segunda-feira, 12 de agosto de 2013

EDUCAÇÃO COMO MOEDA DE TROCA

Por Alacir Arruda

     Criticar a educação brasileira virou “lugar comum” e algo natural em nosso país nos últimos anos. Então, prometo não fazer isso nesse artigo, mas questionarei algumas posturas daqueles engravatados que decidem a educação brasileira de seus escritórios com ar condicionado de Brasília, sem jamais terem entrado em sala de aula. É  de conhecimento de todos que estamos na iminência do próximo ENEM. Em outubro mais de 7 milhões de alunos, ou algo parecido a isso, irão realizar aquilo que é o maior exame de avaliação em larga escala do planeta  (deixo a China fora disso que aquilo não é país e uma enxame de gente) e a pergunta que fica é: será que esse ano não vai acontecer nada de errado com Enem?  Provas que vazaram, gabaritos que vazaram, alunos que tiveram informações privilegiadas e redações que ate hoje ninguém sabe quais são  os critérios de correção. Enfim... já aconteceu de um tudo com o ENEM desde que  ele foi adotado como critério para ascensão ao ensino superior.  Mas não falarei disso, falarei de algo muito pior, que  assola a educação brasileira desde a sua mais tenra idade,  que é o uso dela  como moeda de troca pelos políticos, sobretudo em anos eleitorais. Para o pensador francês Louis Althusser, a educação é um dos aparelhos ideológicos do estado usado para o controle das massas, os  outros são a  igreja  e as   forças armadas.
     Para Althusser, ao controlar a educação o governante, ou seu grupo, tem a clara chance de perpetuar-se no poder (parece que já vimos esse enredo), pois manipula os mais humildes e ignorantes que são a grande massa da população. Isso num modelo republicano liberal como o nosso é  fundamental, uma vez que nossos lideres são eleitos pelo voto e, o voto de cada cidadão  tem o mesmo peso seja o ele analfabeto ou doutor. O problema é que no Brasil temos apenas 0,01% de doutores contra 65% da população composta de  semialfabetizados. Desse total,  13% são analfabetos absolutos  não sabem ler nem escrever, porem votam. É isso que alimenta um sistema  educacional falido que se baseia no axismo simplório e medieval de ocasião. Os professores, esses por sua vez,  não  podem ser crucificados  uma vez que a grande maioria provem de faculdades que não estão preparadas para uma formação integral do docente tendo em vistas as demandas do século XXI. O Próprio Althusser, em seus inscritos, afirma que nem o professor  tem a real  noção do quanto  é explorado nessa celeuma que virou  o sistema, ele dá aula, virou um dador de aula.
   Quanto a sociedade, sendo esta  fruto de uma sistema  falido, ela se  mantem  inerte diante desses fatos. Cala, pois não tem como reagir ao seu criador. Os poucos que bradam por uma educação de qualidade não conseguem ressonância em função do seu pequeno numero, alguns chegam sentir vergonha que não é menos que a sensação de impotência diante do caos instalado em nossas escolas.  Por fim a máxima que ainda impera nesse sistema corroído é: O governo finge que paga, o professor finge que ensina, o aluno finge que aprende e a sociedade finge que esta tudo bem. E seguimos a vida. Enquanto a educação for usada como moeda de troca  e a indiferença da sociedade como algo normal,  pensar em um  Brasil coadjuvante no plano internacional e pura utopia..



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