sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Até quando??

SINTO VERGONHA DE MIM!! 

Por  Alacir Arruda.

Por que temos a vocação para a malandragem? Após mais uma enxurrada de denúncias, vindas de Brasília,  envolvendo os nossos homens públicos a discussão sobre a lisura do nosso caráter torna vir a baila. Por que nossos políticos tem vocação para o ilícito? Responderei essa pergunta mais abaixo. Antes citarei exemplos de países onde a intolerância à corrupção, o bom emprego do dinheiro publico e a ética são  Dogmas nacionais  e os políticos não se locupletam. Nesses países termos como: “dá um jeitinho”, “propina",  “politicagem” , “sabe com quem está falando” ou ” troca de favores eleitorais’ simplesmente não existem.

Peguemos a Suécia como exemplo: experimentem entrar no Youtube e pesquisar por: “deputados na Suécia”. Com certeza, muitos, ficarão pasmos de como é o dia-dia de um Deputado sueco. Primeiro que o salário deles é irrisório (cerca de 3.000,00) comparado ao dos nossos deputados (hoje cerca de 33.000,00). Segundo não há qualquer regalia como: Verba gabinete, apartamentos funcionais, auxilio moradia, motoristas, carros oficiais, passagens aéreas, indicação de aliados,  enfim...Ficaria horas digitando as benesses dos nossos representantes, mas na Suécia não há nada disso.  Na Suécia existe uma palavra que é um lema de todos os homens públicos e que faz toda a diferença: “comprometimento”. 

Na Noruega temos um dos melhores parlamentos do mundo, o custo para a população é quase 0% em face dos benefícios que ele trás - lembrando que o Congresso Brasileiro é o mais caro do mundo e o custo da câmara de vereadores de São Paulo paga todo o Congresso Inglês e sobra. Assim como na Suécia, os Deputados noruegueses só recebem uma espécie de ajuda de custo que não chega a 3.000,00. Nesse país há uma intolerância coletiva contra o ilícito, desde a mais tenra infância os noruegueses são ensinados que aquilo que é público ninguém tem o direito de usurpar para  seu beneficio. Mas sem duvida nenhuma o país que mais abomina o ilícito público é o Japão. A coisa lá e tão seria que   há poucos anos um primeiro ministro foi “acusado”. Vejam bem, apenas acusado de ter praticado ilicitudes durante sua gestão. Esse cidadão não aguardou o julgamento,  ele  suicidou pulando do 13 andar do prédio que morava em Tóquio por vergonha. Fico imaginando uma situação dessas no Brasil. Suponhamos que os nossos políticos corruptos optem pelo suicídio pulando de prédios, não tenho a menor duvida que faltaria imóveis.

No Brasil é diferente, aqui politica e carreira, e uma vez eleito os “pseudos representantes do povo”  enxergam o Estado como uma grande “vaca leiteira” de onde buscam extrair leite de quantas tetas puder obter.  É aquela velha historia: “eu sei que a farinha é pouca, então, meu pirão primeiro”. O POVO QUE SE DANE.  Politica no Brasil é sinônimo de “enriquecimento rápido”. Ou vocês conhecem algum politico de carreira pobre?  Peguemos alguns exemplos:  José Sarney: dizem que esse homem é dono do “ar”, “terra” e “água” do Maranhão. Collor de Mello, esse, a despeito de ter sofrido um impeachment em 1992, continua sendo um dos homens mais ricos do Brasil, dono de metade de Alagoas. Vou detalhar apenas nesses dois, entretanto, se acresce ainda a esses:  Jader Barbalho do Pará, Renan Calheiros Alagoas,  Tasso Jereissati do Ceara, e por ai vai.. Esses indivíduos fizeram da politica profissão e do erário o cofre.

Para entender esse comportamento “carnívoro” dos nossos homens públicos, vou recorrer ao grande  antropólogo Roberto DaMatta  que,  em um  dos  seus livros, discorre sobre  um dos mais salientes adjetivos  que podemos empregar ao  politico  brasileiro: o "jeitinho". Entre idas e vindas o autor enxerga nesta "malandragem", tipicamento brasileira, uma forma de navegação social que permite juntar o pessoal com o impessoal. Entre o "pode" e o "não pode", o brasileiro vê o "jeitinho".  

"Entre a desordem carnavalesca, que permite e estimula o excesso, e a ordem, que requer a continência e a disciplina pela obediência estrita às leis, como é que nós, brasileiros, ficamos? Qual a nossa relação e a nossa atitude para com e diante de uma lei universal que teoricamente deve valer para todos? Como procedemos diante da norma geral, se fomos criados numa casa onde, desde a mais tenra idade, aprendemos que há sempre um modo de satisfazer nossas vontades e desejos, mesmo que isso vá de encontro às normas do bom senso e da coletividade em geral?

Como é que reagimos diante de um  “proibido estacionar”, “proibido fumar”, ou diante de uma fila quilométrica? Como é que se faz diante de um requerimento que está sempre errado? Ou diante de um prazo que já se esgotou e conduz a uma multa automática que não foi divulgada de modo apropriado pela autoridade pública? Damos um jeitinho, procuramos um conhecido na fila que possa pagar nosso  boleto, estacionamos em local proibido ou paramos em fila dupla para pegar nosso filho na escola  sob a desculpa  de é “rapidinho”, fumamos no banheiro de aviões, ônibus ou simplesmente borrifamos  fumaça em qualquer transeunte que passe,  e quando um politico,  nosso amigo, é eleito para qualquer cargo, o procuramos não para cumprimentá-lo, mas para dizer:” vê se arruma uma boquinha pra “mim” lá ok”? Lembram-se das tetas? Nós também queremos uma.

Hoje no Brasil,  11, em cada 10 jovens , querem ser servidores públicos. Mas por quê?  Por que tem vocação? Querem contribuir para um Brasil melhor.. etc.. etc..? Porra nenhuma, buscam na verdade  a estabilidade de um emprego público onde se trabalha pouco ,  ganha bem e aposenta-se melhor ainda ( por enquanto). Existe ate uma máxima para alguns cargos,  onde  dizem: “não é o Céu, mas é bem pertinho”. Refiro-me aqui a cargos como  fiscais da Receita, funcionários de Tribunais de Contas entre outros que são muito bem remunerados  – que fique claro não tenho nada contra, apenas quis usar como exemplo.  
Não posso deixar de frisar ainda que o serviço publico não e feito apenas de “céu”, há aqueles que estão próximos daquele “outro  lugar“ Me refiro  aquelas  carreiras sofríveis tais  como: professores (como eu), policiais, enfermeiros entre outros, esses são aqueles chamados de “sacerdotes”..( eu não quero mais ser sacerdote, cansei!!rs).

 Por que estou dizendo isso?  Na verdade eu quis estabelecer uma relação entre os nossos “bem sucedidos” políticos, a imagem de sucesso que eles passam e o efeito que isso causa no inconsciente coletivo.. O Fato de muitos brasileiros optarem pelo serviço publico intimamente ligado a ideia  de que o Estado  é um grande patrão e lá estarei seguro, afinal , é essa a imagem que os políticos  passam: carros do ano, assessores, glamour.. (Freud Explica)
Diante desse quadro, dessa nuvem escura que insiste em ficar estacionada sobre o nosso país, onde a impunidade encontrou morada e a leniência abraçou o povo,   só resta aos brsileros de bem sentirem vergonha....

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'
(Poema de Cleide Canton)


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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

ENEM 2019- A Crise na Venezuela..

VENEZUELA: O PERIGO DE UM PRÓXIMO VIETNÃ.

Por: Alacir Arruda.

É BOM NÓS, BRASILEIROS, ABRIRMOS BEM OS OLHOS. A crise Venezuelana vem ganhando, a cada dia,  contornos de uma tragédia global. A fome fez os venezuelanos perderem, em média, 14 quilos em 2018. A violência esvazia as ruas das grandes cidades quando anoitece. E a situação provocou um êxodo em massa para países vizinhos.  Em 2018,  uma reportagem da BBC relatou a situação de corpos que explodem nos necrotérios pela falta de eletricidade para refrigeração e a briga do povo por algum produto alimentar  em  supermercados vazios.

Não bastasse esse quadro de caos, 2019 começa com o país tendo dois governantes. Um é o ditador Nicolas Maduro, herdeiro de Hugo Chaves e que esta no poder desde sua morte em 2013, e foi reeleito em 2018 numa eleição que foi colocada sob suspeita de fraude pelos organismos internacionais. O outro é o  atual  Presidente da Assembleia venezuelana, Juan Guando,  que não aceitando mais um mandato de Maduro, se autodeclarou Presidente  em Janeiro ultimo  e recebeu apoio de algumas potencias como; USA, França., Alemanha, Reino Unido Brasil entre outros. Lembrando que Maduro tem o apoio de Rússia e China

A grande verdade é que a Venezuela  vive  hoje a maior recessão de sua história: são 14 trimestres seguidos de retração econômica, segundo anunciou em   dezembro a Assembleia Nacional, o parlamento venezuelano, que atualmente é controlado pela oposição.
A dimensão do colapso pode ser vista nos números do Produto Interno Bruto. Entre 2013 e 2017, o PIB venezuelano teve uma queda de 37%. O Fundo Monetário Internacional prevê que, neste ano, deve cair mais 30%.

A situação do pais vizinho foi amplamente sido explorada na campanha eleitoral brasileira de 2018. Candidatos e eleitores de oposição ao Partido dos Trabalhadores, que historicamente apoiou os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, tentaram usar o fracasso venezuelano como alerta do que poderia ocorrer no Brasil.  

Mas como a situação na Venezuela chegou a esse ponto?

Para entender o abismo em que a Venezuela se encontra, faz-se necessário um resumo histórico desse que já foi o pais mais rico da América do Sul na década de 80 e  que tem a  maior reserva de petróleo do planeta, por isso o interesse das grandes potencias.

1 - Crise do petróleo

A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo - e o recurso é praticamente a única fonte de receita externa do país. Após a Primeira Guerra Mundial, sucessivos governantes venezuelanos deixaram o desenvolvimento agrícola e industrial de lado para focar em petróleo, que hoje responde por 96% das exportações - uma dependência quase total.A aposta no petróleo foi segura durante anos e deu bons resultados nos momentos em que o preço do barril estava alto. Entre 2004 e 2015, nos governos de Hugo Chávez e no início do de Nicolás Maduro - eleito em 2013 após a morte de seu padrinho político, no mesmo ano - , o país recebeu 750 bilhões de dólares provenientes da venda de petróleo.

O governo chavista aproveitou essa chuva dos chamados "petrodólares" para financiar de programas sociais a importações de praticamente tudo que era consumido no país. Mas, em 2014, o preço do petróleo desabou. Em parte devido à recusa de Irã e Arábia Saudita - outros dois dos grandes produtores - em assinar um compromisso para reduzir a produção. Outros fatores foram a desaceleração da economia chinesa e o crescimento, nos EUA, do mercado de produção de óleo e gás pelo método "fracking" - o fraturamento hidráulico de rochas.
No início daquele ano, depois de ter alcançado um pico de US$ 138,54 em 2008, o preço do barril de petróleo era negociado a cerca de US$ 100 dólares e caiu pela metade no fim do ano, mantendo essa queda significativa até este ano, quando voltou a atingir o patamar de US$ 80.

Além de receber menos dinheiro por seu principal produto, a Venezuela também teve uma queda significativa na produção. Quando Chávez assumiu pela primeira vez o país, em 1999, a produção era de mais de 3 milhões de barris por dia. Hoje, é de cerca de 1,5 milhão, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) - é o pior nível em 33 anos.

Essa queda de produção aconteceu principalmente pela má gestão da PDVSA, a Petróleos de Venezuela, estatal que gere a exploração do recurso no país com exclusividade. Em 2007, Chávez ordenou que todas as empresas estrangeiras cedessem a maior parte do controle de suas atividades de exploração ao Estado venzuelanos. Companhias com o a Exxon não aceitaram, tiveram seus bens confiscados e batalhas jurídicas por indenizações se desenrolam até os dias atuais.
Na PDVSA, Não houve investimento em infraestrutura e a empresa sofre com má gestão e alto grau de corrupção. Para se ter uma ideia, desde agosto de 2017, a Justiça venezuelana processou 90 ex-funcionários da petroleira por corrupção. Em setembro, o Ministério Público de lá mandou prender 9 diretores.
O Departamento de Justiça dos EUA também conduziu uma investigação com base em Miami que revelou um esquema de lavagem de dinheiro da PDVSA que desviou US$ 1,2 bilhão, entre 2014 e 2015 . A operação chamada Fuga de Dinheiro contou com a cooperação de Reino Unido, Espanha, Itália e Malta. Dois suspeitos foram presos.

Outra coisa que ajudou a prejudicar as finanças da PDVSA foi a criação, ainda no governo Chávez, da Petrocaribe, uma iniciativa na qual a Venezuela se comprometia a fornecer petróleo a preços muito mais baixos para países caribenhos aliados ao chavismo, com longos prazos para pagamento. Era como emprestar dinheiro com retorno a perder de vista. Com o aprofundamento da crise, a iniciativa começou a minguar e países como Jamaica e República Dominicana passaram a buscar outros contratos para seu abastecimento.

2 - Dependência das importações e controle cambial

Com o foco voltado para o petróleo e usando parte do dinheiro arrecadado com as exportações do combustível para sustentar programas sociais, o chavismo não se preocupou com o desenvolvimento agrícola e industrial do país. O governo não investiu nem na própria indústria do petróleo - levando à queda na produção de barris.

Chávez tomou uma série de medidas que acabaram emperrando o desenvolvimento da indústria local: nacionalizou as indústrias de cimento e aço, entre outras, e expropriou centenas de empresas e de propriedades rurais.

O setor privado foi levado a substituir a produção própria pelas importações mais baratas, subsidiadas pelo governo. Além disso, o governo adotou uma política de controle de preços, segurando artificialmente a inflação, o que ajudou ainda mais a acabar com a indústria local.
A Venezuela passou a depender mais e mais de importações - de alimentos e medicamentos até pneus e peças de reposição para o sistema de metrô das grandes cidades. Nos dois últimos anos, com menos dinheiro para importação, a questão do desabastecimento - e, consequentemente, da fome - se agravou. Falta até papel higiênico nos supermercados.
O governo também implantou uma política cambial para segurar o valor do bolívar, a moeda local, controlando a compra de dólares pela população, o que gerou um mercado paralelo da venda da divisa americana.

Com o controle cambial veio um aumento significativo da corrupção, com desvio de dólares para o mercado paralelo, onde a moeda valia até 12 vezes o preço do câmbio oficial. O governo tentou manobras diversas para tentar conter a escalada do paralelo - como a criação de bandas cambiais distintas que seriam aplicadas em diferentes situações. Mas não houve resultado concreto e o câmbio ilegal continuou a corroer o já combalido sistema econômico.
"Chávez capitalizou um descontentamento social que existia desde governos passados, com uma desigualdade social acentuada, e o início de seu governo marcado pelo peso elevado que deu ao Estado e pelo aspecto populista. Isso se caracterizou por um repúdio à propriedade privada e a um menor papel do mercado, o que resultou num estrito controle de preços e transações cambiais", afirmou  à BBC o economista Luis Arturo Bárcenas, da consultoria venezuelana Eco analítica.

"Ele satanizou o livre-mercado. O Estado passou a ser um grande aparato produtivo e centralizador. Então, isso vem de um forte subsídio cambial, onde artificialmente se deu um valor à moeda local maior que as estrangeiras. Isso acabou tornando muito mais barato para os produtores locais importarem do que produzir internamente."

O Estado também viu seus gastos públicos aumentarem para conseguir manter os programas sociais. A dívida externa também aumentou em cinco vezes, com estimativa do FMI de bater os US$ 159 bilhões neste ano - este montante inclui títulos de dívida pública emitidos pelo governo e pela PDVSA e créditos com China e Rússia. Em 2015, a dívida era de US$ 31 bilhões, segundo estimativas do FMI.

3 - Hiperinflação

Ao tentar supervalorizar a moeda venezuelana, o governo provocou distorções de valores que, além de causarem a crise de desabastecimento, contribuíram para um cenário de hiperinflação.

Além disso, com a queda do preço do petróleo e uma redução no fluxo de divisas, o governo passou a imprimir mais dinheiro para cobrir o rombo nas contas públicas e isso foi gerando cada vez mais inflação.

A previsão do Fundo Monetário Internacional é que neste ano a inflação na Venezuela chegue a 1 milhão % (Isso significa você multiplicar por 10 mil o preço de um produto). Por dia, o FMI estima em 4% o valor da inflação no país vizinho.

A hiperinflação fez com que faltassem até cédulas de dinheiro circulando, já que as pessoas passaram a precisar de muito mais dinheiro para comprar qualquer coisa. Para tomar um café ou comprar um papel higiênico, por exemplo, aqueles que não usam cartão de débito do banco, passaram a ter de carregar pilhas de cédulas de bolívar - quando conseguiam sacar dinheiro.

"Com a escassez de divisas produtoras, recorremos muito mais a financiamentos e imprimimos muito dinheiro, com o Estado gastando sem gerar mais recursos", diz o economista Bárcenas.

Com a deterioração da situação, o chavismo adotou uma espécie de controle artifical da inflação: obrigava os comerciantes a adotarem um preço abaixo do que eles gastavam para produzir, porque precisavam importar os insumos. Então, indústrias e comerciantes começaram a quebrar.

A hiperinflação provocou uma pulverização da renda e a pobreza aumentou. Em 2017, o índice de pessoas na linha da pobreza no país de 30 milhões de habitantes chegou a 87%, um aumento de 40 pontos percentuais em três anos, segundo levantamento da Universidade Católica Andrés Bello.

Vale lembrar que na era Chávez, a pobreza na Venezuela havia caído em mais de 20%, de acordo com a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), e o país passou a registrar a menor desigualdade entre ricos e pobres entre países latino-americanos, de acordo com relatório da ONU.

4 - Crise política

A Venezuela vive também uma intensa crise política. O país está dividido entre os chavistas e os opositores, que esperam o fim dos 19 anos de poder do grupo que atualmente se reúne em torno do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Nos últimos anos, a independência entre os Poderes se reduziu na prática, o que contribuiu ainda mais para a situação crítica atual.

Em 2007, em seu segundo mandato, Chávez conseguiu, por meio de um referendo com voto popular, aprovação para alterar a Constituição e mudar a regra de reeleição para presidente. Desde então, os presidentes venezuelanos passaram a poder concorrer a reeleições sem limites.

O chavismo, projeto de poder que se consolidou a partir da primeira eleição de Hugo Chávez, tem como elementos centrais uma atuação muito maior do Estado e a defesa de medidas que ampliam a participação social na política - um exemplo é a organização de "comunas" nos bairros mais carentes das principais cidades, órgãos que se articulam, por sua vez, com o Legislativo local para apresentar demandas e controlar o fluxo de entrada de alguns programas sociais.

Também é caracterizado por uma política "anti-imperialista", defendendo a integração dos povos sul-americanos para combater a influência dos Estados Unidos na região. No chavismo, o mandatário tem seu poder baseado num forte militarismo.
Depois da morte de Chávez, em 2013, Nicolás Maduro, que era seu vice-presidente e também do PSUV, já foi eleito e reeleito presidente com a promessa de dar continuidade às políticas do antecessor.Só que Maduro herdou a Venezuela já entrando em colapso econômico e tomou medidas que contribuíram mais para a crise.

5- Poder militar e controle da imprensa

Um outro ponto que contribuiu para a crise venezuelana  é a  forte presença do Exército na gestão do Estado.

Em 25 anos, a Venezuela sofreu três tentativas de golpe de Estado pelos militares. Uma delas foi deflagrada por um grupo do qual o então coronel Chávez era líder, em 1992.
Preso após a tentativa de golpe militar, ele foi solto anos depois e conseguiu se eleger em 1998.

Chávez trouxe as Forças Armadas para seu governo. Ele nomeou vários generais para cargos em estatais, substituindo funcionários técnicos especializados.
Uma das empresas que teve parte de seu corpo técnico substituído por militares foi a petroleira PDVSA, o que, segundo especialistas, explica em parte o fato dela não ter investido em melhorias, não ter se desenvolvido.

O chavismo também colocou militares para atuarem como ministros. Um terço do gabinete de Maduro é composto por militares e ex-militares.

Pela Constituição venezuelana, as Forças Armadas deveriam ser apolíticas. Mas o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, escreve em seus despachos "Chávez vive, a pátria continua. Independência e pátria socialista".

Durante a crise de abastecimento iniciada em 2016, Maduro também passou o controle da produção, importação e distribuição de alimentos para o Exército. Há graves acusações de corrupção envolvendo o controle dos militares desse setor chave na crise.

Outro fator que contribuiu para a crise venezuelana é o estrito controle da imprensa. Veículos considerados de oposição foram comprados por chavistas, enquanto outros foram fechados (caso da emissora RCTV, que teve sua concessão cassada).

Em outros casos, o chavismo sufocou o suprimento de papel-jornal para veículos de linha editorial opositora - o governo venezuelano controla, por meio de uma corporação estatal, a importação e a distribuição do insumo.

Por esses e outros motivos é que o mundo olha com parcimônia para o que pode acontecer com o nosso vizinho, caso o Presidente Donald Trump realmente cumpra com sua promessa de enviar tropas caso Maduro não renuncie e a Rússia decida apoia-lo. Alguns analistas dizem que a Venezuela pode ser o próximo Vietnã, onde  os  USA e a antiga URSS se digladiaram por quase 20 anos por pura “birra”, levando o país  ao colapso e seu povo a extrema miséria. E podem ter certeza, isso irá respingar por aqui...


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Boechat: Um dos ultimos

A MORTE DE BOECHAT: MAIS UMA VOZ QUE SE CALA!

Por Alacir Arruda

Se já não bastasse a tragédia que são os nossos homens públicos, 2019 começa com um tsunami de   negatividades: tragédias como a  de Brumadinho, com mais de 300 vitimas, as chuvas da última semana que  causaram pânico e morte no Rio de Janeiro e o incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo que vitimou 10 garotos tragicamente, hoje 11/02 /2019, somos sorvidos com a noticia da morte, igualmente trágica, do jornalista Ricardo Eugênio Boechat. O que confirma esse início de ano como um dos mais trágicos da historia do país.

Boechat era um daqueles sujeitos que foi feito pelo “poder superior” e sua forma jogada fora, uma cara acima da media no que tange ao jornalismo politico e do cotidiano, um gênio de seu tempo com as palavras. Quando perdemos um jornalista do calibre de um Boechat a sociedade se sente um pouco órfã, pois o domínio que o mesmo tinha com as palavras, usadas em sua maioria em defesa dos menos favorecidos, se enfraquece. Não e raro encontrar pessoas que admirava, aliás, isso era muito fácil, pois sua capacidade de encantar era algo de outro mundo. Um homem generoso com os pares e ácidos com os corruptos que, independente de sigla partidária, batia com a mesma ferramenta pesada em todos.  Boechat não se omitia quando o assunto era um Brasil mais justo e honesto era intolerante  com o descaso de nossos políticos.

Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente quando morava em São Paulo - 2010. A Faculdade em que trabalhava o convidou para fazer uma palestra aos alunos de MBA em Administração Pública. Sentei no fundo de um auditório absolutamente lotado, tinha umas 200 pessoas, e o observei por uma hora e meia. Fiquei impressionado como a sua empatia e de como as palavras se esvaiam de sua boca com uma singularidade única, mas aquilo que mais me chamou atenção foi sua capacidade de interpretar o mundo. A sua visão geopolítica era algo monstruoso, falava da miséria na África com a mesma capacidade que analisava o crescimento chinês e o conflito na Síria, passando ainda pelos ditadores das Américas Central e do Sul, além da crise imigratório na  Europa Central – temas em evidência à época.

Nem todos sabem, mas ele trabalhou na Globo por muitos anos,   e a sua demissão em 2002 ocorreu em função dele não abrir mão da sua liberdade de opinião. Ele era comentarista do Bom dia Brasil e em determinado comentário, acabou por ferir interesses de poderosos influentes junto ao Grupo Globo. Quando lhe foi solicitado uma retratação pelos seus superiores o mesmo preferiu ser demitido a retirar o que havia dito, dando uma demonstração clara de amor a um  jornalismo livre de censura e perseguição – coisa rara hoje em dia.

Boechat sempre dizia que, assim como começou a trabalhar aos 16 anos vendendo livros, não tinha qualquer constrangimento em voltar a fazê-lo, pois, para ele, empregos vêm e vão, mas o caráter, esse sim, deve permanecer. Ele foi um dos últimos representantes de uma  safra de jornalistas que não se intimidavam com os donos do poder, eram atrevidos,  e com seus tinos jornalísticos ajudaram desvelar  o véu que, durante décadas, cobriu a impunidade, o fisiologismo e a falta de caráter dos nossos homens públicos mostrando a verdadeira face de uma nação corrompida –aliás, alguns desses  ainda estão por ai.

O Brasil esta mais pobre a partir de hoje, pobre de conhecimento, pobre da “fala” pobre de opinião. O jornalismo perde um de seus baluartes e o Brasil perde uma pessoa do bem. Vai Boechat...! Vai encantar outras plateias, como um dia me encantou. Vai ser a voz de outros tantos que, como nós, víamos em você um digno  representante. Vai encantar outros, mas saiba,  o seu legado ficou e, quiçá, tenhamos alguém que, espelhado em você, seja a voz desse povo sofrido.

 Meus sinceros sentimentos a família.



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Freud Explica..

OS PROCESSOS DA NOSSA MENTE SEGUNDO FREUD..

Por Alacir Arruda.

Durante muitos anos tive a honra de  ministrar filosofia e sociologia  em diversos cursos de psicologia. Lembro-me que quando ministrava aulas de Freud os alunos ficavam eufóricos. Muitos se apaixonavam, por esse autor, outros o odiavam, mas ninguém passava por Freud com indiferença. Uma introdução que sempre usava quando entrava nesse autor era essa: Imaginemos a seguinte cena: Você é casado (a) e passa ao seu lado uma linda (o) mulher, (homem) daquelas (les) que a televisão insiste em divulgar como modelo padrão. Segundo Freud, nesse momento você enfrenta três conflitos internos, a saber:

1) a moral (Superego), como eu posso olhar para outra mulher? Se fizer isso estarei traindo os juramentos que um dia eu fiz a ela tendo Deus por testemunha. Não posso olhar;
2) a vontade (ID), caramba que mulherão..Ah se eu  tivesse uma dessas em casa! Que mulher gostosa da p....:
 3) a razão (ego), apesar dela ser bela, eu sou um homem casado e devo respeitar minha esposa, portanto, posso ate olhar, mas jamais cobiçar.

Para entender esse conflito o psicanalista austríaco, Sigmund Freud, distinguiu nossa consciência em  três níveis, na sua inicial divisão topográfica da mente:

- Consciente - diz respeito à capacidade de ter percepção dos sentimentos, pensamentos, lembranças e fantasias do momento;
- Pré-consciente - relaciona-se com os conteúdos que podem facilmente chegar à consciência;
- Inconsciente - refere-se ao material não disponível à consciência ou ao escrutínio do indivíduo.

No entanto, o ponto nuclear da abordagem psicanalítica de Freud é a convicção da existência do inconsciente como:

a) Um receptáculo de lembranças traumáticas reprimidas;
b) Um reservatório de impulsos que constituem fonte de ansiedade, por serem socialmente ou eticamente inaceitáveis para o indivíduo.

A perspectiva psicanalítica de Freud surgiu no início do século XX, dando especial importância às forças inconscientes que motivam o comportamento humano. Freud, baseado na sua experiência clínica, acreditava que a fonte das perturbações emocionais residia nas experiências traumáticas reprimidas nos primeiros anos de vida. Desta forma, assumia que os conteúdos inconscientes, apenas se encontravam disponíveis para a consciência, de forma disfarçada (através de sonhos e lapsos de linguagem, por exemplo). Neste sentido, Freud desenvolveu a psicanálise, uma abordagem terapêutica que tem por objetivo dar a conhecer às pessoas os seus próprios conflitos emocionais inconscientes. Freud acreditava que a personalidade forma-se nos primeiros anos de vida, quando as crianças lidam com os conflitos entre os impulsos biológicos inatos, ligados às pulsões e às exigências da sociedade.

Considerou que estes conflitos ocorrem numa sequência invariante de fases baseadas na maturação do desenvolvimento psicossexual, no qual a gratificação se desloca de uma zona do corpo para outra – da zona oral para a anal e depois para a zona genital. Em cada fase, o comportamento, que é a principal fonte de gratificação, muda – da alimentação para a eliminação e, eventualmente, para a atividade sexual.

Das cinco fases do desenvolvimento da personalidade, Freud considerou as três primeiras - relativas aos primeiros anos de vida – como sendo cruciais. Sugeriu que, o fato das crianças receberem muita ou pouca gratificação em qualquer uma destas fases, pode levar ao risco de fixação – uma paragem no desenvolvimento – e podem precisar de ajuda para ir para além da fase dessa fase. Acreditava ainda que as manifestações de fixações na infância emergiam em adulto.

Segundo Freud, durante a fase fálica, no período pré-escolar, quando a zona de prazer muda para os genitais, ocorre um acontecimento-chave no desenvolvimento psicossexual: os rapazes desenvolvem uma ligação ou vínculo sexual à mãe e as raparigas ao pai e veem como rival a figura parental do mesmo sexo (denominado de “Complexo de Édipo”); o rapaz aprende que a rapariga não tem pénis, assumindo que aquele foi cortado e teme que o seu pai o possa também castrar. A rapariga, por sua vez, experiência, o que Freud chamou de inveja do pénis e culpa a sua mãe por não lhe ter dado um pénis. Possivelmente, as crianças resolvem a sua angústia identificando-se com a figura parental do mesmo sexo. Durante o período escolar, fase da latência, as crianças acalmam, socializam-se, desenvolvem competências e aprendem acerca de si própria e da sociedade. A fase genital, a última fase subsiste pela vida adulta. As mudanças físicas da puberdade reativam a libido, a energia que alimenta as pulsões sexuais.

As pulsões sexuais da fase fálica, reprimidas durante a latência, voltam a emergir para fluir de uma forma socialmente aceite, naquilo que Freud definiu como relações heterossexuais com pessoas forra da família de origem.

Freud propôs ainda três hipotéticas instâncias da personalidade: o id, o ego e o superego.

O ID é o reservatório inconsciente das pulsões, as quais estão sempre ativas. Regido pelo princípio do prazer, o ID exige satisfação imediata desses impulsos, sem levar em conta a possibilidade de consequências indesejáveis.

O ego funciona principalmente a nível consciente e pré-consciente, embora também contenha elementos inconscientes, pois evoluiu do id.

Regido pelo princípio da realidade, o ego cuida dos impulsos do ID, logo que encontre a circunstância adequada. Desejos inadequados não são satisfeitos, mas reprimidos. Apenas parcialmente consciente, o superego serve como um censor das funções do ego (contendo os ideais do indivíduo derivados dos valores familiares e sociais), sendo a fonte dos sentimentos de culpa e medo de punição.

Obstáculo ao Crescimento: a Ansiedade

Para Freud, o principal problema da psique é encontrar maneiras de enfrentar a ansiedade. Esta é provocada por um aumento, esperado ou previsto, da tensão ou desprazer, podendo se desenvolver em qualquer situação (real ou imaginada), quando a ameaça a alguma parte do corpo ou da psique é muito grande para ser ignorada, dominada ou descarregada. As situações prototípicas que causam ansiedade incluem as seguintes:

1. Perda de um objeto desejado - Por exemplo, uma criança privada de um dos pais, de um amigo íntimo ou de um animal de estimação.2. Perda de amor - A rejeição ou o fracasso em reconquistar o amor, por exemplo, ou a desaprovação de alguém que lhe importa. 3. Perda de identidade - É o caso, por exemplo, daquilo que Freud chama de medo de castração, da perda de prestígio, de ser ridicularizado em público. 4. Perda de auto-estima -. Por exemplo, a desaprovação do Superego por atos ou traições que resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo.

A ameaça desses ou de outros eventos causa ansiedade e haveria, segundo Freud, dois modos de diminuir a ansiedade. O primeiro modo seria lidando diretamente com a situação. Resolvemos problemas, superamos obstáculos, enfrentamos ou fugimos de ameaças, e chegamos a termo de um problema a fim de minimizar seu impacto. Desta forma, lutamos para eliminar dificuldades e diminuir probabilidades de sua repetição, reduzindo, assim, as perspectivas de ansiedade adicional no futuro.

A outra forma de defesa contra a ansiedade deforma ou nega a própria situação. O Ego protege a personalidade contra a ameaça, falsificando a natureza desta. Os modos pelos quais se dão as distorções são denominados Mecanismos de Defesa.

Mecanismos de defesa

Mecanismos de defesa são processos psíquicos inconscientes que aliviam o ego do estado de tensão psíquica entre o id intrusivo, o superego ameaçador e as fortes pressões que emanam da realidade externa.

Devido a esse jogo de forças presente na mente, em que as mesmas se opõem e lutam entre si, surge a ansiedade cuja função é a de assinalar um perigo interno. Esses mecanismos entram em ação para possibilitar que o ego estabeleça soluções de compromisso (para problemas que é incapaz de resolver), ao permitir que alguns componentes dos conteúdos mentais indesejáveis cheguem à consciência de forma disfarçada.

No que toca ao fortalecimento do ego, a eficiência desses mecanismos depende do nível de integração dessas forças mentais conflituosas por parte do ego, pois diferentes modalidades de formação de compromisso poderão (ou não) vir a tornar-se sintomas psiconeuróticos.
Quanto mais o ego estiver bloqueado em seu desenvolvimento, por estar enredado em antigos conflitos (fixações), apegando-se a modos arcaicos de funcionamento, maior é a possibilidade de sucumbir a essas forças.

Os principais mecanismos de defesa são os seguintes:

1. Repressão - retirada de ideia, afetos ou desejos perturbadores da consciência, pressionando-os para o inconsciente.
2. Formação reativa - fixação de uma ideia, afeto ou desejo na consciência, opostos ao impulso inconsciente temido.
3. Projeção - sentimentos próprios indesejáveis são atribuídos a outras pessoas.
4. Regressão - retorno a formas de gratificação de fases anteriores, devido aos conflitos que surgem em estágios posteriores do desenvolvimento.
5. Racionalização - substituição do verdadeiro, porém assustador, motivo do comportamento por uma explicação razoável e segura.
6. Negação - recusa consciente para perceber fatos perturbadores. Retira do indivíduo não só a percepção necessária para lidar com os desafios externos, mas também a capacidade de valer-se de estratégias de sobrevivência adequadas.
7. Deslocamento - redirecionamento de um impulso para um alvo substituto.
8. Anulação - através de uma ação, busca-se o cancelamento da experiência prévia e desagradável.
9. Interjeição - estreitamente relacionada com a identificação, visa resolver alguma dificuldade emocional do indivíduo, ao tomar para a própria personalidade, certas características de outras pessoas.
10. Sublimação - parte da energia investida nos impulsos sexuais é direcionada à consecução de realizações socialmente aceitáveis (e.g., artísticas ou científicas).

Em suma, a teoria de Freud constituiu uma importante contribuição histórica. Fez-nos tomar consciência dos pensamentos e emoções inconscientes, da ambivalência das relações precoces de pais e filhos, e da presença, desde o nascimento, de pulsões sexuais. O seu método psicanalítico influenciou muito a psicoterapia atual, embora a teoria freudiana se inscreva largamente na história e sociedade da época (na cultura europeia da época Vitoriana).

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

ENEM 2019 Dicas

DICAS DO ENEM.

Por Alacir Arruda

Todo inicio de ano é a mesma novela, milhares de estudantes se organizam, Brasil afora, para prestarem o ENEM. Fantasma para alguns, solução para outros o Exame Nacional do Ensino Médio entra na sua vigésima primeira edição mais forte do que nunca, gostem ou não.  Este ano ele será aplicado nos dois primeiros domingos, a saber: 04 e 11 de novembro de 2019. Nestes dois dias todos os inscritos farão provas objetivas e de redação, que contemplam matérias e temas respectivamente relacionados ao Ensino Médio.

Se você faz parte desse grupo,  sabe o quanto é importante intensificar os seus estudos para poder garantir o sucesso, e foi pensando nisso que resolvi escrever este artigo para te dar “aquela forcinha extra” como tenho feito há 7 anos.

Como Estudar para o Enem

A prova do ENEM não é fácil, muitos a comparam a uma maratona, em face do  desgaste físico e emocional que os estudantes são submetidos. Esse exame é considerado um dos mais difíceis do mundo em função do numero de candidatos, que este ano pode chegar a oito milhões de inscritos. Como toda prova a preparação para ENEM deve ser contínua para que o aluno possa trabalhar as suas maiores dificuldades, aperfeiçoar e aprofundar os seus conhecimentos. Considero que se o aluno quiser obter uma nota considerável neste exame, ele deve se dedicar no mínimo  6 horas diárias de estudo, criar uma tabela de disciplinas e dividia-las durante a semana. E um lembrete: não existe essa de estudar uma disciplina mais que outra, pois o peso delas é o mesmo no comput geral, e não se esqueça de agregar a sua rotina de preparação, muita leitura e treinamento da redação, nem que esta seja uma vez por semana.

Você pode pegar os temas que foram cobrados nas provas anteriores e escrever uma redação dentro dos padrões solicitados pelo Exame para ir se habituando. Quanto à leitura, invista em livros, jornais e revistas sobre temas variados, inclusive as atualidades que podem ser facilmente cobradas no dia da prova. O Inep tem usado textos de alguns teóricos recorrentes nos últimos 19 anos que tem fundamentado as questões de humanidades e geopolítica são eles: Zygmunt Baumam, Michel Foucault, Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Hannan Arendt, Michael Sandell, Friedrich Nietzsche e Marx (se bem que com Bolsonaro no poder, dificilmente Marx cairá),  sugiro que pesquise sobre as principais teorias defendidas por eles. Futuramente escreverei um pouco sobre cada um deles.

Matérias que Você Deve Estudar

No ENEM as disciplinas são organizadas em quatro grandes grupos, a saber:

Ciências Humanas e suas tecnologias – Compreende matérias como: Filosofia, História, Sociologia, Geografia. Desta forma, você deve se atentar a alguns importantes conceitos como os seguintes: Brasil colônia, História do Brasil, Idade Moderna, Idade Contemporânea, Cartografia, Geopolítica, Geografia Agrária, Meio Ambiente, Ética, Globalização, Mundos do trabalho, Natureza do Conhecimento, Ideologia, Cultura e Indústria Cultural, Democracia e Cidadania.
Ciências da Natureza e Suas Tecnologias – Compreende matérias como: Física, Química e Biologia. Desta forma, você deve se atentar a alguns
importantes conceitos como os seguintes: Meio Ambiente, Biotecnologia, Histologia e Fisiologia, Mecânica, Termodinâmica, Citologia, Óptica, Leis da Física, Química Orgânica, Humanidade, Eletricidade, Ondulatória, Físico-química.
Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias – Compreende matérias como: Língua Portuguesa, Literatura, Arte e Língua Estrangeira. Desta forma, você deve se atentar a alguns importantes conceitos como os seguintes: Leitura e Interpretação de Texto, Gêneros Textuais, Compreensão Textual, Domínio Lexical, Análise do Discurso, Artes e Leitura.
Matemática e Suas Tecnologias – Devem-se priorizar os seus estudos com os seguintes conceitos importantes: Porcentagem, Aritmética, Probabilidade, Funções, Escala, Gráficos e Tabelas, Geometria, Razão e Proporção.

Redação – Como Estudar

A redação é  uma das fases que mais causam preocupação aos estudantes inscritos no ENEM, uma vez que a mesma é aplicada no primeiro domingo juntamente com uma das provas objetivas. Por isso é importante se atentar ao tempo para responder todas as questões e escrever bem sem sofrer bloqueios.
Leia bastante e acompanhe os telejornais. Escreva, no mínimo, uma redação por semana obedecendo os seguintes critérios avaliativos:
  • Argumentação — Demonstre conhecimento sobre o tema abordado;
  • Norma culta da língua — Utilize o português corretamente, sem abreviaturas, gírias ou palavras estrangeiras;
  • Compreensão do tema — Mantenha-se dentro do tema abordado;
  • Coesão — É importante que o texto tenha sentido;
  • Solução — Apresente uma proposta para a resolução do problema abordado.

Entenda a TRI, metodologia de correção das provas do Enem

Umas das maiores duvidas que os alunos tem é de como o INEP chega ao total das notas. Essa preocupação realmente tem fundamento, pois não é fácil entender a mecânica usada pelo Inep. A Teoria de Resposta ao Item, a TRI, é a metodologia utilizada para a avaliação das provas do Enem. Dessa forma, os resultados não são obtidos apenas com a quantidade de acertos, e sim através do desempenho dos candidatos nas questões de diversos níveis. 

É importante lembrar que o Ministério da Educação possui um banco de dados com questões pré-classificadas. “As questões então são classificadas em alguns níveis, de acordo com os critérios do MEC. Para facilitar o entendimento, vamos dizer que são consideradas fáceis, médias e difíceis”, diz.

Dentre as 45 questões de matemática, por exemplo, é suposto que há 30 questões fáceis, 10 médias e 5 difíceis. O aluno A acerta 30 questões fáceis e erra as outras 15. Já o aluno B acerta 15 fáceis, 10 médias e 5 difíceis. “Para o algoritmo, o rendimento do aluno A é mais real do que o do aluno B pois o resultado é mais coerente com a competência do estudante”, afirma.

Os dois alunos acertaram 30 questões, mas o argumento do aluno A será maior e, assim, a nota também. A TRI avalia que, se o candidato acerta uma questão difícil e erra uma fácil, provavelmente o acerto foi um “chute”, e chute o Inep repudia.

Portanto, acertar mais questões não significa ter a maior nota no Enem. É por esse motivo que o estudante deve manter a concentração e valorizar as questões fáceis. É uma estratégia para que os pontos das questões difíceis não sejam anulados ou diminuídos.


 Agora é contigo. Boa sorte e sucesso!