quinta-feira, 18 de abril de 2013



PÉROLAS DO ENEM - Nova Safra!
 
Não devemos levar a vida tão a sério..rir é bom... 
 
1) - Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigênio.
(Já imaginou?)
 
2) - A harpa é uma asa que toca.
(Imagine a definição para Trombone de Vara...)
 
3) - O vento é uma imensa quantidade de ar.
(Não tinha pensado isso... )
 
4) - O terremoto é um pequeno movimento de terras não cultivadas.
(Só faltou completar que esse movimento é um braço armado do MST!)
 
5) - Os egípcios antigos desenvolveram a arte funerária para que os
'mortos pudessem viver melhor.
(Nada mais justo. Não dá para viver a eternidade desconfortavelmente...)
 
6) - Péricles foi o principal ditador da democracia grega.
(Isso. E Stalin foi o principal seguidor de Mahatma Ghandi... )
 
7) - O problema fundamental do terceiro mundo é a superabundância de
'necessidades.
(deve ter raciocinado com abundância e não com o cérebro...)
 
8) - O petróleo apareceu há muitos séculos, numa época em que os peixes se
afogavam dentro d'água.
(Sim, por isto o Petróleo é preto. Está de luto...)
 
9) - A principal função da raiz é se enterrar.
(Profunda!!! )
 
10) - A igreja, ultimamente, vem perdendo muita clientela.
(Podemos concluir que a culpa é do Papa, que seria o VP de Marteking!). E a
Companhia de Jesus seria > '>'a mais antiga das SA's.)
 
11) - O sol nos dá luz, calor e turistas.
(Esse com certeza é cearense ou baiano. )
 
12) - As aves tem na boca um dente chamado bico.
(É para ficar de queixo caído! Ou melhor, de porta bicos caído...)
 
 
13) - A unidade de força é o Newton, que significa a força que se tem que
realizar em um metro da unidade de tempo, no sentido contrário.
(Simples, não???)
 
14) - Lenda é toda narração em prosa de um tema confuso.
(Assim, todo discurso de político é uma Lenda. )
 
15) - O nervo ótico transmite idéias luminosas ao cérebro.
(Se o cara é vesgo, o nervo dele deve transmitir idéias tortas e
Sombreadas, talvez??...)
 
16) - A febre amarela foi trazida da China por Marco Polo.
(Se Marco Polo tivesse viajado para a África, teria sido a pestenegra,
então..)
 
17) - Os ruminantes se distinguem dos outros animais porque o que comem,
comem por duas vezes.
(Impressionante!!!.)
 
18) - O coração é o único órgão que não deixa de funcionar 24 horas por dia.
(Ufa... que alívio! Já o seu cérebro?!)
 
19) - Quando um animal irracional não tem água para beber, só sobrevive se
for empalhado.
(Superou qualquer expectativa! Como vc está vivo?...)
 
20) - A insônia consiste em dormir ao contrário.
(Perfeito. Morrer deve ser viver ao contrário...)
 
21) - A arquitetura gótica se notabilizou por fazer edifícios verticais.
(Melhor pular essa.... )
 
22) - A diferença entre o Romantismo e o Realismo é que os românticos
escrevem romances e os realistas nos mostram como está a situação do país.
(É... E ainda faltam muitas para comentar.... )
 
23) - O Chile é um país muito alto e magro.
(Coitada da Espanha...)
 
24) - As múmias tinham um profundo conhecimento de anatomia.
(Essa deve ser a mais "marcante" de todas. )
 
25) - O batismo é uma espécie de detergente do pecado original.
(Já a confissão poderia ser o sabonete, para uso diário... )
 
26) - Na Grécia a democracia funcionava muito bem porque os que não
estavam de acordo se envenenavam.
(Pensando bem, não é má idéia. Leu essa Dilma?)
 
27) - A prosopopéia é o começo de uma epopéia.
(E a centopéia???)
 
28) - Os crustáceos fora d'água respiram como podem.
(Coragem meu alunos, faltam poucas.)
 
29) - As plantas se distinguem dos animais por só respirarem a noite.
(Que perspicácia! )
 
30) - Os hermafroditas humanos nascem unidos pelo corpo.
(Já pensou se a pergunta fosse "o que são xifópagos"???)
 
31) - As glândulas salivares só trabalham quando a gente tem vontade de
cuspir.
(Bem, já chegamos até aqui.... )
 
32) - A fé é uma graça através da qual podemos ver o que não vemos.
(CEGOS DESSE MUNDÃO... TENHAM FÉ!!!)
 
33) - Os estuários e os deltas foram os primitivos habitantes da Mesopotâmia.
(O que que é isso???!!!!!)
 
34) - O objetivo da Sociedade Anônima é ter muitas fábricas desconhecidas.
(....)
 
35) - A Previdência Social assegura o direito a enfermidade coletiva.
(Faz sentido...)
 
36) - O Ateísmo é uma religião anônima.
(Não lhe perguntem sobre o Politeísmo, pelo amor de Deus!)
 
37) - A respiração anaeróbica é a respiração sem ar que não deve passar de
três minutos.
(Ai, Jesus...)
 
38) - O calor é a quantidade de calorias armazenadas numa unidade de tempo.
(Fala sério... Não dá uma sensação de vazio, de impotência?...)
 
39) - Antes de ser criada a Justiça, todo mundo era injusto.
(Graças a Deus, só falta uma..... )
 
40) - Caracter sexual secundário são as modificações morfológicas sofridas
por um indivíduo após manter relações sexuais.
(Imagina a aparência de uma prostituta depois de 15 a 20 anos de "Modificações morfológicas")


Freud e à Religião

Por. Alacir Arruda


– Freud é considerado um dos maiores nomes da ciência no século XX. Em seus vários inscritos, manteve sempre um postura racional na avaliação do homem e sua relação com os fenômenos sociais, dentre eles a Religião. O Mal-Estar na Civilização é um livro em que Freud descreve sua teoria sobre a religião e a moral. Em linhas gerais, ambas representam, para Freud, uma repressão sobre as pulsões humanas, tanto as de vida quanto as de morte, na medida em que pregam valores sobre-humanos como os de modéstia, caridade, solidariedade, paz, todos valores que supostamente se realizariam numa época vindoura e extra-terrena, mas que já poderiam começar a ser realizadas na vida terrena. Mas esses valores são anti-humanos porque supõem, segundo Freud, a repressão dos instintos mais básicos, que são sempre egoístas.

– No item I do livro, Freud destaca a idéia de sentimento oceânico – levantada por seu amigo Romain Rolland, colocando-a sob a crítica da psicanálise. Freud introduz o texto com um breve questionamento dos valores sociais. Afirma que há duas ordens de pessoas admiráveis, aquelas que admiramos mas que não queremos imitar, e aquelas que admiramos e queremos imitar. A primeira diz respeito às pessoas cujos valores são os de caráter ético; essas pessoas são admiráveis, mas ninguém quer imitá-las. A segunda diz respeito às pessoas cujos valores são o poder, o sucesso e a riqueza; essas pessoas são admiráveis, e todos querem imitá-las. Freud considera seu amigo Rolland como uma pessoa da primeira ordem; um ser excepcional. Mas Freud quer questionar seus princípios (valores), o que significa igualmente questionar sua própria pessoa.

 – Freud tinha enviado a Rolland um livro expressando sua opinião sobre a religião: a religião é uma ilusão. Rolland, que era religioso, afirmara não ter Freud compreendido a verdadeira fonte da religião, uma espécie de sensação de eternidade, um sentimento de algo ilimitado, sem fronteiras – oceânico, por assim dizer (p. 81). A religião seria, para Rolland, apenas um expediente de expressão deste sentimento profundo, um sentimento de divindade que o ser humano sente em face de sua pequenez. Poder-se-ia aniquilar a religião que o sentimento permaneceria no íntimo do ser humano.

– O questionamento de Freud é simples; representa o paradigma do questionamento psicanalítico da religião. Freud afirma que ego maduro designa algo autônomo e unitário, distintamente demarcado de tudo o mais (p. 83). No entanto, este ego, no início de sua vida, ainda no recém-nascido, não era precisamente demarcado, isto é, o bebê ainda não se percebia como diferente do mundo e o mundo como diferente de si. Ambos, bebê e mundo mantinham uma unidade. Isso ocorre sobretudo na vida uterina, onde há unidade entre o bebê e seu ambiente.




-No entanto, há interrupções nesta relação. A separação entre bebê e o útero é a primeira interrupção, a separação entre o bebê e o seio da mãe também. O bebê passa a se sentir desamparado com essas interrupções e sonha com a unidade perdida. O ego maduro ainda conserva, inconscientemente (mente inconsciente), memórias deste elo perdido com o ambiente e, via de regra, regride a estágios anteriores da infância em busca dele. Ora, este sentimento oceânico (que Freud diz não encontrar em si mesmo, mas que admite existir na maioria dos seres humanos), representa, para Freud e a psicanálise, uma expressão do elo perdido com o universo, com algo maior, mais perfeito, preenchedor, poder-se-ia dizer.

 – Em suma, tanto a religião quanto a suposta fonte inspiradora da mesma são, para Freud, apenas funções de uma mente cindida entre um ego autônomo e um ego ainda retido nas relações com o mundo externo, quer dizer, funções de uma mente psiconeurótica: a origem da atitude religiosa pode ser remontada, em linhas muito claras, até o sentimento de desamparo infantil (p. 90).

– Logo, os verdadeiros valores sociais são aqueles do segundo tipo de pessoa, expressão do nosso egoísmo natural, o que põe por terra todos os valores ético-religiosos.

sábado, 6 de abril de 2013


A SIMBIOSE DA VIDA MODERNA

Por Alacir Arruda
       

Outro dia assisti a uma cena do cotidiano que, apesar de corriqueira, jamais havia atentando. Como as pessoas são dependentes de celulares! Sobretudo, os celulares modernos. Estava sentado em um Café no centro da cidade quando passei a observar as pessoas na rua, algumas chegavam a tropeçar nas calçadas por estarem com o olhar fixado na tela de seus celulares, não enxergavam um palmo a sua frente. Caminhavam como robôs hipnotizados com seus “brinquedinhos”. Isso me fez questionar! E se alguém,   ao passar por eles,  desse um singelo Bom Dia? Será que se lembrariam o que é isso?
Há algumas gerações, os indivíduos têm nascido imersos nesse paradigma denominado “sociedade digital” e são envolvidos por essa cultura. Vêem como natural operar e orientar seus processos subjetivos mais diversos e fundamentais no consumismo, na fugacidade, no culto à aparência, na imagem e em tantas outras estampagens de sua identidade, ou identidades. “Trata-se aqui do que Freud designou como sistemas de ilusões coletivas e como ideais de ego da cultura, e do que Marx designou como ideologia” (Ibid., p. 67).
Assim sendo, esse ideal consumista, que chega até mesmo a ser definidor da atualidade, não é simplesmente um “complô de sinistros especuladores. Antes de qualquer coisa, ele é um grande movimento cultural, talvez, o maior na história de nossa cultura desde o cristianismo’’(Calligaris, 1999, p. 31).
Com efeito, podemos observar que o Shopping Center substitui a Igreja ou a Catedral como referência arquitetônica da cidade. As imagens idolatradas, agora cobiçadas, são, sobretudo, aquelas expostas nas vitrines de lojas suntuosas. A sociedade atual cultiva o imediatismo, a fugacidade, o simulacro e, acima de tudo, se orienta pelo e para o consumo. O templo do consumo acrescenta às antigas dívidas contraídas pelos cristãos com Deus, as dívidas contraídas com os credores: sacerdotes do sistema financeiro pós-moderno.
A “hipertrofia da economia capitalista”, como diz Costa (2004, p. 131), “diluiu esferas da vida social, como a política, a religião e a tradição familiar em um consumismo hedonista e narcisista [...]” sendo estes, hedonismo e narcisismo, os principais estruturantes do sujeito atual.

Basear a identidade no narcisismo significa dizer que o sujeito é o ponto de partida e chegada do cuidado de si. [...] Família, pátria, Deus, sociedade, futuras gerações só interessam ao narcisista como instrumentos de auto-realização [...]. O hedonismo, por sua vez, é um efeito desta dinâmica identitária. O narcisista cuida apenas de si, porque aprendeu a acreditar que a felicidade é sinônimo de satisfação sensorial. Assim, o sujeito da moral hodierna teria se tornado indiferente a compromissos com os outros – faceta narcisista – e a projetos pessoais duradouros – faceta hedonista. (Ibid., p.185)

À primeira vista, somos levados a acreditar que, com a inserção desses novos valores, os antigos são abandonados ou substituídos. Entretanto, o referido autor descarta a hipótese da substituição e diz que há, na verdade, uma “re-hierarquização dos valores tradicionais sob o dossel da moda” (Ibid., p.131). Os valores que norteavam fortemente os sujeitos na modernidade continuam presentes na subjetividade dos sujeitos pós-modernos, porém, subjugados e enfraquecidos, literalmente fora de moda.
Atualmente “[...] a maioria dos indivíduos urbanos elegeram o bem estar e os prazeres físicos como a bússola moral da vida” (Ibid., p. 131). Logo, grande parte dos sujeitos pós-modernos busca um ideal de felicidade que está, sem dúvida, intimamente ligado à dinâmica psíquica designada por Freud (1911/2004) de Princípio do Prazer, maneira pela qual interagimos com o mundo nas fases iniciais da vida. “De início as pulsões só procuram descarregar-se, satisfazer-se pelos caminhos mais curtos” (Laplanche & Pontalis, 2001, p. 367). Contudo, a vida em sociedade impõe o funcionamento psicológico pautado no Princípio da Realidade que: exige um mínimo de relações interpessoais. Tenho saudade de um tempo onde um simples Bom Dia bastava...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Escola: Um Dos Aparelhos Ideológicos do Estado, representando  a verdadeira Pobreza Política

Por: Alacir Arruda - Sociólogo

A escola não fala a língua do povo. Ela consegue tagarelar aquilo que a minoria quer ver repetido e reforçado pela maioria esmagadora que compõe a população brasileira. Os currículos são constituídos de falas e falácias extremamente incompreensíveis para aquele (a)s que vêem nesta instituição a mola propulsora para vencer na vida (sic!). Tanto é, que não existe o interesse que deveria haver nas questões relativas à formação humana. No entendimento de um número expressivo de professores, “isto é balela e discurso daquele(a)s que não têm nada o que fazer na escola e ficam inventando modismos. O importante mesmo são os conteúdos escolares, os conhecimentos científicos que os alunos têm que dominar, para se dar bem na vida. O domínio cognitivo é o que continua valendo. Sem essa de avaliação sócio-afetiva ! ”. Esta concepção de aluno vem dominando o cenário educacional desde o período jesuítico, passando, no século XVII, mais explicitamente, a focar a educação da nobreza. Foi neste período histórico que surgiu o criador de uma concepção, que perdura até os dias de hoje: o filósofo francês René Descartes (1596-1650). “Cogito, ergo sum” -Penso, Logo Existo- passou a ser o foco das atenções e o carro-chefe de Descartes. Segundo este mote, o sujeito individual, formado numa competência para ponderar e refletir, passa a ser o ponto de convergência do domínio cognitivo, do conhecimento (Hall, 2006). Século após século, até o atual, este é o paradigma do bom aluno. Este autor (Op. Cit.), em seus estudos sobre ´A identidade cultural na pós-modernidade` denuncia que “esta concepção do sujeito racional, pensante e consciente, situado no centro do conhecimento, tem sido conhecida como o ´sujeito cartesiano`(p. 27). Nessa reflexão, a escola continua inserida num contexto caracterizado por Althusser (1998) como Aparelho Ideológico do Estado. É ela uma das maiores, senão a maior, construtora de marionetes, que vêem o estado como o grande pai ou que se integram aos elementos que aceitam as ações dos governos como verdadeiras paternalizações. As ´beneficências`, as ´doações`, todos os tipos de vales (gás,leite etc.). Para o alimento do espírito, o Pai Todo Poderoso, que nos nutre com as suas bênçãos. Para a matéria, o pai, também poderoso, que nos abastece com esses programinhas sem-vergonhas, que se transformam em verdadeiras rédeas eleitoreiras. Essas minúcias politiqueiras no remete a  Maquiavel que  ensinava em "O Príncipe" que uma das funções do governante,  é  a entreter o povo com muita festa e jogos. Esse comportamento foi denominado por  Foucault ( 1982) como Microfísica do Poder. Hoje, diante de tantas falcatruas que levam ao enriquecimento ilícito de uma minoria através das inúmeras imoralidades que transformaram a  saúde pública a educação e segurança em uma grande piada,  não se pode aceitar a implantação de um currículo escolar que reforce os anseios das classes dominantes desse país, prescindindo desses fatos que maculam o espírito do bom cidadão, do exemplar ser humano enquanto elementos de análise e discussão, como conteúdo escolar. Pedro Demo (2006), nesta linha de raciocínio, norteia que a pobreza política é bem mais profunda e arrasadora que a pobreza sócio-econômica, até porque esta é conseqüência daquela. Ao pobre não lhe é dado o direito (já que ele não tem forças para conquistar) de saber porque é pobre. Entendemos a partir dessa reflexão de Demo, que, antes do aluno, é necessário que o professor se enriqueça politicamente, para, então, incentivar aquele para a sua conquista nesse campo. Diante de tantas mazelas, de tão ignóbil ato de falsificações que vai do   leite a seus derivados, das bebidas alcoólicas (do whisky à cachaça), ficaria difícil para um homem do povo, se consciência política tivesse de que essas ações o prejudicam profundamente, querer afogar as suas mágoas com um porre homérico. não cabem falas e falácias da escola, que buscam dar continuidade à formação de sujeitos cartesianos num currículo não constituído de matrizes, mas, ainda e por muito tempo, de grades curriculares, aprisionando a criatividade do povo brasileiro e desrespeitando o seu cotidiano, a sua história.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALTHUSSER, L. P. Aparelhos Ideológicos de Estado. 7ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
 DEMO, Pedro. Pobreza Política - A pobreza mais intensa da pobreza brasileira. Autores Associados, Campinas, 2006. FOUCAULT. Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1982.
 HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomás Tadeu da Silva e Guaracira Lopes Louro. – 11. ed. – Rio de Janeiro: DP&A, 2006
Autor: ALACIR ARRUDA

Etica: Uma Eterna Esquecida


É possível a qualquer cidadão  ter acesso a um dos últimos discursos do saudoso Senador Jéferson Peres (PDT-AM) no youtube, discurso esse, realizado na Tribuna do Senado no dia 30 de agosto de 2006. Gostaria de transcrever apenas a introdução desse memorável discurso:
“Senhor  Presidente, senhoras e senhores senadores, depois de uma longa ausência de algumas semanas volto a esta tribuna para manifestar o meu desalento com a vida pública deste país, eu gostaria de estar aqui discutindo, como fez o Senador José Jorge, a respeito das riquezas do Brasil, com as quais ele  tanto se  preocupa e não como falarei de algo muito pior: que é a Dilapidação do Capital Ético desse país”.
Infelizmente Jéferson Peres viria a morrer  no dia 28 de março de 2008. Sua morte fez com que o comentarista Arnaldo Jabour (Jornal da Globo) expressasse a seguinte opinião: “Morreu hoje a ética!  Jéferson Peres, assim como alguns poucos homens públicos desse país, foi  o exemplo de que é possível realizar política de qualidade e  com honestidade”.
Hoje em dia, muito se fala em crise da ética. Os progressos da técnica, as descobertas da ciência, as ideologias políticas levaram de roldão os princípios de ordem e as forças de ordenamento que, por séculos, guiaram com a majestade de fins e virtudes éticos, morais e religiosos, a dignidade das ações e reações de indivíduos e grupos, de poderes e instituições. Por toda parte, se instala cada vez mais a ordem da desordem. E ainda não é tudo. Nossa situação atual é bem mais grave. Não vivemos apenas uma crise de ética. Vivemos a radicalidade da crise. Na radicalização de contestar tudo e rejeitar todos, reside toda a nossa ética. A crise não é somente de regras, de parâmetros e padrões. É crise de princípios. O atropelamento da ética não subtrai apenas valores nem retira somente virtudes. Impossibilita qualquer valoração ou juízo de valor. Não se trata somente de trocar modelos, de por o comportamento em novas bases nem de dar às ações e à conduta outra fundamentação. A crise é tão radical que temos a necessidade da ética, e não apenas de uma nova ética, à flor da pele.
Nos dias de hoje, já não basta produzir os bens de satisfação. É imperioso, sobretudo, produzir as necessidades. Nada pode ficar de fora. A ciranda é uma só: deve-se produzir mais, para lucrar mais, para investir mais, para produzir mais, para lucrar mais, para investir mais, para produzir mais, para lucrar mais, e assim por diante, e tudo isto a qualquer preço! Não é difícil perceber que nenhuma ética poderá sobreviver a esta atropelada do valor econômico, entronizado, como supremo tribunal de julgamento de todo valor.
Em consequência, desaparece junto também a política. É que, para se poder pensar em política, é indispensável dispor, tanto de uma pluralidade de políticas, quanto da prevalência, alternada pela sucessão no poder, de uma política sobre todas as outras políticas possíveis. Ora com o domínio absoluto da economia sobre todos os demais valores, só é possível uma única política, a política do lucro, que provém e leva inexoravelmente tudo de arrastão para a ditadura do mercado. Assistimos cada vez mais, nos horizontes da história e nos principais quadrantes do globo, a um espetáculo desolador e obsceno: as trocas de poder nos diversos países não acarretam nenhuma mudança de política.
Quando os chamados “opositores” chegam ao poder, fazem exatamente a mesma política da situação anterior. Uma ditadura se perpetua com qualquer partido. Ora, onde só se dá uma política, onde só é possível uma única política, acabou toda política. Instalou-se, então, a voracidade não, de certo, do partido único, mas da política única. É a nova ditadura do terceiro milênio: a ditadura do lucro e do mercado, impondo, com a globalização, o totalitarismo da política única em todo o globo.
Esta crise radical da política, alimentando-se a si mesma, nutre-se, então, com a radicalidade de todas as demais. Implanta-se, com isso, uma gangorra curiosa: sem política no plural, não há ética no singular. É para o abismo desta radicalidade que nos fazem rolar as crises da ética e da política.
Nesta situação de radicalidade, qual será, então, o desafio que o pensamento de hoje é convocado a enfrentar e assumir?

Por que não indignamos mais???


Desde muito jovem uma coisa sempre me chamou atenção em nosso país;  de onde vem nosso jeitinho, nosso modo de falar, nossa malandragem? Depois de mais uma temporada de escândalos políticos Brasil afora, a discussão em torno da origem do caráter nacional está de volta.  Em função disso, e  como sociólogo, fui buscar nessa ciência as explicações para que possamos entender esse fenômeno.
Afinal, quem somos nós, os brasileiros? À primeira vista, a resposta para essa pergunta é fácil: somos o produto da miscigenação entre os colonizadores portugueses, os índios que aqui viviam e os africanos trazidos como mão-de-obra escrava, além dos imigrantes que chegaram entre os séculos 19 e 20 (alemães, italianos, japoneses).  Até aí, tudo bem. Somos, enfim, um povo mestiço genética e culturalmente que, apesar da diversidade, compartilha certos traços em comum.
A questão, porém, fica um pouco mais complicada quando se trata de buscar a essência do que se convencionou chamar de caráter nacional, aqueles traços que explicam uma série de comportamentos que costumamos encarar com naturalidade, mas que, quase sempre, causam surpresa entre os estrangeiros.
“Não é só um estereótipo. As pessoas aqui se relacionam com mais afetividade. Os brasileiros conversam na rua, enquanto na Europa o silêncio predomina nas estações de ônibus e metrô”, diz o jornalista espanhol Juan Arias, que há 7 anos vive no Rio como correspondente do jornal El País. “Mas fiquei chocado com a burocracia kafkiana para tirar o visto de permanência após casar com uma brasileira. Foram mais de 600 dias de espera, 6 quilos de documentos e a insinuação de que tudo poderia sair rapidamente se pagasse 8 mil reais”,  afirmou Árias ao deparar com a nossa já famosa “Burocracia”.
Brooke Unger, correspondente da revista inglesa The Economist, em São Paulo, é mais um que se diz a um só tempo encantado e estarrecido com certos traços do povo brasileiro. “Quando cheguei ao Brasil pela primeira vez, vi garis em um desfile pelas praias do Rio, numa cena impensável para um americano”. Em compensação, ele diz não entender a espécie de amnésia coletiva diante de casos graves de violência e impunidade. “A maioria dos brasileiros sabe mais sobre o atentado terrorista do dia 7 de julho, em Londres, do que sobre a chacina na Baixada Fluminense que matou 29 pessoas no dia 31 de março”. Afinal somos o quê? Criativos ou enrolões, extrovertidos ou indiscretos, cordiais ou malandros, maleáveis ou corruptíveis?
Após mais uma enxurrada de denúncias de corrupção que assistimos em 2011 – com direito a queda de 7 ministros e outros estão a perigo – a discussão sobre a essência do nosso caráter volta à berlinda. De onde vem nosso jeitinho, nossa informalidade (aqui, até um ex-presidente da República era tratado pelo apelido), nossa naturalidade diante da miséria, nossos preconceitos, nossa capacidade de depositar fé em mais de uma religião?
Aqueles que gostam de entender o Brasil, se lembrarão que no século XX, livros como Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Júnior, tentaram responder a algumas dessas perguntas. Mas as interpretações clássicas sobre o que é o brasileiro seguem válidas hoje?
“A base dessas interpretações ainda é essencial, mas é preciso lembrar que o chamado caráter de um povo é algo que muda a cada instante”, diz a antropóloga Lilia Schwarcz, da USP.
Se o Brasil e, por extensão, o brasileiro “não é para principiantes”, como disse Tom Jobim,  com ajuda de alguns dos principais especialistas em nossas origens, temos hoje um guia para entendermos mais por que somos assim – da genética ao jeitinho.

Quando a Corrupção Deteriora a Nação


Temos sido bombardeados, nos últimos dias, pelos veículos de comunicação, por mais uma onda de denúncias envolvendo algumas autoridades de Brasília. Essa é mais demonstração medonha de falta de comprometimento com a coisa pública e desvios, não apenas de dinheiro, mas, sobretudo de caráter, por parte de alguns dos nossos homens públicos.
Em 1907, o grande jurista brasileiro Ruy Barbosa disse: “de tanto conviver e assistir a corrupção em meu país, sinto vergonha de ser honesto”.  Esse desabafo tem mais de cem anos e a coisa continua a mesma por aqui.
A pergunta que se faz é: até quando? Até quando assistiremos anestesiados a esses descalabros? Até quando “bandidos”, travestidos de homens públicos, se sentirão à vontade para se apropriarem do erário sem qualquer punição? Até quando teremos que abrir os jornais diários na expectativa de qual será o próximo escândalo? Até quando…?
Martin Luther King, líder negro americano, certa vez disse: “O que me preocupa não são os gritos dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons”.
Que nós temos um sistema político contaminado pelo fisiologismo, disso ninguém tem dúvida e, talvez seja essa a maior herança do modelo colonizador implantado pelos portugueses desde 1500. Modelo esse centrado na exploração de bens primários e num pseudo fortalecimento do Estado a partir de uma elite que dele se apropria e deleita.  Mas, daí a adotarmos a inércia e a anomia como reposta, é algo inaceitável numa nação que pretende ser protagonista no plano internacional.
A Presidenta Dilma, após ter que demitir alguns dos seus principais ministros, além de outros membros do segundo escalão envolvidos em corrupção, começou o seu segundo ano de governo com um saldo nada positivo para quem, na visão de seu antecessor, herdou um país nos “trilhos”. O que talvez o seu antecessor esqueceu de alertar é que os vagões desse trem estavam repletos de “sovinas”, fisiologistas profissionais  que transformaram alguns ministérios em verdadeiros escritórios do crime organizado, onde  “chacais”, regados a caviar e champanhe francês, definem qual será o próximo golpe. E tudo isso patrocinado pelo povo que, anestesiados por cartões do Bolsa Família, Minha Casa Minha vida e Prouni, são incapazes de se indignar.
O que está sendo divulgado em Brasília é apenas a ponta de um iceberg que, se for explorado um pouco mais, levará a outros setores do governo uma vez que o fisiologismo e a troca de “gentilezas” entre o público e o privado tem sido regra na política brasileira.
Basta acessar o site Transparência Brasil e conferir as empresas que patrocinaram as últimas candidaturas vencedoras. Esses “favores” precisam ser pagos de alguma forma e a solução encontrada é o superfaturamento de obras públicas, o direcionamento das concorrências e a nomeação de pessoas com caráter duvidoso para cargos estratégicos. Nesse samba do crioulo doido que se transformou o jogo político nacional, o principal lesado é o povo que arca com o alto custo desse fisiologismo.
Estradas esburacadas, educação pública sucateada, saúde pedindo socorro e índices de violência urbana que superam países em guerra são o saldo de anos de corrupção. O fisiologismo político é a síntese de tudo de ruim que a política brasileira produziu nos últimos anos e, talvez, seja o melhor exemplo de que quando o povo se abstém de sua obrigação constitucional, que é fiscalizar as ações do governo,  o resultado é o caos.
Pense Nisso!!!

Quando a Imbecilidade Impera


A “infelicidade” não é nenhum mal, conforme pensam os ignorantes ilustrados, mas a expressão objetiva da impossibilidade da natureza humana em viver rigidamente sob os moldes do capitalismo. Mais saudável é o indivíduo que fica triste com sua precária condição, e não aquele que sufoca sua tristeza e a “transmuta” para viver “feliz”, mesmo que alienado.
Tampouco viver confortavelmente e ter saúde são garantia de felicidade. Pode-se muito bem ser rico e gozar de plena saúde e não ser uma pessoa feliz. Outro dia li, numa grande Revista, uma reportagem que tratava das diferenças entre um porteiro e  um homem de classe média. O jeito que a reportagem pôs as coisas, principalmente comparando o homem de classe média com o porteiro feliz, parece que o homem de classe média tem a obrigação (?!) de ser feliz, e como não é, dá a entender que o mesmo só pode estar doente.
Isso é outra mistificação, só porque todo mundo busca dinheiro e bens materiais, inferem que isso realmente traz felicidade. Não traz, só traz felicidade mundana, a mesma que temos quando usufruímos pequenos prazeres ou quando nos esquecemos de nós mesmos. Por si só, ter dinheiro ou poder consumir, não traz felicidade pra ninguém.
A “consciência feliz” não precisa mesmo de conteúdo material para se sustentar, pois existe tanta fome de imaginário, como há de comida. Tudo contribui para matar nossa fome de imaginário, desde as religiões, até o futebol, a música ou a “bunda da mulher melancia”.
A “alienação” faz as pessoas felizes. Isso ninguém pode negar.
Se não preenchesse uma necessidade psicológica, porque haveria tanta no mundo? Já a desalienação faz a pessoa mergulhar -pelos menos por algum momento- na consciência infeliz. Ela se sente isolada da sociedade e dos seus valores egoístas. Começa a não ver sentido no modo de vida que lhe impuseram. Não perde mais muito tempo tentando satisfazer desejos pueris. A pessoa, então, fica melancólica, pois não tem pra onde fugir, não consegue encontrar abrigo no seio da sociedade porque a considera decadente, tampouco acha que uma vida de prazeres resolve alguma coisa.
O porteiro só é feliz porque desconhece todas essas coisas, sua felicidade está na ignorância, é a felicidade de todos que estão inseridos no mundo, que se perdem no cotidiano. Ele, na verdade, é a grande vítima, é o bobo alegre, que ri da sua exploração, o homem, que mesmo tendo conforto, é triste, age de acordo com a natureza humana, que não pode se satisfazer plenamente no capitalismo. Tomar Serotonina e Prozac também são formas  de se alienar, pois quem, ao invés de lutar e resolver seus próprios problemas se ampara em muletas químicas, não só busca um método eficiente de não ter que lidar consigo mesmo, como cai no engodo ideológico de que devemos estar sempre -ou pelo menos predominantemente- felizes.