quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Brasil e os bestializados

O QUE OCORRE COM O BRASIL? "OS BESTIALIZADOS".

Por Alacir Arruda


Em respeito ao tempo que não escrevo sobre o Brasil e suas peripécias, farei apenas um recorte dos últimos acontecimentos que julgo importante para que eu possa construir um juízo de valor. Que temos os piores políticos do mundo, um sistema educacional sedimentado na falácia instrumental, um modelo de segurança digno de fazer inveja a Hitler e Mussolini e poderes viciados em interesses individuais disso todos sabem. Mas aqui meu objetivo é outro: é “tentar entender que povo e este, qual seu imaginário político e qual sua prática política”.

Em épocas de Impeachment, Lavas-jatos e a certeza de que perdemos o rumo vou buscar numa das maiores obras literárias brasileiras - Os Bestializados de Jose Murilo de Carvalho- subsídios para tentar explicar aquilo que muitos julgam inexplicável, qual seja, o comportamento do povo brasileiro diante disso tudo.

O livro Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi, de José Murilo de Carvalho se refere ao estudo da prática de cidadania entre o povo brasileiro no início da República. Utilizando-se de inúmeras fontes, que vão desde revistas e jornais da época a documentos oficiais, desde artigos e teses a livros conceituados, o autor constrói seu trabalho de maneira singular. O trabalho é dividido em cinco capítulos, além da conclusão, notas, caderno de fotos e bibliografia no final. São ao todo 196 páginas muito bem utilizadas, e que vale a pena serem lidas. Logo na introdução ele lança o questionamento que buscará responder no decorrer do livro: por que o povo era considerado bestializado? Qual a razão de sua apatia política? Num primeiro momento, ao ler-se o título da obra, pensa-se até que o autor tratará da passividade do povo brasileiro, de sua inércia política. Mas seu objetivo é outro: é “tentar entender que povo era este, qual seu imaginário político”.

Os Bestializados do século XXI pouco diferencia daquele do final do seculo XIX, grande parte da massa não entende o que ocorre em Brasilia, rimos como bobo alegre da nossa própria desgraça, somos motivo de piada internacional e vibramos quando aparece um salvador da pátria que, como o detentor da espada do Rei Arthur, nos salvará das mãos impiedosas dos nossos algozes. Ou seja, sonhamos! Vivemos uma Utopia de Hobbes, onde o Leviatã do momento é Sergio Moro, mas no passado já foram Collor, FHC e Lula, enfim, não interessa quem; o importante e termos alguém que "cuide" de nós, afinal não seria essa a figura da república? Uma mulher desnuda com os seios amostra que sacia a fome dos seus? Que cuida do povo? 

Segundo o Dados do Data Folha à época do impedimento da ex Presidente Dilma, menos de 15% da população brasileira sabia o que era Impeachment, 10% nunca tinham ouvido falar em Michel Temer e para 74% Lava Jato é um posto de gasolina que também lava carro, salve a ignorância. Temos mais, menos de 8% sabiam o papel das duas casas do Congresso, 4% a função de um senador e 12% a de um deputado o STF era uma sigla incompreensível para 92% dos entrevistados e pasmem, para 55% Lula ainda era Presidente ( bom esses acertaram..)...Como diria Francelino Pereira no auge da ditadura: "que país e esse"? Deixo aos senhores essa resposta.

Ora, sou um educador e como tal não tenho pretensão alguma de mudar o imutável, de sonhar com o irrealizável ou de pensar que algo extraordinário ainda ocorra nesse seculo, tenho massa cinzenta o suficiente para entender que em educação o máximo que posso fazer é a minha parte: educação e a arte do possível. E por que insisto? Não sei, talvez teimosia ou irresponsabilidade mas não consigo me calar diante desse disparate de coisas estranhas que vejo passar diante dos meus olhos. Sabe por que nos acostumamos com tudo isso? Porque toda mudança exige sacrifício, esforço, e não somos ensinados a isso, tudo que o mundo nos oferece é mais prático, mais cômodo, acessível, então permanecemos sempre dependentes. Quiséssemos nós desde cedo, ter sido ensinado a lutar, não desistir, perseverar, sacrificar...hoje estaríamos muito mais a frente de outras nações, seriamos muito melhores

Ao final do seu livro, Jose Murilo pontua que a República não era para valer. O discurso bonito do Estado não condizia com a realidade. Quem percebia isso não era bestializado. “Bestializado era quem levasse a política a sério, era o que se prestasse a manipulação (...) Quem apenas assistia, como fazia o povo o Rio por ocasião das grandes transformações realizadas a sua revelia, estava longe de ser bestializado. Era bilontra [gozador, espertalhão].” (p. 160). Em sua conclusão o autor explica que como não aconteceu uma República real, ou seja, o governo nunca foi uma coisa pública, a cidade não teve cidadãos, nesse sentido. Estes se relacionavam com o Estado da maneira que conseguiam. Como a cidade foi impedida de ser República, foram formadas várias repúblicas, onde os cidadãos foram construindo a sua identidade coletiva.

Fazendo uma analogia com a atualidade, hoje podemos dizer que reina o "cada um por si e o diabo por todos", onde os interesses pessoais estão a frente de valores como cidadania, ética comprometimento etc. Sabemos que a corrupção impera porém, a vingança do povo se dá com a indiferença a não participação no debate politico enfim...é a forma encontrada pelos bestializados de se fazerem vistos. Por mais contraditório que isso possa parecer é  forma legitima ( mesmo que não a ideal),  de manifestação..



                                                  Contato/palestras: agaextensao@gmail.com

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Redação ENEM 2016 - Calais

O INFERNO DE CALAIS..

Por Alacir Arruda

" É o inferno na terra", disse uma refugiada etíope ao deparar com a realidade de Calais. Viver ali é tudo, menos fácil. Estou falando de 1500 refugiados, seres humanos - chegaram a ser seis mil em outubro de 2015, antes da evacuação forçada de parte do campo - que vivem em Calais (França) assentadas em barracas de madeira, edifícios devolutos e tendas. Afegãos, sírios, iraquianos, eritreus, etíopes e outras nacionalidades instalaram-se ali à espera de uma oportunidade de atravessar o Canal da Mancha (nos caminhões que por ali passam ou no comboio que atravessa o túnel) buscando uma vida melhor em solo inglês, eles vivem em condições de insalubridade que assemelha aos Campos Nazistas e em nada deve a Auschwitzs. A violência é comum, afinal são etnias diferentes dividindo espaços minúsculos, e as rixas entre os residentes são bastante comuns. 

Conhecida como "a selva", Calais representa hoje a síntese de um mundo que virou as costas, há seculos, aos miseráveis do planeta, é como se eles não existissem. Milhares de africanos, e refugiados dos conflitos no Oriente Médio, vivem hoje como animais na Europa perambulando de país em país ate que a toda poderosa União Europeia decida qual destinação dar a eles. A Grécia não suporta mais recebê-los, a Itália idem, não suporta mais resgatá-los no mediterrâneo, Macedônia ja fechou a fronteira, assim como a Austria, mas ninguém supera a Hungria que costuma agredi-los de forma covarde. 

Antes do governo francês decidir fechar Calais, todos os dias chegavam mais de uma centena de migrantes que, mais tarde ou mais cedo, tentariam a travessia de cerca de 30 quilômetros para o que acreditam ser uma vida melhor no Reino Unido. De acordo com o diário britânico Guardian, no ano passado morreram pelo menos 15 migrantes a tentar chegar a Dover. Os que sobrevivem arriscam-se a sofrer ferimentos graves ou a serem agredidos pela polícia. Segundo o Telegraph, 1200 migrantes em Calais foram deportados para fora do país em 2014. Para muitos, a travessia de Calais para o Reino Unido é o último passo para uma nova vida. Mas um passo perigoso, como explica Riswan ao Guardian, um jovem migrante paquistanês que já viu dezenas de pessoas ficarem feridas nas auto-estradas, ao tentarem entrar nas caixas de carga dos caminhões. “moças novas com seus bebês”, explica Riswan.“Um rapaz ficou gravemente ferido no peito quando uma roda [de caminhão] o atropelou… havia muito sangue.” E depois há a polícia: “A polícia luta muito. Já atravessei fronteiras na Grécia, Holanda, Bélgica, mas eles são só conversa. Aqui lutam.” Uma vida melhor Na base da crise de migrantes em Calais está a convicção de que uma vida no Reino Unido será melhor do que em França. 

Muitos migrantes falam inglês, não outras línguas europeias, e têm também família no Reino Unido, como explica à Reuters Christian Salomé, presidente do grupo humanitário francês Albergue dos Migrantes. De acordo com um estudo do Ministério do Interior francês, o sistema britânico resolve mais rapidamente pedidos de asilo do que o francês – seis meses contra nove. Na França, os migrantes são enviados para centros de acolhimento, enquanto no Reino Unido recebem residências de urgência “o mais cedo possível”. Para além disto, explica a Reuters, um migrante recebe assistência médica grátis no Reino Unido e, sem documentação, tem ao seu dispor uma “economia paralela em crescimento”. “Em Inglaterra, quando entregam um pedido de asilo, têm abrigo, existem, são reconhecidos”, diz Salomé. "na França, entregam um pedido e regressam para o bairro de lata.” O bairro de lata de Calais chama-se “Selva II”, ou “Nova Selva”.

É uma rede de vários quilômetros de tendas e abrigos improvisados onde vive a maior parte dos migrantes. “Cabanas com tetos de plástico negro e tendas que se estendem até onde o olhar alcança”, como escreve o Telegraph. As condições são piores do que em muitos cenários de guerra, diz o diário britânico, citando as agências humanitárias que trabalham no local. “Temos direito a uma refeição por dia e temos que estar numa fila durante várias horas. Algumas vezes a comida acaba-se antes de lá chegarmos”, disse Bahad ao Guardian, numa reportagem publicada no início de Junho. Era final da tarde e Bahad ainda não tinha comido. “Toda a gente anda sempre com fome”, explicou. Teddy, da Eritreia, falou com o Guardian na Nova Selva. Descansava depois de uma noite passada na auto-estrada a tentar embarcar num camião de carga. Segundo ele, conseguiu entrar em três, mas acabou sempre expulso. “Um amigo meu com quem estive na noite passada acabou de me ligar e está no Reino Unido”, disse. “Agarrou-se debaixo de um camião. Foi muito perigoso." Mas, como diz Riswan, é a única alternativa. "Temos de continuar a tentar porque isto não é lugar onde ficar."

Vivemos um novo conceito de campos de concentração, onde pessoas que nada possuem, em sua grande maioria negras e miseráveis, são afastadas do "convívio social" largadas à própria sorte em condições subumanas em campos como Calais, enquanto os engravatados da UE não se entendem sobre o que fazer com esse "Refugo Humano", como diz o sociólogo polonês Zygmunt Baumam. Porém, aquilo que mais assombra o mundo tem sido a Inércia dos chamados "países ricos" que se comportam como se nada tivesse acontecendo, como se não fossem eles os culpados por essa catástrofe humanitária (ou se esquecerem do neocolonialismo??). Reino Unido e França teriam um compromisso moral com esses miseráveis, pois foram algozes de grande parte deles no passado. Se hoje esses países mergulharam em crises internas e conflitos civis isso se deve ás ações interesseiras e imperialistas dessas duas grandes nações. Mas virar as costas , jogar a sujeira para debaixo do tapete e calar-se diante do caos é bem menos dolorido.. E mais fácil concordar com Nelson Rodrigues:  “A Europa é uma burrice aparelhada de museus.” 



Contato palestras: agaextensao@gmail.com  



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

ENEM 2016

UM POUCO DE ENEM...


Por Alacir Arruda


Bom, após um longo e tenebroso inverno "estoy a cá novamente" para tentar, humildemente, ajudar esses bravos 8,5 milhões de desesperados que  buscam sair do gargalho da miséria, via  engodo da educação,   no país dos corruptos. Aliás, em tempo:  os políticos em Brasilia estão passando um abaixo assinado, que ja tem mais de 80 adesões, onde solicitam a  prisão de Sergio Moro e o fim da Lava Jato. Seria cômico se não fosse trágico...jamais se esqueçam disso...

Mas falando de ENEM, sei que não aguentam mais essa palavra, ...enfim...,  a prova será nos dias 5 e 6 de  novembro, sábado e domingo, sendo que no sábado teremos Ciências da Natureza e Ciências Humanas 80 questões  e no domingo a temida matemática, linguagens também 80 questões e a Redação. Nesses próximos dias as "escolas e cursinhos" Brasil afora, se desesperam. São psicólogos de plantão, psicopedagogos, psiquiatra algumas convocam ate Jesus, além de  um grupo de comediantes "stand up"  - vulgarmente chamados de professores -  que juntam mil, dois mil alunos  em aulões que ligam o nada com coisa alguma, aulões que não servem para absolutamente nada, salvo para dar umas risadinhas, isso se você já não conhece a piada, pois são sempre as mesmas ex:  Frases para decorar as famílias da tabela periódica..
As letras em laranja das palavras são os símbolos dos elementos químicos daquela família.
1 – Hoje Li Na Kama Robinson Crusoé em Francês
2– Bela Margarida Casou com o Senhor Bartolomeu Ramos
Isso e o fim do mundo...Será que as escolas desse país ainda nao captaram a proposta do ENEM?..  O  Enem não avalia conteúdos....e sim conhecimento,  e holísticos. Logo, não se trata de um teste "decoreba". De nada adianta você saber de cor a tabela periódica que jamais lhe perguntarão a massa do "chumbo" ou o simbolo do Zinco. Ou o Relevo do Centro Oeste, ainda o valor de PI ou de Delta.... :(
Criticas à parte, no  ENEM não ha milagre, ou o aluno sabe ou não. Nesse ultimo  caso, sobra lhe o chute, que no Enem é cruel com quem o faz. Por se tratar de uma mecânica americana o ENEM segue o mesmo modelo S.A.T - aquele  teste que e aplicado nos alunos americanos-   todo chute colabora contra o aluno, pois mesmo que acerte, este terá esse acerto confrontado com o acerto global. Logo, se você chutou e acertou um Item difícil, e porventura venha errar um Item Fácil sua nota e jogada para baixo pois o TRI ( Teoria de Resposta a Item) aplicado em cada aluno identificara que houve um chute, Nao ha saída, O aluno precisa ter pleno domínio caso contrario ira mal. Mas com esse professorado que temos hoje que ainda insistem em ensinar o aluno a decorar, fica difícil. 
Outro toque importante é quanto os tipos de Itens. O INEP trabalha com três tipos: Fácil, Médio e dificil divididos entre as áreas do conhecimento avaliadas pelo exame. Logo, o grande segredo para ir bem esta em o aluno identificar esses Itens,  e não e dificil. Muitos que já fizeram o ENEM ao ler um Item ate assustou, imaginou "muito fácil essa". Isso mesmo, não pense que e pegadinha e muito fácil mesmo então faça e acerte o máximo das fáceis,  repita o mesmo com as medias e as difíceis acerte o que der.. Fiquem tranquilo o INEP ao elaborar uma prova em agosto eles ja possuem uma média de quantos acertarão determinadas questões, por isso ninguém tira 10 em ENEM salvo em redação.  O objetivo do INEP não é aprovar gênios, mas sim o aluno que mantenha uma certa simetria pedagógica, ou seja, que sua prova seja coerente, que acerte as fáceis, grande parte das médias e algumas difíceis, imagine uma piramide..imaginou? Agora pense que as fáceis são a base ok...o meio são as medias e o ápice da pirâmide as difíceis. Não ha a necessidade de acertar tudo, ate porque é impossível. Digo sempre em palestras que faço sobre o ENEM: "se o aluno manter a coerência de uma piramide nos 180 Itens será aprovado em medicina em qualquer faculdade do Brasil
Como sei disso?   Porque tive  honra de ser convidado pelo INEP para colaborar com criação dessa "coisa"  (ENEM e ENADE ) em 2009. E elaborei Itens de atualidades   para o Inep desde então

"CASO SUA ESCOLA QUEIRA UMA PALESTRA SOBRE O ENEM, SUA MECÂNICA, DINÂMICA  E AS  ATUALIDADES QUE MAIS SAO EXPLORADAS  COM QUEM ESTEVE NO INEP, FAVOR ENTRAR EM CONTATO PELO EMAIL:  agaextensao@gmail.com.br "

mudanças..

MUDANÇAS...


Olá pessoal!! Não acredito que a última vez que postei foi em JUNHO...  e já estamos indo novamente para o final do ano!! O tempo correu, muita coisa aconteceu, deixei as mudanças se realizarem de forma natural,  sempre me mantive calado  no meu meu canto e sereno  esperando o desenrolar dos fatos  ( sempre acontece isso em mudanças, não é?). Sinto que estou indo para um novo ambiente psicológico e um patamar  espiritual mas elevado mais maduro e surrado pelas intemperes da vida.  Entretanto o meu  diário virtual( blog) irá ficar estarei sempre por  aqui.


Grande abraço!!


Alacir Arruda


segunda-feira, 11 de julho de 2016

o grande desafio humano

"DÊ A VOLTA POR CIMA E FAÇA ELES PERGUNTAREM: PORQUE ELE AINDA RI?"

 Por Alacir Arruda

Existe uma palavra em alemão que talvez defina bem o  significado de:  “ fico feliz com a desgraça alheia”  - Schadenfreude -  Cuja a tradução literal seria “ alegria no dano” . Bom, afastadas as máscaras da moral cristã, que se revelam  nos desejos destrutivos e o egoísmo extremado do ser humano além de dar à vazão à hipocrisia,  podemos refletir melhor. Quando  alguém se  coloca no centro das atenções, todas suas ações e atitudes são analisadas como se vistas por um microscópio. Isto é, qualquer coisa – por mais normal que faça e que também a maioria das pessoas faz – é motivo de recriminação.

Neste caso, a “Schadenfreude” se dá pelo fato de o sujeito em questão ser descoberto e exposto ao público, enquanto os outros - que, provavelmente, fazem a mesma coisa - permanecem ocultos. Anseia-se destruir o outro quem sabe pelo fato de o mesmo lhe ser semelhante, no intuito de se tentar apagar aquela faceta interior que ninguém quer ver.
Afinal, ao se olhar no espelho nem sempre se gosta do reflexo, principalmente, quando mostra quem realmente se é. E ninguém aprecia ver sua imagem desnuda, com todas suas imperfeições. É melhor ver as imperfeições – mesmo as suas – nos outros.

Eis, pois, a “Schadenfreude”. O gozo em flagrar a corrupção alheia, já que a sua própria escapa impune. Corruptos e calhordas são os outros. É mais fácil viver assim: olhar a hipocrisia no outro, em vez de si mesmo, e clamar para que o outro tenha vergonha na cara, em vez de ter vergonha na cara por si mesmo.

Errados sempre são os outros. Dessa maneira, é bem melhor que olhar a si mesmo diante do espelho e morrer de decepção. 
"Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor, de 2.000 REIS.

Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos. Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.  - Eu sei! Respondeu o tolo. Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda.

Pode -se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.

A primeira:
Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda:
Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira:
Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
A quarta e mais interessante é:
A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.


-Moral da História 

O maior prazer de uma pessoa inteligente é bancar o idiota, diante de um idiota que banca o inteligente.


os filósofos erram quando dizem que o supremo dever do homem é a busca da felicidade. Mas, se os próprios filósofos declaram que a felicidade, por ser efêmera, não existe, como pode ser dever do homem procurar o que não existe?  Então, humildemente,  eu corrigi os filósofos: por revés, o dever do homem na Terra é buscar ser menos infeliz.

Aí que entra o célebre verso do Ataulfo Alves, o grande sambista: “Eu era feliz e não sabia”. Esse verso é uma adaptação do dito de filósofos, que sempre disseram que o homem muitas vezes não sabe que é feliz. Eu iria mais adiante: o homem só é feliz quando não sabe que é infeliz, o que no fim das contas nada significa. E por outra parte pergunto: não é de todo pertinente que o homem também não saiba que é infeliz?

Eu, de minha parte, garanto que o homem só pode se sentir feliz quando, sem saber, ele é infeliz. Ou de maneira mais radical: só um idiota pode se sentir feliz.

Só pode dizer que era feliz e não sabia quem venha posteriormente a ser tão infeliz que passe a invejar o estado anterior que ostentava.
“Eu era feliz e não sabia” quer dizer que não gozou da felicidade por desconhecer que com ela tratava.
E só agora, que é infeliz, tem consciência de que aquele estado que vivia era o de felicidade.
Ora, quem é feliz e não sabe que é feliz, por lógica, não é feliz.
Em suma, para ser feliz é preciso sentir-se que é feliz.

Já aquele que é infeliz e não sabe, por lógica, é feliz. É uma espécie de loucura delirante, a pessoa sofre e não sabe que sofre, por consequência não sente a dor e o infortúnio quando estes batem à sua porta, invadem seu domicílio e a submetem.
Ou seja, os que são infelizes e o desconhecem ou são muito fortes, ou estão loucos.
Pode-se dizer que são felizes.

É que no meio desses estados existem outros mil, como, por exemplo, o dos que são felizes tão somente por estarem sempre esperando a felicidade. É a felicidade da esperança, a felicidade dos crentes que têm a certeza de que Deus virá para chamá-los para o reino dos céus.
A única felicidade para eles consiste em esperar a felicidade. Isso é o que se chama de sonho.
O sonho é o lenitivo para o sofrimento, sofre-se, mas mergulhando no sonho o sofrimento passa a não doer, passa a não existir, sobrepujado pela esperança.

Além disso, o estado de felicidade é sempre cotejado com a felicidade ou a infelicidade alheia.  É impossível ser feliz se moram ao nosso lado ou convivem conosco pessoas que consideramos felizes. A felicidade alheia, muitas vezes, é a causa única da nossa infelicidade.
Muitas vezes é impossível para nós encarar com naturalidade a felicidade alheia. Ela nos agride e não raro nos torna infelizes. Por todas essas barafundas, não há nada mais difícil, senão impossível, do que ser feliz.

Muitas pessoas só se sentem capazes de agradecer por comparação a quem tem menos ou não tem nada, por comparação a moribundos, miseráveis, destituídos, ou a quem perdeu. É muito freqüente ouvirmos sermões do tipo: “Agradeça por ter um corpo perfeito; por ter uma casa, alimento, saúde, por ser parte de uma minoria privilegiada...”. É a alegria pela comparação com as desgraças dos outros. Na verdade, uma forma vulgar e bem baixa de gratidão. Uma gratidão passiva, fruto de espíritos mais invejosos do que virtuosos. Precisam da miséria, da derrota ou da infelicidade alheia para ser felizes. É a alegria por saber que se tem o que o outro não possui. Emerge somente por comparação, por meio de um olhar invejoso e competitivo. É uma forma infeliz de gratidão. Tem o mal do outro como condição.

A gratidão, antes de ser um consolo ou um sentimento de dívida, pode ser um ato. O ato simples de usufruir do que se tem e do que se pode. Ser grato, em seu sentido mais virtuoso, é dar valor ao que se tem. E para isso é preciso ter olhos para o que já existe e é capaz de produzir prazer.

Muitos nos chegam, em desespero, relatando que suas vidas estão em ruínas, aos pedaços. Os primeiros passos, muitas vezes, obviamente, são os de recolher cacos e tentar aproveitar o que sobrou. Esta tentativa, por mais estranho que pareça, é um movimento de gratidão. E ela, se possível, na melhor das hipóteses, deve se dar sem a comparação com uma miséria alheia maior.

Há quem tenha sido condicionado a se sentir feliz somente por comparação com os outros. Ou seja, ser feliz é ser ou ter mais que o outro, é ostentar superioridade. É uma felicidade social, de coluna social. Para quem foi assim condicionado, fica mesmo muito difícil ser feliz sozinho (no seu bom sentido), no seu cantinho, sem se preocupar demais com os outros. Segundo Russell:

“O homem sensato não deixa de sentir prazer com o que tem pelo fato de alguém ter mais ou melhor. A inveja, na realidade, é uma forma de vício, em parte moral, em parte intelectual, que consiste em não ver as coisas em si mesmas, mas somente em relação com outras. (...) Quem deseja a glória, poderá invejar Napoleão. Mas Napoleão invejou César. César invejava Alexandre e Alexandre, provavelmente, invejava Hércules, que nunca existiu. Não se pode, por conseguinte, combater a inveja só por meio da conquista da glória, pois haverá sempre, na história ou na lenda, algum personagem cujos feitos tenham sido mais gloriosos. Pode-se combatê-la, sim, pelo gozo dos prazeres que se nos oferecem, pelo trabalho que tivermos de realizar e evitando comparações com aqueles que imaginamos, talvez sem razão, mais ditosos do que nós.”


quarta-feira, 29 de junho de 2016

"o lobo solitario"- para ENEM

A NOVA ESTRATÉGIA DO TERRORISMO: "O LOBO SOLITÁRIO".

 
Por Alacir Arruda

Escrever me liberta!!

Ataques como os ocorridos no aeroporto internacional de Istambul (Turquia) nesse 28/06/2015, onde mais de 20 pessoas morreram e ainda não há um numero exatos de feridos, mas cogitam acima de 70, ou como o da boate GLS Pulse em Orlando na Florida-EUA ocorrido na madrugada do dia 12 de junho, deixaram o mundo assustado, não pelos ataques em si, mas pela estratégia utilizada. Omar Saddique Metten, americano de ascendência afegã e dotado de uma forte influencia jihadista, usou de uma estratégia desconhecida até entao, que são ações promovidas por lobos solitários, pessoas que agem por conta própria imbuídos de um forte sentimento extremista sem necessariamente, fazerem parte de algum grupo de terror, por isso a expressão "solitário". Não que isso ocorresse pela primeira vez , tivemos outros ataques com essa motivação, mas o ocorrido nos USA, em particular, chamou a atenção pela proporção e letalidade, o maior da historia do país.

Omar Sadiqque conseguiu comprar legalmente um fuzil e uma pistola, apesar de ter ativado alertas. "Isso é um problema", disse Obama, ao mesmo tempo em que a Casa Branca exortou o Congresso a tomar "medidas de senso comum" para regular o acesso às armas. Segundo a CNN, Mateen efetuou em duas ocasiões a peregrinação mais curta a Meca na Arábia Saudita, afirmaram nesta segunda-feira as autoridades sauditas e também viajou aos Emirados Árabes Unidos. O FBI admitiu que o investigou anteriormente, mas descartou que tivesse laços extremistas. Parentes e conhecidos descreveram o atacante como um homem violento e instável, que agredia a ex-mulher e fazia comentários homofóbicos.

Assim como a tecnologia e a sociedade avançam a passos largos, as estratégias dos grupos terroristas caminham na mesma direção. O Estado Islâmico, por exemplo, desde a sua fundação tem utilizado de inovações, usando redes sociais para divulgar seu ódio ao ocidente. Vídeos no YouTube mostram assassinatos bárbaros em tempo real e usando de efeitos especiais que estão entre os mais visualizados dessa ferramenta, além de uma forte propaganda midiática em canais que apoiam suas ações. Todo esse apelo tecnológico tem trazido retorno, em 2015, duas adolescentes inglesas, de ascendência muçulmana, fugiram da Inglaterra para se tornarem "soldadas" do islã-extremista na Síria, e um dos assassinos mais cruéis visto nesses vídeos foi identificado como um inglês de codinome "Jonh". Isso prova que os grupos terroristas estão antenados àquilo que move os anseios dos jovens que acabam se tornando presas fáceis.

Houve uma época em que o terrorista deveria se preparar, viajavam para as regiões mais remotas do mundo ( Mali, Iemêm, Afeganistão),  onde passavam por um forte treinamento militar e ideológico, e aqueles que não atingiam os objetivos ali mesmo eram assassinados. Hoje isso não é mais necessário, a internet tem feito essa triagem. Jovens que desapontaram com o mundo pós moderno, que se veem perdidos com a exploração e as dificuldades características do capitalismo, tendem a buscar alguma forma de autoafirmação e projetam nesses grupos um ideal de realização, mesmo que a ingenuidade não permita-os compreender o real perigo que estão se metendo.

Hoje, estima-se que só o Estado Islâmico já recebeu mais de 1 milhão de voluntários para lutarem pelo Jihad, desses, 90% são jovens. E todos os dias centenas chegam para compor esse exercito. essa é mais uma prova, inequívoca, de que a estratégia midiática do grupo trouxe resultado. Mas e o lobo solitário? Como ele surge?

Ora, a internet e as plataformas de comunicação online podem ser acessadas de qualquer lugar, são grátis, ninguém pode realmente censurá-las, é possível manter anonimato e usá-las para muitos objetivos: propaganda, recrutamento, ensinamentos e convocação de pessoas para a ação. No tipo de plataforma multimídia, é possível fazer upload e download de textos, filmes, livros, instruções, palestras. Você pode se comunicar, coletar dinheiro, enviar dinheiro, encontrar informação, interagir com pessoas. Está ai o terreno onde se desenvolve o ideário desses "Lobos". É a velha máxima " mente vazia, oficina do diabo". O que assusta é a sanha assassina desses lobos, que não possuem nenhuma piedade com o próximo, seja idoso ou criança, homo, ou hétero, negro ou branco, na verdade seu instinto é matar, não importa quem.

Na véspera da I Guerra Mundial -1914-, terroristas adiaram o atentado em Sarajevo porque havia crianças na carruagem do arquiduque. Hoje, lobos solitários, explodem tudo que há pela frente: crianças, velhos, explodem até a si próprios. Omar, e os três que se explodiram em Istambul não nos engana. E certamente não enganará Alá e as 70 virgens que os estariam esperando no céu.
 
 
 

terça-feira, 28 de junho de 2016

O NACIONALISMO NO MUNDO - PARA ENEM

O CRESCIMENTO DOS MOVIMENTOS NACIONALISTAS NO MUNDO.

Por Alacir Arruda
  Escrever me liberta!!

É desolador quando vemos um lunático, racista com visões que comparam ao nazismo, como Donald Trump ter 41% de chances de ser presidente da maior nação do Planeta, não que a senhora Clinton seja menos desajustada, pois quem a conhece deve lembrar do seu período como secretaria de estado, do seu envolvimento nas ações desastradas do exército americano em Bagdá e Cabul que culminou com a morte de milhares de inocentes sob a justificativa do combate ao terrorismo. Hilary é acusada ainda de acobertar as torturas cometidas por tropas americanas em Abu-Ghraib (Iraque) e Guantánamo (Cuba). Ou seja, o passado da senhora Clinton não é bem aquilo que se espera de uma Democrata e virtual Presidente dos USA. Diante disso o mundo se pergunta: "o que está acontecendo com política mundial"? Ou com os políticos?

Na França a situação não e diferente, Marine Le Pen, a líder da extrema direita francesa, ambiciona transformar a FN (frente nacional) de um movimento extremista marginalizado em um partido sério do governo, e as últimas pesquisas a colocam como virtual vencedora do próximo pleito Talvez seja mesmo a hora do "desastrado" socialista Holland buscar o caminho de casa, pois em 4 anos não conseguiu articular um governo de coalizão que enfrentasse esses grupos extremistas que pregam a expulsão de estrangeiros, a saída do país da União Europeia e apóiam agressões xenofóbicas. Para isso, Marine Le Pen recrutou jovens militantes intelectuais para elaborarem propostas de governo, essa tática vem obtendo adesões que assustam a nação que cunhou para sempre no mundo os termos "igualdade, liberdade e fraternidade".

Muito se fala hoje no crescimento dos grupos nacionalistas, ultranacionalistas, ou extremistas, o nome pouco importa pois o sinônimo é sempre o mesmo, grupos que pregam um nacionalismo ufanista, a xenofobia e a discriminação ao estrangeiro como mote. Para estudiosos isso, na verdade, é um retrocesso diante de um mundo que há muito tempo se tornou global e não tem chance de retorno. Mas como surgem esses grupos? O que buscam?

Esses movimentos surgem por diferentes motivos. Podem ter cunho político, étnico ou racial, religioso ou social. Em sua maioria, trata-se de uma classe social, colônias ou territórios pequenos que se sentem desvalorizados pelos governos principais de seus países e buscam na independência uma forma de valorizar e garantir mais direitos e investimentos à sua população.

No que diz respeito ao separatismo, a Europa é o continente que mais vivencia essa situação de “desejo de independência”. Tal situação preocupa a União Europeia, que teme que caso um grupo separatista ganhe a causa provoque um efeito cascata nos demais movimentos. A saída do Reino Unido é o recado mais objetivo que eles receberam, pois a vitória dos que queriam sair da união europeia e o exemplo claro de ações de nacionalistas e separatistas deram resultado.

Quando uma região ou território se torna independente mudam-se fronteiras, alianças, relações econômicas e blocos, e os “novos” países têm que iniciar uma série de reformas, criando instituições próprias como Banco Central, Forças Armadas, entre outras, e o “novo” país precisa ser reconhecido por outros países.

Os países que atualmente, sofrem com ações separatistas vão desde o Reino Unido com Escócia e Irlanda do Norte, passando ainda por Espanha com o país Basco e a Catalunha que lutam por independência, temos ainda conflitos no Cáucaso, ex URSS, onde as Ossetia do sul e a Chechênia querem se desatrelar da Rússia. No mundo temos ainda a situação de Quebéc, parte francesa do Canadá, que realizou ate um plebiscito para sua saída, mas não obtiveram êxito. Outro país que passa por esse problema é a China, com o Tibet, que ha mais de 45 anos busca sua autonomia, enfim, raros são os continentes em que não ocorra ações de algum movimento separatista.

Quanto ao nacionalismo extremista ou ultranacionalista (e aqui não quero entrar no mérito se são justos ou não) , se fortalecem a medida que atores como Donald Trump nos Estados Unidos e Marine Le Pen na França aparecem com reais possibilidades de vencerem eleições com um discurso " radical". Aqui eu gostaria de fazer uma distinção entre nacionalismo e separatismo, pois eu considero o nacionalismo extremista o pai da intolerância e da xenofobia enquanto movimentos separatistas buscam direitos e como disse anteriormente, esse mérito eu não vou aqui aprofundar.

De forma superficial, entendo que a crise econômica pode ter facilitado essa insatisfação, frustração, esse desencanto. As pessoas tentam explicar sua miséria ou falta de dinheiro colocando a culpa nos imigrantes, algo muito semelhante ao que aconteceu com os judeus na Europa. Um dos maiores problemas hoje é o fato de as pessoas tentarem explicar sua falta de tolerância referindo-se à cultura, aos valores e à tradição. E eu, como analista, não entendo o que eles querem dizer com “valores e tradição”. Toda sociedade está mudando, a vida está mudando o tempo todo em todo lugar. Que tipo de valores e tradição as pessoas têm em mente? Quanto a pergunta ao final do primeiro parágrafo, eu realmente não sei essa resposta, porém, ou encontramos uma saída ou realmente teremos que dar razão a "Luciano Hulk": Não riam, pasmem, mas ele disse: " a humanidade não deu certo". É ÓBVIO que essa frase não e dele.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

REINO UNIDO X UE - para ENEM


POR QUE O REINO UNIDO DEIXOU A UNIÃO EUROPÉIA ?
  
Por Alacir Arruda

“Preciso voltar a escrever!!!

Bom, passado a euforia da saída do Reino Unido da União Europeia cabe aqui algumas reflexões sobre o fato. A primeira coisa a ser fazer é compreender como é dividido aquela região, pois são comuns erros primários como o cometido pela “dançarina” Carla Perez em 1999, quando ao desembarcar no Brasil, após um sequência de shows naquela região, foi questionada por um jornalista que queria saber onde ela esteve? Bom, ela não titubeou, disse: “estive em 3 países da Europa, Inglaterra, Reino Unido em Grã Bretanha!”. Se você achou graça, cuidado, esse erro é mais comum do que se parece.

Isso ocorre pelo fato das pessoas associarem esses termos como comuns, e não são. Então vamos desvendar: A Grã-Bretanha é uma das muitas Ilhas Britânicas da Europa que abrange a maior parte do Reino Unido. Nesta ilha estão três das quatro nações britânicas: Escócia, na parte norte; Inglaterra, no sul; e País de Gales, a oeste. O Reino Unido é uma união política de quatro "países constituintes” Escócia, Inglaterra,Irlanda do Norte e País de Gales. O governo é regido por um sistema parlamentar cuja a sede está localizada na cidade de Londres, a Capital, e por uma monarquia constitucional que tem a rainha Elisabeth II como a chefe de Estado. Quanto a Inglaterra, bom essa é a maior parte da Grã Bretanha, fica na Região sul-central da Ilha, região de Londres.

Uma vez que nos localizamos geograficamente, vamos aos fatos. No dia 24 de junho de 2016, uma maioria simples de 52% dos britânicos decidiu o “Brexi”, ou seja, a saída do Reino Unido da União Européia, da qual eram membros desde 1974. Essa decisão chocou o mundo econômico e político globo a fora. Nem o mais pessimista dos analistas esperava esse desenrolar (observem que usei a expressão “britânicos”), isso significa que votaram todos os pertencentes ao Reino Unido – Inglaterra, Escócia, Pais de Gales e Irlanda do Norte -. E, por que eles fizeram isso? Bom, ai cabe uma análise levando se em conta o processo histórico. O Reino Unido é uma Ilha, ou seja, não está vinculado por terra ao continente europeu e sempre foi avessa às decisões vindas desse continente. Fato é que o MCE ( Mercado Comum Europeu), que é pai da União européia, existe desde 1957 e o Reino Unido só aderiu em 1974, outro fator discordante é a questão do Euro, apesar de ser membro da União Europeia O Reino Unido não faz parte da chamada “zona do Euro”, e não mudou sua moeda que continua sendo a Libra Esterlina, outra variante e que o Reino Unido sempre foi um parceiro histórico dos Estados Unidos que sempre concorreu com o Euro, pois possui também uma moeda forte.

Acrescento ainda a esses fatores, aquilo que sempre eu disse aos meus alunos quando ministrava geopolítica. A União Européia entrará em colapso quando o Euro perder força e os sinais da crise econômica penetrar no continente. Quando isso acontecer, velhas rixas e resquícios de conflitos seculares voltarão à tona. Não é novidade para ninguém que a Europa é um caldeirão de etnias e línguas, etnias essas que possuem diferenças históricas que o Euro conseguiu minimizar, por certo período, porém, jamais eliminá-los. Só um ingênuo para acreditar que Alemães gostam de franceses, que ingleses gostam de alemães, que o povo Basco gosta de regido pelo Rei de Espanha, que os catalães amam cantar o hino espanhol, que sérvios e bósnios um dia tomarão chá juntos, que armênios e turcos participarão juntos do dia de Ação de Graças, que irlandeses do norte amam cantar “Good Save The Queen”??? Eu ate acho que essa “Island Paradise”, chamada União Européia durou muito.

Mas sem duvida, a gota d’água é a situação dos refugiados sírios e iraquianos que hoje assombra a Europa. Ninguém quer assumir essa responsabilidade, até parece que eles (europeus) não são os principais culpados por todo esse caos, ou se esqueceram das ocupações francesas e inglesas no Oriente Médio no inicio do século XX – o neocolonialismo-, fomentando o ódio entre culturas historicamente rivais, sob a justificativa de uma possível abertura econômica usando o petróleo como desculpa.

Enfim, a Europa tem um legado de terror que passam por atrocidades como as cometidas pelo lunático Hitler, com anuência de mais de 30 milhões de alemães, pelo genocídio armênio de 1915 onde mais e 1 milhão e meio de pessoas foram assassinadas sendo 95% dos mortos civis indefesos, ou o massacre de Kosovo em 1999. Como imaginar “UNIÃO” em um continente marcado guerras e genocídios? Oxalá essa saída do Reino Unido force os europeus a repensarem seu papel no mundo, que possam reconhecer erros históricos, como as ocupações no continente africano que deixaram um legado de morte, destruição e Guerras Civis, quem não lembra de Ruanda 1994. E hora do Velho Continente se reinventar ou daremos razão a famosa frase de Oto Lara Resende “ A Europa é uma burrice aparelhada de museus”.


-Respondendo a pergunta título desse artigo: Porque o Reino Unido deixou a União Européia?
R. Porque ele jamais fez parte desse grupo!




quinta-feira, 23 de junho de 2016

injúria

NÃO TE FIZ NENHUM BEM, POR QUE ME INJURIAS TANTO ?

Por: Alacir Arruda
"nada ofende mais do que o benefício, nada agride mais do que o favor. A vida é a arte de não fazer favores".
                                                            (Nelson Rodrigues)

 
Resolvi começar esse texto citando o grande dramaturgo Nelson Rodrigues, um gênio polêmico do teatro brasileiro que como ninguém sabia lidar com as criticas que recebia. Entender o comportamento humano é uma coisa que nem Freud, Jung ou Lacan conseguiram , não seria eu, um simples mortal, que me atreveria. Porém, a irracionalidade de alguns me obriga a tecer esses comentários. A palavra injúria, do latim injuria, de in + jus = injustiça, falsidade. É também um Substantivo feminino - 1 ato ou efeito de injuriar - 2 injustiça, aquilo que é injusto; tudo o que é contrário ao direito - 3 dito ou ato insultuoso, ofensivo - 4 ato ou efeito de danificar; dano . Em suma, injuria é “falar mal dos outros por trás” como dizem os mais velhos.

Na educação isso é muito comum, principalmente quando aparece alguém que incomoda e se atreve a mudar essa estrutura ai instalada, criada por acomodados e despossuídos de um espírito educacional, e que chamam a si mesmos de "gênios" , se julgam acima do bem e do mal.

Quando o Sociólogo da UNB ( Universidade de Brasília) Pedro Demo afirmou em uma de suas entrevistas que: “dentre as atribuições do professor moderno, a mais inútil é a aula”, alguns pseudo-educadores se ofenderam, pois acreditam que aquela aula tradicional aliada a um conjunto de apostilas que foram estruturadas pelo sistema muito mais para confundir que para explicar, são as únicas formas de inserir conhecimento em seres humanos, ledo engano. Pedro Demo com essa frase esta fazendo um alerta aos educadores acomodados que se assentam sob a pedra da “ignorância” e de lá injuriam aqueles que efetivamente produzem educação e conhecimento, que buscam a inovação e a interação entre professor-aluno utilizando de linguagens modernas e acessíveis a todos.

Mais os compreendo, e acho esse comportamento até normal, se levarmos em conta o país que vivemos. Um país que possui o antepenúltimo pior sistema de educacional do Planeta e que adotou a inércia e a falácia como sistemas pedagógicos.. Aliás, nunca agradeci tanto a existência de Bangladesh e Mali que são os únicos atrás de nós no PISA, que é coordenado pela ONU, ( sugiro que pesquisem a realidade desses dois países e comparem com a nossa). O Sociólogo Pedro Demo ainda alerta em seus inscritos, que cada professor deve produzir seu próprio material didático e não ser cópia de um sistema que já deu sinais de colapso há muito tempo. Quanto aos que insistem em me injuriar segue abaixo um sucesso do grande Chico Buarque de Holanda seguido de um pedido.."Me Esqueçam."

INJURIADO
Chico Buarque

sábado, 18 de junho de 2016

NOTA ... 
Por Alacir Arruda

A Constituição brasileira afirma em seu art. 5º, inciso LVII, que “ninguém será culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Uma sentença que transitou em julgado é aquela da qual não cabe mais recurso. Assim, todo cidadão brasileiro deve ser considerado inocente até que esgotem todos os recursos a que tenha direito. Se deve ser considerado inocente, não pode ser preso. A prisão só pode ocorrer antes do trânsito em julgado em casos excepcionais e se cumpridas todas as exigências legais. Não havendo motivos para uma medida extrema como a prisão, ela não pode ser decretada.  

O Supremo Tribunal Federal, a despeito do afirmado na Constituição, entendeu diferente. Então, deveria mesmo era reescrever a Constituição, que ficaria assim:

art. 5°
LVII- ninguém será culpado até sentença condenatória de segundo grau.

Ocorre que existem artigos na Constituição Federal que são tão sérios, pois protegem direitos fundamentais, que sequer podem ser modificados. Então, na opinião do Barroso & França Advocacia, o Supremo errou feio! Vejamos.

O argumento que fundamentou o voto do ministro Teori Zavascki, é o de que a pena já pode ser executada, já que a fase de análise de provas e de materialidade se esgota. E disse ainda que a decisão respondia a um reclamo social.


1) Ouvir a sociedade? Qual sociedade? Quem é essa sociedade?

“A mudança na jurisprudência é para ouvir a sociedade”. A sociedade, por meio da Constituição, havia decidido que “ninguém será culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Esse distanciamento entre sociedade e cidadão é um erro tremendo. A sociedade é composta por indivíduos, não é um ente à parte. Os direitos do indivíduo são os próprios direitos da sociedade.

A vontade de vingança existe, é verdade. O mito de Caim e Abel retrata bem essa natureza humana, mas foi exatamente para não deixar que as vinganças privadas levassem à barbárie que foi criado o processo penal. Processo esse que deve ser composto por órgãos imparciais: um para acusar ( Ministério Público) e outro para julgar (Juiz). O que está registrado na Constituição é a vontade da sociedade. A história da humanidade já demonstrou que a parcialidade das vítimas leva ao caos social.

Ao contrário do que se pensa, muitas pessoas simples e sem qualquer conhecimento técnico jurídico tem bradado inconformismo diante da decisão do Supremo. A verdade é que ninguém quer ser tratado como na inquisição medieval: sendo desde o início do processo considerado culpado.

O que os cidadãos desejam é que, caso um dia tenham que responder a uma acusação penal, sejam considerados inocentes enquanto possam se defender, enquanto possam ajuizar recursos. Se o sistema é lento, que o Estado o aprimore, mas jamais que a liberdade dos indivíduos seja tolhida! Não se pode admitir que um cidadão brasileiro seja jogado no calabouço sendo considerado inocente!

A insatisfação da sociedade é com o sistema moroso e não com as regras que protegem a liberdade de cada um dos seus. A sofrida sociedade não deseja meia presunção de inocência, não deseja faz-de-contas! Uma sociedade fundada em valores democráticos não abre mão de sua liberdade! O ministro deve ter se referido a outra sociedade, não a brasileira!

2) Análise de provas e de materialidade se esgota em segundo grau.

O segundo argumento adotado pelo ministro relator também não nos convence. Seria preciso reescrever a constituição, mas como já dito acima o art. 5º não pode ser mudado.

LVII- ninguém será culpado (até que se esgote a análise de provas e materialidade)

Ainda que se tenha feito uma análise de provas e materialidade no segundo grau, não se pode afirmar que essa análise tenha sido feita conforme o devido processo legal. É exatamente por isso que existem os recursos aos tribunais superiores para questionar se o processo fora julgado conforme a constituição e as leis federais. Em uma democracia de direito, processo é direito. E isso precisa ser levado a sério.

Os direitos registrados na nossa Constituição são o resultado de uma luta de séculos pela liberdade do indivíduo. Veja abaixo um breve histórico.

MagnaCarta 1215:

1. Nenhum homem livre será detido ou sujeito à prisão, ou privado dos seus bens, ou colocado fora da lei, ou exilado, ou de qualquer modo molestado, e nós não procederemos nem mandaremos proceder contra ele senão mediante um julgamento regular pelos seus pares ou de harmonia com a lei do país.

1948- Declaração Universal do Direito dos direitos humanos.

Artigo 11
§1.     Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.

1969- Pacto de São José da Costa Rica

Artigo 8º - Garantias judiciais
2. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa.
Constituição da República Federativa do Brasil -1988

Art. 5°

LVII- ninguém será culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”


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Bom... disto isso..,

cabe me manifestar após a execração publica de meu nome. 

1)  cabe a cada instituição ou cidadão que sentir ofendido oferecer uma representação ou boletim de ocorrência quando sentir que seus direitos foram violados. Em suma, qualquer pessoa pode ser acionado na justiça por qualquer fato que alguém julgue procedente, sem que isso seja objeto de mérito.
2) jamais fui detido ou PRESO por qualquer delito
3) se existe um procedimento investigatório, cabe ônus da prova a quem alega 
4) e o principio do contraditório terá que ser respeitado.

Me mantive calado ate o momento em função da dimensão que tomou tal fato, sem com isso me consolidar com as pessoas que, efetivamente, merecem meu respeito e se preocupam comigo. Bom, a esses digo que estou bem procurando atender aquilo que a justiça me solicitar. Aos críticos, digo apenas que  Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.