domingo, 29 de abril de 2018

Enem 2018 - E as Coreias?

ENEM 2018: O ENCONTRO HISTÓRICO ENTRE AS DUAS COREIAS.

Por Alacir Arruda


Recomeçamos os temas que serão explorados pelo ENEM 2018, e não poderíamos iniciar melhor, o encontro da última sexta-feira entre Kim Jong-un e Moon Jae-in foi a terceira vez em que líderes das Coreias se reuniram. O momento histórico, em que os dois lados prometeram desnuclearizar a península coreana, teve vários momentos simbólicos e incomuns. Confira a seguir.


A Coreia do Norte havia concordado que seu líder se encontraria com Moon Jae-in no lado sul-coreano de Panmunjom. Isso remete a um comentário feito em junho de 2000 pelo então presidente da Coreia do Sul Kim Dae-jung no encontro com Kim Jong-il, o pai de Kim Jong-un, na primeira reunião entre líderes dos dois países, em Pyongyang.

Kim Dae-Jung, que era 17 anos mais velho que Kim Jong-il, disse na época que um homem mais jovem deveria ir ao encontro de um homem mais velho para lhe fazer uma visita, e que seria apropriado que Kim Jong-il retribuísse seu gesto e visitasse a Coreia do Sul.Image captionKim Jong-un invited Moon Jae-in to cross the line into North Korea with him

Isso nunca aconteceu, então, ao se tornar o primeiro líder norte-coreano a visitar a Coreia do Sul desde 1951, Kim Jong-un demonstrou respeito ao presidente Moon, talvez para deixar claro que essa rodada de negociações será diferente da última.

O encontro entre o alto escalão dos governos coreanos teve início na linha de demarcação militar, também conhecida como linha do armistício, que divide os dois países e onde há, de ambos os lados, uma zona desmilitarizada.

Moon e Kim Jong-un se encontraram nesta fronteira e se cumprimentaram com um aperto de mãos. Moon perguntou ao líder norte-coreano quando ele poderá visitar a Coreia do Norte. Então, aconteceu algo que fugiu do roteiro.

Em uma demonstração de bom humor e de sua personalidade impulsiva, Kim pediu que Moon fosse até o lado norte-coreano. Os dois cruzaram a linha de mãos dadas.

Esse comportamento tem a intenção de mostrar que Kim está no comando, mas ele também se comportou de forma respeitosa com Moon, indicando que sua intenção de buscar a paz é sincera e que a Coreia do Norte não fará, ao menos por agora, mais provocações como as dos últimos tempos.   Spray desinfetante - e uma demonstração de força Image caption Equipe de segurança que líder norte-coreano levou ao encontro foi considerada uma demonstração de força

Há algumas vantagens de ser o líder da Coreia do Norte, como ter uma grande comitiva de segurança. Membros da guarda norte-coreana e seguranças pessoais entraram antes em cada uma das salas usadas no encontro para fazer uma varredura em busca de escutas eletrônicas e explosivos. As cadeiras em que ele se sentaria e as superfícies que ele tocaria foram limpas com spray desinfetante.

Quando a reunião foi interrompida para o almoço, a limusine de Kim foi acompanhada por uma dúzia de guarda-costas, que correram ao seu lado.

- Assuntos incômodos - e uma rara admissão

Nas suas primeiras palavras para Moon, Kim tratou de diversos assuntos espinhosos.Image captionO Monte Paektu é considerado um local sagrado para o povo coreano

Ele disse que "refugiados, desertores e moradores da ilha de Yeonpyeong" tinham grandes expectativas em relação ao encontro. É incomum que Kim fale sobre desertores da Coreia do Norte - Pyongyang normalmente os vê como traidores e suas famílias podem ser alvo de punições.

Sua referência a Yeonpyeong foi uma alusão ao ataque lançado em novembro de 2010 pelas Forças Armadas norte-coreanas contra esta ilha no Sul, que observadores avaliaram como um esforço de Kim Jong-il para garantir que seu filho fosse seu sucessor.

É ainda mais interessante, no entanto, a admissão de Kim Jong-un de que a infraestrutura essencial da Coreia do Norte precisa de melhorias. Moon disse a Kim que ele gostaria de escalar o Monte Paektu, uma montanha no Norte considerada sagrada pelo povo coreano. "Fico com vergonha da infraestrutura ruim de transporte", disse Kim Jong-un em resposta.

Uma linha férrea mais moderna para a área próxima do monte está sendo construída há muitos anos e, aparentemente, Kim reconheceu, de forma incomum, que o projeto não progrediu como deveria.  Cultura e esportes - mas nada de economia Image caption. A irmã de Kim Jong-un, Kim Yo-jong, o acompanhou no encontro

Nas primeiras interações com Moon, Kim estava acompanhado apenas de sua irmã mais nova, Kim Yo-jong, e do ex-chefe do serviço de inteligência do seu país, Kim Yong-chol, que é hoje um dos principais articuladores de Pyongyang para as políticas entre as Coreias. Estes são dois dos principais conselheiros do líder norte-coreano e ambos foram até o Sul para a recém-encerrada Olimpíada de Inverno.

Antes das reuniões terem início, Kim Yo-jong carregou para seu irmão a pasta com os documentos contendo as informações necessárias para os encontros e, na sessão realizada pela manhã, fez muitas anotações.Image captionEncontro sinalizou para um maior intercâmbio militar, esportivo e cultural entre os países, mas não econômico

Kim Jong-un ainda viajou com vários outros oficiais, que o acompanharam em diferentes etapas da reunião: as duas principais autoridades do país em política externa, os dois principais oficiais das Forças Armadas, além de autoridades em cultura, esporte e ajuda humanitária, o que demonstra seu foco em fazer avançar as interações militares e diplomáticas, além de promover um intercâmbio cultural e esportivo.

No entanto, em contraste com sua visita à China, quando se reuniu com o presidente Xi Jinping, nenhuma autoridade em economia nem encarregados da segurança interna da Coreia do Norte estavam presentes.

Isso indica que boa parte da interação inicial entre Moon e Kim é cosmética e que gestos mais substanciais em termos de cooperação econômica e desenvolvimento conjunto de projetos devem ocorrer em um momento posterior.

-Saudações repletas de significado

O ministro da Defesa da Coreia do Norte, Pak Young-sik, e o chefe do Exército Popular Coreano, Ri Myong-su, saudaram Moon em um gesto de boa vontade e respeito quando as duas delegações se encontraram e se cumprimentaram.Image captionAs duas Coreias ainda estão tecnicamente em guerra, mas isso pode mudar em breve

Seus homólogos sul-coreanos não saudaram Kim Jong-un. O líder norte-coreano participou de uma inspeção da guarda militar sul-coreana, mas não retribuiu a saudação de seus integrantes.  Essas saudações são uma lembrança de que a guerra entre as Coreias (1950-1953) terminou com um armistício, não com um tratado de paz.

Os dois líderes concordaram em dar início a "uma nova era de paz", mas, para que isso de fato ocorra, ainda há muito trabalho pela frente.


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sábado, 28 de abril de 2018

Ingratidão

"INGRATIDÃO".
Por Alacir Arruda

Certa vez minha mãe me disse que a gratidão é a maior virtude humana e base para todas  as outras. Após um longo e tenebroso inverno estou de volta e, ao contrario do que pensam os idiotas de plantão, estou bem... Nesse últimos 4 meses, que fiquei sem publicar,  muitas coisas aconteceram;  o mundo girou e a geopolítica internacional tem cada vez mais ocupado espaço nos noticiários e no plano interno as coisas mudaram pouco, temos um país em colapso e um povo leniente. Em suma, teria mil opções de textos para retomar meus trabalhos em 2018, mas resolvi desabafar e, podem ter certeza,  esse desabafo tem nome e  endereço. Vou falar de ingratidão.

Se buscarmos entender a ingratidão de forma rápida, poderíamos concluir que ela  tem a ver com o ser  egoísta, porque o egoísta atribui suas vitórias a ele mesmo, O ingrato não reconhece que, sem as pessoas o cercam , ele(ela) talvez não estivesse nem vivo. A ingratidão também tem a ver com idolatria. Geralmente as pessoas ingratas tem dois comportamentos extremos: “amam” a ponto de idolatrarem a pessoa “amada”, e quando descobrem os defeitos (naturais) da pessoa, passam a desprezar e se tornam totalmente ingratos.

As pessoas ingratas esquecem com muita facilidade… não as coisas ruins, mas esquece as coisas boas que fizeram por ele(ela).  O ingrato vive no “seu mundo”, busca apenas os seus próprios interesses. É um tipo de pessoa que se torna cega (cego) para o amor (e doação) de quem está ao lado.

Outra característica da personalidade do ingrato é a desobediência que leva a rebeldia… e a infidelidade. Como o ingrato acha que sabe das coisas, ele (ela) não ouve a mais ninguém, não aceita conselho de ninguém, não considera ninguém capaz de liderá-lo(a) ou de aconselha-lo(a), o ingrato finge aceitar, mas na verdade, ele(a) não aceita se submeter a autoridade, porque ele(a) realmente acredita que sabe o que é bom para si.

Como professor eu ainda imagino que a  ingratidão também tem a ver com a “falta de educação”. Podemos ser “treinados” desde a infância a ter um comportamento grato, isso ocorre no processo de educação de uma criança. Quando ensinamos uma criança a dizer “obrigado” para as pessoas que lhe servem, ou lhe ajudam, estamos lhe ensinando a ser grata(o). Isso faz parte da educação.

Mas não é apenas a educação, a “etiqueta”, o “protocolo”, o “ser formal”, que gera a gratidão. A gratidão tem que partir do nosso coração, e não apenas ser da boca para fora. Quem está ao lado (convive) com o ingrato(a) sempre sofre. 

Todos que me conhecem  sabem que não sou religioso, muito pelo contrário, mas usando a mitologia cristã como referência, podemos concluir que o único que não sofreu quando conviveu com um ingrato foi Jesus.  Judas, mesmo nunca tendo existido, é o perfeito estereótipo do “ingrato”, ele foi salvo por Jesus, amado, cuidado pelo Mestre (que mesmo sabendo que Judas era um ingrato, lavou seus pés)… mas (Judas) não reconheceu, ele foi ingrato, infiel e traidor. Mesmo assim, Jesus nunca o rejeitou…

Esse Jesus mítico nos ensina muita coisa, por exemplo, ele tinha uma (entre muitas) característica: Ele não se iludia em relação as pessoas… Ele não gerava expectativas. Ele não fantasiava ou idolatrava.  Ele ama sem se iludir.  É por isso que Jesus não sofreu quando Judas o traiu, porque ele já sabia quem era Judas, Ele já tinha visto a ingratidão no coração de Judas. Jesus sabia que não podia esperar nada dele, a não ser traição e ingratidão. Jesus não se decepcionou com Judas, pelo contrário, Ele se preparou para ser traído. Ele já sabia com que tipo de pessoa estava lidando.

É claro que esse Jesus se entristeceu com a decisão de Judas, pois Jesus o amava, mas Ele não se deixou iludir, Ele não gerou expectativas. A ilusão fere muito, isso acontece porque quando ela cai, tudo que foi fundado sobre ela, cai junto. Isso serve para todas as áreas das nossas vidas, mas principalmente para os relacionamentos.

Muitos “Judas” vão aparecer nas nossas vidas… faz parte. E EU, COMO PROFESSOR, VI MUITOS.  Mas nós teremos que aprender a lidar com cada um “deles”, e não deixar que eles destruam a nossa capacidade de amar e de acreditar no amor verdadeiro (e na mudança das pessoas).  A verdadeira gratidão está ligada ao exercício de “se ver”. Ela “brota”daí.

Observe, quando nos enxergamos, quando honestamente “nos vemos”, e, (sem medo da rejeição) percebemos quantas pessoas nos amam e não nos deixaram (mesmo sabendo de todos os nossos defeitos…) nasce em nosso coração uma profunda gratidão.  Nós, seres humanos, somos assim: Quando percebemos as nossas limitações (quando nos enxergamos), temos medo que os outros também percebam (enxerguem) e nos rejeitem por causa delas. Por isso, tentamos esconder das pessoas os nossos defeitos a todo custo. Mas isso não adianta.

Mais cedo ou mais tarde, as nossas limitações e defeitos (principalmente aqueles que tentamos a todo custo esconder das pessoas) vão aparecer. Isso vai acontecer sem querer, na hora da raiva, do nervosismo… sem querer acaba aparecendo pra todo mundo.  Isso de certa forma é bom, porque é nessa hora que saberemos a verdade sobre as pessoas ao nosso redor, é nessa hora que conheceremos o caráter de cada um que nos cerca, porque, se ao ver os seus defeitos, uma pessoa te abandonar, ela(e) está mostrando que não te ama de verdade, ou que não está disposta a te amar e te aceitar como você é.

Por isso, mesmo que tenhamos medo da rejeição, é melhor vencermos esse medo, e deixar que as pessoas nos conheçam de verdade. Assim diminuímos o risco de decepcionar e de sermos decepcionados. Realmente dói muito a rejeição, mas dói bem menos quando não criamos raízes, quando ainda estamos no começo de um relacionamento… por isso temos que ser “o mais transparente possível” com as pessoas, para não geramos expectativas falsas e infundadas (defraudações). Eu te garanto que a ingratidão dói muito mais que a rejeição (falo por experiência própria, pois já senti das duas), porque a ingratidão é a rejeição ”concentrada”, ou seja, podemos passar por uma rejeição, e não “rolar” ingratidão junto… mas sempre que rolar ingratidão, junto dela haverá rejeição. É sempre assim, porque o próprio ato de ser ingrato, é um ato de rejeitar.

É por isso que dói tanto quando alguém a quem nos dedicamos, se torna ingrato(a), age com ingratidão conosco, porque nos sentimos profundamente rejeitados e “des-amados”. Para mim, que sou um bobo, é um desafio lidar com a ingratidão de um modo geral, mas principalmente com as pessoas ingratas, aquelas que tem essa “natureza”. Acho que isso acontece porque sou grata… Tenho gratidão em meu coração… e por isso, acabo por gerar uma expectativa nas pessoas ao meu redor… não é fácil. 

O ingrato esquece com muita facilidade… não as coisas ruins, mas esquece as coisas boas que fizeram por ele(ela).  O ingrato vive no “seu mundo”, busca apenas os seus próprios interesses. É um tipo de pessoa que se torna cega (cego) para o amor (e doação) de quem está ao lado.  Outra característica da personalidade do ingrato é a desobediência que leva a rebeldia… e a infidelidade.


Como o ingrato acha que sabe das coisas, ele (ela) não ouve a mais ninguém, não aceita conselho de ninguém, não considera ninguém capaz de liderá-lo(a) ou de aconselha-lo(a), o ingrato finge aceitar, mas na verdade, ele(a) não aceita se submeter a autoridade, porque ele(a) realmente acredita que sabe o que é bom para si. Uma outra característica do ingrato é sugar ao máximo a pessoa que lhe estende  a mão, no fundo ele tem uma dose de psicopatia.

Por exemplo, quando eu fazia churrasco na minha casa, regado a carnes de primeira e muita bebida, ou ainda quando bancava noitadas de cervejas nos barzinhos da moda ,  sustentados a base de um cartão benevolente eu imaginava que tinha amigos. Ainda quando aquelas meninas, e elas sabem de quem falo, me assediavam na universidade eu também me imaginava poderoso, entretanto,  quando me vi numa UTI com o coração parando, cercado por médicos e enfermeiros e ninguém que eu conhecia ao meu lado, ali..eu vi que na verdade eu não tinha ninguém. Hoje, graças a uma moça chamada Maria ( por coincidência o nome da mãe de jesus)  estou vivo e quando pergunto a ela,  o que devo fazer para reembolsa-la ela diz.:.." Não precisa..eu faria o mesmo a qualquer outro ser humano, Alacir você é uma pessoa boa.."

Olhando nos olhos de Maria eu entendi,  e hoje com a alma limpa posso lhes dizer que os perdoo, ...Sejam, ou seja,  felizes, Feliz!! 


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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

ENEM 2017- Mais um simbolo

ENEM: O SÍMBOLO DE UMA CONTEMPORANEIDADE DOENTE...


Por Alacir Arruda

Mais um ano se inicia, e com ele as esperanças de milhares de jovens Brasil a fora. O   ENEM se tornou, nos últimos anos, a coisa mais importante para aqueles, sobretudo os mais jovens, que almejam o Ensino Superior num país onde menos de 13% possuem o terceiro grau. É evidente que como tudo no sistema capitalista, o ENEM se tornou um"produto", e um produto  altamente rentável, que o diga as escolas particulares e cursinhos que "racham" de ganhar dinheiro prometendo " o deus e o mundo" a jovens desesperados que buscam sua aprovação a qualquer custo. 

Desses pobres coitados,  que sofrem diariamente cobranças de seus pais e da sociedade,  menos de 0.02% atingem seus objetivos em cursos extremante concorridos como: medicina e engenharias nas Universidades Federais. É um CRIME isso que assistimos, em que alguns sistemas educacionais  monopolizam  as aprovações sob a conivência do Estado. Alias, recentemente,  descobri que a  maioria dos sistemas educacionais e algumas universidades particulares no Brasil pertencem a Deputados, Senadores e Ministros. Está explicado a leniência. Isso  só vem confirmar a velha máxima de que: " Educação enriquece, pergunte aos donos de escola". 

Diante do acima exposto, qual a chance de um (a) "desvalido (a)"  - branco (a) ou negro (a) - que nasceu numa classe menos favorecida e estudou a vida toda em escola pública, que hoje é mais conhecida como "cadeião", passar em medicina via ENEM? Deixa que eu respondo: NENHUMA. As vagas em cursos superiores elitistas, já estão reservados aos mais abastados. Ora, e quando uma negra filha de um vigilante e de uma dona de casa passa em 1 lugar em medicina na USP Ribeirão Preto Alacir, como você explica isso? Simples, isso Darwin explica,  é uma aberração da natureza, fatos que ocorrem um em 1 milhão, e digo mais, a chance de uma outra  negra (o|)  filha (o) de pobres, vindo de escola pública  passar em primeiro lugar nesse mesmo exame é a mesma de  você ganhar  na mega sena da virada. Isso não sou eu quem diz,  são dados da FGV. 

Vou fundamentar tudo o que digo utilizando como referencial o pensamento de um dos maiores pensadores do seculo XX, o filosofo francês Jean Baudrillard. Esse pensador  defendeu a tese de que, na sociedade contemporânea, aos símbolos são dados muito mais destaque do que a própria realidade. As discussões feitas com base no ENEM 2017 dão mostras de que o filósofo francês estava correto.

O ENEM foi criado em 1998, no governo FHC, pelo ministro da Educação Paulo Renato. Seu intuito, na teoria, era avaliar as instituições escolares para a construção de Planos Curriculares que auxiliassem na melhoria da qualidade do Ensino e, por tabela, selecionassem alunos bolsistas em universidades particulares pelo PROUNI. Na prática, o que se viu foi o exame servir de ranqueamento de escolas e claro que, por meio disso, criou-se uma guerra publicitária entre as particulares tendo como base o desempenho dos seus alunos no exame nacional. Ou seja, dentro da linha neoliberal, era uma medida educacional que auxiliaria as escolas privadas a praticarem o discurso de excelência enquanto que as escolas públicas seriam destruídas.

Em 2009, no governo Lula, o ministro da educação Fernando Haddad reformulou o Enem a fim de universalizar o acesso às faculdades federais. Foi a partir daí que o exame ganhou apelo popular e se transformou numa das vitrines do governo petista. Atrelado à política de cotas para alunos negros, indígenas e oriundos das escolas públicas, o ENEM se transformou numa esperança do pobre fazer uma faculdade gratuita.

No entanto, o ENEM ainda continuou a ser um exame para a elite. As cotas e a “democratização” do acesso pouco mudaram a realidade dos cursos mais cobiçados deste país. Por exemplo, num país em que 53% da população é negra, apenas 2,0% dos formandos do curso de medicina são desta etnia. Ao mesmo tempo, são pouco mais de 230 mil vagas oferecidas pelas instituições que selecionam por meio do exame, isto é, pouco menos de 4% dos candidatos terão uma vaga num curso técnico ou superior numa universidade pública. Somando este número com as bolsas oferecidas pelo PROUNI, não se chegam a 8% dos contemplados pela oportunidade de estudar gratuitamente. E, tendo como base o descalabro ja citado acima  das escolas públicas deste país, sabemos que os alunos da classe média e da elite estão bem à frente nesta concorrência. Concomitantemente ao ENEM, o acesso à faculdade para a população menos abastada se deu pelo FIES, programa de financiamento de ensino nas universidades privadas, cujos favorecidos possuem um prazo extenso com juros baixos para quitar sua dívida, o que vai criar uma bolha financeira, assunto para outra coluna.

O ENEM não resolveu a exclusão dos negros e brancos pobres  ao acesso aos cursos mais cobiçados. Numa época de ajuste fiscal, é claro que a política de acesso às universidades não ficaria imune às medidas neoliberais que o governo TEMER vem adotando e  tende a piorar esse quadro para 2018 e 2019. O ENEM de 2017 foi elaborado no intuito de dificultar o desempenho dos alunos das camadas populares, pois, para o candidato ter direito ao financiamento do FIES, seu desempenho no exame deve ser de 500 pontos e não ter zerado a redação. Ora, coincidentemente este foi o ENEM mais difícil de sua história, em que as questões exigiam um esforço intelectual de graduandos e não de jovens acabando de sair do Ensino Médio.

O ENEM tem se tornado a cada ano mais dificil,  e nem vou usar como exemplo o ultimo, vou  tomar analisar o ENEM 2015 em que uma questão sobre um poema de Olavo Bilac em que foi pedido ao aluno reconhecer através do poema a ideologia ufanista da Primeira República. Imagino o aluno de uma escola estadual de SP, onde as cartilhas porcamente abordam o tema literário, como ele deve ter quebrado a cabeça até decidir chutar tal questão. Outra questão, abordava o pensamento do esloveno Slavoj Zizek, um filósofo contemporâneo ainda descobrindo o fundamento e a proposta de sua filosofia que se delineia mais concretamente em seus últimos livros. Assim, duvido que Zizek esteja em alguma página de algum livro usado por alguma instituição de Ensino Médio deste país. O leitor mais atento pode assinalar que a questão era interpretativa. Sim, há de se concordar, mas o leitor que saia pelas escolas do país a entrevistar os alunos e lhes pergunte o significado da palavra alteridade. Certamente se decepcionará com o desconhecimento da linguagem culta dominada apenas pela elite econômica e por uma elite intelectual. Simone de Beauvoir, Weber, Sevcenko, Paulo Freire (este me surpreendeu, já que pedagogia não é disciplina do Ensino Médio) são autores pouco ou nunca abordados em escolas.

E eis que por conta de tais nomes, direita e esquerda se digladiam em torno de meros símbolos, simulando uma luta de classe no espaço de papel de uma prova. A direita patética ao ver em poucas questões uma doutrinação marxista em nomes que nem marxistas se diziam. E a esquerda sendo escrota a comemorar tais nomes nas questões, enquanto que o alunado pobre, que sabe que o acesso ao ensino superior é uma engrenagem de ascensão social na forma como nossa sociedade se estrutura, e, alheio a esses símbolos, se depara com uma prova totalmente excludente. Ou seja, a esquerda, ou grande parte dela, se isentou de fazer a crítica correta, pautada na realidade e não em simulações, à uma prova feita para a direita, já que só alunos das escolas de elite tinham condições de fazer um exame daqueles, no intuito de agradar a esquerda, pois certamente a presença dos nome ligados à bandeiras progressistas foi utilizada como cortina de fumaça para que indivíduos de tal setor elogiem a prova em seu conteúdo, mas esquecendo, ou desprezando, que sua forma se pauta na ideologia meritocrática concretizando como instrumento de exclusão, dada a falência das escolas dos pobres deste país.

Devemos fazer as críticas à diferença entre escola de pobre e escola de rico. Tirando o fator positivo do tema da redação, não há o que comemorar. A luta por uma sociedade melhor está longe de focarmos na importância de questões com autores de esquerda numa prova. Os que almejam pela emancipação humana devem fazer obrigatoriamente uma distinção entre as propriedades de um objeto real e os anseios de significados sobre o objeto. O ENEM continua sendo uma prova para as elites porque só as escolas destas preparam seus alunos para tal exame. De nada adianta ganhar o espaço ideológico dentro da prova enquanto que nas escolas deste país os alunos das camadas pobres sequer têm acesso a uma boa alfabetização, a livros e a materiais que os façam entender a dominação sob a qual estão. Urge a discussão do porquê as universidades públicas deste país serem das elites enquanto que uma merreca é oferecida às demais camadas como propagação da ideologia meritocrática. Urge a discussão do que é realmente o ENEM dentro dessa engrenagem excludente. Mas, enquanto tal discussão é calada por aplausos vindos daqueles que a deveriam fazer, o ENEM se caracteriza como uma prova da direita para agradar à esquerda.

Voltando a Baudrillard, o ENEM se tornou em mais um grande "símbolo" de uma contemporaneidade que se perdeu em valores  bossais como:  uma "maçã mordida", uma letra 'F' azul entre outros que, assim como o ENEM,  marcam a consciência de nossos jovens. O conhecimento pouco interessa visto que outra marca desse período é a efemeridade, nenhum conhecimento deve durar mais que o suficiente para eu obter lucro com ele, após isso ele é descartado. Agora eu entendo porque em 2015, eu dando aula e um curso de direito,  ao perguntar  onde ficava o Haiti, mais de 60% da sala  foram enfáticos: -ÁFRICA"!!!! Pode?

Mas a vida segue....e bom ENEM a todos..

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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O indulto de Temer - Vergonha

TEMER E O INDULTO DA ALEGRIA - O FEIRÃO DE NATAL..

Por Alacir Arruda

O presidente Temer não toma "tenência" mesmo, a impressão é que besteira pouca, para ele,  é bobagem. Em um ano e meio de governo foram  tantas M....que ele fez que hoje podemos dizer que  Brasília é um  verdadeiro  escritório do crime organizado, onde as trocas de favores correm solto e o fisiologismo impera. A última desse presidente satírico é o INDULTO DA ALEGRIA - FEIRÃO DE NATAL OU BLACK FRYDAY, também chamado de Indulto de Natal que deve colocar nas ruas uma série de BANDIDOS do colarinho branco numa clara demonstração que esse Presidente esta Cag....e andando para o judiciário e a única frase que ele conhece é: "aos amigos tudo, aos inimigos os rigores da lei".

A nossa salvação é que temos,  no Supremo Tribunal  Federal  e na Procuradoria  Geral da Republica, duas mulheres de "peito", literalmente. Com a decisão da Presidente do Supremo, Carmem Lucia,  de revogar alguns artigos desse indulto vergonhoso,  retomamos, ao menos em parte,  a normalidade e uma relativa harmonia entre os poderes . Mas o presidente  satírico já pronunciou que esta preparando outro Decreto de Indulto, com certeza pensando em benesses próprias.

A critica a essa aberração cometida pelo Presidente foi geral. O coordenador da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, usou e abusou das redes sociais para criticar o decreto de indulto de Natal para presos, assinado pelo presidente Michel Temer na sexta-feira (22/12). Em mais de uma dezena de posts no Twitter, ele atacou a iniciativa que chamou de “feirão de Natal para corruptos”.

“Pra que acordo de colaboração premiada? O presidente Temer resolve o problema do corrupto. Em 1/5 da pena, está perdoado pelo novo decreto de indulto natalino. Melhor do que qualquer acordo da #LavaJato!!! Liquidação!!”, reagiu Deltan.

O procurador exemplificou ainda. “O político João Argolo, preso em abril de 2015, agradece o presidente Michel Temer pelo indulto de Natal. Foi condenado na #LavaJato a 12 anos e 8 meses de prisão por corrupção e lavagem, mas já pode sair da cadeia. Se Você acha que é piada de mau gosto ou notícia do Sensacionalista, isso é só o começo se você não escolher bem os candidatos a deputado federal e senador em 2018″.

Dallagnol citou outro caso, o de Marcelo Odebrecht, que passou a cumprir,  semana passada, a pena em sua casa, após dois anos e meio na cadeia. Condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, ele foi condenado a 31 anos de prisão. Com a delação fechada pela Lava Jato, e após pagar multa de R$ 73 milhões, a pena foi reduzida a 10 anos, com progressões sucessivas de regime.


O presidente Michel Temer ignorou solicitação da força-tarefa da Operação Lava Jato e recomendação das câmaras criminais do Ministério Público Federal ao assinar o decreto. Os procuradores pediam, entre outros pontos, que os condenados por crimes de corrupção não fossem agraciados pelo indulto. O texto publicado no Diário Oficial também reduz o tempo necessário de cumprimento de pena para obter o perdão.

O benefício de Natal é previsto na Constituição e concede supressão da pena, se atendidos determinados requisitos como cumprimento de parcela da punição. Antes, para os crimes cometidos sem grave ameaça ou violência, era preciso cumprir um quarto da pena em casos de não reincidentes. No decreto deste ano, o tempo caiu para um quinto da pena.

Porém, em sua decisão, a Ministra Cármen Lúcia  disse que indulto não é nem pode ser instrumento de impunidade. É providência garantidora, num sistema constitucional e legal em que a execução da pena definida aos condenados seja a regra, possa-se, em situações específicas, excepcionais e não demolidoras do processo penal, permitir-se a extinção da pena pela superveniência de medida humanitária.

A presidente do STF também afirmou que o princípio da proporcionalidade parece afrontado pelos trechos do decreto agora impugnados, porque dão concretude à situação de impunidade, em especial aos denominados ?crimes de colarinho branco?, desguarnecendo o erário e a sociedade de providências legais voltadas a coibir a atuação deletéria de sujeitos descompromissados com valores éticos e com o interesse público garantidores pela integridade do sistema jurídico, ressalta Cármen.

Em suma, indulto é para quem merece, nao para quem expropria o erário guardando 53 milhões em apartamentos, comprando anel de quase um milhão de reais para esposa com dinheiro publico, vendendo carne estragada e assinando delação que permite morarem Nova York e nunca ir para a cadeia, comprar apartamento vizinho de onde mora e  sitio em Atibaia. Enfim, são inúmeros os casos de corrupção que atordoaram esse país e que  um Presidente não tem o direito de, com apenas uma canetada,  destruir o trabalho de anos de uma força tarefa importante, como a Lava Jato,  que tenta moralizar a politica brasileira..

#foratemer

De sua opinião.



quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Viver é sofrer- Schopenhauer

"O MUNDO COMO UM LOCAL DE PENITÊNCIA"
(Arthur Schopenhauer)

Por Alacir Arruda

Enquanto o sistema me permitiu estar em sala de aula ( por 24 anos) eu sempre deixei claro aos meus alunos, nas diversas faculdades que passei,  que Arthur Schopenhauer (1766-1844) era o meu filósofo predileto, apesar de achar Nietzsche imbatível. As razões para essa predileção fogem a qualquer tentativa racional de explicação. 

Para esse pensador alemão, o mundo constitui o inferno e nós formamos em parte os atormentados, e noutra, os demônios. Antecipando-se aos que possam criticá-lo, ele próprio se defende-se: “Agora terei de ouvir novamente que minha filosofia é desesperada somente porque me expresso conforme a verdade, mas as pessoas querem que se lhes diga que o Senhor Deus tenha feito tudo do melhor modo. Dirijam-se à igreja, e deixem em paz os filósofos.”

Ainda segundo ele, um  animal tende a  permanecer livre das aflições, dos tormentos e das preocupações, no entanto, por dispensar a esperança, não participa da antecipação de um futuro alegre que se dá por meio dos pensamentos imaginativos, fonte de tantas alegrias e prazeres para nós: “(…) a consciência humana possui um campo de visibilidade que abrange a totalidade da vida, e mesmo vai além”.

E prossegue;  é a capacidade cognitiva superior que faz nossa vida mais sofrida do que a dos animais, de modo que podemos remeter isso [a capacidade cognitiva superior] a uma lei mais geral e alcançar assim uma visão muito mais ampla. Que visão será essa?

Conhecimento em si mesmo, afirma, é sempre indolor. Sofremos mesmo é quando a satisfação de nossa vontade está obstruída e temos consciência disso: “Que a dor espiritual seja condicionada pelo conhecimento, compreende-se por si, e que cresce conforme o grau [de conhecimento] do mesmo, pode ser facilmente verificado (…).

O filósofo diz que na infância, por exemplo, nos situamos frente ao curso do futuro de nossa vida, numa expectativa alegre do por vir, que é uma sorte não sabermos o que virá e que, condenados à vida ainda não ouvimos o conteúdo de nossa sentença e que, ainda assim, todos nós desejamos atingir uma idade avançada.

Miserável, imperfeito, assim é o mundo e o mais perfeito de seus fenômenos, o homem: “(…) qual crianças de pais displicentes, já viemos ao mundo dotados de culpa, e que só porque continuamente devemos expiar esta culpa, nossa existência se torna tão miserável e tem como fim a morte.”

Nada é mais certo, diz Schopenhauer, do que, em palavras gerais, o homem ser o mais grave pecado do mundo que provoca o múltiplo e imenso sofrimento do mundo; insistindo que não se indica aqui a conexão físico-empírica, mas a metafísica.

Conforme esse ponto de vista, assegura que apenas a história do pecado original – única verdade metafísica – o reconcilia com o Antigo Testamento: “Pois a nada mais nossa existência se assemelha tão perfeitamente, como à sequência de um passo em falso e de um desejo condenável.”

Para que não nos enganemos, convém que tenhamos em mente que nada se presta melhor como bússola para uma boa orientação na vida do que cultivarmos o hábito de considerar este mundo como local de penitência, e portanto também como uma espécie de instituição penal: “(…) a penal colony, uma ergastérion, como já a denominara os mais antigos filósofos e entre os anciães cristãos, Orígenes [que] o afirmava com ousadia digna de louvor, concepção esta que também encontra sua justificativa teórica e objetiva não somente em minha filosofia, mas na sabedoria de todas as épocas, ou seja, no bramanismo, no budismo, em Empédocles e Pitágoras; como também em Cícero: 'Nascemos para expiar as penas de alguns crimes contraídos na vida anterior'.”

Considerando do maior vigor a expressão de Vanini, Schopenhauer o cita: “O homem está repleto de tantas e tão grandes misérias que, se não fosse incompatível com a religião cristã, ousaria dizer: se existem demônios, eles próprios expiam as penas do crime, transmigrando para os corpos dos homens”.

O fato é que, para Schopenhauer, mesmo no cristianismo genuíno e bem compreendido, nossa existência é concebida como consequência de uma culpa, um passo em falso, diz ele.

Sendo assim, assumido o hábito – o de se considerar este mundo como local de penitência – disporemos de nossas expectativas de vida de modo a se adequarem à realidade dos fatos e encararemos as contrariedades, os sofrimentos, os tormentos e as necessidades não mais como algo inesperado e contrário à regra, porém inteiramente em ordem, muito cientes de que aqui, cada um é punido por sua existência, e cada qual a seu modo.

Mas, como se sentirá o homem bom, a bela alma, num mundo tão hostil? Schopenhauer diz que se sentirá como um nobre prisioneiro político, nas galeras, entre criminosos comuns e que procurará se isolar: “E de um modo geral a referida concepção nos habilitará a contemplar as assim denominadas imperfeições, a constituição moralmente, intelectualmente e portanto, também fisionomicamente indigna na maioria das pessoas, sem estranheza e muito menos indignação: pois sempre teremos à mente o lugar como um ser que existe apenas em consequência de sua culpabilidade, cuja vida é a expiação do pecado de seu nascimento.”

Para ele, o que o cristianismo denomina – a natureza pecaminosa do homem – constitui o fundamento dos seres, que encontramos neste mundo como nossos semelhantes. Em consequência da constituição deste mundo, acrescenta, se encontram principalmente e mais ou menos em um estado de sofrimento e de insatisfação, inadequado para nos tornarem mais participantes e cordiais, e por fim, que nosso intelecto, na maioria dos casos, é tal que serve mal e mal aos desígnios de nossa vontade.

É por essas diretrizes que devemos orientar nossas expectativas quanto à sociedade neste mundo. E quem adota este ponto de vista, poderia considerar o impulso à sociabilidade uma inclinação condenável, pondera.

Ainda assim, para Schopenhauer, a convicção de que o mundo, e portanto também o homem é algo que propriamente não deveria ser, é adequada a nos prover de tolerância uns em relação aos outros; pois: “O que há de se esperar de seres sob tais predicamentos?”, indaga.

Irônico, diz que o tratamento apropriado entre os homens, em lugar de Senhor, Monsieur, Sir, etc., deveria ser “companheiro de infortúnio, soci malorum, compagnon de misères, my fellow-sufferer” e que, por mais estranho que possa parecer, lança sobre o outro a luz apropriada e recorda o necessário, a tolerância, paciência, piedade, amor ao próximo, indispensável a todos, e portanto, de que todos são devedores.

O caráter das coisas deste mundo, precisamente do mundo humano, afirma o filósofo do “pessimismo”, não é tanto, como se afirma com frequência, imperfeição, mas distorção, no que se refere ao moral, ao intelectual, ao físico, a tudo.

E a desculpa para tantos vícios: “(…) isto é natural ao homem” não basta, pois na verdade deveria ser: “justamente por ser perverso, é natural, e justamente porque é natural, é perverso”, compreensível se à luz da doutrina do pecado original, fundamento que nos constitui. Trata-se de uma constituição básica má, tanto que ninguém suporta ser observado atentamente, provoca o filósofo.

Partindo dos pressupostos acima, o que esperar dos seres humanos? Talvez julguemos nossos semelhantes com mais tolerância. E não nos espantaremos se os demônios que estão em nosso interior, vez ou outra, despertem e surjam nos outros. Pois, saberemos apreciar melhor o bem que, apesar de tudo, se instalou em nós, seja por conta de nosso intelecto ou por alguma outra coisa.

Justamente pela vida constituir um estado de necessidade e de miséria, em que cada um precisa lutar e disputar por sua existência, nem sempre assumimos a expressão mais cordial, salienta. Se o homem fosse aquilo por que pretendem fazer dele todas as religiões e filosofias otimistas – a obra ou até mesmo a encarnação de um deus – quão diferente seria o relacionamento de cada pessoa conosco.

Devemos ser tolerantes com a estupidez, falhas e vícios humanos, pois o que temos diante de nós é somente nossa própria estupidez, falhas e vícios: “trata-se de erros da humanidade, a que pertencemos, possuindo também todas as falhas, mesmo aquelas sobre as quais nos indignamos, mesmo que agora não se manifestam em nós, pois não se encontram à superfície, repousam no fundo, mas se apresentarão à primeira oportunidade.

Reconhece que a diferença das individualidades é inavaliavelmente grande e que por isso em uma pessoa se ressalta um determinado tipo de maldade, noutra, revelar-se-á algum outro tipo, de outro modo, pois não se pode negar que varia-se o grau de adesão àquilo que verdadeira e antecipadamente somos: antecipadamente condenados, miseráveis pecadores.

Ou como ele próprio definia: "O destino é cruel e os homens dignos de compaixão"


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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A felicidade e a filosofia

A FELICIDADE SOB A ÓTICA DA FILOSOFIA..

Por Alacir Arruda

Nesse momento,  em que se intercalam as festas natalinas e o final de ano  e as sensações emotivas ficam mais afloradas, é muito comum as pessoas  aproveitarem para fazer um  tipo de "Check List" de tudo que eles fizeram durante o ano: Família, Trabalho, relacionamento etc.. Porém, nada incomoda mais os indivíduos modernos que uma palavra; a felicidade. Vivemos um período histórico onde a sociedade carrega dentro sí um vicio: "precisamos ser feliz, não importa o custo". Como se essa felicidade trouxesse em seu bojo  o antídoto para um mundo que se perdeu em seus objetivos. Não importa que essa felicidade venha travestida de coisas bossais como:  um novo Smart Fone,  uma Smart Tv com NetFlix , uma cirurgia plástica para levantar "as coisas" ou arrumar outras, ou ainda um namorado (a) rico (a).  Não importa. Precisamos ser feliz!!!

A felicidade é uma das palavras mais difíceis de definir. A felicidade do mistico  não tem nada a ver com a do homem poderoso ou da pessoa comum.  Assim como na vida cotidiana encontramos diferentes definições para a felicidade, na filosofia também existem diferentes abordagens para o tema. “Todos os mortais estão em busca da felicidade, um sinal de que nenhum deles é feliz”. 

Para Aristóteles, o mais proeminente dos filósofos metafísicos, a felicidade é o maior desejo dos seres humanos. Do seu ponto de vista, a melhor forma de conseguir ser feliz é através das virtudes . Cultive as boas virtudes e alcançará a felicidade.

Segundo Aristóteles, a felicidade é um estilo de vida: o ser humano precisa exercitar constantemente o melhor que tem dentro dele.É preciso cultivar também a prudência de caráter e ter um bom “daimon” (boa sorte), para alcançar a felicidade plena. Por isso, a sua tese é conhecida como “eudaimonia”.

Aristóteles forneceu a base filosófica sobre a qual foi edificada a igreja cristã. Por isso, existe uma grande semelhança entre o que este pensador propôs e os princípios das religiões judaico-cristãs.

-Epicuro e a felicidade hedonista

Epicuro era um filósofo grego que teve muitas contradições com os filósofos metafísicos. A diferença entre eles é que ele não acreditava que a felicidade provinha somente do mundo espiritual, mas também tinha muito a ver com as dimensões terrenas.

Ele fundou a “Escola da Felicidade” e a partir dela chegou a conclusões muito interessantes.

Ele postulou o princípio de que o equilíbrio e a temperança davam origem a felicidade. Essa abordagem se reflete em uma das suas grandes máximas: “Nada é suficiente para quem o suficiente é pouco”.

Ele acreditava que o amor, ao contrário da  amizade, não tinha muito a ver com a felicidade. Insistia na ideia de que não devemos trabalhar para adquirir bens materiais, mas por amor pelo que fazemos.

-Nietzsche e a crítica da felicidade

Nietzsche acreditava que viver pacificamente e sem qualquer preocupação era um desejo das pessoas medíocres e que não valorizam a vida. Para ele, “estar bem” graças a circunstâncias favoráveis ou a boa sorte não é felicidade. Isto é uma condição efêmera que pode mudar a qualquer momento.

Estar bem seria uma espécie de “estado ideal de preguiça", não existem preocupações e sobressaltos.  Em vez disso, a felicidade é força vital, espírito de luta contra todos os obstáculos que restrinjam a liberdade e a autoafirmação.

Então para Nietzsche, ser feliz é ser capaz de provar dessa força vital, através da superação de dificuldades e criando formas diferentes de viver.

-José Ortega y Gasset e a felicidade como confluência

Para o pensador espanhol  Ortega y Gasset, a felicidade é definida quando “a vida projetada” e a “vida real” coincidem. Ou seja, quando a vida que desejamos coincide com o que realmente somos. Este filósofo observou que se nos perguntarmos o que é felicidade, encontraremos facilmente uma primeira resposta: a felicidade consiste em encontrar algo que nos satisfaça plenamente.

Mas, na verdade, essa resposta não faz sentido. O que é esse estado subjetivo de satisfação plena? Além disso, quais são as condições objetivas para que algo consiga nos satisfazer”? Todos os seres humanos têm potencial e desejo de ser feliz. Isto quer dizer que cada um define o que irá fazê-lo feliz; se conseguir construir a sua vida de acordo com os seus desejos, será feliz.

-Slavoj Zizek e a felicidade como paradoxo

Este filósofo acredita que a felicidade é uma questão de opinião, e não de verdade; ele a considera um produto dos valores capitalistas que prometem implicitamente a satisfação através do consumo. No entanto, o ser humano é um eterno insatisfeito porque na realidade não sabe o que quer.

As pessoas acreditam que se alcançarem algo melhor (comprar uma casa, elevar o seu status, etc), poderiam ser felizes. Mas, na realidade, inconscientemente o seu desejo é outro e por isso permanecem insatisfeitos.

Ser feliz, ou não, creio ser um prerrogativa pessoal. Encerro com o grande pensador francês Voltaire que certa vez exclamou: "Os homens que procuram a felicidade são como os embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm.


E para você, o que é felicidade? - Feliz 2018...!!!



sábado, 23 de dezembro de 2017

2017, esse é para esquecer

2017 UM ANO PARA ESQUECER..

Por Alacir Arruda

Tenho grande respeito por quem considerou, ou considera,  o ano de 2017 um bom ano, afinal sempre defendo  a tese de que gosto não se discute.se lamenta. Porém, entretanto, todavia, na minha modesta opinião é  um ano para se esquecer e não lembrar, sequer, do aniversario...Ohh ano desgraçado...

Há diversos episódios em nosso passado que fazem o Brasil ocupar o seu lugar na história. Repetimos esse feito em 2017, com um fato sem paralelos que nos colocou sob os holofotes de todo o planeta: somos o palco do maior caso de corrupção e de pagamento de suborno na história mundial, protagonizados pelos seguintes atores:  Odebrecht, Braskem, OAS, Andrade Gutierrez. Queiroz Galvão entre outras... Para um ano que está terminando, mas que parece mesmo é interminável, podemos nos considerar sobreviventes. Resistimos a um ciclo de revolução e subversão, agressivo e traumático, como se, a cada dia, um ente querido nos deixasse. 

Por exemplo, tivemos a  famosa "corridinha" do Loures que até não foi explicada, as relações nada republicanas do senador Aécio Neves com os irmãos Batistas, fora a confirmação de que Jucá, Renan, Moreira Franco, Padilha fazem parte de uma "quadrilha" capitaneada pelo sr. Presidente. Tivemos ainda outra confirmação: a de que Sergio Cabral é um bandido muito mais perigoso do que pensávamos um verdadeiro chefe de uma máfia que durante 20 anos saqueou e afundou o Rio de Janeiro na maior crise que já se viu nesse país, em tempo: Garotinho e  sua esposa também fazem parte dessa corja.. Mas sem duvida aquilo que mais chocou os brasileiros foi o comportamento, um tanto quanto, " estranho' do Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes tomando algumas decisões, no minimo,  suspeitas, retirando de prisão alguns dos maiores criminosos do Brasil como: Garotinho, Barata, e a esposa do Cabral, aquela do anel de quase um milhão.....Aliás, corre a boca pequena que;  Fernandinho Beira Mar, Nem da Rocinha e até Marcola do PCC querem que o Ministro revisem seus processos....Pode...?

Pulsa o sentimento em cada brasileiro de um luto eterno.

Eu gostaria de acreditar em iminentes chances de nosso renascimento como nação e cidadãos. Mas a verdade é que, nem mesmo para o mais persistente dos homens e dos militantes das causas justas, a proximidade de 2018 produz um grande alívio. 2018 será um ano de transição, de passagem, em que todos teremos de nos equilibrar sobre bases ainda frágeis e trepidantes, afinal é um ano de eleições,  então saberemos o quanto o brasileiro gosta de sofrer..me recordo da  famosa máxima de Adolf Hitler , que diante de milhares de militares ele "depenou" uma galinha viva que gritava de dor, após depená-la, ele  a soltou e ofereceu a ela milho, ela, mesmo sofrendo de dor, foi correndo em suas mãos comer o milho. No final, frente a uma platéia chocada ele disse: "com o povo é mais ou menos assim,n quanto mais você os oprime, os humilha, mas eles correm em sua direção. Será que veremos isso no Brasil ano que vem...?

Creio que em  2018, do ponto de vista político, talvez possamos iniciar um processo de reflexão sobre o novo perfil de líderes que gostaríamos de ver nos representando. Continuaremos com nossas agruras econômicas, porém, com alguma possibilidade de amenizar essas questões. Teoricamente, alimentamos as oportunidades de destacar pessoas mais comprometidas com a ética e com segmentos sensíveis, como economia, educação, agricultura e saúde. Líderes que se comportem como batalhadores, defensores desses setores. Mas, a realidade é mais pragmática: 2017 não será - e sinto se irei frustrar as suas expectativas com essa afirmação - um ano de transformações.

Na saúde, as perspectivas mais parecem uma ilusão da memória que nos traz a sensação de que já estivemos nesse mesmo lugar antes. Só que não se trata de alucinação. A visão cada vez mais centrada na doença e menos na saúde irá perdurar no ano que se inicia, consagrando instituições públicas e lideranças setoriais alinhadas com esse pensamento que nos aprisiona. Exames que não foram realizados, marcação de cirurgias, pagamentos de consultas, entre outras discussões superficiais e infindáveis, terão distantes a conclusão que verdadeiramente nos importa: o diagnóstico mais consensual possível entre os players do setor, pensando, juntos, novos modelos de remuneração e uma solução mais estruturada para a saúde.

Enquanto não abandonarmos nossas verdades parciais e assumirmos um objetivo único, vagaremos como Alice em uma obra de Lewis Carroll: “se você não sabe para onde ir, qualquer lugar serve”.

Como podemos, então, enfrentar um ano de mais do mesmo, de espera prolongada e sonhos adiados?

Temos de manter a confiança na renovação democrática e republicana. Essa é a luta que escolhemos, a única possível. E um dos pilares de nossa democracia é o judiciário.

A caça às pessoas mal-intencionadas, corrompidas pela ideia de que o sucesso só acontece sobre o prejuízo do direto do outro, ajudará nosso País a estiar os seus pecados. Então, quando finalmente chegar 2018, poderemos, aí sim, acreditar na possibilidade de reconstrução de nossas ruínas.

Até lá, que tenhamos serenidade para recuperar nossas forças, curar nossas doenças, recobrar nossa capacidade de realização. E que tenhamos, também, um pouco de carinho por nossas vulnerabilidades. Porque, se já provamos que a dor é um meio implacável de evolução, também temos a chance de experimentar, por meio da fé, a posse antecipada daquilo que desejamos.

Desejo um Feliz...Natal  e um 2017 cheio de paz e harmonia, junto aos seus  aos mais de 120.000 leitores desse modesto  blog, que busca, unicamente,  alertar e denunciar as instituições que se corromperam num pais que naturalizou a coisa errada.Mesmo doente, me mantenho escrevendo...


"Hasta la vitoria siempre"


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Brasil e a extrema direita

A HISTÓRIA SE REPETE:  O EXTREMISMO "PIEGAS" CHEGA AO BRASIL..

Por Alacir Arruda


Eduardo Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro (reprodução)

A história se repete, como diria Karl Marx. Em 1º de abril de 1924,  Adolf Hitler, o líder do Partido Nazista (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães ou, em alemão, Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - NSDAP), foi  sentenciado a cinco anos de prisão por liderar o fracassado "Putsch da Cervejaria" -GOLPE- em Munique, no estado da Baviera. 

Enviado à prisão de Landsberg,  o lunático Hitler passou o tempo escrevendo sua autobiografia, Mein Kampf (Minha Luta) em que definiu claramente sua filosofia da superioridade racial ariana, a aversão ao marxismo e aos marxistas e o seu arraigado anti-semitismo, e trabalhando para aperfeiçoar suas habilidades oratórias.

Após nove meses de cárcere, a pressão política exercida por aliados do Partido Nazista forçaram sua libertação. Durante os poucos anos subsequentes, Hitler e outros líderes nazistas reorganizaram seu partido como um movimento de massas fanático, em condições de tentar conquistar a maioria no Parlamento alemão - o Reichstag – por meios legais em 1932. No mesmo ano, o presidente Paul von Hindenburg derrotou um intento presidencial de Hitler.

Entretanto, em janeiro de 1933, apoiado e pressionado pelas forças conservadoras e empresariais, pelos partidos de centro-direita, pelos liberais e parte dos social-democratas, nomeou  ( parece que a historia irá se repetir) Hitler como chanceler do Reich, na esperança de que o líder nazista com suficiente poder e respaldo político, pudesse isolar os esquerdistas e o perigo de uma revolução, mas ao mesmo tempo mantido em rédea curta como membro do gabinete presidencial. O resto da História todos conhecem.

2017 - Brasil: a impressão que temos é que o ser humano não aprende com os exemplos históricos, hoje um grupo politico parecido  é quem está em segundo lugar nas  pesquisas de intenção de votos para Presidente da Republica nas eleições de 2018. Se levarmos em contas que o atual líder das pesquisas - Lula- não conseguirá efetivar sua candidatura, imaginem para onde vamos..? Para os menos avisados segue abaixo  um RX de quem é esse individuo...

-O Patrimônio dos Bolsonaros

Essa familia é a prova, inequívoca, de que a politica rende. Dono de pautas genéricas e de apelo popular como “combate à corrupção”, defesa dos “valores cristãos” e de leis mais rígidas para punir criminosos, Jair Bolsonaro é ídolo de uma massa pouco instruída politicamente e revoltada com o que ele chama de “políticos tradicionais”.  Contudo, uma análise nas últimas declarações de bens do deputado federal indica que o maior compromisso do patriarca do clã político Bolsonaro é com a própria saúde financeira.

De acordo com dados do TSE, entre os pleitos de 2010 e 2014 a renda do parlamentar subiu 97%, já levando em consideração os efeitos da inflação sobre o valor declarado em 2010.

Em 2010, a renda por ele declarada foi de R$ 826.670,46. Quatro anos mais tarde, saltou para R$ 2.074.692,43, valor que inclui cinco imóveis, entre os quais dois que não constavam na declaração anterior. 

São duas casas localizadas na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Uma está registrada com o valor de R$ 400 mil e a outra de R$ 500 mil, bem abaixo do preço médio dos imóveis na região repleta de mansões.

A diferença entre os valores no documento apresentado à Justiça Eleitoral e o preço de mercado é comum nas declarações de bens dos políticos e está dentro de legislação, que permite a declaração do valor constatado durante aquisição do bem, sem exigir a atualização nos casos de valorização.

Este detalhe não indica irregularidades por parte de Bolsonaro, embora mostre que na realidade ele é mais rico do que a sua declaração de bens deixa a entender.

Bolsonaro pode ser grosseiro e pródigo em soluções estúpidas para os problemas do país, mas de bobo não tem nada. Pelo que a evolução do seu patrimônio demonstra, ser o ídolo de uma multidão de marmanjos e de um punhado de mulheres é um excelente negócio.

Eleito vereador pelo Rio de Janeiro em 1988, no rastro da fama conquistada em reivindicações salariais para os militares, o capitão do exército não exerceu nenhum cargo fora da política dali em diante. Elegeu-se deputado federal em 1990 e não saiu mais da Câmara dos Deputados.

Fiel a ideais reacionários, não tem a mesma lealdade em relação aos partidos políticos. Começou no PDC (e nas derivações PPR e PPB), saltou por PTB, PFL, PP, PSC e por enquanto está no PEN, um partido nanico em vias de mudar o nome para Patriotas.

Um nome mais indicado seria Partido Bolsonarista Brasileiro, pois junto com o Jair estarão no PEN os filhos Carlos, vereador no Rio de Janeiro desde 2000, quando foi eleito aos 17 anos, Eduardo, deputado federal por São Paulo, e o primogênito Flávio Bolsonaro, deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

Este último, aliás, tem um currículo que renderia milhões de memes para o WhatsApp se o seu pai fosse o petista ex-presidente da República. Eleito deputado em 2002, aos 21 anos, foi reeleito sucessivamente até hoje. Na primeira declaração de bens constava um patrimônio de R$ 25 mil, referente a um automóvel Gol 1.0 Turbo, ano 2001, para ser mais exato.

Quatro anos mais tarde, no pleito de 2006, seu patrimônio decolou para R$ 385 mil, ou 992% a mais, considerando a inflação no período. Sua renda continuou subindo, mas de forma menos brusca, chegando ao patrimônio de R$ 690.978,23 em 2010. Em 2014 o acréscimo foi modesto, ficando em R$ 714.394,69.

Mas a declaração de bens de 2002 dá uma pista de que o primogênito de Jair Bolsonaro já pagava suas contas graças ao poder público bem antes de se tornar deputado.

Na cópia do recibo da declaração de imposto de renda apresentada à Justiça Eleitoral consta, no campo “rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas”, o valor de R$ 56.548,63 recebidos da Câmara dos Deputados no ano de 2001.

O montante, corrigido pelo IPC-A, equivale hoje a R$ 190.630,36. Dividindo a quantia por 13 (salários mensais mais 13º) daria uma renda mensal de mais de R$. 16.000,00, formidável para um rapaz de 21 anos. Na sua página, Flávio Bolsonaro afirma que defende a “importância do trabalho e do mérito como mais justos critérios de progresso social”.

O único mérito visível, neste caso, é ser filho de um político histriônico e com produtividade parlamentar raquítica, cujas promessas rasteiras e irrealizáveis atingem diretamente o fígado do eleitorado ávido por um salvador da pátria.

De acordo com um relatório a respeito de Jair Bolsonaro elaborado pelo Exército na década de 1980, o então jovem oficial foi descrito como alguém com “excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente”.

As planilhas da Justiça Eleitoral apresentam,  não apenas o sua evolução financeira nos últimos 20 anos, mas e sobretudo, mostra a  sua prole desde, cedo agarrada ao poder, os dados e fatos estão aí para comprovar o quanto Bolsonaro foi bem sucedido nos seus propósitos pós saída da caserna. 

Esse texto não visa colocar os adeptos da extrema direita brasileira  em maus lençóis, afinal, sempre defendi a tese  de que: "gosto não se discute, se lamenta!".

Se pensa diferente aproveite para opinar..., ou ...morra no ostracismo.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Desigual é pouco.

NO BRASIL, DESIGUAL É POUCO...

Por : Alacir Arruda

Quando se pensa que chegamos ao fundo do poço,  com políticos corruptos, um governo sem legitimidade e um povo, desgraçadamente, inerte, surge outra  assombração . E no Brasil a gente  pode até dizer que essas assombrações, não têm hora para aparecer quando o assunto é desigualdade social. Só para se ter uma ideia, em 2001 o grupo formado pelo 1% dos mais ricos acumulava nada menos que 25% das riquezas do país. Parecia não ser possível piorar esta situação, não é mesmo? Afinal, os governos petistas venderam a tese de terem reduzido a desigualdade. Acontece que passado pouco mais de uma década, a desigualdade foi elevada. O grupo do 1% mais rico, em 2015, já 30% de tudo. E isso sem contabilizar os últimos dois anos, quando essa história de distribuição de renda ficou démodé.

 A pesquisa divulgada nesta quinta-feira(14.12.2017) http://www.midianews.com.br, mostra os números de todo o mundo. O documento é assinado por um time de pesquisadores, entre eles, o autor do livro “O Capital no Século XXI”, Thomas Piketty. Ele é especialista em estudos sobre desigualdade de renda. Enquanto os 50% mais pobres do Brasil eram mais de 71 milhões de pessoas em 2015, os 1% mais favorecidos somavam 1,4 milhão de pessoas. O estudo também aponta que os 10% mais ricos elevaram sua riqueza de 54% para 55% neste mesmo período, revelou o .
Extremos

Um fato curioso é que os 50% mais pobres, alvos dos programas sociais, também tiveram um aumento da renda, passando de 11% para 12%. O crescimento mais rápido que os 10% mais ricos, segundo o relatório, mas com impacto bem menos relevante devido a sua baixa renda.

Não há dúvida de que, nas últimas décadas, a desigualdade diminuiu, mas continua como um problema crônico no país, essa é a principal conclusão do relatório “A distância que nos une” divulgado recentemente  Oxfam, organização que trabalha na área da justiça social há mais de 60 anos.
O Bolsa Família, ganhos educacionais (que impactaram na redução das diferenças salariais), ampliação da cobertura de serviços essenciais para os mais pobres e a política de valorização real do salário mínimo melhoraram o quadro de completo abandono social do período da ditadura militar e dos anos 80.
Segundo a Oxfam, “entre 1988 – ano da promulgação de nossa Constituição – e 2015, reduzimos de 37% para menos de 10% a parcela de população brasileira abaixo da linha da pobreza. Considerando os últimos 15 anos, o Brasil retirou da pobreza mais de 28 milhões de pessoas, ao mesmo tempo em que a grande concentração de renda no topo se manteve estável”.
Entre 1976 e 2015, o índice de Gini (parâmetro internacional usado para medir a desigualdade de distribuição de renda entre os países) variou de 0,623 a 0,51527, ou seja, a pobreza encolheu de 35% para menos de 10%, menos de um terço do que era há 40 anos.
Depois de alguns dados positivos, vamos aos números que apontam o persistente problema social do Brasil. Para exemplificar, o nível de concentração de renda continua absurdo, apenas seis pessoas possuem riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres.  Segundo o ranking de bilionários da revista Forbes, são esses os seis brasileiros: Jorge Paulo Lemann (investidor), Joseph Safra (banqueiro), Marcel Herrmann Telles (investidor), Carlos Alberto Sicupira (investidor), Eduardo Saverin (co-fundador do Facebook) e Ermirio de Moraes (do Grupo Votorantim). Juntos, eles possuem uma fortuna estimada em mais de R$ 280 bilhões, isso equivale a renda de 60% de toda população  brasileira. Isso é uma excrescência num pais que  pretende ser protagonista no futuro. 

No mundo, a situação não é diferente, ainda segundo a Oxfam, que estudou todos os indivíduos com um patrimônio líquido de pelo menos 1 bilhão de dólares, concluiu que 1.810 bilionários (em dólares) incluídos na lista da Forbes de 2016, dos quais 89% são homens, possuem um patrimônio de US$ 6,5 trilhões – a mesma riqueza detida pelos 70% mais pobres da humanidade.

Neste momento, o 1% mais rico da população mundial possui a mesma riqueza que os outros 99%, e apenas oito bilionários possuem o mesmo que a metade mais pobre da população no planeta. Por outro lado, a pobreza é realidade de mais de 700 milhões de pessoas no mundo.
A pergunta que eu faço é simples: "será que o capitalismo é mesmo a solução para o mundo?  Ou Karl Marx estava certo ao afirmar, há mais de 120 anos,  que o capitalismo  cria o seu próprio coveiro, pois concentra a renda na parte superior da pirâmide?" 
E me criticam por eu ser Marxista....

Fique a vontade para comentar..

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Um mundo sem sentido

A CRISE DO SENTIDO E O NOSSO VAZIO EXISTENCIAL.

Por Alacir  Arruda

Certa vez um professor me disse: Alacir saiba de uma coisa, a vida não tem o menor sentido. Como eu tinha apenas 17 anos não dei muita importância para aquele pensamento existencial. Segundo um outro grande  pensador: "A Busca pelo sentido pelo homem é a principal motivação de sua vida e não uma “racionalização secundária” de impulsos instintivos. Esse sentido é único e específico, uma vez que tem de ser, ou só pode ser, tornado real por ele; só então o sentido adquire importância que satisfará sua vontade de sentido." vejamos o exemplo abaixo;

“Segunda-feira pela manhã, ele ou ela (a gosto do freguês), acorda apressado depois do terceiro toque da soneca do celular. O banho é rápido, o companheiro corre com os filhos para que não percam o horário da aula e você sai correndo de casa com uma fruta na mão para uma reunião da qual não pode se atrasar. Durante o dia uma grande correria, um almoço dentro da sala do escritório e uma olhada rápida para responder às mensagens no Facebook e Whatsapp. Na hora da saída acaba se atrasando e chegando em casa por volta das 21h (isso tem se tornado frequente, pois o mercado não está para brincadeira, quem dá mole tem perdido o emprego e ele não pode se dar a esse luxo). Seus filhos dormem. O jantar está em um prato guardado no micro-ondas. Em casa à noite não se tem muito diálogo; compreensível… mais um dia cansativo no trabalho. No final de semana compensamos.”

Alguma coisa parece não estar bem… Esperaria que poucas pessoas se identificassem com alguma parte deste texto, mas sinto que não. Este contexto é citado como rotina considerada “normal” para muitas pessoas. E quando é perguntado para elas o sentimento que vem à cabeça ou ao coração no final do dia, muitas relatam “não entender ao certo, apenas sentem um grande vazio, como se tivessem feito muito, mas ao mesmo tempo não feito nada”.

A nossa rotina não mudou muito da rotina das gerações passadas. Nossos pais e avós também precisavam trabalhar muito para adquirir uma boa situação de vida, dar Educação e Saúde para a família. Não era assim? Se tudo era igual, o que nos diferencia do passado?  Nos tempos modernos, perdemos uma coisa que considero muito séria, nós perdemos as nossas “certezas da vida”, e quando isso acontece, segundo Baumam, sobram-nos problemas existenciais e até espirituais além da necessidade de cultivar algum tipo de inteligência para que possamos lidar com eles.

Isso significa que apenas ter um alto QI ou Inteligência Racional, não é mais suficiente para compreendermos a vida, pois as razões que procuramos não são racionais e tão pouco emocionais.  Não é mais suficiente viver felicidades efêmeras que vão e vêm. O homem inicia uma nova jornada pessoal onde se torna necessário questionar o próprio contexto e a maneira como se vive em busca de algo “a mais”.

Para este algo “a mais” damos o nome de SENTIDO. Muitos vivem esta busca desde a infância, seja nas religiões, seja nos grupos sociais, de amigos, seja no trabalho.  A era moderna é caracterizada por um vazio representado claramente na desagregação familiar, na comunidade e na religião, pela ausência ou perda de heróis, e povoada por gente em busca de algum sentido em tudo isso.

Vivemos uma época, ainda segundo Baumam, onde não existem indicadores claros, regras claras, valores claros, nenhuma forma clara de crescer, nenhuma visão clara de responsabilidade. Nada é sólido e a liquidez não afeta apenas nossos relacionamentos, mas sobretudo, a nossa vida.

Culpa da  tecnologia que,  aos poucos, tomou espaço da cultura tradicional com seus valores sólidos e deu espaço à chamada modernidade líquida, onde vivenciamos apenas o imediato, o tátil e o pragmático. Os dias vêm e vão, e nós, roboticamente, continuamos vivendo, sem muitos porquês.  

Acontece que nos tornamos cegos dentro da nossa própria maneira de ver.


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