quinta-feira, 17 de novembro de 2016

prisao de Cabral

 A PRISÃO DE SERGIO CABRAL: A CRONOLOGIA DE UMA QUADRILHA

Por Alacir Arruda / mnlmrj.blogspot

A prisão de Sergio Cabral nessa manha  representa, talvez,  um inicio para o  entendimento do porquê o Rio de Janeiro esta falido. Cabral governou esse Estado de 2007 a 20013 e aumentou seu patrimônio em mais de 1000 vezes, essa é a conclusão que alguns promotores chegaram. Ele e acusado de ter comprado uma Ilha em Angra do Reis para passar seus finais de semana, ou seja, expropriou a coisa publica. Cabral é ainda  acusado de corrupção ativa, passiva, improbidade administrativa e lavagem de dinheiro publico crimes que já seriam responsáveis por mantê-lo ao menos, 20 anos atras das grades. Enquanto Cabral passava finais de semana em Angra os funcionarios públicos do Rio de Janeiro passam fome sem salários e o Estado corre o risco de uma intervenção federal, enfim o caos.

Mas vamos começar pelos personagens que cercam Sérgio Cabral, os “generais” que comandaram a pilhagem dos recursos públicos, que  saquearam  a população do Rio de Janeiro, através de farsas, negociatas, maracutaias e tramas nos bastidores. É a turma dos negócios promíscuos de Cabral. Vocês vão ver que por muito menos Collor e José Roberto Arruda (Distrito Federal) sofreram o impeachment. Preparem-se!

-Os negócios em família

Adriana Ancelmo Cabral – a esposa de Cabral

O escritório de advogacia, do qual é sócia majoritária, tinha a época  como clientes, empresas concessionárias de serviços públicos estaduais e outras que mantinham contratos de prestação de serviços com o Estado. O Metrô e a Supervia, apesar dos caóticos serviços prestados, conseguiram por intermédio de Adriana, que o marido, Cabral, renovasse por mais 30 anos os contratos de concessão. A esposa de Cabral também advoga para o Grupo Facility, do “Rei Arthur”, que tem contratos de mais de R$ 1,5 bilhão com o governo  do Rio . A mulher de Cabral representa ainda hoje  os interesses jurídicos de várias empresas que têm contratos milionários com o Estado e dependem de decisões do governador.

Mauricinho Cabral, o irmão de Cabral que se move nas sombras
Mauricinho Cabral, o irmão de Cabral que se move nas sombras

Mauricinho Cabral – o irmão de Cabral

Esse é um personagem que se move nas sombras, mas toda a mídia conhece muito bem, e protege por interesse próprio. É publicitário e não tinha nenhum cargo no governo Cabral , mas é ele quem controlava a milionária verba de publicidade e se reunia com o pessoal dos grandes veículos de comunicação. Usa a agência FSB para distribuir as verbas e comprar a blindagem do irmão Cabral.

O vice que virou  Governador ( se lascou) e virou sua alma gêmea nos negócios


O vice-governador e secretário de Obras, Pezão, hoje chamado de Mão Grande
O ex- vice-governador e secretário de Obras de Cabral Pezão,  na epoca  chamado de Mão Grande

Luiz Fernando Pezão –  ex-  vice-governador

É o homem que cuidava das Obras do Estado e negociava os contratos milionários e está sujo dos pés grandes até a cabeça, passava  pelas mãos ainda maiores, que lhe rendeream o apelido de “Mão Grande”. Usou seu subsecretário, Hudson Braga para fazer a ponte com as empreiteiras, menos a Delta, que é linha direta Cabral – Fernando Cavendish. Na época era investigado  no TCU por conta do contrato da DELTA, das obras do Arco Rodoviário. Um escândalo de superfaturamento. Foi o responsável pela reforma do Maracanã e responde na justica  por que mandou pagar R$ 8 milhões à DELTA antecipadamente, antes mesmo de realizar algumas intervenções previstas no contrato. Está metido numa negociata da desapropriação de um imóvel em Barra do Piraí, que pertencia à família de sua mulher, foi super avaliado e em seguida desapropriado por um valor muito acima do mercado.

-Os amigos e braços-direitos nos negócios


Com Cabral desde a ALERJ, Régis Fichtner é quem faz a ponte com a Justiça e o MP, além de muitos negócios
Com Cabral desde a ALERJ, Régis Fichtner era quem fazia a ponte com a Justiça e o MP, além de muitos negócios

Régis Fichtner – o ex-secretário da Casa Civil

É um dos braços-direitos de Cabral desde que ele era deputado na ALERJ. Responsável  na epoca pelas negociatas de imóveis desapropriados do banqueiro Daniel Dantas, denunciadas pela revista Carta Capital. O banqueiro ganhou milhões graças à generosidade da caneta de Cabral negociada com Régis Fichtner. Acertou e foi o autor da chamada Lei Luciano Huck, que legalizou centenas de imóveis de luxo construídos em área de preservação de Angra dos Reis, beneficiando o apresentador e muita gente graúda. É o interlocutor com a Justiça e o Ministério Público.

Wilson Carlos com dinheiro escondido em paraíso fiscal na China
Wilson Carlos com dinheiro escondido em paraíso fiscal na China

Wilson Carlos – o ex- secretário de Governo

Amigo de Cabral desde os tempos de estudante é o homem que cuidava dos negócios com os políticos. É o outro braço-direito. Cuidava ainda do toma lá dá cá de Cabral. Foi flagrado em uma investigação da Polícia Federal como possuidor de contas em paraísos fiscais na China, não declaradas. Segundo investigação do MPF teria recebido R$ 834 mil de uma empreiteira que fez obras do Metrô.

-Os secretários bons de negócios


O milionário Sérgio Côrtes e a mulher Verônica, no nome de quem colocou sua mansão
O milionário Sérgio Côrtes e a mulher Verônica, no nome de quem colocou sua mansão

Sérgio Côrtes – o secretário de Saúde

Esse foi o campeão de negócios sujos no governo Cabral. Grupo Facility, TOESA e as ambulâncias, TCI, Barrier e os remédios. Mansão, cobertura, joalheria. Luxos milionários que não têm como ser explicados.

Beltrame, escutas clandestinas fazem com que tenha muita gente graúda na mão
Beltrame, escutas clandestinas fazem com que tenha muita gente graúda na mão

José Mariano Beltrame – o secretário de Segurança

Era  o responsável pelo contrato de aluguel dos carros da PM, a negociata com a Julio Simões cujo valor pago por viatura dá para comprar duas novas por ano. Acusado por seu ex-subsecretário de fazer escutas ilegais. Numa afronta à Constituição ganha mais que ministro do STF acumulando indevidamente salário da Polícia Federal. É o responsável pela política de acordos com as milícias. Tinha como assessores de confiança um falso tenente-coronel do Exército e o miliciano Chico Bala. Abafou as investigações da corrupção na Polícia Civil descobertas pela Operação Guilhotina e com medo da ameaça de revelações do delegado Allan Turnowski, de acusador virou sua testemunha de defesa. Turnowski sabe as relações de Beltrame com as milícias, que estão por trás da farsa das UPPs.

Wilson Risolia, o homem que está à frente dos negócios que vão destruindo a educação no Estado do Rio de Janeiro
Wilson Risolia, o homem que estava à frente dos negócios que vão destruindo a educação no Estado do Rio de Janeiro

Wilson Risolia – o secretário de Educação

O economista do mercado imobiliário que desde o início do governo Cabral tocava os negócios milionários de aluguel de aparelhos de ar condicionado e outros equipamentos; além das compras superfaturadas de computadores e outros.

Julio Lopes com Cabral numa viagem à Europa
Julio Lopes com Cabral numa viagem à Europa

Julio Lopes – o secretário de Transportes

O homem que negociava com as empresas de ônibus, além do Metrô, das Barcas e da Supervia. Está por trás de toda a proteção às empresas e manda os passageiros terem paciência.

Os empresários parceiros de negócios
O "Rei Arthur", o empresário Arthur Cesar é um homem discreto que foge dos holofotes, reside em Miami e não tira fotos
O "Rei Arthur", o empresário Arthur Cesar é um homem discreto que foge dos holofotes, reside em Miami e não tira fotos

Arthur Cezar de Menezes Soares Filho, o “Rei Arthur” – Grupo Facility

O poderoso “Rei Arthur” vive escondido em Miami, numa mansão milionária – dizem que tem medo de ser preso no Brasil - e chegou a abrir uma filial do Porcão na cidade americana, para satisfazer seu gosto por churrasco. Teve no governo Cabral contratos de prestação de serviços que ultrapassam R$ 1,5 bilhão, muitos sem licitação. Tem funcionários terceirizados em praticamente todas as áreas do governo Cabral, além do Ministério Público e da Polícia Federal. Cabral viaja no seu jatinho e já se hospedou mais de uma vez na sua mansão de Miami.

O amigo dono da Delta: R$ 1 bilhão em contratos com Cabral, mais quase R$ 400 milhões com Eduardo Paes
O amigo dono da Delta: R$ 1 bilhão em contratos com Cabral, mais quase R$ 400 milhões com Eduardo Paes

Fernando Cavendish – Empreiteira Delta

Esse é o segundo mais poderoso empresário do grupo de Cabral pelo valor dos contratos, R$ 1 bilhão, grande parte sem licitação. Mas é o primeiro no coração de Cabral que intermediou a entrada da Delta em mais contratos milionários da prefeitura do Rio, além de outras. Está em maus lençóis na Lava  depois de tudo o que está vindo à tona, por conta do acidente de helicóptero da Bahia. Segundo a revista Veja, bate no peito pra dizer que pode comprar políticos. De pequeno empreiteiro virou o campeão de obras no Rio, sob a benção do amigo Cabral, também seu vizinho do condomínio PortoBello, como o secretário de Sérgio Côrtes.

-Os aliados políticos e sócios nos negócios

Cabral confraterniza com os irmãos Natalino e Jerominho, em festa da milícia Liga da Justiça, que eles comandam na Zona Oeste
Cabral confraternizando  com os irmãos Natalino e Jerominho, em festa da milícia Liga da Justiça, que eles comandam na Zona Oeste

Natalino e Jerominho – Os irmãos milicianos ex-políticos cassados

Um ex-deputado, o outro ex-vereador. Chefes da milícia Liga da Justiça fizeram acordo político com Cabral, que andava com eles pra cima e pra baixo e até cantou com eles num palanque na Zona Oeste. Depois foram traídos por Cabral que não confiava neles, e que usou a milícia rival de Chico Bala, por sugestão de Beltrame para destroná-los

Cabral e Paes unidos em tudo, até nos negócios com o Grupo Facility e a empreiteira Delta
Cabral e Paes unidos em tudo, até nos negócios com o Grupo Facility e a empreiteira Delta

Eduardo Paes – O atual  prefeito do Rio

Afilhado político de Sérgio Cabral. Retribuiu o apoio do padrinho fraqueando os contratos da prefeitura aos amigos de Cabral, “Rei Arthur” (Facility) e Fernando Cavendish (Delta). Os dois multiplicaram por muitas vezes seus negócios com a prefeitura de Paes.

Jorge Picciani, o fiel defensor de Cabral na ALERJ e parceiro de muitos negócios
Deputado Jorge Picciani, o fiel defensor de Cabral na ALERJ e parceiro de muitos negócios

Jorge Picciani – O presidente do PMDB e ex-presidente da ALERJ
O homem que deu sustentação política a Cabral na ALERJ, durante os quatro anos que a presidiu. Barrou qualquer tentativa de investigação. Nos bastidores tentou de todas as formas, destruir adversários de Cabral, que podiam atrapalhar os negócios. Participa ativamente do governo Cabral. A secretaria de Educação é dele, e está por trás dos contratos da compra de computadores superfaturados e de aluguel de ar de condicionado. A empresa INVESTIPLAN, que pertence a Paulo Trindade, sócio de Picciani em negócios de gado, detém mais de 90% dos contratos de informática do governo Cabral. A INVESTIPLAN também está envolvida no Mensalão do Arruda, no Distrito Federal

Paulo Melo, recordista de aumento de patrimônio e milionário da Região dos Lagos
Paulo Melo, recordista de aumento de patrimônio e milionário da Região dos Lagos

Paulo Melo – O presidente da ALERJ

O presidente da ALERJ foi durante um tempo o lider de Cabral e quem comandava a tropa de choque que protegia o governador. De vendedor de cocadas virou um dos maiores milionários da Região dos Lagos, onde os contratos do governo Cabral passam pela sua negociação. É o campeão da multiplicação do patrimônio pessoal entre os presidentes de assembleias legislativas do país, segundo revelou recente reportagem. Dono de inúmeros imóveis adquiriu recentemente uma fazenda milionária em Rio Bonito e é dono de hotel, em Araruama. Segundo ele ficou rico ganhando comissões como corretor de imóveis na Região dos Lagos.

Olha, e isso é apenas um breve resumo das participações de cada personagem. Esse é o time de Cabral que comandou o mar de lama que se meteu o Estado do Rio de Janeiro . Convenhamos que só pelo que consta aqui, e pelas pessoas envolvidas, da família e os principais cargos-chave do governo Cabral, o escândalo do impeachment de Collor e do Mensalão do Arruda, no Distrito Federal não chegam nem perto. Ou como definiu há algum tempo o jornalista Cláudio Humberto, os dois primeiros casos parecem “Sessão da Tarde” perto do que acontece nas entranhas do  ex governador Cabral.

Com toda a sinceridade, depois de tudo e  que já veio à tona nessa manha com a prisão de Cabral, quem não se indignar com servidores nas ruas com fome, Pezao sobretaxando salários em 30%, pagando salários escalonados, como  não se levantar contra o governo mais corrupto da história do Rio de Janeiro e  um  governador que assaltou os cofres públicos. Como?

Contato: agaextensao@gamail.com

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

ameça russa

A AMEAÇA RUSSA E AS INCERTEZAS DE UM MUNDO POLARIZADO.


Por Alacir Arruda

O mundo vive um momento de tensão jamais visto desde fim da Guerra Fria em 1989. Com a vitoria de Trump e a possibilidade de uma aproximação com a Russia, uma vez que ele comunga de algumas ideias de Putim, os demais países. sobretudo China Alemanha e França já estão colocando as suas barbas de molho. O Presidente francês François Holland foi frio nos comprimentos a vitória de Trump dizendo que a segurança do mundo esta em risco o mesmo disse o porta voz a União Europeia  ao direcionar os comprimentos a vitoria de Trump. Talvez o unico feliz era Vladimir Putim, segundo investigações do CIA a Russia interveio de forma decisiva nas eleições americanas através de Hackers que interceptaram as estrategias de Hilary além de divulgarem o conteúdo de seus e-mails. Enfim, o mundo esta assustado, não ha hoje um consenso sobre o futuro das relações internacionais pós posse de Trump.
As ameaças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), desde setembro, contra a Rússia, fizeram a tensão internacional voltar aos níveis de mais de três décadas atrás e beiram um conflito aberto. Ela pode ser simbolizada no destino de Kaliningrado, capital da região mais ocidental da Rússia, às margens do Báltico, fronteiriça à Lituânia e Polônia, e a pouca distância da Suécia. Ela é a antiga Königsberg onde – faz mais de duzentos anos – o filósofo Immanuel Kant escreveu o livro A Paz Perpétua (1795), cuja atualidade é crescente, exortando aos homens e aos chefes de Estado (“que nunca chegam a saciar-se da guerra”) a se entregarem, como os filósofos, “a esse doce sonho”.
O apelo nunca foi ouvido e, hoje, as ações agressivas dos Estados Unidos e da Otan são reavivadas e colocam aquela cidade no centro da tormenta desde que, para defender-se dessas ameaças, os russos deslocaram para Kaliningrado mísseis Isklander, com ogivas nucleares. Mas o epicentro do terremoto não está ali mas na Síria. O plano norte-americano e da Otan de repetir o que ocorreu no Iraque e Líbia, que foram destroçados como nações soberanas e organizadas, está na base da guerra civil síria. Ela já dura cinco anos, gerou milhões de refugiados, centenas de milhares de mortos, e propiciou o reforço de grupos terroristas que, apoiados em interpretações extremistas e guerreiras do Islã, promovem ações mundo a fora – e o principal deles é o autodenominado Estado Islâmico.
A guerra civil cresceu com a obsessão dos Estados Unidos e dos países imperialistas europeus em derrubar o presidente Bashar al Assad, da Síria. Os russos, por sua vez, insistem na não interferência de potências ocidentais nos assuntos sírios, e apoiam Assad. A tensão cresceu desde que, atendendo aos apelos de Assad, os russos apoiam militarmente ao governo sírio, contrariando os interesses imperialistas, sobretudo dos Estados Unidos e da França.
Recentemente uma reunião entre representantes norte-americanos e russos, da qual participaram outros protagonistas do conflito (Turquia, Catar e Arábia Saudita, que são contrários a Assad, e Iraque, Egito e Irã, aliados do governo sírio), ocorreu em Lausanne (Suíça) e terminou sem avanços rumo à paz. Concordaram apenas em “prolongar os contatos”, como disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.
O nó das complicações que opõe Estados Unidos e Rússia é extenso. Os norte-americanos acusam, sem provas, o governo russo de apoiar ciberataques contra cidadãos e instituições do país. Os russos, por sua vez, acusam os Estados Unidos de intervenção na Ucrânia e de instalar forças da Otan próximas à fronteira russa, e encaram tais movimentos como uma ameaça grave.
É “um jogo muito perigoso”, disse Lavrov. Ele se referiu a uma “mudança fundamental de circunstâncias no que diz respeito à agressiva russofobia que agora reside no centro da política dos Estados Unidos” acompanhada de “medidas agressivas que realmente prejudicam os nossos interesses nacionais e representam uma ameaça à segurança russa”. 
Esta ameaça ficou ainda maior após a vitoria de Donald Trump um extremista declarado que ja teceu elogios a Vladimir Putim  e disse que destruirá o Estado Islâmico a qualquer custo. Declarações como essa de Trump e os sinais que se multiplicaram desde o final de setembro, criando uma situação de grave ameaça guerreira na qual urge a mobilização pelo “doce sonho” da paz, e que trás incertezas ao mundo ocidental. Essa paz  só poderá ser “perpétua” quando os interesses imperialistas que provocam as guerras forem derrotados e não poderem mais intervir nos assuntos internos das nações soberanas.
Contato: agaextensao@gmail.com

sábado, 12 de novembro de 2016

Nietzsche e a educação

NIETZSCHE E A EDUCAÇÃO: O REFORÇO DA  MORAL DE REBANHO...

Por Alacir Arruda

Como não consigo ficar muito tempo sem falar de Nietzsche, recorro mais uma vez a esse gênio do seculo XIV para tentar entender o nosso modelo educacional que, há 130 anos, já era objeto de crítica em seus inscritos. Rebelde e provocador, Nietzsche se propôs a desmascarar as fundações da cultura ocidental, mostrando que há interesses e motivações ocultas, e não valores absolutos, em conceitos como verdade, bem e mal. Com isso, Nietzsche aplicou um golpe nos sistemas filosóficos, morais e religiosos. Sua frase mais conhecida ("Deus está morto") não trata apenas de ateísmo, mas da necessidade de romper a "moral de rebanho" - as verdades tidas como inquestionáveis e o que é aceito por imposição - para viver as potencialidades humanas em sua plenitude. 


Nietzsche foi professor universitário e escreveu textos específicos sobre Educação. "A máxima ‘tornar-se aquilo que se é’ orienta seu pensamento nessa área", diz Rosa Maria Dias, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. "Com essa frase, ele indica a tarefa do educador de levar seus alunos a pensar por si mesmos." 

O filósofo criticava o sistema escolar por ser um reforço da moral de rebanho: ao uniformizar o conhecimento e os próprios alunos, a instituição se curva às exigências externas do mercado e do Estado. Na Educação de seu país, ele via o avanço do ensino técnico sobre todos os níveis escolares com a finalidade de preparar profissionais e servidores competentes. Em lugar da massificação e do utilitarismo, Nietzsche propunha o aprimoramento individual e uma "Educação para a cultura". Entenda-se por cultura a criação de "personalidades harmoniosamente desenvolvidas", segundo Rosa Dias. 

A habilidade de transformar

Se Nietzsche combatia a vulgarização dos conteúdos escolares, também criticava o saber voltado para a erudição. Para ele, havia em sua época um excesso de cultura histórica, que gerava uma reverência paralisante ao passado. Com isso, sufocava-se a força do agora e impedia-se o surgimento do novo. Mais ainda: a tendência histórico-cientificista impossibilitava a presença efetiva da Arte e da Filosofia no ensino, por se tratarem de campos de conhecimento instáveis e desafiadores, que estimulam a crítica. 

Sem ser contra o ensino de História nem subestimar o sentido histórico dos fatos, o filósofo via no sistema engessado um entrave para a percepção da "força plástica" do ser humano - isto é, sua habilidade de transformar. "Para não agir como coveiro do presente, é necessário conhecer a capacidade de crescer por si mesmo, assimilar o passado, cicatrizar feridas, preparar perdas, reconstruir as formas destruídas - tudo isso é força plástica", diz Rosa Dias. 

Nietzsche lamentava que uma espécie de ditadura da praticidade tivesse causado a perda da importância da leitura e do estudo de língua nas escolas, levando à degeneração da cultura. Naquele momento, dizia ele, ou se via o idioma como um organismo morto a ser dissecado, ou se encaminhavam a escrita e a leitura para os usos meramente comunicativos, reduzindo os textos a um padrão simplificado, supostamente ágil e moderno. 

Um dos primeiros pensadores a conceber a leitura como uma atividade que não se limita à assimilação passiva de informações, Nietzsche achava que ler era uma experiência transformadora, inclusive no sentido físico. Isso porque, para se formar leitor, é necessário educar a postura, treinar a concentração e perseverar. 

Vontade de potência

Como grande admirador da Antigüidade, principalmente da cultura clássica grega, o filósofo não aceitava a separação entre o corpo e o espírito. Tampouco dissociava, em seus textos, pensamento e vida. Segundo o filósofo Gilles Deleuze (1925-1995), no ideal de Educação de Nietzsche, "os modos de vida inspiram as maneiras de pensar e os modos de pensar criam maneiras de viver". 

Encontra-se nesse processo contínuo a vontade de potência, que na filosofia nietzschiana é a força motriz do ser humano. "A vida é antes de tudo uma capacidade de acumular forças", explica Rosa Dias. "Ela é essencialmente o esforço por mais potência, e para isso precisamos ser instruídos." Portanto, para Nietzsche, a Educação deveria se especializar em formar personalidades fortes, não homens teóricos ou pessoas ilustradas. 

Cabe à escola, de acordo com o filósofo, produzir nos alunos a capacidade de dar novos sentidos às coisas e aos valores. Nietzsche dizia que só os jovens poderiam entender suas contestações. É, então, de supor que a idade escolar seja a melhor para levar o ser humano a pensar criticamente a respeito do mundo a sua volta. Mas, para isso, a sala de aula precisa valorizar "uma cultura da exceção, da experimentação, do risco, do matiz", nas palavras do filósofo. 

Finalmente, ao educador cabe o papel de modelo, alguém que demonstra como se educar com disciplina e paciência. "Educar-se para ser educador significa, basicamente, estar à altura daquilo que se ensina", diz Rosa Dias. "O professor precisa ser mestre e escultor de si mesmo." 

Paixão pela estética

As grandes influências de Nietzsche surgiram na época em que ele era estudante na Universidade de Leipzig. Lá ele descobriu a filosofia de Arthur Schopenhauer (1788-1860) e a música de Richard Wagner (1813-1883), de quem se tornou amigo mais tarde. Além da filosofia e da música, a Antigüidade clássica grega era seu terceiro interesse primordial. Nos três, se encontrava o papel central da experiência estética. Nietzsche via em Wagner o renascimento da grande arte grega. Mais tarde, o filósofo se distanciou do compositor, por considerar que ele se curvava ao gosto do público burguês, e da obra de Schopenhauer, por ver em seu pessimismo um sintoma de decadência cultural. Na maturidade, Nietzsche analisou a origem e a função dos valores na vida e na cultura, concluindo que uma "moral de escravos" se impôs à humanidade desde o predomínio da tradição judaico-cristã. A Compaixão, a humildade, o ressentimento e o ascetismo teriam, então, constrangido a vontade de potência, que seria o princípio de toda a vida. Nietzsche, que abominava o anti-semitismo e o nacionalismo, foi visto durante muito tempo como inspirador do nazismo por causa da edição forjada e mal-intencionada que sua irmã, Elizabeth, fez dos escritos deixados por ele.


Contato: agaextensao@gmail.com

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

eu avisei

 UMA CRISE SEM PRECEDENTES: EU AVISEI.. 

Por Alacir Arruda

O Brasil vive épocas difíceis, alguns economistas consideram essa crise a maior da historia. Não bastasse um montante de 13 milhões de desempregados, uma indústria que caiu a produção em mais de   45% em 3 anos, um PIB que esta negativo ha 3 anos, quase 70% dos brasileiros individados - segundo a Serasa-  e a desconfiança das agências internacionais de risco, 22 dos 27  Estados brasileiros estão quebrados, não conseguem sequer, pagar os salários de seus servidores,  o Rio de Janeiro mergulhou no caos e outros Estados seguem o mesmo caminho, o governo federal não terá recursos para atender a todos e a vitoria de Trump trouxe uma nuvem de incertezas a nossa ja abalada economia.

Mas o que houve? O que aconteceu de errado com o "emergente" Brasil? Em maio de  2013, me lembro como hoje, eu estava dando aula no curso de psicologia  quando usei a lousa para fazer uma gráfico (alguns alunos tem esse gráfico ate hoje). Nesse gráfico fiz uma projeção da economia Brasileira de 2013 a 2020, disse a eles que em 2015 o Brasil estraria num circulo vicioso de quebradeira em 2017 estaríamos quebrados e, se nada fosse feito no plano Macro Econômico, em 2020 estaríamos fálidos. Foi um alvoroço na sala, alguns alunos me chamaram de maluco,  pois naquela época  vivianos o auge do crédito fácil onde 99% dos alunos eram FIES e o  sinônimo de felicidade era você ter uma Bizz  ou um Carro popular financiado ainda,  morar num desses apartamentos da MRV que não cabe duas pessoas deitados de comprido, porém, com  subsídios de 17.000 do Governo Federal. Enfim, vivíamos uma falácia.

Mas como eu sabia? Ora, não e necessário ser gênio para saber que dinheiro não nasce em árvore e que de onde você tira e não repõe e óbvio  que acabará,  isso e básico e qualquer dona de casa sabe. O PT criou um país imaginário, utópico, onde todos podem viajar de avião, fazer faculdade ter carro, casa própria. So não disse como? Visto que o PT não tinha qualquer estratégia para enfrentar tais dificuldades ele partiu para o senso comum, usou dinheiro do orçamento para financiar programas sociais  com interesses unicamente eleitoreiros. Isso ate funcionou durante algum tempo, de 2003 a 2011 muitos Brasileiros saltaram de uma condição  social inferior para outra um pouco melhor a chamada "nova classe C".  O problema é que: "tudo que e bom dura pouco"  e o PT não tinha o plano B quando deterioraram todos os recursos. Sem dinheiro envolto por um mar de  denuncias, escândalos e corrupção  o PT acabou, desapareceu. Porém, entretanto, todavia, deixou um legado, a conta para pagarmos, Então,  eu atribuo a Pro Uni, Fies, Minha Casa Minha Divida, Bolsas etc, toda a desgraça que se abateu sobre a nossa economia . Quando eu dizia aos meus alunos em 2013 que a sociedade  pagaria um alto preço eles terem Fies,  Pro Uni, Bizz  entre outras benesses, muitos imaginavam que era uma critica minha, que eu era contra. Nunca fui contra avanços sociais, apenas acredito que isso deve ser feito com responsabilidade como outros países fizeram,  não com interesses políticos-partidários colocando uma nação do nosso porte em xeque no plano internacional.

O pior é que não vejo uma saída a curto prazo, talvez levando para o humor: a unica saída do Brasil  é o aeroporto. Humor à parte a grande a  verdade é que nosso pais mergulhou no caos. Nunca houve tantas empresas quebrando,  fechando ou reabrindo em países como Paraguai e Bolvia, onde a carga tributaria e minima e a mão de obra barata. Não adianta esperar nada dessa dessa classe politica que ai esta, eles não nos representam. São cães que ladram, mas não agem, estão na politica, alguns há mais de 40 anos e nada fizeram a essa nação que não dobrarem seus patrimônios. Assim como eu disse em 2013 preconizo: "o pior ainda esta por vir"


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

a farra com dinheiro publico

A FARRA COM A COISA PÚBLICA

Por Alacir Arruda

Que brasileiro gosta de moleza, disso ninguém tem duvida, não e atoa que de cada 10, 11 querem ser servidores públicos, não por altruísmo ou por vocação em servir ao próximo, mas pelas benesses que o cargo propicia. Porém, o mau uso do dinheiro público tem se tornado uma praga para a qual não existem bons inseticidas. Licitações fraudadas, informações privilegiadas para investidores nas bolsas de valores, superfaturamento de obras públicas, desvio de recursos previamente determinados bem como o mal-afamado uso de caixinhas de campanhas políticas, tudo isso são variantes de uma única coisa: a falta de caráter dos que têm autoridade para gerenciar os gastos públicos. A Lava Jato tem dado um novo rumo a esse cabedal de irregularidades, mas sozinha ela não consegue atingir todos os tentáculos desse Leviatã.

Recententemente o TST ( Tribunal Superior do Trabalho) descobriu em 24 dos  27 Tribunais Regionais  irregularidades em beneficio de ferias a magistrados que, além dos recessos previstos em Lei, ainda fazem jus a 30 dias de ferias. Segundo o Jornal Folha de Sao Paulo, uma auditoria  teria apontado  que os 24 tribunais regionais do país descumpriram normas legais em relação ao recesso de juízes e desembargadores. Ainda de acordo com o periódico, nos casos mais graves, cinco pagaram a 335 magistrados — entre 2010 e 2014 — o total de R$ 23,7 milhões a título de férias não usufruídas.

O TRT de São Paulo seria o que lidera a lista com 872 pagamentos irregulares a 290 magistrados. O total contabilizado pela auditoria foi de R$ 21,6 milhões. Seguido pelos tribunais de Alagoas (R$ 1 milhão), Mato Grosso (R$ 906,7 mil), Goiás (R$ 67,4 mil) e Ceará (R$36,7 mil). O TRT do Rio Grande do Sul não é citado pela matéria.


A reportagem da Folha de S.Paulo teve acesso ao relatório da auditoria. Nele é registrado que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional "não prevê a possibilidade de conversão de férias gozadas em pecúnia (dinheiro)". A apuração, concluída em abril de 2015, foi solicitada em junho de 2014 pelo então presidente do do CSJT, ministro Antonio José de Barros Levenhagen.

Outros diversos problemas também foram constatados pela auditoria, como férias gozadas em períodos inferiores a 30 dias e uma "tendência de acúmulo de dias de férias não usufruídos por magistrados". Práticas expressamente vedadas na Lei da Magistratura. O ministro relator do TST, Renato Lacerda Paiva, fixou no dia 17 de outubro um prazo de 30 dias aos tribunais para apresentarem informações e justificativas.  Segundo o veículo, os juízes não foram identificados. Mas são citados pelo número de matrícula.


Em nota, o TRT-RS reafirma que o TST "não fez qualquer exigência direcionada a este Regional". Leia na íntegra:
"Sobre a matéria 'Auditoria vê irregularidade em pagamentos para juízes do trabalho', veiculada pela Folha de São Paulo na edição de segunda-feira (7/11), a Administração do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) esclarece que a auditoria do Tribunal Superior do Trabalho (TST) não faz qualquer exigência direcionada a este Regional. 
O TRT-RS não paga indenização de férias não fruídas aos seus magistrados – principal objeto da auditoria –, nem fraciona as férias de seus juízes e desembargadores. 
Essas reminiscências são pertinentes quando se fala de coisa pública no Brasil. Aí está a origem da palavra “república”. É igual a “rés publica” que é igual à coisa pública – menos em nosso país. Este é um problema cultural, histórico, que ganhou, na era de Lula e Dilma, um exagero sem limites. Toda a coisa pública brasileira se tornou coisa deles, dos petistas e de seus aliado$ de oca$ião.

Não custa – uma vez que a realidade do uso da coisa pública em favor do grupo que se alojou no poder central é um tapa na cara diário de cada brasileiro – relembrar o que dizia o Frei Vicente de Salvador, em 20 de dezembro de 1627, portanto, há 386 anos: “Uns e outros usam da terra só para desfrutarem e a deixarem destruída(…). Nesta terra nenhum homem é republico, nem zela ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular (…) o que é fontes, pontes, caminhos e outras coisas públicas, é uma piedade”.

Essas considerações iniciais não são, para efeito de justiça histórica, uma desculpa para justificar os meios e métodos de arrasa-patrimônio público, que se pratica no País há séculos; apenas visa a deixar claro que o partido que chegou ao poder em nome da moralidade pública se tornou o mais extremado na apropriação e uso da coisa pública em favor pessoal ou de grupos.

Está aí a Lava Jato  para comprovar. Pondo  a Lava Jato  em campo cabe notar, na mesma linha de raciocínio,alguns  desdobramentos interessantes.  O primeiro é que os cofres públicos no  Brasil merece ser tratado como coisa particular de alguns. O cidadão merece receber tapas na cara, na decência, na dignidade, a cada atitude desses réus, desses criminosos condenados . Devemos merecer. Como por exemplo denuncia feita pela folha de Sao Paulo que analisouas viagens dos Ministros do Governo Temer usando jatinhos da FAB, veja o ramking da imoralidade.

Ranking
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, é o campeão de viagens e o recordista de translados entre Brasília e sua cidade de origem, São Paulo.O ministro viajou 85 vezes de avião da FAB nesses cinco meses de governo Michel Temer, sendo que 64 delas tinham como destino ou origem a capital paulista. Em 46 ocasiões, não há justificativa na sua agenda para as viagens nem compromissos oficiais que expliquem por que em dias de semana o ministro opta por sair de São Paulo para um evento em outro Estado, e não de Brasília. Ao menos 14 vezes Moraes fez o trajeto Brasília-São Paulo numa segunda-feira.
O segundo colocado do ranking de viagens para a cidade de seu domicílio é o ministro das Relações Exteriores, José Serra. É raro o ministro divulgar sua agenda oficial na internet. O chanceler voou com a FAB 52 vezes, sendo que em 85% dos casos está a rota entre a capital e São Paulo. Nessas 44 viagens, apenas uma, a do dia 25 de outubro, tem uma justificativa: o ministro participou de um Fórum de Comércio Exterior, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)
.O ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, que também é de São Paulo, é o terceiro a fazer mais vezes o trajeto entre a capital paulista e Brasília, ou vice-versa. Dos 65 trechos que o ministro fez nos cinco meses, 44 deles, ou seja, em 68% das vezes, o destino ou a origem dos aviões foi São Paulo. Em quase metade desses voos - 21 - não há explicação na agenda para os deslocamentos.
Já o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, usou aviões da FAB 48 vezes, sendo que 33 delas foi para ir ou voltar de São Paulo. Em pelo menos 19 casos não havia agenda divulgada na internet que justifique a viagem. Dessas 19, em quatro ocasiões a assessoria argumentou que foram agendas internas e uma dessas foi para o Rio, num sábado. Um comportamento identificado no caso de Meirelles é ele ir no fim de semana para a capital paulista, mas ter agenda só na segunda. Após informado do teor da reportagem, a assessoria do ministro apresentou justificativas com agendas oficiais de todas as viagens.
O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, também figura na ponta do ranking. Das 42 viagens feitas em cinco meses, 23 têm como destino ou origem Porto Alegre, sendo que em 16 não há explicações em sua agenda. Ao menos dez vezes Padilha viajou às segundas e outras cinco usou aeronaves da FAB na sexta-feira.
Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, também usou aviões FAB para retornar à sua cidade: Salvador. Das 24 viagens em cinco meses, quase 80% delas tiveram como destino a capital baiana. Em todos os casos, nada consta na agenda. 
E isso, enquanto eles viajam, nos se fud...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Donald Trump

A VITÓRIA DE TRUMP

Por: Alacir Arruda

O Mundo amanheceu atônito nessa quinta feira com a inesperada vitoria de Donald Trump nas eleições americanas.  Todos os mercados, da Ásia a Europa, trabalharam em baixa e o governo mexicano convocou uma reunião de emergência para tratar de assuntos "contingenciais" . Mas o que houve? O que deu errado?  Há algum tempo escrevi um artigo em que trato do crescimento da extrema direita no mundo, particularmente, tratei do  caso francês e austríaco mas citei também a ascensão do discurso extremista de  Trump que na época era pré candidato pelos Republicanos a Casa Branca. 

A grande verdade é que o  mundo tem  visto, nos últimos 10 anos,  um crescimento preocupante de grupos de extrema-direita no mundo que são fomentados, entre outras fontes, por páginas de ódio que se multiplicam na internet. O crescimento da intolerância, do separatismo, da xenofobia, do ultranacionalismo, do culto a grandes líderes, dos ódios aos sistemas igualitários e aos grupos de minorias têm crescido bastante no mundo. Estamos vivendo numa era extremamente perigosa da história humana, porque o surgimento desta espécie de neofascimo em uma época de armas nucleares é algo que coloca toda a humanidade em risco. O surgimento de um novo Adolf Hitler não pode ser descartado em tempos de terrorismo, islamfobia, racismo, reacionarismo e crises. Este é um momento delicado da história humana onde teremos que passar por mais uma aprovação se quisermos continuar a existir como cidadãos do cosmo neste planeta. Talvez isso explique a vitoria de Trump, um nacionalista convicto que prega a xenofobia e a intolerância num país marcado por conflitos entre etnias.

Questionado se a vitória de Trump seria mais um lance do movimento conservador que avança pelo mundo? O ex embaixador brasileiro nos Estados Unidos Rubens Barbosa,  disse,  não exatamente. Trata-se, sim, de um "novo caldo de cultura", resultado do aprofundamento da desigualdade (e da concentração da renda) em todo o mundo e do crescente movimento de imigração.
Embora se diga um tanto surpreso com a vitória de Trump, influenciado pelas pesquisas que projetavam a eleição da candidata democrata Hillary Clinton, Barbosa pondera que a marca dessa eleição era a imprevisibilidade: "Foi a mais sui generis da história dos Estados Unidos, e a vitória de Trump não é, portanto, surpresa", diz.
Mas o resultado tem, em sua opinião, ao menos quatro grandes perdedores imediatos: a mídia, os institutos de pesquisa, o Partido Democrata e a ala do Partido Republicano refratária a Trump.
Risco limitado
O Ex embaixador minimiza o fator de risco da futura gestão Trump, citando o discurso da vitória dele, na madrugada desta quarta-feira (9), em que acenou com a união do país. "Ele foi magnânimo na vitória e já estendeu a mão a todo mundo."
E  lembrou também que "uma coisa é a campanha, e outra é governar", dizendo não acreditar no avanço de propostas polêmicas de Trump, como a envolvendo os imigrantes nos Estados Unidos. "Talvez pegue alguns ilegais, mas não vai expulsar 11 milhões do país", afirma. "Ele não vai governar sozinho. Não será um revolucionário."
Brasil
Sobre a relação diplomática do Brasil com os Estados Unidos, Barbosa acredita que nada mudará com o governo Trump. "O Brasil não é prioridade da política externa norte-americana", diz. Para o ex-diplomata, o aprofundamento das relações do Brasil com os Estados Unidos, do ponto de vista da economia, dependerá muito mais de os brasileiros "fazerem a lição de casa", com a aprovação de reformas.
Questionado sobre possíveis semelhanças entre a eleição de Trump e a de João Doria Júnior (PSDB) para prefeito de São Paulo (os dois apresentaram versões de mesmo programa televisivo, "O Aprendiz"), Barbosa diz haver apenas uma: "Os dois representam uma visão contra os políticos, contra as elites dirigentes. Só isso".



domingo, 6 de novembro de 2016

aos imbecis de plantão

NÃO TE FIZ NENHUM BEM, POR QUE ME CALUNIAS TANTO ?
Por: Alacir Arruda

"nada ofende mais do que o benefício, nada agride mais do que o favor. A vida é a arte de não fazer favores". 
                                                            (Nelson Rodrigues)

     Resolvi começar esse texto citando o grande dramaturgo Nelson Rodrigues, um gênio do teatro brasileiro que como ninguém sabia lidar com maestria `as criticas que recebia. Entender o comportamento humano é uma  coisa que nem Freud, Jung ou Lacan  conseguiram explicar, não seria eu, um simples sociólogo, que me atreveria. Porém, a irracionalidade de alguns me obriga a tecer esses  comentários..  A palavra injúria, do latim injuria, de in + jus = injustiça, falsidade. É  também um Substantivo feminino - 1 ato ou efeito de injuriar - 2 injustiça, aquilo que é injusto; tudo o que é contrário ao direito - 3 dito ou ato insultuoso, ofensivo - 4 ato ou efeito de danificar; dano . Em suma, injuria é “falar mal dos outros por trás” como dizem os mais velhos.  Na educação isso é muito comum, principalmente quando aparece alguém que demonstra conhecimento sobre determinado tema e se atreve  a mudar uma estrutura criada por acomodados e  despossuídos de um espírito educacional,  que chamam  a si mesmos de "genios"  e  se julgam acima do bem e do mal. Esses gênios, que  hoje  se escondem atrás  dos teclados protegidos pelo anonimato,  destilam seus venenos ciente de que não serão importunados confirmando aquilo que Humberto Eco expressou " a internet democratizou a imbecilidade"

      Quando o Sociólogo  da UNB  ( Universidade de Brasília)  Pedro Demo afirmou em uma de suas entrevistas que:  dentre as atribuições do professor moderno, a mais inútil é a aula”,  alguns pseudo-educadores se ofenderam com  essa  crítica,  pois acreditam que aquela aula tradicional aliada às apostilas são as únicas formas de inserir conhecimento em seres humanos, ledo engano. Pedro Demo., com essa frase,  esta fazendo um alerta aos  educadores acomodados que se assentam sob a pedra da “ignorância” e de lá injuriam aqueles que efetivamente produzem educação e conhecimento, que buscam a inovação e a interação entre professor-aluno utilizando de linguagens modernas e acessíveis a todos. 

         Mais os compreendo, e acho esse comportamento até normal,  se levarmos em conta o país que vivemos,   onde 93% da população acreditam que Médicos e Advogados são Doutores, que possui o  antepenúltimo pior sistema de educacional  do Planeta e que adotou a inércia e  a falácia como  sistemas pedagógicos.. Aliás,  nunca agradeci tanto a existência de Bangladesh e Mali que são os únicos atrás de nós no PISA que é  coordenado  pela ONU, ( sugiro que  pesquisem a realidade desses dois  países e comparem com a nossa). O Sociólogo Pedro Demo ainda alerta  em seus inscritos,  que cada  professor deve produzir seu próprio material didático e  não ser cópia de um sistema que já deu sinais de colapso há muito tempo. Quanto aos que insistem em me injuriar segue abaixo um sucesso do grande Chico Buarque de Holanda  seguido de   um pedido.."Me Esqueçam."




       "Injuriado"
          (Chico Buarque)

"Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo pra você me injuriar assim.

Dinheiro não lhe emprestei
Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim"

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ENEM: uma farsa...

O GOVERNO TRANSFORMOU O ENEM NUMA FARSA

Por Alacir Arruda

Mais um ano e mais uma vez a realização do ENEM esta envolto  por uma  cortina de incertezas,  como foram os outros 7.  Só para refrescar as nossas lembranças, o  chamado Novo ENEM - esse com 180 questões-  começou em 2009 e desde do seu inicio, esteve envolvido em  desconfianças e denuncias que vão desde vazamento de prova e gabarito entre outros. O ENEM, enquanto exame, é a coisa mais inteligente que ja se produziu em educação nesse país, ate porque segue uma tendencia mundial, o problema é que o Brasil não e um país serio para aplicar esse tipo avaliação. Temos falhas de caráter e desvios de conduta que nos impede de aceitarmos algo tão perfeito, por isso assistimos a essas tramóias típicas de um país de corruptos. Logo, o problema não é o ENEM e sim seus gestores, entenda INEP e MEC que são órgãos que não possuem condições "morais" para gerirem algo de tamanho vulto.

Falo isso com conhecimento de causa, fui convidado pelo INEP  para colaborar com a criação do Novo ENEM,   tive ainda o prazer de elaborar Itens  em Humanidades por 5 anos de 2010 a 2015 e para completar fiz palestras sobre o ENEM em SP, MG,RJ e ES num período em que o Brasil desconhecia a complexidade desse exame,  uma vez que vivíamos a ditadura dos "vestibulares" tradicionais. 

E importante entender que o ENEM faz parte de um projeto que se inicia em 1995 na França quando um grupo de intelectuais, sob comando do diplomata e pensador frances Jacques Delors se reunem, a pedido da ONU, para definirem as características e expectativas do aluno do seculo XXI. Desse encontro se  produziu um documento ( que insisto ; deveria ser a bíblia do educador moderno) chamado "Educação um Tesouro a Descobrir" . Esse documento, que depois virou livro, define as características da educação moderna, nele é possível identificar uma completa mudança de paradigma quando ao que se entende por processo de  ensino-aprendizagem. Esses intelectuais criaram as diretrizes dessa nova educação que segundo eles, deve ser pautada nos famosos 4 pilares da educação moderna. Segundo Delors, a prática pedagógica deve preocupar-se em desenvolver quatro aprendizagens fundamentais, que serão para cada indivíduo os pilares do conhecimento: aprender a conhecer indica o interesse, a abertura para o conhecimento, que verdadeiramente liberta da ignorância; aprender a fazer mostra a coragem de executar, de correr riscos, de errar mesmo na busca de acertar; aprender a conviver traz o desafio da convivência que apresenta o respeito a todos e o exercício de fraternidade como caminho do entendimento; e, finalmente, aprender a ser, que, talvez, seja o mais importante por explicitar o papel do cidadão e o objetivo de viver.

Os pilares são quatro, e os saberes e competências a se adquirir são apresentados, aparentemente, divididos. Essas quatro vias não podem, no entanto, dissociar-se por estarem imbricadas, constituindo interação com o fim único de uma formação holística do indivíduo. Delors aponta ainda, como principal conseqüência da sociedade do conhecimento,  a necessidade de uma aprendizagem ao longo de toda vida, fundamentada em quatro pilares, que são, concomitantemente, do conhecimento e da formação continuada.

Bom, teorias à parte a grande questão é que o Brasil não entendeu bem o objetivo desses intelectuais. Interesses políticos aliado a uma  generalizada incompetência do MEC transformou aquilo que deveria ser uma mecanismo de avaliação, sobretudo de conhecimento, em plataforma politica uma vez que o ENEM fugiu de suas funções. O ENEM nao foi criado para colocar alunos em universidades, promover acesso a programas socias como Pro-Uni e Fies etc., o ENEM é uma ferramenta de auxilio ao processo de ensino aprendizagem, um exame que avalia o que o aluno adquiriu de conhecimento durante toda a sua vida escolar, apenas isso. Transformar o ENEM no maior vestibular do mundo,  com mais de 8 milhões de inscritos, é de  uma irresponsabilidade atroz além de ferir o principio da universalização  prevista na LDB pois iguala desiguais, isso só poderia dar merd...com sempre deu.

Ora, quando digo que iguala desiguais basta raciocinar comigo: colocar  um aluno que fez o ensino médio no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo para concorrer em igualdades de condições ( uma vez que a prova do ENEM é a mesma)  com um aluno do Amapá, Roraima Acre isso é igualdade? Nada contra esses três Estados, que são lindos, porém, devemos reconhecer a distancia educacional entre eles. Então, ocorre o seguinte fenômeno, você entra na sala de aula da  Universidade de Rondônia, por exemplo, curso de medicina e pergunta: "quem daqui é de Rondônia"?  Com raras exceções, ninguém levantará  a mão pois sao todos de fora, sobretudo da região sudeste, e  isso se repete no Mato Grosso, Acre entre outros. Onde está o principio da, isonomia,  igualdade ou universalização proposto pelo ENEM ai? Então, podemos concluir que  é um equivoco a forma como o o governo utiliza o ENEM uma vez que  foge ao principio estabelecido no artigo V da constituição que estabelece no seu   Caput que "todos somos iguais perante a Lei", mas no Brasil, como dizia George Orwel, existem  "os mais iguais".

E para não ficar muito longo, prometo no próximo artigo  fazer um Raio X dos cursinhos, pre vestibulares brasileiros - que são os únicos que ganham dinheiro com essa incompetência do governo - e  não servem para absolutamente nada,  mais dificultam que ajudam os alunos no ENEM

Contato: agaextensao@gmail.com

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

ENEM 2016 - Eleições americanas??

ELEIÇÕES AMERICANAS: ENTRE A DESGRAÇA IMINENTE E UM FUTURO INCERTO..
Por Alacir Arruda


Os americanos estão numa encruzilhada;  entre  eleger um mentecapto  com sérios problemas de ordem mental e uma mulher que não possui qualquer carisma e ficou conhecida como "Woman War" ( senhora da guerra) quando desempenhou a função de secretaria de estado no primeiro mandato de Obama.  Os americanos jamais viveram uma situação parecida onde ambas as opções são péssimas para a maior economia do planeta e o mundo assiste atônito o desenrolar  pois os americanos  são a locomotiva do planeta e  os vagões estão a mercê desse pleito.

Como qualquer populista de sucesso, Trump apela para a desesperança que muitos eleitores americanos dizem sentir. Dois terços da população americana dizem em pesquisas que não confiam no governo e que acreditam que os Estados Unidos “estão no caminho errado”. Quase 70% afirmam temer o terrorismo ou a criminalidade, ou as duas coisas. Foi assim que Trump inverteu uma regra de ouro da política americana: desde a reeleição de Ronald Reagan, em 1984, o candidato mais otimista e com mensagem mais positiva é o vitorioso. A campanha de Reagan cunhou a ideia de que era “uma nova manhã na América”. Donald Trump cultiva o espírito soturno do eleitorado e transforma a alvorada de Reagan em escuridão. “Tenho uma mensagem a cada pessoa que ameaça a paz em nossas ruas e a segurança de nossa polícia: quando fizer meu juramento presidencial no ano que vem, vou restaurar a lei e a ordem”, disse em seu discurso, ecoando o lema da campanha de Richard Nixon em 1968.

Para se vender como o candidato da lei e da ordem, Trump desfia histórias de pavor e incentiva seus eleitores a sentir medo. No discurso na convenção republicana, ele pintou um cenário de caos e trevas, como se os Estados Unidos fossem a terra arrasada do filme Mad Max, para se vender como a solução para essa desordem. Disse que “tristemente, o sonho americano está morto” e que só ele poderá restaurá-­lo. “Entrei na arena política para que os poderosos não consigam mais bater nas pessoas que não podem se defender. Ninguém conhece o sistema melhor que eu. É por isso que só eu posso consertá-lo”, afirmou. “Eu sou a sua voz.”


Do limão, Trump fez limonada na convenção. Os políticos que não endossavam sua candidatura eram “parte do passado” republicano. Ele é o futuro. As convenções partidárias nos Estados Unidos são o momento em que as principais vozes dos partidos apresentam suas ideias e tentam influenciar os temas que vão nortear o debate político americano. Melhor do que qualquer candidato, Trump sabe vender seu peixe. Ele transformou a convenção em um reality show – e é isso que ele sabe fazer melhor.

Criar espetáculos baseados em informações equivocadas e meias verdades não é algo novo para Trump. O magnata imobiliário e estrela do reality show O aprendiz construiu sua carreira vendendo-se como um self-made man, que sozinho conseguiu construir um império de negócios bem-sucedidos. A história real não é bem assim. Trump herdou o empreendimento de construção de casas nos subúrbios de Nova York do pai, Frank, um descendente de imigrantes alemães. De fato, ele elevou o negócio da família à categoria de império em Nova York. Mas esse sucesso, dizem alguns críticos, foi obtido em grande parte a arranjos que asseguraram descontos e isenção de impostos em seus negócios. Até hoje, ele se recusa a liberar seus arquivos de Imposto de Renda, com a alegação de que é alvo de auditoria da Receita Federal americana. A Forbes diz que sua rede de empreendimentos vale US$ 4,5 bilhões – ele retruca ter ao menos US$ 10 bilhões em negócios.

Diante de todas as façanhas de Trump nos últimos 13 meses, não é mais possível desprezar as chances de ele vencer a disputa contra a democrata Hillary Clinton e se tornar o próximo presidente dos Estados Unidos. Segundo os sites americanos mais confiáveis e com maior índice de acerto em prévias eleitorais, Trump tem 38% de chances de vencer. Nas eleições americanas, o candidato que tiver 270 delegados ou mais no Colégio Eleitoral ganha a Casa Branca. Segundo a média das pesquisas, Hillary tem hoje 43,8% das intenções de voto em relação a 41,1% de Trump. Mas as pesquisas são apenas um termômetro – bastante volátil. Nesta altura de campanhas anteriores, John Kerry liderava contra George W. Bush em 2004 (Bush venceu). Em 1988, Michael Dukakis estava na frente de George H. Bush (que também venceu).

O mapa eleitoral americano deve seguir o traçado das últimas eleições. Estados mais democratas, como Califórnia e Nova York, vão votar em Hillary. Estados mais republicanos e conservadores, como Wyoming, Texas e Tennessee, vão votar em Trump. Serão decisivos os estados com histórica falta de preferência partidária, os chamados estados-pêndulo (“swing states”, em inglês, porque votam ora num partido, ora em outro). É o caso de Carolina do Norte, Colorado, Flórida, Iowa, Nevada, New Hampshire, Ohio, Virgínia e Wisconsin, que concentram 111 dos 538 votos do Colégio Eleitoral. Para vencer, Trump precisa levar Flórida, Indiana, Ohio e Pensilvânia. Um problema para ele é que esses estados têm uma enorme população de latinos e negros – um eleitor que tradicionalmente vota em democratas, ainda mais com Trump no páreo.

Esse é o principal desafio não apenas de Trump, mas do Partido Republicano como um todo. Com a radicalização das bases do partido, impulsionada em 2008 pelo crescimento do Tea Party, um grupo de nacionalistas que defende a restrição de alguns direitos civis, candidatos moderados têm pouca chance de conseguir a nomeação. Mas, para vencer as eleições, é preciso, de alguma forma, moderar o tom para garantir o voto dos eleitores de centro e das minorias.

E a Hilary? Bom essa é a esperança do mundo, pois muitos, sobretudo o mercado financeiro, a consideram menos lunática que Trump ( o que duvido muito). Hilary tem uma considerável experiência política,  foi senadora por Nova York, esposa de Ex Presidente e ocupou o cargo mais importante do primeiro mandato de Obama: Secretaria de Estado. Hilary tem mantido um discurso moderado tentando satisfazer todas as correntes, porem tem sofrido com uma série de denúncias de uso do seu e-mail pessoal para tratar de assuntos de Estado, coisa que os americanos não perdoam. Recentemente o site Wikileaks publicou o conteúdo de alguns desses emails o que fez com que a candidatura de Hilary sofresse um grande abalo, em alguns Estados ela foi ultrapassada por Trump nas pesquisas e isso tem feito o mundo tremer, pois uma eventual vitoria de Trump é visto por alguns especialistas como um cataclisma mundial. Em suma, quem viver verá. Em uma semana saberemos o que o interesseiro povo americano escolheu..a incerteza, ou a dúvida?


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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Reforma do ensino medio?

A REFORMA DO ENSINO MÉDIO NUM PAÍS DE "PUXADINHOS"


Por Alacir Arruda


A proposta de reforma do  Ensino Médio criada pelo governo Temer através de uma MP (medida provisoria)  retrata bem como a educação e tratada no Brasil.  Como, por incompetência, os governantes  não conseguiram tratar as causas eles então resolveram tratar os efeitos de uma educação que a muito já deu sinais de colapso. O Brasil figura entre os piores na educação mundial  há pelos menos 30 anos. Podemos resumir assim o Brasil: um pais de "puxadinhos". Fazendo uma analogia com os moradores de periferia que constroem uma  casa pequena de duas peças e depois vão construindo puxadinhos sem qualquer referencia técnica, ate que um dia essa casa cai e a tragedia esta instalada, assim é o Brasil, o puxadinho da vez  é a Reforma do Ensino Médio que atingiu números tão ruins que  seria cômico se eles não fossem trágicos, como um aluno terminar o ensino médio sem saber ler.

O que esses burocratas,  que decidem  os rumos da educação brasileira de suas salas acarpetadas com ar condicionado  e ternos de 20.000,00  em Brasilia,   não sabem é que o nosso fracasso educacional é algo muito mais complexo e começa justamente com o descaso por parte deles. Uma das explicações dadas para esse fracasso é  que a democratização do acesso à escola, ocorrida a partir dos anos 70 do século passado, levou a escola a lidar com crianças que teriam, em razão de suas condições de vida, sérias deficiências culturais e lingüísticas que acarretariam dificuldades de aprendizagem. Teriam problemas de indisciplina e não valorizariam a escola. Sua linguagem oral seria muito distante da língua escrita. Em seu ambiente familiar, não vivenciaram usos da escrita nem um ambiente que as valorizasse e motivasse seu aprendizado.

De fato, os dados estatísticos (SAEB) mostram que o fracasso tende a se concentrar nas crianças oriundas de meios menos favorecidos. No entanto, diferentes estudos mostram também que, ao contrário do que em geral se afirma, essas crianças possuem um adequado desenvolvimento cultural e lingüístico e que á a escola que apresenta sérias dificuldades para lidar com a diversidade cultural, lingüística e mesmo étnica da população brasileira.
Quem teve a oportunidade de ler Bourdie, intelectual francês,  observa o mal que as escolas causam as crianças, para ele a escola que hoje temos é a principal  disseminadora de desigualdades, pois ela retrata, num espaço micro, aquilo que a macro sociedade expõe, qual seja, uma sociedade desigual. Para Althusser, outro importante pensador francês, a escola é um Aparelho Ideológico do Estado que a utiliza como instrumento de manobra das massas. Enfim, vários são os referenciais teóricos que repudiam esse modelo ai aplicado. 
Não advogo contra uma Reforma do Ensino e até a julgo urgente, assim como a reforma politica, tributária da previdência. Aqueles que me acompanham neste blog ha 4 anos ja observaram como sou um  critico ácido desse modelo hoje aplicado, onde o aluno entra no ensino médio sem nada saber nada e sai sabendo menos ainda. Tudo isso  em função de um currículo divorciado de sua realidade, aulas maçantes e desnecessárias e professores que ministram aulas dos seculo XIX para alunos do seculo XXI,  porem, tomar uma decisão que impactará na formação de milhares de jovens e de  gerações futuras por Medida Provisoria, sem uma discussão com os segmentos  envolvidos,  além de autoritário é de uma irresponsabilidade atroz.
Enquanto a educação brasileira viver de  "puxadinhos" assistiremos essa triste realidade que hoje estampam jornais; mais de 40% dos jovens abandonam o Ensino Medio e apenas 2 de cada 10 que ingressam na primeira serie do fundamental chegam a faculdade ainda somente 12% dos nossos jovens estão no nivel superior. O exemplo mais latente que podemos aqui usar é o caso da  pequenina Coreia do Sul que ate 1960 era um país semi feudal e muito mais atrasado que o Brasil, porem, governantes imbuídos de espirito nacionalista e com visão de futuro fizeram a grande  transformação, construíram universidades e possibilitaram o acesso a todos,  hoje 98% dos jovens coreanos possuem nível superior, índice de analfabetismo e 0%  e compramos celulares Samsung e automóveis  Kya  e Hyundai deles.
No fundo sabemos quais são os reais interesses por trás dessa Reforma, remodelar todo o Ensino Médio através da reestruturação  dos currículos, da formação de professores, construir laboratórios e ampliar as estruturas físicas das escolas (tudo com dinheiro publico e superfaturado)   para daqui ha 15 anos dizerem: "infelizmente não deu  certo" sendo necessário outra e outra e assim segue a humanidade. Como dizia o ex Presidente e herói francês Charles de Gaule: "O Brasil não é   um pais serio". 
Contato: agaextensao@gmail.com