terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O Fracasso Escolar no Brasil II

A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA E  O  FRACASSO ESCOLAR NO BRASIL.


Por Alacir Arruda/ Dados da Sed-SP

A violência entrou de vez no currículo escolar dos brasileiros. Só que agora, infelizmente, em vez de um saudável e democrático conflito no campo das ideias, alunos, professores, diretores e funcionários precisam cada vez mais conviver com agressões, ameaças e abusos. A “violência nas escolas reproduz a violência na sociedade, não é um fenômeno intramuros isolado”, os ambientes escolares deixaram de ser lugares protegidos e muitos pais perderam a tranquilidade ao levar os filhos à escola. A ausência de regras claras de convivência entre alunos e professores contribui para o aumento da violência.

Não é preciso ir longe para se verificar tudo isso. Basta recorrer ao buscador do Google e pedir "violência nas escolas". Aparecem centenas de artigos, análises, denúncias, resumo de encontros e simpósios de especialistas em ciências da educação e do comportamento, além de livros inteiros, disponibilizados gratuitamente, na tentativa de analisar o problema e apresentar possibilidades de solução. Se você for ao Youtube, vai encontrar coisa ainda pior: é imenso o acervo de postagens, contendo cenas às vezes alucinantes de violência destrutiva pura, com frequência captada e publicadas pelas câmeras celulares dos próprios alunos. Há vídeos de brigas, de bullying, de quebra-quebras, de mutilações e até de assassinatos cometidos dentro das salas de aula e nos pátios das escolas.

Os exemplos se tornaram corriqueiros; como os dois casos de agressão ocorridos há alguns anos em Brasília onde, na maior universidade da capital do país (UNB), um professor acabou no hospital após ser agredido por um estudante que não concordou com sua nota. Em uma escola pública de ensino básico, também do DF, um aluno foi morto a facadas pelo colega. Em São Paulo 70% dos professores se sentem ameaçados em razão do cargo. Também em SP, 2018, uma professora apanhou tanto de aluno do ensino médio, que teve traumatismo crânio encefálico grave o que a levou a solicitar aposentadoria por invalidez.

Estabelecer uma discussão entre violência e o papel da escola não tem sido fácil no Brasil. Interesses outros, que não de uma verdadeira busca pelas causas, impedem o país de avançar nesse tema. Entretanto, nunca se falou tanto em violência como nos últimos anos, até porque esta passou a fazer parte do nosso cotidiano, o que explica o interesse, por parte do poder publico, em discuti-la. Esta motivação é comprovada em pesquisa realizada recentemente pelos meios de comunicação, sobre os problemas que mais inquietam a população. A violência, entre outros, foi destacada por pessoas de diferentes camadas sociais, como um dos principais problemas, principalmente aquela que atinge a vida e a integridade física dos indivíduos.

Para que possamos entender melhor os determinantes da violência e o papel da educação, algumas questões nos parecem pertinentes para ajudar a nossa reflexão. De que forma a violência é engendrada na nossa sociedade? Quais os valores que têm norteado as diferentes práticas sociais e entre estas, a educacional? Qual o papel da educação e da escola diante de uma sociedade com características violentas? Estas são perguntas fundamentais.

Hoje, a violência está estampada nos grandes centros do nosso país e se apresenta de diferentes formas. Por isso, para é mais fácil se falar de violências no plural, ou seja, a violência urbana, a policial, a familiar e a escolar. Embora considerando que todas essas manifestações de violência estão imbricadas, vamos dar um maior destaque, neste texto, à violência escolar, sobretudo a que se manifesta de forma subjetiva nas relações sociais no interior da escola.

Este problema tomou tamanhas proporções que está sendo visto como de âmbito mundial e também como uma questão de utilidade pública, pois sua manifestação se propaga em proporções semelhantes às das doenças infecciosas, uma vez que afeta as grandes metrópoles (Gilberto Dimenstein 1996). Portanto, esta problemática não é uma caraterística apenas da sociedade brasileira. Outras sociedades da América Latina e da América Central também vivem experiências de taxas elevadas de violações dos direitos humanos, inclusive a violação do direito à vida é muito frequente, como é o caso do Peru, Colômbia, Bolívia, El Salvador e Guatemala (Sérgio Adorno, 1994).

Em relação ao Brasil, não podemos desconsiderar a história da formação do nosso povo, com a escravidão gerando comportamentos de servidão, de mando e de submissão, em que o indivíduo é desrespeitado na sua condição fundamental de pessoa humana e tratado como “objeto” de manipulação dos seus “proprietários”. Sérgio Adorno (1994) chama a atenção para o fato de que, durante o período monárquico, a sociedade resolvia os seus conflitos relacionados à propriedade, ao monopólio do poder, e à raça, utilizando, de um modo geral, o emprego da violência. E este era considerado um comportamento normal, legítimo e por ser rotineiro passava a ser institucionalizado. É como se fosse um processo natural, justificando até uma certa aquiescência da sociedade.

Ao longo da história do nosso país, o que se tem observado é que mesmo com a implantação do regime republicano, cujo fundamento básico é o bem comum e o bem público a todos os cidadãos, esse quadro de violência pouco se modificou, até porque no campo político temos convivido com várias alternâncias de regimes autoritários, ditatoriais, que implodiram o direito de liberdade dos indivíduos. Estes foram períodos que trouxeram elevados custos à convivência democrática do nosso povo, com violações do direito à vida e inúmeras mutilações físicas.

Esta realidade do nosso país serve para desmascarar a imagem tradicional de que o brasileiro é um povo sentimental, ordeiro e pacífico, como um dia asseverou Sergio Buarque de Holanda.

O fato de a sociedade brasileira ser organizada e determinada por um modelo econômico capitalista extremamente excludente, caracterizado por uma grande concentração de renda, aliás, uma das maiores do mundo, este se constitui em um dos principais fatores da desigualdade e da violência. 60% da renda do país fica nas mãos de 10% da população, enquanto que os 20% da população mais pobres detém apenas 1,8% dessa renda (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento-PNUD,2013). As relações são profundamente desiguais. Essas grandes diferenças geram privilégios para alguns e, consequentemente, a ausência de direitos para muitos.

A sociedade em que vivemos, capitalista e selvagem, valoriza, essencialmente, o consumo, as coisas materiais, a aparência em detrimento da essência da pessoa humana. É um total desvirtuamento do significado de ser gente, ser sujeito, ser pessoa. Valores como solidariedade, humildade, companheirismo, respeito, tolerância são pouco estimulados nas práticas de convivência social, quer seja na família, na escola, no trabalho ou em locais de lazer. As inexistências dessas práticas dão lugar ao individualismo, à lei do mais forte, à necessidade de se levar vantagem em tudo, e daí a brutalidade e a intolerância.

A violência perpassa as diferentes relações sociais e aparece de forma explícita nos meios de comunicação de massa, principalmente na mídia televisiva. São vários os programas que enfatizam e reproduzem, com veemência, atos de violência e até de barbárie que acontecem frequentemente nas sociedades em geral. Além disso, a televisão comumente apresenta programas com “brincadeiras” desrespeitosas em que os indivíduos são usados como objeto sarcástico. Até os programas infantis não fogem a essa conotação violenta.

Esta questão da influência da mídia eletrônica é destacada por alunos de um conjunto de escolas localizadas no Município de São Paulo, em que se realizou uma pesquisa sobre a percepção que alunos, professores e direção da escola têm em relação à problemática da violência urbana e escolar (Aida Silva-1995). Os alunos, de forma unânime, afirmaram que há uma tendência das pessoas em “copiarem” os programas da televisão, a ponto de determinadas atitudes virarem moda entre as crianças e os jovens. E eles vão mais além, defendem a necessidade de um disciplinamento para o horário e a frequência de programas que têm conotação violenta.

O alerta que esses jovens nos trazem, merece ser apreciado com mais atenção, até porque a televisão é um dos meios de comunicação que está presente em praticamente todos os lares da nossa população e boa parte do tempo das crianças é ocupado com a televisão.

É neste contexto que entendemos a violência, enquanto ausência e desrespeito aos direitos do outro. É como dizem os sujeitos dessa pesquisa: ” violentar é romper a liberdade e os direitos do cidadão. É alguém que passa dos limites e invade a privacidade do outro. É a falta de solidariedade e o desrespeito aos direitos humanos”.

Na verdade a escola também reflete o modelo violento de convivência social. E o mais grave é que muitos educadores não se apercebem como violadores dos direitos dos alunos. É o que podemos chamar de violência simbólica, que segundo Bourdie (1972). A escola que temos apenas reproduz as desigualdades de uma nação que teve a sua gênese forjada na exploração, isso ajuda, não só a obscurecer a violência que está no dia-a-dia, no cotidiano, como também a esconder suas verdadeiras causas. É a violência sutil que, em geral, não aparece de forma tão explícita e serve para escamotear e dissimular os conflitos.

Isso explica porque, muitas vezes “os professores não se dão conta de que o que torna as crianças apáticas, não são propriamente os conteúdos ministrados, mas sim o ponto de partida da ação pedagógica que se apresenta carregado de autoritarismo e, portanto, de violência simbólica.

Na pesquisa a que me referi anteriormente, sobre a percepção dos alunos e educadores em relação à violência urbana e escolar, a visão da escola enquanto espaço de violência é destacada pelos alunos, e estes exemplificam como esta se manifesta: “quando o professor fala: este aluno está ferrado comigo” (isto porque o aluno era indisciplinado), ou então, “este aluno não quer nada com a escola e por mim está reprovado”. E o mais interessante é que os professores não vêm estas formas de relacionamento com os alunos como desrespeitosas ou violentas. Para estes, a violência na escola aparece, basicamente, na relação entre os alunos e destes para com o professor. Era como se o professor pudesse ficar isento de tais práticas, mas, na verdade, todos nós somos produtos do conjunto das relações sociais de uma determinada sociedade da qual fazemos parte. Daí a importância de termos conhecimento de como essas relações são produzidas para podermos pensar alternativas de superação.

E qual é o papel da educação e da escola nesse contexto? Se entendemos que a educação é um processo de construção coletiva, contínua e permanente de formação do indivíduo, que se dá na relação entre os indivíduos e entre estes e a natureza, a escola é, portanto, o local privilegiado dessa formação, porque trabalha com o conhecimento, com valores, atitudes e a formação de hábitos.

Dependendo da concepção e da direção que a escola venha assumir, esta poderá ser local de violação de direitos ou de respeito e de busca pela materialização dos direitos de todos os cidadãos, ou seja, de construção da cidadania.

Entendemos que um projeto de escola que busque a formação da cidadania, precisa ter como objetivos: tratar todos os indivíduos com dignidade, com respeito à divergência, valorizando o que cada um tem de bom; fazer com que a escola se torne mais atualizada para que os alunos gostem dela; trabalhar a problemática da violência e dos direitos humanos, a partir do processo de conscientização permanente, relacionando esses conteúdos ao currículo escolar; incentivar comportamentos de trocas, de solidariedade e de diálogos, como bem coloca Renata Aguirre – aluna da 8ª série de uma Escola Municipal de São Paulo:  “a violência é a força bruta contra alguém”.

Quem prática a violência é burro, covarde, porque somos seres humanos e a única coisa que nos diferencia dos animais é a capacidade de pensar e de falar. Se nós temos a capacidade de usar palavras, para que usar a força bruta? “É isso que as pessoas precisam entender”.

É muito importante que “a escola seja um espaço onde se formam as crianças e os jovens para serem construtores ativos da sociedade na qual vivem e exercem sua cidadania” e esta proposta educativa deve ter como eixo central a vida cotidiana, vivenciando “uma pedagogia da indignação e não da resignação. Não queremos formar seres insensíveis e sim seres capazes de se indignar, de se escandalizar diante de toda forma de violência, de humilhação. A atividade educativa deve ser espaço onde expressamos e partilhamos esta indignação através de sentimentos de rebeldia pelo que está acontecendo”. Assim, acreditamos que esta deva ser a nossa utopia.

Sugestão de Leitura: "Aparelhos Ideológicos do Estado" - Louis Althusser


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domingo, 17 de fevereiro de 2019

A farsa dos cursinhos continua..

 GRANDE FARSA DOS CURSINHOS II.

Por Alacir Arruda

Há muito tempo venho criticando o modelo adotado pelos cursinhos pré vestibulares ( ou pré ENEM) brasileiros. Digo isso não por perseguição mas com conhecimento de causa, pois trabalhei naqueles considerados os "melhores" do Brasil em SP e tive a oportunidade "in loco" de confirmar aquilo que já desconfiava, qual seja, o total descaso com o aluno. Cursinhos estão preocupados com números, lucro, salas de aula lotadas sem qualquer comprometimento com o aprendizado, até porque utilizam de uma prática pedagógica absolutamente ultrapassada que é a aula expositiva, onde o professor e o detentor do conhecimento e o aluno um acéfalo sem qualquer vontade ou opinião. 

Lembrando que esse modelo só e praticado no Brasil, em nenhum país  sério existem esses cursinhos. Eles se proliferaram no Brasil a partir a década de 80 face ao sucateamento da educação pública  causado pelo descaso dos nossos governantes. Uma coisa é certa:  a decadência do ensino público no Brasil é diametralmente oposta ao crescimento dos chamados "sistemas de ensino":   como Anglo, Objetivo, Poliedro, COC, Etapa, Positivo entre outros. Sistemas que não servem para: absolutamente nada, salvo para enriquecer os seus proprietários. VEJA O QUE O PROFESSOR JOSE PACHECO PENSA  SOBRE O NOSSO MODELO DE EDUCAÇÃO.



Professor  Jose Pacheco é português e  considerado uma das maiores autoridades em, educação no mundo.  É criador da Escola da Ponte em  1975  em Portugal,  primeira colocada em todas as avaliações da União Europeia e ONU.
Ora, o aluno ao ser aprovado numa  USP, Unicamp, Unesp etc,  o fez por seus próprios méritos e não com ajuda de sistemas engessados e ultrapassados. O aluno bom passará em qualquer vestibular seja ele aluno do Anglo, Objetivo ou da Escola Estadual Adolf Hitler, onde falta tudo, sobretudo, munição. É um equivoco imaginar que sistemas colaboram. Exemplo disso é uma Escola pública no interior do Ceará que, a despeito de todos os problemas, aprovou em 2015 mais alunos em medicina pelo ENEM que todos os sistemas do Brasil juntos. Isso deixa claro que não é sistema que aprova, mas a prática pedagógica adotada.  Essa escola do Ceará utiliza, a partir do 1 ano do ensino médio, o modelo ENEM de avaliações com conteúdos transdisciplinares e aulas interdisciplinares com ate três professores em sala ao mesmo tempo, Isso sim é inovação. Fiz exatamente isso, quando coordenei uma Escola Particular em 2013 e, por coincidência, foi o ultimo ano que ela aprovou alunos em medicina e direito em federais pelo ENEM.

É simples,  não é necessário  ser gênio para entender a tática que esses cursinhos usam: Observem que  a cada grupo de 200 alunos,  desses grandes cursinhos, 2 ou 3 passam em medicina em federais, menos de 0,50% . Isso não pode ser aceito como normal, é um acinte a estatística. Mas eles fazem pior,  tiram fotos desses dois ou três, que passaram e os  expõem em  dezenas  de  out doors  por toda a cidade, passando a imagem que o índice de aprovação é alto. Na verdade  é um cursinho "canalha", que aprova 2 alunos e  com o objetivo de angariar novos integrantes para compor o seu circo no ano seguinte, usam da publicidade enganosa. Observem que eles  não colocam, nesses  out dorrs,  os outros 198   (do total de 200), que não atingiram seus objetivos. Estes, certamente,  terão que fazer faculdades particulares. Olha o tamanho da  "idiotice": esses cursinhos os fizeram perder um, dois ou mais anos  de sua graduação, em função de não terem atingidos nota para o ingresso  em uma  faculdade pública. É um total escárnio.

O problema é que  para garantir um estudo especializado em boas universidades muitos alunos, desesperados por terem concluído um Ensino Médio medíocre,  recorrem aos conhecidos cursinhos pré- Enem ou vestibulares. Estes cursinhos começaram a ser ofertados na década de 60 e muitos alunos, desde então, garantiram vagas em boas instituições superiores após os frequentarem. Porém, desde então, a educação passou por várias tendências de compreensão e práticas de ensino. Por exemplo, hoje a educação escolar compreende que cada aluno carrega consigo uma bagagem e uma realidade particular que influenciam no seu aprendizado. Dito isso, vamos mostrar aqui três coisas que todo cursinho pré-vestibular faz e que está pra lá de ultrapassado. 

1) Turmas gigantes. Cursinhos que fazem o conhecido “aulão”, na verdade, estão reproduzindo uma prática ultrapassada. O aproveitamento de uma turma de 100 alunos é pior se comparado a turmas menores onde todos os alunos podem trocar experiências e conhecimento com o professor e entre si, dinamizando a aprendizagem. 

2) Aulas exclusivamente expositivas. Quando um cursinho pré-vestibular mantém professores que exercem apenas o papel de transmitir conhecimento através de aulas expositivas, onde eles ficam falando sem parar, despejando ideias, conceitos e soluções na cabeça dos alunos, eis aí uma forma ultrapassada de ensinar. O uso de outros recursos (audiovisuais, trabalho externo, aulas práticas) e o estabelecimento de diálogos com os alunos na condução da aula são metodologias dinâmicas que garantem que o aluno aprenda de verdade e com mais facilidade. Ensinar como o aluno deve buscar as resoluções que precisa também é importante. O aluno deve aprender a aprender

3) Memorização. É muito comum em cursinho pré-vestibular o uso de estratégias de memorização com música, rimas, decorebas – algo que pode até garantir que você acerte uma determinada questão (se não “der um branco” na sua memória, na hora), mas seguramente será esquecido em breve e todo investimento que você fez para aprender terá sido em vão. Aprender vai muito além de decorar. Aprender transforma e para que isso ocorra o aluno deve desenvolver sua capacidade crítica diante das situações, ou seja, ele deve saber como chegar às conclusões, que seriam as respostas que ele busca em uma questão. Não devemos aprender apenas para a prova, mas para a vida.

Dito isto,  preste atenção nos detalhes e busque a melhor  maneira de estudar,  de preferência, com o uso de um processo de 
aprendizagem atualizado.  Em educação não existe milagre. Quer  quer ser aprovado em uma boa instituição pública? Estude!! Assista os noticiários diários, se informe, leia as principais obras da nossa literatura, desenvolva uma visão holística de mundo, não assista aula de professores ruins, Leia os grandes pensadores (Sócrates, Platão, Aristóteles, Agostinho de Hipona, Spinoza, Galileu, Descartes, Hobbes, Locke, Rousseou,Kant, Schopenhauer, Kierkegaard Marx, Nietzsche, Freud, Sartre, Simone Beauvoir, Foucault, Hanna Arendt, Zygmunt Baumam etc.. ) Não há outra saída. 

Confeccione uma planilha (excel,tem varias prontas na rede) ,  preencha-a com todas as disciplinas que são cobradas no Enem e dedique ao menos 6 horas diárias para cada área do conhecimento. Deixe os finais de semana para leitura de algumas obras e  produzir redação, não esqueça dos grandes pensadores.. Uma vez por mês faça um simulado de quatro  horas e meia, ( tem alguns bons na rede). 

Seja disciplinado (a),  cumpra os horários de sua planilha, estabeleça um acordo com os familiares para que, nesse período,  eles repeitem sua dedicação. Se namora, use a mesma estrategia. Peça que o companheiro (a)  lhe ajude nesse desafio afinal, existe um sonho em jogo e essa batalha só sera vencida em equipe. Se gosta de consumir bebida alcoólica, dê um tempo, você terá a eternidade para se embebedar. Não tenha vergonha de pedir ajuda não importa a quem. Busque grupos de estudos que estão na mesma luta que a sua, visite bibliotecas públicas para leituras complementares e tenha foco!

Faça isso e caia fora de cursinhos. Posso lhe garantir - com a chancela de quem  ajudou a aprovar  mais de 200 alunos  em medicina em federais -  que esse é o caminho mais adequado aos que buscam notas expressivas no ENEM.  Muitos irão lhe chamar de louco(a). insisto, não ligue, siga em frente..

Achou difícil? E por que deveria ser fácil?  


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sábado, 16 de fevereiro de 2019

O Brasil dos Bolsonaros

BRASIL:  A ÚNICA VÍTIMA DE UM GOVERNO SEM RUMO..

Por Alacir Arruda

No Brasil é assim; quando pensamos que  chegamos no fundo do poço, descobrimos que o poço é mais fundo ainda. E os nossos políticos tem colaborado uma vez que : “nada e tão ruim que eles não consigam piorar”. Peguemos o exemplo dessa ultima crise envolvendo “atual” Ministro da Secretaria Geral da Presidência Gustavo Bebiano e o filho de Bolsonaro Carlos Bolsonaro. Bebiano foi chamado de Mentiroso nas Redes Sociais tanto pelo filho quanto pelo pai (Presidente) e a sua situação no governo se tornou insustentável. Segundo fontes, ele será exonerado na segunda feira, 16/02, por Bolsonaro, caso não peça demissão...

Pra alguns analistas Bolsonaro peca ao permitir a interferência de seus filhos  nas questões de  Estado.  Para eles, o  presidente Jair Bolsonaro é hoje refém dos próprios filhos. Não dá um passo que não seja após ouvi-los. Pretere os seus auxiliares mais diretos em troca do palpite de um dos três. Tem em Flávio, Carlos e Eduardo uma espécie de tríade divina que tudo pode e que pensa ter nas mãos os destinos do Brasil e dos brasileiros. E não é assim. Ou não pode ser assim.

A crise da hora envolvendo o filho do meio Carlos Bolsonaro e o ex-presidente do PSL e atual ministro Gustavo Bebiano é algo impensável que nem o mais crítico observador imaginaria acontecer.

Carlos não tem nenhum mandato federal, é vereador do Rio e deveria estar cuidando de sua castigada cidade – Flávio é senador e Eduardo, deputado federal -, mas é o filho mais ouvido pelo presidente, estando sempre ao lado do pai, desde a solenidade de posse ao acompanhamento na internação de no Hospital Albert Einstein, onde Bolsonaro se submeteu a uma cirurgia abdominal. Controla das redes sociais e a comunicação do presidente. Tudo de maneira informal, já que o governo possui um porta-voz nomeado e no exercício da função.

A situação é surreal. Um filho do presidente da República, sem qualquer importância funcional formal dentro do governo, chega e chama um ministro de Estado de mentiroso. O que faz o pai-presidente? Dá uma enquadrada no filho boquirroto? Tenta demonstrar que o governo não é o que parece? Nada disso. A reação de Bolsonaro-pai é deixar o seu ministro pendurado no pincel ao dizer praticamente a mesma coisa que disse o filho pseudo porta-voz.

Não que Bebiano seja isento de responsabilidade pelo rastilho de pólvora que se arma e precocemente começa a explodir a credibilidade do presidente, do governo e do partido. Ele foi o presidente do PSL antes de Luciano Bivar e tem tanta culpa quanto o sucessor na proliferação do imenso laranjal em que se transformou a legenda. Praticamente todo dia, a imprensa traz uma laranja nova, adubada com centenas de milhões de reais do fundo partidário e que responderam com as menores mais caras votações da História. Mas, daí pegar Bebiano e deixar ele torrar no forno armado por Carlos Bolsonaro, já são outros quinhentos.

A crise toma fôlego a cada lance desse episódio bizarro. A ponto de o presidente da Câmara dos Deputados chegar e jogar azeite na panela fervente. Sem usar de meias-palavras, Rodrigo Maia acusou Bolsonaro de se esconder atrás do filho para demitir um ministro. Mais claro impossível.

Para um presidente da República, ouvir que não tem coragem de afastar um ministro e precisa, para tal, de um biombo familiar, convenhamos, é algo inédito na República. Não há notícia de um governo que, com 45 dias de vida, esteja tão enrolado, em boa parte, por causa da parentada do chefe do Executivo. E de um chefe de Executivo que não consegue conter a parentada intrometida.

O Brasil não é a casa dos Bolsonaro. Alguém, no entanto, precisa dizer isto ao presidente. Mas não é o bastante. E é bom o próprio presidente ter ouvidos e sensibilidade para entender, aceitar e efetivamente mudar a situação. A pena para essa surdez pode ser dura demais. Para o presidente e para o país.

Nessa crise envolvendo Carlos Bolsonaro e Gustavo Bebiano, assistir ao noticiário do governo na televisão tem sido constrangedor. Parece um bando de desnorteados tentando disfarçar a gravidade, tanto do escândalo envolvendo o PSL quanto do agravamento da crise de relacionamento que isto provocou.

O quadro é muito ruim. A ingerência dos "garotos" em tudo e sobre todos deixa o País parado, após dois meses e meio de governo. O resultado é uma horda de aliados magoados e desrespeitados. É uma base parlamentar dividida e atônita. A maioria,  vale lembrar, não simpatiza com Carlos Bolsonaro e fecha com Bebiano. Como é o caso, também, do vice-presidente Hamilton Mourão e até do ministro Chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni. Resta saber se essa "unanimidade" afetará Bolsonaro e o fará se decidir entre ser o presidente ou o pai superprotetor. O segundo caso vence com folga, até agora


Esse quadro de incertezas em nada ajuda o Brasil nessa tentativa  de retomada de sua economia, uma vez que os investidores internacionais acabam  por,  em função dessa celeuma, desistindo de investirem por aqui. O maior exemplo, que sempre cito, é o caso da Microsoft, que em 2014 pensava em trazer a sua filial da América do Sul para o Brasil, porem incertezas politicas, corrupção e insegurança jurídica os fizeram   transferir  seus desejos para o Chile, onde  instalaram a sua planta. Em  suma, perdemos todos nós com um governo sem rumo, onde os interesses pessoais continuam a  transcender o coletivo.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Até quando??

SINTO VERGONHA DE MIM!! 

Por  Alacir Arruda.

Por que temos a vocação para a malandragem? Após mais uma enxurrada de denúncias, vindas de Brasília,  envolvendo os nossos homens públicos a discussão sobre a lisura do nosso caráter torna vir a baila. Por que nossos políticos tem vocação para o ilícito? Responderei essa pergunta mais abaixo. Antes citarei exemplos de países onde a intolerância à corrupção, o bom emprego do dinheiro publico e a ética são  Dogmas nacionais  e os políticos não se locupletam. Nesses países termos como: “dá um jeitinho”, “propina",  “politicagem” , “sabe com quem está falando” ou ” troca de favores eleitorais’ simplesmente não existem.

Peguemos a Suécia como exemplo: experimentem entrar no Youtube e pesquisar por: “deputados na Suécia”. Com certeza, muitos, ficarão pasmos de como é o dia-dia de um Deputado sueco. Primeiro que o salário deles é irrisório (cerca de 3.000,00) comparado ao dos nossos deputados (hoje cerca de 33.000,00). Segundo não há qualquer regalia como: Verba gabinete, apartamentos funcionais, auxilio moradia, motoristas, carros oficiais, passagens aéreas, indicação de aliados,  enfim...Ficaria horas digitando as benesses dos nossos representantes, mas na Suécia não há nada disso.  Na Suécia existe uma palavra que é um lema de todos os homens públicos e que faz toda a diferença: “comprometimento”. 

Na Noruega temos um dos melhores parlamentos do mundo, o custo para a população é quase 0% em face dos benefícios que ele trás - lembrando que o Congresso Brasileiro é o mais caro do mundo e o custo da câmara de vereadores de São Paulo paga todo o Congresso Inglês e sobra. Assim como na Suécia, os Deputados noruegueses só recebem uma espécie de ajuda de custo que não chega a 3.000,00. Nesse país há uma intolerância coletiva contra o ilícito, desde a mais tenra infância os noruegueses são ensinados que aquilo que é público ninguém tem o direito de usurpar para  seu beneficio. Mas sem duvida nenhuma o país que mais abomina o ilícito público é o Japão. A coisa lá e tão seria que   há poucos anos um primeiro ministro foi “acusado”. Vejam bem, apenas acusado de ter praticado ilicitudes durante sua gestão. Esse cidadão não aguardou o julgamento,  ele  suicidou pulando do 13 andar do prédio que morava em Tóquio por vergonha. Fico imaginando uma situação dessas no Brasil. Suponhamos que os nossos políticos corruptos optem pelo suicídio pulando de prédios, não tenho a menor duvida que faltaria imóveis.

No Brasil é diferente, aqui politica e carreira, e uma vez eleito os “pseudos representantes do povo”  enxergam o Estado como uma grande “vaca leiteira” de onde buscam extrair leite de quantas tetas puder obter.  É aquela velha historia: “eu sei que a farinha é pouca, então, meu pirão primeiro”. O POVO QUE SE DANE.  Politica no Brasil é sinônimo de “enriquecimento rápido”. Ou vocês conhecem algum politico de carreira pobre?  Peguemos alguns exemplos:  José Sarney: dizem que esse homem é dono do “ar”, “terra” e “água” do Maranhão. Collor de Mello, esse, a despeito de ter sofrido um impeachment em 1992, continua sendo um dos homens mais ricos do Brasil, dono de metade de Alagoas. Vou detalhar apenas nesses dois, entretanto, se acresce ainda a esses:  Jader Barbalho do Pará, Renan Calheiros Alagoas,  Tasso Jereissati do Ceara, e por ai vai.. Esses indivíduos fizeram da politica profissão e do erário o cofre.

Para entender esse comportamento “carnívoro” dos nossos homens públicos, vou recorrer ao grande  antropólogo Roberto DaMatta  que,  em um  dos  seus livros, discorre sobre  um dos mais salientes adjetivos  que podemos empregar ao  politico  brasileiro: o "jeitinho". Entre idas e vindas o autor enxerga nesta "malandragem", tipicamento brasileira, uma forma de navegação social que permite juntar o pessoal com o impessoal. Entre o "pode" e o "não pode", o brasileiro vê o "jeitinho".  

"Entre a desordem carnavalesca, que permite e estimula o excesso, e a ordem, que requer a continência e a disciplina pela obediência estrita às leis, como é que nós, brasileiros, ficamos? Qual a nossa relação e a nossa atitude para com e diante de uma lei universal que teoricamente deve valer para todos? Como procedemos diante da norma geral, se fomos criados numa casa onde, desde a mais tenra idade, aprendemos que há sempre um modo de satisfazer nossas vontades e desejos, mesmo que isso vá de encontro às normas do bom senso e da coletividade em geral?

Como é que reagimos diante de um  “proibido estacionar”, “proibido fumar”, ou diante de uma fila quilométrica? Como é que se faz diante de um requerimento que está sempre errado? Ou diante de um prazo que já se esgotou e conduz a uma multa automática que não foi divulgada de modo apropriado pela autoridade pública? Damos um jeitinho, procuramos um conhecido na fila que possa pagar nosso  boleto, estacionamos em local proibido ou paramos em fila dupla para pegar nosso filho na escola  sob a desculpa  de é “rapidinho”, fumamos no banheiro de aviões, ônibus ou simplesmente borrifamos  fumaça em qualquer transeunte que passe,  e quando um politico,  nosso amigo, é eleito para qualquer cargo, o procuramos não para cumprimentá-lo, mas para dizer:” vê se arruma uma boquinha pra “mim” lá ok”? Lembram-se das tetas? Nós também queremos uma.

Hoje no Brasil,  11, em cada 10 jovens , querem ser servidores públicos. Mas por quê?  Por que tem vocação? Querem contribuir para um Brasil melhor.. etc.. etc..? Porra nenhuma, buscam na verdade  a estabilidade de um emprego público onde se trabalha pouco ,  ganha bem e aposenta-se melhor ainda ( por enquanto). Existe ate uma máxima para alguns cargos,  onde  dizem: “não é o Céu, mas é bem pertinho”. Refiro-me aqui a cargos como  fiscais da Receita, funcionários de Tribunais de Contas entre outros que são muito bem remunerados  – que fique claro não tenho nada contra, apenas quis usar como exemplo.  
Não posso deixar de frisar ainda que o serviço publico não e feito apenas de “céu”, há aqueles que estão próximos daquele “outro  lugar“ Me refiro  aquelas  carreiras sofríveis tais  como: professores (como eu), policiais, enfermeiros entre outros, esses são aqueles chamados de “sacerdotes”..( eu não quero mais ser sacerdote, cansei!!rs).

 Por que estou dizendo isso?  Na verdade eu quis estabelecer uma relação entre os nossos “bem sucedidos” políticos, a imagem de sucesso que eles passam e o efeito que isso causa no inconsciente coletivo.. O Fato de muitos brasileiros optarem pelo serviço publico intimamente ligado a ideia  de que o Estado  é um grande patrão e lá estarei seguro, afinal , é essa a imagem que os políticos  passam: carros do ano, assessores, glamour.. (Freud Explica)
Diante desse quadro, dessa nuvem escura que insiste em ficar estacionada sobre o nosso país, onde a impunidade encontrou morada e a leniência abraçou o povo,   só resta aos brsileros de bem sentirem vergonha....

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'
(Poema de Cleide Canton)


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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

ENEM 2019- A Crise na Venezuela..

VENEZUELA: O PERIGO DE UM PRÓXIMO VIETNÃ.

Por: Alacir Arruda.

É BOM NÓS, BRASILEIROS, ABRIRMOS BEM OS OLHOS. A crise Venezuelana vem ganhando, a cada dia,  contornos de uma tragédia global. A fome fez os venezuelanos perderem, em média, 14 quilos em 2018. A violência esvazia as ruas das grandes cidades quando anoitece. E a situação provocou um êxodo em massa para países vizinhos.  Em 2018,  uma reportagem da BBC relatou a situação de corpos que explodem nos necrotérios pela falta de eletricidade para refrigeração e a briga do povo por algum produto alimentar  em  supermercados vazios.

Não bastasse esse quadro de caos, 2019 começa com o país tendo dois governantes. Um é o ditador Nicolas Maduro, herdeiro de Hugo Chaves e que esta no poder desde sua morte em 2013, e foi reeleito em 2018 numa eleição que foi colocada sob suspeita de fraude pelos organismos internacionais. O outro é o  atual  Presidente da Assembleia venezuelana, Juan Guando,  que não aceitando mais um mandato de Maduro, se autodeclarou Presidente  em Janeiro ultimo  e recebeu apoio de algumas potencias como; USA, França., Alemanha, Reino Unido Brasil entre outros. Lembrando que Maduro tem o apoio de Rússia e China

A grande verdade é que a Venezuela  vive  hoje a maior recessão de sua história: são 14 trimestres seguidos de retração econômica, segundo anunciou em   dezembro a Assembleia Nacional, o parlamento venezuelano, que atualmente é controlado pela oposição.
A dimensão do colapso pode ser vista nos números do Produto Interno Bruto. Entre 2013 e 2017, o PIB venezuelano teve uma queda de 37%. O Fundo Monetário Internacional prevê que, neste ano, deve cair mais 30%.

A situação do pais vizinho foi amplamente sido explorada na campanha eleitoral brasileira de 2018. Candidatos e eleitores de oposição ao Partido dos Trabalhadores, que historicamente apoiou os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, tentaram usar o fracasso venezuelano como alerta do que poderia ocorrer no Brasil.  

Mas como a situação na Venezuela chegou a esse ponto?

Para entender o abismo em que a Venezuela se encontra, faz-se necessário um resumo histórico desse que já foi o pais mais rico da América do Sul na década de 80 e  que tem a  maior reserva de petróleo do planeta, por isso o interesse das grandes potencias.

1 - Crise do petróleo

A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo - e o recurso é praticamente a única fonte de receita externa do país. Após a Primeira Guerra Mundial, sucessivos governantes venezuelanos deixaram o desenvolvimento agrícola e industrial de lado para focar em petróleo, que hoje responde por 96% das exportações - uma dependência quase total.A aposta no petróleo foi segura durante anos e deu bons resultados nos momentos em que o preço do barril estava alto. Entre 2004 e 2015, nos governos de Hugo Chávez e no início do de Nicolás Maduro - eleito em 2013 após a morte de seu padrinho político, no mesmo ano - , o país recebeu 750 bilhões de dólares provenientes da venda de petróleo.

O governo chavista aproveitou essa chuva dos chamados "petrodólares" para financiar de programas sociais a importações de praticamente tudo que era consumido no país. Mas, em 2014, o preço do petróleo desabou. Em parte devido à recusa de Irã e Arábia Saudita - outros dois dos grandes produtores - em assinar um compromisso para reduzir a produção. Outros fatores foram a desaceleração da economia chinesa e o crescimento, nos EUA, do mercado de produção de óleo e gás pelo método "fracking" - o fraturamento hidráulico de rochas.
No início daquele ano, depois de ter alcançado um pico de US$ 138,54 em 2008, o preço do barril de petróleo era negociado a cerca de US$ 100 dólares e caiu pela metade no fim do ano, mantendo essa queda significativa até este ano, quando voltou a atingir o patamar de US$ 80.

Além de receber menos dinheiro por seu principal produto, a Venezuela também teve uma queda significativa na produção. Quando Chávez assumiu pela primeira vez o país, em 1999, a produção era de mais de 3 milhões de barris por dia. Hoje, é de cerca de 1,5 milhão, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) - é o pior nível em 33 anos.

Essa queda de produção aconteceu principalmente pela má gestão da PDVSA, a Petróleos de Venezuela, estatal que gere a exploração do recurso no país com exclusividade. Em 2007, Chávez ordenou que todas as empresas estrangeiras cedessem a maior parte do controle de suas atividades de exploração ao Estado venzuelanos. Companhias com o a Exxon não aceitaram, tiveram seus bens confiscados e batalhas jurídicas por indenizações se desenrolam até os dias atuais.
Na PDVSA, Não houve investimento em infraestrutura e a empresa sofre com má gestão e alto grau de corrupção. Para se ter uma ideia, desde agosto de 2017, a Justiça venezuelana processou 90 ex-funcionários da petroleira por corrupção. Em setembro, o Ministério Público de lá mandou prender 9 diretores.
O Departamento de Justiça dos EUA também conduziu uma investigação com base em Miami que revelou um esquema de lavagem de dinheiro da PDVSA que desviou US$ 1,2 bilhão, entre 2014 e 2015 . A operação chamada Fuga de Dinheiro contou com a cooperação de Reino Unido, Espanha, Itália e Malta. Dois suspeitos foram presos.

Outra coisa que ajudou a prejudicar as finanças da PDVSA foi a criação, ainda no governo Chávez, da Petrocaribe, uma iniciativa na qual a Venezuela se comprometia a fornecer petróleo a preços muito mais baixos para países caribenhos aliados ao chavismo, com longos prazos para pagamento. Era como emprestar dinheiro com retorno a perder de vista. Com o aprofundamento da crise, a iniciativa começou a minguar e países como Jamaica e República Dominicana passaram a buscar outros contratos para seu abastecimento.

2 - Dependência das importações e controle cambial

Com o foco voltado para o petróleo e usando parte do dinheiro arrecadado com as exportações do combustível para sustentar programas sociais, o chavismo não se preocupou com o desenvolvimento agrícola e industrial do país. O governo não investiu nem na própria indústria do petróleo - levando à queda na produção de barris.

Chávez tomou uma série de medidas que acabaram emperrando o desenvolvimento da indústria local: nacionalizou as indústrias de cimento e aço, entre outras, e expropriou centenas de empresas e de propriedades rurais.

O setor privado foi levado a substituir a produção própria pelas importações mais baratas, subsidiadas pelo governo. Além disso, o governo adotou uma política de controle de preços, segurando artificialmente a inflação, o que ajudou ainda mais a acabar com a indústria local.
A Venezuela passou a depender mais e mais de importações - de alimentos e medicamentos até pneus e peças de reposição para o sistema de metrô das grandes cidades. Nos dois últimos anos, com menos dinheiro para importação, a questão do desabastecimento - e, consequentemente, da fome - se agravou. Falta até papel higiênico nos supermercados.
O governo também implantou uma política cambial para segurar o valor do bolívar, a moeda local, controlando a compra de dólares pela população, o que gerou um mercado paralelo da venda da divisa americana.

Com o controle cambial veio um aumento significativo da corrupção, com desvio de dólares para o mercado paralelo, onde a moeda valia até 12 vezes o preço do câmbio oficial. O governo tentou manobras diversas para tentar conter a escalada do paralelo - como a criação de bandas cambiais distintas que seriam aplicadas em diferentes situações. Mas não houve resultado concreto e o câmbio ilegal continuou a corroer o já combalido sistema econômico.
"Chávez capitalizou um descontentamento social que existia desde governos passados, com uma desigualdade social acentuada, e o início de seu governo marcado pelo peso elevado que deu ao Estado e pelo aspecto populista. Isso se caracterizou por um repúdio à propriedade privada e a um menor papel do mercado, o que resultou num estrito controle de preços e transações cambiais", afirmou  à BBC o economista Luis Arturo Bárcenas, da consultoria venezuelana Eco analítica.

"Ele satanizou o livre-mercado. O Estado passou a ser um grande aparato produtivo e centralizador. Então, isso vem de um forte subsídio cambial, onde artificialmente se deu um valor à moeda local maior que as estrangeiras. Isso acabou tornando muito mais barato para os produtores locais importarem do que produzir internamente."

O Estado também viu seus gastos públicos aumentarem para conseguir manter os programas sociais. A dívida externa também aumentou em cinco vezes, com estimativa do FMI de bater os US$ 159 bilhões neste ano - este montante inclui títulos de dívida pública emitidos pelo governo e pela PDVSA e créditos com China e Rússia. Em 2015, a dívida era de US$ 31 bilhões, segundo estimativas do FMI.

3 - Hiperinflação

Ao tentar supervalorizar a moeda venezuelana, o governo provocou distorções de valores que, além de causarem a crise de desabastecimento, contribuíram para um cenário de hiperinflação.

Além disso, com a queda do preço do petróleo e uma redução no fluxo de divisas, o governo passou a imprimir mais dinheiro para cobrir o rombo nas contas públicas e isso foi gerando cada vez mais inflação.

A previsão do Fundo Monetário Internacional é que neste ano a inflação na Venezuela chegue a 1 milhão % (Isso significa você multiplicar por 10 mil o preço de um produto). Por dia, o FMI estima em 4% o valor da inflação no país vizinho.

A hiperinflação fez com que faltassem até cédulas de dinheiro circulando, já que as pessoas passaram a precisar de muito mais dinheiro para comprar qualquer coisa. Para tomar um café ou comprar um papel higiênico, por exemplo, aqueles que não usam cartão de débito do banco, passaram a ter de carregar pilhas de cédulas de bolívar - quando conseguiam sacar dinheiro.

"Com a escassez de divisas produtoras, recorremos muito mais a financiamentos e imprimimos muito dinheiro, com o Estado gastando sem gerar mais recursos", diz o economista Bárcenas.

Com a deterioração da situação, o chavismo adotou uma espécie de controle artifical da inflação: obrigava os comerciantes a adotarem um preço abaixo do que eles gastavam para produzir, porque precisavam importar os insumos. Então, indústrias e comerciantes começaram a quebrar.

A hiperinflação provocou uma pulverização da renda e a pobreza aumentou. Em 2017, o índice de pessoas na linha da pobreza no país de 30 milhões de habitantes chegou a 87%, um aumento de 40 pontos percentuais em três anos, segundo levantamento da Universidade Católica Andrés Bello.

Vale lembrar que na era Chávez, a pobreza na Venezuela havia caído em mais de 20%, de acordo com a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), e o país passou a registrar a menor desigualdade entre ricos e pobres entre países latino-americanos, de acordo com relatório da ONU.

4 - Crise política

A Venezuela vive também uma intensa crise política. O país está dividido entre os chavistas e os opositores, que esperam o fim dos 19 anos de poder do grupo que atualmente se reúne em torno do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Nos últimos anos, a independência entre os Poderes se reduziu na prática, o que contribuiu ainda mais para a situação crítica atual.

Em 2007, em seu segundo mandato, Chávez conseguiu, por meio de um referendo com voto popular, aprovação para alterar a Constituição e mudar a regra de reeleição para presidente. Desde então, os presidentes venezuelanos passaram a poder concorrer a reeleições sem limites.

O chavismo, projeto de poder que se consolidou a partir da primeira eleição de Hugo Chávez, tem como elementos centrais uma atuação muito maior do Estado e a defesa de medidas que ampliam a participação social na política - um exemplo é a organização de "comunas" nos bairros mais carentes das principais cidades, órgãos que se articulam, por sua vez, com o Legislativo local para apresentar demandas e controlar o fluxo de entrada de alguns programas sociais.

Também é caracterizado por uma política "anti-imperialista", defendendo a integração dos povos sul-americanos para combater a influência dos Estados Unidos na região. No chavismo, o mandatário tem seu poder baseado num forte militarismo.
Depois da morte de Chávez, em 2013, Nicolás Maduro, que era seu vice-presidente e também do PSUV, já foi eleito e reeleito presidente com a promessa de dar continuidade às políticas do antecessor.Só que Maduro herdou a Venezuela já entrando em colapso econômico e tomou medidas que contribuíram mais para a crise.

5- Poder militar e controle da imprensa

Um outro ponto que contribuiu para a crise venezuelana  é a  forte presença do Exército na gestão do Estado.

Em 25 anos, a Venezuela sofreu três tentativas de golpe de Estado pelos militares. Uma delas foi deflagrada por um grupo do qual o então coronel Chávez era líder, em 1992.
Preso após a tentativa de golpe militar, ele foi solto anos depois e conseguiu se eleger em 1998.

Chávez trouxe as Forças Armadas para seu governo. Ele nomeou vários generais para cargos em estatais, substituindo funcionários técnicos especializados.
Uma das empresas que teve parte de seu corpo técnico substituído por militares foi a petroleira PDVSA, o que, segundo especialistas, explica em parte o fato dela não ter investido em melhorias, não ter se desenvolvido.

O chavismo também colocou militares para atuarem como ministros. Um terço do gabinete de Maduro é composto por militares e ex-militares.

Pela Constituição venezuelana, as Forças Armadas deveriam ser apolíticas. Mas o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, escreve em seus despachos "Chávez vive, a pátria continua. Independência e pátria socialista".

Durante a crise de abastecimento iniciada em 2016, Maduro também passou o controle da produção, importação e distribuição de alimentos para o Exército. Há graves acusações de corrupção envolvendo o controle dos militares desse setor chave na crise.

Outro fator que contribuiu para a crise venezuelana é o estrito controle da imprensa. Veículos considerados de oposição foram comprados por chavistas, enquanto outros foram fechados (caso da emissora RCTV, que teve sua concessão cassada).

Em outros casos, o chavismo sufocou o suprimento de papel-jornal para veículos de linha editorial opositora - o governo venezuelano controla, por meio de uma corporação estatal, a importação e a distribuição do insumo.

Por esses e outros motivos é que o mundo olha com parcimônia para o que pode acontecer com o nosso vizinho, caso o Presidente Donald Trump realmente cumpra com sua promessa de enviar tropas caso Maduro não renuncie e a Rússia decida apoia-lo. Alguns analistas dizem que a Venezuela pode ser o próximo Vietnã, onde  os  USA e a antiga URSS se digladiaram por quase 20 anos por pura “birra”, levando o país  ao colapso e seu povo a extrema miséria. E podem ter certeza, isso irá respingar por aqui...


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Boechat: Um dos ultimos

A MORTE DE BOECHAT: MAIS UMA VOZ QUE SE CALA!

Por Alacir Arruda

Se já não bastasse a tragédia que são os nossos homens públicos, 2019 começa com um tsunami de   negatividades: tragédias como a  de Brumadinho, com mais de 300 vitimas, as chuvas da última semana que  causaram pânico e morte no Rio de Janeiro e o incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo que vitimou 10 garotos tragicamente, hoje 11/02 /2019, somos sorvidos com a noticia da morte, igualmente trágica, do jornalista Ricardo Eugênio Boechat. O que confirma esse início de ano como um dos mais trágicos da historia do país.

Boechat era um daqueles sujeitos que foi feito pelo “poder superior” e sua forma jogada fora, uma cara acima da media no que tange ao jornalismo politico e do cotidiano, um gênio de seu tempo com as palavras. Quando perdemos um jornalista do calibre de um Boechat a sociedade se sente um pouco órfã, pois o domínio que o mesmo tinha com as palavras, usadas em sua maioria em defesa dos menos favorecidos, se enfraquece. Não e raro encontrar pessoas que admirava, aliás, isso era muito fácil, pois sua capacidade de encantar era algo de outro mundo. Um homem generoso com os pares e ácidos com os corruptos que, independente de sigla partidária, batia com a mesma ferramenta pesada em todos.  Boechat não se omitia quando o assunto era um Brasil mais justo e honesto era intolerante  com o descaso de nossos políticos.

Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente quando morava em São Paulo - 2010. A Faculdade em que trabalhava o convidou para fazer uma palestra aos alunos de MBA em Administração Pública. Sentei no fundo de um auditório absolutamente lotado, tinha umas 200 pessoas, e o observei por uma hora e meia. Fiquei impressionado como a sua empatia e de como as palavras se esvaiam de sua boca com uma singularidade única, mas aquilo que mais me chamou atenção foi sua capacidade de interpretar o mundo. A sua visão geopolítica era algo monstruoso, falava da miséria na África com a mesma capacidade que analisava o crescimento chinês e o conflito na Síria, passando ainda pelos ditadores das Américas Central e do Sul, além da crise imigratório na  Europa Central – temas em evidência à época.

Nem todos sabem, mas ele trabalhou na Globo por muitos anos,   e a sua demissão em 2002 ocorreu em função dele não abrir mão da sua liberdade de opinião. Ele era comentarista do Bom dia Brasil e em determinado comentário, acabou por ferir interesses de poderosos influentes junto ao Grupo Globo. Quando lhe foi solicitado uma retratação pelos seus superiores o mesmo preferiu ser demitido a retirar o que havia dito, dando uma demonstração clara de amor a um  jornalismo livre de censura e perseguição – coisa rara hoje em dia.

Boechat sempre dizia que, assim como começou a trabalhar aos 16 anos vendendo livros, não tinha qualquer constrangimento em voltar a fazê-lo, pois, para ele, empregos vêm e vão, mas o caráter, esse sim, deve permanecer. Ele foi um dos últimos representantes de uma  safra de jornalistas que não se intimidavam com os donos do poder, eram atrevidos,  e com seus tinos jornalísticos ajudaram desvelar  o véu que, durante décadas, cobriu a impunidade, o fisiologismo e a falta de caráter dos nossos homens públicos mostrando a verdadeira face de uma nação corrompida –aliás, alguns desses  ainda estão por ai.

O Brasil esta mais pobre a partir de hoje, pobre de conhecimento, pobre da “fala” pobre de opinião. O jornalismo perde um de seus baluartes e o Brasil perde uma pessoa do bem. Vai Boechat...! Vai encantar outras plateias, como um dia me encantou. Vai ser a voz de outros tantos que, como nós, víamos em você um digno  representante. Vai encantar outros, mas saiba,  o seu legado ficou e, quiçá, tenhamos alguém que, espelhado em você, seja a voz desse povo sofrido.

 Meus sinceros sentimentos a família.