domingo, 16 de fevereiro de 2014

AOS ALUNOS DE PSICOLOGIA

Sigmund Freud e a  Religião.

Por. Alacir Arruda

– Freud, psicanalista austríaco,  é considerado um dos maiores nomes da ciência no século XX. Em seus vários inscritos, manteve sempre uma postura racional na avaliação do homem e sua relação com os fenômenos sociais, dentre eles a Religião. Em seu livro: O Mal-Estar na Civilização Freud descreve sua teoria sobre a religião e a moral. Em linhas gerais, ambas representam, para Freud, uma repressão sobre as pulsões humanas, tanto as de vida quanto as de morte, na medida em que pregam valores sobre-humanos como os de modéstia, caridade, solidariedade, paz, todos valores que supostamente se realizariam numa época vindoura e extra-terrena, mas que já poderiam começar a ser realizadas na vida terrena. Mas esses valores são anti-humanos porque supõem, segundo Freud, a repressão dos instintos mais básicos, que são sempre egoístas.

– No item I do livro, Freud destaca a idéia de sentimento oceânico – levantada por seu amigo Romain Rolland, colocando-a sob a crítica da psicanálise. Freud introduz o texto com um breve questionamento dos valores sociais. Afirma que há duas ordens de pessoas admiráveis, aquelas que admiramos mas que não queremos imitar, e aquelas que admiramos e queremos imitar. A primeira diz respeito às pessoas cujos valores são os de caráter ético; essas pessoas são admiráveis, mas ninguém quer imitá-las. A segunda diz respeito às pessoas cujos valores são o poder, o sucesso e a riqueza; essas pessoas são admiráveis, e todos querem imitá-las. Freud considera seu amigo Rolland como uma pessoa da primeira ordem; um ser excepcional. Mas Freud quer questionar seus princípios (valores), o que significa igualmente questionar sua própria pessoa.

 – Freud tinha enviado a Rolland um livro expressando sua opinião sobre a religião: a religião é uma ilusão. Rolland, que era religioso, afirmara não ter Freud compreendido a verdadeira fonte da religião, uma espécie de sensação de eternidade, um sentimento de algo ilimitado, sem fronteiras – oceânico, por assim dizer (p. 81). A religião seria, para Rolland, apenas um expediente de expressão deste sentimento profundo, um sentimento de divindade que o ser humano sente em face de sua pequenez. Poder-se-ia aniquilar a religião que o sentimento permaneceria no íntimo do ser humano.

– O questionamento de Freud é simples; representa o paradigma do questionamento psicanalítico da religião. Freud afirma que ego maduro designa algo autônomo e unitário, distintamente demarcado de tudo o mais (p. 83). No entanto, este ego, no início de sua vida, ainda no recém-nascido, não era precisamente demarcado, isto é, o bebê ainda não se percebia como diferente do mundo e o mundo como diferente de si. Ambos, bebê e mundo mantinham uma unidade. Isso ocorre sobretudo na vida uterina, onde há unidade entre o bebê e seu ambiente.

-No entanto, há interrupções nesta relação. A separação entre bebê e o útero é a primeira interrupção, a separação entre o bebê e o seio da mãe também. O bebê passa a se sentir desamparado com essas interrupções e sonha com a unidade perdida. O ego maduro ainda conserva, inconscientemente (mente inconsciente), memórias deste elo perdido com o ambiente e, via de regra, regride a estágios anteriores da infância em busca dele. Ora, este sentimento oceânico (que Freud diz não encontrar em si mesmo, mas que admite existir na maioria dos seres humanos), representa, para Freud e a psicanálise, uma expressão do elo perdido com o universo, com algo maior, mais perfeito, preenchedor, poder-se-ia dizer.

 – Em suma, tanto a religião quanto a suposta fonte inspiradora da mesma são, para Freud, apenas funções de uma mente cindida entre um ego autônomo e um ego ainda retido nas relações com o mundo externo, quer dizer, funções de uma mente psiconeurótica: a origem da atitude religiosa pode ser remontada, em linhas muito claras, até o sentimento de desamparo infantil (p. 90).

– Logo, os verdadeiros valores sociais são aqueles do segundo tipo de pessoa, expressão do nosso egoísmo natural, o que põe por terra todos os valores ético-religiosos.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

TEMA QUE SERA EXPLORADO PELO ENEM 2014

Ucrânia: a cronologia de uma tragédia anunciada.
Alacir Arruda
Violência e gangsterismo marcam ação do governo e manifestantes ucranianos. Agora, todos os possíveis desfechos parecem negativos
Ainda não sabemos quem são os roteiristas, mas analisando o drama, podemos ver suas diferentes etapas:
1. Em 28 de novembro o presidente da Ucrânia, Vítor Yanukovich, decide postergar a assinatura do acordo de associação com a União Européia, pelas perdas econômicas que implicaria na relação com a Rússia.
2. A oposição convoca um protesto na Praça da Independência. Em 30 de novembro, a polícia reprime centenas de manifestantes e desocupa a praça. Fica um mal-estar e decepção na sociedade, mas não mais que isso.
3. Na noite de 30 de novembro, quando os protestos dos partidários da integração da Ucrânia à Comunidade Européia perdiam intensidade, as forças especiais da polícia, de forma surpreendente, atacam um grupo de estudantes, surrando-os selvagemente. A TV mostra as imagens a todo o país, a oposição imediatamente faz um chamado ao povo e no dia seguinte, para surpresa de todos, saem um milhão de pessoas à rua em Kiev, uma cidade de 3 milhões de habitantes.
4. No dia seguinte, 1º de dezembro, um grupo de radicais falando russo (a grande maioria dos ativistas fala ucraniano) ataca com paus e correntes um grupo de alunos da escola militar e da polícia antidistúrbios. Os atacantes tratam de enredar os civis que protestavam pacificamente nos seus atos de agressão. Os policiais presenciam a situação mais de uma hora e meia sem receber ordens para reprimir, e quando ela chega, reprimem brutalmente. A maioria das vítimas é de civis inocentes. Dezenas de outros inocentes são presos. A TV russa filma tudo e imediatamente as imagens vão ao ar nos canais controlados pela oposição ucraniana. Resultado: o povo chega à Praça da Independência, se instala em barracas e cerca os tribunais de justiça. As forças policiais já pareciam seguras de que todos os manifestantes eram extremistas, e atacam prontamente, enquanto os demais já não duvidam que os policiais antidistúrbios são carrascos sanguinários, provavelmente mercenários russos vestidos como policiais ucranianos.
5. Em 11 de dezembro, quando a tensão baixa gradativamente, organizam-se “mesas redondas”, chegam muitos emissários europeus oferecendo intermediação e parece que todos estão a ponto de chegar a um acordo. A polícia ucraniana, sem maior entusiasmo, realiza uma tentativa de desocupar a Praça da Independência, e o faz com bastante cautela e sem atacar ninguém. Em resposta, por toda a cidade tocam os sinos das igrejas e o povo sai de casa às duas horas de uma madrugada gelada para defender a praça. O transporte público já não funcionava, e os taxistas levam as pessoas ao centro gratuitamente. Ao final, o povo, que já estava perdendo o entusiasmo inicial, se anima novamente e constrói barricadas de três metros. Os chefes policiais ficam incomodados porque não receberam ordens para reprimir.
6: Passa quase um mês. O Presidente Yanukovich viaja a Moscou e recebe de Putin a promessa de um crédito de 15 bilhões de dólares. Passadas as festas de Ano Novo, o povo está cansado, e na Praça nota-se uma certa desilusão e esgotamento. De repente, em 16 de janeiro, o parlamento ucraniano, violando todas as normas, aprova as chamadas “Leis da Ditadura”, que proíbem de forma estrita todas as manifestações públicas. O povo recebe a notícia e não pode acreditar. Todos novamente se despejam nas praças e no centro da cidade. A oposição política se vê cada vez mais passiva e indecisa.
Em 19 de janeiro, os mesmos jovens que foram os provocadores do 1º de dezembro (a mesma idade, os mesmos refrões e os mesmos métodos) atacam absurdamente, num domingo, o Palácio do Governo vazio, e com muita violência agridem novamente a polícia e as tropas especiais. O povo, exausto com a passividade da oposição política, cai na provocação e também participa, lançando coquetéis molotov nos representantes do poder. Começam os combates de rua, o resultado: 40 policiais e militares e centenas de civis feridos. O governo determina o uso de carros lança-água contra a multidão, mesmo com uma temperatura de 5oC abaixo de zero. Um dos líderes da oposição, o boxeador Vitali Klichko, tenta se reunir com o Presidente, que trata de ganhar tempo e não o recebe. Os ódios de ambos os lados crescem.
7. A partir desse momento, aparecem maciçamente nas ruas jovens musculosos, muitos deles com passado delitivo, contratados pelo governo para amedrontar os manifestantes. Os ativistas radicais começam a caçá-los, levando alguns deles à Praça da Independência para surrá-los, ainda que sem maior selvageria, mostrando-os à imprensa. No dia 22 de janeiro, Dia da União da Ucrânia, novo feriado do país, franco-atiradores desconhecidos matam cinco pessoas. Todos os disparos foram feitos por profissionais, diretamente no coração ou na cabeça das vítimas. Carros sem placa começam a sequestrar ativistas e transeuntes casuais, suspeitos de simpatizar com Maidan. Torturam selvagemente dezenas destas pessoas, as desnudam e as atiram na neve. Também queimam os carros de muitos ativistas. Os canais de televisão controlados pela oposição mostram os mortos e a brutalidade policial. Pela Internet, todo o país vê um vídeo que começa a circular, em que policiais, depois de torturar, desnudam na neve um ativista e, em seguida, tiram fotos com ele. Matam um conhecido líder social, doutor em ciências…
-Uma frase escrita no muro da sede do governo em Kiev (capital da Ucrânia)  é a síntese desse conflito:

“Alguém invisível parece muito interessado em dividir-nos e enfrentar-nos…”


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

COMO FOUCAULT*  E  NIETZSCHE* DEFINEM A RELIGIÃO..

Alacir Arruda

  Nietzsche e Foucault são, sem nenhuma sombra de dúvida, dois dos mais importantes filósofos contemporâneos. Ambos mergulharam nas profundezas de nossas mentes, cada qual a seu modo, para tentar explicar esse fenômeno social denominado Religião. É interessante começarmos esse pequeno texto com as perguntas que conduzem uma especulação na direção de alguns apontamentos a respeito do tema: Como Foucault e Nietzsche pensaram a religião? De que modo tais pensadores são atuais e podem nos ajudar a compreender melhor as conjunturas contemporâneas? Em última instância: por que escolher Foucault e Nietzsche para tratar do assunto? É necessário, antes de empreendermos tal análise, a descrição de alguns pontos do pensamento dos autores citados a serem inseridos neste trabalho.
  Pode-se começar dizendo que Foucault é considerado um estruturalista (Chaui,2001). Nesse sentido, Foucault propõe que a história não pode ser descrita como uma seqüência contínua de fatos que possuem entre si um encadeamento lógico. Assim, não se pode falar em um sentido da história ou mesmo em algo de essencial nos fenômenos históricos. Os acontecimentos sócio-humanos são singulares e acidentais, no sentido de que não se pode encontrar em um acontecimento específico o sentido ou essência que faz crer numa continuidade ideal em que tal fenômeno está enquadrado.
  Na trilha desse entendimento, Foucault afirma que não há verdade, verdade no sentido de essência que explica todo o fenômeno; verdade que elimina o acontecimento singular e o põe articulado com algo metafísico e escondido no "interior" do próprio fenômeno ( Foucault, 1979).  É fundamental ter-se em mente que a verdade não passa de um conjunto de regras do discurso que são impostas aos dominados pelos dominadores, ou seja, os dominadores impõem aos dominados uma espécie de relação de poder. Portanto, a verdade não significa uma essência escondida atrás do fenômeno que mereça ser descoberta pela ciência ou pela filosofia, ela é, certamente, uma configuração específica de relação de poder vigente naquele período histórico.
  Nesse instante, devemos esclarecer mais dois termos fundamentais em Foucault : discurso e poder. O primeiro possui uma base material, a palavra, mas esta por si só não é suficiente. Para Foucault, o mais relevante é encontrar quais são as regras que permitem ou negam a palavra, quais são as regras que controlam a palavra. Tais regras estão engendradas por relações de poder. Este último é uma prática social historicamente determinada em que grupos dominantes impõem a dominados as regras formadoras e configuradoras do discurso. Sim, o discurso, este é um dos aspectos que pretendemos analisar neste trabalho e assim identificarmos quais são os grupos dominantes e que relações de poder se engendram a partir de condições de possibilidade que permitem a montagem de tais relações. As condições de possibilidade são necessariamente externas ao fenômeno, ou seja, elas propiciam, favorecem, mas não causam o fenômeno. As condições de possibilidade são demarcadoras de fronteiras e assim delimitam em que estrutura o poder poderá ser exercido.
    Foucault (2001) identifica nas instituições religiosas e judiciárias as mais claras maneiras do discurso ser construído e formatado a regras rígidas e de fortes procedimentos de controle. Nesse sentido, existem vários tipos de procedimentos de controle do discurso identificados por Foucault. Existem procedimentos como o do "comentador" que é muito comum em instituições religiosas, ou seja, os textos religiosos só recebem comentários que justifiquem e confirmem os sentidos previamente determinados. Aqui, verificamos como a idéia de verdade essencial permeia todo o discurso religioso.  O que se apresenta, comumente, numa instituição religiosa, é uma verdade essencial que está articulada com uma série de procedimentos e regras discursivas que sustentam as práticas assumidas naquele grupo religioso. Como diz Foucault (1979), a verdade é poder e é importante identificar-se qual o regime de verdade que se arranja em determinada instituição. Tal regime é regime político de enunciados discursivos.
    Outro tipo de controle do discurso é o de produzir a rarefação dos sujeitos que falam, que pronunciam o discurso. Aqui, os homens e mulheres que estão autorizados a pronunciar o discurso são raros e sujeitos a amplo controle institucional. O que está sujeito à regra não é somente o indivíduo, mas o discurso. Sim, o discurso, pois todos os procedimentos adotados visam controlar e regrar o discurso a ser pronunciado. Esse discurso está articulado com as relações de poder que se desenvolvem no ambiente próprio da religião.  Assim, deve haver, em última análise, uma rarefação dos sujeitos que detém o discurso, que estão autorizados a falar e a pronunciá-lo.  Com um número limitado de pessoas que estão autorizadas a pronunciar o discurso evita-se que diferentes interpretações possam ser feitas, que subversões e inversões se realizem.
Nietzsche defendia uma nova postura humana diante deste nosso mundo ambíguo, uma postura de amor ao humano, de amor a tudo de bom e de terrível que esse mundo nos oferece (Nietzsche,2007). Acreditava Nietzsche que a religião realizou e talvez realize um desserviço ao homem ao fazê-lo crer que haja um mundo diverso do que vivemos, seria um mundo do "céu" onde toda dor e sofrimento desapareceriam e onde os fracos encontrariam abrigo. Sim, os fracos, pois Nietzsche propunha uma postura nova, de coragem diante da vida, dessa nossa vida com ou sem sofrimentos, com ou sem alegrias, mas literalmente sem lamentos e súplicas pelo afastamento da dor, do terrível, pois o terrível é humano, é nosso, demasiadamente nosso e é este homem com toda sua ambiguidade que deve amar o mundo humano com tudo que ele tem de bom e terrífico. Mesmo que não tenhamos explicações, razões, fórmulas e sentidos, o sofrimento é nosso e somente nosso e, portanto, não deve ser negado, odiado, lamentado, pois talvez só os fracos o façam. A religião transforma os homens em fracos ao prometer um mundo diverso que produz um aberto desgosto e ressentimento pelo mundo humano (Nietzsche,2007). A vida deve ser amada com tudo que ela têm de dor e prazer sem que nada seja negado ou lamentado. O medo da vida, da terrível vida humana pode ser elemento ou condição de possibilidade para que o discurso religioso se estabeleça, confirmado pela satisfação dos fiéis ao perceberem que o sofrimento e em última instância, a morte, pode ser negada. Nietzsche argumenta em favor do amor, como disse, ao humano com todo seu caráter de mortalidade, dor e também capacidade de criar e produzir prazer e alegria. 
   A religião castra o homem ao transformá-lo em um ser medroso, descrente do próprio homem e desejante do fim, do "céu" e um verdadeiro desertor da vida (Nietzsche,2007). Ainda neste sentido, Nietzsche (2007) afirma que reprimir os instintos, é negar a própria vida. Assim, a luta da religião para "moralizar" o homem, a partir da repressão dos instintos, só o torna mais e mais fraco. O ressentimento cristão a respeito da vida, da vida livremente instintual, só produz seres decadentes, adestrados, castrados. Um homem senhor de si mesmo, senhor de sua história, de seu destino, capaz de decidir a respeito de seus próprios instintos, quando ou não vivê-los, sem reprimi-los, eis realmente o amante da vida. Como dissemos, vida sanguínea, terrível, mas absolutamente humana. A dor é elemento indispensável para o vir a ser. Por a dor de lado enfraquece o homem, transforma-o num sujeito desprovido de espírito, pois só os espíritos corajosos se erguem diante do trágico e não tremem (Nietzsche,2007). Nesse sentido, a atual configuração, que por vezes se vê de desautorização do sofrimento, é um forte sinal de decadência social. Talvez estejamos diante de uma busca pelo prazer máximo, pela completa falta de sofrimento, de dor, como se o homem pudesse de algum modo mágico se libertar do trágico. O fato de ser humano já pressupõe o trágico e é esse mesmo trágico que deve ser amado, pois só assim se ama a vida.
    A respeito da verdade, Nietzsche (2007) concorda com Heráclito: o mundo é mutante, o vir a ser é presente em todas as coisas juntamente com o não ser. Crer numa verdade fixa, imutável é um engano. Tal afirmação é válida também para a moral. A luta pelo poder faz do homem um artífice de discursos promotores de verdades essenciais e imutáveis. Será que esse pequeno texto que vai chegando ao seu final, em certa medida, não recai no velho erro de proclamar uma nova verdade essencial ao assumir a presente crítica à religião? No mundo laico em que vivemos, num mundo secular, amantes do prazer a todo custo, que desautoriza o sofrimento, a dor, não teria a religião um papel reverso do que Nietzsche pensara? O próprio Nietzsche (2007) afirma que existem  muitos ídolos ocos que mereciam ser denunciados, quais são os ídolos de hoje? Quem sabe o consumo desenfreado, a busca insana por mais e mais estimulação provinda de substâncias como tóxicos e até mesmo remédios que se multiplicam justamente para aplacar a dor. Uma incrível máquina de produção farmacológica transforma os homens em meros joguetes de novas promessas, não mais as promessas da religião, mas as promessas de um mundo terreno livre do mal, do sofrimento, onde poderíamos ser quem quiséssemos ser, ou melhor, seríamos o que se espera que fossemos, belos, potentes, brancos, heterossexuais, ricos, não sujeitos ao fracasso, incapazes de nos responsabilizar por tudo e por todos. Afinal, drogas e mais drogas estão à mãos prontas para nos transformar em pessoas necessariamente felizes. Sim, necessariamente felizes, pois estar triste é um dos novos pecados modernos. Quais são os procedimentos que configuram o discurso portador dessas novas promessas? Quem são os detentores da atual hegemonia de poder? Estaríamos talvez nos umbrais de um novo mundo: sem a feiúra, sem a deficiência, sem o erro, sem a fragilidade e, por fim, sem a capacidade de expressão própria, sem qualquer vestígio de autenticidade. Assim, ainda a respeito do possível papel reconfigurado da religião, não teria Jesus assumido heroicamente o trágico do humano? Como não pretendemos concluir absolutamente nada, ainda não é possível responder adequadamente a tais perguntas. Sobre os motivos que nos levaram a escolher Foucault e Nietzsche como fundamento para esse pequeno texto, podemos dizer apenas que não se pode ter uma explicação racional para tanto. Nietzsche (2007) afirmava que a razão não é sinônimo de virtude e muito menos de felicidade, portanto deixemos aberta a porta para que aspectos menos "luminosos" do humano se manifestem.


*Michel Foucault importante filososfo estruturalista francês do seculo XX
*Friedrich Nietzsche: O maior nome da filosofia alemã do seculo XIX


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

tema de ENEM 2014

Caso Santiago II: O que fica  após a morte do cinegrafista?
Alacir Arruda
Segue abaixo Breves reflexões sobre o que temos pela frente, num cenário em que as velhas esperanças declinam – e as novas ainda não ocuparam seu lugar

1) Entendo o caldo de cultura no qual surgiram os Black Bloc. O ocaso do PT como opção transformadora foi entendido pela sociedade como o ocaso da “última esperança” e pela traição cometida por esse "partido",  qualquer movimento de esquerda que lute contra a opressão desse modelo econômico explorador e alienante,  sera jogado na mesma vala comum. Para a burguesia e a grande mídia, que são os que verdadeiramente comandam esse país,   todos seriam iguais. E igualmente safados! 
2) Some-se a essa questão conjuntural um processo global de falência das formas tradicionais de representação, inclusive dos movimentos sociais. 
3) Diante desse cenário de desesperança, é até previsível que surgisse uma forma de manifestação que flerta com o anarquismo, mas também com o niilismo, sem ser exatamente nenhum dos dois. 
4) Isso significa que não concordo com tentativas de demonizar os black bloc. Acho que é preciso entender que eles são um sintoma, uma febre, mostrando que o organismo está profundamente doente. 
5) Por outro lado, não concordo com certas tentativas de projetar nos black bloc as esperanças perdidas com a crise do proletariado como sujeito ontologicamente revolucionário. Tem muita gente com um crachá nas mãos, torcendo para encontrar esse sujeito revolucionário do século XXI. E aí acabam projetando suas esperanças. 
6) Também não acho correto comparar os black bloc com a miríade de novas formas de organização coletiva e produção simbólica que estão sendo gestadas nas favelas e nas periferias como resposta a essa crise de representatividade. Os black blocs não podem ser comparados a nenhuma alternativa pela mais simples razão de que eles não pretendem ser alternativa a nada. 
7) Quem participou das manifestações de junho/julho percebeu que, por detrás do rótulo de black bloc, havia uma enorme diversidade: militantes anarquistas, integrantes de torcidas de futebol, o lumpesinato urbano, etc, etc. Tudo junto e misturado. 

——-Dito isso, sobre esse fato recente, da agressão ao jornalista, penso que: 

1) Jornalistas são agredidos e mortos o tempo todo. Pesquisa da Abraji (associação brasileira de jornalistas independentes) revela que, na maioria dos casos, os agressores são policiais. Mas, ninguém comenta quase nada a respeito
2) Por outro lado, isso não invalida a agressão ao jornalista. Seu agressor deve ser identificado e punido. E ai discordo do Mídia Ninja que diz que não houve a intenção de acertar o jornalista. Pouco importa. Essa situação se compara a do motorista que ingere bebida alcoólica, dirige e atropela alguém. Ele tinha informação suficiente para saber que, ao fazer aquilo, podia matar alguém. Ele assumiu o risco e isso no direito se chama “dolo presumido”. 
3) Não adianta agora reclamar que a imprensa está manipulando para criminalizar os black bloc. Isso equivale a desfilar pelas savanas africanas e depois reclamar que foi atacado por um leão. Ué, mas alguém achou que seria diferente? É claro que eles serão criminalizados por essa mídia conservadora! E um movimento social que não trabalha com os dados da realidade está fadado ao fracasso ou a passar o resto da vida reclamando. 
4) Também não é de se descartar que haja infiltração. Pode ser da polícia, de miliciano (vide esse advogado que surge agora, com seu “estagiário”) ou de qualquer outra coisa. Quem participa de algo que não tem organização, que basta chegar para fazer parte e onde todo mundo anda mascarado tem que assumir de princípio o risco da infiltração. Aliás, e novamente, isso é mais do que óbvio. 
5) O que essa Sininho estava fazendo na porta da delegacia? Por que ligou para o tal estagiário? Alguém pode dar umas férias na Nova Zelândia pra essa moça? 



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Tema sera explorado no ENEM 2014

OS BLACK BLOCS E A MORTE DO CINEGRAFISTA..

“O Artigo abaixo foi retirado do Blog http://lbi-qi.blogspot.com.br. O objetivo em publicá-lo no meu  Blog é para que os leitores tenham acesso ao outro lado da história, visto que a “grande mídia” já nomeou os culpados pela tragédia  ocorrida com o Cinegrafista da Band, qual seja, os Black Blocs. Essa mesma mídia só não  disse  que esse movimento é fruto de toda uma estrutura falida,  de um governo absolutamente incompetente em gerir a coisa publica, que no discurso prega a paz, mas nos bastidores incentiva e  produz o caos e se esconde atrás da desgraça”
                                      (Alacir Arruda)

A quem politicamente interessa a morte do cinegrafista da BAND?
Uma ampla e sórdida campanha midiática toma conta do país com o anúncio da morte do trabalhador cinegrafista da rede Bandeirantes. Mais uma vez na história nacional a imprensa burguesa tentam comocionar a opinião pública brasileira contra um determinado setor político, desta vez o movimento Black Bloc, eleito vilão número 1 pela direita neoliberal e a esquerda " chapa branca". Os que ficam na faixa "intermediária" desta graduação política tentam se esquivar de assumir uma posição clara sobre o fato. Mas uma pergunta deve ser respondida por todos aqueles que lançam acusações "a direita e a esquerda", antes mesmo de tentar se provar a autoria do grave atentado que ceifou a vida de mais um trabalhador, a quem politicamente serve a criação de uma atmosfera de comoção nacional contra o movimento Black Bloc, rotulados agora de fascistas e criminosos que mereceriam até mesmo a adoção da pena de morte.

Em primeiro lugar está absolutamente cristalino que a morte de Santiago tem como primeiro alvo demover as manifestações de rua contra o aumento das passagens no Rio e os próprios atos marcados contra a Copa em nível nacional. Em segundo lugar fortalece as vertentes autoritárias do regime democratizante , que objetivam reprimir e criminalizar todos os movimentos sociais em curso, e não somente os "demônios" Black Blocs. Por último definitivamente serve aos barões da mídia " murdochiana" que com o êxito de sua mais nova "peça publicitária" (explorando a tragédia da morte em uma família) reforçam seu poder de barganha ( política e economicamente) junto as classes dominantes nas vésperas de uma eleição presidencial.

A dramática novela criada pela Globo, com a morte de Santiago, que sem dúvida está superando o IBOPE de suas produções tradicionais, revela a estreita cumplicidade da máfia Marinho com os sinistros organismos de repressão policial, herdados desde a época da ditadura militar. A manipulação das imagens eletrônicas e as confissões de " arrependimento" de um P2 nos fazem lembrar muito a farsas montadas por Fleury para justificar torturas e assassinatos covardes. Mas só que desta vez ficou registrado a própria reportagem da Globo News onde indica a verdadeira responsabilidade sobre a morte de Santiago, obviamente negada posteriormente por novas imagens "irrefutáveis" ( sob a ótica da manipulação cinematográfica).

Para aqueles que ainda falam de defender a democracia, demonizar e exigir o linchamento "patriótico" dos Black Blocs só reconduzirá o país aos tempos mais sombrios do regime militar, onde os facínoras criminosos recebiam o "salvo conduto" dos Marinho e Frias da vida enquanto a esquerda guerrilheira( com todos seus possíveis equívocos políticos) era tratada como bandida e terrorist


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

No Irã políticos corruptos são condenados a pena de morte..

Por Alacir Arruda

Os meios de comunicação divulgaram na ultima semana uma reportagem  que trata das punições que sofrem os políticos corruptos no Irã.  Para quem não sabe, o Irã é uma Teocracia Islâmica, ou seja, não há divisão entre a “sharia”  (lei islâmica) e o Estado.  Como e de conhecimento geral, as punições no Islamismo são severas independente de quem cometeu o erro, seja homem, mulher, criança e, sobretudo, os políticos.
Aos olhos ocidentais isso choca, uma vez que um dos nossos  orgulhos é praticarmos uma democracia  liberal em que as punições são estabelecidas por um  órgão supremo de justiça e a nossa constituição não permite a pena de morte.  Mas cultura à parte cabe aqui  uma reflexão sobre essa classe que se reproduz como uma epidemia em nosso país, o político corrupto.  Alguns antropólogos entendem que a corrupção chegou em nosso pais  no momento de sua ocupação pelos portugueses, visto  que eles não tinham qualquer comprometimento com a” terra brasilis” que não fosse explorá-la. Outra corrente da Antropologia prefere dizer que a corrupção é algo ligado ao Ego humano, a idéia primitiva de sobrevivência onde eu preciso acumular bens visto que na sociedade, tal qual a natureza, sobrevive somente os mais fortes e adaptados. Nesse contexto, quando mais bens eu tenho, mas chance de se manter vivo terei.
Teorias à parte a única certeza que temos, é o estrago que esse comportamento traz ao nosso país. 18% da população brasileira é absolutamente analfabeta, quase 20 milhões vivem na mais absoluta miséria, destes, 18 milhões recebem incentivos do Governo Federal que mais parecem esmolas. Temos ainda o pior sistema publico de saúde do mundo e a terceira pior educação do planeta.  Em contraponto, estima-se que são desviados dos cofres públicos todo ano algo em torno de 600 bilhões de dólares segundo a consultoria JP Morgam (2011). Isso seria suficiente para acabar com toda a pobreza do Brasil e ainda sobraria uma boa quantia  para que fosse emprestado aos países mais pobres africanos. Mas ao contrario os únicos beneficiários desse absurdo são os políticos que multiplicam seus patrimônios de forma exponencial
Tenho certeza que muitos, apesar de inconstitucional, defendem a pena de morte em nosso país, sobretudo, para crimes Hediondos, mas tem ainda uma grande parcela da população que manifesta o desejo que essa pena seja entendida aos políticos. A USP, através do NEV-2009 ( Núcleo de Estudos da Violência)  fez a seguinte pergunta há 5 mil pessoas de 200 municípios brasileiros: “Qual  punição merece quem desvia (rouba) dinheiro publico? 46% se revelaram a favor da pena de morte.  Cabe agora uma reflexão por parte dos nossos homens públicos, pois a população já sabe muito bem como eles deveriam ser tratados

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A BARBÁRIE

CAMINHAMOS PARA A BARBÁRIE
Por Alacir Arruda
Essa semana o Jornal Extra do Rio Janeiro  destacou duas matérias  que me remeteu à Idade Media. Em Belford Roxo, região conhecida como Baixada Fluminense, um jovem foi executado sumariamente com vários tiros na cabeça no meio da rua por dois homens que chegaram em uma moto, mesmo ele já estando rendido por populares. A alegação dos transeuntes que presenciaram o fato é  de que se tratava de um    “ladrãozinho”  que cometia pequenos furtos na região, segundo eles, está correto fazer justiça com as próprias mãos nesses casos uma vez que se sentem órfãos por parte do Estado
No mesmo jornal há uma matéria que trata da tortura de um menino de aparentemente tem 16 anos, que foi amarrado em um dos postes do aterro do flamengo (região nobre do Rio)  torturado quase ate a morte por três elementos que se intitulavam “justiceiros”. Uma professora que passava pelo local prestou socorro a esse menino que chegou ao hospital Souza Aguiar já quase sem vida devido aos hematomas pelo corpo. Ao levantar a sua ficha , uma vez que o mesmo  não portava documentos, a policia concluiu que se tratava  mesmo de um adolescente  que também praticava pequenos furtos na região. Mas um caso de justiça com as próprias mãos.
Usei esses dois exemplos   apenas como referencia,  uma vez que a violência não esta circunscrita a cidade do Rio de Janeiro, é um fenômeno nacional. Inclusive nas regiões Centro Oeste e Norte a coisa é pior ainda, mas não há mídia para divulgar. O que questiono é a que ponto chegou a nossa sociedade? Quando praticamos a justiça com as próprias mãos nos nivelamos às sociedades primitivas,  em que o fato de não possuírem uma justiça formal, isso os obrigavam  a fazê-la com as próprias mãos. Mas isso é inadmissível em pleno  século XXI, onde um médico aqui do Brasil faz uma cirurgia num paciente que esta na Austrália via internet, que  uma criança tem um celular que a conecta com o mundo e  que nos  orgulhamos se sermos chamados de “civilizados”. Praticar justiça com as próprias mãos hoje em dia  é uma insanidade  condenável sob qualquer argumento.
Quando Adolf Hitler se matou  em  1945, um importante jornalista norte americano filmou os campos de concentração onde  o “Furrer”   mantinha aqueles que ele julgava menos iguais (judeus, ciganos, negros etc..),  ao ser questionado na época do porque insistia em filmar aqueles moribundos, ele foi enfático: “para que no futuro a humanidade se lembre que existiu um homem que trouxe a barbárie para a sociedade moderna”. Passados 60 anos a impressão que temos é que pouca coisa mudou, a barbárie esta instalada em nossa sociedade. Vivemos uma época em que se mata por nada, onde a vida perdeu qualquer sentido e o ser humano o intelecto. Não é raro casos de pais que matam filhos  e vice versa de forma hedionda e a sociedade omissa  com uma especie de sedação coletiva, não reage. Nada mais nos impressiona. Segundo o sociólogo alemão Georg Simmel |(1858/1918) " as cidades ,sobretudo as grandes, tem essa capacidade de blindar o indivíduo ante aos fatos, uma especie de anestesia perante as mazelas que ela mesma produz, dentre elas a violência"
Se fôssemos avaliar esses fatos a partir da ciência e seguindo o conceito de alienação como desumanização, é possível cocluir  que essa  alienação e coisificação do homem  é freqüente em sociedades marcadas pela imposição de  aceitação Essa amnésia social  que tem causado uma certa  cegueira  e pode ser analisada sob essa  a perspectiva de Marx [1]. Seguindo o conceito de alienação marxista como desumanização, é possível dizer que essa  dominação se da através  do poder, entenda-se poder segundo a definição de Foucault, ou seja, como uma rede produtiva, que para ser mantida conta com mecanismos de força aceitos pela sociedade (FOUCAULT, 2001). A questão a ser entendida é:  o   poder produz  essa violência desenfreada, e ela deve ser  encarada como um dos resultados  do avanço irrefreado do capitalismo, que faz com que os homens percam a consciência de si, se deformem, se massifiquem e se barbarizem, tornando-se semelhante a uma mercadoria. Com isso, nas palavras de Marx, com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. (2) 
Tal manicômio, que se transformou a sociedade moderna,  pode ser visto como um espaço de violência  e poder,  na medida em que ele  utiliza dessa violência como um mecanismo de controle  e regulador do comportamento dos cegos, que somos nós, que uma vez  enviados e esse manicômio social,  somos postos ao esquecimento. Esse esquecimento só e interrompido vez ou outra  pelo som de alto-falantes (televisão, internet) que ressoam as normas no interior desse  manicômio  e que  ditam as ordens do Governo. Isso  revela que o poder e a crise  sempre andam juntos para produzir a violência e o esquecimento. Nesse sentido, o vínculo entre verdade e poder, tal como apresentado neste artigo, é capaz de gerar uma certa cegueira social, na medida em que os indivíduos não promovem contestações a respeito desse vínculo.                      
Dessa maneira, a narrativa em questão gera reflexões a respeito da falta de consciência humana em relação à ligação entre os seus direitos e os mecanismos de poder. Em vista disso, as regras do que é humano são quebradas, em nome do abuso da força pelo mais forte, fazendo com que o instinto de sobrevivência tome conta do próprio homem e o resultado e a barbárie.





[1] MARX, Karl. Manuscritos Econômico- Filosóficos. Lisboa: Edições 70, 1963.
[2] IDEM 



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Estou veho

Eu devo estar muito velho....

Por;  Alacir Arruda

E mesmo velho,  acabo de cometer mais uma insanidade! Descobri que ainda sou capaz de influenciar pessoas,  de me  comover e de me emocionar. A primeira colocada no Simulado ENEM mais concorrido de SP promovido pelo Sistema Anglo de Ensino (onde trabalhei por 6 anos) e o Cursinho da Poli/USP - que oferece uma bolsa na Universidade de Madri ao 1 colocado -   foi minha pupila.... Minha aluna durante  três anos; Carolina Mayumy  Roncatto 18 anos. A menina fez 945 pontos de 1000 possíveis. Ao receber o premio  no auditório do curso de Direito do Largo São Francisco  da USP  a mesma resolveu discursar, segue abaixo o original que a mesma me enviou via e-mail.

 “Senhoras e Senhores – Boa Noite-.  Sinto-me honrada e agradecida por estar aqui nesse momento. Agradeço ao Banco Santander pela Bolsa na Universidade de Madri, ao Curso da Poli e ao Anglo pelo patrocínio e ao Governo do Estado pela iniciativa de realizar um simulado desse porte, o maior do Brasil. Eu poderia ficar aqui horas agradecendo pessoas  importantes,  que de uma forma ou outra, colaboraram para que eu atingisse esse objetivo. A começar pelos meus pais, aos quais agradeço a dádiva de estar viva. Mas vou lembrar de alguém muito especial na minha vida.   Esse prêmio só foi possível porque tive um professor que se  tornou referencia na minha  vida, não por ser o protótipo do que seja o correto, mas, justamente,  por desconstruir toda essa visão antiquada de educação que hoje se prática no Brasil. Um cara culto e engraçado ao mesmo tempo, que   tem o século XX na cabeça ano a ano, mas insiste em dizer que isso de nada vale sem uma profunda reflexão critica sobre os fatos. Que dá  a melhor aula de Geopolítica do mundo ( só quem  assistiu sabe o que estou dizendo). Que, apesar de Doutor,  é o cara mais simples que já vi na vida. Que ensina história como poucos e na sociologia é imbatível.  É um admirador declarado de Schopenhauer e Nietzsche e,  na filosofia, chega a ser perfeito, pois consegue engendrar, mesmo aos mais ignorantes, a noção do que seja razão.     Um cara que saiu  lá dos  dos rincões do Mato Grosso para explorar a “selva de pedra”  que é São Paulo,  caso raro de persistência. Um cara incompreendido por muitos, algo comum aos que pensam. Que é dócil (metido as vezes rsrs..) mas, apesar da aparente  cara de poucos amigos,  com seus 1,90 de altura (coisa que mais exaltava nas aulas),   ele consegue chorar com seus alunos a alegria de uma simples conquista, como  foi minha conclusão do Ensino Médio,  onde ele ostentou o Grau de Paraninfo. ... Sim tive a honra...... Fui sua aluna.......fui sua aluna por três anos  e aprendi com esse índio matogrossesnse que o essencial é invisível aos olhos...so pode ser visto pelo coração.. Obrigado Alacir....onde estiver, por todos os puxões de orelhas, as duras, com carinho, e os eternos  Planos  de Estudo. Obrigado  Alacir por certa vez ter me dito; “ ninguém passa por mim  impunemente”.  Eu sou a prova  viva  que não. Fui punida...punida  pelo seu conhecimento. Eu  consegui Alacir, consegui ...Medicina....na universidade de Madri com 100%  de bolsa, e saiba que 50% dela devo a  você.  Vou estudar na Europa, como você sempre nos ensinou,  o berço do conhecimento Ocidental.. Serei médica cardiologista, como sempre disse a você. E digo mais, vou descobrir a cura para o seu coração... acredite...

São Paulo 28 de setembro 2013...Auditório XI de Agosto – USP-   21h30


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

porque somos assim

Desde muito jovem uma coisa sempre me chamou atenção em nosso país;  de onde vem nosso jeitinho, nosso modo de falar, nossa malandragem? Depois de mais uma temporada de escândalos políticos Brasil afora, a discussão em torno da origem do caráter nacional está de volta.  Em função disso, e  como sociólogo, fui buscar nessa ciência as explicações para que possamos entender esse fenômeno.
Afinal, quem somos nós, os brasileiros? À primeira vista, a resposta para essa pergunta é fácil: somos o produto da miscigenação entre os colonizadores portugueses, os índios que aqui viviam e os africanos trazidos como mão-de-obra escrava, além dos imigrantes que chegaram entre os séculos 19 e 20 (alemães, italianos, japoneses).  Até aí, tudo bem. Somos, enfim, um povo mestiço genética e culturalmente que, apesar da diversidade, compartilha certos traços em comum.
A questão, porém, fica um pouco mais complicada quando se trata de buscar a essência do que se convencionou chamar de caráter nacional, aqueles traços que explicam uma série de comportamentos que costumamos encarar com naturalidade, mas que, quase sempre, causam surpresa entre os estrangeiros.
“Não é só um estereótipo. As pessoas aqui se relacionam com mais afetividade. Os brasileiros conversam na rua, enquanto na Europa o silêncio predomina nas estações de ônibus e metrô”, diz o jornalista espanhol Juan Arias, que há 7 anos vive no Rio como correspondente do jornal El País. “Mas fiquei chocado com a burocracia kafkiana para tirar o visto de permanência após casar com uma brasileira. Foram mais de 600 dias de espera, 6 quilos de documentos e a insinuação de que tudo poderia sair rapidamente se pagasse 8 mil reais”,  afirmou Árias ao deparar com a nossa já famosa “Burocracia”.
Brooke Unger, correspondente da revista inglesa The Economist, em São Paulo, é mais um que se diz a um só tempo encantado e estarrecido com certos traços do povo brasileiro. “Quando cheguei ao Brasil pela primeira vez, vi garis em um desfile pelas praias do Rio, numa cena impensável para um americano”. Em compensação, ele diz não entender a espécie de amnésia coletiva diante de casos graves de violência e impunidade. “A maioria dos brasileiros sabe mais sobre o atentado terrorista do dia 7 de julho, em Londres, do que sobre a chacina na Baixada Fluminense que matou 29 pessoas no dia 31 de março”. Afinal somos o quê? Criativos ou enrolões, extrovertidos ou indiscretos, cordiais ou malandros, maleáveis ou corruptíveis?
Em 2011 houve  uma enxurrada de denúncias de corrupção no governo Dilma – com direito a queda de 7 ministros e  outros ainda   estão a perigo – a discussão sobre do nosso caráter volta à berlinda. De onde vem nosso jeitinho, nossa informalidade (aqui, até um ex-presidente da República era tratado pelo apelido), nossa naturalidade diante da miséria, nossos preconceitos, nossa capacidade de depositar fé em mais de uma religião?
O que mais impressiona quem não e brasileiro são os porquês?  Por que aceitamos ônibus lotado  que mais parecem gaiolas de bois? Por que aceitamos a maior carga tributaria do Planeta, quase 40% do PIB? Por que aceitamos Jose Sarney na politica desde 1954 comandando o Maranhão e o Amapá como um Caudilho? Por que aceitamos hospitais abarrotados de miseráveis morrendo a míngua  em cenas que lembram os sanatórios religiosos  da Idade Media? Por que aceitamos, apesar de emergente, ter  a  terceira pior educação do mundo,  em que  o governo finge que paga, o professor,  finge que ensina, o aluno finge que aprende e a sociedade finge que esta tudo bem? Por que a nossa policia mata mais inocentes que países em Guerra?  Por que somos omissos ao descaso com nossos idosos, prostituição infantil, violência contra a mulher e a criança ? Por que aceitamos um governo que comandou uma desfalque de quase 400 milhões dos cofres públicos (mensalão)?  Porque..porque??
Aqueles que gostam de entender o Brasil, se lembrarão que no século XX, livros como Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Júnior, tentaram responder a algumas dessas perguntas. Mas as interpretações clássicas sobre o que é o brasileiro seguem válidas hoje? “A base dessas interpretações ainda é essencial, mas é preciso lembrar que o chamado caráter de um povo é algo que muda a cada instante”, diz a antropóloga Lilia Schwarcz, da USP.
Se o Brasil e, por extensão, o brasileiro “não é para principiantes”, como disse Tom Jobim,  com ajuda de alguns dos principais especialistas em nossas origens, temos hoje um guia para entendermos mais por que somos assim , ou seja, a  genética do jeitinho  brasileiro cuja a melhor definição que ouvi é  que a corrupção esta em nosso DNA.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Dicas ENEM

DICAS DO ENEM 2014

Por Alacir Arruda

Você, que esse ano  prestará o ENEM pela primeira vez  ou  já e veterano no exame,  segue alguns conselhos:
·        -O ENEM é um exame totalmente diferente de tudo que você conhece em termos de avaliação, visto que ele não mede apenas o  conhecimento cognitivo e  sim a capacidade e que você  tem de fazer uma leitura do mundo onde vive  a partir de  competências e habilidades que são aferidas durante toda a sua vida.
·          -O ENEM, ao contrario de outros exames vestibulares,  não admite chute, ou seja,  se você não sabe um Item (como são chamadas as perguntas)  é melhor deixá-lo, partir para outro, chutar sempre a  ultima opção. O ENEM é corrigido a partir de uma  metodologia denominada T.R.I (Teoria de resposta ao Item) que parte do principio que um aluno que acertou algumas questões difíceis obrigatoriamente tem que acertar as fáceis, caso contrario o TRI entende que o aluno chutou, logo, sua nota cai ao quadrado. Lembrando que existem três tipos de Itens, Fáceis, Médios e Difíceis, sendo que os  difíceis  o grau de acerto nos últimos ENEMs são de apenas 15%.
·        -Outra característica própria do ENEM é o tempo da prova. Costumo sempre brincar com meus alunos comparando o ENEM a uma maratona, nenhum atleta se prepara para correr 42 km em uma semana, um mês, na verdade o maratonista se prepara todos os dias durante o ano inteiro,  em função disso,  encarem o ENEM como essa maratona. São dois dias de provas com 4 horas ou mais onde você não pode ficar levantando,  olhando para os lados, conversando e ainda tem que responder 90 Itens. A melhor opção é fazer simulados com tempo da prova durante o ano e , durante esses simulados,  verificar e quantificar quais são as suas grandes dificuldades, inclusive físicas.  Saiba que são 6 milhões de inscritos em todo o Brasil ,  4 milhões fazem a prova, desses 4 milhões  menos de 15% estão realmente preparado para  exame, esse é o seu concorrente.
·     -Outra dica, e essa eu  julgo  a mais importante, é o aluno estar atento a tudo que ocorre no mundo, não apenas a noticia em si, mas a fundamentação daquilo que ocorreu, ou fato. Por exemplo, um tema que todos os anos cai, de uma forma direta ou indireta no ENEM, é o conflito Israel X Palestina Alguns alunos pensam que sabem porque o professor de história de geografia comentou isso em sala de aula, porem o ENEM tende a  colocá-los   em situações problema. E necessário que o aluno  procure a causa desse conflito em todos seus momentos históricos e não somente, após a fundação e Israel 1948, onde esse conflito se acirrou. Esse conflito  é antigo e faz se necessário uma visão mais ampla dele. Outro tema muito comum em ENEM, é a discussão sobre a  hegemonia norte americana pós II Guerra Mundial. Todo aluno costuma dizer que sabe, mas  na verdade ele não entende os fenômenos  internos que fizeram daquele pais a maior potencia do mundo, do ponto de vista político, econômico e social. Em suma, é aquilo que  eu disse, ampliar  a sua visão de mundo pois todas as disciplinas do ENEM recorrem a esses fatos  para compor seus textos interdisciplinares.
   -Prometo continuar dando dicas, postando simulados e  os conteúdos  que serão cobrados.  Um ultimo lembrete, e fundamental que o aluno crie uma Plano de  Estudos  que seja cumprido sempre no contra turno das aulas. Colocarei um modelo no Blog.