domingo, 29 de novembro de 2015

Delcidio a bola da vez

DELCÍDIO  E SEU   TRISTE FIM:    UMA ÓPERA TRAGICA

Por Alacir Arruda


Quando questionado em 1971 por um repórter do New York Time sobre o Brasil, o grande maestro Tom Jobim soltou essa pérola: “o Brasil não é para principiantes”. 

Ainda bem que Tom não viveu para ver os últimos atos dos nossos homens públicos, sendo o último, a prisão em flagrante de um senador, líder do governo, em pleno exercício do mandato (fato único na história recente do Brasil). A prisão de Delcidio não apenas trás a baila a forma nefasta como o PT se apropriou, no sentido literal, do país, mas acima de tudo nos demonstra o “cinismo” da alta cúpula desse partido ao abandonar o “colega” preso, chegando ao ponto do Presidente do Partido soltar uma nota a imprensa dizendo que irão se abster do fato. 

O mais interessante nesse “samba do crioulo doido”  que virou a politica nacional foi a reação do Congresso, sobretudo do Senado. Após um geral desespero inicial, aqueles que devem, como Delcidio, ficaram com as “barbas de molho” , sobretudo se ele abrir a boca. Enfim, estamos em via de assistir um “escarnio”. 

A pergunta que não quer calar: “e o Lula nisso tudo?”. Será que mais uma vez ele vai dizer que nada sabia? Acredito que essa desculpa não cola mais. O Juiz Sergio Moro vem dando uma demonstração a nação de que é possível vislumbrarmos, mesmo que num futuro distante, uma certa moralidade nesse país. Diante disso, chegar ao Sr. Lula, na minha modesta opinião, é apenas uma questão de tempo. A forma, ou a sua culpabilidade, se houver, cabe a justiça definir. Eu só estranho ver um grupo e marinheiros subalternos na cadeia e o comandante desse navio solto. 

Quanto a Delcidio, seu futuro esta traçado, ficara na cadeia tempo suficiente para refletir sobre as besteiras que fez enquanto homem público entrará em depressão quando descobrir que o PT o abandonou e como na opera de Puccini “Madame Butterfly” , ao desaparecer da vida publica seu sumiço deixara um sentimento de culpabilidade aos vivos. Mas seu fim será trágico

domingo, 22 de novembro de 2015

e viva a idiotice

ELOGIO AOS IDIOTAS

Por Alacir Arruda 

Na vida acelerada de hoje,  todos desejam ser espertos, vivos e astuciosos.

Ninguém quer ficar para trás – quando você está indo, os outros já estão voltando. Ninguém mais diz frases com segundas intenções: dizem coisas com terceiras, quartas e quintas intenções. Frases que, com sorte, um leigo no assunto precisa de várias horas para decifrar e talvez dois ou três dias para imaginar uma resposta à altura.

Em compensação, alguém que diz diretamente aquilo que pensa acaba provocando escândalo e mal-estar. É imediatamente catalogado como perigoso e tratado como idiota. A sinceridade parece contrariar as normas da convivência e da boa educação modernas. Assim, as pessoas bem educadas são amáveis, mas nem sempre se deve acreditar no que dizem.

A idiotice é um tema vasto, com muitos aspectos diferentes, e está inscrita com destaque na cultura brasileira. Um exemplo disso são as tradicionais piadas de português. Elas são uma projeção da brasilidade. No fundo, os portugueses idiotas das piadas somos nós. Os episódios que envolvem Manuel, Joaquim e Maria são todos parte da alma do nosso país – tanto é assim que só são conhecidos no Brasil. Em Portugal, ao contrário, circulam piadas de brasileiros.

É certo que, quando examinamos a questão da inteligência e da idiotice, surgem algumas perguntas indiscretas. O que é inteligência? O que é burrice? Quantos tipos há de idiotas?

Podemos dizer que inteligência é a capacidade de perceber o real. Como há realidades muito diferentes no mundo, não existe um tipo único de inteligência. Cada situação da vida requer um tipo específico de percepção, e por isso as inteligências são múltiplas. A idiotice e a burrice podem ser definidas como a incapacidade de perceber o real, e são tão variadas quanto as inteligências. Há, portanto, muitos tipos de idiotas. Alguns deles, inclusive, são espertalhões. Sim, há muitos idiotas que passam por inteligentes, e também grande número de pessoas inteligentes que passam por idiotas.

Além disso, quem é inteligente em uma área da vida pode ser burro em outras. Você é esperto em política e burro na hora de jogar futebol. Sua namorada pode ser menos intelectual que você, na hora de discutir filosofia, mas há aspectos da vida em que ela coloca você no chinelo. Há coisas que seus filhos fazem bem melhor que você, como, talvez, compreender as sutilezas de um videogame ou computador. Felizmente, ter sabedoria não é saber tudo. Ter sabedoria é saber o mais importante – e administrar bem os seus talentos.

Dos inúmeros tipos de idiotas, um dos mais interessantes foi examinado por François Rabelais, o escritor francês do século 16. Ele abordou a imbecilidade doutoral específica dos “eruditos” que usam palavras complicadas para não dizer coisa alguma. Um deles – conta Rabelais – fez certo dia uma longa pesquisa para saber “se uma entidade imaginária, zumbindo no vácuo, é capaz de devorar segundas intenções.” Outro queria saber “se uma ideia platônica, dirigindo-se para a direita sob o orifício do Caos, poderia afastar os átomos de Demócrito”. Um terceiro investigava “se a frigidez hibernal dos antípodas, passando numa linha ortogonal através da homogênea solidez do centro, podia, por uma delicada antiperístase, aquecer a convexidade dos nossos calcanhares”. Rabelais qualifica tais idiotas eruditos como professores cegos de discípulos cegos, “que tateiam em um quarto escuro à procura de um gato preto que não está lá”. Tais indivíduos eram precursores de Rolando Lero, o grande erudito que iluminou a televisão brasileira nos anos 1990. Não é de todo impossível encontrar esse tipo de pesquisador fazendo teses de pós-doutorado em certas universidades.

Conheço seres humanos que têm tanto medo de parecer burros que aplaudem – ou pelo menos fingem que compreendem – esse tipo de raciocínio longo, difícil, sem significado algum. Mas tal constrangimento é desnecessário: deixando de lado o medo de parecer idiotas, perderemos menos tempo fingindo e seremos mais felizes.

O exemplo de Albert Einstein, um dos maiores gênios da ciência moderna, é ilustrativo. No início da vida, ele recusou-se a falar até os três anos de idade. Seus pais – pessoas sensatas – pensavam que fosse retardado mental. Mais tarde, quando Einstein ingressou na escola, ele foi novamente considerado imbecil. Seu biógrafo é obrigado a admitir:

“Para os colegas de classe, Albert era uma anomalia que não demonstrava interesse nenhum pelos esportes. Para os professores, era um idiota que não conseguia decorar nada e se comportava de modo estranho. Em vez de responder imediatamente a uma pergunta, como os outros alunos, sempre hesitava. E quando respondia, movia os lábios em silêncio, repetindo as palavras.” 

Décadas mais tarde, Einstein deu o troco. Ele qualificou o nosso moderno sistema educacional como uma estrutura que reprime a inteligência e busca fabricar idiotas obedientes:

“A humilhação e a opressão mental imposta por professores ignorantes e pretensiosos causam danos terríveis na mente jovem; danos que não podem ser reparados e que geralmente exercem influências maléficas na vida futura.”

E ainda:

“A maioria dos professores perde tempo fazendo perguntas para descobrir o que o aluno não sabe, quando a verdadeira arte consiste em descobrir o que o aluno sabe ou é capaz de saber.” 

O sábio, o santo e o idiota têm muito em comum, não só entre si, mas também com as árvores e os animais. Todos eles vivem em um estado de comunhão com todas as coisas que é independente do pensamento lógico. Isso contraria a inteligência situada no hemisfério cerebral esquerdo, que rotula e classifica todas as coisas. Essa inteligência gosta de colocar-se como se tivesse o monopólio da consciência. Esse, aliás, é um dos grandes obstáculos para a prática da meditação: a mente pensante não aceita passar o poder à mente que contempla e que compreende a verdade sem necessidade de pensamentos.

A primeira frase dos famosos “Ioga Sutras de Patañjali”, o tratado milenar sobre Raja Ioga, afirma: “Ioga é a cessação das modificações da mente”. Para alcançar a hiper-consciência, o estado mental do êxtase divino, é necessário paralisar momentaneamente a mente inferior. O sábio é um ser que renunciou à inteligência convencional e optou por uma percepção que a mente comum não consegue captar. Por isso, mesmo no século 21, se aquele que ingressa no caminho espiritual não tiver certos cuidados, pode ser considerado louco ou idiota pelos parentes e amigos. Mas, do ponto de vista do sábio, a situação se inverte e idiota é aquele que fica preso à lógica do mundo externo.

O ser humano geralmente vive imerso em ilusões que ele mesmo criou. Para obter a sabedoria, ele deve aprender algumas coisas e desaprender outras. Helena Blavatsky escreveu:

“A primeira condição necessária para obter autoconhecimento é tornar-se profundamente consciente da ignorância; sentir com cada fibra do coração que somos incessantemente iludidos. O segundo requisito é uma convicção ainda mais profunda de que tal conhecimento – um conhecimento intuitivo e seguro – pode ser obtido por esforço próprio. A terceira condição, a mais importante, é uma determinação indômita de obter e enfrentar aquele conhecimento.” 

Quase todo o potencial da mente humana ainda está por ser desenvolvido. A ciência reconhece que usamos uma parcela muito pequena do cérebro. O problema não é, pois, que sejamos um tanto limitados mentalmente. O lamentável é que, sendo limitados, nos consideramos extremamente espertos. O filósofo Sócrates, escolhido como o homem mais sábio da Grécia, explicou:

“Eu e os homens notáveis de Atenas nada sabemos, e a única diferença entre eu e eles é que eu, nada sabendo, sei que nada sei, enquanto que eles, nada sabendo, pensam que sabem muito”.


Por ai...vai..... 

domingo, 15 de novembro de 2015

atentado em Paris

O LIMITE PARA AS ATROCIDADES HUMANAS É A NOSSA  IMAGINAÇÃO

Por Alacir Arruda



O mundo amanheceu coberto por uma nuvem de dúvidas e chocado neste sábado 14 novembro de 2008. Mais de 120 pessoas foram mortas e outras 300 se feriram em vários pontos de Paris vítimas da intolerância. A pergunta que não quer calar: Até quando!? Ate quando suportaremos inocentes sendo aniquilados por extremistas que buscam reconhecimento através do terror? E o G7, o grupo dos países mais ricos do mundo, o que tem a dizer sobre isso? Será que não eles os grandes culpados por toda essa barbárie? Ou seria Alah? Talvez Tiririca, (grifo nosso). 

Bom, perguntas e satirizações à parte, esse atentado em Paris apenas reforça a idéia de que vivemos em um mundo onde impera o transitório e o ambivalente. Transitório em função da extemporaneidade dos fatos, nada mais é óbvio os interesses, os princípios e até Deus vaga pela transitoriedade. Tentar responder qualquer das perguntas acima e mergulhar nesse mundo transitório. E ambivalente porque o conceito de ambivalência leva indistintamente, a existência simultânea, e com a mesma intensidade, de dois sentimentos ou duas ideias com relação a uma mesma coisa e que se opõem mutuamente. 

Tentar explicar quais são os reais interesses do Estado Islâmico é mergulhar em um oceano de incertezas, cogitações e dúvidas. Esse grupo se perdeu em suas propostas iniciais há tempos, hoje mais parece um partido radical tentando um golpe de estado tanto na Síria quanto no Iraque sob a égide da Sharia. O EI Utiliza do terror como arma em um mundo onde impera o medo. Países como Inglaterra, França, Alemanha e o Estados Unidos , sobretudo os dois últimos, apenas esperam o dia e horário do próximo ataque, pois uma certeza e corrente entre eles, o EI vai nos atacar! A pergunta é: Porque não reagem? Querem saber a resposta? Por que não há como reagir, simplesmente por isso. As armas usadas pelo Estado Islâmico, que se baseia na alienação religiosa, é a mesma utilizada (guardadas as devidas proporções) por essas superpotências há mais de 100 anos, a alienação capitalista voltada para consumo e o ter a qualquer custo. Esse mecanismo funcionou de tal forma que tente tirar uma coca cola de uma criança.....A reciproca é verdadeira e funciona da mesma forma do lado oponente: tente tirar um fuzil AK 47 das mãos de um extremista do EI! No fundo ambos são alienados, que os diferenciam são os interesses. 

Quem me acompanha sabe que gosto muito da filosofa alemã Hannan Arendt. Segundo ela: "À violência é sempre dado destruir o poder; do cano de uma arma desponta o domínio mais eficaz, que resulta na mais perfeita e imediata obediência. O que jamais poderá florescer da violência é o poder." (Hannah Arendt) 

O homem violento, aquele que acredita em sua força, este não tem poder. O poder só pode ser encontrado onde não há violência. Uma coisa é obediência e medo outra é o real sentido daquilo que transforma sem agredir. Esta é uma das razões pelas quais a democracia apresenta-se como algo frágil pois, está implícito em sua natureza este caráter de incompletude na medida em que dá ao outro a compreensão de que não há uma imposição antecipada. Ao contrário, o que existe é o direito da autoprodução dentro do percurso. 

Os riscos e as múltiplas possibilidades de escolhas fazem parte deste contexto de tolerância e respeito. Embora haja o risco, este sinaliza para a ausência de passividade e também para o recuo que as atitudes absolutas podem despertar com a falsa sedução de uma ordem preexistente. 

Faz parte do exercício da maturidade entender que a tolerância pode ser um caminho para uma convivência mais pacífica e que tal atitude não significa passividade. Portanto, nem sempre é necessário que o mais forte seguido, pois múltiplos são os caminhos... . 

Realmente é uma questão a refetir......Será que o Estado Islâmico atingirá seus objetivos pela violência? ou estão dando um tiro nos próprios pés? Passo a palavra a vocês.... 








quinta-feira, 5 de novembro de 2015

MEDIOCRIDADE

O Brasil  não passaria na prova do ENEM
Por Alacir Arruda
Estou horrorizado com a capacidade de superação dos conservadores reacionários e imbecis desse país. Se não bastasse terem eleitos bandidos para nos governarem, agora querem discutir Ideologia de Gênero  a partir de Simone de Beauvoir. A incapacidade de concatenar idéias desse povo supera qualquer governo Bush. Senão vejamos! Por uma questão do ENEM 2015 – por sinal muito bem elaborada- de humanidades,  onde o elaborador  cita um pequeno fragmento da obra “O Segundo Sexo” da filosofa francesa Simone Beauvoir resolveram execrar essa filósofa.  Aliás, filósofa da mais alta magnitude,  essa cidadã só  era esposa de Jean Paul  Sartre um ícone da filosofia existencial.
Agora imaginem  um aluno vendo na sua frente um parágrafo de texto escrito por uma figura histórica conhecida, uma dessas pessoas que viveu um momento histórico particular, que pensou sobre o mundo e agiu para transformá-lo. Será que consegue ler e interpretar o tal parágrafo? E se puder escolher uma resposta pronta entre 5 possíveis (sendo que algumas delas claramente não tem relação nenhuma com o texto)? Ajuda? Escolha a alternativa certa e eu vou saber se você conseguiu entender o que o texto estava dizendo. Isso é o resumo da mecânica de uma prova como o ENEM, que pretende avaliar as habilidades dos alunos com 180 questões e uma redação.
A polêmica a respeito de parágrafos de texto assinados por Simone de Beauvoir e Milton Santos, usados como enunciados de questões do ENEM, são uma má interpretação dessa mecânica. O objetivo da prova é avaliar, entre outras habilidades, a capacidade de interpretar textos, e isso não tem nenhuma relação com a opinião dos alunos. Se os tais enunciados são polêmicos ou se vão na contramão das convicções daquele que está fazendo a prova, tanto melhor. Se eu não conheço os autores citados, se não concordo com eles, mas ainda assim consigo ler e compreender o que eles estão querendo dizer, isso significa que eu consigo interpretar um texto, qualquer texto.
Mesmo a redação, não tem como objetivo abrir um espaço para conhecer a opinião dos alunos sobre esse ou aquele tema. A redação é também um teste para saber se o estudante consegue estruturar argumentos em sequência, com começo, meio e fim, sem apelar para afirmações sem fundamento. Aliás, os enunciados das questões, assinados por pensadores, poderiam servir como argumentos e contra-argumentos para a redação, já que o tema – a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira – pode ser abordado por diferentes ângulos. Isso mostra apenas como a prova é bem elaborada.
Se tudo o que conseguimos extrair do ENEM 2015 é a polêmica, a doutrinação ideológica, o feminismo etc., nossa capacidade de interpretar textos está bem prejudicada. A sociedade brasileira não passaria nessa prova de conhecimento gerais e habilidades básicas, e isso significa que não temos formação para navegar pela complexidade da vida contemporânea. Vamos ter que começar de novo. Aos livros, cidadãos!


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Enem. o dia seguinte

RESSACA DO ENEM: O DAY AFTER DE UM FRACASSO ANUNCIADO.
Por Alacir Arruda
Caros seguidores desse Blog, passados alguns dias do “temido” Exame Nacional do Ensino Médio, que se tornou a prova mais disputada do mundo segundo a revista Forbes, convêm fazer algumas reflexões. Primeiro sobre a prova em si. Para mim, nada de novo, temas atuais aliados a fatos históricos contextualizados, textos enormes em natureza e linguagens e uma matemática óbvia. Sei que aquele que esta lendo este texto deve estar imaginando: “ esse cara se acha”-  uma prova difícil daquelas ele dizer óbvia. Sim! Repito! ´ÓBVIA, bem a cara do ENEM.
Com isso não estou dizendo que a avaliação estava fácil, isso é outro departamento, apenas avalio a sua estrutura a partir de suas matrizes. Se  estava fácil ou difícil,  isso é juízo de valor  e desse mister eu me abstenho. Mas fico imaginando a primeira aula nos cursinhos e terceirões da vida logo  após o ENEM.  Permitam-me  conjecturar um pouco. Penso agora,  aquele professor entrando na sala, os alunos todos exaustos após dois dias árduos de prova dizendo: - “ eu não falei que iria cair aquilo?” – Lembram que dei aquele conteúdo? – “Nossa caiu tudo que dei na minha  ultima revisão”... Ou talvez,  humildemente, digam: “CAIU TUDO QUE ESTUDAMOS”. Imagino agora a cabeça do aluno que ouve isso e tem a convicção que foi mal na prova;  com certeza alguns pensam logo na figura  materna daquele “ser”  que  “habla” lá na frente numa condição,  que esse blog se julga incapaz  de transcrever.
As ilações acima, por mais bizarras que possam aparecer,  ocorrem todos os anos nas  escolas Brasil afora após o ENEM, sobretudo nas privadas. Fui,  e ainda sou professor de cursinhos,  presenciei isso   minha vida toda e até hoje presencio. Isso se deve a falta de humildade do docente que não se reconhece parte do fracasso escolar que abate nossos alunos. Todos são culpados por esse fracasso:  alunos, pais, Estado, o Judas  e até a PQP,  menos o sacrisanto “professor”.  Até porque se alguém culpá-lo,  ele subirá na égide de um velho discurso “ eu ganho pouco”..Ah vá....pra.....Melhor não continuar.
 Desabafos  de Alacir à parte, acredito que o  ENEM 2015  foi um divisor de águas para que as escolas possam rever seus currículos..Eu disse c.u.r.r.i.c.u.l.o...Não Cú...rriculo como vem se fazendo nesse país desde que a escola formal foi criado no século XIX. Rediscutir conceito de aula, tempo, inter, trasn e pluridisciplinalidade, qual o papel da escola no seculo do conhecimento? Etc...Essas sim deveriam ser as pautas a serem abordadas nas “famigeradas” reuniões de planejamento de janeiro ( que alias sempre odiei).
Aos alunos cabe de minha parte uma ultima reflexão seguida de uma orientação. Meus caros, vocês são maioria, não ocorrerá nenhuma mudança substancial nessa educação “praguejada”,  que criou raízes no Brasil,  sem a participação de vocês. Participem de reuniões, criem grêmios estudantis fortes e independentes, formule sugestões e cobrem repostas de quem de direito. Só assim podemos vislumbrar um futuro menos aterrorizantes para os senhores. E saibam: Não estudem em escolas ruins, não assistam aula de professores medíocres, usem esse tempo para ler Nietzsche, Schopenhauer, Sartre, Hanna Arendt, Marx e Freud, será mais proveitoso, garanto.. (....grifo nosso)..

Por último, fica aqui minha homenagem àqueles docentes engajados  e que muito orgulham  nossa classe, sabemos que são poucos, mas existem.

sábado, 17 de outubro de 2015

Enem 2015: um culto a ignorancia

ENEM 2015:  MAIS UMA GERAÇÃO PERDIDA NO ESPAÇO DA IGNORÂNCIA.

Por Alacir Arruda
A cada dia que passa me certifico mais de  que sou: “ uma ilha de ignorância cercada por uma oceano de inteligência”. Senão vejamos. Tive a honra de ser convidado pelo INEP em 2006 para reestruturar o antigo ENEM, com 63 questões, e criar aquilo que hoje é conhecido como “NOVO ENEM” com 180 questões.   Era um grupo de 30 professsores doutores de todo o Brasil das mais variadas áreas do conhecimento,  e  todos com passagens por universidades estrangeiras.  Foram 02  anos de árduo trabalho para que em 2009 fosse aplicado o 1º  “Novo Enem”.  A  referência teórica utilizada foi o Relatório Delors de 1996 e o modelo adotado   era o S.A.T  (sigla para Scholastic Assessment Test ou Teste de Avaliação Escolar), que é um exame nacional norte-americano.
Bom, dito isso, e com autoridade para falar, uma coisa  tem me tirado  do sério todos  os anos:  O COMPORTAMENTO DA MIDIA E DAS ESCOLAS PRIVADAS SEMANAS ANTES DO ENEM. Chega a ser risível as reportagens que orientam os alunos de como se preparar para esse exame. Algumas redes de TV  chegam a patrocinar “aulões” em estádios de futebol para 30. 40 mil pessoas onde um grupo de "atores" ( que  se intitulam professores) fazem “micagens”, dançam, rebolam, cantam musiquinhas, fazem ginástica, entre outras bizarrices,  para que o  alunos gravem conceitos, fórmulas, datas etc.
O que mais impressiona em toda essa celeuma?  Nada daquilo que é ensinado nesse teatro de horrores, cai no ENEM. Será que as pessoas que organizam isso  conhecem o relatório Delors? Sabem qual o perfil do aluno do século XXI? Conhecem a Matriz de Referência de cada disciplina aplicada no ENEM? Sabe definir competência de habilidade? Inter/Trans/pluridisciplinalidade?  Sabe o que são áreas do conhecimento?  Entendem o que seja um aluno critico/observador? Garanto que não. Se soubessem não submetiam a isso.
O ENEM é uma nova forma de conceber educação,  e em nada se compara com  aquilo que hoje é ensinado em sala de aula. Costumo sempre dizer em palestras que  o currículo hoje praticado pelas escolas brasileiras está na contra mão daquilo que o ENEM cobra, e digo mais,  essas escolas estão cometendo um crime de “lesa pátria” com essa juventude que não tem a menor noção do que seja esse  exame. Prova disso são as medias do ENEM nos últimos 6 anos.
Quer ir bem no ENEM?  Esqueça todas essas aulas inúteis que  você teve nos últimos 10 nos, isso não serve para nada. Esqueça  fórmulas, conceitos etc. Entenda que o conhecimento não ocorre de fora para dentro, ao contrario, ocorre de  dentro para fora, ou seja, aprender nada mais é que “vomitar” aquilo que estava em seu interior, e o professor nesse processo é apenas o vetor. Nenhum  professor ensina nada para ninguém, professor é apenas uma luz que ilumina o caminho, mas não ensina ninguém a caminhar. Em suma, que ir bem no ENEM? Leia, autores como Nietzsche, Baumam, Freud, Sartre, Schopenhauer, Spinoza,  Foucault, Novak, Marx, Hobsbwam, Michael Sandell e Morin,  em humanas. Em exatas: Energia, Química fina, nanotecnologia, informática,   quântica  pesquise quais são os últimos vencedores do premio Nobel em Matemática, Química, Medicina, física e  seus estudos . Em linguagens,  faça uma leitura do mundo  a partir das mais variadas formas de linguagens e da estética.  E por ultimo, faça um simulado de 180 questões por semana, procure entender o que acontece no mundo do ponto de vista: político, econômico e social, leia jornais ou assista noticiários sérios.
Não há formula mágica para o ENEM, so existe uma saída- ESTUDE....MAS SAIBA ESTUDAR..


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

ser professor II

Porque sou professor...

Por Alacir Arruda

Certa vez um aluno na faculdade  me perguntou : por que você dá aula? “Você é  um cara inteligente poderia passar em qualquer concurso publico bom que pague altos salários assim  poderia ter uma vida tranqüila e um futuro garantido.!!”. Boa pergunta e digna de uma boa resposta. 

Por outro lado, o que vemos é o descaso e a falta de respeito que nós, professores, sofremos. A desvalorização em qualquer âmbito profissional nos leva a crer que não somos importantes e que não fazemos parte da sociedade de certa forma. Qualquer profissão que conduz à ética, como um dos principais valores a ser seguido, deve ser respeitada e valorizada a fim de que haja mais profissionais habilitados, motivados e imbuídos a exercerem seu papel com excelência, e tornarem-se, deste modo cidadãos mais dignos, nesse sentido, o professor deveria ser mais respeitados por quem de direito.

Bom.. agora vou responder ao questionamento do meu aluno. Vamos por partes: Primeiro sou professor por opção e não por condição, segundo que não busco segurança, ao contrario, sou um errante da educação busco sempre a incerteza pois ai que esta a necessidade. E terceiro..bom ...

“Quão satisfatório e motivador é levantar todos os dias para ir trabalhar com orgulho; um orgulho inexprimível, um orgulho que quando perguntado o que significa ser professor e não encontrar palavras para denotar. Um orgulho de saber que faço a diferença na vida das pessoas, o que é muito gratificante. Isso é uma prova que aquilo que eu faço (a paixão que tenho em ensinar), está sendo levado a sério, e está alcançando o coração das pessoas com a mensagem que eu quero transmitir.
Ver o brilho dos olhos de um aluno sobre o entendimento de um determinado tema que esta sendo explanado é algo simplesmente incomum a ser transmitido em palavras sobre o que sinto ao me deparar com tal ação. Além do ser professor procuro também ser amigo, ser companheiro. Acredito que isso me diferencia (não julgo que outros não façam). Costumo dizer:
Se em sala de aula você somente usar a Educação Bancária, muitas pessoas de opiniões que você diz estar ensinando (e elas dizem estar aprendendo) sairão com poucas ou nenhuma chance no futuro; com mínimas oportunidades na vida. Temos que formar alunos de opinião própria, também saber corrigir o limite que eles podem impor sua opinião.



Então....Não me perguntes porque sou professor...Porque ser professor para mim..é a minha vida!!!


"DEDICO A TODOS AQUELES QUE, COMO EU , ESCOLHERAM ESSE OFICIO"

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

a unica conclusão é a morte

NÃO ME VENHAM COM CONCLUSÕES!  A ÚNICA CONCLUSÃO E A MORTE!
Por Alacir Arruda
Alguém certa vez me disse: Alacir, a  falta de sono nos faz delirar(....) Sou prova disso, pois as  04h00 da madrugada resolvi  Plagiar o maior poeta da Língua Portuguesa Fernando Pessoa. E por quê? Porque acredito que essa frase é, absolutamente Schoperaureana e Nitiana, e como  admirador confesso desses dois filósofos resolvi refletir.
Para que verdades? Conclusões? Aliás, por que  precisamos sempre explicar as coisas, os fatos? E o imponderável? Onde ele reside? Talvez esteja ai a o grande responsável pelas nossas angustias e frustrações. A nossa incapacidade de lidar com as  limitações inerente  a nossa espécie e a  certeza de que carregamos um  “cadáver”  em nossas costas  nos  eleva a uma espécie de “cegueira branca” (de Saramago) onde preferimos  fingir de cegos a  encarar a única conclusão da vida, qual seja? A morte!
Ate as malfadadas religiões ( e aqui não poupo nenhuma)  tentaram nos ludibriar com  elucubrações e delírios  como a existência de  “deuses, céu, paraíso vida eterna”  entre outras insanidades. Porém, o objetivo final era sempre nos aliviar da certeza de nosso fim. Uma pergunta paira no ar: por que queremos a vida eterna? Qual o objetivo em continuar a viver mesmo que no plano espiritual? Talvez Freud nos ajude.
Segundo o criador da psicanálise, “Nós,  criaturas civilizadas,  tendemos a ignorar a morte como parte da vida...no fundo ninguém acredita na própria morte, nem consegue imaginá-la. Uma convenção inexplícita faz tratar com reservas a morte do próximo. Enfatizamos sempre o acaso: acidente, infecção, etc., num esforço de subtrair o caráter necessário da morte. Essa desatenção empobrece a vida...”.
Schopenhauer (1788-1860) pontua que certas religiões ou filosofias não preparam o homem como de fato seria necessário, assim por vezes o mesmo apresenta conceitos que o tornam inseguro. “É, de fato, uma coisa questionável imprimir precocemente no homem, nesse assunto tão importante, conceitos fracos e insustentáveis, e assim torná-lo para sempre incapaz de admitir o que é mais correto e seguro.” (Schopenhauer, 1788-1860,p.60).
Nietzsche ( 1844-1900)  afirma que o cristianismo promete vida eterna aos que souberem viver bem a vida, alimentando uma falsa esperança de um mundo ilusório, aquilo que ele  de chama de “morte covarde”. Para fundamentar sobre as conseqüências da morte não livre, Nietzsche faz menção à lembrança inerente ao homem do “foi assim”, considerado por ele como a causa de todo o sofrimento humano, sendo este submetido ao tempo que passa, perdendo a possibilidade de mudança da realidade. O homem não tem noção real de tempo, sendo acometido à morte que “parece ser um acidente que assalta”.A morte surge, para essas pessoas, como uma fatalidade.
Filósofos à parte, a nossa reflexão sobre a incapacidade  humana em lidar com sua finitude continua. Talvez o capitalismo, cada vez mais selvagem e individualista, seja uma das conseqüências desse nosso temor. Pois,  ao  apegarmos a bens materiais, nos auto-afirmarmos nesses produtos a ponto de torná-los a nossa razão de existir. Senão vejamos, um individuo que hoje possui uma Ferrari, essas de  ultima geração,  acaba por perder seu nome e sua identidade humana, ele passe a ser o “fulano da Ferrari” e assim segue com outras marcas de  destaque. Certa vez ao entrar em uma loja de departamento ouvi a vendedora chamando por uma cliente que estava saindo expressando a seguinte frase: “ senhora...senhora..é a senhora que esta com uma bolsa Louis Vilton....sua identidade ficou aqui no caixa (..) Detalhe, ela esteva com a identidade da senhora na mão. Será que tudo isso é medo da morte?  
Por isso afirmo... A  única conclusão que existe é a morte, portanto, aceite-a!!


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O FIM DO HUMOR

Como a Pós-modernidade Destruiu o Humor


Crítica de Nietzsche à Pós-modernidade

Chegou o tempo para que o homem se fixe em um objetivo. Chegou o tempo para que o homem semeie o germe de sua mais elevada esperança. Para isso, seu solo é ainda bastante rico. Mas um dia pobre e árido será esse terreno e nele já não poderá germinar nenhuma grande árvore. […] é preciso ter ainda um caos dentro de si para gerar uma estrela que dança. Isso vos digo: tende ainda um caos dentro de vós. Ai, aproxima-se o tempo em que o homem já não conseguirá gerar estrela alguma. Aproxima-se o tempo do mais desprezível dos homens, daquele que já não pode se desprezar a si mesmo. […] Já não se sente necessidade de ser pobre ou rico. São duas coisas demasiado penosas. Quem quererá ainda governar? Quem quererá ainda obedecer? São duas coisas por demais penosas. Nenhum pastor e um só rebanho. Todos querem a mesma coisa, todos são iguais.” (NETZSCHE, p. 21-22)"


Como a Pós-modernidade Destruiu o Humor: Do Rir do Poder ao Rir com o Poder

Livremos-nos, antes de darmos início ao tema, de um mal entendido capaz de dificultar a compreensão do que estará sendo dito: quando falo em poder, não me remeto a uma concepção dita tradicional ou jurídica de poder (o poder entendido como soberania, atrelado ao Estado) nem de uma concepção marxista (o poder entendido como possuindo um caráter unicamente repressivo). Trata-se, afinal, de evidenciar a leitura foucaultiana que faço do poder. Ora, como é sabido, o poder em Foucault não é aquilo que se encontraria concentrado no Estado como sendo o seu objeto e produto exclusivo; tampouco é tão-somente o efeito de uma repressão que incide sobre os indivíduos. Isso significa pensar o poder sob o ponto de vista de uma negatividade irremediável, o que não é verdade. Outro ponto: o poder também não é pensado como um objeto do qual um grupo de indivíduos (uma classe ou um partido) ou um único indivíduo (o patrão) teria posse, o que significaria, em outras palavras, pensar o poder como relacional; em suma: o poder é ação, possuindo também um caráter micrológico epositivo. Daí que Foucault permitir-se-á falar em termos de relações de poder (postura absolutamente nietzscheana) e não em termos de titulação (no caso do marxismo: a burguesia como sendo a classe titular do poder).

Escrevi esse primeiro parágrafo no intuito de dizer uma coisa bem simples (e é verdade, o simples nem sempre é fácil de perceber): não me compreendam como o intelectual lamuriento que insiste em repetir a velha e enfadonha choradeira marxista sobre como o poder é perverso, execrável, pernicioso, maquiavélico, malvado etc. Não! Não é isso! O que quero pensar aqui é em como, com o advento da pós-modernidade (1950, por convenção), o humor perdeu todo o seu caráter contestador e denunciador da ordem vigente para tornar-se aquilo de que o poder se serve para mergulhar os indivíduos num sono letárgico (o panem et circen pós-moderno: sexo alucinado, álcool desenfreado e farra contínua, por exemplo). Dizendo de modo mais sucinto: pensar a relação entre humor e poder no cenário pós-moderno a partir da ideia de uma despotencialização do riso.

O fantasma pós-moderno vagueia por todos os âmbitos, desde as ciências, as artes, a filosofia até chegar e engolir a vida quotidiana. Ele vagueia sutil, silencioso, sorrateiro, e não sabemos ao certo como reagir a ele: com um entusiasmo regado a funk, axé, pagode, psi, trance, Sex Shop, pornô e algumas drogas (tudo junto, pois a pós-modernidade é uma geléia onde se pode, ao mesmo tempo, ler Nietzsche e Augusto Cury sem medo de estar cometendo uma barbárie intelectual, em outras palavras: o vale tudo relativista); ou com uma nostalgia crescente dos tempos em que viver ainda valia a pena (saudade da solidez da modernidade onde ainda se podia crer no sentido das coisas: do amor, da amizade, da cultura, da ética, da política etc.). No final das contas, vemo-nos divididos entre pensar a pós-modernidade como a decadência ou a ascensão de um novo homem, de uma nova era para a humanidade saída das ruínas dos edifícios da modernidade.

Em meio a esse caotismo típico da pós-modernidade, o humor não escapa ileso, muito pelo contrário, meus caros! O humor também é engolido pela onda pós-moderna e sua porra-louquice elevada à enésima potência: uma nova maneira de rir caracterizada por uma indiferença absoluta. O motor dessa nova maneira de rir é um pensamento do tipo “que se dane o capitalismo selvagem e a repressão, o comunismo e o anarquismo, a política, a economia e todo o resto”; é o desmoronamento das meta narrativas descrito por Lyotard. Citando um trecho do livro O que é o Pós-moderno:

“Desde a Grécia antiga, as filosofias são discursos globais, totalizantes, que procuram os primeiros princípios e os fins últimos para explicar ordenadamente o Universo, a Natureza, o Homem. A pós-modernidade entrou nessa: ela é a valsa do adeus ou o declínio das grandes filosofias explicativas, dos grandes textos esperançosos como o cristianismo (e sua fé na salvação), o Iluminismo (com sua crença na tecnociência e no progresso), o marxismo (com sua aposta numa sociedade comunista). Hoje, os discursos globais e totalizantes quase não atraem ninguém. Dá-se um adeus às ilusões.” (SANTOS, 1987)

Ora, o pós-modernismo “desenche, desfaz princípios, regras, valores, práticas, realidades” (SANTOS, 1987). É o que o sociólogo polonês Zigmunt Bauman chamará de modernidade líquida. E não poderia ser diferente com o humor e o riso: todo o conteúdo crítico, subversivo, revolucionário do riso esvai-se em muita purpurina e músicas ridículas feitas em micro-computadores (as porcarias que se vê em programas como Zorra Total e Pânico na TV); e não podemos esquecer-nos das personagens extravagantes envolvidas por um ar de imbecilidade proposital (e são de fato imbecis e não apenas enquanto personagens) sabe-se lá porquê…

Deixem-me falar um pouco mais sobre os programas de humor. O Pânico na TV, por exemplo. Esse programa esdrúxulo oscila entre um erotismo promovido pela exibição contínua de belas mulheres seminuas (eis um bom momento para os libertinos me crucificarem e os liberais gritarem “seu moralista!”) e um falatório vazio que visa tão-somente alimentar as cabeças, igualmente vazias, dos seus telespectadores. E você que está lendo este texto, pôs-se a rir? Pois não deveria. Não há nada de engraçado nisso, ou ao menos não deveria haver. Pois a comédia de hoje será a tragédia de amanhã! Ouso fazer-me aqui de “vidente”, correndo o risco de ser linchado pelos macacos drogados pós-modernos que vêem nessa nova onda um grande barato. E que me chamem de pessimista!

Ah, outra coisa! Se você, caro leitor, é um pós-moderno e está bufando de ódio em razão das críticas que lanço mão neste texto, saiba do seguinte: que estou a rir, ou melhor, a gargalhar, de sua cólera!

Deleuze, filósofo que aprecio principalmente pelo fato de compor a linha de frente contra o pós-modernismo e o contágio niilista que ele promove, falava, na década de 60, em como se peca ao negligenciar a potência e o gênio cômicos de um autor. Essa potência e esse gênio dão testemunho do que, num determinado autor, pode-se chamar de sua eficácia anti-conformista1. Falemos de Kafka: sabemos muito bem o quão tenebroso é o universo kafkiano e o que constitui, nesse universo, o alvo de suas críticas. Mesmo assim, conta-se que quando Kafka lia O Processo, o público punha-se a rir. E isso de nada tem a ver com uma forma de depreciar a obra do autor. Ao contrário, é precisamente essa comicidade que expressa sua grandeza. Falemos de outro autor, agora filósofo: Nietzsche. Quem nunca riu ao ler alguma de suas obras não o leu verdadeiramente – permaneceu-se demasiado encoberto pelo espírito do sério, algo que o próprio autor denunciava2. Valho-me de um terceiro exemplo: Voltaire. Quem nunca leu seu romance Cândido ou o Otimismo e não riu da maneira trocista com que ele critica o otimismo filosófico, perdeu o essencial. É verdade que os acontecimentos envolvendo Cândido são terríveis e brutais, só que mesmo assim Voltaire nos provoca o riso e não o sentimento incômodo de quem está a ler páginas pouco ou nada agradáveis. Voltaire é um desses autores que fazem do riso uma arma contra o dogmatismo, contra o status quo. Com efeito, não se trata do mesmo humor, do mesmo riso, que se vê espetacularizado nos outdoors, nas campanhas publicitárias, na TV e na internet. E como poderia sê-lo, se o pós-modernismo, “sempre satírico, pasticheiro e sem esperança” (SANTOS, 1987), envenena tudo o que toca?

Falemos de um humor conformista par excellence, que ao invés de introduzir no pensamento uma positividade e uma atividade, introduzi-lhe-á uma imobilidade, uma apatia, um fastio, um profundo desprezo pelo querer. Tem-se a impressão de sair do lugar, mas é tão-somente o efeito do simulacro pós-moderno – no final das contas apenas flutuamos entre micro chips, vibradores, imagens, signos que vêm de todos os lados, propagandas, embalagens comerciais, novelas, futebol, cerveja, cifras, dígitos, cartões de crédito etc. Os pós-modernistas “querem rir levianamente de tudo” (SANTOS, 1987), e não há nada tão venenoso quanto o riso mal empregado, o riso irrefletido; o riso que se ri por rir (o riso pelo riso, a marca do niilismo no humor!). Que se ria! Ora, nada há de mal nisso. Mas perguntemos antes qual a natureza desse riso. Seria o efeito de um devir-ativo das forças ou de um devir-reativo (pergunta de inspiração nietzscheana)? Que digam “vejam, ele quer acabar com o humor”, sei bem que estarão todos errados. Como poderia eu acabar com algo que já foi acabado? A pós-modernidade já fez o trabalho! Será que não percebem? Ai! Esses pós-modernistas, sempre desatentos. Nem imaginam que estão a pisar em cadáveres!





quinta-feira, 10 de setembro de 2015

quando a imbecilidade impera

A “infelicidade” não é nenhum mal, conforme pensam os ignorantes ilustrados, mas a expressão objetiva da impossibilidade da natureza humana em viver rigidamente sob os moldes do capitalismo. Mais saudável é o indivíduo que fica triste com sua precária condição, e não aquele que sufoca sua tristeza e a “transmuta” para viver “feliz”, mesmo que alienado.
Tampouco viver confortavelmente e ter saúde são garantia de felicidade. Pode-se muito bem ser rico e gozar de plena saúde e não ser uma pessoa feliz. Outro dia li, numa grande Revista, uma reportagem que tratava das diferenças entre um porteiro e  um homem de classe média. O jeito que a reportagem pôs as coisas, principalmente comparando o homem de classe média com o porteiro feliz, parece que o homem de classe média tem a obrigação (?!) de ser feliz, e como não é, dá a entender que o mesmo só pode estar doente.
Isso é outra mistificação, só porque todo mundo busca dinheiro e bens materiais, inferem que isso realmente traz felicidade. Não traz, só traz felicidade mundana, a mesma que temos quando usufruímos pequenos prazeres ou quando nos esquecemos de nós mesmos. Por si só, ter dinheiro ou poder consumir, não traz felicidade pra ninguém.
A “consciência feliz” não precisa mesmo de conteúdo material para se sustentar, pois existe tanta fome de imaginário, como há de comida. Tudo contribui para matar nossa fome de imaginário, desde as religiões, até o futebol, a música ou a “bunda da mulher melancia”.
A “alienação” faz as pessoas felizes. Isso ninguém pode negar.
Se não preenchesse uma necessidade psicológica, porque haveria tanta no mundo? Já a desalienação faz a pessoa mergulhar -pelos menos por algum momento- na consciência infeliz. Ela se sente isolada da sociedade e dos seus valores egoístas. Começa a não ver sentido no modo de vida que lhe impuseram. Não perde mais muito tempo tentando satisfazer desejos pueris. A pessoa, então, fica melancólica, pois não tem pra onde fugir, não consegue encontrar abrigo no seio da sociedade porque a considera decadente, tampouco acha que uma vida de prazeres resolve alguma coisa.
O porteiro só é feliz porque desconhece todas essas coisas, sua felicidade está na ignorância, é a felicidade de todos que estão inseridos no mundo, que se perdem no cotidiano. Ele, na verdade, é a grande vítima, é o bobo alegre, que ri da sua exploração, o homem, que mesmo tendo conforto, é triste, age de acordo com a natureza humana, que não pode se satisfazer plenamente no capitalismo. Tomar Serotonina e Prozac também são formas  de se alienar, pois quem, ao invés de lutar e resolver seus próprios problemas se ampara em muletas químicas, não só busca um método eficiente de não ter que lidar consigo mesmo, como cai no engodo ideológico de que devemos estar sempre -ou pelo menos predominantemente- felizes.