sábado, 26 de dezembro de 2015

Brasil 2016: a sintese de uma tragedia



BRASIL 2016:  UMA ANÁLISE DO CENÁRIO ECONÔMICO E POLÍTICO


Por Alacir Arruda

Eu sei que economia não e o forte dos brasileiros, grande parte da massa acredita que  economista são aquelas pessoas que nos ajudam a economizar. Bom, senso comum à parte, a economia é uma das ciências mais interessantes que existe, pois nos  posiciona diante de quadros de crise além de ser,  junto com sociologia, a ciência que nos faz entender cenários e  o comportamento social, sobretudo no que diz respeito ao consumo. Resolvi traçar as perspectivas econômicas para o Brasil em 2016 a partir dos dados do economista Vicente dos Santos Alves da FDC/SP recentemente  publicado.

Depois de um 2015 bastante difícil, o ano vem terminando com muitas mudanças, tais como o aumento dos juros nos EUA, a redução do crescimento chinês, a troca do ministro da Fazenda no Brasil e a perda do grau de investimento  pela Fitch. Isto fez as estimativas de indicadores econômicos para o próximo ano mudarem consideravelmente. Muitos executivos, empresários, investidores e analistas têm se perguntado o que esperar de 2016 que, até aqui, tem tantas variáveis ainda indefinidas.​​

Para ser didático vou tentar explicar  o conceito de crise a partir  de analise de cenários. Em ambientes nos quais o passado não é um bom preditor do futuro, a boa técnica recomenda o uso de cenários. Para montar uma análise de cenários, vamos recorrer ao processo de duas variáveis descrito pela Gill Ringland. Selecionamos, assim, duas variáveis externas às empresas e as dicotomizamos. Selecionei uma variável interna do governo brasileiro e uma variável externa. 

A variável interna é a política econômica do próprio governo, e ela tem que ser dicotomizada entre a manutenção do ajuste fiscal com uma política ortodoxa, o que prevaleceu em 2015, e uma política de gastos governamentais e heterodoxia, o que prevaleceu até 2014, para a qual se ensaia um retorno com a troca do ministro da Fazenda.

A variável externa é o ambiente econômico internacional, que não chega a ser de crescimento mas, também, ainda não é de crise. Dicotomizei entre Estável e Crise. Um ambiente estável é o atual, no qual as commodities continuam baixas e os juros também, e com crescimento econômico fraco no mundo inteiro mas, ainda, sem configurar uma crise. Entretanto, existem indícios que apontam para a possibilidade de uma crise internacional, tais como a diminuição do crescimento da China, a guerra cada vez mais complexa na Síria, uma baixa cada vez mais acentuada dos preços do petróleo e, no caso particular do Brasil e de outros países emergentes, a determinação de os EUA de começarem a subir novamente os juros.

Assim sendo, podemos montar um quadro de cenário resultante desta combinação 2x2, que é mostrado na figura 1. Os nomes dos cenários são pictóricos.


Figura 1 – Quadro de cenários econômicos para 2016

​ O cenário atual é o de TORMENTA, no qual o ambiente externo é estável e se mantém um ajuste fiscal com ortodoxia econômica. Embora duro, este cenário é o que demonstra alguma chance de levar a uma estabilidade em 2017 e recuperação em 2018. Aqui, o governo contém seus gastos e controla a inflação via juros, impostos e sua própria austeridade, reduzindo a pressão de demanda por dinheiro, permitindo aos juros não explodirem e não tendo de recorrer à impressão de moeda. Este cenário leva o governo a ter uma popularidade muito baixa, que só poderá ser recuperada em 2018.

O cenário de FURACÃO acontece se o ambiente externo piorar, o que parece altamente provável no momento. Aqui, embora o governo continue fazendo o “dever de casa”, apesar da impopularidade, há uma piora do clima econômico no mundo, com os juros nos EUA aumentando, e o preço das commodities caindo ainda mais. O governo é forçado a socorrer a Petrobras e a subir os juros para compensar o aumento dos juros nos EUA. O agronegócio e a mineração brasileiras aprofundam suas crises, pedindo alívio para um governo já muito pressionado, mas o governo resiste à tentação de imprimir dinheiro apesar da alta impopularidade.

O cenário de PÂNICO ocorre se o governo decidir mudar o rumo da política econômica e voltar aos gastos excessivos e à adoção de política heterodoxas, mas isto ainda ocorre em um ambiente internacional estável. Aqui, o governo decide aumentar impostos e imprimir mais dinheiro para lastrear “políticas anticíclicas”, ou seja, gastos para dinamizar a economia, o que pode funcionar no curtíssimo prazo, mas não se sustenta. A popularidade do governo melhora, mas os indicares econômicos deterioram rápido.

No cenário de HORROR, ocorre a “tempestade perfeita”. O governo não resiste ao apelo de gastar mais e decide por políticas “anticíclicas” para recuperar sua popularidade mas, ainda por cima, isto ocorre no meio de uma crise internacional, quando as commodities caem de preço e os EUA sobem os juros. A popularidade do governo melhora marginalmente enquanto os indicadores econômicos deterioram rapidamente. O governo entra em desespero e toma decisões desesperadas.

É difícil prever com precisão os indicares econômicos em cada um dos cenários, mas eles nos ajudam a ter um a panorama das possibilidades. A tabela 1 mostra alguns indicadores selecionados e as probabilidades estimadas de ocorrência de cada cenário. O leitor deve entender tal tabela como uma estimativa contendo erro, ou variação não explicada, ao invés de valores exatos.
 

 As probabilidades foram calculadas estimando que existe 60% de chance ocorrer uma crise no mundo, e 60% para uma mudança de política do governo atual. O leitor que discordar destas estimativas pode fazer suas próprias e recalcular as probabilidades de cada cenário ocorrer. Uma das vantagens desta técnica é sua flexibilidade na análise.

Precisamos torcer para que o mundo não entre em uma crise tão rápido, e que o governo, apesar da impopularidade e da pressão, resista e permaneça firme no propósito de fazer um ajuste fiscal, mantendo políticas ortodoxas. 

Para quem achava que chegamos ao fundo do poço em 2015, descobriremos em 2016 que esse poço e bem mais fundo.



Infelizmente, as probabilidades parecem estar contra o Brasil.





quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Eu estava certo?!

EU ESTAVA CERTO?!
 
Em 2013, para ser mais exato uma quinta feira  13 de outubro,  eu escrevi o artigo abaixo ( é so conferir nesse blog) . Na época fui chamado por alguns alunos de anti-PT, pessimista entre outras palavras impublicáveis. Hoje,  quase três anos se passaram, e olhem a situação que o pais que se encontra. Na época, 2013, os alunos se deliciavam comprando BIZZ, Motos,  financiando carros como água e enriquecendo a MRV,  em seus conjuntos habitacionais que, se eu deitar cruzado, nao me cabem. Enfim, a histeria era geral. Lembro-me de ter feito uma gráfico na lousa mostrando a curva  decadente da nossa economia de 2013 até 2020, cheguei a dizer na ocasião que o Brasil estaria, abasolutamente,  quebrado em 2020, hoje preciso rever essa previsão pois pelo andar da carruagem quebramos geral em 2017.  Eu gostaria que lessem o artigo e comentem. abs


O Brazil (s) Realmente Estragou Tudo??..
Por;  Alacir Arruda


Reprodução das duas capas capa da Revista The Economist 2009- 2013
    Em matéria exibida há uma semana, a revista inglesa de maior credibilidade no meio econômico (The Economist), lançou um sinal de alerta quanto a economia brasileira. Em capa  de 2009, ela dizia que o Brasil estava pronto para decolar, que era a bola da vez, que os investimentos externos no país seguiam de vento em popa, enfim, pregava o melhor dos mundos para nós. Ela utilizou,  para ilustrar o crescimento no Brasil da época , o Cristo Redentor decolando.   
     Há 8 dias,  a mesma  revista, usando o mesmo   Lay Out de  2009,  ilustrou o  Cristo em direção ao abismo.. É evidente que o mundo não passa por um bom momento no campo econômico. Quando Marx, (Karl Marx)  no século XIX , alertou quanto as crises cíclicas do capitalismo ele já antevia situações como essa, dizia ele:  “ O capitalismo é um regime cíclico, vive de momentos de ganhos  e perdas” . A crise da superprodução de 1929, que causou a quebra da Bolsa de New York, hoje foi  substituída pelo endividamento  monstruoso das economias européias que acaba refletido nos mercados de todo o globo, esse é  preço da globalização.  
      A Revista não erra ao preocupar com a nossa economia, mas exagera quando alimenta a tese que o Brazil caminha para o caos econômico, inclusive, usando a Argentina como exemplo. Ora, nem mesmo o mais ignorante dos economistas acredita que o Brasil esta no mesmo nível que a nossa vizinha. A economia Argentina vive uma crise de credibilidade há anos, um governo centralizador de Cristina Kristhner, opressor, que persegue a imprensa etc.. Estamos longe disso.
    A matéria da Revista inglesa contrasta dois momentos bastantes discrepantes da economia brasileira. Primeiro, quando sinalizava um futuro bastante promissor ao registrar crescimento de 7,5% em 2010, o melhor desempenho em um quarto de século. Para aumentar a magia, o Brasil foi premiado tanto com a Copa do Mundo (2014) quanto com as Olimpíadas (2016), diz a matéria.
      De 2010 para cá, porém, o que se viu foi um tranco. Em 2012, a economia cresceu 0,9%, bem abaixo do que foi visto em 2010. Além disso, em junho de 2013 milhares de pessoas foram às ruas para protestar do alto custo de vida, da má qualidade dos serviços públicos e da corrupção.
Segundo a matéria, muitos já perderam a esperança de que o país decolou e que o crescimento passado foi apenas outro "voo de galinha" --expressão usada para designar surtos econômicos de curta duração.
    Ainda segundo a reportagem, o Brasil fez poucas reformas durante os anos de boom econômico. Diz que o setor público brasileiro impõe um fardo particularmente pesado no setor privado.
A "Economist" ressalta que as empresas enfrentam o sistema tributário mais pesado do mundo, com impostos que chegam a 58% sobre a folha de pagamento e que o governo tem suas prioridades de gastos incoerentes.
INFRAESTRUTURA
    Quanto à infraestrutura nacional, diz que é ruim e o investimento, muito pequeno. "Gasta-se 1,5% do PIB em infraestrutura, contra uma média global de 3,8%", afirma a reportagem.
Para a revista, os problemas do Brasil vêm se acumulando ao longo das gerações, e a presidente Dilma tem sido relutante ou incapaz de enfrentá-los, o que criou novos problemas justamente por interferir na economia --mais do que o ex-presidente Lula.
"Ela assustou investidores estrangeiro em projetos de infraestrutura", avalia.
"DILMA FERNÁNDEZ"
     Para o Brasil se recuperar, precisa de reforma, diz a revista, sobretudo no que diz respeito aos impostos. Destaca ainda que os impostos representam 36% do PIB, a maior proporção entre os emergentes, mas ao lado da Argentina.
  Nesse contexto, a matéria ironiza ao chamar a presidente de "Dilma Fernández", fazendo uma referência à presidente da Argentina Cristina Fernández de Kirchner.
Também criticou o setor previdenciário brasileiro. Embora seja um país jovem, o Brasil gasta uma grande parcela da sua renda nacional com aposentadorias e pensões.
"O governo precisa remodelar o gasto público, especialmente pensões", afirma

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Frida For you Mah

FRIDA KHALO: CONTRADIÇÕES EM MEIO A GENIALIDADE

Por Alacir Arruda

Recentemente uma ex aluna minha me disse que havia ganho o livro " O diario de Frida" uma importante obra sobre a vida da artista plastica  mexicana Frida Khalo. Frida teve uma vida conturbada e cheia de revés, mas algo é indiscutível, sua genialidade. Então prometi a essa mocinha  que escreveria algo sobre essa artista  por quem  tenho grande estima.

Artista, musa, bissexual, vítima e sobrevivente. Toda esta mistura de vida e de emoções se expressa na obra de uma das maiores pintoras mexicanas. Ainda que dissesse que podia voar, Frida Kahlo se entregava na agonia de sua obra. Até a natureza morta remete à luta da artista pela vida, sua angústia e extirpações. Retrata a dor de suas limitações e imperfeições físicas. Expõe as entranhas.

Frida contraiu poliomielite aos seis anos, o que deixou sua perna direita permanentemente mais fina e curta do que a esquerda. Não foi o que a abateu, cresceu decidida a ser médica. Foi o choque entre o ônibus em que viajava e um trem, aos 18 anos, que a mutilou severamente e a impulsionou à pintura. Às portas da morte, obteve milagrosa recuperação do acidente que quebrou sua perna direita, pélvis, clavícula e costelas.

Foram meses de cama. Permaneceram as dores física e emocional, que predominam em seu trabalho artístico. Assim como o tema da infertilidade que também a atormentava. Em seus quadros, dotava cada cor de uma emoção carregada. A paleta só apresentava cores frias.

“Yo no pinto sueños, pinto mi realidade” (F.K.)


Filha de um fotógrafo húngaro e de uma mexicana de Oaxaca, nasceu em Coyoacán, em 1907. Tinha duas irmãs mais velhas. Determinada e comprometida, filiou-se ao Partido Comunista Mexicano. Abrigou Trotsky em sua casa, no exílio do político em 1937.

Vestia-se para cobrir as marcas da vida. O guarda-roupa também refletia a ideologia política e a influência cultural. Os coletes ortopédicos sustentavam-na em alinhada postura corporal.
Apaixonada, continuou a viver o sofrimento em seu casamento tempestuoso com o pintor vanguardista Diego Rivera. Entrou em um mundo de boemia. Frequentou círculos artísticos de esquerda. Viveu em San Francisco, Paris e Nova Iorque, onde o muralista Rivera deixou famosos afrescos.

Era uma união entre um elefante e uma pomba. “Quanto mais amo uma mulher, mais a machuco”, confessava Rivera. Os dois tinham relações extraconjugais com mulheres. Separou-se do pintor que amava e a atormentava. Voltou a casar-se com Rivera, no mesmo ano da separação. Mudaram-se para a casa dos pais de Frida, hoje transformada em museu que exibe parte de sua obra.

Com os anos e as 22 intervenções cirúrgicas, o corpo de Frida foi se desintegrando. A artista morreu jovem, na Cidade do México. A obra, carregada de sentimentos, permanece. Frida lutou por seus sonhos, pela felicidade e pelo amor. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

 AS IDIOSSINCRACIAS DO NATAL
 
 Por Alacir Arruda 

Ah, então é Natal... Aquela época do ano em que os mais pobres se dão o luxo de comprar bacalhau pra fazer uma ceia bacana... é tempo de comer feito um porco na engorda... tempo de entupir os shoppings atrás dos presentes que as crianças ficaram enchendo o saco o ano todo pra comprar, isso quando elas não acreditam mais em Papai Noel... Tempo de comprar panetone "de marca" pra dar prós parentes (e manter a aparência de que o dinheiro tá sobrando em casa, quando nem sempre é assim)...

Tempo de fazer de conta que há harmonia na família, todo mundo fica alegrinho e se ama nos dias 24 e 25, mas aí vem o dia 26 e tudo volta como era antes... Tempo de ir visitar aqueles parentes com quem você nem quer ter tanto contato assim e fazer de conta que vocês se dão super bem... Tempo de mandar cartõezinhos virtuais praquele seu amigo com quem você não faz questão nenhuma de falar, só porque todo mundo está envolvido pelo "espírito natalino"... Tempo de receber cartão daquele seu "amigo" que só fala com você pra te fazer acreditar no quanto ele é foda e você é um merda (e ainda ter que retribuir a porra do cartão sem um pingo de vontade)... Tempo de receber aquelas mensagens dizendo pra gente lembrar de quem é o aniversariante no dia do Natal, e ninguém, ou quase ninguém, lembra porque está ocupado demais comendo rabanada, peru, chester e bebendo sidra Cereser...

Tempo de paz? Tempo de festa? Tempo de alegria? Por que o Natal não pode ser cada dia do ano? Por que temos que ficar presos a essa conveniência ridícula de uma data simbólica, uma única data no ano na qual somos bonzinhos e fazemos de conta que amamos todo mundo? Por que temos que seguir o resto do ano com nossa mesquinhez e indiferença com o próximo?

O natal nunca foi grande coisa pra mim nunca ganhei presentes nem porra nenhuma para mim é só mais uma datinha dedicada ao consumismo extremo, os donos de loja enchem os bolsos de dinheiro, enquanto a massa gasta o que tem e o que não tem, e eu como sempre fico aqui assistindo todo esse espetáculo decadente.

De minha parte natal é todo dia. Quando levanto saio para trabalhar, seja de onibus ou de carro, e dou bom dia ao motorista do ônibus, ao cobrador ou ao frentista que abasteceu meu carro. Quando entro no trabalho e dou bom dia do porteiro a aquela senhorinha passando o pano..Esses sao os invisíveis sociais, seres que deixamos de enchegar há tempos num mundo de volúpia e ostentação. Esses são aqueles para o qual o filho do homem, e aniversariante do dia 25 veio. Para quem crê.



Abraços!!! Ah!  Quase me esqueci..........FELIZ NATAL!!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

eu estou velho

Eu devo estar muito velho....
Por;  Alacir Arruda

E mesmo velho,  acabo de cometer mais um erro! Descobri que ainda sou capaz de  influenciar pessoas,  de me  comover e de me emocionar. A primeira colocada no Simulado mais concorrido do ENEM de SP - que oferece uma bolsa na Universidade de Madri ao 1 colocado -   foi minha pupila.... Minha aluna durante  três anos; Carolina Mayumy Roncatto 18 anos. A menina fez 945 pontos de 1000 possíveis. Ao receber o premio  no auditório do curso de Direito do Largo São Francisco  da USP  a mesma resolveu discursar, segue o original abaixo:  

 “Senhoras e Senhores – Boa Noite-.  Sinto-me honrada e agradecida por estar aqui nesse momento. Agradeço ao Banco Santander pela Bolsa na Universidade de Madri, ao Curso da Poli e ao Anglo pelo patrocínio e ao Governo do Estado pela iniciativa de realizar um simulado desse porte, o maior do Brasil. Eu poderia ficar aqui horas agradecendo pessoas  importantes,  que de uma forma ou outra, colaboraram para que eu atingisse esse objetivo. A começar pelos meus pais, aos quais agradeço a dádiva de estar viva. Mas vou lembrar de alguém muito especial na minha vida.   Esse prêmio só foi possível porque tive um professor que se  tornou referencia na minha  vida, não por ser o protótipo do que seja o correto, mas, justamente,  por desconstruir toda essa visão antiquada de educação que hoje se prática no Brasil. Um cara culto e engraçado ao mesmo tempo, que   tem o século XX na cabeça ano a ano, mas insiste em dizer que isso de nada vale sem uma profunda reflexão critica sobre os fatos. Que dá  a melhor aula de Geopolítica do mundo ( só quem  assistiu sabe o que estou dizendo). Que, apesar de Doutor,  é o cara mais simples que já vi na vida. Que ensina história como poucos e na sociologia é imbatível.  É um admirador declarado de Schopenhauer e Nietzsche e,  na filosofia, chega a ser perfeito, pois consegue engendrar, mesmo aos mais ignorantes, a noção do que seja razão.     Um cara que saiu  lá dos  dos rincões do Mato Grosso para explorar a “selva de pedra”  que é São Paulo,  caso raro de persistência. Um cara incompreendido por muitos, algo comum aos que pensam. Que é dócil (metido as vezes rsrs..) mas, apesar da aparente  cara de poucos amigos,  com seus 1,90 de altura (coisa que mais exaltava nas aulas),   ele consegue chorar com seus alunos a alegria de uma simples conquista, como  foi minha conclusão do Ensino Médio,  onde ele ostentou o Grau de Paraninfo. ... Sim tive a honra...... Fui sua aluna.......fui sua aluna por três anos  e aprendi com esse índio matogrossesnse que o essencial é invisível aos olhos...so pode ser visto pelo coração.. Obrigada Alacir....onde estiver, por todos os puxões de orelhas, as duras, com carinho, e os eternos  Planos  de Estudo.   Obrigado por certa vez ter me dito; “ ninguém passa por mim  impunemente”.  Eu sou a prova  viva  que não. Fui punida...punida  pelo seu conhecimento. Eu  consegui Alacir, consegui ...Medicina....na universidade de Madri com 100%  de bolsa, e saiba que 50% dela devo a  você.  Vou estudar na Europa, como você sempre nos ensinou,  o berço do conhecimento Ocidental.. Serei médica cardiologista, como sempre disse a você. E digo mais, vou descobrir a cura para o seu coração... acredite...
São Paulo 28 de setembro 2013...Auditório XI de Agosto – USP-   21h30



POR QUÊ?
 17/12/2015
Bom, talvez alguem questione:" por que  publicar esse artigo de 2013?"......Na verdade essa mocinha acabou de entrar para o programa de pesquisa em doenças tropicais da University Of  Oxford em Londrres,   e esta de mudança da Espanha para a Inglaterra...So para se ter uma idéia, em  Oxford Isaac Newton, Locke  entre outros foram docentes, e hoje quem ostenta a cadeira de titular de fisica e nada menos que Stephen William Hawking,  físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da atualidade...Isso me basta!!  Por isso ainda acredito na educação...Parabens Carol...

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

somos espertos, espertalhões ou idiotas?

Desde muito jovem uma coisa sempre me chamou atenção em nosso país;  de onde vem nosso jeitinho, nosso modo de falar, nossa malandragem? Depois de mais uma temporada de escândalos políticos, inclusive com a prisão de um Senador em pleno exercício do mandato e líder do governo no Senado, a discussão em torno da origem do caráter nacional está de volta.  Em função disso, e  como sociólogo, fui buscar nessa ciência as explicações para que possamos entender esse fenômeno.
Afinal, quem somos nós, os brasileiros? À primeira vista, a resposta para essa pergunta é fácil: somos o produto da miscigenação entre os colonizadores portugueses, os índios que aqui viviam e os africanos trazidos como mão-de-obra escrava, além dos imigrantes que chegaram entre os séculos 19 e 20 (alemães, italianos, japoneses).  Até aí, tudo bem. Somos, enfim, um povo mestiço genética e culturalmente que, apesar da diversidade, compartilha certos traços em comum.
A questão, porém, fica um pouco mais complicada quando se trata de buscar a essência do que se convencionou chamar de caráter nacional, aqueles traços que explicam uma série de comportamentos que costumamos encarar com naturalidade, mas que, quase sempre, causam surpresa entre os estrangeiros.
“Não é só um estereótipo. As pessoas aqui se relacionam com mais afetividade. Os brasileiros conversam na rua, enquanto na Europa o silêncio predomina nas estações de ônibus e metrô”, diz o jornalista espanhol Juan Arias, que há 7 anos vive no Rio como correspondente do jornal El País. “Mas fiquei chocado com a burocracia kafkiana para tirar o visto de permanência após casar com uma brasileira. Foram mais de 600 dias de espera, 6 quilos de documentos e a insinuação de que tudo poderia sair rapidamente se pagasse 8 mil reais”,  afirmou Árias ao deparar com a nossa já famosa “Burocracia”.
Brooke Unger, correspondente da revista inglesa The Economist, em São Paulo, é mais um que se diz a um só tempo encantado e estarrecido com certos traços do povo brasileiro. “Quando cheguei ao Brasil pela primeira vez, vi garis em um desfile pelas praias do Rio, numa cena impensável para um americano”. Em compensação, ele diz não entender a espécie de amnésia coletiva diante de casos graves de violência e impunidade. “A maioria dos brasileiros sabe mais sobre o atentado terrorista do dia 7 de julho, em Londres, do que sobre a chacina na Baixada Fluminense que matou 29 pessoas no dia 31 de março”. Afinal somos o quê? Criativos ou enrolões, extrovertidos ou indiscretos, cordiais ou malandros, maleáveis ou corruptíveis?
Em 2011 houve  uma enxurrada de denúncias de corrupção no governo Dilma – com direito a queda de 7 ministros e  outros ainda   estão a perigo – a discussão sobre do nosso caráter volta à berlinda. De onde vem nosso jeitinho, nossa informalidade (aqui, até um ex-presidente da República era tratado pelo apelido), nossa naturalidade diante da miséria, nossos preconceitos, nossa capacidade de depositar fé em mais de uma religião?
O que mais impressiona quem não e brasileiro são os porquês?  Por que aceitamos ônibus lotado  que mais parecem gaiolas de bois? Por que aceitamos a maior carga tributaria do Planeta, quase 40% do PIB? Por que aceitamos Jose Sarney na politica desde 1954 comandando o Maranhão e o Amapá como um Caudilho? Por que aceitamos hospitais abarrotados de miseráveis morrendo a míngua  em cenas que lembram os sanatórios religiosos  da Idade Media? Por que aceitamos, apesar de emergente, ter  a  terceira pior educação do mundo,  em que  o governo finge que paga, o professor,  finge que ensina, o aluno finge que aprende e a sociedade finge que esta tudo bem? Por que a nossa policia mata mais inocentes que países em Guerra?  Por que somos omissos ao descaso com nossos idosos, prostituição infantil, violência contra a mulher e a criança ? Por que aceitamos um governo que comandou uma desfalque de quase 400 milhões dos cofres públicos (mensalão)?  Porque..porque??
Aqueles que gostam de entender o Brasil, se lembrarão que no século XX, livros como Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Júnior, tentaram responder a algumas dessas perguntas. Mas as interpretações clássicas sobre o que é o brasileiro seguem válidas hoje? “A base dessas interpretações ainda é essencial, mas é preciso lembrar que o chamado caráter de um povo é algo que muda a cada instante”, diz a antropóloga Lilia Schwarcz, da USP.
Se o Brasil e, por extensão, o brasileiro “não é para principiantes”, como disse Tom Jobim,  com ajuda de alguns dos principais especialistas em nossas origens, temos hoje um guia para entendermos mais por que somos assim , ou seja, a  genética do jeitinho  brasileiro cuja a melhor definição que ouvi ate hoje  é:    " A corrupção esta em nosso DNA."

domingo, 29 de novembro de 2015

Delcidio a bola da vez

DELCÍDIO  E SEU   TRISTE FIM:    UMA ÓPERA TRAGICA

Por Alacir Arruda


Quando questionado em 1971 por um repórter do New York Time sobre o Brasil, o grande maestro Tom Jobim soltou essa pérola: “o Brasil não é para principiantes”. 

Ainda bem que Tom não viveu para ver os últimos atos dos nossos homens públicos, sendo o último, a prisão em flagrante de um senador, líder do governo, em pleno exercício do mandato (fato único na história recente do Brasil). A prisão de Delcidio não apenas trás a baila a forma nefasta como o PT se apropriou, no sentido literal, do país, mas acima de tudo nos demonstra o “cinismo” da alta cúpula desse partido ao abandonar o “colega” preso, chegando ao ponto do Presidente do Partido soltar uma nota a imprensa dizendo que irão se abster do fato. 

O mais interessante nesse “samba do crioulo doido”  que virou a politica nacional foi a reação do Congresso, sobretudo do Senado. Após um geral desespero inicial, aqueles que devem, como Delcidio, ficaram com as “barbas de molho” , sobretudo se ele abrir a boca. Enfim, estamos em via de assistir um “escarnio”. 

A pergunta que não quer calar: “e o Lula nisso tudo?”. Será que mais uma vez ele vai dizer que nada sabia? Acredito que essa desculpa não cola mais. O Juiz Sergio Moro vem dando uma demonstração a nação de que é possível vislumbrarmos, mesmo que num futuro distante, uma certa moralidade nesse país. Diante disso, chegar ao Sr. Lula, na minha modesta opinião, é apenas uma questão de tempo. A forma, ou a sua culpabilidade, se houver, cabe a justiça definir. Eu só estranho ver um grupo e marinheiros subalternos na cadeia e o comandante desse navio solto. 

Quanto a Delcidio, seu futuro esta traçado, ficara na cadeia tempo suficiente para refletir sobre as besteiras que fez enquanto homem público entrará em depressão quando descobrir que o PT o abandonou e como na opera de Puccini “Madame Butterfly” , ao desaparecer da vida publica seu sumiço deixara um sentimento de culpabilidade aos vivos. Mas seu fim será trágico

domingo, 22 de novembro de 2015

e viva a idiotice

ELOGIO AOS IDIOTAS

Por Alacir Arruda 

Na vida acelerada de hoje,  todos desejam ser espertos, vivos e astuciosos.

Ninguém quer ficar para trás – quando você está indo, os outros já estão voltando. Ninguém mais diz frases com segundas intenções: dizem coisas com terceiras, quartas e quintas intenções. Frases que, com sorte, um leigo no assunto precisa de várias horas para decifrar e talvez dois ou três dias para imaginar uma resposta à altura.

Em compensação, alguém que diz diretamente aquilo que pensa acaba provocando escândalo e mal-estar. É imediatamente catalogado como perigoso e tratado como idiota. A sinceridade parece contrariar as normas da convivência e da boa educação modernas. Assim, as pessoas bem educadas são amáveis, mas nem sempre se deve acreditar no que dizem.

A idiotice é um tema vasto, com muitos aspectos diferentes, e está inscrita com destaque na cultura brasileira. Um exemplo disso são as tradicionais piadas de português. Elas são uma projeção da brasilidade. No fundo, os portugueses idiotas das piadas somos nós. Os episódios que envolvem Manuel, Joaquim e Maria são todos parte da alma do nosso país – tanto é assim que só são conhecidos no Brasil. Em Portugal, ao contrário, circulam piadas de brasileiros.

É certo que, quando examinamos a questão da inteligência e da idiotice, surgem algumas perguntas indiscretas. O que é inteligência? O que é burrice? Quantos tipos há de idiotas?

Podemos dizer que inteligência é a capacidade de perceber o real. Como há realidades muito diferentes no mundo, não existe um tipo único de inteligência. Cada situação da vida requer um tipo específico de percepção, e por isso as inteligências são múltiplas. A idiotice e a burrice podem ser definidas como a incapacidade de perceber o real, e são tão variadas quanto as inteligências. Há, portanto, muitos tipos de idiotas. Alguns deles, inclusive, são espertalhões. Sim, há muitos idiotas que passam por inteligentes, e também grande número de pessoas inteligentes que passam por idiotas.

Além disso, quem é inteligente em uma área da vida pode ser burro em outras. Você é esperto em política e burro na hora de jogar futebol. Sua namorada pode ser menos intelectual que você, na hora de discutir filosofia, mas há aspectos da vida em que ela coloca você no chinelo. Há coisas que seus filhos fazem bem melhor que você, como, talvez, compreender as sutilezas de um videogame ou computador. Felizmente, ter sabedoria não é saber tudo. Ter sabedoria é saber o mais importante – e administrar bem os seus talentos.

Dos inúmeros tipos de idiotas, um dos mais interessantes foi examinado por François Rabelais, o escritor francês do século 16. Ele abordou a imbecilidade doutoral específica dos “eruditos” que usam palavras complicadas para não dizer coisa alguma. Um deles – conta Rabelais – fez certo dia uma longa pesquisa para saber “se uma entidade imaginária, zumbindo no vácuo, é capaz de devorar segundas intenções.” Outro queria saber “se uma ideia platônica, dirigindo-se para a direita sob o orifício do Caos, poderia afastar os átomos de Demócrito”. Um terceiro investigava “se a frigidez hibernal dos antípodas, passando numa linha ortogonal através da homogênea solidez do centro, podia, por uma delicada antiperístase, aquecer a convexidade dos nossos calcanhares”. Rabelais qualifica tais idiotas eruditos como professores cegos de discípulos cegos, “que tateiam em um quarto escuro à procura de um gato preto que não está lá”. Tais indivíduos eram precursores de Rolando Lero, o grande erudito que iluminou a televisão brasileira nos anos 1990. Não é de todo impossível encontrar esse tipo de pesquisador fazendo teses de pós-doutorado em certas universidades.

Conheço seres humanos que têm tanto medo de parecer burros que aplaudem – ou pelo menos fingem que compreendem – esse tipo de raciocínio longo, difícil, sem significado algum. Mas tal constrangimento é desnecessário: deixando de lado o medo de parecer idiotas, perderemos menos tempo fingindo e seremos mais felizes.

O exemplo de Albert Einstein, um dos maiores gênios da ciência moderna, é ilustrativo. No início da vida, ele recusou-se a falar até os três anos de idade. Seus pais – pessoas sensatas – pensavam que fosse retardado mental. Mais tarde, quando Einstein ingressou na escola, ele foi novamente considerado imbecil. Seu biógrafo é obrigado a admitir:

“Para os colegas de classe, Albert era uma anomalia que não demonstrava interesse nenhum pelos esportes. Para os professores, era um idiota que não conseguia decorar nada e se comportava de modo estranho. Em vez de responder imediatamente a uma pergunta, como os outros alunos, sempre hesitava. E quando respondia, movia os lábios em silêncio, repetindo as palavras.” 

Décadas mais tarde, Einstein deu o troco. Ele qualificou o nosso moderno sistema educacional como uma estrutura que reprime a inteligência e busca fabricar idiotas obedientes:

“A humilhação e a opressão mental imposta por professores ignorantes e pretensiosos causam danos terríveis na mente jovem; danos que não podem ser reparados e que geralmente exercem influências maléficas na vida futura.”

E ainda:

“A maioria dos professores perde tempo fazendo perguntas para descobrir o que o aluno não sabe, quando a verdadeira arte consiste em descobrir o que o aluno sabe ou é capaz de saber.” 

O sábio, o santo e o idiota têm muito em comum, não só entre si, mas também com as árvores e os animais. Todos eles vivem em um estado de comunhão com todas as coisas que é independente do pensamento lógico. Isso contraria a inteligência situada no hemisfério cerebral esquerdo, que rotula e classifica todas as coisas. Essa inteligência gosta de colocar-se como se tivesse o monopólio da consciência. Esse, aliás, é um dos grandes obstáculos para a prática da meditação: a mente pensante não aceita passar o poder à mente que contempla e que compreende a verdade sem necessidade de pensamentos.

A primeira frase dos famosos “Ioga Sutras de Patañjali”, o tratado milenar sobre Raja Ioga, afirma: “Ioga é a cessação das modificações da mente”. Para alcançar a hiper-consciência, o estado mental do êxtase divino, é necessário paralisar momentaneamente a mente inferior. O sábio é um ser que renunciou à inteligência convencional e optou por uma percepção que a mente comum não consegue captar. Por isso, mesmo no século 21, se aquele que ingressa no caminho espiritual não tiver certos cuidados, pode ser considerado louco ou idiota pelos parentes e amigos. Mas, do ponto de vista do sábio, a situação se inverte e idiota é aquele que fica preso à lógica do mundo externo.

O ser humano geralmente vive imerso em ilusões que ele mesmo criou. Para obter a sabedoria, ele deve aprender algumas coisas e desaprender outras. Helena Blavatsky escreveu:

“A primeira condição necessária para obter autoconhecimento é tornar-se profundamente consciente da ignorância; sentir com cada fibra do coração que somos incessantemente iludidos. O segundo requisito é uma convicção ainda mais profunda de que tal conhecimento – um conhecimento intuitivo e seguro – pode ser obtido por esforço próprio. A terceira condição, a mais importante, é uma determinação indômita de obter e enfrentar aquele conhecimento.” 

Quase todo o potencial da mente humana ainda está por ser desenvolvido. A ciência reconhece que usamos uma parcela muito pequena do cérebro. O problema não é, pois, que sejamos um tanto limitados mentalmente. O lamentável é que, sendo limitados, nos consideramos extremamente espertos. O filósofo Sócrates, escolhido como o homem mais sábio da Grécia, explicou:

“Eu e os homens notáveis de Atenas nada sabemos, e a única diferença entre eu e eles é que eu, nada sabendo, sei que nada sei, enquanto que eles, nada sabendo, pensam que sabem muito”.


Por ai...vai..... 

domingo, 15 de novembro de 2015

atentado em Paris

O LIMITE PARA AS ATROCIDADES HUMANAS É A NOSSA  IMAGINAÇÃO

Por Alacir Arruda



O mundo amanheceu coberto por uma nuvem de dúvidas e chocado neste sábado 14 novembro de 2008. Mais de 120 pessoas foram mortas e outras 300 se feriram em vários pontos de Paris vítimas da intolerância. A pergunta que não quer calar: Até quando!? Ate quando suportaremos inocentes sendo aniquilados por extremistas que buscam reconhecimento através do terror? E o G7, o grupo dos países mais ricos do mundo, o que tem a dizer sobre isso? Será que não eles os grandes culpados por toda essa barbárie? Ou seria Alah? Talvez Tiririca, (grifo nosso). 

Bom, perguntas e satirizações à parte, esse atentado em Paris apenas reforça a idéia de que vivemos em um mundo onde impera o transitório e o ambivalente. Transitório em função da extemporaneidade dos fatos, nada mais é óbvio os interesses, os princípios e até Deus vaga pela transitoriedade. Tentar responder qualquer das perguntas acima e mergulhar nesse mundo transitório. E ambivalente porque o conceito de ambivalência leva indistintamente, a existência simultânea, e com a mesma intensidade, de dois sentimentos ou duas ideias com relação a uma mesma coisa e que se opõem mutuamente. 

Tentar explicar quais são os reais interesses do Estado Islâmico é mergulhar em um oceano de incertezas, cogitações e dúvidas. Esse grupo se perdeu em suas propostas iniciais há tempos, hoje mais parece um partido radical tentando um golpe de estado tanto na Síria quanto no Iraque sob a égide da Sharia. O EI Utiliza do terror como arma em um mundo onde impera o medo. Países como Inglaterra, França, Alemanha e o Estados Unidos , sobretudo os dois últimos, apenas esperam o dia e horário do próximo ataque, pois uma certeza e corrente entre eles, o EI vai nos atacar! A pergunta é: Porque não reagem? Querem saber a resposta? Por que não há como reagir, simplesmente por isso. As armas usadas pelo Estado Islâmico, que se baseia na alienação religiosa, é a mesma utilizada (guardadas as devidas proporções) por essas superpotências há mais de 100 anos, a alienação capitalista voltada para consumo e o ter a qualquer custo. Esse mecanismo funcionou de tal forma que tente tirar uma coca cola de uma criança.....A reciproca é verdadeira e funciona da mesma forma do lado oponente: tente tirar um fuzil AK 47 das mãos de um extremista do EI! No fundo ambos são alienados, que os diferenciam são os interesses. 

Quem me acompanha sabe que gosto muito da filosofa alemã Hannan Arendt. Segundo ela: "À violência é sempre dado destruir o poder; do cano de uma arma desponta o domínio mais eficaz, que resulta na mais perfeita e imediata obediência. O que jamais poderá florescer da violência é o poder." (Hannah Arendt) 

O homem violento, aquele que acredita em sua força, este não tem poder. O poder só pode ser encontrado onde não há violência. Uma coisa é obediência e medo outra é o real sentido daquilo que transforma sem agredir. Esta é uma das razões pelas quais a democracia apresenta-se como algo frágil pois, está implícito em sua natureza este caráter de incompletude na medida em que dá ao outro a compreensão de que não há uma imposição antecipada. Ao contrário, o que existe é o direito da autoprodução dentro do percurso. 

Os riscos e as múltiplas possibilidades de escolhas fazem parte deste contexto de tolerância e respeito. Embora haja o risco, este sinaliza para a ausência de passividade e também para o recuo que as atitudes absolutas podem despertar com a falsa sedução de uma ordem preexistente. 

Faz parte do exercício da maturidade entender que a tolerância pode ser um caminho para uma convivência mais pacífica e que tal atitude não significa passividade. Portanto, nem sempre é necessário que o mais forte seguido, pois múltiplos são os caminhos... . 

Realmente é uma questão a refetir......Será que o Estado Islâmico atingirá seus objetivos pela violência? ou estão dando um tiro nos próprios pés? Passo a palavra a vocês.... 








quinta-feira, 5 de novembro de 2015

MEDIOCRIDADE

O Brasil  não passaria na prova do ENEM
Por Alacir Arruda
Estou horrorizado com a capacidade de superação dos conservadores reacionários e imbecis desse país. Se não bastasse terem eleitos bandidos para nos governarem, agora querem discutir Ideologia de Gênero  a partir de Simone de Beauvoir. A incapacidade de concatenar idéias desse povo supera qualquer governo Bush. Senão vejamos! Por uma questão do ENEM 2015 – por sinal muito bem elaborada- de humanidades,  onde o elaborador  cita um pequeno fragmento da obra “O Segundo Sexo” da filosofa francesa Simone Beauvoir resolveram execrar essa filósofa.  Aliás, filósofa da mais alta magnitude,  essa cidadã só  era esposa de Jean Paul  Sartre um ícone da filosofia existencial.
Agora imaginem  um aluno vendo na sua frente um parágrafo de texto escrito por uma figura histórica conhecida, uma dessas pessoas que viveu um momento histórico particular, que pensou sobre o mundo e agiu para transformá-lo. Será que consegue ler e interpretar o tal parágrafo? E se puder escolher uma resposta pronta entre 5 possíveis (sendo que algumas delas claramente não tem relação nenhuma com o texto)? Ajuda? Escolha a alternativa certa e eu vou saber se você conseguiu entender o que o texto estava dizendo. Isso é o resumo da mecânica de uma prova como o ENEM, que pretende avaliar as habilidades dos alunos com 180 questões e uma redação.
A polêmica a respeito de parágrafos de texto assinados por Simone de Beauvoir e Milton Santos, usados como enunciados de questões do ENEM, são uma má interpretação dessa mecânica. O objetivo da prova é avaliar, entre outras habilidades, a capacidade de interpretar textos, e isso não tem nenhuma relação com a opinião dos alunos. Se os tais enunciados são polêmicos ou se vão na contramão das convicções daquele que está fazendo a prova, tanto melhor. Se eu não conheço os autores citados, se não concordo com eles, mas ainda assim consigo ler e compreender o que eles estão querendo dizer, isso significa que eu consigo interpretar um texto, qualquer texto.
Mesmo a redação, não tem como objetivo abrir um espaço para conhecer a opinião dos alunos sobre esse ou aquele tema. A redação é também um teste para saber se o estudante consegue estruturar argumentos em sequência, com começo, meio e fim, sem apelar para afirmações sem fundamento. Aliás, os enunciados das questões, assinados por pensadores, poderiam servir como argumentos e contra-argumentos para a redação, já que o tema – a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira – pode ser abordado por diferentes ângulos. Isso mostra apenas como a prova é bem elaborada.
Se tudo o que conseguimos extrair do ENEM 2015 é a polêmica, a doutrinação ideológica, o feminismo etc., nossa capacidade de interpretar textos está bem prejudicada. A sociedade brasileira não passaria nessa prova de conhecimento gerais e habilidades básicas, e isso significa que não temos formação para navegar pela complexidade da vida contemporânea. Vamos ter que começar de novo. Aos livros, cidadãos!