quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

40 anos sem Clarisse

"LIBERDADE É POUCO: O QUE EU DESEJO AINDA NÃO TEM NOME".
                                                                                                       (Clarice Lispector)

Por Alacir Arruda

Clarisse Lispector em sua biblioteca 1972

Esse ano lembramos os 40 anos da morte de Clarisse Lispector, essa escritora não foi considerada apenas uma mulher linda e a maior escritora brasileira da segunda metade do seculo XX, quarenta anos após sua morte Clarice desfruta hoje de uma enorme fama na internet, transformada em um ícone da autoajuda adolescente. Para seus leitores mais sérios, os que defendem que arrancar suas frases do complexo e delicado contexto ao qual pertencem equivale a tirar sua alma, é apenas uma anedota ignominiosa. Para alguns jovens, é o que Lispector sempre foi. Mas também é um sintoma do complicado legado que a própria escritora, que nunca mostrou o menor interesse pela vida pública, deixou em seu país. “Clarice vive hoje um culto de sua imagem, mais do que de sua literatura”, destaca  Yudith  Rosenbaum, professora de literatura brasileira da Universidade de São Paulo e autora de dois livros sobre a escritora. “Por ser uma mulher que não concedia  entrevistas,  ter se isolado e cercado sua vida de mistério e por preferir o silêncio às falas vazias, a escritora criou ao redor de si uma aura de inacessibilidade ao lado de uma legião de fãs idólatras". Ao longo das décadas, Lispector se transformou em um fenômeno muito difícil de ignorar, mas isso só piorou o problema da marca deixada na literatura brasileira por alguém tão difícil de classificar.

Acaba sendo difícil para falar de Lispector,  porque suas obras parecem passar por cima da realidade terrena. Certa vez, corria o ano de  1969, Clarisse dedicou algumas das crônicas que escrevia no Jornal do Brasil ao tema da violência policial  (porque dias antes policiais haviam disparado 13 vezes contra um bandido famoso). Seu último romance, A Hora da Estrela, fala de uma garota que, assim como ela fez, viaja do Nordeste ao Rio de Janeiro. E nada mais. Em quase 40 anos de produção, não há mais referências explícitas ao lugar nem à época que a rodeavam. Rosenbaum fala de uma referência implícita em alguns textos. “Ao tratar da mulher e do feminino em suas relações familiares nas décadas de 50 e 70 no Brasil – e poucos escritores o fizeram com tamanha profundidade – distingue-se o vínculo paradoxal da patroa com sua empregada, essa íntima estranha que habita o lar, misto de pertencimento e exclusão. Há várias crônicas de Clarice, publicadas no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, que trazem experiências da própria escritora com suas empregadas, cujos processos de espelhamento e diferenciação entre ambas revelam conflitos de classe, mantidos em surdina na cultura brasileira”. A acadêmica lembra que, no romance A Paixão Segundo G.H., o enredo é ambientado no quarto da empregada.

Da esquerda à direita, Mania Krimgold, Elisa, Clarice, Tania e Pinkhas Lispector 

Quase tão inútil como tentar rotulá-la pelo conteúdo de seus textos é estudar sua forma. Seu estilo, entre a poesia e a prosa, de pintar os detalhes cotidianos de espiritualidade e de usar a primeira pessoa em histórias em que ela não é um personagem, mais a afasta do que a aproxima de seus contemporâneos: não se parece com ninguém e sua visão não lembra nenhum movimento. “Ela se diferenciou do neo-regionalismo dos anos trinta, que dominou boa parte do período literário em que surgiu. Mais afeita às influências do romance  introspectivo ou intimista, herdeira da prosa de ficção católica francesa, Clarice ainda assim não se vincularia inteiramente a nenhuma dessas duas vertentes,” avalia Rosenbaum. Benjamin Moser, autor de Clarice, a biografia que em 2009 galvanizou a fama internacional da escritora, também resiste à classificação: “Ler Clarice é uma experiência muito pessoal. Falar dela no código nacional ou acadêmico é uma péssima ideia, é permitir que um grupinho sem imaginação enterre uma artista em um túmulo empoeirado”, afirma. “Clarice é melhor descrita como uma amante com a qual alguém tem momentos de luz, de amor, de sexo e de morte. Isso soará exagerado para aqueles que não a leram, mas, para aqueles que sim, parecerá óbvio e até mesmo um pouco limitado.”

Lispector morreu em 1977. Sua influência sobre futuros escritores do país acabou por ser mais problemática do que o esperado. Muitos tentaram ocupar seu espaço e, durante anos, proliferaram imitações de seu estilo: algumas excessivamente místicas, outras simplesmente impenetráveis. Outros escritores fugiram de sua temível sombra. Caio Fernando Abreu , um escritor dos anos setenta e oitenta que hoje também passa por um revival, 20 anos após sua morte, recusou-se a ler a obra de Lispector para não se contaminar. Não foi o único. “Um jovem escritor de São Paulo me disse que, depois de Clarice, muitos brasileiros sentiram que não tinham nada a dizer”, lembra Moser.

Ao mesmo tempo, a visão universal de Lispector ajudou sua obra a ganhar terreno no exterior. Em 1954, foi publicada na França a primeira tradução de um romance da escritora. Em Nova York , o primeiro foi lançado em 1964; já nos anos oitenta, os títulos em inglês haviam se multiplicado. A editora Schöffling & Co. comprou os direitos em alemão, e a Siruela fez o mesmo em espanhol. “Ela sempre foi uma figura de culto, mas apenas entre os especialistas, como um segredo bem guardado. Foram as traduções e o interesse que começou despertar no exterior que a transformaram em um fenômeno brasileiro”, opina o editor e escritor Pedro Correa do Lago. O prestígio de outros países completou a equação. Com um estilo tão peculiar que se limitava à sua obra, tendo cultivado muito pouco sua faceta pública e com seu nome mais endossado pelo estrangeiro do que pelo próprio país, Clarice Lispector passou a ser uma figura de culto. Mais algumas décadas nesse caminho e estaria protagonizando memes para a próxima geração.

Pelo menos por enquanto, desde que sua presença permaneça relativamente próxima no tempo. Seu valor para o país é claro: “É, juntamente com Guimarães Rosa, a grande escritora da segunda metade do século XX”, diz Corrêa do Lago. Talvez seja questão de que, com o tempo, acabe encontrando um espaço que não dependa de representar ou não a mentalidade brasileira. “E Shakespeare representava a mentalidade inglesa? Ou Miguel de Cervantes, a espanhola? No início, claro que não: eram simples escritores, e Dom Quixote poderia ter sido escrito na França tanto quanto Hamlet poderia ter sido escrito na Itália”, protesta Moser. “Mas os grandes artistas sabem projetar, de uma maneira muito estranha, uma visão muito excêntrica e pessoal sobre os falantes de todo um idioma, e também sabem fazer com que acreditem que essa visão é sua. Assim, é impossível imaginar a lingua espanhola  sem Cervantes,  o inglês sem Shakespeare, e o português sem Clarice.” 

Leiam Clarisse Lispector e se libertem!!!

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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Os mais iguais

PORÉM, NO BRASIL EXISTEM OS MAIS IGUAIS...

Por: Alacir Arruda

Tenho certeza que todo brasileiro, em algum momento da vida, já ouviu a seguinte frase: Todos somos iguais perante a lei: seja em meio a uma discussão de um direito, uma brincadeira entre amigos, análises jornalísticas nem sempre tão embasadas, entre outros momentos. Contudo, nos cabe fazer uma pergunta: será que realmente todos são iguais perante a lei?

O principal embasamento para a frase “todos são iguais perante a lei” é o princípio constitucional da isonomia, também chamado de princípio da igualdade. Veja o que diz o “caput” do art. 5º da Constituição Federal (CF):

“Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”.

Pela simples leitura do artigo constitucional, temos a impressão de que cada cidadão residente no Brasil deve ser tratado de maneira igual independente de sua condição econômica, raça, credo, sexo, e assim por diante. Contudo, não é o que ocorre na prática e isso, nem sempre, é motivo de preocupação ou algo ruim.

No passado,  o grande e saudoso Ruy Barbosa já dizia que a regra da igualdade é tratar desigualmente os desiguais na medida em que se desigualam.  Você pode estar pensando agora: como assim, tratar desigualmente os desiguais se todos são iguais perante a lei?

De forma simples, sem aprofundar em questões filosóficas ou profundamente jurídicas, o princípio da isonomia e o nobre Ruy Barbosa querem dizer é que a verdadeira desigualdade seria tratar igualmente aqueles que são desiguais. Veja um  exemplo que pode facilitar a sua compreensão.

No Brasil as universidades federais são consideradas as melhores nas  avaliações do MEC,  disso ninguém tem dúvidas, logo, a concorrência nessas instituições é  muito grande. Até ai tudo bem. O problema  começa quando visitamos um curso de medicina em uma instituição federal e concluímos que,mais de 80% dos alunos ali matriculados  são filhos de "ricos", ou seja, grande parte deles vem de famílias abastadas que possuem condições financeiras de pagar as  mensalidades. Todavia, assegurados por esse principio constitucional,  eles tem todo o direito de estudar de graça e se alguém for questioná-lo,  com certeza ele  dirá: "estou aqui porque todos  somos iguais perante a Lei , não é razoável me excluir  em razão de minha condição social, eu não pedi para nascer rico".   

Bingo!!!....Se você pensou o mesmo que eu,  acertou.  É ai que se fundamenta  o comentário de Ruy Barbosa, para ele,    a verdadeira desigualdade é  tratar  como igual  aqueles que, por diversas razões,  são desiguais. Podemos concluir então que toda igualdade é uma utopia.

E porque digo isso? A grande questão no caso acima exposto, é que o  filho de rico no Brasil não estuda  nessa escola  pública  completamente sucateada onde o processo de ensino-aprendizagem funciona a partir da seguinte máxima: " o governo finge que paga, o professor finge que ensina, o aluno finge que aprende e a sociedade finge que esta tudo bem. Em suma, é uma sequência de fingimentos.  O filho de rico estuda em escolas particulares com mensalidades  altíssimas e toda uma sistemática pedagógica  como:  natação,  lutas marciais, aulas de reforço, lousas digitais, salas de informatica de ultima geração, aprofundamento de conteúdos  e professores de plantão, psicopedagogos, psicólogos etc.. voltadas  para que esse individuo seja aprovado nas melhores universidades e institutos como ITA e IME. Qual a chance do filho de pobre? Nenhuma! Salvo quando aparece algumas aberrações da natureza que  quebram esse paradigma conseguindo, mesmo vindo de escola pública, entrar em medicina nas federais, mas isso é raríssimo.

Se você fosse um estrangeiro e estivesse chegando no Brasil agora  e lesse o texto  do art. 5 da Constituição pela primeira vez, não tenho e menor  dúvida que  ficaria encantado(a) com o Brasil. Pensaria imediatamente: como deve ser bom viver num país como este, onde não há distinção entre homens e mulheres, onde todos têm o direito de viver livres, com segurança, propriedade garantida e, sobretudo, com a igualdade de tratamento que todos sempre sonharam, independentemente da crença religiosa ou convicção filosófica e política.

Pena que a teoria, na prática, nos mostre um quadro bem diferente. Darei  mais alguns exemplos;

Em novembro de 2011 o então  presidente do Supremo Tribunal Federal - STF e do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, Cezar Peluso, determinou que fossem retiradas da internet as iniciais dos nomes de juízes que na época estavam  sob investigação por desvios éticos/administrativos e até crimes. O próprio Peluso, antes de assumir a presidência do STF,  ordenou a divulgação destes mesmos dados como forma de dar mais transparência ao trabalho das corregedorias dos tribunais na apuração de processos contra magistrados.

O que mais chama atenção nesse caso é que essa suspensão ordenada por Peluso  atendeu a um pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB, que entendeu que a divulgação das iniciais dos nomes dos juízes investigados vinha causando "constrangimentos" a eles, que podiam ser facilmente identificados. ....It Is Brazil....

Cerca de um mês depois dessa ordem de Peluso, no dia 20 de dezembro, em entrevista coletiva, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, falou sobre as investigações que revelaram as quadrilhas de advogados fraudadores que atuavam no Judiciário Fluminense. Foi um espetáculo completo, onde presentes estavam também três dos sete magistrados integrantes da comissão que apura as fraudes. O desembargador Manoel Alberto explicou que a organização das quadrilhas é muito maior do que se pensou inicialmente. De acordo com ele, “somente um advogado tinha cerca de 18 mil ações em andamento, todas falsificadas", e um "outro casal de advogados tem 7 mil processos em seus nomes". Ele acredita que os grupos mencionados "atuavam há pelo menos dois anos no Rio”.

Até aí, nenhuma novidade, até porque o fato já vinha sendo divulgado pela imprensa carioca há algum tempo. O problema vem agora: 

Durante a entrevista, com toda a pompa que o momento recomendava, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos esclareceu que os advogados tiveram a prisão preventiva decretada e divulgou suas identidades. Estão cravados no site do TJRJ os nomes dos dez advogados investigados, que eu não vou declinar pela mesma razão sustentada pela Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB, qual seja, a possibilidade de que tal divulgação venha a causar constrangimentos aos investigados. 

Faço questão de esclarecer, para começo de conversa que,  torço para que esses advogados, se considerados culpados, sejam metidos na cadeia, o mesmo destino que deveriam ter juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores e integrantes da classe política que a todo momento são destaques nas páginas policiais de todo o país.  Mas não e razoável  concordar com a desigualdade de tratamento. Juízes e desembargadores que têm contra si procedimentos investigatórios devidamente instaurados e em curso, não podem ter as iniciais de seus nomes divulgadas, mas os advogados supostamente envolvidos nas fraudes noticiadas, que sequer foram denunciados pelo Ministério Público, têm seus nomes completos divulgados numa entrevista coletiva e estampados no portal da instituição encarregada da apuração dos ilícitos. Por que é que o vento que venta lá não venta cá?

É claro que a tão sonhada "igualdade" entre os humanos jamais haverá. Ninguém é burro o suficiente para ficar imaginando essa possibilidade. Mas a Constituição Federal não é um sonho. Ela existe! Por que justamente os juízes insistem em rasgá-la?

Será que o art 5 da nossa Carta Magna é um direito uma sentença?

Quando um  mortal comum , como eu muitos, responde a um processo criminal, seja ele culpado ou inocente, as páginas de consulta do Google e dos tribunais brasileiros estampam  fotos,  número do processo, a vara de origem, seu nome completo (e não apenas as iniciais) e a capitulação do delito em apuração. A partir dessa execração pública, nem é preciso enumerar os problemas que esse cidadão, repito, culpado ou inocente, tem que enfrentar, principalmente no momento de buscar uma ocupação profissional.

Você ainda lembra daquele papo bonito logo no início do texto sobre a Constituição Federal? Esqueça! Essa tal de igualdade nunca existiu, nem jamais existirá, principalmente quando  está em jogo os interesses de cidadãos tão desiguais em direitos e obrigações como desembargadores e magistrados e a classe dos advogados ou o aluno da escola privada com aqueles de  escola publica, ou ainda, quem tem Bradesco Saúde, com aquele que chega as 4 da manhã na fila do SUS..Enfim, eu poderia ficar aqui escrevendo por dias  algumas dessas disparidades no país da coisa errada,  mas opto por  ficar por aqui. Termino usando uma célebre frase escritor britânico George Orwel,  que certa vez afirmou: " Todos são iguais perante a Lei, porém, existem os mais iguais"...


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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Concursos?

CONCURSOS: UMA MÁQUINA DE EXCLUSÃO SOCIAL...

Por Alacir Arruda 

Em épocas de reforma de previdência, onde o pais discute uma reestruturação da coisa publica, os altíssimos salários dos servidores públicos vem a baila. Não é de hoje que defendo fim dos concursos públicos e vivo recebendo "paulada" por pensar assim, mas não recuo um milimetro naquilo que acredito. Concursos Públicos no Brasil são voltados para quem tem tempo e dinheiro para pagar bons e caros cursinhos, eles não foram feitos para escolher os melhores candidatos. Essa não é apenas a minha opinião, também pensa assim o professor doutor de Direito da FGV Rio, Fernando Fontainha, crítico voraz desse sistema que não filtra os melhores para ocuparem cargos públicos no País.

Para esse acadêmico, a ideologia concurseira que se firmou ajuda a alimentar uma "indústria milionária de cursos preparatórios e um sistema de arrecadação que desvirtuou os processos seletivos". Boa parte destas críticas está num livro lançado há dois anos chamado:  “Processos Seletivos para a Contratação de Servidores Públicos: Brasil, o País dos Concursos”. Essa obra é fruto de uma pesquisa do Centro de Justiça e Sociedade da FGV Direito Rio em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF). No livro, Fontainha propõe criar um marco regulatório para mudar radicalmente os critérios de seleção de funcionários públicos no Brasil.

O professor propõe ainda, entre outras ideias, abolir as provas, inscrições etc...Nesse estudo, ele apresenta exemplos de provas em 20 órgãos federais, entre eles Banco Central, INSS, Polícia Federal e Receita, orgãos que pagam acima de 15.000 inicial, um acinte num pais onde a renda media da população não passa de 1.800,00 e mais de 20 milhões vivem abaixo da linha de pobreza com menos de 1 dólar ao dia. A impressão é que temos dois Brasis, um para massa desvalida e desprovida do minimo e outro daqueles que moram em condomínios fechados  e isolados da plebe.   Grande parte desses moradores são   servidores públicos e se enquadram numa nova denominação de classe:  os " New Rich", ou novos ricos que, seguros por uma estabilidade maléfica, desfrutam uma realidade paralela no país da coisa errada.

O grande questionamento que fazemos é que os  concursos no Brasil são autocentrados, voltados para si mesmos. Neles, impera a ideologia concurseira, que acontece em enorme prejuízo do serviço público brasileiro, sem dúvida alguma. Eles servem para selecionar os que mais se prepararam para as provas, e não os mais competentes. Isso reflete na qualidade dos serviços públicos no Brasil.

O ideal é que fossem usadas  duas maneiras de se averiguar os candidatos mais competentes: de forma profissional ou acadêmica. Proponho a criação  de um novo marco regulatório, com 10 itens que passam pelo fim das provas de múltipla escolha e pela necessidade de expor as habilidades e competências exigidas pelas carreiras já no edital.

E porque acabar com as  provas de múltipla escolha? Com certeza, esse tipo de prova não avalia ninguem, é uma prova cheia de macetes. Ela averigua capacidades completamente desligadas das competências acadêmicas. Não são provas de múltipla escolha que os alunos estão acostumados a fazer na faculdade e não elas não vão definir o que farão na carreira. As questões de múltipla escolha não avaliam nem competências acadêmicas, nem profissionais. Esse é o problema. Todo mundo sabe como se treina para essas provas em cursinhos. Você pega os truques e técnicas para escapar das pegadinhas.

Outra ideia é a criação de uma prova prática. O médico do Ministério da Saúde faz apenas uma prova de múltipla escolha para ser admitido. A única exigência é de que ele seja bacharel em medicina. Isso é no mínimo questionável. Mas não quero parecer elitista.

O cargo de técnico do INSS, que pede ensino médio, e que em 2012 recebeu quase um milhão de candidatos, é alguém que fica atrás do balcão atendendo pessoas. Ele é avaliado por uma prova de múltipla escolha, com questões de direito previdenciário, português, informática. Mas a competência fundamental pra prestar um bom atendimento público não é avaliada, apesar de ser fundamental.

Escolhendo alguém com experiencia previa seria uma solução simples pra diminuir essa quantidade alucinante de inscritos e, com certeza, aumenta as chances de contratar pessoas que vão prestar um bom serviço. Exige que, para se inscrever, a pessoa comprove que tem cinco anos de experiência com atendimento ao público. Isso não é elitista, pelo contrário. Você exige que a pessoa demonstre que durante cinco anos ela foi caixa de supermercado ou balconista de farmácia por exemplo. Aquele sujeito que hoje tem condições de ser liberado para se preparar para os cursinhos não vai poder concorrer ao cargo, por exemplo.

O concurso público hoje é uma máquina de exclusão social, e não de inclusão. Esse sistema é voltado para quem tem tempo e dinheiro para pagar um bom cursinho. Pra quem pode pagar um bom colégio, que já no ensino médio ministra disciplinas para preparar o seu filho para os concursos da administração pública. Esse é um dos reflexos perversos da ideologia concurseira. Pra fazer cursinho, você precisa ter tempo e dinheiro. E ter tempo é poder não trabalhar. O brasileiro que sai do ensino médio e precisa trabalhar estará concorrendo em desvantagem com alguém que pode ficar só em cursinhos. É uma máquina de injustiça social.

Para essa máquina poder funcionar, é preciso haver um contingente enorme de pessoas que não param de fazer provas, uma atrás da outra. A ideia de vocação, de desejo de um cargo desaparece diante da ideia de que se vai sair fazendo vários concursos por aí, até passar em algum. Isso é ser um concurseiro profissional, faz parte da sua ideologia se inscrever para todos os cargos que puder. Ele não sabe se gostaria de trabalhar com previdência ou ser policial. Mesmo que não queira fazer aquilo da vida, vai pelo salário, pela estabilidade e por outras vantagens que a vida de funcionário público oferece.

Uma das soluções é que  o candidato não possa prestar mais de três vezes o mesmo concurso. Isso ja acontece na França, Alemanha,  Inglaterra e USA. Você só vai se inscrever se achar que tem condições reais de passar. Vai acabar com essa coisa de prestar por prestar. E inverte essa relação de cliente que existe nos concursos. Quando você instaura uma taxa, está privatizando a relação. Por isso é um problema grave no Brasil. O que se discute hoje não é a qualidade do serviço público e do recrutamento, mas o rol de direitos dos concurseiros. Acho que tem que haver esses direitos, mas o foco do concurso é pensar num recrutamento que vai ampliar a qualidade da prestação do serviço público. Esse deveria ser o foco principal.

E  antes que você destile seu veneno,  gostaria de deixa uma coisa bem clara:  eu não tenho nada contra os servidores públicos, até porque eu também  ja fui,  e por vários  anos,  tanto estadual quanto federal. Federal  cumpri 4 anos e estadual foram 12 e gostei do que fiz, quando vi que  aquilo não me acrescentava mais nada, resolvi sair.  O que critico é essa ideia ultrapassada de que o Estado é  uma grande vaca leiteira  responsável por mim, onde milhares se digladiam atrás de uma teta para mamar..... Em países sérios estaríamos criando algo novo  e empreendendo e não engordando atrás de uma escrivaninha sob a égide da estabilidade.

  Seja comum, aproveite para baixar a lenha...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A mordaça na educação

A EDUCAÇÃO E SUA MORDAÇA..

Por Alacir Arruda

Durante 24 anos estive dentro de uma sala de aula, tive a honra de ministrar aulas para alunos desde a 5 serie a programas de mestrado e doutorado, passando ainda  pelo ensino médio e universidades. Durante esse período nunca escondi para meus alunos,  minhas convicções ideológicas, sem com isso doutriná-los. Venho de uma formação marxista  e durante minha adolescência, e grande parte da juventude, militei em movimentos comunistas,  como a Ala Jovem do PCdoB  no final dos anos  80 e principio dos 90. Eu era um menino, um jovem com ideais libertários e, como muitos daquele período,  acreditava que o comunismo seria a solução para esse mundo.  Assisti ao vivo a queda do Muro  de Berlim em 1989,  o fim da URSS em 1992 e os conflitos nos Bálcãs. Mesmo carregando convicções de esquerda isso não me impediu de dar aulas em varias instituições confessionais  católicas  e protestantes  em SP e RJ, até no famoso seminário Santo Afonso em Aparecida-SP trabalhei ministrando filosofia na formação de sacerdotes. Apesar de um rebelde confesso,  nunca admiti que  secretarias de educação, diretoras de ensino,  diretores ou coordenadores de escola  interferissem em minhas estrategias pedagógicas.

Mas recentemente tenho observado, com muita preocupação, as interferências do Sistema em estratégias usadas por alguns docentes. A repercussão de um  vídeo (https://goo.gl/JhAv21) em que alunos de uma escola estadual de Curitiba aparecem parodiando a música “Baile de Favela” em uma aula de sociologia  com conceitos marxistas como “ideologia”, “luta de classes” e “mais-valia”,   me chamou atenção. Em pouco tempo o vídeo viralizou e chegou até no radar de Rodrigo Constantino, ex-colunista da Revista Veja, que promoveu uma verdadeira cruzada contra a professora responsável, que foi acusada por esse jornalista de  praticar a “doutrinação” dos alunos. Constantino a chamou de safada e bandida intelectual. Ela acabou sendo afastada porque, segundo a direção, expôs os adolescentes e difamou a instituição. Pode isso?

Apesar de pedagogicamente injustificável e legalmente insustentável, o afastamento da professora foi necessário para revelar a verdadeira face do movimento Escola Sem Partido, que majoritariamente o comemorou com entusiasmo — o próprio Constantino é um dos seus adeptos.  Digo isso porque ainda há quem caia no conto de que o propósito dessa asneira aí, como bem definiu o historiador Leandro Karnal, é garantir a pluralidade do ensino formal. Não é. Nunca foi. E eu explico:

Se o problema com a aula fosse a ausência de pluralidade, ninguém exigiria o afastamento da professora e nem ficaria escandalizado com a abordagem marxista, mas cobraria, no máximo, um trabalho semelhante com outros sociólogos clássicos como, sei lá, Comte, Durkheim e Weber. A cobrança seria questionável, afinal há sociólogos demais para que todos sejam contemplados num ano letivo, mas seria pelo menos compreensível e coerente com a propaganda da proposta de uma escola mais plural.

Não é de pluralidade que estou falando, mas de censura. E esse é, evidentemente, o primeiro motivo pelo qual me preocupo com a interferência em sala de aula. A rigor, são profissionais muito pouco familiarizados com as Ciências Humanas que se sentem no direito de determinar o que é e o que não é legítimo ensinar em sala de aula. O que estamos prestes a assistir não é muito diferente do que se viu em experiências totalitárias, quando alunos eram estimulados a denunciar, pelo bem da nação, professores alinhados à esquerda. Hoje a professora é afastada. Amanhã é o quê? O que basta para saciar a sanha persecutória da nova direita brasileira? O mais curioso disso é que Rodrigo Constantino e a imensa maioria dos entusiastas do movimento Escola Sem Partido se intitulam “liberais” — de fazer inveja aos republicanos, nos EUA dos anos 1920, diga-se.

Mas não é só isso. Se você assistir ao vídeo em que os alunos cantam a versão marxista de Baile de Favela, não vai ser capaz de diferenciá-lo de outros que se veem por aí de professores que ensinam fórmulas químicas ou matemáticas em cursinhos pré-vestibulares. Nas maiores escolas particulares do país, paga-se uma nota pela aula deles.

A única diferença aqui, e que torna a ação da professora ainda mais admirável, é que foram os próprios alunos que escreveram aquelas linhas. Os conceitos estão todos ali. É uma aula de Sociologia. Com a participação ativa e entusiasmada dos alunos. E só quem trabalha com adolescentes sabe o quanto isso é difícil. Estamos falando de um autor oitocentista sendo cantado por alunos do Ensino Médio. Um autor que está presente em todos os currículos de Sociologia do mundo e que vai cair em todos os vestibulares e ENEMs  que essa criançada irão prestar. Isso que está acontecendo é mais que macarthismo. É burrice. Os burros sequestraram este país. Por falta de aviso que não foi em 2001 eu avisei.....

O nome da jovem professora é Gabriela e mesmo sem conhecê-la já sou seu fã, visto que,  mesmo afastada do trabalho,  ela recusou a se dobrar a um sistema que mutila o professor não apenas financeiramente, com salários miseráveis, mas,  e sobretudo, intelectualmente. Em 1565, no Concilio de Trento,  a Igreja Católica Apostólica Romana retomou a Santa Inquisição, que havia sido abolida desde o seculo XIV,  a partir dai passamos a ver que eles  queimavam não apenas pessoas, mas também, livros e mentes, que o diga, Giordano Bruno, Galileu Galilei  e Isaac Newton. Gabi, a inquisição continua por ai instrumentalizando o sistema,   perseguindo e  aniquilando pessoas e carreiras, ela apenas mudou de tática, ao invés de queimar, ela  te persegue de tal forma  que um dia, sem saída, você acaba por desistir, como eu fiz. Lembre-se mocinha,  você é apenas mais uma vitima disso.  Força!!

Ah, os alunos não gostaram nada da decisão. Por isso organizaram protestos e abriram uma campanha que todos temos a obrigação de abraçar:

‪#‎VoltaGabi‬. É isso: volta, Gabi.


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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A maldade humana.

EU CONHECI A MALDADE HUMANA...


Por Alacir Arruda

Certa vez eu li que " o limite para  a maldade humana é a nossa imaginação", eu conheci essa maldade de perto e da pior forma. Acusado por alguns,  traído por muitos e esquecidos por outros. Não que isso tenha me surpreendido  pois,  enquanto  professor, sempre ensinei que o  ser humano é, por uma razão evolutiva, naturalmente mal. Esse traço, tido como um defeito pela maioria das sociedades contemporâneas, foi e será um fator único para o desenvolvimento social mundial.

Tal maldade, que surgiu com os nossos ancestrais, foi responsável pelo nascimento dos avanços estruturais em nossa realidade. Machadinhas, lanças, armadilhas, essas armas “ruins” possibilitaram a sobrevivência do homo sapiens através da dizimação de seus inimigos e, conseqüentemente, nos concederam a supremacia do reino animal.

É incontestável que o holocausto, o massacre de Ruanda ou políticos "canalhas"  que desviam dinheiro da saúde e educação são genocídios irracionais, incompreensíveis e injustificáveis. No entanto e,infelizmente,  graças  a existência dessa maldade, foram criadas tecnologias (bélicas, medicinais, anatômicas e espaciais) que revolucionaram a humanidade. Ou seja, a iniqüidade de Hitler foi, apesar de inaceitável, essencial para o progresso de grande parte dos homens.

O Filósofo inglês Thomas Hobbes ( 1588-1679)  no século  XVII já alertava que: " O homem em estado de natureza é Lobo do Próprio Homem".  Esse instinto de aniquilar o que (ou quem) se diferencia dos nossos objetivos e que pode obstruir o caminho para a glória desejada, é compreensível. Seria comum ver pessoas digladiando-se nas ruas e assassinatos indiscriminados por toda a parte, se não existisse o medo, consciente, da punição severa, terrestre ou divina, que sofreriam.

Conclui-se, portanto, que se todos os homens fossem “bons”, ainda estaríamos, provavelmente, morando em cavernas e vivendo primitivamente, pois a maldade é, apesar de paradoxal, fundamental para a evolução e continuidade da raça humana.

O grande problema é a  'banalização do mal", que hoje  se espalha pelo mundo. Chegamos a um momento histórico onde nunca se matou tanto e por nada.  A internet tem o mesmo poder que um fuzil ao destruir carreiras, biografias e vidas, sobra-nos lançarmos ao bom combate, que é constante, exigindo-nos disciplina e perseverança. A guerra do bem contra o mal, tema de incontáveis livros e filmes, deve ser travada nos domínios dos nossos próprios corações, acima de tudo.

Lembrando-nos da alegoria dos ovos da serpente,  onde devemos quebrá-los todos ainda no ninho, antes que libertemos o mal que ainda teima em fazer morada em nós. Se já desencadeamos o mal, somente nos resta sofrer-lhe as conseqüências, com serenidade e resistência.

 Em todo ser humano existe uma parcela de prudência, e outra de imprudência. Em todo ser humano existe uma parcela de fé, e outra de ceticismo. Em todo ser humano existe uma parcela de conhecimento, e outra de ignorância.O ser humano é composto de dualidades contraditórias que frequentemente o colocam em conflito diante das incógnitas da vida. Portanto, seria razoável definir todo ser humano como bom e mau ao mesmo tempo.

Com a intensidade variando de um indivíduo pra outro. Mas a questão é; se o mundo hoje é reflexo de uma humanidade muito mais provida de maldade que de bondade, talvez não seja pelo fato de existirem pessoas absolutamente ruins dominando as boas; mas pelo fato de o lado ruim de cada um vencer com mais frequência. A vida que se leva e as motivações, no caso, conduziriam muito mais o indivíduo ao lado maldoso que ao lado bondoso. O sujeito feliz, ou satisfeito, jamais teria motivo para propagar a maldade. 

Mas o infeliz certamente já o tem.Se a insatisfação e a infelicidade reinam no mundo onde vivemos, é porque há algo errado na nossa forma de viver/entender a vida.Agora, se a vida parece ser má com a maioria das pessoas, e se, ser individual(sem se comprometer com o bem estar do próximo) parece compensar, tem-se não só os estímulo necessário, como o próprio consentimento cultural de que vale a pena ser mau, pelo menos às vezes, ou quase sempre, em detrimento do ''bem estar próprio''.Resumindo, acredito que os nossos traços culturais (individualismo ao extremo, por exemplo) estimulam um comportamento mais destrutivo que construtivo, mas porque aprendemos. Não porque somos propriamente bons ou ruins. Mas devido ao fato de, na maioria das vezes, sermos mais ruins uns aos outros do que bons por não sabermos conviver em sociedade, como um grupo, como uma só espécie. Enquanto tudo girar em torno de valores que tornam a maledicência mais lucrativa do que a benevolência, o lado mau, ou destrutivo (de cada um) irá sempre ''berrar mais alto''.

Mas se de alguma forma, o lado bom fosse mais estimulado, poderia ser diferente; Se a vida das pessoas com maior potencial de frustração encontrassem nutrição através de estímulos externos como compaixão dos outros/coletividade pra que a vida não se tornasse tão dura, e, se os gestos destrutivos fossem anulados por uma conscientização de que não compensam, a tal maledicência perderia forças. Porque fazer o mal não teria tanto sentido, ou não seria tão lucrativo, como talvez seja hoje

Após tudo que passei cheguei a seguinte conclusão : "Não tenho medo da morte, tenho medo sim... da maldade humana".

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Hannan Arendt e o Brasil

HANNAN ARENDT DIRIA: A  CORRUPÇÃO NO BRASIL  É COISA BANAL..

Por Alacir Arruda

As vezes fico pensando se a grande filósofa alemã-americana Hannan Arendt ( 1906-1975) fosse brasileira, o que ela pensaria de tudo isso? Na primeira metade do século 20, o mundo conheceu um dos períodos mais bárbaros da humanidade, se visto sob o aspecto do morticínio que vigorou na Europa, sob os auspícios dos tiranos Adolph Hitler e Joseph Stalin. Para qualquer um desses monstros, matar um milhão de pessoas era só uma questão de colocar mais tinta na caneta que assinava as sentenças de morte. A filosofa alemã Hannah Arendt, ao escrever “As Origens do Totalitarismo, traduzido no Brasil por Celso Lafer, referiu-se a esta época como sendo a da “banalização do mal”.

Poucos brasileiros tomaram conhecimento – mesmo porque muitos já não estão podendo comprar jornal ou revistas semanais e a internet só fala de Anita - que um trabalho recente do Ministério do Planejamento, deixou patente que a corrupção no Brasil já alcançou 200 BILHÕES de reais por ano, ou 16% do PIB, num país que há mais de 20 anos, patina a uma taxa média de 2,3%.  Este cálculo corrobora uma estimativa da FGV que chegara aos 230 bilhões de reais ate 2018. Este tema não mereceu as manchetes dos jornais, porque nesses últimos 20 anos a corrupção banalizou-se de tal forma no Brasil, que os dirigentes públicos e seus clones na iniciativa privada nos furtam com tal aisance, que sua súbita ascensão nas colunas sociais já não impressiona ninguém. 

É certo que nenhum país do mundo conseguiu até hoje dar fim â corrupção, mas é possível diminuir sua incidência, se um trabalho sério for feito nesse sentido. E se o Brasil pretende ser respeitado, a ponto de ser eleito para o Conselho de Segurança da ONU, terá primeiro que varrer a casa. A multinacional KROLL, que se dedica ao cálculo de riscos para os investidores, informa que os dois maiores riscos que um investidor enfrenta hoje no Brasil são: a carga tributária, sempre em ascensão, e a corrupção. É evidente que estes riscos estão interligados, pois se diminuirmos a taxa de corrupção, poderemos igualmente diminuir a carga tributária. Não poderemos ser levados tão a sério quanto o desejaríamos, se levarmos em conta que a organização Transparência Internacional, nos agraciou com grau 3,9 – numa escala de 1 a 10 ,utilizada para medir a corrupção entre 130 países investigados. Os países escandinavos alcançaram, em media, grau 9. Na America do Sul perdemos ate para a Venezuela.

Hoje no Brasil, percebe-se que o governo Temer quer transformar as próprias  acusações e  dos empreiteiros contra a Turma do Pudim em fato banal. Algo tão corriqueiro que nem notícia merece ser. Tal discurso embute a premissa de que a corrupção é inexorável, assim como o caixa dois nas campanhas eleitorais. É como se esconder diamantes na Suíça fosse tão comum quanto político pintar o cabelo de acaju.

Mas o discurso está emplacando. De tão anunciada, a chamada delação do fim do mundo  virou  notícia velha na época,  mesmo  antes mesmo de ser publicada. Falou-se tanto dos 77 delatores da Odebrecht que eles já se tonaram clichê, lugar comum, déjà vu. Exagero? Quem atentou mais de dois minutos à denúncia contra Aécio Neves, baseada em vazamento parcial de delação odebrechtiana? Qual denúncia?

Um argumento contra a banalização é que a indignação da opinião pública contra a impunidade não deixará o descaso prevalecer. Contra ele servem as prisões dos azarados que ficaram nas mãos de juízes de primeira instância. Ver o ex-todo-poderoso presidente da Câmara dos Deputados algemado, o ex-governador de camiseta verde Bangu ou o ex-bilionário de cabeça raspada aplaca o desejo de desforra contra a classe política.

Enquanto isso, em Brasília, a elite com foro privilegiado decide qual o melhor juiz para julgá-la no Supremo Tribunal Federal. Como se fosse normal e corriqueiro caber ao criminoso escolher o próprio júri. Vale a lei da vantagem, segue o jogo.

A justificativa prática para a desfaçatez é que alguém precisa fazer o serviço impopular das reformas previdenciária, trabalhista e todas aquelas que tiram votos em vez de dar. Como ninguém quer fazer campanha prometendo aumentar o tempo de contribuição para o trabalhador poder se aposentar, melhor deixar isso para um governo sem pretensões de se perpetuar no poder – como se seus integrantes não fossem poder há 30 anos.

Finalmente, há o argumento “melhor isso do que voltar o PT”. De todos, é o mais sincero. Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei.

Se Temer e seus asseclas tiverem sucesso onde os petistas falharam e conseguirem emplacar o discurso da banalização da corrupção, vai se consolidar uma divisão dos políticos em duas castas: os comuns, sujeitos a tomar banho frio em Curitiba a mando de juízo de primeira instância, e os alforriados, beneficiados pelo acúmulo de processos no gabinete de um ministro do STF.

Como diria aquele policial federal,  tudo é uma questão de timing. Para uns, o tempo urge. Para outros, urge não ter pressa. Não convém manipular o teor de vereditos, melhor trabalhar o calendário. É o suficiente para moldar o jogo político e eleitoral. De um lado, dá-se prazo para aprovar reformas no Congresso. De outro, criam-se condições para limar candidaturas.

Enquanto ainda é presidenciável, Lula obstrui candidatos do mesmo campo político – mesmo com rejeição recorde, tem mais intenção de voto do que qualquer companheiro. Quanto mais demorar para o petista ser declarado inelegível, menos tempo sobrará para cultivarem-se alternativas no petismo. Se, por fim, ele não puder disputar, aumentará o espaço para quem surfe a onda que elegeu Trump nos EUA. Salvo, claro, se Lula ser absolvido por Moro

Se ressuscitasse no Brasil, Hannah estaria hoje escrevendo sobre a “banalização da corrupção” que mata de inanição milhões de brasileiros, sem que se tenha nem mesmo o trabalho de assinar uma sentença.

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Mãe,Freud Explica!

MÃE, FICA TRANQUILA, FREUD EXPLICA!

Por Alacir Arruda

Certa vez  - corria o ano de 1993 - minha mãe, que esse ano completa 81 anos e viveu 60 deles na roça, me disse, ao ver o comercial da cueca Zorba: "filho, meu corpo pede terra"!...Bom, em épocas de empoderamento feminino, transsexualidade, uniões homo-afetivas, homem casado com homem e mulher com mulher - não que eu seja contra, ao contrario, cada qual sabe o que faz de sua sexualidade -  e a idéia de que  uma criança, enquanto gestada, não pode ser chamado de homem ou mulher, recorro a Freud para entender essas loucuras e, talvez, deixar minha mãe mais calma...

Nesse quesito, Freud tinha absoluta razão razão; mesmo que o ser humano  tente disfarçar desejos e intenções; a busca da relação entre homens e mulheres, e entre os homossexuais, está quase sempre voltada para a sexualidade bem ou mal definida ou intencionada.

De forma explícita ou camuflada quando nos interessamos por alguém “fazemos sexo” com os olhos, com o pensamento, etc. Desde o começo dos tempos foi dessa forma; no entanto, na atualidade, a deusa “mídia” ajudou a transformar um recurso divino para a evolução como o sexo numa idéia quase fixa (obsessão).

A energia sexual é força de imenso potencial no progresso da humanidade.

Quando em equilíbrio: revigora; harmoniza; impulsiona; dá vida; desenvolve e liberta; faz desabrochar o gérmen do amor na interação entre criaturas; impulsiona o progresso.

Quando em desequilíbrio: descarrega energias; enlouquece; aprisiona; exacerba egoísmo e orgulho; nessas condições não ocorre troca; usa-se ou possui-se; vende-se ou troca-se; o que gera débitos a serem corrigidos futuramente.

Como começou a encrenca da sexualidade mal conduzida?

Somos capazes de desviar e viciar instintos que levaram milhões de anos em desenvolvimento; teimamos também em viciar a fisiologia, pois comemos sem ter fome (instinto de sobrevivência); matamos por esporte ou lazer; usamos a energia sexual por puro prazer (instinto de perpetuação da espécie) chegando às raias do egoísmo desajustado: somos os únicos que tem relação sexual sozinhos; e há os que pagam para fazer sexo; e, se prostituem.

Um recurso tão poderoso na mão de “crianças em evolução”; sem dúvida, poderia tornar-se um brinquedo perigoso.

Daí, o uso das energias sexuais, tornou-se um foco de desequilíbrios, cujo conjunto causa – efeito flui e reflui pela eternidade; até mesmo nas tendências inatas para adoecer – além disso, a energia sexual em desalinho é um dos principais veículos detonadores de violências; traições; assassinatos; suicídios – o que gera débitos que atravessarão séculos ou milênios até o inexorável resgate ou reparação.

Usar bem a energia sexual é uma das matérias mais difíceis da evolução humana; quem a dominar, segue feliz e com a consciência cada vez mais desperta e ampliada.

O mau uso do sexo como veículo de promoção social; comercial; artística e cultural.

O uso da sexualidade como moeda com graves e imprevisíveis conseqüências para o desenvolvimento pessoal e coletivo, é bem antigo – a diferença é que na atualidade aumenta o perigo; até por que na vida contemporânea, as maiores vítimas do consumismo sexual são as crianças e os jovens. Aí estão nos noticiários do cotidiano; notícias nas quais crianças e jovens se tornam protagonistas de ocorrências nefastas dos prazeres sexuais (dos adultos, principalmente); dos amores descontrolados; traições; vinganças; morte. Os perigos são crescentes; pois um dos efeitos do estresse crônico do qual as crianças são as grandes vítimas é o aumento do cortisol – um dos mediadores químicos que se elevou de forma constante; e um de seus efeitos é acelerar a maturidade sexual – com isso, é comum que vejamos por aí, meninas de 6 ou 7 anos de idade com “corpinho de 15” a despertar o olhar e os desejos cobiçosos de adultos com doenças educacionais cada vez mais graves – nestas bandas a maior parte da violência sexual “materializada” contra crianças e jovens fica quase impune; pois é cometida entre as paredes da vida em família – cada vez mais desorganizada e sem valores. Segundo as estatísticas de violência e de assédio sexual contra crianças e adolescentes, a maior parte é gerado por namorados da mãe; irmãos; enteados – claro que esse problema de falta de qualidade humana não é recente; porém na atualidade, toma dimensões que deveria nos preocupar e gerar medidas eficazes de combate. Muitas vidas são deformadas por esse tipo de agressão covarde que gera marcas difíceis de apagar.

Como desgraça pouca é bobagem; sob a ação do estilo de vida atual, a idade de primeira menstruação abaixa rapidamente – a de primeira relação sexual consentida ou não, também – como efeito colateral: o risco de DST; gravidez cada vez mais precoce e aborto; também aumenta. Mais um fator de peso se acrescenta ao problema: o uso da Internet possibilitando a explosão de todo tipo de tara e desvios de conduta sexual latentes.

Como a energia sexual mal direcionada pode nos fazer adoecer? Na condição egoísta de sexualidade, um dos parceiros seqüestra a vitalidade emocional do outro – ou eles se exploram reciprocamente; caindo ambos em exaustão.

A insatisfação crônica é uma das marcas registradas de nossa pouca maturidade psicológica – No contexto da sexualidade não poderia ser diferente; estamos insatisfeitos século após século – nesta época de mídia de ação rápida criou-se a cultura do orgasmo; a ilusão do prazer sexual pelo simples prazer nos traz inúmeros sofrimentos; pois sem o amor que lhe dá harmonia, ele é como um sonho e; quem faz uso do sexo dessa forma, sempre acorda dele insatisfeito; é preciso cautela, pois confundimos cobiçar o corpo, a companhia, as sensações, com o verdadeiro amor; o sexo é o caminho, não o fim…

No campo da evolução pessoal: o desequilíbrio energético causado pela idéia fixa, que deixa estagnadas as energias sexuais; afeta profundamente o centro de força genésico; e seu efeito é devastador; pois afeta a maioria dos outros chakras, causando lesões e disfunções no corpo físico em órgãos importantes; e, além disso; deixa terreno propício para doenças sexualmente transmissíveis proliferarem.

Pior ainda:
Os desequilíbrios não corrigidos no devido tempo, são impressos no corpo astral; reaparecendo futuramente como malformações; esterilidade…; além de tendências para problemas mentais e emocionais: alterações de conduta; viciações; impulsos; taras; desequilíbrio sentimental; pobreza de sentimentos; aversão ao sexo; emoções primárias exacerbadas e dominantes; perversão dos instintos; e permanece por tempo indeterminado; até que o equilíbrio seja alcançado através do esforço ativo, muito lentamente; pois a mente em desalinho e repleta de clichês sensuais impossibilita manter o pensamento em ordem; a ferramenta necessária para todos os tipos de ajustes e correções.

Para pessoas comuns não há sanidade e paz sem uma vida sexual saudável.

Essa é uma das incontestáveis verdades naturais.

E cansamos de ouvir no dia a dia:
– Credo que pessoa “xiliquenta”! – É falta! – De certa forma – realmente é. Mesmo por linhas tortas os ditados populares costumam nos mostrar certas verdades. O problema está em definir o que seja uma vida sexual saudável; e, para discutir isso, precisaríamos de uma enciclopédia; mas, dá para resumir e oferecer algumas dicas aos interessados em viver no mundo real.

• XÔ! – para conceitos do tipo: comer ou possuir alguém.
• Pessoas que comentam sua vida sexual ou que contam vantagens são problemáticas. Quem desrespeita essa interação tão íntima não merece consideração; deve tornar-se carta fora do nosso baralho.
• Cuidado com as pressões de grupo que formam campeonatos de libido e orgasmos mentirosos.
• Se a relação foi insatisfatória, busquemos analisar com carinho onde falhamos sem tentar por a culpa na outra parte.
• A energia sexual é para ser compartilhada. Não façamos da masturbação um hábito. Isso indica no mínimo pouca competência afetiva. A energia sexual é para ser trocada, não se trata de algo para ser descarregado.
• Se o principal elo da ligação afetiva que temos com alguém é a interação sexual, tenhamos absoluta certeza que, essa relação já acabou mesmo antes de começar; será uma interação afetiva “rapidinha” tipo fast-food.
• Aprendamos a fazer da energia sexual uma energia de doação. Ofereçamos sempre o que temos de melhor para a outra parte e o retorno, a vida nos dará com toda certeza.
• A sexualidade é um dos caminhos do desenvolvimento da capacidade de amar. Quem ama cuida e quem ama: respeita. Aprendamos a cuidar e a respeitar a outra pessoa, sempre.
• Não devemos misturar relação sexual com bebida nem com drogas. Tal e qual dirigir. Se beber não dirija. Muitas vezes, nada de desagradável acontece durante o ato; mas os “desastres” são mais comuns do que se imagina (especialmente no terreno astral – obsessões). Se precisarmos de bebida ou qualquer estimulante para usar a criatividade na hora da relação sexual, estamos nos avisando que algo não vai bem.
• Não criemos expectativas quanto ao resultado final da relação. A chance de frustração é enorme. A melhor política exige simplicidade e humildade. Desse modo: a satisfação é garantida. Apenas façamos nossa parte, doando: carinho, respeito, cuidados.
• Evitemos as pessoas com desvios sexuais. Significam problemas e logo nos deixarão; pois já estão insatisfeitas com a própria sexualidade; além disso, tem pouca afetividade para trocar.
• Cada um tem as suas necessidades sexuais. Estudemos as da outra pessoa e procuremos satisfazê-la com cuidado e respeito, que a vida nos devolve da mesma forma.
• Quando estivermos insatisfeitos verbalizemos a insatisfação. Treinemos o diálogo claro, inteligente e honesto para garantir nossa felicidade e a da outra pessoa.
• Que fique sempre claro que não existe nem o parceiro ideal nem a parceira ideal. O ajuste sexual como o amor é uma conquista capaz de trazer paz, harmonia e felicidade com tempo e esforço.
• A continência sexual forçada é uma fonte de distúrbios – conforme vemos no dia a dia de casais – e veremos nos noticiários com relação ao problema da pedofilia entre celibatários não preparados para transmutar a energia sexual em doação amorosa.
• A relação sexual envolve aspectos que nem sonhamos ainda, como a obsessiva necessidade de sexo no pós – morte. Temos nossas companhias espirituais. Para aqueles que já se preocupam com esse assunto que tanto influencia nossas vidas, vale um alerta, cuidado com quem, onde e em que momento vai manter relações sexuais; pois podemos arrastar conosco companhias espirituais indesejáveis do parceiro ou dos locais do tipo: motel; que vão nos assediar com resultados funestos.
• Necessidades sexuais compulsivas e masturbação compulsiva…, são indicadores de obsessão espiritual em andamento.

O perigo de desastres no uso da sexualidade aumentou com a filosofia do test-drive; quando a outra parte só quer ficar.

Numa sociedade de consumo a degustação é saudável; pois, não levamos para casa o produto no escuro – claro que como todas as escolhas humanas essa também têm seu preço – vários são os aspectos positivos; mas, o perigo que se oculta atrás dessa facilidade não é nada desprezível.

Quem quiser virar amostra grátis de relação afetiva: problema seu…

Ficar: De forma geral indica que há interesse na pessoa e deixa subentendido que há intenção de relacionamento sexual. O cuidado que devemos tomar nesse tipo de situação é avaliar sempre o que nos interessa naquela pessoa antes e depois. Quer se tornar o prato do dia? Deseja ser o gran finale de uma noitada memorável?

Tá ligado? A libido está a mil por hora? Quem é o chefe o cérebro?

A cultura do orgasmo preconizada pela mídia é uma armadilha para os incautos. Ela criou uma visão obsessiva e deturpada do orgasmo a qualquer custo e a qualquer preço; o que causa muitos problemas psicológicos para pessoas imaturas de qualquer idade.

É preciso esclarecer o jovem para não cair em “pegadinhas sexuais” tão antigas quanto simplórias; é urgente e inevitável repensar e reavaliar conceitos sobre o orgasmo para que não ocorram destrutivas desilusões, cada vez mais precoces; promiscuidade; decepções; depressão; obsessão; sofrimentos.

Dica.
Na relação o orgasmo não pode ser o objetivo, e, sim conseqüência.

Claro que sem ele nossa vida não teria a mesma graça; mas a preocupação com o prazer como finalidade primária; traz uma série de problemas psicológicos e afetivos, tais como: medo de se relacionar; insegurança quanto ao desempenho; ejaculação precoce; dificuldades de ereção; frigidez; masturbação viciosa e doentia.

A cultura do prazer a qualquer preço ajuda as pessoas a se tornarem fingidas; mentirosas; desonestas, consigo mesmas e com as outras pessoas – cria-se toda uma cena no momento; mas não dá para sentir alegria real e duradoura.

Se nos descuidarmos, nós nos tornamos mentirosos quanto ao próprio orgasmo e quanto ao número deles. Transformamos o prazer sexual numa competição para ver quem é capaz de sentir; ou de mentir mais – Coisa de quem vive na periferia do mundo REALIDADE. É fácil identificar esse tipo de pessoas: sentem uma necessidade compulsiva de divulgar seus feitos. Apregoam suas conquistas amorosas para que possam esconder de si mesmas sua pobreza afetiva.

Se liga!

Orgasmos múltiplos, várias relações sexuais seguidas, são fantasias que muitas pessoas gostam de cultivar para enganar a si e aos outros.
Para elas, um carinhoso: XÔ!

VIDA SEXUAL ENTRE PARCEIROS FIXOS

Na atualidade tamanha é a facilidade de test-drive, que é politicamente correto denominar também os antigos casais (marido e mulher) de parceiros “fixos” ou quase.

Hoje ainda; embora nem tanto – mas, antigamente o móvel da maior parte das uniões era o sentimento da paixão:

Criaturas apaixonadas trocam juras de amor eterno; durante as relações sexuais alcançam o êxtase; trocam carinhos e afagos como dois pombinhos – nessa primeira fase, consideram que nasceram um para o outro – depois, cada qual vai para sua casa sonhando com o próximo momento; idealizam uma existência plena de felicidade junto àquela criatura maravilhosa que tem apenas alguns “defeitos de caráter” que logo vai corrigir – mas, depois de algum tempo vivendo juntos; os defeitinhos do outro se tornam grandes e incomodam – e logo surge a primeira crise; pois nenhuma paixão resiste à convivência de dois imaturos; para piorar, a criatura antes maravilhosa está se tornando chata; daí em diante, situações mal interpretadas fazem adoecer na área genital: uretrites, corrimentos, ejaculação precoce, etc. (adoeceu nessa área reavalie a sexualidade); – nessa fase, começam os conflitos e as dúvidas quase nunca verbalizadas; e surgem novas somatizações, cada vez mais profundas; está aí o câncer de mama e de próstata; para não nos deixar mentir.

Paixão: um ardil da natureza!

A vida não dá ponto sem nó: Para a perpetuação da espécie, a força de atração inicial ajuda a encobrir com mais intensidade a verdadeira personalidade dos envolvidos; á medida que ela perde força começam as decepções. O desafio para os casais (parceiros fixos) é manter acesa a chama, da antiga paixão; cultivando o respeito mútuo e renovando os objetivos comuns. Se a vida sexual nesta fase não é satisfatória as perspectivas do futuro da relação são sombrias; pois, a energia sexual é o principal fator capaz de manter a ligação estável.

Perigo! – Rotina á vista!

Quando a paixão perde força cede lugar á rotina, aquela mesmice de sempre que deixa as partes insatisfeitas; embora quase sempre acomodadas – há um grande risco de tornar o relacionamento sexual numa masturbação a dois; servindo apenas para diminuir tensões e jogar energia fora; quando deveria ser uma transfusão de energia e de vitalidade – uma das grandes causas de cansaço crônico e de neurastenia.

Aprender a ler os sinais:

O analfabetismo existencial impede que simples leituras do cotidiano não sejam feitas; e que graves problemas tenham início. Está ao alcance de todos perceberem que homens e mulheres apresentam diferenças; não apenas na aparência e nas funções físicas; mas, sobretudo no funcionamento psicológico.
No dia a dia os homens interpretam as atitudes das mulheres como se elas fossem homens e vice – versa; especialmente na sexualidade homens e mulheres funcionam de forma muito diferente; e têm necessidades particulares; esse descuido é fatal para a qualidade dos relacionamentos.

Além disso; insegurança e medo de perder o parceiro; fazem com que as insatisfações na relação sejam ocultas; e passo a passo elas tornam-se mecânicas e insatisfatórias; claro que a repercussão no dia a dia será inevitável.

CONFLITO:

A insatisfação não verbalizada de forma clara leva á suspeita de traição da outra parte; claro que isso leva á mudança de comportamento, até na sexualidade, no dia a dia com atitudes agressivas; que o autor não percebe como tal; pois sempre nos colocamos na condição de vítima.

Quando há diálogo franco e claro sobre a sexualidade e a qualidade das relações; os conflitos podem ser evitados ou minimizados.

Alerta!

O relacionamento pode evoluir para uma relação insatisfatória que propicia a busca de novos parceiros imaginários ou aventuras amorosas; o que acentua conflitos que tendem gerar culpa e remorso, dando início a doenças somatizadas – a crise segue seu curso e proporciona relações sexuais insatisfatórias; cada vez mais esporádicas, e, atinge o ápice com a continência forçada por negativa do outro ou eternas desculpas; o que, acentua problemas de doenças físicas e mentais e emocionais; mais profundos como: neuroses, histeria – e somatizações leves, moderadas ou até mortais.

Solução?

Doar-se em prol da satisfação do outro o tempo todo, é algo além das nossas possibilidades atuais; quem ousa fazer isso, perde a auto-estima, anula-se e colabora para que a outra parte torne-se acomodada e cada vez mais egoísta.

Melhor chamar o Dr. Freud – nem que seja através da mediunidade de alguém – se é que ele já não ande por aí – sinceramente nós esperamos que ele na atualidade; não seja dono de alguma empresa de sexshop.

Prometo ler esse texto para minha mãe.....


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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Só a morte nos une

NÃO ME VENHAM COM CONCLUSÕES! A ÚNICA CONCLUSÃO E A MORTE!

Por Alacir Arruda
Alguém certa vez me disse: 'Alacir, a falta de sono por vezes nos faz delirar.." Sou prova disso, pois as 04h00 da madrugada resolvi Plagiar o maior poeta da Língua Portuguesa Fernando Pessoa. E por quê? Porque acredito que essa frase é, absolutamente Schoperaureana / Nitiana, e como admirador confesso desses dois filósofos resolvi refletir.

Para que verdades? Conclusões? Aliás, por que precisamos sempre explicar as coisas, os fatos? E o imponderável? Onde ele reside? Talvez esteja ai o grande responsável pelas nossas angústias e frustrações. Essa nossa incapacidade de lidar com as limitações inerente a nossa espécie e a certeza de que carregamos um “cadáver” em nossas costas, nos eleva a uma espécie de “cegueira branca” ( aquela do de Saramago), onde preferimos fingir de cegos e ignorar a única conclusão da vida, qual seja, morte!

Até as incompreensíveis religiões ( e aqui não poupo nenhuma), tentaram nos ludibriar com elucubrações e delírios como a existência de “deuses, céu, paraíso vida eterna” entre outras insanidades, porém, o objetivo final é sempre nos aliviar da certeza de nosso fim. Uma pergunta paira no ar: por que queremos a vida eterna? Qual o objetivo em continuar a viver, mesmo que no plano espiritual? Talvez Freud nos ajude.

Segundo o criador da psicanálise, Sigmund Freud: “Nós, criaturas civilizadas, tendemos a ignorar a morte como parte da vida...no fundo ninguém acredita na própria morte, nem consegue imaginá-la. Uma convenção inexplícita faz tratar com reservas a morte do próximo. Enfatizamos sempre o acaso: acidente, infecção, etc., num esforço de subtrair o caráter necessário da morte. Essa desatenção empobrece a vida...”.

Schopenhauer (1788-1860) pontua: "certas religiões ou filosofias não preparam o homem como de fato seria necessário, assim por vezes o mesmo apresenta conceitos que o tornam inseguro. É, de fato, uma coisa questionável imprimir precocemente no homem, nesse assunto tão importante, conceitos fracos e insustentáveis, e assim torná-lo para sempre incapaz de admitir o que é mais correto e seguro.” (Schopenhauer, 1788-1860,p.60).

Nietzsche ( 1844-1900) afirma: "o cristianismo promete vida eterna aos que souberem viver bem a vida, alimentando uma falsa esperança de um mundo ilusório, aquilo que ele de chama de “morte covarde”. Para fundamentar sobre as conseqüências da morte não livre, Nietzsche faz menção à lembrança inerente ao homem do “foi assim”, considerado por ele como a causa de todo o sofrimento humano, sendo este submetido ao tempo que passa, perdendo a possibilidade de mudança da realidade. O homem não tem noção real de tempo, sendo acometido à morte que “parece ser um acidente que assalta”.A morte surge, para essas pessoas, como uma fatalidade.

Filósofos à parte, a nossa reflexão sobre a incapacidade humana em lidar com sua finitude continua. Penso que que esse capitalismo, cada vez mais selvagem e individualista, seja uma das causas desse nosso temor. Ao apegarmos a bens materiais, nos auto-afirmarmos nesses produtos a ponto de torná-los a nossa razão de existir. Senão vejamos, um individuo que hoje possui uma Ferrari, essas de ultima geração, acaba por perder seu nome e sua identidade humana, ele passe a ser o “fulano da Ferrari” e assim segue com outras marcas de destaque. Imagine um mundo sem Black Friday ( não que eu defenda a existência disso)?Como você poderia ter aquela Smart TV de 49 polegadas pra poder convidar seus amigos para assistir Netflix? Aliás o Netflix também é um fenômeno da pós modernidade, se você não tem, não faz parte do grupo ( só um lembrete: eu não tenho essa porra!).. 

Nossa Alacir,como você esta agressivo!.. Não querida, so estou bêbado...

Por isso afirmo... A única conclusão que existe é a morte, portanto, aceite-a!!



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domingo, 12 de novembro de 2017

ENEM 2017

ENEM 2017 - NADA MUDOU..

Por Alacir Arruda

Eu resolvi esperar o segundo domingo da provas do ENEM para que pudesse tecer alguns comentários sobre o exame, como tenho feito nos últimos 9 anos.  Bom, a primeira consideração que faço é direcionada a alguns "imbecis" de plantão que, não possuindo absolutamente nada em suas massas cefálicas, se escondem atrás de um teclado para fazer  comentários anômalos ofensivos e desprovidos de qualquer conteúdo aproveitável, são uns inúteis. Umberto Eco estava coberto de razão ao dizer que "a Internet deu voz a imbecis", SEGUNDO ELE, antes esses energúmenos destilavam suas imbecilidades  bêbados em "butecos", e hoje usam um teclado. A esses não dou,  e jamais darei, qualquer crédito, por isso não publico seus comentários. Lembrando que esse  Blog  tem quase 5 anos e está aberto a qualquer tipo de crítica, sugestões  ou elogios,  desde que não envolva ofensas pessoais. Aliás, eu aprendi com um professor do ensino médio que "quando acabam-se os argumentos, as pessoas partem para agressões", comportamento tipico de anencéfalos.

Mas falando do que interessa, ENEM, esse ano tivemos uma experiência nova que foi a realização da prova em dois finais de semana o  que,  pessoalmente, achei inteligente por parte do Inep. Quanto a prova em sí posso compará-la a um caminhão cheio de japonês dirigido por um chinês, em suma, igual as outras. A única coisa que me chamou atenção foi a  redação e a recuada do Inep frente a  decisão do Supremo Tribunal Federal, que o proibiu de  zerar redações com conteúdos discriminatórios. É obvio que, em princípio,  aquele não era o tema da redação. Ficou claro, após a decisão do STF,  que o tema  foi mudado às pressas, na noite de sábado, com o propósito de amenizar futuros problemas jurídicos. Escolher  um tema relacionado a Inclusão foi a saída que o Inep encontrou para fugir de uma "saia justa", afinal, com raríssimas exceções uma vez que loucos existem em todos os níveis, um tema desse quilate jamais poderia  trazer qualquer tipo de problema ao Instituto. Em face disso, considero que o tema facilitou muito a vida dos estudantes.

No que diz respeito a minha área, Humanidades, o que  vi foi uma prova  bem elaborada e que exigiu muito conhecimento - a priori- dos educandos. Questões de filosofia muito bem elaboradas e um conteúdo histórico, sociológico e geográfico pertinente com as demandas do mundo atual. O que me chamou atenção nas humanidades foi a opção dos organizadores de evitar temas atuais como : Conflito Coreia do Norte e USA, 100 anos da Revolução Russa os 50 anos da morte de Chê Guevara entre outros. Mas sem duvida,   o fato que mais me surpreendeu, é o Inep não propor  nenhuma questão que mencionasse  os  500 anos da Reforma Protestante. Esse fato achei  muito estranho,  uma vez que o desenvolvimento do Brasil se deveu,  em grande parte,  aos protestantes que para cá  emigraram da Europa em meados dos seculo XIX e inicio do seculo XX e se estabeleceram na região Sul do Brasil. 

Mas esse comportamento do Inep não me surpreende, uma vez que o ENEM se transformou nos últimos 10 anos em um instrumento de manipulação das massas e trunfo politico de quem está no poder. Foi assim nos períodos  Lula-Dilma e agora não é diferente. O ENEM tem sido usado pelos governos como mecanismo de propaganda politica passando uma falsa ideia de ser um exame justo, ledo engano, uma vez que não se iguala desiguais por decreto, mas sim,  com politicas publicas sérias que possibilite, sobretudo aos menos  favorecidos, uma certa equivalência com relação aos mais abastados. Esses acabam ficando com as melhores notas em cursos como: medicina,engenharias e direito. Como falar em igualdade quando vemos os cursos  de medicina  em federais recheados de filhos de Desembargadores, Políticos, e Ricos de toda ordem? Pessoas que, em tese, tem um poder aquisitivo que possibilita o pagamento das  mensalidades m particulares para seus "pimpolhos" e as Federais deveriam ser destinadas a quem realmente precisa. Nessa hora que discordo do Art. 5 da Constituição que estabelece que todos somos iguais perante a Lei, porém, já dizia George Orwel:  "existem os mais iguais".

Uma outra critica a essa  pseudo "justiça" desse exame reside na ideia de que somos um pais com dimensões continentais e realidades educacionais culturais bem distintas,  Ou vai me dizer que um aluno do Amapá ou Acre, por exemplo, tem em,  seus Estados, a  mesma estrutura educacional de um aluno do  Rio Grande do Sul, Paraná ou São Paulo que possuem as notas mais altas no IDEB? É obvio que não, isso só ressalta o quanto o ENEM  é injusto uma vez,  que apesar das limitações que os alunos do Acre Amapá sofrem, a prova do ENEM que eles fazem é a mesma  dos alunos do Sul. Isso é justiça? Não quero desmerecer os briosos alunos e professores desses dois estados, mas não é novidade para ninguém que eles fazem parte de uma das regiões que mais se concentram analfabetos do Brasil,  colocá-los em uma disputa com alunos que hoje recebem o que há de mais moderno em educação no Brasil - como lousa digital, aulas interativas com tablets e salas de áudio visual ultra modernas -  é, no minimo, uma excrescência.

Por fim, é isso que temos! Um exame que é o espelho de um a sociedade desigual, injusta, ignorante e egoísta. Enquanto os 6 milhões de alunos se matavam em 5 horas de prova,os nossos "honrosos" políticos estavam em casa,  aproveitando mais um recesso. Semana passada  trabalharam apenas dois dias e essa semana foram liberados,  em virtude de mais um feriado prolongado...Vai cumendo Raimundo!!


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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Um copo de cólera..

NADA ALÉM QUE "UM COPO DE CÓLERA."

Por Alacir Arruda

Quando eu tinha 18 anos, e ainda prestava o serviço militar obrigatório, eu ganhei um presente de uma pessoa, à época, muito importante para mim, tratava-se de um livro chamado "Um Copo de Cólera" do escritor brasileiro Raduan Nassar. Confesso que na época não me interessei, pois vivia as loucuras de uma juventude transviada e cabarés eram bem mais interessantes.. Me recordo que essa pessoa me disse que ao ler o livro eu não o entenderia , logo , deveria lê-lo novamente aos 28 anos e depois aos 38 , só assim eu poderia ter uma vaga ideia do que essa obra trata.

É evidente que eu não cumpri o que ela pediu, li somente aos 18 e, obviamente, nada entendi. Como guardo todos os meus livros, encontrei nos meus guardados outro dia essa obra. Fiquei emocionado ao ler a dedicatória que ela me escreveu com carinho: 

" Querido Alacir: Busquei o livro mais velho do sebo. 
O livro mais vivido, mais chorado,
mais sofrido. Este livro carrega não só
a história do papel, ele carrega várias outras 
que o rodearam por sabe-se lá quanto tempo. 
Escolhi este livro por um motivo simples. 
É hora de ele descansar. Todos merecemos 
esse momento. Quero dar a este livro 
o presente que é estar ao redor de você 
e suas histórias. Que fique sempre claro, 
o presente é pra ele e não pra você. 
Então, tenha uma vida bem feliz, cheia 
de amores realizados e sonhos lindos. 
Afinal, prometi isso a este querido livro."

Te amo. Mesmo que jamais esteja ao meu lado. 
(Sol.. Janeiro de 1989) 

Podem ter certeza que eu não sabia disso, nunca mais vi essa moça e, talvez em face da ignorância que me consumia naquele período, não consegui enxergar a  singeleza de tão belas palavras. Mas voltemos ao livro. Voltei a lê-lo recentemente, Um Copo de Cólera, é um livro diferente dos outros. Foi publicado em 1978 e é composto por sete capítulos, cada um deles com um único período e apenas um ponto final. 

A obra conta sobre a desavença entre os protagonistas, um homem e uma mulher. O homem não tem nome e não se sabe sua profissão. A mulher, também sem nome, é jornalista. Simbolicamente, o homem representa o próprio poder ( a história foi escrita na década de 70, em plena ditadura militar ), o dominador; a mulher, sua esposa, é o povo dominado e oprimido. Isso não significa que o autor tenha tido essa intenção. 

A história começa com um fato banal, quando ele se irrita por causa de formigas que estão destruindo arbustos que cercam a chácara. E aí se desentende com a mulher. Comparando, as formigas destroem a cerca e a vida desse homem. Em Um Copo de Cólera o protagonista não gosta de ver sua mulher conversando com os subordinados. Isso lembra a obra São Bernardo, de Graciliano Ramos, quando o personagem Paulo Onório também queria que sua mulher falasse com os empregados. O casal representa a crise entre o homem e a mulher, nos pequenos conflitos do dia-a-dia que se tornam insuportáveis. Enquanto que na atividade sexual ela satisfaz o marido, sendo submissa, no debate ideológico é ela que domina, por ser jornalista e falar bem. Apesar das brigas, não há vencido e vencedor. No final do livro ele se encontra sozinho, já que ela vai embora. 

O primeiro e o último capítulos têm o mesmo nome ? A Chegada. Leva-nos a crer que o primeiro apresenta a visão masculina e o segundo, a visão feminina. O homem vê na mulher a figura de amante e de mãe, principalmente quando ela lava seus cabelos. Ela o vê como filho quando está deitado na cama, encolhido como um feto. O autor tenta equilibrar razão e emoção. Ele, mais racional, perde a razão em determinados momentos, enquanto ela se deixa dominar em outras situações. Ambos representam papéis que a sociedade estabelece: homem tem que pensar e agir de uma maneira; a mulher tem que representar o seu papel de mulher. 

Apesar de escrita na época de 1970, da ditadura militar, a obra é uma novela pós-modernista cuja história acontece hoje, amanhã ou pode ter acontecido no passado. 

A linguagem é carregada de termos eruditos, rebuscada (lembra a retórica barroca), mas em certos momentos o autor joga palavrões e termos coloquiais para representar bem o dia-a-dia desse casal. 

É um livro que pode ser lido em pouco mais de meia hora, e foi o que fiz. Se fosse para classificá-lo (que coisa inútil, não?), acredito que figuraria como uma novela, ou quem sabe um conto mais longo. Mas isso não faz a menor diferença. E o livro realmente começa neste tom, com uma habilidade para narrar impressionante. Depois vem esse bendito copo de cólera, quando um fato aparentemente irrelevante serve de catarse para sentimentos ocultados, mágoas e frustrações virem à tona, numa tour de force soberbo do escritor. Mais uma vez chama a atenção a velha história: a voz é das personagens ou do escritor? Não importa muito, elas se fundem e o que sobra é uma pequena pérola, uma obra que, sem dúvida alguma, pode ser utilizado, para além da inquestionável qualidade da trama, como fonte de estudo para aspirantes a escritores (e eu me incluo aqui).

A leitura desse livro é surpreendente pelo estilo diferente e pela forma interessante de retratar o cotidiano de um casal. Parece que o homem e a mulher estão vivos, prontos a saltar aos nossos olhos... 

Fica a dica, leiam "Um Copo de Cólera".. Logo depois aprofundem Gabriel Garcia Marquéz lendo: "Memórias de Minhas Putas Tristes". É isso, leiam, apenas isso! 

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