sábado, 31 de agosto de 2013

Essa eu achei digna de publicar.. vejam só a  que ponto chegamos 
Olhem essa história:

Na Alemanha homem é processado por não conseguir engravidar mulher do vizinho 

"Um homem que vive na Alemanha foi processado por não conseguir engravidar a mulher do vizinho, depois de ser contratado por 2 mil euros (cerca de R$ 5,7 mil) para isso. 
Demetrius Soupolos e a mulher, Traute, queriam ter uma criança, mas descobriram que Soupolos não poderia ter filhos. Por isso, decidiram contratar Maus, na esperança que o homem casado e com dois filhos pudesse engravidar Traute. A informação foi divulgada pela publicação alemã "Bild". 
Depois de seis meses e nenhuma gravidez – com uma média de tentativas de três vezes por semana, Soupolos insistiu para que Maus passasse por exames médicos. 
Os testes mostraram que o vizinho também é estéril. Por isso, a mulher de Maus foi obrigada a admitir que as duas crianças não eram dele.  

Agora, decida você o que é pior: 
a) Ir a justiça cobrar um cara que "ficou" com sua mulher por seis meses.
b) Contratar um cara para "ficar" com sua mulher por seis meses.
c) Descobrir que você é estéril enquanto tenta engravidar a mulher do vizinho, recebendo pra isso.
d) Descobrir que os dois filhos que você tem não são seus.
e) "Cornear" o vizinho e descobrir que já foi corno, no mínimo duas vezes.
f) Todas as anteriores.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A Situação dos  Médicos Cubanos: Isso me dá Vergonha!

Por: Alacir Arruda

    Nos últimos dias desembarcaram no Brasil algo em torno de 800 médicos cubanos para trabalhar no programa Mais Médicos do Governo Federal. Segundo o Ministério da Saúde, esses médicos irão atuar em áreas isoladas do país aonde a assistência médica ainda não chegou ou é deficitária. Para aqueles que estão preocupados com a qualificação desses médicos, segue um esclarecimento aos menos avisados. Cuba é uma referência mundial no que diz respeito a medicina tanto a familiar quanto a clinica. O país é, ainda,  uma referencia na produção de vacinas e  no tratamento do vitiligo. Neste ultimo item é considerado o  mais avançado do mundo, até Michael Jackson se tratou com médicos cubanos. O perfil dos profissionais que desembarcaram no Brasil é o seguinte: em geral, eles têm mais de uma década de formados, passaram por missões em outros países, fizeram residência, parte deles (cerca de 20%) cursaram mestrado e 40% obtiveram mais que uma especialização. 
   Aos incomodados com a cor desses profissionais ou mesmo com sua aparência, (como aquela jornalista do Rio Grande do Norte que disse em seu perfil no Facebook que as medicas cubanas tem aparência de empregadas domésticas)  segue um esclarecimento; Cerca de 66% dos Cubanos são de origem espanhola, 22% são mestiços e 12% do Pretos, descendentes dos escravos conduzidos a ilha no século XVI. Os Asiáticos, procedentes da imigração chinesa da segunda metade do século XX, constituem uma minoria (0,1%). Não existe quase nenhum descendente dos Índios Ciboneyes, Guanajuatabeyes e Taïnos, que habitavam a ilha antes da sua descoberta por Cristóvão Colombo no século XV. 
    E para quem está preocupado com o cidadão e não apenas com a corporação, a pergunta essencial é: a origem dos cubanos ou sua formação importam efetivamente nesse momento? Ou o devemos levar a cabo o tratamento de brasileiros isolados? Alguns jamais viram um medico na vida e comunidades inteiras no Brasil são acometidas por doenças que hoje só existem em lugares isolados da África. 
    Aproveito ainda essa pergunta para apontar o que vejo como uma absurda incoerência -uma incoerência pouca conhecida da população - de dirigentes de associações médicas. Um dos dirigentes, aliás, disse publicamente que um médico brasileiro não deveria prestar socorro (veja só) se um paciente for vítima de um médico estrangeiro. Deixa morrer. Bela ética. Provas têm demonstrado que uma boa parte dos alunos formados nos cursos de medicina no Brasil não está apta a exercer a profissão. Não vou aqui discutir de quem é a culpa, se da escola ou do aluno. Até porque para a eventual vítima tanto faz. Mesmo sendo reprovados nos testes, os estudantes ganham autorização para trabalhar. 
     Por que essas mesmas associações, tão furiosas em atacar médicos estrangeiros, não fazem barulho para denunciar alunos comprovadamente despreparados? A resposta encontra-se na moléstia do corporativismo. Se os brasileiros querem tanto essas vagas por que não se candidataram? Será que preferem que o pobre se dane apenas para que outro médico não possa trabalhar? Sinceramente, sinto vergonha por médicos que agem colocando a vida de um paciente abaixo de seus interesses.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O CASO DONADON E O CORPORATIVISMO

Por  Alacir Arruda

   A decisão da Câmara Federal  de não cassar o mandato do Deputado Federal por Rondônia, Natan Donadon, trás à luz das discussões a importância de se rever a questão dos votos secretos. Um país que pretende, ou pleiteia, um assento definitivo no  Conselho de Segurança da ONU, que se orgulha de ser considerado  democrático e,  onde os direitos individuais e coletivos, em tese, são o norte nas relações sociais, não pode aceitar que uma Câmara eleita pelo povo tenha a prerrogativa do voto secreto. Essa situação é inaceitável em qualquer país, sobretudo,  um democrático.
    A história do voto secreto no Brasil remonta ao Regime Militar (1964-1985) e representa os resquícios de um regime de exceção algo ultrapassando nos dias atuais.  Manter o mandato de um politico condenado pelo Supremo a 13 anos de prisão por crimes como:  desvios de verbas públicas, corrupção ativa e passiva além e abuso de poder, é algo que seria  cômico se não fosse trágico e mais uma vez lança todo o legislativo brasileiro  na “vala comum”,  justificando as criticas que vem das ruas.
   Recentemente, milhares de brasileiros saíram às ruas para reivindicarem mais moralidade, probidade e ética da classe politica, recado este,  que parece não ter sido  ouvido pelos parlamentares que resolveram manter Donadon no cargo. Com certeza o Brasil amanheceu nessa quinta-feira com vergonha da câmara que “os representa”,  vergonha que só não é maior que a certeza de que farão isso novamente,  uma vez que a palavra de ordem entre eles é o “corporativismo”. A coisa é mais ou menos assim, absolvemo-lo, pois amanha poderá ser um de nós.   Quero aqui externar meu desalento com a dilapidação do patrimônio ético ao qual a câmara esta mergulhada e posso apenas  falar por mim;  esses 513 deputados não me representam. Na verdade, eles são a síntese de tudo de ruim que a politica brasileira já produziu  e seus atos imorais, só  vem corroborar para que a população novamente se reúna para cobrar uma ação mais efetiva desses senhores quanto ao trato com a  coisa publica, sobretudo o erário. 
   Dizer que todos os politicos são iguais seria prepotência de minha parte, mas que sobram poucos verdadeiramente comprometidos com a causa do povo e os interesses da nação, disso não tenho a menor duvida. Hoje foi Donadon o absolvido, amanha será outro  e outro e outro, até que um dia você,  que agora esta lendo esse texto,  será questionado por seu filho  nos seguintes termos: “pai (mãe) quando o sr. (a)  era jovem tinha políticos corruptos? E você com certeza ira dizer: “sim filho, sempre houve”!. Então ele expressará: “ e o que o sr. fez para, ao menos, minimizar isso?? E você??? Uma saída será você dizer a ele que o lema que rege a politica brasileira desde 1500 é:  ”Eu sei que a farinha é pouca, então, meu pirão primeiro”

terça-feira, 27 de agosto de 2013

SCHOPENHAUER E O AMOR


SCHOPENHAUER (1788-1860) – O FILÓSOFO DO HUMANISMO. Introduziu o budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã. Para ele, o mundo não passava de uma representação, uma síntese entre o objeto e a consciência humana. O que havia de real era a vontade, irracional e insaciável, por isso causa de todo sofrimento. Apesar do pensamento, apontar saídas para as dores do mundo: a contemplação da arte, a compaixão e, sobretudo, a anulação da vontade, uma fuga para o nada.
Livros:
A arte de ter Razão.
O mundo como Vontade e Representação.
Metafísica do Belo.
Fragmentos para a História da Filosofia.

Todos nós teorizamos sobre a felicidade que o amor nos trará. A maioria faz da busca pelo amor a meta da sua vida. Mas o amor é um tema sobre o qual a filosofia não costuma falar. Como ele é uma das experiências da vida mais transformadoras e importantes, seria plausível imaginar que a filosofia fosse levar o amor muito a sério. Mas, de maneira geral, isso não acontece. Basicamente, o tema é deixado para os poetas, histérico e apresentadores de programas vespertinos de TV. Mas houve um filósofo que leva o amor muito a sério, e que o via como uma de nossas preocupações centrais. Seu nome era Arthur Schopenhauer.
Schopenhauer  foi um filósofo que parecia entender a intensidade do que sentimos quando nos apaixonamos. Ele achava que estávamos certos de viver em função do amor, e que não havia outra coisa mais importante. Nosso erro segundo ele, era achar que a felicidade tinha algo a ver com isso.
De início, é difícil de acreditar que Schopenhauer pudesse entender de paixão ou que pudesse ajudar alguém que estivesse apaixonado.. Ele nunca se casou, vivia sozinho e, às vezes, mostrava-se bastante avesso às mulheres. Ele nasceu em Danzig, em 1778, mas passou a metade da vida em Frankfurt. Desde cedo buscava a felicidade no amor. Era inteligente, seguro, bonito e, depois que perdeu o pai, aos 17 anos, muito rico também. Mas não fazia sucesso com as mulheres, escrito de próprio punho.
Em 1821, aos 33 anos, ele conheceu uma mulher que gostou dele. Era uma cantora de 19 anos, Caroline Medon, mas ele nunca quis formalizar a relação. Eles chegaram a ter um filho. Ela queria se casar, mas ele não quis. Ele dizia que quando duas pessoas se casam, acabam fazendo de tudo para se detestar. Depois de dez anos de idas e vindas, o relacionamento acabou.
Mais velho, ele teve um relacionamento com a escultora e admiradora de sua filosofia Elizabeth Ney, que foi a Frankfurt fazer um busto seu, mas esse caso não pode ser considerado o ápice de uma vida romântica com a qual o jovem Schopenhauer sonhara.
Mas como um filósofo com uma vida romântica desastrosa poderia ter algo a nos dizer sobre o amor?
Para começar, ele dizia que o amor não é um assunto banal que não devemos vê-lo como distração de assuntos mais sérios ou adultos. Não é por acaso que se trata de um sentimento tão avassalador, capaz de tomar conta de nossa vida e de todos os momentos de nosso dia.
Ele diz que não devemos nos culpar tanto pelo estado de desespero e obsessão em que entramos se o amor fracassa. Ficar surpreso com a dor da rejeição é ignorar o quanto de entrega a aceitação exigiria.
Criamos histórias de amor para nós mesmo, imaginamos que nos apaixonaremos por um parceiro que nos fará felizes. Mas Schopenhauer via isso de maneira diferente. Para ele, nós nos submetemos a telefonemas ansiosos e jantares caríssimos, a luz de velas por uma única razão: o impulso biológico para perpetuar a espécie. Ele o chamava de “impulso de vida”. “Nada na vida é mais importante que o amor, porque o que está em jogo é a sobrevivência da espécie”. O amor é uma tática da natureza para nos levar a ter filhos. Por mais que gostemos de nos imaginar como seres românticos somos todos, basicamente, escravos do impulso de vida.
O fundamental na tese de Schopenhauer é que impulso de vida pode atuar de forma bastante inconsciente. Conscientemente, as pessoas podem querer ir a uma festa, mas inconscientemente o que as movem é a necessidade de se reproduzirem. Ele precisa ser inconsciente para ser eficaz, porque ninguém assumiria conscientemente o fardo da perpetuação. “O instante em que dois jovens se sentem atraídos um pelo outro deve ser considerado o nascimento de um novo indivíduo”. Sua tese explica a intensidade dessa atração.
Mas por que nos sentimos atraídos por algumas pessoas e não por outras?
Um dos maiores mistérios do amor é “por que ele?” ou “por que ela?
Inúmeras pessoas não provocam qualquer reação em nós, mesmo sendo, em tese, nossos pares ideais e acabamos nos apaixonando por outras com quem a convivência pode ser difícil. Schopenhauer tinha uma resposta: apaixonamos por uma pessoa quando sentimos, inconscientemente que ela pode nos ajudar a produzir herdeiros saudáveis. O amor é apenas nosso impulso de vida, descobrindo alguém que ele considere o pai ou a mãe ideal de nossos filhos.
Isso levou Schopenhauer a reflexões interessantes sobre a regra da atração. Atraímo-nos por pessoas capazes de contrabalançar nossas imperfeições, garantindo, assim, filhos fisicamente e mentalmente equilibrados. Pessoas muito altas são atraídas por parceiros mais baixos para que os filhos não sejam gigantes. Ele acrditava que a busca do equilíbrio se estendia até o tom da pele. Algumas das idéias de Schopenhauer podem parecer descabidas hoje. Há muitos tipos de vínculos emocionais e sexuais ao qual sua tese não se aplica.
Entretanto, uma geração antes de Darwin e cerca de 60 anos antes de Freud, ele foi o primeiro a apontar razões inconscientes e biológicas para o amor.
Buscar a felicidade e ter filhos são projetos divergentes que o amor, astutamente nos faz enxergar como um só, pelo tempo necessário para produzir e criar os filhos. Só muito depois, com herdeiros saudáveis e equilibrados, correndo pelo jardim, nos damos conta de que fomos enganados, condenando-nos a separação ou começamos a passar os jantares num silêncio hostil.
Schopenhauer coloca-nos diante de uma escolha tácita. É como se, na hora de selar o casamento, um dos dois, o indivíduo ou o interesse da espécie, tivesse de sair perdendo. Para ele, não há dúvida que o indivíduo sofre mais.
Infeliz no amor, e tendo sua obra quase completamente ignorada, Schopenhauer vivia recluso num modesto conjugado em uma rua de Frankfurt chamada Schöne Aussicht, um nome irônico diante do pessimismo de sua visão, já que significa “belas perspectivas” em alemão.
No meio de tanta infelicidade uma de suas alegrias era a música. Antes do almoço ele tocava uma hora de Rossini ou outro compositor. Ele desenvolveu um pessimismo quase anedótico, aconselhando seus leitores a engolirem um sapo todas as manhãs para garantir que não se deparariam com nada mais repulsivo ao longo do dia. “A existência humana só pode ser algum erro. Pode-se dizer que, se hoje ela está ruim, as coisas só tendem a piorar, até que o pior de tudo aconteça.” Escreveu Schopenhauer. “É mais seguro confiar no medo do que na esperança.” Esta é uma frase com o pessimismo típico de Schopenhauer.
As companhias mais íntimas do filósofo passaram a ser vários poodles. Ele dedicava aos cães todo o seu afeto. Chegou a batizar um de Atma, a Alma primordial para os brâmanes, e passou a se interessar pela causa do bem-estar animal.
No fim da vida, suas idéias enfim, começaram a conquistar adeptos. Seu último livro, uma coletânea melancólica de ensaios e aforismos filosóficos, tornou-se um sucesso de vendas. Alemães amantes da filosofia começaram a comprar poodles em sua homenagem.
No auge da fama, ele a definiu dizendo: “ O Nilo, enfim, chegou ao Cairo.”Mas ele não teve tempo de desfrutar do sucesso e desenvolver pensamentos alegres. Em 1860, Schopenhauer voltou para casa, queixou-se de falta de ar e morreu.
“Se um deus criou este mundo não gostaria de ser esse deus, pois sua miséria e seu infortúnio me partiram o coração” disse Schopenhauer.
Talvez pareça estranho achar que Schopenhauer possa nos ajudar nas questões do amor, tendo sido um sujeito tão amargurado. Mas acho que ele nos deixou idéias confortadoras a respeito. Para começar, ele disse que se apaixonar é inevitável, que a biologia é mais forte que a razão. Assim, não somos infelizes por mero acidente, essencialmente somos iguais a todos ou outros animais. Sentimo-nos impelidos a encontrar um parceiro, a gerar filhos e criá-los e somente uma força poderosa como o amor seria capaz de nos motivar para isso.
Schopenhauer nutria um interesse especial por animais feios como toupeiras, porcos-espinhos e mangustos-anões. O que despertava seu interesse era a vida dura que eles levavam enfrentando invernos rigorosos, vivendo debaixo da terra e tendo filhos que mais se parecem com vermes gelatinosos e o fato de nada disso impedir que se reproduzissem. Ele achava que esses animais podiam nos ensinar sobre nosso comportamento, sobre como nos dedicamos à reprodução sem pensar necessariamente em felicidade. Se a reprodução nos entristece, se achamos que o casamento não vai bem, podemos aprender como esses nossos amigos vendo com eles não fazem isso por felicidade, mas porque precisam, por causa do impulso da vida.
Schopenhauer tem mais uma idéia a respeito do amor que pode nos ajudar quando somos rejeitados, muitas vezes, não entendemos porque o parceiro quis romper e nos sentimos rejeitados. Ele diz que quem termina o namoro não está rejeitando o parceiro. Não sou eu que não mereço o amor, mas é o impulso de vida de minha parceira que considerou que ela poderá ter filhos mais saudáveis com outro! Encontrei outra mulher que me considera o parceiro ideal, mesmo que apenas por uma questão de equilíbrio entre o meu nariz e o dela.
Talvez você estivesse feliz com a pessoa que o rejeitou, mas a natureza não estava. Por isso, vai ter de aprender a se desapegar. Numa visão tradicional, dizemos que um casal será feliz para sempre. Num olhar mais desiludido e moderno, estão condenados a discussões e ao divórcio precoce.
Schopenhauer convida-nos a assumir um ponto de vista diferente, e considerar que a felicidade não está em questão. Ele não queria nos deixar deprimido, mas nos libertar das expectativas que pode acabar gerando frustrações. Às vezes, os pensadores mais pessimistas, paradoxalmente, podem ser os que nos oferecem mais consolo!
O Limite entre o Normal e o Espetáculo: Retrato de Uma Sociedade Doente.

“Bling Ring”, de Sofia Coppola, expõe curiosa fronteira, onde superficialidade, transgressão e redes sociais encontram-se. Mas cheira a conformismo.
Por Alacir Arruda.
Recentemente assisti pela Internet (site pirata)  e fiquei com uma enorme sensação de vazio,   ao último lançamento de Sofia Coppola, Bling Ring: A gangue de Hollywood que conta a história, originalmente publicada em 2009, na revista Vanity Fair, de um grupo de adolescentes ricos e residentes do bairro californiano Calabasas, onde o horizonte mais distante e almejado parece ser de fato a colina das mansões de Hollywood à frente.
E é para lá que esses jovens, desesperançados e obcecados por fama, decidem ir noites seguidas, em busca de um sonho e um estilo de vida baseado nas fotos e reportagens que leem em sites e revistas de fofocas sobre a vida de seus ídolos: atrizes, modelos e celebridades hollywoodianas. Mas, esse sonho, esvaziado de utopias ou desejos — que aparenta não ir além de bolsas Channel, óculos Ray Ban ou sapatos Louboutin — acaba numa realidade bem dura e concreta: atrás das grades.
A brincadeira desses jovens, supostamente inocente, começa na casa de Paris Hilton, herdeira de um império do setor hoteleiro americano e habituée nas capas de revista de todo mundo pelo estilo de vida e roupas que ostenta. Uma dupla de amigos da escola descobre seu endereço e o fato que a casa estará vazia e decidem ir até lá “fazer compras”. Depois de se deslumbrarem com os luxos e as marcas de sonho na mansão da moça, saem de lá tranquilamente com malas Louis Vuitton nas mãos repletas de coisas roubadas e com uma falsa sensação de plenitude nas mãos, oferecida por esses fugazes momentos de diversão. Mas, como a sensação de bem estar dura pouco, assim como a oferecida pelas drogas que ingerem diariamente, eles querem mais e é aí que a brincadeira fica séria.

A dupla acaba expondo as “travessuras” cometidas através de fotos que postam nas redes sociais e por relatos detalhados para amigas da escola, que se animam com a ideia de “ir às compras” nas casas de celebridades. E assim a dupla vira um grupo ou quadrilha que começa a fazer dessas invasões de privacidade um hábito divertido, usado para fugir do tédio — sem se preocupar com o ato transgressor, violento e ilícito que estavam cometendo. Aliás, fica claro no filme que, talvez, a única preocupação desses jovens seja a aparência.
Tudo é espetacularizado e compartilhado, o que demostra o questionamento cada vez maior dos limites entre o público e o privado, em tempos de redes sociais. Esse é um dos pontos mais importantes do filme: a experiência da exposição e da privacidade. Parece-nos que vale tudo por um minuto de fama compartilhada. E as celebridades “seguidas” por esses jovens também expõem sua privacidade, desde suas roupas até seu paradeiro de final de semana. O que, além de gerar um sentimento de intimidade com seus “fãs” acaba ajudando a gangue na hora de planejar a próxima invasão.
Ao entrar nas mansões, os adolescentes experimentam aquele estilo de vida através de objetos já conhecidos e almejados dos closets, deixando claro o sentimento de intimidade compartilhado entre os jovens e seus ídolos.
Através do fanatismo por roupas e marcas das personagens, o filme parece expor um retrato real dos dias de hoje. Os jovens desejam e consomem não somente uma roupa ou acessório, mas um signo social e um estilo de vida. Uma associação que começa na infância, quando as marcas utilizam personagens e mascotes. E ao entrar na adolescência são as celebridades, com suas marcas e grifes, que ganham força no imaginário juvenil.

A diretora escolheu não entrar nas questões psicológicas de seus personagens, na ausência familiar ou na falência da instituição escolar, mas ainda assim consegue capturar o que muitos autores chamam de zeitgeist – espírito de uma época. E demonstra a existência de uma juventude fútil, desesperançada e violenta que se preocupa mais em ter do que ser. Que compartilha mais objetos do que afetos. Mas, apesar do vazio do tema Sofia acerta, como sempre, nos diálogos e na estética que, através do último trabalho de fotografia do excelente Harris Savides, consegue tirar brilho de cenas tão deprimentes.
É um filme que merece ser visto pela reflexão que suscita. Inspira a enxergar os valores compartilhados pela juventude atual, seu tempo frenético, seus sonhos e desejos. E os limites entre o público e o privado, em tempos de redes sociais.
Porém, o mais violento do filme não são os delitos cometidos pelos jovens, mas talvez o sentimento de desesperança gerado no final. Sentimento ampliado em mim com a notícia de que a distribuidora de Bling Ring fez uma parceria com uma grife de moda, através da qual um concurso dará vinte kits com produtos Sephora e Vandal para looksinspirados em personagens do filme.
A iniciativa parece mostrar que o mercado conseguiu abocanhar a crítica da montagem e transformá-la em desejo de consumo. E assim acaba por abalar o próprio valor artístico do cinema, de questionar a realidade vigente. Principalmente essa experiência de violência simbólica da mercantilização de tudo, vivenciada na sociedade do  espetáculo.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Questão Síria: Barack Obama Acaba Frustrando seus Aliados
Por Alacir Arruda/Colaborou Sergio Coutrand
     A situação de Obama frente aos seus aliados no Oriente Médio esta cada dia mais difícil. Esperava-se que a visita do primeiro-ministro turco Recep Erdogan a Washington, pressionasse o governo Obama a adotar posição mais dura contra o regime sírio. Houve notícias de que Erdogan chegava em busca de uma zona aérea de exclusão sobre a Síria, liderada pelos EUA, e de aumento no suprimento de armas para os ‘rebeldes’.  
   Mas, no encontro, Obama manteve a posição anterior e insistiu que não há “fórmula mágica” para resolver a crise. Claro que a resposta veio envolta em trivialidades diplomáticas, durante a conferência conjunta, dos dois governantes, com a imprensa na Casa Branca. Mas não foi a resposta que Erdogan esperava obter.
     Em termos simplificados, Obama não dá sinais de estar disposto a permitir que os EUA afundem-se em mais um atoleiro semelhante ao Iraque. Quer ‘mudança de regime’, sim, mas tem de ser transição negociada, como ele próprio disse, “na qual as instituições sírias sejam mantidas em funcionamento, mas tenhamos um corpo representativo, multiétnico, multirreligioso, que consiga trazer democracia e paz para a Síria.”
   Noutra fala, Obama acrescentou que tem de ser uma Síria “intacta e inclusiva de todos os grupos étnicos e religiosos; e fonte de estabilidade, não de extremismo.”
   Uma boa coisa resultante da conferência de imprensa foi que Obama reverteu à ideia de uma conferência de paz em Genebra. Disse: “Acho, sim, que a possibilidade de conversações em Genebra, envolvendo russos e representantes, sobre uma transição política séria, que todos os partidos possam aceitar pode dar resultado.”
ARMAS QUÍMICAS 
    Mas, e quanto às armas químicas e a “linha vermelha”? Eis o que, literalmente, disse Obama: “Esse é problema internacional. Tenho grandes esperanças de poder continuar a trabalhar com todos os partidos envolvidos, para encontrar uma solução que leve a paz à Síria, estabilize a região, estabilize aquelas armas químicas. Mas não será algo que os EUA farão sozinhos.”
  As imagens em vídeo mostraram um Erdogan anormalmente submisso, tomando chuva no Jardim das Rosas, ao lado de Obama, o qual ditava todas as regras para a paz na Síria. Ali, Erdogan ouviu e nada disse. Mas logo depois, em conferência na Brookings, voltou ao seu normal, falou à vontade e atacou, como quis, no ponto mais sensível, que mais diretamente atinge os interesses dos EUA: insistiu que o Hamás tem de estar presente, como representante legítimo, em qualquer negociação de paz para o Oriente Médio.
  Revelou que visitará Rússia e os países do Golfo, em breve, para conversações “para avaliar a situação por lá.” Erdogan voltou a reiterar sua intenção de visitar Gaza no mês que vem.
  Erdogan não é o único que se sente desertado, abandonado. Os sauditas também estão lívidos. O jornal governamental Asharq Al-Awsat atacou furiosamente a política dos EUA para a Síria, em editorial intitulado “Obama traidor”, assinado pelo editor-chefe da publicação, Eyad Abu Shakra. Para o jornal, “Obama cedeu à interpretação dos russos (…) Washington conformou-se à realidade da permanência de Bashar Al-Assad no comando da Síria até o final de seu mandato presidencial, ano que vem, exatamente como Rússia e Irã desejavam.” Os sauditas concluíram que estão “perdendo” a Síria e, na barganha, podem estar perdendo terreno também para o Hezbollah no Líbano. Significativamente, o ministro saudita de Relações Exteriores manteve reunião de longas duas horas, em Jeddah, com seu contraparte iraniano.
LINHA DIRETA 
    Segundo a rede israelense de notícias DEBKAfile, a reunião em Jeddah significa que os sauditas abriram uma linha direta com o Irã, dando as costas à iniciativa de Rússia-EUA para a Síria.
   Seja como for, o Irã já anunciou a intenção de hospedar uma conferência de ministros e altos funcionários das Relações Exteriores de vários países, em Teerã, dia 29 de maio, para “definir um quadro para resolver a crise síria.” Não será surpresa se a Turquia e o Egito participarem. Os sauditas também? Talvez?
    Enquanto isso, os países ‘amigos da Síria’ planejam reunir-se semana que vem na Jordânia,  para deliberar sobre a iniciativa de EUA-Rússia para conversações de paz. Essa reunião, se acontecer, será reunião ‘de arromba’: os ‘amigos da Síria’ constituíram-se para derrubar Bashar Al-Assad (e rapidamente). Agora, Obama já praticamente diz que Assad pode concorrer às eleições e ser parte de uma ‘Síria democrática’.
E A RÚSSIA? 
    A Rússia, como seria de prever, mantém os cruzados. Como escreveu Fyodor Lukyanov, analista estrategista que opera em Moscou, em coluna assinada para a agência oficial de notícias Novosti, a situação atual pode andar para qualquer lado: “momento crítico, quando os que pregam e os que atacam qualquer acordo negociado para a Síria estão, literalmente, um com a mão na garganta do outro.”
   Mas Lukyanov sabe, e o Kremlin também sabe, que a Rússia está jogando rodada vencedora: a Rússia conseguiu abrir um buraco enorme, tão grande que por ali passa um elefante, na doutrina do intervencionismo ‘humanitário’.
    De fato, no atual momento, o melhor que a Rússia pode fazer é garantir que qualquer aventureirismo ocidental para aumentar o atual nível de intervenção militar na Síria prove-se custoso e inaceitável.” Segundo despacho da Agência Reuters, não há dúvidas de que a Rússia está, sim, no jogo.
   Concordo com Jeffrey Laurenti, da Century Foundation, que diz que Obama pode ter feito por merecer seu Prêmio Nobel, afinal, na Síria. Mas Obama não deve guardar para si todo o prêmio: bem poderia dar metade do prêmio a Vladimir Putin da Rússia. Questão de justiça.



sábado, 24 de agosto de 2013

Por que é tão importante  discutirmos a juventude?

Por Alacir  Arruda

     No mundo  temos hoje  o maior número de jovens da história da humanidade. Quem afirma isso é a ONU (Organização das Nações Unidas), que diz que nunca tivemos nem nunca teremos mais jovens (que eles consideram como faixa etária, restrita de 15 a 24 anos) do que temos neste período, que vai de 1990 até 2020. Neste momento a população está tendo menos filhos e vivendo mais anos, fazendo com que a população mundial vá envelhecendo. Por isso o prognóstico que afirma que nunca teremos tantos jovens. Bom, isso ajuda a entender o porque falamos tanto sobre juventude hoje em dia. Mas mesmo assim não explica tudo. Avancemos.
      No Brasil, temos a quinta maior população jovem do mundo, com 34 milhões de jovens (de 15 a 24 anos pela ONU) em 2000. Isto representa 20% da população brasileira, e quase equivale a toda população Argentina (por volta de 36 milhões de pessoas). Desses jovens brasileiros, 40% estão em situação de extrema pobreza, em famílias com meio salário mínimo de renda per capita ou sem rendimento nenhum.
     Alguns dados nos ajudam a entender a situação das juventudes brasileiras hoje.  
     Vejamos como é o entendimento, por parte de outros sujeitos coletivos, neste complexo tema.
     A ONU entende que a juventude é estratégica neste novo milênio, pois, além de vivermos esta “onda jovem” (maior quantidade de jovens), assume uma condição de agente de desenvolvimento local. Isto é, jovem é aquele que só participa politicamente das atuações locais, pequenas e restritas. Ele ou ela podem até opinar e atuar na melhoria da praça, da comunidade ou da escola. Mas não é a ‘cara do jovem’ mexer com coisas grandes, discutir, por exemplo, sobre Desenvolvimento Sustentável. E este modo de pensar a condição juvenil se perpetua até em espaços políticos que questionam a ONU e o pensamento único neoliberal. Uma metáfora que reflete o que ocorre com os espaços de participação das juventudes é que, até podemos participar da ‘festa’, mas não no salão de festas com copos de vidro, e sim lá no quintal com copos de plástico, pois não quebra nada e nem suja dentro, assim, a participação das juventudes dá menos prejuízo.
     Esta comparação simplista reflete também uma das visões dominantes neste debate sobre as juventudes, que é a de que jovem é problema. Esta idéia é fruto de uma turma de pesquisadores americanos que estudaram a juventude na perspectiva de diminuir os ‘problemas e desvios da juventude delinqüente’. Entendem as juventudes como sinônimo de gangues, problemas sociais e período em que não podem ficar soltos, livres, pois causam problemas. Com certeza já ouvimos que ‘cabeça vazia é a morada do diabo’. Ora, é esta idéia aplicada na prática que resultou em enfocar a juventude como possível e potencial problema. Assim, surgem as FEBEMs e a discussão de redução da maioridade penal.
     Outra visão comum neste tema é a que reflete o oposto, que as juventudes são a salvação da lavoura. Ou seja, os e as jovens são portadores do futuro melhor e desejável, farão o que os adultos não conseguiram fazer. Nesta concepção a juventude é a via de redenção, ela fará a Revolução, pois os e as jovens são rebeldes e criativos. Criticamos esta visão também por ser naturalizada e naturalizadora da realidade, por exemplo, como se sempre quem é jovem é rebelde. Nasce barba e crescem os seios, e são rebeldes. É biológico, é natural desta fase da vida. Esta idéia esquece-se que o que ocorre na realidade é um diálogo intergeracional, onde nem somente a juventude nem os adultos sem ela, transformam o mundo e nos transformamos também.
     Existem outras visões também que refletem análises problemáticas de interpretação da realidade, como por exemplo, a que não atribui as juventudes características próprias e, portanto uma especificidade. Afirmam que a condição juvenil e a condição adulta são idênticas. É como se a criança fosse um ‘adultinho’ em miniatura, e o jovem um adulto mais novo e rebelde. Sendo assim, não precisamos discutir uma metodologia específica no trabalho com as juventudes nem pensar em meios de facilitar sua participação.
    Há também um entendimento que nega isso, mas atribui à juventude uma condição específica pré-conceituada. Generaliza-se demais o que específico das juventudes, ou atribuem-lhe características. Desde afirmações do tipo “a juventude é alienada” até “a juventude só quer saber de festas, é hedonista” (hedonista é aquele (a) que tem o prazer como objetivo da vida). Também tem o problema de naturalizar elementos que são sociais, culturais e econômicos, portanto históricos.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013


O homem nasce apenas com uma condenação: Ser Livre. 
Por Alacir Arruda
                Vivemos em um país que, em tese, usa a liberdade como atributo fundamental nas relações sociais. E, quando alguém lhe relembra que "esse é um país livre", você sabe o que isso significa. Você é geralmente livre para fazer o que quiser (isso é chamado de liberdade "positiva"), e está geralmente livre de ser perseguido por suas idéias (liberdade "negativa"). Tal verdade positiva envolve escolhas; liberdade negativa, consequências. 
      Essas duas liberdades gêmeas são realmente maravilhosas e temos sorte de tê-las. Mas a palavra importante aqui é sorte. Se amanhã, numa eventualidade improvável, um ditador viesse a tomar o puder, nossas preciosas liberdades poderiam ser abolidas em um segundo. Que restaria? Existe algum tipo essencial de liberdade que jamais possa ser tirada de nós? 
      Segundo Jean-Paul Sartre, o filósofo existencialista francês, a resposta é sim. Isso é bom, mas só em parte. Sartre diz que ser humano é um  ser completamente livre, para sempre ter o poder da escolha. Mas a única coisa que não podemos escolher é renunciar à escolha, ou citando o paradoxo de Sartre: "Estou condenado a ser livre". Escolher não agir é ainda uma escolha. Esse e o dilema existencial. 
     A filosofia de Sartre sobre a liberdade deriva de seus estudos sobre fenomenologia, a filosofia da consciência pura. A seu ver o que distingue a consciência é que ela tanto pertence ao mundo como não pertence ao mundo. Quando refletimos sobre como pensamos, quando nos tornamos autoconscientes, tratamos nosso pensamento como se ele fosse um. objeto no mundo. Dizer "eu fiquei confuso com esta explicação" é transcender nosso próprio pensamento e refletir sobre ele. Mas o mundo, da forma corno o conhecemos, é apenas uma reunião de todos os tais objetos "transcendentes": coisas que percebemos e sobre as quais pensamos. 
       Ao mesmo tempo, a consciência não é do mundo. Quando sonhamos, somos desligados de qualquer sentido externo. Quando imaginamos - por exemplo, quando fantasiamos sobre ganhar na loteria saímos do presente (o mundo como ele é) e projetamos um futuro melhor (o mundo como ele não é) Corno esse futuro não é real, ele é não-existente: ele é o nada. 
       De acordo com Sartre, toda ação surge desse nada Se você estivesse sempre diretamente sintonizado ao presente, incapaz de escapar dele, você não só não poderia imaginar como também não poderia agir. O presente é apenas o que é e a menos que você considere como as coisas poderiam ser diferentes não existe motivo para se fazer nada.  
      A famosa "náusea" de Sartre surge da absoluta liberdade de escolha, a consciência de que você é sempre capaz de qualquer ato possível. Por exemplo, pode acontecer que em um dado momento você escolha se matar; e esse pensamento - que abre um abismo profundo no eu gera ansiedade e náusea, (Como você tem a possibilidade de fazer isso, você tem medo de vir a fazer isso.) Estar "condenado a ser livre" significa que somos os únicos responsáveis por gerar, a partir de cada situação, nosso próprio "mundo" -- responsáveis pela escolha de nossas próprias metas, de nossos métodos de alcançá-las, de nossas respostas à ansiedade da escolha.Talvez você escolha se matar; ou talvez, pelo menos, você opte por continuar fazendo suas opções.
       Muitas pessoas, no entanto, recusam-se a encarar estes fatos, porque não podem suportar a idéia de que são responsáveis pelo seu mundo. Como já disseram muitos analistas de nossa época, nós preferimos nos ver mais como vítimas do que como adultos responsáveis. Ao fugir da realidade, colocamos a culpa de nossas péssimas escolhas, ou de nossos esforços fracassados, em uma infância infeliz, na opressão cultural, na classe social, no preconceito, ou na sociedade em geral, Sartre não negaria que infâncias infelizes e preconceitos existem e são maus. Mas ele rotulou de "má fé" a recusa em assumir nossas livres escolhas para interpretar e responder aos fatos da vida.

Para Reflexão

" NO BRASIL, FAZER SUCESSO É OFENSA PESSOAL"

                                                                        (Tom Jobim)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A LIQUIDEZ DA VIDA MODERNA 
Por Alacir Arruda 
     Recentemente fui convidado para  participar de uma mesa redonda onde o  foco eram as pessoas viciadas em tecnologia. Como sociólogo me interesso muito por este assunto, principalmente na mágica que temos que fazer para driblar o ritmo louco da vida e encontrar as oportunidades que temos para dar boas escapadas e aproveitar ao máximo cada dia.
   Ouvi atento alguns relatos de pessoas que não conseguem mais viver sem celular, FaceBook, Twitter WattApps etc... Pessoas que passam mais do que 18 horas por dia conectadas. Eles estão ligados ao mundo virtual, conectados aos vários amigos que têm nas redes sociais, sabem de tudo e de todos ao mesmo tempo, são muito antenados e podem começar manifestações em massa.  
Mas essa geração está  ficando doente acometida de uma doença chamada “liquidez social” onde valores e relações tem a duração de uma clik. Tudo é liquido na pós-modernidade de casamento a namoros de amizades a comida. O mundo moderno só não tem espaço para a solidez.
   Dois jovens foram analisados por especialistas na área de psicologia para entender os problemas que o vício, em qualquer coisa, pode trazer. Para ambos foram sugeridas terapias ocupacionais, tratamentos para mostrar o quanto a internet faz bem para a humanidade, mas que como tudo em demasia, pode fazer mal, muito mal. Em determinado momento um dos especialistas disse uma frase intrigante: a modernidade líquida em que vivemos traz uma fragilidade nos relacionamentos, o amor líquido. Como é que é? Amor líquido, que história é esta?
  Nessa celeuma que se tronou a vida moderna, as  pessoas estão priorizando relacionamentos em redes sociais e estas relações se dão de forma muita rápida e fácil. Elas podem, de igual forma, se desmanchar com uma velocidade ainda maior. A sociedade está se  acostumando a relações de curto prazo, sem comprometimento. Na medida  que a tecnologia avança e a modernidade muda o mundo com uma  velocidade cada vez maior, vamos também mudando a forma de encarar a vida, as pessoas e os relacionamentos.
   Já expressei minha opinião sobre isso diversas vezes e não me envergonho em dizer que não quero estar nas redes sociais (facebook, twiiter etc.)  porque não tenho tempo. O tempo que sobra da correria uso para o meu bem estar. Vou a livrarias degustar um bom livro  ao cinema e mantenho, o celular desligado ou no silencioso  durante todo esses momentos.
    Amo manter uma rotina que é, sair com amigos para tocarmos uma  boa musica regada a uma boa cerveja (com moderação) e muita conversa fiada. Me esbaldo dançando e tocando o dia inteiro e, quando acompanhado, mantenho me grudado a  moça, claro, para manter meu amor bem sólido. De líquido, apenas um  bom cabernet sauvignon, essa liquidez sim,  faz muito bem.
    Mais do que uma constatação este assunto é um alerta, não só as relações amorosas e os vínculos familiares são afetados, mas, sobretudo a alma humana. Somos seres gregários, só vivemos em grupo e o contato social é algo intrinsicamente ligado ao gênero humano. O Isolamento Social, segundo Dukhein, leva ao suicídio e o virtual à indiferença. Sou do tempo em que nada substituía a vida real -  The Real World.