terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Ricardo Vélez: Ministro da Edicação

MUITO PRAZER: RICARDO VÉLEZ MINISTRO DA EDUCAÇÃO.


Por Alacir Arruda/ Dados da Uerj

Quem teve  acesso a Revista Veja desta semana   e leu  a entrevista  do atual ministro da educação, o teólogo colombiano Ricardo  Vélez , deve ter ficando pasmo com tantas “asnices” que esse senhor pronunciou.  Mas quem é Ricardo Velez? Fui  pesquisar e encontrei sua origem:  Ricardo Vélez Rodríguez nasceu em Bogotá, Colômbia,   aos 15 de novembro de 1943 é um teólogo, filósofo, ensaísta e professor colombiano naturalizado brasileiro. É o atual Ministro da Educação do Brasil. Suas visões políticas são descritas por algumas fontes como de extrema-direita.

Uma pergunta urge: onde Bolsonaro foi encontrar essa figura para comandar a educação brasileira? ...Bingo... Se respondeu no Exército. É obvio que foi na caserna, é de lá que ele governa.

Com todo respeito que o seu cargo aduz, mas esse senhor é um lunático;  vejam o que ele defende nessa entrevista: Implementar nas escolas a disciplina de Educação Moral e Cívica, que foi extinta em 1985 com o fim do Regime Militar.  Alguém tem noção do que é isso representa?  Em pleno século XXI, século do conhecimento em que  nossos alunos conversam com um australiano em frações de segundos de dentro da sala de aula, por seus smart phones, voltar uma disciplina que nos remete ao período medieval? Uma disciplina que assustava os alunos e professores  na década de 70, pois era ministrada, em alguns casos, por militares fardados e exaltados usando como ferramenta didática a palmatória. Os alunos (eu passei por isso) eram  obrigados a cantar o hino nacional em cada entrada de turno, num sol de rachar. Parece cômico, se não fosse trágico..

Na sua entrevista a Veja ele ainda disse que o acesso a universidade não é para todos, que o meio acadêmico está circunscrito a intelectuais e pessoas que estejam dispostas a se dedicarem aos estudos e a pesquisa,  que a grande maioria deveria dar por satisfeita com o Ensino Médio ou Técnico. Para justificar ele afirmou que, não faz sentido um advogado estudar anos para virar motorista de Uber. Nada contra o Uber, mas esse cidadão poderia ter evitado perder seis anos estudando legislação”, diz. Para o novo comandante do MEC, o retorno financeiro dos cursos técnicos é maior e mais imediato do que o da graduação, o que pode a diminuir a procura por ensino superior no Brasil”. Como pode isso um Ministro de Educação dizer isso? Sua fala fere a Constituição,  que no  seu artigo 205  preconiza a Educação como sendo um “direito de todos e um dever do Estado”.

E como desgraça pouca é bobagem ele fechou com chave de ouro o rol de ofensas, segundo o novo Ministro da Educação do Governo Bolsonaro Ricardo Vélez, “os brasileiros que viajam para o exterior são conhecidos internacionalmente como ladrões”; roubam os hotéis onde ficam hospedados,  e ate assento de avião. Isso mesmo assento de avião (gostaria de saber como eles saem do avião com o assento).

O professor Anísio Teixeira (1900-1971), um dos maiores educadores brasileiros de todos os tempos, cujo nome empresta respeitabilidade ao INEP – instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, deixou-nos importantes reflexões sobre a Universidade. Em um importante texto, publicado originalmente pela “Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos”, em 1964, depois de empreender um singelo bosquejo sobre a história da universidade nos diz que: “Até aí a missão da universidade era a da guarda e transmissão do saber, como condição para a ordem e a civilização. Eminentemente seletiva, orgulhava-se de poucos alunos e da alta qualidade dos seus intelectuais e eruditos. Era a casa do intelecto, a torre de marfim de uma cultura fora do tempo. Foi essa universidade que começou a transforma-se com as três revoluções do nosso tempo: a revolução científica, a revolução industrial e a revolução democrática”. (Grifei). (Anísio Teixeira. A Universidade de Ontem e de Hoje. Editora UERJ, 1998).

Há 55 anos o Professor Anísio Teixeira já nos ensinava que a ideia de um ensino superior, nos moldes preconizados pelo atual ocupante da pasta da Educação, já era antiquada, arcaica e obsoleta, ou seja, de viés elitista (eminentemente seletivo), destinada e composta por intelectuais e eruditos, uma espécie de casta sapiencial, encerrada em sua torre de marfim, constituindo um mundo à parte, descontextualizado e desconectado das questões e demandas sociais e em descompasso com o tempo que se descortinava, com as revoluções científica, industrial e, principalmente, democrática.

O UNESCO tem realizado, com periodicidade decenal, Conferências Mundiais sobre Educação Superior, cuja próxima ocorrerá em Paris, em meados deste ano de 2019.
Em outubro de 1998, na sede da UNESCO em Paris, ocorreu a penúltima edição de mais uma conferência mundial, cujo foco foi “A Universidade no Século XXI” e da qual resultou a “Declaração Mundial Sobre Educação Superior no Século XXI: Visão e Ação”.
No discurso de abertura da referida Conferência o Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO – Frederico Mayor assevera ser missão da Educação Superior: “Formar os cidadãos do mundo de amanhã, cidadãos autônomos, críticos, polivalentes, criativos, capazes, em uma palavra, de discernir os múltiplos desafios que o século XXI certamente trará. Dotar a todos de meios para formar tais cidadãos: eis a missão dessa conferência”. (Grifei). (Frederico Mayor. Visão e Ação: A Universidade no Século XXI. Editora Uerj, 1999).

Regressemos à fala do Ministro da Educação e sua investida contra o “Programa Educação Para Todos – Pro-Uni”. Esse programa foi criado para facilitar o acesso dos menos favorecidos ao Ensino Superior. O Pro-Uni é uma política educacional, implementada pela Lei 11.096/2005, voltada ao segmento da Educação Superior, possuindo como uma de suas premissas fundamentais a democratização do acesso, realizando a concessão de bolsas de estudos para estudantes de cursos de graduação e sequenciais de formação específica em Instituições de Ensino Superior (IES) privadas em todo o país.

O aludido programa, como tudo que é tocada por nossa condição humana, apresenta pontos que atraem criticas e vários outros dignos de efusivos aplausos. O que é desejável seria identificar eventuais falhas, acaso existentes, nesta uma década e meia de sua implantação, e corrigi-las, aperfeiçoando ainda mais o programa, principalmente como instrumento de acesso das camadas mais populares e excluídas socialmente à Educação Superior de qualidade.

É possível constatar que a postura elitista e excludente do Ministro Vélez Rodríguez não encontra ressonância nem sequer nos primórdios do ensino superior, na Idade Média. Como sabemos, a universidade é uma invenção da Europa medieval. A universidade de Bolonha é considerada a primeira universidade do mundo ocidental, criada baixa Idade Média, no ano de 1080 e nem ela, naquela época, aceitaria um discurso tão fora de contexto como esse do Sr. Vélez.

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Um comentário:

  1. Excelente texto Alacir. muito esclarecedor, estamos cada vez mais no retrocesso da educação. É isso mesmo as estratégias do governo , "povo intelectual e perigoso" então e somente uma parcela da população que terá acesso. Adorei o texto. Vou compartilhar.

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