidade da educação- nos municípios.
Então o Brasil passou décadas indo na direção errada, investindo, por exemplo, em políticas de industrialização e desenvolvimento regional?
Totalmente errada, porque partimos dos pressupostos equivocados. Colocando de forma bem simples, há na economia quatro fatores de produção: capital físico, capital humano, trabalho e recursos naturais.
Toda a nossa política supôs que os mercados para capital humano, trabalho e recursos naturais funcionavam razoavelmente bem e que o problema estava no mercado para capital físico.
Então, você teria que subsidiar o capital físico nas regiões mais pobres para poder aumentar sua rentabilidade e atrair mais investimentos. Essa é a base da tese de Celso Furtado, na qual se baseou a política regional brasileira.
Se eu estiver certo, essa lógica está equivocada. Os mercados para capital físico, trabalho e recursos naturais funcionam razoavelmente bem. O que não funciona é o capital humano. É aí que precisamos ter investimentos públicos. Se tivéssemos feito isso na década de 60, hoje teríamos um país altamente equilibrado regionalmente.
Continuamos com as políticas erradas atualmente?
Estamos longe ainda. Estamos gastando muito ainda com políticas que não são adequadas, com financiamentos para investimento de empresa, subsidiando crédito, o que não é necessário.
E hoje a nossa principal política para combater a desigualdade é por meio de transferência de renda para os mais pobres, o Bolsa Família. Este é um programa que tem mesmo de existir, mas você não tem uma política para mudança agressiva dos desequilíbrios regionais.
Os gastos com educação nas regiões mais pobres ainda são muito inferiores aos no Sudeste. Ou seja, ainda estamos reproduzindo as desigualdades regionais.
Mas o Brasil está corrigindo as desigualdades?
O que a gente corrige hoje é praticamente nada. Como os gastos em educação têm escala, quando gasta menos nas regiões mais pobres, você tem um impacto menor.
Quando termina a escola no Nordeste, o aluno sai com capacidade não muito superior a 50% da capacidade do estudante do Sudeste. Talvez até pior do que isso.
Como as escolas aqui [no Nordeste] são muito ruins, então a qualidade do aluno que sai é muito ruim.
A existência de desigualdade de renda em um país é necessariamente ruim?
A desigualdade de oportunidades entre indivíduos é problemática. É o caso de indivíduos que, por seus atributos pessoais, teriam condição de prosperar muito e não o fazem por falta de oportunidades.
Aí, há desperdício de potenciais talentos no país.
Agora, a desigualdade de renda que ocorre depois de você ter dado oportunidade igual aos indivíduos não é prejudicial.
Que países são exemplos de cada caso?
Nos EUA, boa parte da população branca tem nível de oportunidade de se aprimorar e de chegar no mercado com potencial de renda alta semelhante ao que ocorre na Suécia, por exemplo.
Só que o mercado de trabalho na Suécia equaliza rendas, tem sistema de impostos e possibilidades de carreira nas empresas que travam muito a geração de desigualdade a partir daí.
Nos EUA, isso não ocorre. A economia americana promove a remuneração por trabalho adicional. É um mercado mais livre. Essa desigualdade americana é favorável a partir desse ponto.
Por que é favorável?
Porque leva a um maior esforço por parte das pessoas. Mas essa característica dos EUA só vale para os brancos. Se você considerar os negros e os latinos, até os 20 anos, você já gerou uma desigualdade brutal, que na Suécia não existe.
Essa desigualdade até os 20 anos é ruim porque desperdiça muito talento potencial, prejudicando o crescimento da economia.
Em qual desses contextos, a desigualdade brasileira se encaixa?
O Brasil tem muita desigualdade, maior do que a americana até os 20 anos, de qualificação. E, depois dos 20 anos, temos uma economia razoavelmente livre, semelhante à americana.
Investimentos em educação tiveram papel crucial na Coreia do Sul, onde a renda per capita deu um salto?
Lá mais do que tudo foi capital humano. Há mais estudantes na Coreia do Sul indo para a universidade do que nos EUA. A Coreia chegou a ter uma situação que não ocorreu nem nos EUA, em que escolas públicas são melhores do que as privadas





PROTESTOS E EXCESSOS: CONTRADIÇÕES DE UMA NAÇÃO EM BUSCA DE UM RUMO

Por Alacir Arruda


                        Sempre defendi o povo na rua, mas o  Brasil é um país de paradoxos mesmo, em determinados momentos somos inertes, cegos e omissos sobre os problemas que nos assolam e de repente, não mais que de repente, o noticiário sobre as manifestações que paralisam grandes cidades brasileiras nos surpreende:  e a discussão é outra agora, os  jornais começam a questionar, ou enxergar,  os excessos da polícia e mostrar que no meio da tropa há agentes provocadores e grupos predispostos à violência.

                     Um dos relatos mais esclarecedores sobre o momento em que a passeata realizada na capital paulista na quinta-feira (13/06) deixou de ser pacífica é feito pelo colunista Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo e no Globo (ver "A PM começou a batalha na Maria Antônia"). Ele descreve como uma equipe da tropa de choque se posicionou e agiu deliberadamente para provocar o tumulto.

                      Há também, na rede social digital, um vídeo mostrando um PM, aparentemente por orientação de um oficial, quebrando o vidro da viatura. A imagem, cuja autenticidade só pode ser confirmada pela própria Polícia Militar, está disponível no Youtube.

              No Facebook, registro para a legenda colocada sob cenas dos conflitos, no noticiário da GloboNews durantea noite: “Polícia fecha a Avenida Paulista para evitar que manifestantes fechem a Avenida Paulista”. Nessa linha de raciocínio, pode-se imaginar também a seguinte manchete: “Polícia usa violência para evitar violência de manifestantes”.

Truculência e irresponsabilidade
       Foi preciso mais do que evidências para a imprensa cair na real: os repórteres testemunharam dezenas de ações abusivas de policiais, como a retirada e o espancamento de um casal que tomava cerveja num bar, alheio à passeata, ou o lançamento de granadas de gás em meio aos carros travados nos congestionamentos.

        Claramente, não se trata de bolsões descontrolados, mas de uma ação organizada dentro da corporação policial, o que mostra o esgarçamento da disciplina e do controle na Polícia Militar. A única possibilidade de desmentir tal observação é a ação imediata do comando, identificando e afastando das ruas os oficiais responsáveis por esses grupos.

         A violência gratuita e excessiva ficou registrada nas páginas dos jornais, entre outras razões, porque desta vez houve mais jornalistas entre as vítimas de agressões. Sete deles são repórteres da Folha de S. Paulo. Isso talvez explique a mudança de tom nas reportagens, mas o relato da violência não esgota o assunto, apenas instala algum equilíbrio na visão dos fatos por parte da imprensa.

          Para ampliar sua compreensão do que realmente se passa nas ruas da cidade por estes dias, o leitor tem que se valer de outras fontes além dos jornais e do noticiário da TV. Por exemplo, o vereador Ricardo Young, que acompanhou o indiciamento de alguns manifestantes detidos, registrou no Facebook um fato preocupante: policiais fizeram a revista de mochilas e bolsas longe de testemunhas, trocando conteúdos e inserindo em algumas delas materiais estranhos, como pedras e pacotes com maconha. Assessores do vereador denunciam que houve tentativa de “plantar” provas contra alguns dos manifestantes detidos.

          É notória a má vontade da polícia, como instituição, contra jovens em geral, talvez ainda um resquício da ideologia de segurança pública que se consolidou durante a ditadura militar e que ainda orienta a formação nas academias. Os indicadores de agressões cometidas por agentes públicos contra homens jovens são um dos aspectos mais evidentes nos estudos sobre a violência nas grandes cidades brasileiras. O encontro dessa mentalidade com a irresponsabilidade de grupos de manifestantes que se julgam autores de uma revolução política pode resultar em tragédia.

Ações ilegais
           Se algum fato mais grave vier a ocorrer em futuras manifestações, pode-se contar como grande a probabilidade de haver alguns desses policiais envolvidos. Portanto, a responsabilidade pelo que virá a partir de segunda-feira (17/6), quando nova manifestação está marcada para o Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, tem um peso maior na Secretaria de Segurança Pública.

             Isso não quer dizer que a prefeitura e os líderes do Movimento Passe Livre, bem como os dirigentes dos partidos cujas bandeiras são agitadas por alguns ativistas, estejam isentos de arcar com sua parte na tarefa de prevenir o desastre.

        A imprensa, que finalmente despertou para o fato de que há vândalos em ambos os lados do conflito, pode ajudar a identificar os comandantes dessas ações ilegais, assim como tem sabido apontar os autores de depredações durante os protestos.

‘Foi preciso que alguns jornalistas sofressem a violência no próprio corpo para que os jornais se dessem conta de que nem tudo é o que parece.”



  
PARA REFLEXÃO...

   Sempre sou questionado por meus alunos do  por que mudei meus ideais  de um socialista centrado para um cético incorrigível.. A minha resposta é sempre a mesma "eu cresci".
  Defendo a ideia que o socialismo cometeu dois erros fatais...."Primeiro: colocar a igualdade acima da liberdade. Segundo: imaginar que uma economia planificada não criaria a figura de um ditador, criou vários.."


Alacir Arruda

sexta-feira, 14 de junho de 2013


Quando falta ação, sobra ignorância.

Por Alacir Arruda

O Filósofo alemão Karl Marx usou uma palavra  latina  para definir Ação, PRAXIS, que para ele é a ação sociolopolitica, um  elemento central e fundamental em qualquer processo revolucionário. Ou seja, o povo precisa tomar consciência do seu poder para que alguma mudança ocorra. No Brasil  a  maioria do eleitorado brasileiro se acostumou a seguir para as urnas e depositar o seu voto, mas não aprendeu a acompanhar o trabalho do candidato eleito por ele, dando margem à corrupção, que já se encontra em níveis inaceitáveis em todo o país.
Marcha
A presidente Dilma Rousseff, nos últimos dois anos, já afastou seis ministros tidos como fundamentais para ao sucesso da sua gestão – o da Casa Civil, Antonio Palocci, o dos transportes Alfredo Nascimento, Nelosn Jobim da Defesa, Wagner Rossi da Agricultura, Pedro Novais do Turismo e Orlando Dias dos Esportes – todos acusados de corrupção. Este último foi acusado pelo Policial Militar João Dias Ferreira de ser o principal mandatário de um esquema de desvio de verbas – dinheiro público.
Esta situação inusitada leva os sociólogos a questionarem sobre a inércia do povo brasileiro. Por qual motivo o povo deste país, onde a impunidade  chegou a criar uma verdadeira cultura de que “todos são ladrões e que ninguém vai para a prisão”, não existe o fenômeno, hoje em moda no mundo, do movimento dos indignados? Indaga Juan Arias, correspondente do jornal espanhol EL PAÍS no Brasil.
Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam? – continua Arias - Não lhes importa que tantos políticos que os representam no governo, no Congresso, nos estados ou nos municípios sejam descarados salteadores do erário?
Infelizmente neste país, o que leva às ruas um número às vezes superior a casa dos dois milhões de pessoas são as passeatas gays, caminhadas evangélicas em busca de Jesus, marchas em prol da liberação da maconha e movimento em protesto porque o time de futebol do coração foi rebaixado. Nem os caras-pintadas, movimento do qual tive o desprazer de participar em 1992, , que no passado participaram da marcha pelas Diretas Já, na qual reivindicavam o direito de eleger o Presidente da República e pelo impeachment de Collor, também em protesto à ditadura militar, trabalhadores e cidadãos comuns, manifestaram qualquer reação pública contra a corrupção dos que nos governam.
Este Brasil onde a má aplicação do dinheiro público e os desvios de verbas estão sempre nos telejornais, ainda é o país onde seu povo não perdeu a esperança e nem perdeu o orgulho de, mesmo com todas estas situações escabrosas, ser brasileiro; este Brasil ainda é o país dos sonhos dos honestos, dos que querem deixar para seus filhos como uma pátria sem as escórias da corrupção que hoje abraça todas as esferas do poder. É fundamental que surja um movimento de indignados, que vá as ruas, que protestem em prol deste Brasil que todos sonhamos.

IT IS BRAZIL....COMO DIZIA KENNEDY