sábado, 12 de maio de 2018

Fim do Foro Privilegiado.

FIM DO FORO PRIVILEGIADO: PIADA DE MAU GOSTO!

Por Alacir Arruda

Como eu gostaria que o tema da Redação do ENEM 2018 fosse "O fim do foro privilegiado" , só  para ver como esses 6.5 milhões que inscrevem todo ano iriam se virar... Mas o governo federal é canalha , e manda no INEP, logo, a hipótese desse tema cair é zero. Depois de meses de espetáculos na mídia, lobismos e muita coisa escusa que deve ter rolado por baixo do pano, enfim, o Supremo aprovou o fim do Foro Por Prerrogativa de Função, conhecido popularmente como Foro Privilegiado. Mas e ai? Há algum motivo para comemorar? Se você - leitor - tivesse que fazer agora uma redação sobre esse tema quais seriam seus argumentos na dissertação, e a proposta de intervenção? Olha,  posso até estar enganado, mas menos de 10% da população brasileira tem noção  da desgraça para a nação que foi essa votação. Não que eu seja a favor do foro, mas que os políticos, sobretudo aqueles que estão em vias de irem para a cadeia,  fizeram uma jogada de mestre, isso fizeram. No xadrez chamaríamos de Check Match.

Me perdoem os vocábulos a seguir, mas não  achei outros  adjetivos que se ajustassem melhor a essa situação : na verdade tudo não passa de uma tremenda sacanagem! Uma mentira das mais deslavados, tudo um faz de conta, traidores desleais, desumanos. Os parlamentares brasileiros estão entre os piores seres da espécie humana;  saqueadores, roubadores, ladrões,  genocidas, assassinos de uma sociedade que agoniza por falta saúde, por emprego e renda, moradia, justiça social e jurídica; - quantos brasileiros estão tendo as suas vidas ceifadas por conta da conduta perversa desses  parlamentares, aliados a grandes empresários? –Juntos constituem-se em tiranos dos mais cruéis, homens desleais, desumanos putrefos no proceder.  Ufa!!!!

Os últimos governos que tivemos e o atual mostram o quanto os nossos políticos são implacáveis na sua ganância pelo dinheiro e pelo poder – roubam de alimento de crianças à fundos de pensão e aposentadoria de idosos. O que há de mais covarde e abominável na atitude desses indivíduos - é que não há neles nenhum tipo de remorso, nenhuma sensibilidade, ou qualquer consideração ou respeito em relação a seus semelhantes – cujo, a ambos crianças e idosos não poupados da sua ganância deles; são brasileiros, os quais se encontram em fases da vida de total fragilidade, vulneráveis - não dispõem se quer, de forças para se defenderem ante a um ato de extrema e incomensurável covardia. – Pergunto: a que, ou aquém podemos comparar esses homens públicos, os quais são denominados e intitulados representantes do povo?

- Mas vamos a  farsa do fim do foro.

Peguemos como exemplo o senhor Aécio Neves, mas poderia ser qualquer outro. Hoje ele é réu em varias ações no supremo, mas seria julgado em breve por atos de  improbidade administrativa ( roubar)  quando era governador de Minas Gerais, com  aprovação do fim do foro, todas as acusações contra ele,  desse  período em que governava Minas, serão encaminhadas para a 1 instância daquele Estado. Conhecendo a morosidade da  nossa justiça  e, levando se em conta que ele pode usar toda sorte de recursos a seu favor  garantidos aos réus de 1 instancia, sendo otimista Aécio cumprirá a sua pena,  por volta de 2040, se estiver vivo. Isso não aconteceria se o foro fosse mantido, visto que,  uma vez julgado pelo Supremo não há recurso, é de lá  direto para a cadeia. E esse exemplo pode estendidos  a todos que estavam na mesma situação que a dele, como  Renan, Jucá, Moreira Franco entre outros. Será que estão felizes os meninos??!

No momento atual que se vive no Brasil, evidencias, provas de investigações gravações as quais mostram categoricamente a verdade dos fatos, o mal proceder daqueles que ocupam os mais altos cargos nos poderes constituídos do governo brasileiro; - refiro-me aos poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. Então, o que vemos nos presidentes desses três poderes é uma conduta reprovável, abominável, que não condiz com a ética, com o direito, com o lícito e com a moralidade, a qual a gestão desses cargos exige daqueles que os ocupam, deveriam ser cidadãos de conduta ilibada à frente dos poderes que regem o governo de um país .

Ao  contrário, são os lideres dos nossos poderes  os maiores promotores de toda à sorte de corrupção: suborno, propinas, compra de votos, roubos e desvios de verbas do dinheiro público, injustiças e opressão. - Esses males, encabeçados pelo tumor da corrupção, gera e favorece o surgimento de uma infinidade de outros males que assolam a nossa sociedade sobremaneira, e assim, conduzem esse país a uma desordem extrema, já à muito –insuportável. 

Os nossos governantes estão nos levando a falência de princípios como: boa conduta, ética, moralidade, honestidade, integridade, respeito a dignidade, e o pior, estão empenhados a tudo custo para levar a falência a nossa esperança, pois, o povo brasileiro não esboça mais nenhuma motivação para confiar e acreditar em nossas autoridades, não vislumbra nenhum horizonte de dias melhores, com essa corja de corruptos e corruptores à frente do poder e das nossas instituições, pois, estes governam e legislam para se protegerem e se blindarem de seus crimes, um verdadeiro favorecimento da impunidade e a criminalidade deliberada de ricos e poderosos .

Categoricamente o que há hoje, e se estabelece em nosso país é um governo dos maus. Mas, uma coisa eu lhes garanto cidadãos - se esses algozes, avarentos e assazes pela ganância ao dinheiro, - não pagarem por seus crimes aqui - e não se arrependerem, e não se desviarem do mal caminho em que andam semeando tais injustiças, opressão, promovendo genocídios em meio a nossa sociedade, que está sendo massacrada. Certamente eles pagaram no inferno, está escrito nas palavras do justo juiz. - Aquele não se corrompe, nem se pode corromper, e que não aceita suborno. - Esses homens tem uma contenda com Deus; - e não há algo que seja mais terrível, quando o homem se faz e se torna inimigo do próprio Deus.

- Todos que me conhecem sabem da minha ojeriza a qualquer tipo de religião ou dogma, mas como todos os nossos políticos, ao contraio de mim, se dizem homens de fé, são religiosos, amam a deus, pregam o amor, alguns são ate pastores  e padres, enfim, são espiritualmente, bem mais evoluídos que eu,  há em Isaías, uma passagem que assim diz:

“Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de pressão, para negarem justiça aos pobres, para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo, a fim de despojarem as viúvas e roubarem aos orfãos!” Isaías 10:1.

Para  você , religioso ou não,  isso não é  a mais absoluta verdade?! -É dessa maneira que temos visto o governo brasileiro proceder nas suas três esferas do poder em relação à nação brasileira? - A citação bíblica acima revela uma verdade viva e incontestável, - a não ser pela teimosia dos nossos bravos políticos. O cinismo dessa corja esta ai, se mostra visível aos olhos de todos,  Quero ainda evidenciar que os  culpados por essa situação, não estão somente no poder, mas em meio à própria população, que já aceitou e incorporou esse modelo corrupto de governar e que faz da política uma moeda de troca de favores, desde o momento em que digita o seu voto na urna. Eu já vi de tudo em politica, mas nunca vi politico sem voto, logo, para estarem lá alguém os colocou.  Agora é fácil se esquivar,  se fazendo de  rogado quando a casa cai, é bem mais cômodo.


Os nossos parlamentares tentam  maquiar  a realidade dos fatos, buscam a todo custo se camuflarem. No atual momento de efervescência da ética na política nacional, querem vender essa mentira na mídia, onde os ancoras que apresentam determinados telejornais não rejeitam, não contestam a essa palhaçada a qual chamam de fim do foro privilegiado; e noticiam: “Senado aprova o fim do foro privilegiado a políticos” - mentira da grossa, maquiagem que logo se desbota com o desenrolar da matéria, quando os repórteres começam a evidenciar a farsa e afirmam: “os presidentes dos poderes estão fora dessa medida” - e pior, é quando eles começam a informar e detalhar o remoto enquadramento de parlamentares e supostamente os crimes que dificilmente os levaram a serem enquadrados e/ou punidos pela medida que é na verdade, um faz de conta. –É Algo que nos causa nojo, vergonha – cada vez mais temos vergonha de ser brasileiros por conta desse sistema de governo dominado por corruptos. Temos vergonha até de viajar para fora do país e dizermos que somos brasileiros – receber do anfitrião a seguinte interjeição - interrogativa: -Aaahh! Você é brasileiro?! – Entendeu? - mesmo sendo um cidadão integro - você é exposto à vergonha, à desconfiança de ser considerado como mais um possível desonesto ou corrupto, simplesmente por ser brasileiro.

- Não é mais suportável aceitar essa classe abominável no governando do país, da nossa nação! - Muda Brasil! – É tempo e hora de mudança! Não podemos mais aceitar, é inconcebível a possibilidade de ouvirmos a repetição dessas expressões: -Saí ladrão, entra ladrão! E pior: - A volta ladrão! Ou então: Ruim com esse, pior sem esse! É hora de darmos um basta nessa conduta deplorável.

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sexta-feira, 11 de maio de 2018

For you my Brother

PARA MEU IRMÃO....


Sabe, meu maninho Altair? Você sempre foi o melhor de nós. Talvez por isso ainda seja tão difícil de acreditar e aceitar a sua partida. Aos 47, eu já devia ter aprendido que a vida não é feita de justezas. Mas sua morte  dói. Dói todos os dias.

Passei os últimos 1 ano e meio pensando e tentando entender o porquê das coisas. Uma dessas inquietações é saber qual o significado da morte. Existem muitas interpretações, Altair. a Filosofia Budista  falava do riso e de ser zen para a morte, porque a vida e a morte não estão separadas. Tudo o que é a sua atitude perante a vida será a sua atitude para com a morte, porque a morte vem como o florescimento final da vida. Buda  dizia que a morte não é o fim, mas o ponto culminante, o crescendo. Que a morte não é a inimiga, é a amiga, já que ela torna a vida possível. Por isso só agora tive coragem de escrever.

O filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard falava da angústia e do desespero, mas ele dizia também de algo que parecia complementar olha:  Você pode sair ferido, mas essa é a única maneira de viver a vida completamente.

Isso tudo resume bem o tipo de vida que você levou  meu irmao. Repleta de riso e amor profundo por todos. Não sei se você viu, Altair, mas muita gente estranha também sentiu muito. Quando te visitei no Pronto Socorro vi um enfermeiro  rezando do lado da tua cama me mandou mensagem no meu celular depois. Teve também o motorista da ambulância do Samu  que veio te ver depois do expediente, dizendo que não tinha nem conseguido dormir entre os socorros, algo que fazia com frequência, mas o seu foi diferente.  Como não se comover com demonstrações assim?

E a homenagem que seus amigos do trabalho lhe fizeram, você estava em coma, mas  viu que bonito, maninho? Todos entraram juntos com uma faixa e uma coroa enorme de flores. Eles te conheciam há 18 anos e  eram apaixonados por você. Como você era foda, mano.

As 4:30 da madrugada do dia 21 de setembro de 2016 sua moto lhe traiu e o meio fio não lhe perdoou. Ate hoje não sei o que houve pois ninguém presenciou, mas prefiro aceitar o acaso e as explicações dos competentes paramédicos do Samu.  As 6:00 da manhã alguém veio me acordar. era nosso irmão caçula, o toninho, me trazendo a trágica noticia. Confesso fiquei sem chão, olhei para ele e me lembro que só saiu uma pergunta:  por quê? A partir dai acompanhei seu sofrimento entubado numa U.T.I por quase 60 dias se qualquer perspectiva de melhora,  ate que o dia 13 de novembro chegou e você partiu, partiu quietinho como sempre foi em vida

Maninho tem uma banda argentina que gosto muito chamada El mato a un policia motorizado. Eles sempre abrem o show com uma música bem curtinha chamada El magnetismo . Olha o que ela diz:

Quién te va a cuidar? (Quem vai cuidar de você?)
En este mundo peligroso tenemos que estar juntos. (Neste mundo perigoso temos que estar juntos)
Quién detendrá a la turba iracunda si no estoy con vos, nena? (Quem vai conter a multidão furiosa se não estou com você, baby?)
Con este magnetismo que sigue bajando, nena. (Com esse magnetismo que segue caindo, baby)

Ainda é difícil de acreditar, maninho.

Lembra de quando eu ainda era sargento do exercito com 22 anos e disse, brincando, que você jamais me passaria na altura? É,  eu não estava errado afinal cheguei aos 1.90 e você parou nos 1,75 e isso virou graça entre nós. E as nossas violadas na conveniência do posto Pan-Americano  aos sábados depois de meio dia, quanta moda tocamos? Eu você e seu eterno amigo Etevaldo, alias,  como ele chorou em sua campa. Foi la que ele me disse uma coisa que você o havia confessado em vida, o quanto me admirava,  o quanto você tinha orgulho de mim e o quanto você confiava em mim. Oh..meu irmão, mesmo sem nunca ter dito isso a mim pessoalmente eu nunca tive duvidas. Te fiz ser Vascaíno como eu, a amar formula 1 como eu amo, quantas vezes acordamos de madrugada para não perder o Gp do Japão, lembra? Fomos testemunhas vivas dos três títulos de Nelson Piquet e nunca perdemos uma corrida de Senna, época boa maninho.

Eu poderia passar horas aqui relembrando tudo que passamos, até  uns causos impublicáveis e de uma infinidade de boas lembranças. Mas vou fazer isso da maneira como você preferia: pessoalmente, rodeado de amigos e de boas energias.

Pude acompanhar e compartilhar desde muito cedo do seu amor pelos motores, alias você era um gênio da mecânica, games. Então quero que saiba que tenho orgulho demais de você, maninho. De tudo que você realizou, desse legado que você deixou, três lindos filhos todos amparados. Orgulho desse irmão foda que você sempre foi, desse filho maravilhoso para nossa mãezinha, que não tem mais de onde tirar lágrimas, bom  pai, amigo incrível para todos. O melhor de nós, sempre.

Nesses seus 40 anos de vida anos pude aprender muito contigo, especialmente sobre esse seu jeito de levar a vida sempre de bom humor, enxergando graça nas coisas – mesmo com as porradas que a vida nos dá. As pessoas sempre dizem que precisamos traçar metas, essas coisas todas. Sabe qual é hoje a  minha, maninho? Chegar o mais perto possível disso tudo que você representou para todos.  - Logo estaremos juntos. amo-te

Vou encerrar com clip da musica que você mais gostava, você era fã da banda IRA e dessa musica "Vida Passageira".. É uma letra fascinante e ate parece que você sabia que iria partir.





ENEM 2018 - 2001 - Uma Odisseia no Espaço

OS 50 ANOS DE 2001 - UMA ODISSEIA NO ESPAÇO.

Por Alacir Arruda

Os amantes da sétima comemoram em 2018 os 50 anos de lançamento do filme que é considerado por muitos "a maior obra de cinema ate hoje feita", 2001 Uma Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick. Essa  obra é considerada como um marco da ficção científica, adorado incondicionalmente por uma legião, mas também detestado por muitos. 

Aqueles que detestam o filme normalmente reclamam da lentidão da narrativa e do final lisérgico. De fato, a fita é lenta, quase parada e sim, o final não é dos mais claros. Mas, foi exatamente pensando nas pessoas que detestam 2001 é que eu finalmente decidi que tipo de enfoque eu daria para essa crítica. E ele é muito simples. Não tentarei explicar o filme, pelo menos não completamente (nem mesmo me atrevo a dizer que teria essa capacidade), mas sim focar meus esforços em convencer mesmo que uma só pessoa que tenha detestado 2001 a dar outra chance ao que Kubrick fez juntamente com Arthur C. Clarke. Soou prepotente? Bom, talvez seja, mas prometo que só tenho as melhores intenções. 

2001 – Uma Odisseia no Espaço foi lançado em 1968, pouco mais de um ano antes do primeiro homem colocar os pés na Lua. Assim, mesmo como mera curiosidade, o filme é extremamente interessante, pois Kubrick, com a forte ajuda do saudoso escritor e “futurista” Arthur C. Clarke (que tirou a ideia base de seu conto The Sentinel, publicado em 1951), faz algo muito próximo da realidade. O resultado é uma aula de como nós, os seres humanos, nos comportaríamos no espaço, sem invencionices, sem explosões e sem raio laser. O que vemos e ouvimos é o espaço silencioso, com sequências longas e lentas exatamente como devem ser na realidade. Há um tom documental evidente em 2001 que é absolutamente fascinante. 

E isso é claro em diversos detalhes: o voo comercial da PanAm para a Lua, com um pit stop em uma estação espacial, a falta de gravidade, a comida espacial, a inteligência artificial, as roupas dos astronautas, as naves espaciais. Apesar de Kubrick e Clarke terem “errado” o ano em que todas essas maravilhas aconteceriam, parem um pouco e pensem que todas elas estão logo ali, na esquina, prestes a acontecerem e quase exatamente como eles colocaram nas telas. 

Mas vamos “rebobinar” um pouco o raciocínio. Uns quatro milhões de anos pelo menos. Pois é nesse momento, na Aurora do Homem, que o filme começa. Kubrick nos presenteia com imagens naturalistas de câmera parada da savana africana ao nascer do sol. De repente, somos apresentados a uma pequena tribo de hominídeos convivendo com antas, sendo atacados por leopardos e comendo o que está disponível ali na terra, provavelmente larvas e coisas do gênero. São seres em harmonia com a natureza, muito longe do topo da pirâmide evolucionária. A tribo é, então, hostilizada por outra, que pretende tomar posse do local, já que lá há uma preciosa fonte de água. A tentativa fracassa, mas os invasores não desistem muito facilmente. 

Outro dia amanhece e a tribo acorda com algo que chama muito sua atenção e, como um choque de mil volts, Kubrick chacoalha o status quo da película. É a primeira aparição do imponente monólito negro. Sua geometria perfeita contrasta fortemente com o ambiente ao redor e os hominídeos, primeiro com medo, passam a se aproximar do objeto e a acaricia-lo. 

Depois, já acostumados com o visitante inesperado, vemos uma sequência que talvez seja a mais linda já filmada: um hominídeo evolui e se “transforma” no Homem. Aquele ser observa uma carcaça de ossos no chão e, aos poucos, muito hesitante, pega um dos ossos mais robustos e começa a bater no chão e nos demais ossos. É a primeira vez que uma ferramenta é usada por ele ou por qualquer outro ser. Acabou a fome da tribo, pois as antas são abatidas para alimentá-la e, quando a tribo inimiga invade o território novamente, o osso é usado como ferramenta de dominação, marcando a tribo vencedora como a que, em alguns milhões de anos, tomaria o planeta Terra. 

Se esse momento não o mover, não o fizer quase que derramar uma lágrima, nada mais fará. É, literalmente, o nascimento do Homem. E o que ele faz ao nascer? Ora, ele usa um instrumento de violência e morte, instrumento esse que, em uma brilhante transição, se transforma em um satélite militar orbitando a Terra. Será que somos definidos por nossa habilidade de ferir e matar? 

E nossas ferramentas tomam de assalto o filme, quando, no terceiro ato, somos jogados para uma missão espacial batizada de Júpiter, que tem como objetivo investigar uma mensagem de rádio enviada par o planeta gigante pelo segundo monólito, dessa vez escavado na Lua. É nessa missão que somos apresentados a Dave Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood), os pilotos da gigantesca nave em formato de espermatozoide (não por coincidência, que fique claro) que singra o espaço. Mas, mais importante que isso, somos apresentados a HAL 9000, a inteligência artificial que comanda a nave e o precursor cinematográfico de Ash, Joshua, Skynet, a Matrix, Tron e diversos outros computadores com vontade própria. 

Mas HAL é o mais humano dos personagens nessa parte do filme. Dave e Frank é que são os robôs. Insensíveis, completamente imutáveis e com expressões faciais fixas. HAL tem medo da morte e faz de tudo para sobreviver. Isso não é muito mais humano do que as ações que vemos ao encargo dos seres biológicos que transitam pela nave? É o instrumento humano – que começou lá com aquela ferramenta de osso – tomando o lugar do Homem. 

Mas e o Homem, para onde ele vai então? É aí que entramos na quarta parte do filme, a chamada “viagem lisérgica”. Há dezenas de interpretações possíveis e todas elas muito boas. Há a interpretação de que esse é o próximo passo da evolução humana. Há a interpretação de que é o encontro do Homem com seu Criador. Há a interpretação de que é o Homem encarando sua mortalidade. Há a interpretação de que aquilo nada mais é do que um monte de cenas aleatórias montadas como se um filme fosse. 

Independente de sua interpretação – e Kubrick deixa isso muito em aberto, ainda que Clarke tenha tentando explicar tudo no livro que escreveu com base no roteiro – um fato permanece: 2001 – Uma Odisseia no Espaço é de uma plasticidade quase que incomparável. A direção de Kubrick, completamente obcecado com centralizações e simetrias (se você assistir repare como o foco do que ele quer mostrar está sempre no meio e como os lados esquerdo e direito são iguais), além de círculos (tudo, menos o monólito, é circular), nos transporta para um outro universo, um que precisamos desacelerar, diminuir nossa exigência por cortes a cada três segundos (ou menos) e por ação ininterrupta. É um universo em que devemos observar. Ir além da narrativa e verificar os detalhes. Apreciar como o design da produção dá soluções criativas para a falta de gravidade, como Kubrick usa – ou deixa de usar – o som, a música, para marcar os momentos. 

Se 2001 – Uma Odisseia no Espaço puder fazer com que cada um de nós pare para pensar e apreciar com vagar o que temos ao nosso redor, ele terá alcançado sua missão evolutiva. E, se eu conseguir fazer com que uma só pessoa dê outra chance a esse impecável trabalho de Kubrick, serei um crítico feliz - Palavras de Stanley Kubrick.


* Achei interessante publicar esse texto pois o INEP se utiliza desses factóides para construir a prova do ENEM, logo, seria interessante , quem vai fazer a prova prova, dar uma olhadinha nesse tema e assistir o filme. É longo e lento, mas fascinante.


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quarta-feira, 9 de maio de 2018

E o politicamente correto?

INTOXICADOS PELO "POLITICAMENTE CORRETO"

Por Alacir Arruda
Ta certo que já passei dos 40 anos, mas que esse mundo tá chato, isso tá! Quando eu era pequeno minha mãe sempre tentou me ensinar que deveria pensar muito bem antes de falar. Alguns amigos me acusam de não ter filtro entre o cérebro e a boca ou nos dedos,  já que agora grande parte de nossa comunicação é feita de forma escrita. Expressar-se tornou uma tarefa diária de diplomacia e para mim isso é fundamental. 
Hoje eu entendo os   conselhos da minha mãe, hoje eles  se tornaram muito mais importantes. Vivemos uma época que determinadas palavras se tornaram verdadeiros palavrões, temos de nos comportar de uma maneira esperada, proferir as opiniões apenas agradáveis aos outros, pois se não corremos um serio risco de sermos vistos como racistas, xenófobos, machistas, radicais, homofóbicos entre outros neologismo criados por uma sociedade que se perdeu - talvez intoxicados pela internet - em  "frescuras".  Hoje tudo é motivo para processos.
Na minha adolescência se o camarada falasse fino e quebrasse a mão, não tinha duvidas de que ele era  chamado de "Viado"  ou  "Bicha", e isso nada tinha a ver com preconceito,  tínhamos respeito por ele. Menina com comportamento masculino era chamada de "macho/fêmea"  ou "sapatão" e  nunca tive qualquer problema com elas. Como morava num bairro onde 90% eram negros eu tinha amigos com os seguintes apelidos: "Negão",  "Pretão" (que eram irmãos),  tinha ainda o "Meia Noite" e o 'Alemão",  todos negros, e continuam sendo  meus amigos ate hoje. Saímos juntos quando posso e nunca nenhum deles me chamou  de preconceituoso  por eu ser um ´pouco mais claro, ao contrário me tratam como irmão.  Hoje  em dia se eu ousar brincar com alguém nesses termos, vou em cana ou terei sérios problemas jurídicos é o tal do "politicamente correto" que o filósofo da Pondé chama de "censura moderna".
E o mais engraçado é que você pode ser acusado de coisas diferentes no mesmo dia e até de coisas que se confrontam. Pensemos juntos: se  uma mulher  chegar para alguma  amiga que entrou na moda da não depilação e falar “eu não gosto desta ideia, acho que depilação é uma forma de higiene”, bem  provavelmente ela será  acusada de estar corrompida pelos moldes sociais impostos às mulheres e vai escutar a tal frase: “moça, você é machista”. Mas se essa mesma moça chegar para um amigo e começar a falar sobre o direito da mulher sobre seu próprio corpo, acredite ela  vai se tornar a feminista mais radical na visão dele.
Durante o  governo Lula, em 2004, foi  lançada uma “Cartilha do Politicamente Correto”que vem sendo atualizada e ganhando outras versões pela rede. Na tal cartilha há palavras e expressões que segundo a autoria não se encaixam no falar “correto”. A primeira frase que, segundo a cartilha, é politicamente incorreta é “A coisa ficou preta”, pois “a frase é utilizada para expressar o aumento das dificuldades de determinada situação, traindo forte conotação racista contra os negros.” Ou então indo à letra B encontramos o termo “Barbeiro – O uso da expressão, no sentido de motorista inábil, obviamente é ofensiva ao profissional especializado em cortar cabelo e aparar barba.” 
Hoje o correto seria gritar: “vai lá motorista sem grandes aptidões ao volante!” Jamais barbeiro. . Mas será que vou estar ofendendo o volante?! Na verdade gritar, seja na rua, seja no transito, também não ´r  considerado  um comportamento aceitável. Ainda mais em um país feito para “Inglês ver”.  Pronto, ja fui  politicamente incorreto! 
Hoje, há uma superlativação dos fatos e, principalmente, de termos, mas a tal cartilha consegue levar isso ao extremo. Vou demonstra com um exemplo que acredito irá ficar muito claro, se é que já não ficou: “Comunista" – Termo utilizado até recentemente para discriminar ou justificar perseguições a qualquer militante de esquerda ou de causas sociais. Desde as revoluções que explodiram na Europa, no final dos anos 40 do século 19, e principalmente depois da Revolução Russa, em 1917, os adeptos do socialismo e do comunismo tornaram-se os principais alvos das polícias dos Estados liberais e dos propagandistas do capitalismo. Contra eles foram inventadas as piores calúnias e insultos, para justificar campanhas de perseguição que resultaram em assassinatos em massa, de caráter genocida, por exemplo, durante o regime nazista na Alemanha”.
Comunista para mim era a pessoa que tinha inclinações às ideias comunistas. Então, segundo o pensamento de tal cartilha, jamais poderei falar que tenho um amigo  anarquista – afinal os mesmos também sofreram perseguições por seus ideais e ainda sofrem – ou ainda, na ideia pregada pela tal cartilha sobre o termo comunista, toda vez que me dirigir ao meu querido  amigo la de Cachoeira Paulista, Guto Capucho, um professor de história extremamente questionador, um ativista (conhecidamente comunista), como “comuna”, estarei cometendo algo em detrimento à imagem dele?!
Temos de pensar se o politicamente correto na realidade não é uma forma de se viver os preconceitos de maneira velada, afinal se eu não falar, não expor os meus pensamentos, eu não ofendo o outro. Usar o bom senso para falar ou escrever é usual, mas o que estamos vendo é uma censura do tal politicamente correto. Não basta mudar a maneira de falar, mas sim a forma de agir, de pensar. Um país sem preconceitos não tem de ter cartilhas para se falar. Afinal quer algo mais preconceituoso que um negro vestido uma camisa escrita: 100% negro. Fico imaginando um branco usando uma  escrita:  100% branco,  como seria interpretado pela sociedade? É pessoal,  a coisa é mais complexa do que possa imaginar nossa pobre filosofia. De  uma coisa tenho certeza: preconceito,  ou qualquer forma de  extremismos,  só pode ser combatido com EDUCAÇÃO.  Por isso continuarei  chamando meus amigos de Negão e Pretão pois aprendi a respeitá-los antes de tudo.
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terça-feira, 8 de maio de 2018

MARX - 200 anos de uma lenda

KARL  MARX -  HÁ 200 ANOS NASCIA UMA LENDA.

Por Alacir Arruda

No último dia 5 de maio o mundo fez referência aos 200 anos de nascimento do autor com mais impacto na vida dos homens modernos: Karl Heirinch Marx. Nascido em 05 de maio de 1818 na pequena Trier - extremo oeste da Alemanha - Faleceu em 14 de março de 1883 em Londres. Marx demonstrou, desde muito jovem, uma forte tendência a quebrar paradigmas e uma liderança inata. Hoje, o comunismo inspirado nas suas críticas e ideias está em decadência e circunscrito a um país de apenas um bilhão e trezentos milhões de habitantes, a China, que ainda, de algum modo, reconhece-se no seu legado. Eu costumo dizer que nasci marxista, mesmo sem ter na, época, a minima ideia de quem era Karl Marx. O meu primeiro contato efetivo com suas ideias surgiu ainda no ensino fundamental, quando uma velha professora de história ( Profa. Ana Maria Delgado) me apresentou um livro chamado " O manifesto Comunista de 1848" - eu tinha 14 anos. É obvio que não entendi nada do que li, não tinha a menor ideia do era Luta de Classes, Mais-Valia e capitalismo selvagem etc.., entretanto uma frase do livro me chamou atenção" Proletários do mundo Uni-vos". Aos 17 anos eu já havia lido toda a sua obra, inclusive os três volumes de sua maior obra "Das Capitals" - O Capital..

Marx é uma daquelas figuras que fascina e sua leitura nos transforma de tal forma, que nunca voltaremos ao modo anterior. Ler Marx é compreender a ganância humana a partir de uma das suas piores face: "a exploração do homem pelo próprio homem". É evidente que seus críticos podem dizer que suas ideias eram utópicas e impraticáveis, respeito suas posições. Uma coisa é certa, estou velho demais para recomeçar discussões ideológicas do tipo: o comunismo é bom, o capitalismo é mal etc...Sobretudo hoje, num mundo polarizado e sem sentido onde qualquer idiota conectado a uma rede social expõe suas insanidades sem qualquer referencial e as ideologias, assim como meus heróis, morreram de overdose. Não posso, porém, deixar de reconhecer que um espectro ainda ronda o mundo. É o fantasma de Karl, o insubmisso. Mais do que prometer o paraíso futuro, Marx decodificou a engrenagem do capitalismo, que tratou de absorver parte da sua crítica para se manter. 

Poucos são os autores cujos nomes viram qualificativos. Quantos já viveram e morreram pelo marxismo? Quantos ainda se dizem marxistas? Quantos estudos marxianos? Quantas vezes o nome de Marx já foi citado por toda parte? Quem definiu com tanta precisão como ele um modo de produção, de vida e de organização social? “A riqueza das sociedades onde rege a produção capitalista configura-se em ‘imensa acumulação de mercadorias, e a mercadoria, isoladamente considerada, é a forma elementar dessa riqueza”. O capitalismo é o sistema onde tudo se torna mercadoria. Guy Debord, um dos seus discípulos tardios, escreveria, em 1967, uma síntese em tom de epitáfio para as ilusões socialdemocratas de muitos: “O espetáculo não canta os homens e suas armas, mas as mercadorias e suas paixões”. O espetáculo é o mundo como mercadoria.

Karl Marx é um nome que não produz indiferentes. Amado e odiado, venerado e conspurcado, continua a ser lido e discutido. Em seu nome foi construído um império, o soviético, e erguidos campos de concentração. Em seu nome se sonhou com a liberdade mais ampla possível e se praticou genocídio. Ele já estava morto. Na sua obra não se encontra autorização formal para tantos desatinos. O marxismo sempre quis ser ciência. É uma aspiração que sempre dividiu com a astrologia. O tempo das leis da história entrou em declínio. Salvo para aqueles que creem. As crenças são inabaláveis e prescindem da razão. A própria crença na razão absoluta vem sendo relativizada.

O intrépido Karl não perdoava a inação, criticava acidamente os filósofos de sua época: “Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo de várias formas. O que importa é transformá-lo”. Os seus seguidores trataram de por as suas ideias em prática. Ou, melhor, em praticar transformações a partir das suas constatações sobre o funcionamento do capitalismo. O marxismo fracassou. O capitalismo jamais eliminou as misérias do mundo. Muitos marxistas alegam que os regimes ditos comunistas foram só deturpações das ideias de Marx. Capitalistas sustentam que só o liberalismo econômico completo pode resolver os problemas que ainda subsistem.

Max Stirner, contemporâneo de Karl Marx, desconfiava do comunismo e do capitalismo. Anarquista, disparava contra tudo e todos. Um exemplo: “O juiz está perdido se deixa de se comportar como uma máquina, se não tiver o apoio das ‘regras que servem para estabelecer a prova’. Se assim não for, ele tem apenas uma opinião como qualquer outro, e se decidir de acordo com essa opinião isso não é considerado um ato oficial; como juiz, ele só pode decidir de acordo com a lei. É caso para louvar os antigos parlamentos franceses, que examinavam eles mesmos o que era de direito e o faziam registar depois da sua aprovação. Esses, pelo menos, julgavam à luz do seu próprio direito, não se deixavam reduzir a máquinas do legislador, se bem que, enquanto juízes, tivessem de se transformar em máquinas de si mesmos”.

Uma verdade é  incontestável:   o mundo continua imbecil, liberais e marxistas ainda hoje praticam um jogo macabro: quem matou mais? O comunismo ou o capitalismo? Contas são feitas. Metodologias são empregadas. Para o pensador alemão Stirner eram dois sistemas escravizadores. A palavra “comunista”, como categoria da acusação, está novamente em moda no Brasil. Talvez tenha a ver com esta observação feita num clássico marxista, “A ideologia alemã”: “De fato, para o materialista prático, ou seja, para o comunista, é mister revolucionar o mundo existente, atacar e transformar praticamente o estado de coisas que encontra”. Nessa perspectiva, haveria duas “classes”, a dos que querem conservar e a dos que querem transformar revolucionando. Ou não?

Há quem queira transformar para conservar. Teriam Marx e Engels razão? “Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material dominante numa dada sociedade é também a potência dominante espiritual. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos meios de produção intelectual, de tal modo que o pensamento daqueles a quem são recusados os meios de produção intelectual está submetido igualmente à classe dominante”. Nunca é demais suscitar o debate. Talvez seja mesmo a tarefa mais importante numa época de polarização em que todos querem falar sozinhos. O que diria Karl Marx do marxismo praticado em 2018? Marx  entraria no Mc Donalds para fazer uma lanche? Bom, me atreveria dizer que sim, afinal, ele tudo, menos burro!


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segunda-feira, 7 de maio de 2018

ENEM 2018- A morte segundo Schopenhauer

A ESSÊNCIA DA EXISTÊNCIA É A DOR.

Por Alacir Arruda

Vou iniciar uma sequência de releitura de algumas obras  dos filósofos que admiro e que, costumeiramente,  são cobrados no  ENEM e ao final sempre deixarei um sugestão de leitura.  É evidente que eu não poderia começar com outro que não o meu filosofo predileto, o alemão Artur Schopenhauer. Nunca neguei aos meus alunos uma forte queda pelas ideias schopenhauerianas por considerá-lo o primeiro filosofo moderno a descrever as angústias humanas divorciadas de pensamentos míticos. 

Arthur Schopenhauer nasceu em Danzig -Alemanha- em 22 de Fevereiro de 1788 e  faleceu em 21 de setembro de 1860 em Frankfurt.  Seu pai, Heinrich Schopenhauer, era um rico comerciante, banqueiro, e conselheiro da corte – o que o fez, desde cedo, preparar seu filho para os negócios –, sendo ele um homem de grande integridade moral, porém, violento, segundo o filho. Sua mãe, Johanna Henriette Troisiner, era uma escritora popular, dotada de grande cultura. De acordo com algumas informações, a relação entre seus pais não era muito boa. 

A sua maior obra "O mundo como vontade e representação, foi publicada em 1818  e nao causou muito impacto no mundo acadêmico da época que vivia intoxicada pelas ideias de Hegel. Em 1844 Schopenhauer, ja conhecido pelo mundo acadêmico, publica a segunda edição dessa obra. Schpenhauer é o tipico caso de autor que só ficou famoso após sua morte.

A filosofia de Schopenhauer é fundamentada em uma filosofia da vontade que é o centro, a essência e a coisa-em-si do mundo. Todas as coisas são formas da objetivação da vontade, o princípio fundamental da natureza no perpétuo movimento de vida e de morte. A vontade é cega, arbitrária, tirânica e brutal, não possuindo nem um Deus que a controle, transformando o mundo em algo cruel, sendo responsável por todo o sofrimento do globo, que para Schopenhauer, são prévias da morte. Portanto, se a essência da existência é dor, a vida é então uma queda perpétua em direção a morte. 

Para falar da concepção e o conceito de morte em Schopenhauer é preciso primeiro esclarecer o que é Vida para ele. A existência do homem é vazia; e o homem se torna consciente de sua existência após um estado de não-existência como um perpétuo retorno, o chamado pêndulo metafísico. O tempo é então algo ideal à natureza humana, pois a idealização dele é a chave para qualquer sistema metafísico, de certo que, de cada evento que vivemos, é por um momento apenas que podemos dizer que este é; após isso devemos dizer para sempre que este foi; essa ilusão de que devemos aproveitar o dia – a idéia da frase “carpe diem” – logo se desfaz quando refletimos que aquilo que passará logo, jamais poderá merecer um esforço sério. Schopenhauer parte então do pensamento de Platão sobre o Éros: desejamos aquilo que não temos e quando temos, não desejamos mais; assim, a existência humana é marcada por um desassossego, sempre vivendo o presente e buscando um novo que supere o atual. 

Em um mundo onde nada é estável, a felicidade é inconcebível, onde nenhum homem é feliz e a vida é uma constante mentira por dar a ele a ilusão de felicidade, quando na verdade não passa de ser ausência da dor – que inclusive não dura por muito tempo. Por conseguinte, conclui-se para o filósofo que a vida humana é um erro e a existência em si não possui valor algum. Para ele, a vida só tem sentido se olhada de longe, ou seja, superficialmente, pois se nos aprofundarmos em conhecê-la, veremos que esta é desprovida de sentido e beleza. A vida, é dor; quem desejsofre; e quem vive, deseja.

 Mais do que participante da vida – e até mesmo motivo dela – a dor é necessária; para o filósofo, se a dor não existisse o homem morreria de tédio, pois conseguiria as coisas com muita facilidade e mais, ela nos faz sentir as coisas erradas da vida, enquanto a felicidade nos deixam acomodados. A vida é, portanto, matéria; a matéria é estruturada de vontade; a vontade é carregada de necessidades e ilusões. Então, para quê e o que é a morte em Schopenhauer? É famosa a frase do filósofo que afirma a morte como musa da filosofia e ainda acrescenta a fala de Sócrates reconhecendo a filosofia como uma preparação para a morte. A morte é então, uma cura para os males da vida; se a vida é um erro, a morte é a solução. 

Para ele, a individualidade humana não deveria existir e o verdadeiro fim da vida é nos livrar-mos dela, todavia, a morte é uma necessidade pois aniquila a individualidade do homem realizando a principal condição: deixar de ser o que é; e se a vida é uma “amostra grátis do inferno”, por que preferimos o ser do que o não-ser? Schopenhauer ousa ainda mais dizendo que se bater nos túmulos e perguntar aos mortos se querem ressuscitar, recusarão sacudindo a cabeça. Ademais, cita Voltaire para explicitar com clareza o seu pensamento: ”Ama-se a vida; mas o nada não deixa de ter o seu lado bom”; “Eu não sei o que é a vida eterna, mas se existir  é uma brincadeira de mau gosto”. Ora, quem em total reflexão iria preferir uma vida de dores constantes ao invés do nada tranquilo? Se analisarmos a vida de perto, veríamos quanto sofrimento detém dele, portanto, não seria a morte a coisa mais fabulosa em relação à vida? Contudo, se a vida é dor e sofrimento, se a individualidade/o egoísmo humano é um erro particular e um passo em falso, por consequência, algo que seria melhor não ser, então, a morte é sua aniquilação, por conta disso, a morte é a cura da doença humana: a Vontade; ou seja, para ele, no fundo somos algo que não deveria ser e, por conta disso, deixamos de ser. 

A morte é um acontecimento tão importante para Schopenhauer que atribui, até mesmo, certa defesa ao suicídio; para ele, o suicida entende que precisa morrer, pois é preciso que ele morra para que a vontade seja cumprida. A vida é um ciclo constante, onde a morte é essencial no fluir deste ciclo. É preciso morrer para que a vida continue, é preciso que um saia para que outro entre, isso significa que nossa matéria deve ser descartada com a morte. Esta é então comparável ao pôr-do-sol em um determinado lugar, que é ao mesmo tempo, o nascer do sol em outro.

O medo da morte é o problema da imortalidade: “Filosofar é se preparar para a morte”; já está mais que claro que a morte é essencial para Schopenhauer e a vida, o maior erro já existente. Deste modo, se a morte é necessária, o medo da morte seria uma tolice pois o valor da vida é incerto; para o filósofo, o temor da verdadeira coisa que faz sentido na vida chega a ser ridículo, irracional e cego. Segundo ele, a angústia da morte é desprovida do conhecimento, pois este atua em sentido oposto da vontade de vida, nos revelando toda a insignificância da existência e combate, consequentemente, o medo da morte; pois, se o conhecimento fosse presente, saberíamos que a vida e a morte não passam de pequenos acidentes, para ele, é preciso sempre nascer de novo e retornar ao nada depois de um curto espaço de tempo para dar lugar aos novos seres; Schopenhauer se pronuncia sobre o assunto em uma fala em seus escritos sobre a morte, comparando o homem que ignora a própria essência a uma folha seca que se queixa quando sabe que irá cair, sem lembrar que de sua queda virá outra folhas, equiparando a geração dos homens com a geração das folhas; isto é, a folha seca tem sorte de cair da árvore, pois é a partir da queda dela que surgem novas folhas e que mantém a vida da árvore, assim como o homem tem sorte de morrer, pois é a partir dele que novas vidas virão. 

O filósofo americano Stephen Cave em uma palestra do TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) com o tema “As quatro estórias que nos contam sobre a morte” expressa bem o pensamento Schopenhaueriano sobre o assunto em sua fala: “o saber da morte é o preço que pagamos pela nossa inteligência”, esta inteligência seria o mesmo que consciência para Schopenhauer, que é a única coisa que nos faz temer a morte. Como o filósofo possuía total noção que para aliviar a maior angústia humana era preciso um consolo, expressa então em alguns de seus escritos Da Morte; o primeiro é que em alguns casos a morte pode ser um bem, uma saída, uma “amiga bem-vinda”, como nos casos de grande sofrimento, dor, deficiência ou velhice, “neste sentido defunctus é uma bela expressão”, afirma Schopenhauer.

Outro pensamento expressado por ele seria a falta de sentido do temor pelo não-ser que seremos depois da morte, pois não tememos o não-ser antes de vivermos, pois perder algo que não podemos constatar a ausência não é nenhum mal, ou seja, tornar-se não-ser não pode nos afetar, da mesma forma que o não-ter-sido não nos afeta. É no mesmo posto de vista que a morte é analisada por Epicuro quando diz que a morte não nos concerne, ou seja, quando estamos vivos, a morte não está, e quando a morte está, nós não estamos mais. 

Outro filósofo que expressa esse pensamento Epicurista é Wittgenstein (filósofo Austríaco, naturalizado britânico), afirmando que a morte não é um acontecimento da vida porque não se vive a morte; isso justifica que a morte não faz parte da vida, pois quando a morte está presente, a vida se ausenta. Está absolutamente claro que, para o filósofo estudado, a vida é algo muito pior do que a morte, então se não temes a vida, também não dever temer a morte; assim, se vale a pena a existir, a morte também deverá valer. Contudo, é justificável o temor do homem sobre a morte, pois este é um ser repleto de vontade de vida e esta vontade pensa que será aniquilada com a morte, por isso faz o homem temê-la. 

Logo, ele deseja profunda e intimamente a imortalidade, como uma solução para sua vida finita. No entanto, para Schopenhauer, desejar a imortalidade da individualidade humana é querer perpetuar um erro ao infinito, pois cada uma dessas individualidades não passam de um erro particular. A existência infinita seria monótona, fastio e insignificante, uma vez que a vida se resuma em: pranto, dor e aborrecimento; viver para sempre é repetir os mesmos erros e as mesmas dores perpetuamente. O conceito de eternidade não existe na natureza humana, pois somos matéria que deve ser descartada e reciclada.

O medo da morte é inerente ao processo do desenvolvimento humano, se trata de um medo do desconhecido – ou seja, uma angústia –, que é somado com medo da extinção, de deixar tudo o que tem pra trás, de ficar sozinho e de sofrer. O resultado dessa valorização e ilusão de uma vida eterna causa bem mais sofrimento do que aceitar a morte como algo que faz parte do seu ciclo de vida. A ideia do não-ser causa um desconforto gigantesco na pessoa, que acaba criando alguns mecanismos de defesa, querendo fugir de sua própria realidade. A socioantropóloga da Universidade de Quebec em Montreal-Canadá, Luce Des Aulniers, afirma que esse medo é o “pivô das civilizações”, pois a partir do desejo de perenidade, se desenvolve as crenças, ciências, artes, as técnicas, as instituições e até mesmo as organizações políticas e econômicas; saber que somos finitos nos força a viver, a nos relacionar, criar e construir coisas para garantir que não sejamos esquecidos. 

Algumas pesquisas comprovam que pessoas com forte grau religioso possuem menos medo da morte, comprovando que a fé seria então um dos meios que ajuda na superação do terror da ideia de finitude. Outro meio também que funciona como um exercício espiritual de aceitação diária da morte vem de certas ordens religiosas católicas que costumam se cumprimentar dizendo: “Memento Morri”, que significa “Lembre-se de que vai morrer”, um contraponto de “Carpe Diem” (“Aproveite o dia”). 

Ou até mesmo como expressa o psicólogo do Centro Dharma da Paz, em São Paulo, Bel Cesar: “Refletir sobre a morte pode torná-la mais familiar e, portanto, menos ameaçadora”, ou seja, reconhecendo nossa finitude, reavaliamos nossas escolhas e comportamentos; segue, pois, a mesma linha de pensamento do filósofo Pascal que afirma a virtuosidade do homem quando sabe que irá morrer. Portanto, assemelha-se ao pensamento schopenhaueriano, isto é, pensar na morte faz refletir sobre a verdadeira finalidade da vida, que é viver cada instante com total consciência de que vai morre.  Então.....VIVA LA MUERTE!


* sugestão de leitura: "O mundo como vontade e representação"


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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Iguais ???

"OS MAIS IGUAIS..."

Por: Alacir Arruda

Tenho certeza que todo brasileiro, em algum momento da vida, já ouviu a seguinte frase: Todos somos iguais perante a lei: seja em meio a uma discussão de um direito, uma brincadeira entre amigos, análises jornalísticas nem sempre tão embasadas, entre outros momentos. Contudo, nos cabe fazer uma pergunta: será que realmente todos são iguais perante a lei?

O principal embasamento para a frase “todos são iguais perante a Lei” é o princípio constitucional da isonomia, também chamado de princípio da igualdade. 

“Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”.

Pela simples leitura do artigo constitucional, temos a impressão de que cada cidadão residente no Brasil deve ser tratado de maneira igual independente de sua condição econômica, raça, credo, sexo, e assim por diante. Contudo, não é o que ocorre na prática e isso, nem sempre, é motivo de preocupação ou algo ruim.

No passado,  o grande e saudoso Ruy Barbosa já dizia que a regra da igualdade é tratar desigualmente os desiguais na medida em que se desigualam.  Você pode estar pensando agora: como assim, tratar desigualmente os desiguais se todos são iguais perante a lei?

De forma simples, sem aprofundar em questões filosóficas ou jurídicas, o princípio da isonomia e o nobre Ruy Barbosa querem dizer é que a verdadeira desigualdade seria tratar igualmente aqueles que são desiguais. Veja um  exemplo que pode facilitar a sua compreensão.

No Brasil as universidades federais são consideradas as melhores nas  avaliações do MEC,  disso ninguém tem dúvidas, logo, a concorrência nessas instituições é  muito grande. Até ai tudo bem. O problema  começa quando visitamos um curso de medicina em uma instituição federal e concluímos que,mais de 80% dos alunos ali matriculados  são filhos de "ricos", ou seja, grande parte deles vem de famílias abastadas que possuem condições financeiras de pagar as  mensalidades. Todavia, assegurados por esse principio constitucional,  eles tem todo o direito de estudar de graça e se alguém for questioná-lo,  com certeza ele  dirá: "estou aqui porque todos  somos iguais perante a Lei , É ILEGAL me excluir  em razão de minha condição social, eu não pedi para nascer rico".   

Bingo!!!....Se você pensou o mesmo que eu  acertou.  É ai que se fundamenta  o comentário de Ruy Barbosa, para ele,    a verdadeira desigualdade é  tratar  como igual  aqueles que, por diversas razões,  são desiguais. Podemos concluir então que toda igualdade é uma utopia.

E por que digo isso? A grande questão no caso acima exposto, é que o  filho de rico no Brasil não estuda  nessa escola  pública  completamente sucateada onde o processo de ensino-aprendizagem funciona a partir da seguinte máxima: " o governo finge que paga, o professor finge que ensina, o aluno finge que aprende e a sociedade finge que esta tudo bem. Em suma, é uma sequência de fingimentos.  O filho de rico estuda em escolas particulares com mensalidades  altíssimas e toda uma sistemática pedagógica  como:  natação,  lutas marciais, aulas de reforço, lousas digitais, salas de informatica de ultima geração, aprofundamento de conteúdos,  professores de plantão, psicopedagogos, psicólogos etc..,  voltadas  para que esse individuo seja aprovado nas melhores universidades e institutos como as Federais ou  ITA e IME. Qual a chance do filho de pobre? Nenhuma! Salvo quando aparece algumas aberrações da natureza que  quebram esse paradigma conseguindo, mesmo vindo de escola pública, entrar em medicina nas federais, mas isso é raríssimo.

Se você fosse um estrangeiro chegando ao Brasil  e lesse o texto  do art. 5 da Constituição pela primeira vez, não tenho e menor  dúvida que  ficaria encantado(a) com o Brasil. Pensaria imediatamente: "como deve ser bom viver num país como este, onde não há distinção entre homens e mulheres, onde todos têm o direito de viver livres, com segurança, propriedade garantida e, sobretudo, com a igualdade de tratamento que todos sempre sonharam, independentemente da crença religiosa ou convicção filosófica e política".

Pena que a teoria, na prática, nos mostre um quadro bem diferente. Darei  mais alguns exemplos;

Em novembro de 2011 o então  presidente do Supremo Tribunal Federal - STF e do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, Cezar Peluso, determinou que fossem retiradas da internet as iniciais dos nomes de juízes que na época estavam  sob investigação por desvios éticos/administrativos e até crimes. O próprio Peluso, antes de assumir a presidência do STF,  ordenou a divulgação destes mesmos dados como forma de dar mais transparência ao trabalho das corregedorias dos tribunais na apuração de processos contra magistrados.

O que mais chama atenção nesse caso é que essa suspensão ordenada por Peluso  atendeu a um pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB, que entendeu que a divulgação das iniciais dos nomes dos juízes investigados vinha causando "constrangimentos" a eles, que podiam ser facilmente identificados. ....It Is Brazil....

Cerca de um mês depois dessa ordem de Peluso, no dia 20 de dezembro, em entrevista coletiva, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, falou sobre as investigações que revelaram as quadrilhas de advogados fraudadores que atuavam no Judiciário Fluminense. Foi um espetáculo completo, onde presentes estavam também três dos sete magistrados integrantes da comissão que apura as fraudes. O desembargador Manoel Alberto explicou que a organização das quadrilhas é muito maior do que se pensou inicialmente. De acordo com ele, “somente um advogado tinha cerca de 18 mil ações em andamento, todas falsificadas", e um "outro casal de advogados tem 7 mil processos em seus nomes". Ele acredita que os grupos mencionados "atuavam há pelo menos dois anos no Rio”.

Até aí, nenhuma novidade, até porque o fato já vinha sendo divulgado pela imprensa carioca há algum tempo. O problema vem agora: 

Durante a entrevista, com toda a pompa que o momento recomendava, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos esclareceu que os advogados tiveram a prisão preventiva decretada e divulgou suas identidades. Estão cravados no site do TJRJ os nomes dos dez advogados investigados, que eu não vou declinar pela mesma razão sustentada pela Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB, qual seja, a possibilidade de que tal divulgação venha a causar constrangimentos aos investigados. 

Faço questão de esclarecer, para começo de conversa que,  torço para que esses advogados, se considerados culpados, sejam metidos na cadeia, o mesmo destino que deveriam ter juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores e integrantes da classe política que a todo momento são destaques nas páginas policiais de todo o país.  Mas não e razoável  concordar com a desigualdade de tratamento. Juízes e desembargadores que têm contra si procedimentos investigatórios devidamente instaurados e em curso, não podem ter as iniciais de seus nomes divulgadas, mas os advogados supostamente envolvidos nas fraudes noticiadas, que sequer foram denunciados pelo Ministério Público, têm seus nomes completos divulgados numa entrevista coletiva e estampados no portal da instituição encarregada da apuração dos ilícitos. Por que é que o vento que venta lá não venta cá?

É claro que a tão sonhada "igualdade" entre os humanos jamais haverá. Ninguém é burro o suficiente para ficar imaginando essa possibilidade. Mas a Constituição Federal não é um sonho. Ela existe! Por que justamente os juízes insistem em rasgá-la?

Será que o art 5 da nossa Carta Magna é um direito uma sentença?

Quando um  mortal comum , como eu, responde a um processo criminal, seja ele culpado ou inocente, as páginas de consulta do Google e dos tribunais brasileiros estampam  fotos,  número do processo, a vara de origem, seu nome completo (e não apenas as iniciais) e a capitulação do delito em apuração. A partir dessa execração pública, nem é preciso enumerar os problemas que esse cidadão, repito, culpado ou inocente, tem que enfrentar, principalmente no momento de buscar uma ocupação profissional.

Você ainda lembra daquele papo bonito logo no início do texto sobre a Constituição Federal? Esqueça! Essa tal de igualdade nunca existiu, nem jamais existirá, principalmente quando  está em jogo os interesses de cidadãos tão desiguais em direitos e obrigações como desembargadores e magistrados e a classe dos advogados ou o aluno da escola privada com aqueles de  escola publica, ou ainda, quem tem Bradesco Saúde, com aquele que chega as 4 da manhã na fila do SUS..Enfim, eu poderia ficar aqui escrevendo por dias  algumas dessas disparidades no país da coisa errada,  mas opto por  ficar por aqui. Termino usando uma célebre frase escritor britânico George Orwel  que afirmou: " Todos são iguais perante a Lei, porém, existem os mais iguais"...


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Brasil parte 2

BRASIL S/A: PARTE 2

Por Alacir Arruda


Eu havia prometido a mim mesmo que daria um tempo em escrever textos críticos relacionados a nossa política, mas confesso, não aguentei. Assistindo diariamente as  peripécias produzidas por esses senhores, resolvi me manisfestar.  Começamos com o circo que virou a nossa justiça, onde o Supremo,  me parece, perdeu o norte quanto a sua condição de guardião da Constituição com decisões pouco democráticas, tivemos ainda a insanidade cometida por Temer ao decretar intervenção do exército na segurança pública do Rio de Janeiro, juro que imaginei não viver para ver um destempero desses. Teve ainda a prisão "espetacular" de Lula com direito a helicópteros, aviões e "tchauzinho" para a câmera  ( se  Guy Debort ainda fosse vivo, veria  na prática aquilo que escreveu em sua obra: "Sociedade do Espetáculo" em 1968). Ainda no judiciário tivemos declarações nada diplomáticas de sua "excelência" o Ministro do Supremo Gilmar Mendes, que toda semana produz uma pérola e,   para fechar eu vi um Deputado Federal pelo Estado do Pará "descer a porrada" num professor que o questionou sobre suas tatuagens. Parece piada não é?  #SQN, na verdade tudo é  consequência de um povo que se divorciou da nação, abriu mão do papel de grande juiz e quando um povo se  cala a nação sucumbe.

A exceção dos componentes do Supremo, que juro não sei quais os requisitos usados para que sejam ministros, todos os demais citados acima foram eleitos pelo povo, saíram dos seio da sociedade para nos representar. Mas o que houve? O que acontece com o Brasil que, antes chamado de país do futuro pelos europeus, nos tornamos simbolo de corrupção, impunidade e leniência? O que ocorre com nossos homens públicos? Ora, garanto que se tivesse as respostas para esses questionamentos escreveria um livro e, com certeza, ficaria rico. Na verdade não há uma resposta, a coisa é mais complexa do que possamos imaginar e, evidente se queremos uma solução ela passa, indiscutivelmente, pelo seu povo.

Ano passado o ex presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, que, na época, encontrava-se preso fez a seguinte declaração a um dos juízes do Tribunal Superior Eleitoral numa ação que investigava o uso de caixa 2 na chapa Dilma - Temer. “no Brasil, não existe politico eleito que não usou caixa 2 (ou propina)”. O ex ministro da CGU, Jorge Hage, declarou, também ano passado, que não há um só município brasileiro - dos 5575- que não esteja envolvido falcatruas. Em suma, definitivamente o Brasil é não para principiantes, como dizia Tom Jobim. Há muito o que se mudar por aqui.

Talvez uma das explicações para essa horda de absurdos esteja no fato que no Brasil se naturalizou o impróprio, acostumamos com as coisas erradas. Logo, quando precisamos ir ao medico, em um postinho de saúde, é comum dizermos: "preciso madrugar para pegar a senha": quando somos maltratados por servidores públicos nos calamos e ainda dizemos "é assim mesmo, sempre foi assim" : quando um gerente de banco lhe aprova um empréstimo, você o agradece, como se ele estivesse lhe fazendo um favor: quando um politico aparece em seu bairro no seu carrão importando vestindo um terno italiano alinhado seguido por diversos assessores, você o chama de doutor e ainda pede para tirar uma Selfie com ele. Mas sem dúvida, o nosso maior erro é quando afirmamos que "odiamos politica", que "políticos são todos iguais", ou pior, que você vota em quem lhe faz o ultimo favor, esta ai a gênese da nossa desgraça.

-Não!! Você não deve aceitar como normal sair as 4 da madrugada para conseguir senha para passar por um Clinico Geral em um postinho de saúde, deve exigir o que prescreve a nossa Constituição em seu Art. 196. "A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção e proteçao :

-Não! Você não deve se calar quando é maltratado em alguma repartição pública, o servidor publico é seu empregado e tem, por Lei, O Estatuto do Servidor (Lei 8.112/90) e a Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92), o dever de lhe tratar com urbanidade e parcimônia sob pena de exoneração. Denuncie os abusos de autoridade

-Não!! Não aceite que esses marginais, disfarçados de políticos, lhe manipule, o trate como um bobo alegre, um fantoche a mercê de seus interesses. REAJA! Crie comitês populares com objetivos de cobrar desses "inertes" que cumpram suas obrigações, qual seja , legislar em nome e em favor do povo. Não os chame de doutor, eles não são. Não queira se aproximar para tirar selfie e, sobretudo, não aceite favores dessa corja.

Político no Brasil sempre foi sinônimo de corrupto, já afirmava o ex-presidente da França Charles de Gaule na década de 60: “o Brasil não é um país sério”. Mas a “roubalheira” nunca foi tão declarada como nos últimos 15 anos. Temos o pior politico do mundo, como já disse em artigos anteriores, são caros e ineficientes. Pra se ter uma ideia, o custo da câmara de vereadores de São Paulo paga todos os gastos do Congresso inglês e ainda sobra. Na Suécia, mais de 40% dos deputados e vereadores trabalham de graça e aqueles que são remunerados recebem algo em torno de três mil reais por mês sem nenhuma regalia.

O Brasil é um dos únicos países do mundo, só os africanos são iguais, que política virou profissão. Ou seja, o politico aqui ingressa na vida publica e não quer sair mais, contrariando um dos princípios básico da Democracia que é a alternância no poder. É evidente que esses “ canalhas” não largam o “osso” em face das benesses do cargo: salário astronômico, trabalhar apenas dois dias por semana, inúmeros assessores, passagens, gasolina, celular, moradia, status e foro privilegiado tudo as expensas do povo, quer vida melhor? . Enfim..,para o politico brasileiro, desempenhar função pública, ao contrário do que prescreve a constituição, esta intimamente ligado ao aumento de seu patrimônio é como diz o velho ditado: "eu sei que a farinha é pouca, então, meu pirão primeiro".

Essa visão patrimonialista remonta aos patronos da proclamação da República-1889 que enriqueceram pós Império, nossos atuais políticos trazem consigo ainda hoje essa herança. Aqui produzimos aberrações do naipe de José Sarney, que está na vida pública desde 1954. Ou seja, esse infeliz nunca trabalhou na vida. Esse “ser”, juntamente com seus asseclas, conseguiram elevar o Maranhão à condição de Estado mais pobre da nação, superando o Piauí. E tem mais, quando era Presidente, não feliz em ter o Maranhão nas mãos, Sarney criou um Estado só para si, o Amapá, lá ele se tornou "deus", se elegeu Senador sem jamais ter ido lá. Sarney criou ainda, enquanto presidente, o Estado de  Roraima e lá  treinou seu discípulo Romero Jucá, que primeiro foi  eleito deputado, depois  a governador e hoje é Senador. Jucá está metido até o pescoço em denúncias na Operação Lava Jato e responde  s mais de 10  inquéritos no Supremo, aprendeu direitinho o pupilo de Sarney.

Jader Barbalho, que ainda hoje é senador pelo Pará, é outro que, além de ser um dos maiores latifundiários do Brasil, é acusado de mandar eliminar seus adversários com requintes de crueldade. Considerado por muitos, o dono do Estado do Pará. Jader é aquilo que podemos chamar o sinônimo de ganância. Não satisfeito, após 500 anos governando aquele estado e movido pela sanha por poder, elegeu recentemente seu filho a governador. Um jornalista norueguês, que visitava Belem em 2008, após ter conhecimento das suas façanhas, publicou em seu jornal que, em qualquer país sério, esse individuo estaria preso e, dependendo da nação, condenado a morte pelas suas peripécias. Por último nossa politica produziu ainda Paulo Maluf, esse dispensa apresentações, basta dizer uma de suas frases mais famosas: “roubo, mas faço”. Recentemente Maluf foi preso mas, raposa como é, não ficou 3 meses encarcerado, hoje está em sua mansão de 15 mil metros quadrados e 45 cômodos no bairro do Morumbi em SP, naquilo que o judiciário chama de "prisão domiciliar" e recebe integralmente o salario de 33.000,00 de deputado, uma vez que a Câmara insiste em não votar a casação de seu mandato.

Encerro fazendo alusão a um dos maiores dramaturgos brasileiros, Nelson Rodrigues, que dizia que brasileiro sofre da “síndrome de vira-latas”, ou seja, tudo que vem de fora é melhor, talvez fosse a hora de importamos políticos. Quem sabe uma leva de políticos suecos, finlandeses ou noruegueses fosse capaz de mudar nossa triste sina. O meu medo é que eles desistam ao depararem com algo muito pior que os nossos políticos, a inércia do povo.....
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quarta-feira, 2 de maio de 2018

ENEM 2018 - O 1 de maio e você.

O DIA DO TRABALHO, A ECONOMIA E VOCÊ.

Por Alacir Arruda

Hoje, 01 de maio, comemora-se o  dia internacional do trabalho, um dia que o mundo deveria aproveitar para repensar as relações capital/trabalho em épocas de crescimento econômico baixo, taxas de desemprego nas alturas, pós verdade, xenofobia além do crescimento de discursos extremistas  que, cada vez mais, conquistam  jovens  nas redes sociais mundo afora. Aliás, se é  possível ver algo positivo na globalização é essa:  “a democratização da desgraça”. Isso para nós, que sofremos a décadas com a chamada “síndrome de vira-latas”, soa como um bálsamo, nos sentimos melhor ao saber que o caos não é um privilégio apenas do Brasil, o mundo não vai bem, ( está certo que aqui além da desgraça econômica temos a companhia de “satanás” e seus assessores disfarçados de políticos). Mas prossigamos: 


Segundo dados do Banco Mundial e do FMI , o crescimento mundial deve oscilar entre 1,5% a 3% a.a nos próximos 30 anos e para o Brasil as projeções não são nada animadoras, ainda, segundo esse mesmo estudo, o Brasil crescerá em torno de 2% a.a, em média, nos próximos 10 anos. Bom, pra você que esta lendo agora esse texto e não entende “picas” de economia, vou procurar ser mais claro e didático: Esse estudo do FMI traduzido numa linguagem que possa ser entendida por Anitta e Wesley Safadão, quer dizer mais o menos o seguinte: ESTAMOS FUDIDOS....Para você que é um analfabeto em economia, mas que sabe ao menos as 4 operações da matemática, vou dar um dado simples: para que possamos ter o poder de compra que tínhamos em 2008 - auge do deus lula - teríamos que crescer entre 5 a 8% a.a nos próximos 20 anos, ou seja a equação não nos favorece. 

Voltemos ao erudito. Em 2013, numa das minhas aulas de filosofia para o curso de psicologia, eu usei a lousa para desenhar um gráfico em que descrevia a economia brasileira de 2014 até 2020. Ao traçar um prognóstico negativo afirmando que em 2016 estaríamos quebrados, em 2017 falidos e em 2020 pedindo moratória, um grupo de alunos quase me linchou, afinal, vivíamos ainda os resquícios da politica popularesca petista onde qualquer um, independente do poder aquisitivo, tinha uma Bizz, Titan ou Bross. Outros se orgulhavam em ter na sua garagem um carrinho popular 1000 como um Gol g4 ou g5 ou ainda um Celtinha, adquiridos em financiamentos à perder de vista, sem comprovação de renda ou fiador,  naqueles feirões de automóveis aos domingos com direito a parquinho e pipoca para entreter seus “bacuris”. Ou seja, vivíamos um verdadeiro paraíso, ( grande parte deles perderam seus automóveis em ações de busca e apreensão pós 2014 – dados do Serasa). 

Alguém, que agora lê esse texto, pode perguntar: “E você achou bom isso”? Não! Se dependesse de mim todos estariam com seus bens e felizes, mas a economia é uma ciência e, como tal, não perdoa governos incompetentes nem um povo conivente com desmandos. Ademais ensino filosofia e uma das funções dessa disciplina é desnaturalizar aquilo que achamos natural, é trazer o aluno para o mundo critico, um mundo sem “muletas” “deuses” ou qualquer outro subterfúgio, em suma, minha função é mostrar a realidade como ela se apresenta, sem maquiagem. Por isso somos odiados, afinal é bem mais simples ser bonzinho, vendendo a ideia de um mundo perfeito onde impera o amor e o respeito ao próximo, #SQN. 

A questão é ideológica, na verdade o grande problema de acreditarmos nesses planos econômicos mirabolantes é que os adeptos dessa ideologia tendem a pensar que a sua visão ideal sobre o sistema social, econômico e político é única, útil e necessária. A ideia é que precisamos de boas opiniões sobre futuros perfeitos se quisermos um progresso incremental constante em direção a uma sociedade boa e justa. Se você não sabe para onde se dirigir no longo prazo – se você não sabe como é a utopia – como pode saber quais as próximas etapas a seguir? 

Pensar numa utopia econômica como guia é intuitivo e atraente. Mas acontece que está errado. Esse tipo de ideal político pode nos atrapalhar no caminho real para um mundo melhor. Uma grande mudança na teoria política está em andamento. O espaço está acabando para os sistemas ideais. É claro que seus encantos demoram a morrer. Novos paradigmas levam uma geração ou mais para escorrer através dos meios intelectuais. Ainda não nos livramos das teorias ideais, especialmente nas políticas públicas. É dramático dizer que a morte da teoria ideal muda tudo, mas muda muito. Há impacto direto, por exemplo, no que significa ser um think tank (boa ideia) de princípios ideológicos. 

Se você concordar com essa ideia, reconhecerá um grande erro intelectual nos discursos teóricos que muitas instituições constroem para promover ideologias. Isso não tem nada a ver com o liberalismo ou socialismo, por si só. Não importa qual padrão moral você usa para avaliar os sistemas, econômicos, políticos e sociais. Seja a liberdade como não coerção ou uma radical igualdade material. Não importa. 

Toda politica econômica sem uma base racional é um chute. Nossas evidências sobre como sistemas políticos e sociais funcionam são limitadas pelas experiências históricas. Eis um grande problema para qualquer pessoa comprometida com uma revisão radical da sociedade. Quando nosso sistema predileto se distancia daqueles que existiram, também se afasta da base de evidências sobre como os sistemas sociais funcionam. Quanto mais radical for o mundo ideal, mais provável será o engano. Maior será a chance do sistema perfeito não ser mais livre, ou mais igual ou mais justo como se previa. 

Por exemplo, não há nenhuma maneira de justificar racionalmente a crença de que o anarcocapitalismo será melhor em termos de “liberdade libertária” do que o Canadá de 2018; ou de que a substituição do capitalismo por uma “democracia econômica” levaria a maior igualdade do que a do Canadá de 2018. 

Você pode achar que sabe como o anarcocapitalismo ou a “democracia econômica” ou o PT ou o PSDB etc....funcionam, mas você não sabe. Você está apenas adivinhando – extrapolando muito além de sua evidência. Você não pode estipular que funciona como você quer. Racionalmente falando, você não faz ideia se qualquer ideal radical é melhor do que um sistema real. Racionalmente falando, nem deveria ser ideal. Utopia é um chute. 

A incerteza sobre qual o melhor esquema social nos abre para as evidências de uma maneira genuinamente curiosa e não tendenciosa. E nos liberta da ansiedade quando especialistas dizem o que não queremos ouvir. Isso, por sua vez, nos livra do desejo de fazer campanhas quijotescas contra a autoridade de especialistas legítimos. É possível agir como uma pessoa racional! Você deve aceitar que precisa de evidências extraordinárias quando não concorda com um consenso de especialistas em questões empíricas. 

O reinado da teoria ideal na filosofia política transformou muitas pessoas incrivelmente inteligentes, de princípios e moralmente motivadas em ideólogos pouco confiáveis. Isso deixou o campo da análise de políticas racionais para tecnocratas pragmáticos, que também possuem problemas sérios. Longa história curta: acabamos com uma espécie de divisão nas políticas públicas, entre gente moralmente apaixonados, mas presa em bolha, e especialistas técnicos capazes de análises objetivas, mas desprovidos de inspiração. 

Precisamos de pessoas apaixonadas pela liberdade ou pela justiça social (ou o que você tem como valor), que buscam ativamente soluções para a violência e a injustiça, mas não pensem que sabem exatamente como é a libertação ideal ou a justiça social. Portanto, agem com base em alternativas reais, avaliadas objetivamente. 

O espaço de possibilidade é infinito. É preciso mais do que energia e entusiasmo para explorá-lo, é preciso estudar, adquirir conhecimento, questionar. A geração de hipóteses imaginativas é grande e intangível, e sem ela o progresso é impossível ou devagar, mas é fundamental entender como verdadeiramente as coisas acontecem. Os técnicos, os quants, os ratos de laboratório tendem a ser horríveis em inventar hipóteses, mas sem eles, não haveria qualquer evolução. A paixão moral ideológica é um cavalo selvagem perfeito para motivar a exploração do sonho próximo e viável. Graças à tirania do ideal, essa fonte de energia intelectual é desperdiçada. 

Nem sei por que escrevo isso..rs.. Deve ser falta de sono. Mas para encerrar, volto ao inicio do texto e aqueles alunos da psicologia que queriam me linchar, ou me chamavam de louco quando dizia que o país caminhava para o abismo. Será que fariam o mesmo hoje???


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