terça-feira, 20 de junho de 2017

Aula nada ensina e prova não avalia ninguém

"O PODER PÚBLICO INSISTE EM VELHAS FÓRMULAS. POR QUE OS PROFESSORES NÃO OCUPAM SUAS ESCOLAS?"

Por Alacir Arruda

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Há mais de cem anos, Almada Negreiros escreveu: "Quando eu nasci, todos os tratados que visavam salvar o mundo já estavam escritos. Só faltava uma coisa: salvar o mundo. Karl Marx no século XIX proferiu: " Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo". Essa máxima pode ser aplicada aos professores. Chega de " conversa fiada" ! Basta de teóricos engravatados, que nunca pisaram numa sala de aula , de Brasilia determimar o que você deve fazer.

Quando decidi ser professor, todos os tratados que visavam salvar a educação já estavam escritos. Só faltava refundar a escola, salvar a educação, sair da zona de conforto. 

Já na distante década de 1990, nós nos especializamos em questionar o instituído. Os enunciados dos projetos requeriam que se educasse para e na autonomia. Porém, professores conservadores e cativos de uma platônica caverna, para onde uma “formação” deformadora os havia atirado, semeavam heteronímia. 

Vivíamos,e ainda vivemos, em uma tradição centralizadora e autoritária que recusa às escolas o direito à autonomia, contrariando a lei. 

Pacheco: “Há jovens brasileiros que não se mostram condescendentes com ministeriais disparates e ocupam escolas. (…) Deveriam ser os professores” 

Na época, Medidas Provisórias ministeriais adiavam a refundação da escola e negavam o direito à educação. A crença nas virtudes da velha escola mantinha os professores na ilusão de uma possível melhoria de um modelo em decomposição. Se a família terceirizava a educação dos seus filhos e a escola não ensinava, uma sociedade doente considerava normal que assim fosse.

O contraste entre a sofisticação do discurso e a miséria das práticas tornava-se insustentável. Se as medidas de política educativa negavam a muitos alunos o direito à educação (direito consagrado na Constituição e na Lei da Bases), o poder público teria direito de manter tais políticas? 

Se o modo como as escolas funcionavam provocava a exclusão de muitos jovens, as escolas poderiam organizar-se desse modo? Se, do modo como ensinávamos, muitos alunos não aprendiam, teríamos o direito de continuar a trabalhar desse modo? Cadê a ética? 

Estas foram algumas das nossas pré-ocupações. Até ao momento em que, fundamentando as nossas reivindicações na lei e numa ciência prudente, assumimos o estatuto de autonomia, dignidade profissional. Reivindicamos condições de desenvolvimento dos projetos político-pedagógicos, exigimos respeito pelas decisões (políticas e pedagógicas) das nossas escolas e comunidades. 

Da pré-ocupação passamos à ocupação. 

No Brasil, ao cabo de vinte e um anos, o artigo 15º da Lei de Diretrizes e Bases do Florestan [Fernandes] e do Darcy [Ribeiro] que assevera: " Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público." Hoje isso é letra morta. A lei não foi cumprida e o poder público insiste no fomento de velhas fórmulas. 

Bem nos avisava o Anísio [Teixeira]: Habituamo-nos a viver no país proclamado. Não no país real. Não existe uma política de Estado. Existe uma prática de desgovernos.Mas há jovens brasileiros que não se mostram condescendentes com ministeriais disparates e ocupam escolas. Surpreende-me que sejam os jovens a ocupar escolas. 

Deveriam ser os professores a ocupá-las. Porque os jovens sabem aquilo que não querem, mas ignoram a escola a que têm direito. Suponho que os professores saibam…Se o sabem, por que se mantêm apáticos, quando, na formulação de política educativa, critérios de natureza administrativa se sobrepõem a critérios de natureza pedagógica? 

Por que não cumprem os seus projetos? 
Por que consentem que burocratas lhes imponham a mordaça do “dever de obediência hierárquica”? 
Onde estão os professores? 
Por que não agem no chão da escola e da comunidade, fazendo o que é preciso e inadiável, assumindo um estatuto de autonomia? 
Por que não ocupam as suas escolas? 

Por quê .. ? por quê..? 

Acho louvável e necessário a luta dos professores por valorização e melhores salários, mas é sofrível o grau de comprometimento de grande parte com uma educação transformadora. Vivem a repetir o que Saraiva, Record, entre outras editoras produzem. Estão sempre com livros de alguém nas mãos. Cadê os seus? Pedro Demo ( decano da UNB) é enfático ao dizer que cada professor deve produzir o seu próprio material e não ser cópia de qualquer autor. Vivemos uma escola de copiadores, segundo Demo; o professor copia a aula de algum livro e passa para o aluno copiada, esse por sua vez copia de algum outro livro e devolve como trabalho, ou seja, "vivemos um sistema de cópias". Onde esta a criatividade do docente? 

Dei aulas por 23 anos e jamais...Repito! Jamais entrei em sala e aula, seja no ensino médio seja na universidade, com qualquer material outro, que não a minha própria consciência. Consciência essa fruto de muitas leituras, de deduções e construções próprias do que seja o conhecimento. Eu estava certo? Talvez não! Ou quem sabe estivesse. Isso não me interessava, o que interessava era ver meu aluno produzindo conhecimento, lendo, pesquisando, enfim; sendo o agente do processo. No atual modelo onde está o aluno como agente do processo? Podemos resumir toda essa pantomima na famosa "pedagogia do blá..blá..blá..", onde falam muito e agem pouco. Prova são aquelas malditas reuniões pedagógicas que eu defino como: "momentos onde um grupo de professores se reúnem pra discutir tudo, sobre absolutamente nada". Tudo balela.

E para finalizar, Pedro Demo ainda afirma que: "dentre as atribuições do professor moderno, a mais inútil é a aula". Mas a que aula Demo se refere? Àquela que ja vem pronta pelo professor, que é engessada, apostilada e obriga o educando a decorar conceitos e fórmulas que nada acrescentarão em sua vida.. É essa "maldita, aula" que faz com que 85% dos adolescentes brasileiros detestem sala de aula, odeiem seus professores e prefiram o facebook. E para não dizer que não falei de flores, cito novamente o teórico português José Pacheco , que é categórico ao afirmar que: " aula não ensina nada para ninguém e prova não avalia qualquer coisa".. 

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sábado, 17 de junho de 2017

Simone de Beauvoir: acima de tudo uma feliz transgressora

UM POUCO DE SIMONE DE BEAUVOIR..

Por Alacir Arruda

Em épocas de "empoderamento feminino", fragilidade da Lei Maria da Penha, mulheres chefes de família e o absurdo das agressões que ainda persistem, é sempre importante debater o papel da mulher na sociedade. No livro "O Segundo Sexo", da  filósofa existencialista francesa Simone de Beauvoir (1908 - 1986)  encontramos a seguinte  expressão:  "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher".  Ao longo da história  a sociedade capitalista sempre recusou  uma essência primeira para o gênero feminino, em outras palavras, primeiro o ser existe, depois, em liberdade, exerce escolhas que vão criando a constitutividade político-discursivo-ideológica desse sujeito social, não importa se este ser nasce como um corpo dotado de genitálias masculinas ou femininas.



Qual a radicalidade desse princípio existencialista-marxista de que “a existência precede a essência”, quando vamos lutar por lugares outros para a mulher na sociedade? Exatamente o fato de que o lugar econômico-social-ideológico-político-discursivo da mulher é construído socialmente, logo, não passa de pura dominação ideológica querer traçar um destino e uma essência moral para a mulher se encaixar, destino e essência, estes, muitas vezes construídos sob a ótica de atender o interesse dominador daqueles que possuem corpos com genitálias masculinas. O que Simone Beauvoir anuncia é a radicalidade de que cada mulher singular é livre e responsável para criar sua própria moral existencial, bem como livre e responsável para lutar por espaços econômico-sociais que retirem a mulher da condição de corpo destinado a viver “supostas essências femininas” traçada pela ditadura dos machos.

Acreditar que existe, enquanto essência, um “lugar da mulher” na sociedade seria uma atitude comodista, subserviente e equivocada, retirando da mulher exatamente a sua única força capaz de criar seu próprio destino, a sua liberdade de escolha em traçar caminhos diferentes, inclusive os considerados “impossíveis para a mulher”. Portanto, o que existe, sim, é uma construção econômico-ideológico-jurídico-discursiva-social que, criada com base em opressões e dominações, tenta enquadrar a mulher em papeis não escolhidos por ela própria.

Estou com Simone Beauvoir, a mulher não tem que  seguir nenhuma “moral feminina”, por medo de deixar de ser mulher. Todas as morais criadas para a feminilidade, desde usar saia frufru a depilações e cirurgias plásticas aparentemente naturais para alimentar a sede de lucro das indústrias cosméticas, passando pela tortura de ser “a responsável pelos serviços domésticos” ou de ser “a responsável por cuidar dos filhos”, até ser o objeto sexual monogâmico do homem, não passam de “morais e essências construídas” que servem tão somente para criar um padrão do ser mulher na sociedade. E a quem interessa padronizar os corpos das mulheres ou padronizar esse jeito de ser mulher? Basta exercer a postura crítica que veremos a que serve cada “moral social” construída para a mulher. Existe toda uma parafernália ideológica para fazer a mulher acreditar que o “ser mulher” é algo eterno e imutável, quando tudo isso não passa de dominações de mau gosto que tiram toda a criatividade e toda liberdade da singularidade de cada mulher, colocando-a em lugares sociais perpassados por opressões cotidianas.

Até em brincadeiras, aparentemente inofensivas, como brincar de boneca, constrói-se um lugar para mulher na sociedade, como se o corpo feminino, desde criança, fosse incapaz de inventar seu próprio destino, tendo de resignar-se a cuidadora de bebês. Existem movimentos permitidos e movimentos proibidos para o corpo feminino, como se a mulher fosse incapaz de criar e assumir seus próprios movimentos corporais. Assim, sem direito à liberdade de movimentar o próprio corpo a seu bel prazer, é um passinho para, nesse jogo de dominação ideológica, tirarem da mulher a liberdade também de decidir sobre o próprio corpo, tornando-a um ser infeliz, pois um corpo escravizado não pode ser feliz. O corpo da mulher é cobrado a aparecer socialmente de acordo com determinados padrões de moda e beleza, como se a mulher tivesse de ser aquilo que estipulam para ela e não o que cada mulher singular estipula para si mesma.

À mulher também, estupidamente, coloca-se o fardo ideológico-econômico de cuidar dos filhos, como se a responsabilidade de procriar a espécie humana fosse exclusiva de um único corpo, o feminino. É absurdo o número de filhos morando apenas com as mulheres, enquanto os machos ficam soltos e livres para fazer outros órfãos. A que serve essa “moral da generosidade feminina” que a responsabiliza por cuidar moralmente dos filhos? Muito triste, não é verdade?. E pior, como o próprio Estado Capitalista Burguês é gerenciado sob a ótica dos machos, em uma compulsão pela economia de gastos, nunca foi prioridade absoluta a construção de creches diurnas e noturnas, onde os bebês e as crianças possam ser socialmente assistidos e cuidados. É um grande absurdo o Estado Capitalista Burguês deixar exclusivamente nas costas das mulheres a responsabilidade social-econômica por dar continuidade à espécie humana. 

À mulher, de um modo geral, “morais machistas” aparecem como sendo “essências”, ofuscando a liberdade da mulher em criar a singularidade de sua própria vida, conforme suas escolhas. À mulher, nascida economicamente no seio da classe trabalhadora, tanto pior. Não é apenas oprimida por uma moral machista que tenta impedir sua liberdade de construir a própria vida e de decidir sobre o próprio corpo. A mulher trabalhadora é, além de tudo, mais explorada pelos patrões do que os homens trabalhadores o são. Os patrões, usando da desculpa ideológica esfarrapada e antiga de que a mulher “produz menos, devido à menor força física”, aproveitam-se disso para extrair uma maior parcela de mais-valia da mulher trabalhadora. Lembrando que, no sentido marxista, “mais-valia é o tempo de trabalho não pago aos trabalhadores e às trabalhadoras”, justamente o tempo em que a mulher trabalhadora trabalha gratuitamente para gerar riquezas para os patrões, dando-lhes o chamado lucro. O que essa ideologia atrasada esconde é que hoje, com as diversas tecnologias, não faz diferença ter mais ou menos força física: a mulher consegue operar, com igual produtividade, qualquer trabalho que os homens executam. Por que a mulher trabalhadora não recebe salário igual por trabalho igual? Absurdos que o dia de luta internacional da mulher não pode deixar de denunciar.

A  pior das crueldades é a imposição que é  fruto dessa moral machista hipócrita e escravocrata, imputando uma falsa “moral feminina” a “ser seguida como essência” pelas mulheres, mas que, no fundo, tira a liberdade de a mulher decidir sobre o próprio corpo, oprimindo-a em cadeias ideológicas insanas, dezenas e dezenas de mulheres são assassinadas por dia nesse planeta, quando se recusam a manter relações afetivo-sexuais com determinados machos estúpidos. Este é o lado mais dramático e atroz dessa moral que tenta impedir a mulher de decidir e escolher o que fazer com o próprio corpo.

E aqui, para subverter essa lógica escravocrata e determinista, retomamos a radicalidade do princípio livre de Simone Beauvoir: “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. E que cada mulher tenha essa coragem de ser livre, que cada mulher rompa com essa ideologia do “feminino” que se quer a-histórico e eterno. Não existe nada eterno e natural no que se refere ao lugar social das mulheres. A mulher é um ser social em construção e, em liberdade, escolhendo e decidindo sobre o próprio corpo, sem ceder nenhum milímetro às ideologias machistas-capitalistas-escravocratas que tentam aprisioná-las e explorá-las, deve ser a única dona e toda soberana do seu destino. Ser mulher livre é a possibilidade máxima a ser construída e vivida por todas as mulheres e por todos os homens que respiram a liberdade, sem jamais ceder a quaisquer práticas que cheirem opressão e exploração. O lugar da mulher livre é o mesmo lugar do homem livre:  qual seja, um mundo livre.

P.S:    Em 2015, aqui no Brasil,  Simone de Beauvoir  foi objeto de um intenso debate  em função do ENEM daquele ano  ter utilizado fragmentos de sua Obra " O Segundo Sexo" em uma  das suas questões. Religiosos conservadores (com certeza desconhecendo o contexto das obras  dessa pensadora) criticaram o INEP - que organiza o ENEM - por, segundo eles,  essa questão "  fazer apologia ao homossexualismo" .  Observem a que ponto chega a ignorância....

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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Caro e ineficiente..

TEMOS O POLÍTICO MAIS CARO E INEFICIENTE DO MUNDO..

Por Alacir Arruda


Você sabe quanto custa nossos parlamentares? Há alguns anos, numa entrevista, eu disse que temos o político mais caro e ineficiente do mundo. Na época usei como referência a câmara de vereadores de São Paulo que, sozinha, paga todo o Congresso inglês e ainda sobra. Na Suécia custa menos ainda um parlamentar, em reais, algo em torno de 3.000,00 e sem qualquer regalia como: assessores, gasolina, passagens de avião etc.. Cada deputado usa seu próprio carro e moram em apartamentos minúsculos, detalhe, sem empregada. Por que no Brasil é assim? Espero que você, leitor,ao ler os dados abaixo repense a sua postura quando for votar, afinal, 2018 esta ai.

Um levantamento realizado pela ONG Transparência Brasil sobre os orçamentos da União, dos estados e municípios revela que o Senado é a Casa legislativa que tem o orçamento mais confortável por legislador: seus R$ 2,7 bilhões anuais correspondem a R$ 33,4 milhões para cada um dos 81 senadores. 

Na Câmara dos Deputados, a razão é de R$ 6,6 milhões para cada um dos 513 deputados federais, segundo a ONG. Dentre as assembléias legislativas, o maior orçamento por legislador é o da Câmara Legislativa do Distrito Federal: equivale a R$ 9,8 milhões para cada um dos 24 deputados distritais. O DF não tem Câmara de Vereadores. 

O mais exíguo é o de Tocantins: pouco mais de R$ 2 milhões para cada um dos 24 deputados. 

Nas câmaras municipais, a mais rica é a do Rio: seu orçamento equivale a R$ 5,9 milhões para cada um dos 50 vereadores. No outro extremo, em Rio Branco (AC), a provisão para 2007 equivale a R$ 715,3 mil para cada um dos 14 vereadores. 

Custo por habitante 

A Câmara dos Deputados custa R$ 18,14 por ano para cada brasileiro, enquanto o Senado sai por R$ 14,48. Entre os estados, a assembléia legislativa mais cara por habitante é a de Roraima (R$ 145,19), e a mais barata, a de São Paulo (R$ 10,63). 

Entre as capitais de estados, a câmara de vereadores mais cara por habitante é a de Palmas (TO), que custa anualmente R$ 83,10 para cada morador da cidade. A mais barata é a de Belém (PA), com R$ 21,09 por ano. 

A fatia do Orçamento da União destinada ao Congresso Nacional (R$ 6,1 bilhões) chega perto de equivaler à soma do Orçamento destinado ao legislativo em todos os estados e capitais do país (R$ 6,4 bilhões). 

O montante orçamentário por parlamentar do Congresso (deputados federais e senadores) é mais do que o dobro do que custam os deputados estaduais, que por sua vez custam acima do dobro dos vereadores das capitais. 

O estudo revela que as três esferas do legislativo custam em média R$ 117,42 por habitante nas capitais brasileiras e que o trabalho legislativo é mais caro para habitantes de capitais menos habitadas - geralmente, as mais pobres. 

Enquanto em Boa Vista (RR) cada habitante paga R$ 224,82 anuais pelos serviços associados ao trabalho de seus representantes eleitos nas três esferas, em São Paulo o custo é de R$ 68,51 por habitante. 

Em Boa Vista, o gasto total com o legislativo (federal, estadual e municipal) representa 4,7% do PIB per capita. No outro extremo, em Vitória (ES), o gasto total de cada habitante com o legislativo representa 0,4%. 

Em cinco estados - Alagoas, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Sergipe e Tocantins - e doze capitais os dados orçamentários não estavam disponíveis na internet. Em três casos, nem o orçamento estadual e nem o da capital estavam na internet: Rio, Tocantins e Sergipe. 

Quanto custa um senador e um deputado? 

Veja quanto os senadores e deputados podem gastar e quanto recebem. 

Senadores 

Subsídio mensal R$ 16.512,09. 
Além dos 12 salários por ano e do 13º, cada senador recebe o mesmo valor no início e no final de cada sessão legislativa, ou seja, 14º e 15º salários. 

-Funcionários 

Ao contrário da Câmara, onde existe a verba de gabinete (R$ 60 mil a partir deste mês) para o deputado contratar seus assessores, é o Senado que contrata diretamente o pessoal do gabinete dos senadores. Cada gabinete tem direito à contratação de 11 profissionais, sendo seis assessores parlamentares e cinco secretários parlamentares. 

Um assessor parlamentar ganha R$ 8 mil brutos e um secretário, 85% desse valor. Com isso, o total de gastos com funcionários pode chegar a R$ 54 mil. Os cargos podem ser desmembrados, desde que não seja ultrapassado o valor originalmente designado para os 11 funcionários. 

-Verba Indenizatória

R$ 15 mil. Recursos para uso em gastos nos estados, com aluguel, gasolina, alimentação. O parlamentar tem que apresentar nota fiscal com os gastos e, se não usar toda a verba num determinado mês, acumula para o seguinte. Passado um semestre, ele não tem mais direito de usar o acumulado. 

-Auxílio-moradia

R$ 3.800. Têm direito os senadores que não moram em apartamentos funcionais. O parlamentar tem que comprovar o gasto, apresentando notas de hotéis ou de imóveis que tenha alugado em Brasília. 

-Cota postal 

A cota postal varia segundo o número de eleitores do estado. O senador do estado menos populoso (AP), em termos de número de eleitores, tem direito a uma cota de R$ 4 mil/mês. Um senador do estado mais populoso (SP) tem direito a usar até R$ 60 mil/mês. O pagamento da postagem é feito diretamente pelo Senado aos Correios, mediante comprovação da postagem, não havendo repasse de recursos. 

-Cota telefônica 

Cada senador tem direito a R$ 500 mensais. 

-Passagens aéreas 

Verba variável, dependendo do estado pelo qual o senador foi eleito. O valor mínimo é de R$ 4,3 mil (para os eleitos pelo Distrito Federal) e máximo de R$ 16 mil, para os do Acre. 

-Combustível 

Todo senador tem direito a 25 litros de combustível por dia, X 30 dias= 750 litros. É isso ai, mesmo sem trabalhar os 30 dias, eles recebem por 30 dias. Você, LEITOR,  gasta quantos litros?

-Gráfica

Cada senador tem direito a uma cota de serviços gráficos, na Gráfica do Senado, para material estritamente relativo à atividade parlamentar, de R$ 8.500 por ano. 

-Jornais e revistas

Nos dias úteis, cada senador recebe cinco publicações, entre jornais e revistas. 

Vejamos agora quanto custa um  "digníssimo" Deputado 

Subsídio mensal 

R$ 23.500. Além dos 12 salários por ano e do 13º, cada deputado recebe o mesmo valor no início e no final de cada sessão legislativa, ou seja, 14º e 15º salários. 

-Verba de gabinete

R$ 60 mil, a partir de abril de 2008. Verba destinada ao pagamento dos funcionários de gabinete. Cada deputado tem direito a empregar de 5 a 25 pessoas em seu gabinete, mas com salários que não ultrapassem o somatório da verba e que não sejam inferiores ao mínimo. 

-Verba indenizatória 

R$ 15 mil. Recursos para uso em gastos nos estados, com aluguel, gasolina, alimentação. O parlamentar tem que apresentar nota fiscal com os gastos e, se não usar toda a verba num determinado mês, acumula para o seguinte. 

-Auxílio-moradia

R$ 3 mil. Têm direito os deputados que não moram em apartamentos funcionais. O parlamentar tem que comprovar o gasto, apresentando notas de hotéis ou de imóveis que tenha alugado em Brasília.  Vocês confiam nas notas que eles eles apresentam?

-Cota postal e telefônica 

R$ 4.2687,55 para deputados, e R$ 5.513,09 para líderes e vice-líderes da Câmara, presidentes e vice-presidentes de comissões permanentes da Casa. A cota é mensal, mas, se não utilizada naquele mês, acumula para o seguinte.  Ou seja, em dezembro ele esta com bolso cheio, e só economizar.

-Passagens aéreas

Verba variável, dependendo do estado pelo qual o deputado foi eleito. O valor mínimo é de R$ 4,3 mil (para os deputados eleitos pelo Distrito Federal) e máximo de R$ 16 mil, para os do Acre. 

-Gráfica

Cota de R$ 6 mil.  É que eles produzem muito.

-Jornais e revistas 

Nos dias úteis, cada deputado recebe cinco publicações, entre jornais e revistas. Eu pergunto:  pra quê? Sendo que a maioria não Lê.

Não considere esse texto proselitismo politico,  mas é revoltante num pais onde  mais 50% da população sobrevive com 1  salario minimo  e sem direito a: saúde, educação, segurança e o pior, dignidade, pois um ser que vive com 980.00 reais não vive, vegeta.  E você leitor, quanto ganha? Pense nisso.


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Professora,eu falo errado?

A SOCIOLINGUÍSTICA E A IMPORTÂNCIA DO REGIONALISMO.


Por Naildes Medeiros:  Discente especial do Programa de Mestrado em Estudos Linguísticos UNEMAT- Sinop-MT profnaildesfernandes27@gmail.com

Profª você acha que falo ‘errado’?

Essa foi a pergunta angustiante que uma operadora de caixa de farmácia me fez quando disse a ela que pretendia fazer uma pesquisa sobre preconceito linguístico. Então, resolvi colocá-la como título do presente texto. A jovem em questão, me fez esta pergunta com muita tristeza nos olhos, pois segundo ela é muito criticada no seu ambiente de trabalho a respeito do seu dialeto, sendo muitas vezes ofensivo ou taxado de engraçado.

Diante de episódios como esse, vemos que exclusão linguística é muito reafirmada por suportes de comunicação social de massa, pois apresentam forte papel normatizador, como a televisão, o rádio e as revistas, pois têm a intenção de ensinar o que é certo e o que é errado, assim como as gramáticas e os livros didáticos (BAGNO, 1999, p. 13), deixando à margem o falante ativo da língua, que absorve em seu inconsciente que seu modo de falar é errado. Esses meios não levam em consideração que “todo falante nativo de uma língua sabe essa língua. Saber uma língua, no sentido científico do verbo saber, significa conhecer intuitivamente e empregar com naturalidade as regras básicas de funcionamento dela”. (BAGNO, 1999, p. 35). 

Outro fator também excludente, da questão linguística, refere-se muito ao aspecto sócio financeiro, onde quem possui um maior poder aquisitivo tem a sua cultura mais valorizada, não apenas no fator linguístico, isso também acontece no modo de vestir, andar, agir, na postura que esses indivíduos assumem perante a sociedade. Por isso que Bortoni-Ricardo (2005, p.15) afirma: “o caminho para uma democracia é a distribuição justa de bens culturais, entre os quais a língua é o mais importante”.

Há muito preconceito decorrente do valor atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às variedades não-padrão consideradas inferiores ou erradas pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente reconhecidas e, quando são, são objeto de avaliação negativa.

Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que existe uma forma ‘correta’ de falar, o de que a fala de uma região é melhor do que a de outras, o de que a fala ‘correta’ é a que se aproxima da língua escrita, o de que brasileiro fala mal português, o de que o português é uma língua difícil, o de que é preciso ‘consertar’ a fala do aluno para evitar que ele escreva errado. (PCN, apud, BAGNO, 1999, p.75)

Por isso a Sociolinguística ou Teoria da Variação surge a partir da constatação da importância da fala, e sua preocupação é observar o fenômeno linguístico em sua abrangência dialetal e variacional, observa como a língua funciona em um contexto de fala, e quais os fatores que influenciam para que as mudanças linguísticas ocorram.

Os estudos sociolinguísticos emergem a partir de 1964 com a realização de um congresso na Universidade da Califórnia, no estado de Los Angeles, Estados Unidos. Esse congresso foi organizado por William Bright, e contou com a participação de importantes figuras nos estudos da Sociolinguística mundial: William Labov, Dell Hymes e John Gumperz (SOUSA, 2005, p.153). Desse congresso resultou a coletânea Sociolinguistic (Sociolinguística). Nesta obra, os linguistas procuram estudar a diversidade linguística na estrutura social. Eles privilegiam a fala que é estudada através de “orientações contextuais”, ou seja, “os lexemas estão inseridos em um contexto a partir do qual se conhece o sentido dos termos e sua aplicação no dia a dia daquela sociedade” (ALKMIM, 2001, p.24).

. Esse estudo leva em consideração a língua como algo social, pertencente a todos os indivíduos de uma comunidade. A Sociolinguística concebe a língua como uma estrutura viva, que se diversifica dependendo da região onde é empregada, ou seja, ela possui um caráter heterogêneo. A respeito deste tema Bortoni-Ricardo (2005, p.20) afirma: “A Sociolinguística se ocupa principalmente das diversidades nos repertórios linguísticos das diferentes comunidades conferindo às funções sociais que a linguagem desempenha a mesma relevância até então se atribuía tão-somente aos aspectos formais da língua”.

.A língua é um patrimônio histórico-cultural, por isso varia no tempo e no espaço. Mesmo sendo única em um país, como o Brasil, tem suas variações dependendo do local e do objetivo do falante no momento da fala.

Classificação das variedades linguísticas:

Segundo Bagno (2007 p. 48), as variedades linguísticas estão classificadas em: dialeto, socioleto, cronoleto e idioleto. 

· Dialeto – esse termo designa o modo que caracteriza o uso da língua falada em um lugar determinado, envolve variedades de pronúncia, gramática e vocabulário;

· Socioleto – se refere à variedade característica de um grupo que compartilha de um mesmo universo sociocultural, sejam relações de trabalho, nível cultural, posição econômica, etc.;

· Cronoleto – diz respeito a variedade utilizada por falantes de uma idade, ou melhor, de uma geração;

· Idioleto – designa a individualidade na fala de um indivíduo, seu repertório vocabular, seu modo de pronunciar as palavras, de elaborar as sentenças, etc.

Para melhor entendermos a questão das variedades linguísticas não se pode deixar de mencionar uma frase de Bagno (2007, p. 48) “todas as variedades linguísticas se equivalem, todas têm sua lógica de funcionamento, todas obedecem a regras gramaticais que podem ser descritas e explicadas”, então, não podemos afirmar que existe falar melhor, mais bonito, todos são o Português agindo no inconsciente dos falantes. 

-Vertentes da Sociolinguística: Interacional e Variacionista

A Sociolinguística Interacional procura estudar “o uso da língua na interação social face a face” (SOUSA, 2005, p. 157), busca analisar o modo de agir do falante no momento da interação, e isto depende de vários fatores, como: com quem se fala, sobre o que se fala, o local da conversa e a circunstância do momento da fala.

A Sociolinguística Variacionista foi introduzida em nosso meio por William Labov (1927), que designa de Variacionista a vertente que busca analisar os fatores linguísticos em um contexto social, ou seja, leva em consideração fatores como a idade, o sexo, o nível social, a origem étnica, etc. Ele afirma que essas características do locutor (falante) e do interlocutor (ouvinte) podem influenciar no modo como o indivíduo usará seu repertório ao se comunicar. 

A variação linguística analisa a língua como um objeto histórico-cultural, que varia no tempo e no espaço. Assim, em um país como o Brasil, mesmo sendo única, a língua não é usada da mesma forma por todos os falantes, há diferenças fonológicas, morfossintáticas e semânticas nas diversas regiões, e isso ocorre como já foi citado, em função da extensão territorial do país que não permite um contato profundo entre as regiões que estão nos extremos e da “trágica injustiça social”, que desmerece o falar do menos favorecido financeiramente (BAGNO, 1999, p. 16). 

REFERÊNCIAS 

BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: novela sociolinguística. 6.ed. São Paulo: Contexto, 2000.
______. Preconceito linguístico: O que é, como se faz. 15.ed. São Paulo: Loyola, 2002.

______. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.

BAGNO, Marcos (Org.). Linguística da norma. 2. ed. São Paulo, Edições Loyola: 2004.

BAGNO, Marcos; GAGNÉ, Gilles; STUBSS, Michael. Língua materna: letramento, variação e ensino. São Paulo: Parábola, 2002.

BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2011.

BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola, 2004.

LABOV, William. Padrões sociolinguísticos. São Paulo: Parábola, 2008.

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terça-feira, 13 de junho de 2017

Verborragias politicas

HÁ ALGO DE PODRE NA ESTRUTURA POLÍTICA DO BRASIL..

Por Alacir Arruda

Tenho certeza que assim como eu, você também sente que há algo errado no Brasil, não sabe exatamente o que é, mas sabe que gira em torno da política, do social e do econômico. Você discorda da absolvição da chapa Dilma-Temer? Discorda do Senador Aécio Neves, mesmo afastado de suas funções, ainda receber seus vencimentos, algo em torno de 34.000,00 mais a verba de gabinete de 85.000 ? E da cara de pau dos ex- presidentes Lula e Dilma que insistem no discurso vazio do " eu não sabia de nada"? Enfim, assim como eu,  você deve ter inúmeras razões para acreditar que há algo de podre em nossa estrutura politica,   e não adianta gritaria, fechamento de vias públicas e quebra-quebra como forma de se construir um país melhor, pois o problema é bem antigo e está enraizado.

Desde os tempos de faculdade eu notava que alguns professores faziam questão de expressar em sala de aula suas opiniões sobre quaisquer movimentos do Governo Federal em direção a uma maior abertura econômica. Lembro-me das palavras de uma professora de Geografia Politica   sobre a privatização da Vale do Rio Doce:
"Venderam uma coisa que é nossa"!
Na ocasião, e por algum tempo,  fiquei triste com o suposto “entreguismo” de nossos governantes porque não conseguia entender o motivo dessa postura. Passados os anos, acumulei informação, amadureci intelectualmente e formei minha própria opinião: não é dever do Estado ser empresário e nem do professor ensinar ideologia em sala de aula. Entendi que a “coisa nossa” na verdade é “coisa deles”, de quem detém o poder e “faz o diabo” – parafraseando a presidente Dilma – para não perdê-lo.
Com os pilares da democracia representativa em frangalhos, descrédito das instituições, patrulhamento da imprensa independente, demonização da polícia, anomia, corrupção cada vez mais descarada e a presença de um Estado inchado que quer controlar a economia e cada aspecto de nossas vidas, acredito que estamos às portas da ascensão de um regime autoritário.
Compartilho com você em poucas linhas minhas opiniões sobre o que está errado no Brasil. O que escrevi é apenas uma fração dos problemas. Adianto que as causas não são tão fáceis de enxergar e não sei quais seriam as melhores alternativas ou se há alternativas de médio prazo dado o perfil do brasileiro, mas fica a dica do jornalista George Bernard Shaw para quem acha que é simples:
Para todo problema complexo, existe uma solução clara, simples e errada.
A Estatização da Economia
Ora convenhamos, o  aparente sucesso econômico do Brasil, vivido entre os anos de 2003 a 2009,  se deveu ao crescimento chinês somado ao baixo custo de capital nos países desenvolvidos. As reformas da era FHC, que criaram os pilares de uma macroeconomia mais sólida, também ajudaram, jamais por ações do Lulismo ou Petismo..
Com a diminuição do ritmo de crescimento chinês, ficou evidente que o Brasil apenas foi com a maré. O BNDES emprestou rios de dinheiro a taxas subsidiadas para os “campeões nacionais”. O Banco Central foi negligente com a inflação, que furou o topo da meta e permaneceu elevada, apesar do fraco crescimento econômico. Os investidores começaram a temer as intervenções arbitrárias de um governo prepotente, e adiaram planos de investimento.
O modelo baseado no consumo era insustentável e já fracassou. O Brasil perdeu uma grande oportunidade de crescer. Foi na contra-mão dos países desenvolvidos preferindo tentar prever e controlar a economia e ficar fazendo malabarismos contábeis para nos fazer acreditar que tudo ia bem ao invés de aplicar medidas de austeridade para acabar com a farra com o dinheiro público.
O livro Privatize Já! do economista Rodrigo Constantino tem uma citação sarcástica de Milton Friedman:
Se o governo,  e aqui falo do  BRASILEIRO,  administrar o deserto do Saara, vai faltar areia em cinco anos.
O Estado não gera riqueza e não sabe administrar a que está disponível. Não há como implantar um sistema de meritocracia na administração pública premiando os melhores e punindo os piores. Sequer é função do estado dar Bolsa Empresário para os ungidos campeões nacionais, como o grupo OGX do falido empresário Eike Batista, estrela maior do capitalismo de Estado praticado desde o governo Lula. O Estado deveria atuar apenas para garantir a igualdade das empresas perante as leis.
No modelo laissez faire, extremo oposto às tendências que se observam no Brasil, os empresários do setor privado – como se existisse empresário fora da iniciativa privada – competem entre si em busca de lucro sem interferência do Estado. A busca do lucro e não a generosidade do produtor é que faz nascerem melhores produtos e serviços – essa é a “mão invisível” à qual se referia Adam Smith.
Quem não consegue se adaptar às dinâmicas do mercado vai à falência, ou melhor, é substituído por um concorrente mais adaptado. Essa consequência do capitalismo às luzes do liberalismo econômico parece cruel, mas se não fosse assim, ainda estaríamos utilizando máquinas de escrever e não computadores.
A privatização feita corretamente, não o jogo de cartas marcadas que se viu no pré-sal em Libra, é o caminho para nossa liberdade. No caso do petróleo, os EUA têm dezenas de empresas que extraem esse “recurso estratégico” do solo e sobrevivem no mercado porque tentam oferecer produtos cada vez melhores para os consumidores. Nós “temos” a Petrobrás, uma estatal de capital misto usada para manobras políticas que só dá prejuízos.
Interferência Entre os Poderes
Churchill tornou famosa a ideia de que a democracia é o pior modelo político, exceto todos os outros. Ele disse isso em um contexto de ascensão do comunismo e de regimes nazi-facistas. Montesquieu pensou em uma forma de moderar o Poder do Estado dividindo-o em funções e dando competências a seus diferentes órgãos evitando o arbítrio e a violência. Esse é um dos pilares da democracia, mas foi James Madison quem primeiro aplicou essas ideias ao contexto republicano.
Refletindo sobre o abuso do poder real, Montesquieu concluiu que “só o poder freia o poder”. Esse é o chamado “Sistema de Freios e Contrapesos”. Daí a necessidade de cada poder manter-se autônomo e constituído por pessoas e grupos diferentes: os poderes atuariam mutuamente como freios, cada um impedindo que o outro abusasse de seu poder.
Lembro-me de uma tirinha de jornal onde duas minhocas conversavam sobre política. Era mais ou menos assim:
– Qual o regime político do Brasil?
– Democracia.
– Democracia? Esse não é aquele modelo em que há igualdade perante as leis e separação de poderes?
– Não, esse é outro.
No Brasil, os poderes não são independentes. Vimos isso claramente no recente caso da cassação  da chapa Dilma-Temer   e  em 2014 com o mensalão. Vimos Juízes se comportando como braços do partido dominante e o Executivo indicando juízes que melhor “lhe representasse” para compor a casa.
Falta de Uma Agenda da Oposição
Estamos às portas das eleições de 2018 e nesse caminhar,  até o PT tem chance do quarto mandato. Isso mesmo, esse partido que aparelhou a máquina estatal e domesticou a massa mais necessitada para se conservar no poder. É o poder pelo poder. Os políticos petistas só pensam na próxima eleição e não nas próximas gerações. Sobram demagogos e faltam estadistas. PSDB E PMDB não ficam atrás. Cadê a REDE? Especula-se pelos corredores que Marina Silva deve ser cabeça de chapa em 2018 com o ex Minstro do Supremo Joaquim Barbosa. Tomara!
Esses anos de governo petralha mostraram a nova tática do comunismo moderno. Até meados do século XX, o poder era tomado a tiro e sangue. Agora, basta utilizar desonestidade intelectual, retórica vazia, desqualificação de opositores, demagogia e monopolizar a verdade para se eleger por vias democráticas e destruir o sistema democrático por dentro. Para Maquiavel, os fins justificam os meios. Mas para qualificar o nível de honestidade de um governante, os meios justificam os fins. Em pouco tempo, o Brasil será a Argentina, a Argentina será a Venezuela e a Venezuela será Cuba, propriedade particular dos irmãos Castro.
A alternância entre aqueles que detêm o poder é fundamental em uma democracia representativa, mas o Brasil talvez seja o único país do mundo onde só há partidos de esquerda se alternando no poder. Sim, o PSDB é um partido de esquerda embora seja uma esquerda moderada. Não existe oposição. Não há um discurso ou uma pauta que seja uma alternativa a PMDB, PT ,  PSDB. Eles se misturam e no fim, sao um só.
As Ideias Coletivistas e o Estado Babá
Somos seres sociais, mas não socialistas. Socialismo é um sistema político e ideológico criado pelos homens, mas não é algo que exprima a natureza humana. Enquanto seres humanos, necessitamos viver em sociedade, mas enquanto indivíduos, necessitamos conservar nossa individualidade e nossa liberdade. Liberdade não significa exatamente fazer o que quiser. Estamos submetidos a um contrato social, que basicamente diz que o seu direito acaba onde começa o do outro.
O Socialismo nivela a sociedade por baixo, enquanto mantém quem governa e os amigos do rei por cima. Como disse Churchill:
A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias.
Como todos somos coitadinhos aos olhos do Estado, ele se acha com a nobre tarefa de prover saúde, educação e emprego e de interferir em cada aspecto de nossas vidas. Como o Estado é formado por pessoas abnegadas e ungidas, exaustas após a batalha em prol desse povo sofrido, é justo o SUS para nós e o Sírio Libanês para eles.
Os estados de bem-estar social enfrentam um paradoxo inevitável: o nível de produção necessário para sustentar um estado de bem-estar social não pode ser sustentado por um estado de bem-estar social. É justo que os mais ricos paguem a conta? Não! Margaret Tatcher já sabia que o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros. Nosso modelo é insustentável porque é baseado no consumo. Há pouco ou nenhum incentivo ao empreendedorismo e à livre concorrência, que gera melhores empregos e aumenta a renda familiar. Infelizmente, no Brasil é mais vantajoso ser funcionário público.
Os sistemas políticos pluralistas estão sustentados pelo elogio da dissonância: a crítica é benéfica para o governo porque descortina problemas que não seriam enxergados num regime monolítico. Os socialistas não concordam com esse princípio democrático: seu imperativo é rebater a crítica imediatamente mesmo sem raciocinar. Uma tática preferencial é acusar o crítico de estar a serviço de interesses de malévolos terceiros: um partido adversário, “a mídia”, “a burguesia”, os EUA ou tudo isso junto. É que, por sua própria natureza, o socialista não crê na hipótese de existência da opinião individual.
A Ditadura da Minoria
O Brasil viveu no período PT  um estranho momento de ascensão das minorias como forma de compensação por erros do passado. Chegou a ponto de que se você não pertence a uma minoria, deve escolher ou inventar uma.
A grande falha é que não existem minorias fora do indivíduo, ou seja, você é uma minoria e eu sou outra. Esses grupos que se vendem como “minorias” são resultantes de uma forma de classificação de pessoas em torno de algumas características em comum, como cor, classe social, time de futebol, etc.
Se você pertence a uma minoria e se sente excluído, basta fazer acusações de racismo ou qualquer coisa que desqualifique sua minoria para ganhar respeito. Afinal, o que é uma ditadura senão o poder nas mãos de uma minoria?
Anomia
Vivemos um perigoso momento para nossa sociedade e para nossas instituições, O Brasil é o país do “jeitinho” e das leis elásticas. Um grande número de violações nas leis é relatado e até apurado, mas as devidas punições não são aplicadas. Para algumas pessoas, isso justifica fazer “justiça” com as próprias mãos. Essa é a anomia. Para o sociólogo Durkheim:
Anomia é estado de uma sociedade caracterizada pela desintegração das normas que regem a conduta dos homens e asseguram a ordem social
Uma característica dos movimentos de extrema esquerda, como o Fora do Eixo, é a tábula rasa. Eles esquecem que civilização é o conjunto de conhecimentos e costumes, transmitidos de geração para geração. É preciso escolher a civilização. E a barbárie estará sempre à espreita. Do ponto de vista individual vale o mesmo raciocínio. Não nascemos do nada. Carregamos uma história, e essa narrativa ajuda a nos definir como seres singulares.
Nas massas, os sentimentos são realçados e não a razão. Para essa gente, é bonito fechar ruas, destruir bancos e agredir policiais, mas ai do policial se atirar uma bala de borracha ou simplesmente querer impedir a passagem dos valentes. A imprensa marrom, paga com dinheiro público, quando não consegue inverter os papéis de vítima e agressor, atenua a gravidade dos fatos trocando os nomes que as coisas têm, como quando chamam “vândalos” e “terroristas” de “manifestantes” ou de “uma minoria infiltrada”. É justamente essa “minoria” que dá visibilidade ao protesto.
A maioria de nossos artistas é hipócrita. São a nata da esquerda caviar, que o diga Chico Buarque que, a despeito das provas,  insiste em defender Lula. Outros  apoiam, justificam e incentivam a baderna, mas usufruem todas as vantagens do sistema capitalista e têm grande patrimônio. Caetano Veloso até foi fotografado com uma faixa preta dos black blocs. 
Entre os grupos de protesto, também nota-se uma certa ignorância com relação ao funcionamento da economia, como no caso dos R$0,20 do Movimento Passe Livre. Adam Smith advertiu que não existe almoço grátis. Como falei antes, o Estado não gera riqueza. Ele obriga as pessoas a entregarem parte de suas rendas na forma de impostos. Essa diferença no valor da passagem de ônibus viria de outras fontes. Veja o aumento do IPTU da sua residência. O ex prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, meteu a mão em nossos bolsos e de quebra se vingou de quem não votou nele, como indica esse mapa.
Na atualidade a grande mãe dessa  anomia é a  corrupção,  que se encontra profundamente enraizada, e pela impunidade. O PT, PSDB, PMDB etc.. não inventaram a corrupção, mas a elevaram  a uma categoria de pensamento. Um dos mais notórios filósofos dessa nova era do nosso pensamento politico, é   petralha  José Dirceu -  acusado a mais de 40 anos de prisão por desvios de dinheiro público, formação de quadrilha e Prevaricação -  que teve a "cara de pau" de afirmar recentemente..
"Estou cada vez mais convencido de que sou inocente."

Contato: agaextensao@gtmail.com

domingo, 11 de junho de 2017

Bauman e identidade na pós-modernidade

Bauman: o fenômeno intelectual Pós-moderno
Identidade: Entrevista a Benedetto Vecchi/ Zygmunt Bauman.


Por Naildes Medeiros
discente especial do Programa de Mestrado em Estudos Linguísticos UNEMAT- Sinop-MT profnaildesfernandes27@gmail.com

                O presente texto faz parte das discussões referente ao livro citado, na disciplina de Letramento e Sociedade, em que cada aluno ficou responsável por uma pergunta referente a entrevista do livro.
                No texto sobre identidade, Bauman inicia com um relato sobre o recebimento do título de doutor honoris causa, quando pediram a ele que escolhesse qual hino tocar: hino da Grã-Bretanha ou da Polônia... e que segundo ele não foi fácil encontrar a resposta. Primeiro porque a Grã-Betanha foi o país que escolheu e foi escolhido para lecionar, pois não poderia permanecer na Polônia,  tinha sido privado de sua cidadania polonesa, então diante disso não tinha direito ao hino polonês.... Quem o ajudou a decidir foi sua companheira de toda vida, Janina, em que Bauman fala sempre dela com muito carinho, em que a mesma é a autora do livro intitulado Dream of Belonging (o sonho de pertencer), encontrou a solução: o hino europeu. Foi um momento que ele se sentiu “includente” e “excludente”, nesse pequeno episódio, na sua identidade que lhe fora negada. “As pessoas em busca de identidade se veem invariavelmente diante da tarefa intimidadora de alcançar o impossível”. (pag 16). “Se não tivesse negado, dificilmente lhe ocorreria indagar-me sobre a minha identidade.” (pag. 17).  A questão de identidade surge com a exposição no mundo de diversidade policultural.

                O pertencimento e a identidade, não tem solidez, não são garantidos para toda vida, são bastante negociáveis e revogáveis, “um monte de problemas da nossa era líquido-moderna”, um mundo repartido em fragmentos mal coordenados, enquanto existências individuais, pois poucos de nós, são expostos uma comunidade de ideias e princípios genuínos,  e muitas vezes somos sobrecarregados de identidade. As identidades flutuam,  algumas de nossa própria escolha e outras lançadas por pessoas a nossa volta, num sonho de pertencimento com substância de identidade individual.

Assertiva referente as páginas 68 a 76
Nesse reembaralhamento, até as formas básicas de relacionamento social estão passando por uma mutação. Das relações amorosas à religião, tudo se torna instável, líquido. Mas como é a que estão mudando as relações amorosas?

                As relações interpessoais, com tudo que acompanha, amor, parcerias e compromissos, são simultaneamente objetos de atração e apreensão, desejo e medo inquietação e ansiedade. Adquiriu-se a “ideia de viver sem vínculos”, relacionamentos “sem compromissos”, nessa sociedade líquido-moderna.  Segundo Bauman, amar significa fundir duas biografias, cada qual portando uma carga diferente de experiências, seguindo seu próprio rumo. Fazer-se dependente de outra pessoa dotada de liberdade e escolha.

                Porém todos os recursos pagos que a sociedade de consumo nos acostumou está ausente no amor. O “modo consumista” requer que a satisfação seja momentânea. O entrevistado cita um hábito comum de presentes no Natal para as crianças inglesas que são filhotes de cães, por serem adaptáveis aos ambientes e rotinas familiares. Segundo ele, a expectativa de vida desses animais deveria começar a reduzir de quinze anos para três meses, pois este é o tempo médio que os cães são recebidos com alegria e depois são abandonados e descartados. 

            Então tal como os animais de estimação, são assim também os relacionamentos humanos “largar o parceiro” como fosse um acontecimento normal. Um acontecimento tão natural quanto a morte é para a vida. “Até que a morte nos separa” foi substituída, no decorrer da libertação individual, numa relação que só dura enquanto permanece a satisfação a ambos parceiros, e nem um minuto a mais. E os parceiros estão livres para buscarem satisfação em outro lugar. Somos moldados, treinados e educados, numa educação continuada para sociedade consumidora, num ambiente líquido moderno.  

                Por isso, muitas vezes a solução imediata está na busca nas redes, pois se algo der errado, basta deletar, pois no encontro presencial, não é possível descartar com tanta facilidade do parceiro indesejado. O envio e recepção de mensagens, elimina a troca o diálogo genuíno, que se ajusta ao líquido moderno das identidades fluídas em que o mais importante é acabar depressa, seguir em frente e começar de novo, sempre com novos desejos tentadores a fim de sufocar e esquecer os desejos de outrora.

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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Trump: um fenômeno psiquiatrico

TRUMP NÃO É UM FENÔMENO POLÍTICO, ELE É UM CASO PSIQUIÁTRICO.

Por: Alacir Arruda

A decisão do presidente Donald Trump de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris é de uma estupidez poucas vezes vistas no campo diplomático. O comportamento desse “insano”, disfarçado de homem publico, coloca em risco não somente os objetivos desse acordo, uma vez que Estados Unidos lidera emissão de CO2, mas sobretudo, coloca em risco a própria soberania do país, deixando o caminho livre para que a China ( com seu viés comunista) se torne a maior potência do século XXI. 

Os Estados Unidos se tornou líder mundial, logo apos o fim da II Guerra Mundial, justamente porque utilizou de estratégias que previam alianças e parcerias com outras nações. Foi assim com criação da ONU, 1945 e da OTAN em 1947, além de serem parceiros históricos da União Europeia e da APEC. Deixar de cumprir o Acordo de Paris, que prevê a diminuição da emissão de CO2 até 2020 em 5%, transformam os Estados unidos numa ilha, pois esse acordo teve a anuência de 200, dos 2011 países filiados a ONU.

Trump aos poucos está conseguindo seus objetivos, qual seja, impor uma politica isolacionista baseada na discriminação e perseguição dos não americanos, construções de muros e parcerias com déspotas, como Vladimir Putin. Esse comportamento se fundamenta em seu lema durante a campanha “América's  Fisrt”, ( primeiro a America), o resto que se f... 

Trump  é um lunático? 

Sim, ele o é. não se pode descreditar esse “adjetivo” a um dos líderes mais poderosos do mundo. Despreocupado com as relações internacionais anunciou a construção de um muro na fronteira com o México e proibiu refugiados de entrar nos EUA. Determinou que as eleições sejam investigadas por acreditar que foram fraudulentas e que em 30 dias o Pentágono demonstre como acabar com o Estado Islâmico.

Mas existe sanidade no meio da loucura. A construção do muro com o México não servirá para barrar os imigrantes ilegais que adentram nos EUA, e podem entrar sem pularem muros. Ela servirá para justificar a sobretaxação dos produtos mexicanos importados em 20%, assim evitará que produtos com qualidade similar aos norte-americanos concorram com produtos “made in USA”.

A retórica de Donald Trump é semelhante aos líderes populistas latino americanos, porém utiliza algumas vezes retóricas dos antigos nacionalistas da década de 1930 (Hitler, Mussolini, Peron e Vargas). Em seu discurso de posse deixou claro que não interessava a ele a política internacional, frisando por diversas vezes que para deixar a América (EUA) grande — America Great Again — deve colocar ela em primeiro lugar — America’s first. Nega o papel da imprensa, limitando o acesso para jornalistas que não estão “alinhados” com o governo, demitindo quem contraria seus posicionamentos e sendo irônico com os problemas relatados por seus decretos.

De fato Trump joga para a torcida. Sua eleição foi marcada de um confronto direto e baixo que os norte-americanos não estavam acostumados, dividiu o país entre “nós e eles”, começou uma vigilância sobre quem não estava alinhado e criou uma aura de superpoderes para si. Logicamente não foi ele o responsável por esse plano de marketing digno de estudo. De acordo com o Washington Post o responsável pela eleição de Trump foi Larry Weitzner. Ele é CEO da agência de marketing Jamestown Associates e ostenta com orgulho que coordenou a campanha do magnata e agora presidente dos EUA.

A questão de refugiados é para justificar uma promessa de campanha, mas principalmente para no futuro evitar a contratação de imigrantes de outros países. Quer que empregadores utilizem a mão de obra nativa, que é mais cara, diminuindo em tese o desemprego. Impede assim que outros profissionais adentrem nos EUA, eliminando assim a concorrência.

Quer acabar com o Estado Islâmico mas não para salvar o mundo. Ao lado da Rússia quer uma posição no novo cenário do Oriente Médio que se desenha. Graças a posição de negar o estado palestino pretende fortalecer o poder israelense na região, afastando a aproximação com o Irã. Ou seja, é lunático, mas nada que ele faça é puramente loucura.

Futuro?

Não há como prever algo com governantes populistas no poder. Tudo é possível. Com o crescimento da direita conservadora e populista em todo o mundo, Trump poderá com o tempo ser o líder dessa geração ou sucumbir com ela. Sabemos que este tipo de governante não governa para todos, somente para uma parte da população, jogando pequenas migalhas para os cidadãos.

Há quem diga que Donald Trump não durará muito na presidência, há quem diga o oposto. Uma coisa é certa: sempre que um populista, palhaço e lunático ascende ao poder o resultado termina em crise, miséria e população mais pobre. Exemplos existem por todos lados: Brasil, Venezuela, Equador, Argentina, entre outros.

Se espera que o "Trumpismo" populista norte-americano não seja um motivo para iniciarmos um movimento nacionalista extremado, que descambe para ditaduras aqui ou ali. Período assim já tivemos e terminou com milhões de mortos lutando em uma guerra que não era de ninguém.

Com Trump estamos diante de uma caso clássico de vaidade estupidez e irracionalidade juntos. Se para Freud:  "A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos", podemos então concluir que Trump é um caso perdido.


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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Discursos ideologicos

QUANDO O DISCURSO IDEOLÓGICO DETURPA A REALIDADE.

Por Alacir Arruda

Estamos assistindo a um verdadeiro disparate de inconsistências no discurso politico vindo de Brasilia - não que algum dia eles tivessem consistência. Senão vejamos: temos um congresso de 513 deputados e 81 senadores, mais da sua  metade esta envolta por denuncias de corrupção, formação de quadrilha, prevaricação entre outras acusações. Isso, sem falar no nosso presidente que, no minimo, deveria ser afastado por suspeição. Agora adivinhem seus discursos: " o Brasil não pode parar".  " As Reformas são mais importantes que denuncias". E essa,  que acho o máximo do cinismo: " nós, parlamentares, temos que cumprir com o nosso papel que é legislar e o judiciário que cuide das investigações". Essa pérola foi dita pelo Presidente da câmara Rodrigo Maia, que está ate o pescoço de denúncias. Mas o Óscar do cinismo depravado vai para o novo Ministro da Justiça o "grande" jurista Torquato Jardim que disse: "não importa a origem do dinheiro doado em campanhas eleitorais". Bingo...oba, a  roubalheira esta autorizada pelo sr. Ministro da Justiça e o dinheiro pode ser usado para a compra de políticos também.

A impressão que temos, quando ouvimos esses senhores,  é que os  nossos "bravos" e "coerentes"  homens públicos estão sendo vitimas de um complô, onde seus arquitetos, entre eles a mídia, os impedem de "trabalhar" de cumprir com seu papel constitucional que é:  " representar o povo". Ah.... me poupem... bando de canalhas! A cara de pau de vocês ultrapassou qualquer limite do razoável. A quem vocês querem convencer  com esse discurso medíocre e populista?  Vocês estão tentando, sob a justificativa das reformas, mudar o foco, convencer o povo que,  mais importante que combater a corrupção,  é aprovar as Reformas trabalhistas e da previdência. Vocês assustam o povo, sobretudo, o mais humilde com um discurso pessimista   dizendo que a previdência , em 5 anos, não terá mais dinheiro para pagar os pobres e miseráveis aposentados,  caso a Reforma não seja aprovada. Ainda afirmam, sem qualquer base,  que a reforma trabalhista trará empregos aos 14 milhões que hoje vivem  em  condições sub-humanas. Ah... vão contar lorotas para outro.

Qualquer semi alfabetizado sabe que os responsáveis pelo caos na previdência  são vocês, com esse mundo de regalias que possuem e não querem abrir mão. Vocês quebraram a Previdência e agora querem transferir ao povo simples esse fardo? Quanto a situação da emprego no Brasil,  qualquer fatia de ignorantes também sabe que o motivo da fulga de capitais estrangeiros,  e do fechamento de varias empresas no Brasil é a crise politica, crise  essa, produzida por vocês,  com suas falcatruas que levou o país a uma instabilidade econômica causando falta de credibilidade  no plano internacional. Hoje,  um empresario pensa mil vezes antes de investir no brasil porque vocês (políticos), não transferem segurança a ninguém. O Brasil é hoje ou ultimo colocado como atrativo de capitais, segundo dados da OMC,  culpa de quem? Do povo? Agora querem fazer uma Reforma trabalhista à toque de caixa  que retira conquistas dos trabalhadores para tentar atrair multinacionais, cujo a  única coisa que querem é explorar a nossa mão de obra ignorante e barata.

Sou a favor das Reformas, mas não precisamos de uma reforma da previdência muito menos trabalhista feita dessa forma, o povo foi ouvido? Precisamos sim, é  de políticos sérios, comprometidos com o país e não com seus bolsos. Precisamos, urgentemente,  é de uma reforma ética. Que legitimidade esse congresso tem para votar essas Reformas, quando mais de sua metade é composta de supostos:  bandidos, ladrões e canalhas? Que legitimidade ?

Na verdade o que  parte de Brasilia são apenas discursos,  e discursos ideológicos . A filosofia define discursos como sendo " uma análise social de pensamentos e  de ideias" que quando utilizado como instrumento de convencimento acabam por confundir realidade com interesses de grupos. A filósofa alemã Hannan Arendt nos alertou, em seu livro Heichman em Jerusalém,  quanto ao comportamento burocrata de seguidores de alguns modelos políticos.

Adolf Heichman, oficial nazista que selecionava quem deveria morrer nos  campos de concentração, que foi  preso em 1961 na Argentina,  julgado e morto em Israel, jamais assumiu que era um dos responsáveis pelo holocausto praticado contra judeus, pelo contrario, quando foi preso e  questionado pela Corte Marcial de Jerusalém, ele apenas repetia o discurso:   " eu apenas cumpria ordens, eu apenas cumpria ordens". Isso demostra a força que o discurso ideológico possue. Heichman foi incapaz de se compadecer com o sofrimento de seus semelhantes, mais importante para ele, era seguir o manual nazista. Hoje em Brasilia temos vários Heichmans  que  repetem: " não importa a que custo, mais essas Reformas ´precisam ser aprovadas". Quanto a ética?  Bom, ela são os judeus.

-Sugiro que leiam: Heichman em Jerusalem de Hannan Arendt - Ou assistam ao Filme "Hannan"

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